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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os movimentos de hoje

Surpresas nos Estados Unidos.
Na Europa aconteceu o esperado.
E a Ásia não trouxe novidades.
Nos Estados Unidos os mercados comemoraram o anúncio do desempenho do mercado de trabalho, com a criação de 157 mil vagas no setor privado.
Na Europa, o Banco Central suspendeu a exigência mínima de classificação de risco dos bônus para tomada de empréstimos em suas linhas de financiamento. Com isso, Portugal ganhou fôlego e os mercados também.
Por outro lado, Banco Central Europeu elevou a taxa básica de juros da Zona do Euro em 0,25 pontos percentuais. Agora, a taxa é de 1,50% ao ano. Parece mais uma decisão precipitada. Já é a segunda elevação nesse ano. Na Inglaterra a taxa de juros foi mantida inalterada, em 0,5%.
Na China, a elevação das taxas básicas de juros de ontem, pelo Banco do Povo da China, foi recebida com naturalidade pelo mercado. Na verdade, a alta já havia sido precificada nos ativos e passivos da economia.

Maio é o mês das noivas e do crédito


Crédito cresce na contramão das medidas macroprudenciais
O estoque de crédito do sistema financeiro atingiu R$ 1.804 milhões em maio; ou seja, o equivalente a 46,6% do PIB. O crédito cresceu 1,63% em abril. Em relação a maio de 2010, o crescimento foi de 20,4%.
Até o final do ano, em função das medidas macroprudenciais, espera-se que o crescimento não ultrapasse 15,5%.
Mesmo com o aumento dos juros, a inadimplência não cresceu em maio.
O desemprego mantém-se baixo e os reajustes salariais foram sempre negociados acima da inflação. Isso explica a inadimplência não ter crescido em momento de desaceleração econômica. Em maio, a renda real aumentou 1,2%.
Em outras palavras o mercado de crédito não esfriou. Ao contrário continua a ameaçar a estabilidade dos preços. Podemos esperar pelo aumento de, no menos, 0,5% na Selic, na próxima reunião do Copom.

É de estarrecer, se for verdade

Facebook, um propagador de scams
A Safego, empresa dedicada a prover serviços de segurança na web, afirma que, entre todos os usuários do Facebook, 25% mantêm relacionamento com no mínimo outro usuário que dissemina conteúdo malicioso. A ser confirmada, notícia como essa Espanha pânico entre os freqüentadores de redes sociais.
Os conteúdos possibilitariam os chamados scams (fraudes online). A conclusão decorre da análise dos dados do BitDefender, aplicativo para a rede social.
Percentual tão alto de participantes espalhando conteúdo malicioso recomenda o abandono da rede. Resta saber o que estaria acontecendo em outras redes sociais.
A Safego afirma que a disseminação pode estar sendo realizada sem que os usuários percebam que os aplicativos publicam conteúdo em seus próprios nomes. Os conteúdos são aplicações suspeitas ou links para conteúdos potencialmente nocivos. Isso promove recebimento de mensagens indesejáveis (spams), roubos de identidades, etc. Os usuários são atraídos por meio de promessas de bônus em jogos sociais, personalização de perfil até encurtamento de URLs (endereços de internet).
Estarrece.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cachorro picado de cobra tem medo de linguiça

Instalação de câmaras  para segurança em centros urbanos
O governo chinês vai instalar um sistema de câmeras para segurança na cidade de Chongquing. Trata-se da maior e mais populosa província do país, com graves problemas de segurança pública.
A área planejada de cobertura de todo o sistema é de 640 km2. O sistema prevê a instalação de 500 mil câmeras, por meio de um consórcio de empresas que será liderado pela Cisco System, fabricante de equipamentos de rede.

A notícia suscitou receios. Enquanto o governo chinês entende que a necessidade da prevenção a crimes é prioridade, de outro lado a comunidade internacional, sobretudo as ligadas à defensa de direitos humanos, entende que o projeto abre espaço para o aumento dos mecanismos de controle sobre a vida política do país.
Claro que “cachorro picado de cobra tem medo de linguiça”, mas, por outro lado, a China tem tratado seus dissidentes políticos como criminosos comuns.
Sistemas de segurança são sempre bem-vindos.
O que assusta é o uso que pode ser feito deles. O uso político seria realmente uma ofensa às práticas democráticas, mas falar disso em um país totalitário não faz sucesso. Aguardemos agora pela implantação do sistema na Venezuela.

Não é só o aumento das exportações. As arbitragens "puxam" o ACC

Crédito para exportação soma R$ 36,8 bilhões

Veículo: DCI - Data: 5 de julho de 2011-07-05
Jornalista: Marcelle Gutierrez
São Paulo - As exportações brasileiras bateram recorde no primeiro semestre de 2011, com valor de US$ 118,306 bilhões, parte da meta prevista para este ano, de US$ 245 bilhões. Ao mesmo tempo, a linha de crédito de Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC) mantém forte expansão. Além do aumento do volume das vendas externas, especialistas apontam o crescimento do segmento como consequência de elevadas taxas de juros, aumento da inadimplência e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que beneficia os clientes de menor risco - no caso, as grandes empresas exportadoras.
De acordo com dados do Banco Central, o saldo total na modalidade ACC somou R$ 36,836 bilhões em maio de 2011, acréscimo de 8,2% ante abril, de R$ 34,044 bilhões. Na comparação com janeiro, de R$ 31,280, o crescimento chegou a 25,5%. No acumulado de 12 meses, a expansão foi de 23,7%. Para o BC, as operações de ACC possuem significativa participação nas carteiras para pessoas jurídicas com recursos externos, que elevaram 5,7% em maio e impulsionaram o acréscimo de 1,4% do saldo total para empresas, de R$ 586,7 bilhões.
O ACC se caracteriza como a principal linha o exportador e funciona como uma antecipação de recursos em moeda nacional (em reais), por conta de uma exportação a ser realizada no futuro. Para Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, a queda das importações e o aumento das exportações impulsionam esse segmento. Há ainda os benefícios do mercado financeiro e a isenção do IOF. "Muitas empresas trocam as linhas de capital de giro por ACC e ACE [Adiantamento sobre Contrato de Câmbio], que é isento de IOF. De dois meses pra cá, pela isenção do IOF, ficou mais barato.
O especialista também ressaltou as operações conjuntas com a compra de dólar futuro pelas companhias, o que aumenta os rendimentos. "As empresas compram dólar futuro e casam com as linhas de crédito no exterior. Na prática, se aproveita do dólar futuro com cotação mais baixa do que à vista e pisa nas operações de arbitragem", pontuou Grisi.
Para o professor de Economia do curso de Administração da ESPM, José Eduardo Amato Balian, a elevação do ACC tem relação direta com o aumento do volume das exportações, em torno de 10%, por conta do alto preço das commodities. Em paralelo, há o maior critério das instituições financeiras na concessão de financiamentos. "Essa modalidade é a que tem mais segurança para os bancos, com menos risco por se tratar de grandes empresas com contratos de venda já fechados, e para o exportador, já que é mais barata."
Ao comparar as taxas de juros, as operações de ACC apresentam quedas nas taxas de aplicação desde julho de 2010, de 16,3% ao ano, maior já registrada nos últimos 12 meses, segundo o Banco Central. Em maio deste ano, a taxa anual ficou em 12,5%, redução de 2,4 pontos percentuais no ano e de 2,7 p.p. na comparação com maio do último ano.
O Banco do Brasil é o principal agente financiador em operações de ACC e ACE, com saldo no primeiro trimestre de 2011 de R$ 3,6 bilhões, crescimento de 9,09% ante o mesmo período de 2010, de R$ 3,3 bilhões.

Explicando o inexplicável

Poeira nos olhos não. Vamos aos fatos.
O dólar fechou ontem cotado em R$ 1,565. Alta de 0,71%. Foram seis sessões em queda. Há razões para isso?
Sim, entre elas a maior refere-se à deterioração do ambiente internacional de negócios. Na 2ª feira, a Standard & Poor’s falou em “default seletivo” para classificar a dívida grega. No dia de ontem entrou em cena outra agência de risco: a Moody’s. Anunciou sua redução para a avaliação para dos títulos de longo prazo do governo português. Derrubou o rating de Portugal de Baa1 para BA2, anotando seu viés negativo para esses títulos. A notícia não poderia chegar em momento tão impróprio para o mercado de ações. O dólar como se sabe, nesses momentos vira um refúgio seguro e os investimentos tendem a sair do país. Absurdo? Sem dúvida, mas é assim que os investidores pensam e ponto final.
Também é verdade que o Banco Central esteve ativo na ponta das compras e ajudou a recuperação do dólar. A apreciação do real incomoda muito ao ministro Mantega que tem manifestado, sempre que pode, sua intenção de produzir medidas, sobretudo em relação ao mercado de derivativos. Incomoda também o presidente do Banco Central que conhece bem o custo para o Brasil da manutenção de nossas reservas em moeda estrangeira. Fosse pelo desejo dessas duas autoridades, as medidas já estariam implementadas. Mas gradualismo é gradualismo, até para o dólar.
Contribuindo com o ambiente internacional em deterioração, o indicador de pedidos às indústrias, calculado pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos, ficou em 0,8%, aquém das estimativas dos analistas que esperavam 1%. Em seguida, entra em cena a notícia sobre a disposição do presidente Barak Obama em reunir-se com Os líderes do Congresso norte-americano para conseguir a ampliação do limite da dívida norte-americana. A apreensão aumentou. As dificuldades a serem enfrentadas pelo presidente Obama não são pequenas. Precisa fazer cortes de gastos e aumentar impostos. São medidas impopulares que congressistas não gostam de avalizar.
Para piorar, a Moody’s já avisou que se o acordo não for alcançado, aumentando o limite de endividamento do estado norte-americano, revisará o rating do país. O Ibovespa fechou com perda de 1,33 %, voltando aos quase redondos 63.000 pontos.
Os preços do petróleo, no mercado futuro subiram em Londres e em Nova York. O Brent, referência para Europa, fechou a US$ 113,54, com alta de 1,88%. O WTI negociado em Nova York, com vencimento em agosto, fechou cotado a US$ 96,89 por barril, com alta de 2,05%.
Analistas tentam explicar essa alta em função de especuladores acreditam na retomada do ritmo de recuperação dos Estados Unidos e na redução, apenas moderada, do crescimento da economia da China. Até pode ser. Mas, então, por que correram para o dólar? Se a percepção de risco havia crescido, não era momento de entrar em petróleo, até porque o petróleo é cotado em dólar e o dólar havia subido, encarecendo o produto e aumentando o seu risco. De fato, não foi isso. O movimento dos preços dessa commodity é mesmo de outra natureza. O esforço altista pode estar relacionado aos cartéis e não merecem explicações típicas de mercados concorrenciais.
De registrar, ainda que o indicador de risco-País subiu mais seis pontos-base na sessão de ontem, atingindo 151 pontos. O clima é mesmo de incertezas econômicas crescentes e os emergentes são os primeiros a acusar o golpe.
Economia chinesa crescendo mais devagar, limite do endividamento dos Estados Unidos em discussão e dívidas européias em deterioração, acompanhadas por sucessivas crises fiscais. Precisa mais?
No frigir dos ovos, o Brasil está se saindo muito bem:o Global 40 fecho a sessão de ontem em alta de 0,26%, cotado a 136,26 centavos de dólar. É de comemorar e muito. Ainda mais que os preços dos treasuries também subiram.
A alta do dólar é lógica e que os Treasuries tenham subido junto também é lógico. Mas se o risco-País do Brasil aumentou. Por que então, o Global 40 haveria de subir. Teria que ter caído para seguir a mesma lógica.
Na verdade, subiu por que quem diz o que sobe e o que desce é o mercado e não os cálculos de um único agente.
O dia não foi fácil de ser entendido ou explicado. É preciso analisar o analista ou, como dizia Carlos Lacerda, “é preciso analisar a psicanálise”.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Olhando para trás


Com o feriado nos Estados Unidos, o mundo olhou para trás
Os feriados norte-americanos deixam o mundo desprovido dos referenciais necessário à tomada de decisões. Todos levam em consideração o dia anterior naquele país e centram-se na busca por sinais laterais, na Ásia e na Europa.
Com a concordância dos ministros da União Europeia em liberar à Grécia mais uma parcela de 12 bilhões de euros, tão logo o FMI corrobore sua participação no pacote de ajuda financeira, os mercados europeus começaram a ajustar-se à uma nova realidade, ainda não entendida completamente.
O desembolso dessa parcela deverá ocorrer até o dia 15 desse mês, preservando, temporariamente, o devedor de seu quase inevitável default. Aquilo que a Standard&Poor’s batizou simpaticamente pelo cognome de “default seletivo”.
Outro plano de resgate precisará ser negociado até setembro e sua aprovação estará muito ligada ao cumprimento das exigências feitas para liberação da parcela do dia 15: a implementação das medidas de cortes de gastos, aumentos de impostos e o aguardado início do processo de privatização.
Só isso daria razões para unir os líderes europeus em torno da crise grega. A bola está com os gregos, outra vez. A lição de casa precisa ser levada a sério.
Na Ásia o mercado abre antes, dado que se obriga a acompanhar o caminho do sol. Portanto, os asiáticos, mais do que nós ocidentais, estão empenhados nas previsões de curtíssimo prazo. Interpretaram muito positivamente os dados da atividade industrial dos EUA. De igual maneira, entenderam as notícias sobre a dívida grega.
Internamente, o Banco Central chinês mandou o recado e não é preciso saber ler. Avisou que as pressões inflacionárias continuam fortes e que a economia está crescendo consistentemente e em velocidade superior àquela que o PBOC deseja. Não são meias palavras. São palavras inteiras.
O Banco Central da China vai dar maior extensão ao atual ciclo de aperto monetário. O objetivo será o de manter a estabilidade básica do yuan em “um nível razoável e equilibrado”. Só não explicou o que é esse nível razoável e equilibrado.
Adoniran Barbosa diria: "segura João".

Vocês vao ter que me engolir


Dragão domado
O IPC-FIPE referente ao mês de junho mostra inflação quase zero na cidade de São Paulo. Em maio o IPC-FIPE estava em 0,31% Em junho desacelerou para 0,01.
Nessa segunda-feira, o Banco Central divulgou o relatório da pesquisa semanal – Focus, mostrando que a expectativa sobre o comportamento dos preços da economia é de queda. Agora a inflação está estimada em 6,15% para o final desse ano. Trata-se da sexta queda semanal consecutiva da expectativa para inflação de 2011.
Para a SELIC, o mercado continua esperando por novas elevações. Para o PIB de 2011, o relatório Focus prevê 3,94%.
Se tudo ocorrer dentro das previsões, o ministro Mantega pode chamar à lembrança a mais famosa declaração de antigo técnico da seleção brasileira: “vocês vão ter que me engolir.”

Tragédia Grega

O suspense não acabou
Veículo: BandNews TV  -  Data: 29/06/11
Jornalista: Núria Saldanha
As soluções para a crise econômica da Grécia ainda geram muita desconfiança no mercado financeiro.
A repórter Núria Saldanha conversou com o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP, Celso Grisi, sobre a situação grega.
Na opinião dele, o incentivo ao turismo pode ser um bom caminho para aliviar a pressão sobre o país europeu.
http://bandnewstv.band.com.br/conteudo.asp?ID=499522&CNL=20

A copa e a dívida brasileira

Governo terá R$ 1,1 tri em dívidas
a vencer um ano antes da Copa
Veículo: DCI - Data: 04/07/11
Jornalista: Fernanda Bompan
São Paulo - O governo de Dilma Rousseff terá um grande desafio fiscal a enfrentar nos próximos anos e que deve ser resolvido ainda este ano para dar maior tranquilidade para que os investimentos para a Copa não comprometam as contas públicas. Especialistas lembram que o governo tem atualmente R$ 1,173 trilhão em títulos que vencem em 2013, um ano antes do evento esportivo.De acordo com os últimos dados divulgados pelo Tesouro Nacional, referentes a maio, a dívida interna total está em R$ 1,665 trilhão.
"É justamente na época em que o governo mais vai precisar ter recursos para concluir obras necessárias à Copa do Mundo de 2014. Com o vencimento desses papéis, o dinheiro que iria para investimentos vai para pagamento dos títulos", explica o professor Carlos Eduardo Stempniewski, das Faculdades Integradas Rio Branco.
De acordo com o professor da Anhembi MorumbiMarcelo Gonella, o maior problema para a rolagem da dívida pública são os juros. "Hoje a dívida está chegando a quase R$ 2 trilhões, a representar um montante de juros da ordem de R$ 300 bilhões."
O diretor presidente da Fractal, Celso Grisi, concorda com a urgência da situação, embora acredite que as contas públicas não serão prejudicadas nos próximos anos. "É possível que ocorra uma variação da capacidade de pagamento das dívidas, mas será pequena", prevê.
Na opinião do especialista Grisi, a dívida de até 60% do Produto Interno Bruto (PIB) "não é insolvente".

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Alta de juros rentabilizou a renda fixa

Um excelente artigo  no Valor Econômico aponta a rentabilidade das aplicações, em junho
Veja a tabela abaixo. É do jornal Valor, de 1,2 e 3 de julho de 2001. A rentabilida foi apurada, em termos nominais e reais. Fica claro quem ganhou e quem perdeu no mê de junho.
Juros em constantes elevações e inflação em queda explicam o desempenho da renda fixa.
Ambiente internacional instável e baixa recuperação das economias do primeiro mundo derrubam papéis de renda variáves.

Maus presságios ou apenas mais um alerta?

Roubini condena a alta de juros na europa

Nouriel Roubini reafirmou à Bloomberg, durante o Festival de Ideias de Aspen, no Colorado, que a Espanha e a Itália, independentemente do que venha a acontecer com a Grécia, precisam acentuar suas medidas fiscais para não correrem o risco de perderem o acesso ao mercado para a rolagem de suas dívidas. Em seguida manifestou sua discordância com a intenção do Banco Central Europeu de subir as taxas de juros da região.
“A Espanha é grande demais para quebrar e demasiadamente grande para ser resgatada”, disse.
Quanto aos juros na Europa, Roubini afirmou que os efeitos negativos de uma alta, nesse momento, estão relacionados a fortalecimento do euro, à conseqüente inibição do crescimento econômico e da competitividade. Ademais a alta de juros criaria maiores custos fiscais, além de trazer problemas ao sistema bancário.
Faz sentido. Os países da região continuam com suas economias estagnadas e os poucos que apresentam algum crescimento ainda dependem mais de suas exportações e menos do mercado interno europeu que sés acha estagnado. A recessão seria agravada, desnecessariamente.
Contrario senso do Brasil, a Europa não precisa e não deveria subir suas taxas de juros.

A semana começa hoje

As apreensões são menores.
As expectativas também.
As pesquisas sobre o comportamento dos preços dessa semana convencerão os analistas sobre a desaceleração da inflação no atacado e no varejo.
O crescimento da indústria anunciado na semana que passou, entretanto, ainda suscitará suspeita sobre o fim das pressões inflacionárias. Aliás, não será só isso. Também o crescimento econômico brasileiro, agora projetado em 4,0%, também semeará novas dúvidas.

A dívida grega não deve ser manchete essa semana. É verdade que o FMI ainda não se pronunciou, mas tem-se como certo que sua manifestação será favorável ao pacote grego e que seus recursos estarão postos rapidamente à disposição para aquele país.

O pessimismo excessivo que tomou conta das bolsas deve sofrer um refluxo considerável. Ativos de risco deverão apresentar recuperação moderada. A recuperação será proporcional às expectativas que as notícias do exterior poderão criar: mercado de trabalho dos Estados Unidos, taxas de juros na Inglaterra e na Zona do Euro e crescimento asiático.
Paciência e moderação são os melhores ingredientes para a tomada de decisão essa semana.

domingo, 3 de julho de 2011

Os fatos marcantes da semana

Semana agitada no mundo
O aumento da atividade industrial dos EUA lançou ânimo nos mercados mundiais. O clima de otimismo que antecede a reunião dos ministros de Finanças da Zona do Euro está sendo entendida como o local onde se encontrará a solução para crise das dívidas na Grécia.
Com isso, os riscos de contágio na periferia da região parece afastado, pelo menos provisoriamente. O euro ganha fôlego e sobe.
A atividade industrial na China continua desacelerando no mês de junho. O índice PMI oficial caiu pelo terceiro mês consecutivo. Veio de 52,0 pontos em maio, para 50,9 pontos em junho. A inflação já é menor, mas ainda preocupa.
No Brasil, o IPC-S de junho, apurado pela FGV, veio mais baixo ainda. Caiu para -0,18%. Em maio havia sido 0,51%. Por outro lado, a balança comercial registrou superávit de US$4,4 bilhões no mês de junho. urpreendeu positivamente, representando crescimento de 38,6% em relação ao mesmo mês de 2010.

Grécia e seu sufoco

Ministros do euro autorizaram empréstimo à Grécia. Falta o FMI.
O FMI analisará essa semana o envio da sua parte no empréstimo aos gregos, equivalente a 12 bilhões de euros.
Os ministros das Finanças da zona do euro já se puseram de acordo.
O empréstimo europeu faz parte dos 119 bilhões de euros pactuados com a Grécia, em maio de 2010. Não haveria razões para todo esse suspense, não fossem os compromissos de cortes orçamentários, aumentos de impostos e medidas de privatizações com que o governo da Grécia teria que se comprometer.
Do ponto de vista social, o plano é absurdo. O país hoje conta com 40% de taxa de desemprego e tem uma dívida equivalente a 150% do seu PIB. Algo como 345 bilhões de euros.
A dívida parece impagável, mas pode ser rolada ao infinito. O problema é que essas medidas devem provocar o aumento do desemprego, no curto prazo, para algo que corresponderá à ruptura do tecido social. A Europa, sobretudo a de leste, terá que absorver um grande número de trabalhadores gregos desqualificados. Os movimentos migratórios aumentarão dentro da região.
A decisão dos ministros permitirá a libertação de 8,70 bilhões de euros, que atenderão apenas às emergências financeiras gregas. A entrada do FMI dará ao país uma sobrevida de mais uns 6 meses, apenas.

sábado, 2 de julho de 2011

Entendendo o câmbio

Câmbio foi tema no programa Cifras&Safras
Vamos entender os problemas cambiais brasileiros?


Cifras & Safras - Programa 15 from Cifras&Safras on Vimeo.

A bolsa subiu. Foi só um suspiro.

A semana no Brasil
O Ibovespa fechou a semana em alta de 1,59%. Aos 63.394 pontos. Na semana, acumulou alta, finalmente: de 3,90%. O volume financeiro esteve bem. R$7,3 bilhões, nessa sexta-feira. Os resultados são atribuídos à Vale do Rio Doce.
Não se animem, pois nem o cenário nacional, nem o internacional deram sinais suficientes de recuperação. Fique na sua, ainda que a Pesquisa Industrial Mensal do IBG tenha mostrado reação em maio e que o ISM Manufacturing, nos Estados Unidos, tenha subido além do que os especialistas esperavam. Atingiu os 55,3 pontos, no mês de junho. Isso é muito pouco para tornar os países emergentes atrativos como foi em passado recente.
Veja outro gráfico da Folha. Foi publicado ontem, sob a manchete "Bolsa cai 10% no ano e é a pior aplicação".

Foi só um suspiro da Vale. Os investidores morrem de amor por ela e correm para os seus braços.

Dólar no fundo do poço

A semana no Brasil
De segunda a sexta dessa semana, o dólar caiu, encerando a última sessão cotado a R$1,5570. A queda na semana foi de 2,93%.
Câmbio flutuante faz isso mesmo. Negá-lo é andar na contramão do mercado. Aceitá-lo é destruir a industrialização. Ignorar é cômodo. Mas desastroso.
Veja no gráfico abaixo, publicado na Folha de São Paulo de hoje, o desastre cambial brasileiro:

Será possível concordar com esse processo cambial de combate à inflação, amparado na invasão de produtos baratos vindos principalmente da Ásia? Há o que fazer ou apenas podemos assistir à destruição de nosso parque produtivo, impassivos? Não existe medida alguma que pudesse combater essa assimetria? Macroeconomicamente, não há o que fazer? E microeconomicamente?
Outro dia alguém perguntou: do ponto de vista econômico, faz sentido tentar reverter essas cotações?
A Balança Comercial aponta um percentual elevado de exportações de commodities. Quero discutir esse assunto nos próximos dias.

A indústria cresce

A semana no Brasil
Pesquisa Industrial Mensal do IBGE apontou crescimento de 1,3% da produção industrial em maio. Francamente, ninguém esperava por essa. Em abril, a mesma pesquisa havia apontado retração de 1,2%. Melhor ainda: o crescimento foi generalizado, atingindo um grande número de setores produtivos.
Dos 27 ramos de atividade, 19 tiveram recuperação em relação ao mês de abril. A tabela abaixo mostra os ramos em recuperação e em contração:

Não querendo jogar água fria na fervura, há que se lembrar que os avanços não foram suficientes para recuperar as perdas anteriores. O desempenho industrial no primeiro semestre desse ano, apesar desses resultados de maio, deve ser fraco. A demanda externa é baixa e o real segue sua teimosa rota de apreciação. No plano interno, as medidas de austeridade fiscal e a política de aperto monetário seguram a demanda e desestimulam a produção.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Europa parada

Europa não consegue reagir
O PMI da zona do euro continua em queda. Em junho, veio para 52,o pontos, contra 54,6, de maio. O comportamento trimestral do índice nesse ano também registra queda. Na média do primeiro trimestre, o PMI havia alcançado 57,9 pontos. Já nesse segundo trimestre, o PMI, na média, ficou em 54,9. Os dados são da Markit.
Em junho a queda do PMI generalizou-se pelos países europeus:
Ironicamente a Grecia, segundo a Markit, apresentou melhora em junho, embora ostente o mais baixo indicador de todos os países aferidos. Índices de PMI abaixo dos 50 pontos correspondem a deteriorações das condições de negócios.
A Markit ainda mostra que os pedidos de exportações aumentam muito lentamente. Os pedidos pendentes também tiveram declínio, enquanto a redução dos estoques acabados nas indústrias contraiu-se muito rapidamente. Os resultados da Markit apontam para baixos níveis de vendas.
A contração empresarial levou à redução das contratações de pessoal e a taxa de crescimento de emprego é a menor dos últimos 8 meses.
Grécia, Irlanda e Espanha continuam apresentando declínio no número de postos de trabalhos criados, enquanto as maiores taxas de expansão de empregos são liderados pela Áustria.