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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ativos problemáticos

Para o Banco Central, o problema não é mais a inadimplência. Mas os ativos problemáticos.
O Valor Econômico acaba de produzir uma matéria sobre isso. A inadimplência cresceu, nos últimos dois anos, de 3,04% para 3,75%. Nas carteira dos bancos, os ativos problemáticos cresceram a uma velocidade maior: de 5,83, em junho de 2015, passou para 8,11 %, no final do primeiro semestre de 2016.
Os ativos problemáticos são  representados pelo volume de atrasos maior que 90 dias e pelas operações que foram reestruturadas ou que tiveram piora na classificação contábil dos bancos. O maior responsável por esse rápido avanço foi o crescimento das operações de reestruturação das dívidas, puxadas sobretudo pelas grande empresas.
Esse indicador  mostra o estado das empresas que operam no país. Pior, os spreads altíssimos não contribuem para a solução do problema. Ao contrário, agravam a situação e, pior, dificilmente o Banco Central agirá para reduzi-los. O grau de concentração da indústria financeira já não permite soluções negociadas. O setor financeiro tem se apropriado da riqueza nacional há muito tempo, agravando as desigualdades e empobrecendo os agentes econômicos.
Isso não vai acabar bem.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Brasil no topo dos juros

Mantivemos as maiores taxas de juros
do mundo
Os sites http://infinityasset.com.br e http://moneyou.com.br publicaram o texto abaixo, cuja leitura recomendo a todos:
“O Ranking Mundial de Juros Reais é um comparativo entre as taxas praticadas em 40 países do mundo e os classifica conforme as taxas de juros nominais determinadas pelos respectivos bancos centrais e as projeções médias de inflação futura (EX ANTE) das respectivas autoridades monetárias e institutos de pesquisa econômica”.
“Novamente o Brasil mantém firme no PRIMEIRO lugar do ranking como o melhor pagador de juros reais do mundo, acima dos maiores pagadores nominais da atualidade, a Argentina e a Venezuela. No ranking, 75% dos países optaram por manter os juros, enquanto 20% optaram pelo corte e 5% optaram pela elevação. Entre 170 países, 76% mantiveram os juros, enquanto 21% optaram pelo corte e 2% elevou as taxas."

domingo, 9 de abril de 2017

Concentração também no mercado acionário

91% do mercado de ações do mundo é feito por 23 países
O Credit Suisse divulgou um estudo recente que sobre os investimentos nos últimos 117 anos, em 23 países.
Os países analisados são:
  • EUA e Canadá
  • Países da Zona do Euro (Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda, Portugal e Espanha)
  • Países que não estão na Zona do Euro (Reino Unido, Dinamarca, Noruega, Rússia, Suécia e Suíça),
  • Mercado da região da Ásia-Pacífico (Austrália, China, Japão e Nova Zelândia)
  • África do Sul
No final de 1899, o mercado britânico era o maior do mundo, representando 25% do mercado total para ações. O segundo era o mercado americano com 15% e pelo alemão com 13%.
O mercado dos EUA superou o do Reino Unido ao longo do século XX e hoje representa 53,2% do total.
Esses 23 países concentravam, em 1900, 98% do mercado de ações do mundo. Nesse instante, represetam , 91% de todo o universo de investimentos.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Incerteza e ousadia

O complexo mercado cambial
Entender as tendências de valorização/desvalorização do dólar é sempre um exercício complexo, difícil e, ao mesmo tempo, fascinante. Prognósticos embutem certa dose ousadia, dadas as incertezas tão variadas que revestem esse problema.
No longo prazo, espera-se pela valorização do dólar em relação à moeda nacional, em função da alta dos juros nos Estados Unidos que, segundo se pensa, atrairia capitais dos mercados emergentes em função da melhoria da relação segurança versus rentabilidade naquele país.
Se no curto prazo o comportamento do real tem sido o de valorizações sucessivas, isto decorreu sobretudo pelo cenário político, que, rotineiramente, amplia a volatilidade dos ativos como um todo. Contribuiu também para isso a entrada de dólares no mercado local no mês de março, inclusive com a presença renovada dos investidores estrangeiros na nossa bolsa de valores que apresentou alta de  23,22%, até a sessão de 3ª feira.
Lembrem-se, entretanto, que ao Banco Central interessa que a moeda americana esteja cotada entre R$ 3,70 e R$ 4,00. Afinal, dólar mais baixo segura inflação e, dólar mais alto, expande as exportações. O mercado não se interessa por macroeconomia, quer apenas realizar ganhos nas suas operações e considera outras variáveis, tais como, o processo de impeachment, relatório trimestral de inflação no Brasil, leilão de 17.000 swaps reversos, mercados em queda no exterior e discursos de membros do FOMC.
Tudo bem batido em um grande liquidificador, transforma-se em um prognóstico final. Você há de concordar comigo: estamos diante de um problema complexo, difícil e ao mesmo tempo, fascinante. Haja ousadia bastante para tantas dúvidas e incertezas.

quinta-feira, 10 de março de 2016

A gente vai levando

Deixa como está, para ver como é que fica
Salários e renda em queda, real em rota de apreciação, política fiscal desajustada, dívida pública em crescimento, inflação em queda apenas episódica, tudo recomenda que o Banco Central deixe a economia no ponto morto. Não dá para frear, subindo os juros que a recessão se agrava, e não dá para acelerar, baixando juros, porque a inflação pode sair definitivamente de controle. A inércia empurra o país.
Falando em inércia, o Banco Central espreita à distância. Decidir não decide. O mercado quer entender se haverá corte de juros. O Banco Central quer saber se a estratégia da política econômica será alterada, mantida ou esquecida.
Justiça seja feita, o problema é fiscal e não há o que fazer fora disso. O jeito então é monitorar os fatos. Decisões só mais à frente.

terça-feira, 8 de março de 2016

Volatilidade

Piques e repiques
As reações aos últimos episódios da vida nacional não provocaram 
mudanças definitivas nos mercados financeiros. Nada parece, no médio prazo, mudar tão significativamente. É verdade que, face ao crescimento das expectativas sobre mudança de governo no país, as bolsas subiram e o dólar caiu. Acompanhando esse súbito otimismo que tomou conta do mercado, os juros futuros também, entraram em ligeira queda. Tudo ao sabor da irracionalidade característica aos investidores.
O ex-presidente Lula ocupou lugar central nesses eventos recentes, de um lado porque prometeu voltar em 2018, de outro, porque a convicção geral dos mercados é que ele não voltará da enrascada em que se meteu.
Parece esquecido, neste contexto, que reverter ou corrigir a situação fiscal não é tarefa fácil, nem de curto prazo. Sua dinâmica passa um agravamento dos custos sociais envolvidos nesse acerto e seus resultados são incertos.
Tudo isso torna muito lábil e duvidoso o comportamento dos preços do ativos nesses próximos dias. A recomendação é a de muita prudência em relação ao mercado de capitais seus movimentos de curto prazo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Incertezas têm preço

Investidores continuam a aplicar seus recursos
Fazem isso, mas querem segurança. A economia real não consegue oferecer oportunidades. Veja como o ouro se comportou nos últimos 12 meses. Dinheiro existe, sim.
Gráfico dos Preços do Ouro em 1 ano em Reais
Data
Preço (fechado)
Unidade
Variação
21/07/15
112,49
Gramas
19,53
21,01 %
3.498,95
Onça
607,43
112.493,75
Kilo
19.529,22


Graficamente, eis o comportamento do metal. Veja o que aconteceu a partir de novembro de 2014.

 
Não foi uma coincidência?

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Instituições precisam fidelizar seus clientes

Custos e Receitas precisam ser revistos

Clientes inativos geram apenas custos. Receitas lucrativas pedem uso intensivo do banco. Veja o que está acontecendo com a indústria bancária, na matéria publicada no Brasil econômico do dia 01/04/2015. Os dados são atuais e dizem respeito ao consumidor de alta renda. Clique no link:

http://fractalconsult.com/node/14885

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Lá fora também

Lá fora também os especuladores
fazem suas apostas
A bolsa no Japão atingiu o maior nível desde 2000. A Nikkei subiu 0,36%. Já as bolsas da Europa não se definem claramente, dado o problema da Grécia. Os negociadores gregos solicita, junto à EU, a extensão dos prazos para renovação dos seus empréstimos. Com isso, as apostas tem sentidos divergentes: FTSE -0,06%, CAC 0,41%, DAX 0,29%. Investidores esperam por uma eventual elevação das taxas de juros nos USA. Essa hipótese remanesce ainda em suspenso e, provavelmente, não venha acontecer tão cedo. Nesse caso, teremos ganhadores e perdedores por toda Europa.

Difícil explicar?

Investidores desistiram. Especuladores não.
O Ibovespa tem sua terceira alta seguida nesta quarta-feira, com ganho de 1,27%, fechando aos 51.280,36 pontos. Pode parecer estranho, mas é a maior pontuação desde 5 de dezembro do ano passado, quando a Bolsa fechou a sessão aos 51.992,89 pontos. O clima de pessimismo generalizado contradiz o entusiasmo do mercado de capitais, tendo em conta que apenas nas últimas três sessões, a Bovespa acumulou valorização de 6,3%. Curioso ainda constatar que o índice havia encerrado a semana anterior com resultado acumulado de 3,78%. Tudo faz pensar que os compradores estão realmente ativos, apostando na ideia de que os preços dos papéis estão muito deprimidos. Entendem que a razão para isso está relacionada ao pessimismo exagerado e à falta de confiança na recuperação da economia. Tão logo esse clima seja revertido, esperam embolsar o lucro de suas ousadias.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Vexame nacional

Já passou da hora
A diretoria precisa ser substituída com urgência. A agência de classificação de riscos Fitch acaba de rebaixar, nesta terça-feira, os ratings da dívida da Petrobras em moeda estrangeira e local para "BBB" para "BBB-", colocando a petroleira em perspectiva negativa. A agência argumenta que esse rebaixamento espelha "as incertezas crescentes e prolongadas sobre capacidade da empresa de estimar e registrar baixas contábeis". Somam-se a isso as denúncias sucessivas de que os ativos teriam sido sobrevalorizados por atos de corrupção. Trata-se do maior vexame nacional e do maior escândalo financeiro da história do mercado de capitais mundial. Passou da hora de trocar a diretoria.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Política econômica estragou a festa.

Capitalismo de mercado destruído
Bolsas não são tão enigmáticas quanto um leigo possa pensar. Por exemplo, nesse ano os melhores resultados foram apresentados pelas Bolsas da na Ásia e nos EUA. O Ibovespa foi uma tragédia só menor em relação à Grécia e à Rússia. Não há maiores explicações. De fato, a recuperação americana explica o desempenho de seu mercado e a Ásia continua marcada pelas esperanças provocadas pelos planos econômicos do Japão e da China.

Veja agora o texto de Rodrigo Tolotti Umpieres:

“Marcado pelas expectativas de recuperação das economias nos EUA e na Europa e pelos mercados agitados nos países emergentes, 2014 chega ao fim com as principais bolsas mundiais sem grandes oscilações nos países desenvolvidos, principalmente na zona do euro. A exceção ficou com a Grécia, que ganhou destaque recentemente com suas eleições e tem visto sua Bolsa despencar. Um dos países que mais sofreu com a crise de 2008, a Grécia passou o ano lutando para conseguir acelerar sua recuperação, mas no último mês, com as dificuldades que o atual governo está tendo em relação às eleições - que foram adiantadas em 3 meses -, levaram os mercados a temerem uma vitória da oposição, o que poderia gerar dificuldades para o programa de resgate do país. Diante disso, pressionado por este final de ano, o índice grego registrou queda de 29,49% em 2014. Na Ásia foram registrados os maiores ganhos de 2014, com o índice Shanghai registrando forte alta de 49,72% no ano, seguido pelo Nikkei, que avançou 8,83%. Já o Ásia Dow ficou estável, com leve queda de 0,43%, enquanto o índice indiano registrou ganhos de 29,41% nesses 12 meses. Segunda maior economia do mundo, a China vem passando por mudanças econômicas, mas mesmo assim, segue como uma potência, com forte crescimento anual. O destaque negativo fica com a Rússia, um dos mercados mais turbulentos do ano. Diante da tensão envolvendo a Ucrânia e as diversas sanções que o país sofreu das grandes potencias europeias e dos EUA por causa do conflito. Além disso, a derrocada do preço das commodities, em especial o petróleo, acaba prejudicando bastante a economia do país. Com isso, o índice RTSI fecha com ano com desvalorização de 44,91%. Já na América Latina, destaque para a Argentina, onde mesmo diante da dificuldade financeira do país e um ano conturbado em relação ao pagamento da dívida do governo, o índice Merval fecha 2014 com ganhos de 56,61%. Diferente do Ibovespa, que com toda a agitação da eleição e o rali causado por ela, encerra o ano com perdas de 1,77%. Enquanto isso, nos EUA o ano foi de empolgação, com os principais índices acionários registrando quebras consecutivas de recordes históricos. 2014 mostrou recuperação da economia local, mesmo que de forma moderada, levando o Federal Reserve a encerrar o programa de estímulos à economia, o Quantitative Easing 3, e já começar a falar em elevação dos juros para 2015.

Confira abaixo o desempenho das principais bolsas mundiais em 2014:”



Índice
País
Desempenho no ano
Merval
Argentina
+56,61%
Shanghai Composite
China
+49,72%
S&P BSE
Índia
+29,41%
BIST 100
Turquia
+23,70%
Nasdaq
EUA
+15,08%
S&P 500
EUA
+13,15%
Nikkei
Japão
+8,83%
Dow Jones
EUA
+8,81%
FTSE Straits
Singapura
+6,32%
DAX
Alemanha
+3,93%
IPC
México
+1,08%
CAC 40
França
+0,51%
Asia Dow
Ásia
-0,43%
FTSE 100
Reino Unido
-1,70%
Ibovespa
Brasil
-1,77%
Athex
Grécia
-29,49%
RTSI
Rússia
-44,91%
Dados entre o fechamento de 31 de dezembro de 2013 e o pregão de 29 de dezembro de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Brincando com o dinheiro do trabalhador

É de estarrecer
Meu amigo Décio Pecequilo manda-me a seguinte notícia, citando como fonte a Folha de São Paulo de 12/12/2104, página D5, do Caderno MERCADO: mesmo em queda de mais de 20% nas ações da Petrobras, nos últimos 15 dias, o trabalhador que investiu, em agosto de 2000, parte dos recursos de seu FGTS em fundos que aplicam em papéis da companhia, ainda leva vantagem.
Segundo cálculo, o ganho dos fundos que investem em ações ordinárias (ON) da estatal (ações com direito a voto) de 17 de agosto até 11 de dezembro de 2014, foi de 134,24%. Nesse mesmo período, o FGTS rendeu 93,61%. Um verdadeiro abuso do FGTS contra a classe trabalhadora, perpetuado por sucessivos governos do país, e agora, nos últimos governos, ao destruir a estatal e o capital investido por quem acreditou na Petrobras. É de estarrecer!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Endividamento sadio

Aumenta o número de famílias
endividadas em agosto
A análise dos dados da pesquisa divulgada dias atrás pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) traz conclusões bastante positivas para a atual política de crédito da rede bancária, no Brasil. Os bancos realmente restringiram em alguma medida a oferta de créditos às pessoas físicas nos últimos tempos, optando por conceder seus empréstimos com maior qualidade. Em outras palavras, passaram a oferecer créditos em modalidades com menores riscos, como, por exemplo, o crédito imobiliário, além de, em menor quantidade, outros produtos em modalidades menos arriscadas. Essa política provocou duas consequências que podem ser depreendidas da análise da pesquisa:

1ª) Famílias que até então não tinham dívidas passaram a endividar-se, sobretudo porque elas recorreram a empréstimos imobiliários com o sentido de aumentar seus ativos e livrarem-se do aluguéis. Com isso, registrou-se um aumento do número de famílias endividadas, de 63,0% em julho, para 63,6% em agosto. São empréstimos de longo prazo, concedidos segundo padrões mais técnicos, que levam as famílias a aumentar seus patrimônios e não o seu consumo, de forma artificial, como vinha acontecendo.
2ª)  As famílias apresentaram uma redução da parcela média de renda comprometida com pagamento de dívidas. A queda registrada foi de 30,2% em julho, para 29,7% em agosto. Essa redução mostra que a política de restrição às concessões de crédito vai, aos poucos, desafogando os orçamentos familiares.
Esses dados, por fim, sugerem que a oferta desmesurada de crédito ao consumo compromete a realidade das famílias, aumenta a inadimplência e já não sustentam o crescimento econômico.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Desencontros estratégicos (1)

Bancos estrangeiros aportam no Brasil
As estratégias de entrada de bancos estrangeiros no país não são novas. Nem, tampouco, suficientemente criativas. Impera a mesmice de sempre. Bem executadas, podem até ser um negócio rentável, mas para estruturas e operações muito modestas face às dimensões da indústria financeira nacional. A favor delas falam as altas taxas de juros e os spreads crescentes praticados por aqui, nesse momento. Pensando de forma simplista ao analisar os resultados econômico-financeiros dos bancos brasileiros, no primeiro semestre desse ano, dá mesmo vontade de ser banqueiro nesse país. Francamente, sugiro que pensem melhor. Uma análise de negócios mais cuidadosa - envolvendo entre outras coisas um rigoroso dimensionamento dos segmentos de mercado existentes, os potenciais de negócios ocupados, as vantagens competitivas já estabelecidas pela concorrência-, pudesse, por si só, demover parte do entusiasmo desses entrantes. A estratégia mais bem sucedida para ingressar no setor bancário no Brasil foi à do HSBC. Comprou o antigo Bamerindus e passou, de fato, a integrar a paisagem bancária nacional. Outros optaram por associações em alguns negócios do setor financeiro, tais como companhias de seguros, administradoras de cartões, banco de investimentos, etc. Em alguns casos, a decisão foi a participar, ainda que modestamente, do capital acionário de bancos nacionais. A estratégia mais frequente, entretanto, baseou-se na captura de empresas da mesma nacionalidade do banco, tentando obter seus negócios por meio do prestígio, da segurança e da expertise de suas matrizes. Conseguiram, no primeiro momento, as transações da empresa com os respectivos países de origem e, em seguida, procuravam estender as mesmas operações a todos os outros países com os quais a empresa mantinha relações comerciais. Nisso, eram apoiados pelas filiais locais. Com o tempo, os bancos estrangeiros tentariam alcançar os principais fornecedores e distribuidores dessas grandes empresas, dando apoio ao funcionamento de toda a cadeia produtiva. Foi sempre o que fizeram os bancos canadenses, americanos, japoneses, alemães, holandeses, ingleses, etc. A entrada no país se fazia por meio das grandes empresas e, rapidamente, esses bancos estrangeiros chegavam ao Midlle Market. A pergunta que se faz aqui é: chegavam mesmo? Claro que não. Nas grandes corporações, limitaram-se aos financiamentos do comércio exterior, às operações de crédito e às operações mais estruturadas ou de corporate finance. As estruturas organizacionais para essas operações são dispendiosas pelo alto custo da mão de obra especializada. As margens, entretanto, são muito apertadas, embora sejam grandes os volumes operados. Trata-se de mercado com competitividade agravada e onde os bancos nacionais pouco ou nada ficam a dever aos estrangeiros. No “mercado do meio” faltam os produtos do dia a dia bancário. Tais produtos supõem grandes redes de agências e elevadas somas de investimento em TI, para consolidar as competências de distribuição e entrega de produtos e serviços. No mercado de pessoas físicas, o plano era de conseguir a conta dos executivos expatriados e, em seguida, dos executivos e proprietários das empresas conquistadas no mercado do meio, oferecendo produtos de investimentos e de créditos. Também aí as estratégias falharam. Não conseguiram construir ofertas completas, próprias do full services banking e não ofereceram o conforto das amplas redes de agências, nem facultaram máquinas de autoatendimento em quantidades suficientes. As dimensões geográficas do país, os altos custos dos transportes, das telecomunicações e, por fim a baixa renda per capita do país somaram-se para construir custos operacionais muito maiores que os previstos. Esses bancos se circunscreveram em territórios estreitos do mercado financeiro e concentraram suas operações em empresas de suas nacionalidades e de faturamentos muito elevados. Igualmente nas pessoas físicas onde concentraram suas operações no Private Banking ou na administração de recursos. Nesses, últimos 30 anos se assemelham a cães, correndo atrás dos próprios rabos, sem os alcançarem jamais. Ficaram praticamente com as dimensões iniciais e a qualquer variação da demanda, demitem funcionários para ajustar os elevados custos fixos à nova realidade de mercado. Estão sempre asfixiados pelas deseconomias de escala. Mesmo assim estão de volta. São ao todo 10 pedidos de autorizações além das seis já concedidas e mais 13 consultas ao Bacen. Merece registro o dinamarquês Saxo Bank. Virá para operar um banco totalmente virtual, sem agências físicas, contrariando a maior experiência mundial realizada pelo Bank One, nos Estados Unidos, que, de 10 anos para cá, não para de abrir agências físicas nos Estados Unidos. São agências menores e com operações limitadas, mas que foram buscar apoio no mundo físico, para viabilizar o sonho virtual. O mesmo desenho já está em fase avançada de desenvolvimento no Banco Original, do grupo JBS, que acumula conhecimentos das lições deixadas pelo Banco Direto (Banco Real) e do Banco 1 (Unibanco). Ademais, nos grandes bancos brasileiros, temos modelos exemplares de internet banking e de mobile banking que torna o ambiente ainda mais hostil aos planos do Saxo Bank. Nesse instante, as aquisições de bancos pode ser uma alternativa, desde que acompanhadas por grandes investimentos na expansão das operações locais. Talvez tenha sido essa a opção chinesa pelo BIC, pois quanto se sabe, não há bancos de porte mais expressivo à venda por aqui. Seja como for, repetir o que já não deu certo é reafirmar os desencontros estratégicos das experiências anteriores.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Tudo de novo

Juros e spreads altos fascinam
banqueiros estrangeiros.
Sabe-se que os juros serão altos no Brasil dos próximos anos. Afinal, contas fiscais desarrumadas, câmbio apreciado e salários reajustados acima da produtividade do trabalho garantem inflação elevada. Nesse contexto, juros precisam ser elevados para garantir alguma estabilidade monetária. A isso se alia a perspectiva de um novo ciclo de crescimento a partir de 2016, na visão dos banqueiros internacionais. Para eles, o paraíso está aqui mesmo, na terra, abaixo da linha do equador. Com medo de perder esse bonde, iniciam a mais recente imigração bancária, sem levar em conta experiências anteriores. Anuncio que vão encontrar uma “pedreira” por aqui. Temos grandes bancos nacionais, públicos e privados, muito competitivos. Será difícil vencê-los. No inicio do século passado, o BankBoston se instalou na Bahia para financiar as importações de máquinas dos fabricantes de Massachusetts e as exportações de Tabaco do produtor brasileiro para os Estados Unidos. Os planos para crescimento foram sempre grandes e inteligentes. Antes disso, mas com intenções assemelhadas, o Citibank veio para o Brasil. Outros bancos norte-americanos, europeus, asiáticos e do médio oriente também seguiram o mesmo caminho. Muitos voltaram. Outros venderam suas unidades brasileiras ou reduziram suas dimensões para operar quase como um escritório de representação. São os chamados “bancos de andar” ou, mais elegantemente, de boutiques financeiras, criadas apenas para transações estruturadas ou para dar apoio ao comércio do Brasil com seus respectivos países ou regiões de origem. Usam a expertise e a reputação de suas casas matrizes, mas padecem de escala econômica e, por isso, nunca chegam a ser uma ameaça competitiva real. Pelo mesmo motivo, comparecem apenas lateralmente na economia nacional. Verdade seja dita, o ambiente nacional de negócios não favorece investimentos mais definitivos em países emergentes. Tão logo a economia local apresente suas costumeiras flutuações ou as evidências de um novo ciclo de estagnação apareçam, os banqueiros internacionais “recolhem o trem”, construindo estratégias defensivas para proteger os capitais de seus acionistas. As decisões são chamadas para a matriz que invariavelmente procede de forma inapropriada à desconhecida realidade brasileira. Não é que esses banqueiros sejam incompetentes. De fato, as dimensões de nossa economia não justificam perdas provocadas em seus balanços. Nesses momentos, o banqueiro brasileiro aproveita-se do recuo para ampliar suas economias de escala. Vamos assistir mais uma vez edição nova de fatos velhos. Monótono ver se repetir as mesmas aventuras do passado em nosso ambiente financeiro.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Agora quem dá bola é o Bacen

Banco Central julgará as fusões e aquisições
de bancos, decide STF
Essa rinha fez “voar pena pra todo lado”. Não foi uma disputa qualquer. De um lado o Banco Central, disputando a competência exclusiva para julgar fusões e aquisições bancárias. De outro, o Cade alegando a necessidade de sua exclusiva participação nesses eventos.
O barulho começou com a ida do Cade ao STF, discutindo sua atribuição no caso relativo à compra do Banco BCN pelo Bradesco, ocorrida nos anos 1990. No Recurso Extraordinário 664.189, foi questionada decisão do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual a fiscalização de atos de concentração, aquisição ou fusão de instituições financeiras é de atribuição exclusiva do Bacen. O Cade recorreu ao STF. O ministro Dias Toffoli negou seguimento ao recuso, entendendo que a matéria é infraconstitucional e que, por essa razão, não deveria ser apreciada pelo Supremo. 
Essa briga ainda não acabou e o Cade pode recorrer ao Plenário do STF. Entretanto, deveria cogitar que, se seu pleito prosperar, ele estará em uma grande enroscada. A área bancária tem implicações de natureza tão especializada que a atuação do Cade seria temerária. Para poder dar consequência a seus julgamentos teria que recorrer de maneira tão intensa ao Bacen que melhor será mesmo deixar essa atribuição por conta de quem tem vocação natural para realizá-la.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Protegendo?

Ao preservar, podemos estar destruindo
Longe de querer “ensinar o Padre Nosso pro Vigário”, o fato é que as pesquisas apontam remanescer um potencial de mercado crescente e abandonado pelo sistema bancário e que deliberadamente busca por alternativas de financiamentos, mesmo que a custos significativamente mais elevados. Financiar esse expressivo segmento da economia nacional pode levar a perdas, como nos ensinam os melhores banqueiros; não financiá-los levará às deseconomias de escala, pressionando custos, spreads e juros nos seletos segmentos hoje servidos. Há até quem preconize um novo movimento de desintermediação bancária que, se ainda não ocorreu mais claramente, foi pela presença nesse segmento dos bancos públicos, cujos ativos cresceram expressivamente nesses últimos períodos. Em momento de baixo crescimento não se pode ignorar na prospecção de novos negócios a existência de segmentos ativos. Também não se podem perder negócios entre os clientes atuais. Esses clientes buscam por outros bancos para realizar as operações que o seu principal banqueiro não quis fazer. Há uma nítida desconcentração dos negócios dos clientes em bancos concorrentes. O cliente, desfidelizado, se vê obrigado a trabalhar com um número maior de bancos para ver suas necessidades financeiras atendidas. As deseconomias de escala, ou de escopo, a renúncia a segmentos ativos com risco mais altos, mas ainda administráveis, o enxugamento do portfólio de crédito, a consequente desintermediação bancária e a desconcentração dos negócios dos clientes atuais por um número menor de bancos respondem atualmente pelas piores pressões sobre custos e receitas dos bancos.

sábado, 17 de maio de 2014

Servidor não é filho único



Fim da exclusividade nos consignados
Mais poucos dias e o Banco do Brasil não será o único banco a fazer empréstimos consignados, com desconto em folha de pagamento para os servidores do Estado de São Paulo. Uma perda e tanto para o BB que vinha atuando nesse mercado – uns dos maiores do país em consignados, com o privilégio da exclusividade.
O CADE, no cumprimento de sua missão, entrou em cena, conseguindo acordo no qual o BB deixaria de cobrar a exclusividade de seus clientes, servidores públicos, nos empréstimos consignados.
A intenção do acordo é o de produzir maior grau de concorrência nesse mercado, restando saber se alcançará esse objetivo. Tudo diz que sim.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Sistema Financeiro (2)

Olhar para dentro, mas olhar para fora também
Economias de escala tem se caracterizado um dos grandes determinantes da competitividade na indústria financeira. Daí porque, tornou-se indispensável crescer em ritmo superior àquele que o crescimento orgânico pode conceder às empresas brasileiras, no setor financeiro. Nesse setor, escalas econômica da operação são um dos requisitos essenciais à competitividade. Nessa linha é interessante notar as estratégias de Bancos como o BTG Pactual e o Banco Safra. O BTG Pactual, segundo o jornal Valor, está negociando a compra do Private Banking suíço BSI, uma entidade secular pertencente à seguradora italiana Assicurazioni Generali. A tentativa é de tornar o banco brasileiro um player expressivo no segmento de wealth management. No mesmo segmento, o Banco Safra já havia adquirido, em 2011, o Banco Sarassin e, recentemente, anunciou a aquisição das operações do banco Morgan Stanley, também na Suíça. É claro que tudo isso tem a ver com o atual questionamento internacional do sigilo dos bancos suíços. Esses questionamentos trouxeram grandes oportunidades. É preciso, entretanto, saber identifica-las e traduzi-las em estratégias adequadas, para aproveitá-las com sucesso. Não basta só olhar para dentro, examinando negócios circunscritos ao território brasileiro.