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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Grandes presionam inadimplência

No universo das pessoas jurídicas, o problema está nas empresas de maior porte

As empresas de grande porte são as que apresentam as maiores dificuldades. São empresas que, de alguma forma, estão associadas às operações que apuram corrupções e outras mazelas, como a Lava-Jato. Produzem alta volatilidade nos índices de inadimplência e isso porque são casos muito grandes que comprometem o desempenho de todo o sistema financeiro.
No mês abril, a taxa de inadimplência das pessoas jurídicas nas operações com recursos livres saltou de 5,6% para 6% em maio, e esse movimento ainda não se estabilizou.
Se há um indicador negativo na economia nesse instante, esse indicador é o de atraso de pagamentos nas grandes corporações. O volume de crédito continua baixo e os spreads permanecem excessivamente elevados.
Portanto, para os que alardeiam a recuperação econômica do país, convém lembrar que  o mercado de trabalho ainda está muito fraco, o endividamento das famílias muito grande e as incertezas políticas se constituem em obstáculos quase irremovíveis às reformas estruturais. Nesse momento, apenas reformas profundas levariam o país à retomada de seu crescimento.

segunda-feira, 10 de julho de 2017

É hora de reconstrução

Depois da decisão, o crescimento será possível
A reconstrução do crescimento é aproxima tarefa em que todos deverão pensar após o desfecho do destino da Presidência da República. A tarefa não será fácil e envolverá todos avanços institucionais já discutidos à exaustão e que pedem, sobretudo, reformas estruturais.
No plano das políticas microeconômicas, urge reduzir ainda mais fortemente a taxa básica de juros da economia nacional e estimular a oferta de crédito às instituições produtoras. Elas estão ávidas por capital de giro, sempre que os custos desse dinheiro sejam claramente aproximados das taxas internacionais. Também parece indispensável retomar os programas de privatização, envolvendo toda a obsoleta infraestrutura nacional, convocando o capital estrangeiro para esse empreendimento  modernizador.
Talvez essas ações, por si só, reúnam as condições necessárias e suficientes para um novo ciclo econômico no Brasil.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Nos bastidores da diplomacia, o acordo é tido como certo

Ganham força os rumores sobre a assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul.
Em relação ao acordo comercial UE - Mercosul, o que há de mais concreto até agora, para o Brasil, são as declarações da Chanceler Angela Merkel. As manifestações de outros países da UE são raras e difusas.
Os alemães deixaram muito claro seus maiores interesses em relação ao Brasil. Eles estão centrados em um bom número de itens:
ü Direitos de propriedade intelectual e aumento da segurança jurídica para investimentos de empresários alemães no Brasil;
ü  Agricultura, envolvendo principalmente soja, fertilizantes e outros insumos;
ü  Meio ambiente, com preservação da biodiversidade, redução a zero dos desmatamentos e descarbonização da agricultura
ü  Venda de tecnologia às empresas pequenas e médias brasileiras
ü  Terras raras, reduzindo à dependência do fornecimento chinês;
ü  Investimentos em infraestrutura (portos e aeroportos);
ü  Fim da dupla tributação nos fretes aéreos e marítimos
O Brasil teria muito a ganhar nisso tudo. Analisando a pauta desses interesses, a complementariedade econômica é notória. Justifica o otimismo reinante nos bastidores

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Parem o mundo. Eu quero descer.

O mundo não quer parar.Você não vai descer.
Veja como ele caminha:
1)- A inflação na Zona do Euro, medida em relação ao consumidor final, caiu de 1,9% em abril para 1,4% em maio.
2)- A Índia reduziu o ritmo de sua atividade econômica. No primeiro trimestre desse ano o crescimento de seu PIB foi de 6,1%, contra 7,0% no mesmo período do ano passado.
3)- Na Argentina, Magri havia prometido inflação de 10% para 2017. As consultorias econômicas estimam que a inflação estará entre 22% e 25% para esse ano. Em 2016, a inflação superou os 40%.
4)- O milho subiu ontem em Chicago. Agora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos começa a se desmentir. Foi elegante ao se desdizer, afirmando que a alta decorre da qualidade do milho plantado.
5)- A desaceleração do crescimento chinês faz o minério de ferro voltar a cair. O preço dessa quarta-feirada ficou em US$ 57,02/ tonelada.
6)- O barril de petróleo também está em baixa. Ontem o barril do Brent fechou a US$ 50,31, em Londres. A OPEP não está conseguindo manter os preços, mesmo depois de ter prorrogado o acordo que limita a produção, até março de 2018.
7)- No Brasil a taxa Selic está em 10,25% depois da reunião do Copom, feita ontem. Foi uma queda de mais 1,0%.
8)- Nos Estados Unidos a inflação permanece abaixo da meta. O Fed fica sem suporte para subir novamente os juros internos.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

O caminho para o crescimento

O Brasil não terá alternativas
fora da reforma fiscal
Nesse instante, o cenário econômico global é benigno, particularmente para o Brasil. Entretanto, o quadro interno precisa apresentar avanços mais convincentes.
Ainda que as reformas pretendidas para a legislação trabalhista e para a previdência social venham a sofrer mutilações impostas pelo legislativo, não resta dúvida de que o país avançará. Isso apenas será definitivamente convincente, se o quadro eleitoral de 2018 apontar como provável vencedor um candidato liberal e reformista. Aí sim, os investidores internacionais afastarão seus receios em relação ao país.
Já se imagina que as atuais mudanças não garantirão a saúde fiscal da União. Eleito, o novo presidente, deverá aperfeiçoar os atuais avanços na previdência e na regulamentação do trabalho. Haverá ainda muito a caminhar nesse sentido, reconhecendo, a necessidade de outras reformas no bojo do Estado brasileiro. Reformas como a do funcionalismo, a administrativa, do judiciário, reformas tributária e patrimonial devem integrar a agenda do próximo governo. O candidato eleito deve estar comprometido com o controle dos gastos, da redução dos juros e, sem dúvida, do retorno ao crescimento econômico mais vigoroso. A recuperação do grau de investimento virá como consequência natural desses avanços.
É possível hoje afirmar que os mercados de juros, câmbio e bolsa já apreçaram, pelo menos parcialmente, a perspectiva das reformas atuais, a estabilidade da dívida pública, o controle do risco externo e ancoragem do câmbio e da inflação. Remanescem como incertezas a serem afastadas, a aceleração do crescimento econômico, a ampliação da oferta de crédito ao empresário privado e o controle dos riscos políticos. 

O mundo melhora seus níveis de riscos

Riscos globais dão sinais de recuo
Parece ter havido uma conjunção errática de variáveis que aponta para a redução dos riscos globais.
Do ponto de vista político, a eleição na França trouxe a expectativa de uma União Europeia mais forte, mais unida e mais liberalizante. Nos Estados Unidos, o presidente encontra-se em posição difícil para exercitar seu voluntarioso populismo. Institucionalmente, sofre um controle intenso pelo senado norte-americano, cujas acusações agora caracterizam eventual comportamento conhecido pelo nome técnico de obstrução de justiça.
Economicamente, a Europa apresenta uma recuperação consistente. As promessas, no plano da política fiscal, levam ao crescimento da austeridade nos gastos públicos, na região. Na Ásia, os menores estímulos à economia chinesa, com impactos nas commodities e na inflação, somados ao arrefecimento da atividade econômica nos Estados Unidos, indicam que a tendência de alta dos títulos públicos de 10 anos, vá ocorrer de forma mais gradual.
O mundo reduz seus riscos e estimula investidores a assumirem posições mais ousadas.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Portugal em crescimento

Portugal pode alcançar a meta
de crescimento em 2007
A economia portuguesa continua a apresentar ritmo acelerado de crescimento, iniciado na segunda metade do ano passado. Cresceu 1% durante o primeiro trimestre de 2017. Trata-se do melhor resultado desde o quarto trimestre de 2007.
O PIB português, segundo a estimativa inicial do Instituto Nacional de Estatística, pode alcançar os 1,8%, fixado como meta pelo governo português para esse ano.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Façam suas apostas

Os sinais ainda são contraditórios
A produção industrial brasileira apresentou forte recuo no mês de março em relação ao mês anterior. A queda na produção foi de 1,8%, segundo o IBGE.  É o pior desempenho mensal, desde agosto de 2016, atingindo generalizadamente a grande maioria dos setores industriais.
Esse número faz crer que o processo de recuperação da economia brasileira ainda não se definiu. As resistências encontradas para a aprovação das reformas da trabalhista e da previdência desestimulam os investimentos no setor industrial. Por outro lado, o comprometimento da renda, a inadimplência, o desemprego e a redução do rendimento real continuam a segurar o aumento da demanda.
As armadilhas para a retomada ainda não foram desarmadas e dificilmente serão subtraídas sem as reformas anunciadas. O comportamento oscilante do dólar nos últimos dias também expressa as dúvidas dos investidores, enquanto a bolsa permanece em alta, antecipando, de certa forma, o sucesso que as reformas alcançariam. Em tempos de incertezas, os movimentos especulativos se intensificam, as apostas se sucedem e os riscos aumentam exponencialmente.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

A confiança do consumidor americano
recuou em abril

O índice de confiança do consumidor dos Estados Unidos recuou para 4,6 pontos no mês de abril em relação ao mês anterior. Veio para 120,3 pontos, segundo o Conference Board.Analistas entendem que a queda reflete a desaceleração do crescimento econômico, em função da política monetária menos flexível, inaugurada com a altas dos juros no país.Por outro lado, as expectativas sobre as economias da União Europeia têm apresentado crescimento ligeiramente acima do esperado. A variável mais preocupante nesse instante refere-se ao resultado das eleições nos principais países da região.No Brasil, o setor privado espera pela aprovação das reformas previdenciária e trabalhista encaminhadas pelo governo Temer. Reina, por aqui, um inusitado otimismo com as aprovações na Câmara Federal e no Senado.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Voltando à economia real

O fluxo cambial encerrou março com superávit de US$ 2,9 bilhões
O fluxo cambial financeiro mostra o desânimo dos investidores internacionais com as ações e com a renda fixa, enquanto o fluxo moedas derivado das transações comerciais respondeu pelo superávit do mês de março.
Muito curioso, pois as exportações contratadas somaram US$ 20,4 bilhões, número superior aos US$ 11,8 bilhões decorrentes das importações.
O superávit comercial atingiu, portanto, de US$ 8,6 bilhões.
Contrário senso, a conta financeira registrou saída líquida de US$ 5,7 bilhões.
Com esses resultados, o fluxo cambial acumula saldo positivo de quase US$ 2,0 bilhões neste ano.
A especulação está dando lugar aos resultados produzidos pela economia real e, à medida em que o risco Brasil cair, terá início uma nova fase de investimentos externos diretos.

Emprego em alta

O emprego no Brasil melhora lenta e consistentemente
Depois dos dados do IBGE apontarem, na semana passada, que a taxa de desemprego no Brasil subiu para novo recorde de 13,2 % de dezembro a fevereiro, aparece a boa notícia trazida pelo Indicador Antecedente de Emprego, de março, da FGV.
O indicador aponta para uma recuperação do mercado de trabalho, com alta de 4,6 pontos no mês, atingindo 100,5 pontos, no terceiro avanço consecutivo. A alta acumulada é de 10,5 pontos no ano de 2017. Auspicioso notar ainda que a Indústria de Transformação contribuiu de forma expressiva para essa recuperação.
O mercado de trabalho ainda está bastante difícil, embora já se registre o crescimento do número de contratações, com carteiras assinadas.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Recuperação à vista

Em maio já devemos ter sinais mais fortes 
Se os indicadores de confiança e de intenção de consumo estiverem certos, a recuperação da demanda chega em maio.
A intenção do consumo das famílias, nesse último mês, tem se mostrado em alta em todas as aferições feitas por instituições especializadas.
A confiança medida pela Confederação Nacional de Indústria e pela Confederação nacional do Comércio também manteve-se em alta.
A população consumidora, o comércio e os produtores acreditam que a desinflação conseguiu desapertar os orçamentos da família e que os gastos podem subir.

terça-feira, 21 de março de 2017

O valor do dólar

A depreciação do real será essencial para o crescimento e o emprego
Parece razoável supor que a recuperação econômica não produza, pelo menos nos momentos iniciais, maiores pressões sobre os preços. Afinal o parque produtivo nacional apresenta grande ociosidade que pode ser reduzida sem investimentos e outros esforços, garantindo a oferta para o novo consumo.
Também os juros poderão continuar em queda, sem pressionar a inflação. Será possível baixar a Selic, pelo menos até 9,0% ao ano, sem desembocar em altas de preços.
Quanto ao câmbio, a maior pressão sobre as exportações poderá vir das entradas de moeda forte no país em função, sobretudo, das privatizações. Isso ajuda a deprimir os preços, mas compromete o crescimento e o emprego.
A demanda interna deveria crescer a ponto de substituir a demanda externa, para preservar o crescimento e a expansão do emprego.
Vale lembrar que a maior parte das exportações brasileira decorre das commodities agrícolas e minerais vendidas ao exterior, que não encontram mercado interno tão amplo para seu consumo.
Diante disso será necessário manter ativas as exportações por meio de taxa cambial perto de R$ 3,50 e abandonar a prática, durante a recuperação, de utilizar o câmbio como elemento de controle de inflação.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Estabilização à vista

Vamos sair da crise?
A bolha estourou. Disso a população não se deu conta completamente. Mas é possível enxergar o início de estabilização econômica. Não espere, contudo, maiores recuperações da economia, no segundo semestre, em razão de uma inflação que se mostra ainda resiliente.
O que se tem de positivo é a consistência do crescimento da confiança dos empresários, decorrente da melhora da produção industrial e da ampliação do número de produtos importados. Isso mostra certa horizontalização dos efeitos benéficos da estabilização econômica, principalmente ao longo das cadeias industriais e de suprimentos.
Mesmo que o saldo de empregos seja negativo, o ritmo de ampliação do desemprego começa a cair. Como se sabe, a redução do desemprego fica na dependência de investimentos e, portanto, sua ocorrência acaba defasada no tempo, retardando a retomada do consumo das famílias, embora sustente uma tendência de desinflação pelo baixo consumo que produz.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Armadilhas

 O Banco Central está sob nova direção.
As diretrizes já parecem relativamente claras para o mercado. Espera-se que o Banco Central se empenhe em reduzir a inflação, que nesse último momento apresentou-se muito além das expectativas dos analistas. Espera-se também que a nova administração do Bacen inicie um ciclo de redução das taxas de juros e, por fim, que seja menos intervencionista no que se refere ao mercado cambial.
A apreciação do real ajuda no combate à inflação, mas pode comprometer a exportação das commodities produzidas por aqui. Felizmente, a maioria delas está em alta no mercado internacional. Por outro lado, baixar juros estimula a alta dos preços, enquanto mantê-los altos compromete a produção e o consumo.
As armadilhas monetárias foram armadas pelos formuladores de política econômica e esperamos que realmente peguem suas presas. Câmbio que valorize as exportações e o crescimento; inflação e juros baixos para estimular a produção e, no futuro, o consumo.

terça-feira, 22 de março de 2016

Combatendo o baixo crescimento

As commodities não ajudam.
Nos Estados Unidos, parece afastada, no curto prazo, a hipótese de altas nas taxas de juros. O Fed condicionou essa decisão ao comportamento do cenário internacional. Isso significa que a possibilidade de novos aumentos está mais uma vez procrastinada.
A União Europeia conserva sua tendência de crescimento discreto, mesmo depois das últimas medidas do BCE para ampliar a liquidez na região. A Grécia ainda é a pedra no sapato da Europa.
Na China, como na Europa, o governo é cada vez mais atuante, e não tem economizado nas medidas expansionista, com o objetivo de garantir o novo padrão de crescimento definido pelas autoridades econômicas de Pequim.
Petróleo, soja, minério de ferro e outros commodities têm apresentados sucessivas baixas, com pontos de respiros ocasionais. O petróleo e o minério de ferro, por exemplo, tiveram altas na semana passada. Preços baixos podem trazer deflação às grandes e prejudicar os esforços de aceleração das atividades nesses países.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Brincou com fogo e está começando a queimar.

Quase fora de controle
O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central mostra uma instituição preocupada com a indominável alta dos preços. A Selic já está em patamares elevados e, ainda assim, os preços recrudescem se crescimento de forma assustadora. Se isso acontecer, estamos diante da perda de controle das variáveis monetárias. A inflação vai espiralar.
Ao abrir mão em passado recente de sua principal obrigação, que é não permitir à inflação que rompa com os limites estabelecidos pelo sistema de metas, o Bacen mostrou-se um órgão mais político do que técnico. A confiança entre os agentes econômicos ficou abalada ou quase destruída. Agora o IPCA de 2015 está sendo esperado em 10,8% e, para 2016, espera-se que atinja os 6,2%.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Enfim a montanha pariu

E a promessa foi cumprida
Havia tempo que o Banco Central dos Estados Unidos vinha dizendo que subiria a taxa de juros do país. Mais recentemente, as autoridades econômicas anunciaram que isso aconteceria de forma lenta e gradual, sem provocar grandes sobressaltos nas demais economias do mundo.
De fato, isso aconteceu nessa quarta-feira e da maneira suave anunciada. O Federal Reserve, aumentou do juros do país em 0.25 ponto percentual. Agora a faixa em que os juros estarão correndo tem um limite mínimo de 0,25% e um limite máximo de 0,50% ao ano. Ou seja, a taxa continua praticamente no local que estava. Considerada a inflação norte-americana na casa de 0,3% a alta parece precipitada.
Aliás, a meta era chegar a uma inflação de 2,0% ao ano. Se isso não aconteceu, é por que a economia ainda parece relativamente debilitada. Nessas circunstâncias, a recuperação está sendo posta a prova e o medo é que seja reprovada. 


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Salve-se quem puder (2)

2015: um ano complicado (2)
No Brasil, o governo heterodoxo, bandeou, pelo menos no discurso, para a mais vigorosa ortodoxia. Subiu em 2,0 pontos percentuais a meta para a taxa Selic. A tentativa era a de minimizar os efeitos que o realinhamento de preços relativos, produz sobre a inflação. As expectativas sobre alta de preços não se encontram até hoje ancoradas, muito embora já reine um razoável consenso sobre a futura estabilidade das altas de preços em algum momento do próximo ano.
Segundo o Bacen “No sistema bancário, o risco de liquidez de curto prazo apresentou aumento no último semestre, mas permaneceu em nível confortável. O risco de liquidez estrutural não se alterou, e as operações de longo prazo continuam suportadas por fontes de recursos estáveis. Segue baixa a dependência de recursos externos. ”
Para os agentes econômicos a confluência de importantes variáveis macroeconômicas, no cenário interno imobilizam suas decisões e desafiam suas competências gerenciais: crescimento fortemente negativo da economia, juros elevados, desemprego crescente, com comprometimento da expansão renda real e redução da confiança dos consumidores e dos empresários. Essa conjunção irônica - porque prevista, de variáveis, e cruel, pelos custos sociais que impõe a população, derruba os níveis de investimentos, afugenta capitais estrangeiros, reduz a demanda por crédito e inibe sua oferta pelos padrões mais conservadores de concessão a que as instituições financeiras poderiam praticar. As entidades financeiras cautelosamente aumentaram suas provisões, dada a expansão da inadimplência entre pessoas físicas e jurídicas, mesmo que se considerem as renegociações e repactuações. A rentabilidade do sistema bancário aumentou em função da prática de spreads mais elevados, a redução dos custos operacionais e os resultados com tesouraria.
Como fica o consumidor nisso tudo? A Fractal fez um estudo sobre suas despesas e o uso de produtos financeiros em tempos como esse. E se a recuperação se tornar realidade em algum momento? Como o consumidor reagirá? Veja algumas simulações q título exploratório feitas por nós.

Salve-se quem puder (1)

2015: um ano complicado no
mercado financeiro (1)
Durante o primeiro semestre de 2015 o quadro econômico mundial manteve-se submetido às ameaças deflacionárias, principalmente em economias maduras como as da Europa e do Japão. A disposição das autoridades monetárias de ambas essas áreas reduziu muito os riscos associados ao baixo crescimento de suas economias, mas isso não impediu que altas volatilidades alcançassem os mercados de divisas, bursátil e de renda fixa. O Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ) não economizaram esforços e deram continuidade a seus programas de compras de ativos, e com isso garantiram estímulos, ainda que insuficientes, para a recuperação econômica e para o combate aos riscos de deflação.
Nessa situação, os países emergentes acabam por expor vulnerabilidades que, em outras situações, remanesceriam debaixo dos seus respectivos tapetes macroeconômicos. A desaceleração econômica e a queda do comércio mundial, em prosa e verso anunciadas pela OMC e pelo FMI, atingiu esses mercados, deteriorando fortemente as condições de financiamento que usufruíam em passado recente. A isso somou-se a redução dos preços das commodities, entre elas o petróleo, penalizando os países exportadores.
Os Estados Unidos contavam com a consistência de sua recuperação, fazendo com que o Fed cogitasse firmemente da proximidade do início da normalização da sua política monetária. O dólar, então, valorizou-se frente as principais moedas. Um alarme falso, pelo menos para esse ano, já que a economia norte-americana perdeu folego nesses últimos momentos. A recuperação dos Estados Unidos não foi forte o bastante para convencer suas autoridades monetárias.
A China continuou em desaceleração sua economia, na tentativa de substituir seu modelo econômico de exportar a baixos preços sua produção local, por um modelo voltado ao mercado interno e acompanhado pela internacionalização de seus maiores grupos industriais. A valorização da moeda chinesas reflete, ou promove, essa transformação. Essa omelete não se fará sem quebrar os ovos. O mercado acionário mandou seu primeiro sinal, registrando ajustes fortíssimos a partir das expressivas baixas nesse mercado, no final do semestre. O governo respondeu rápido com medidas extraordinárias para a estabilização das bolsas chinesas.