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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Novas expectativas



Analistas se alimentam de preocupações
São muitas as preocupações sobre o mercado chinês nesse momento. Algumas tem origens em questões estruturais e apresentam maior dificuldade para serem resolvidas; outras são meramente conjunturais e preocupam menos. Serão apresentados dados sobre a inflação, questão crucial para as decisões sobre ao ritmo de recuperação dessa economia. Serão ainda divulgados dados da balança comercial e sobre o mercado de crédito. Tudo muito ligado às pressões de preços. Depois de apresentar os números muito além dos esperados sobre a geração de emprego no mês de junho, o mercado norte-americano quer sentir a disposição do Fed em manter os estímulos à economia no ritmo prometido. Portanto, todos passam a aguardar com ansiedade pela divulgação da ata do FOMC na próxima quarta-feira. Que tom terá? Haverá, pelo menos veladamente, algum indicativo sobre uma possível redução mais rápida dos estímulos?
Enquanto isso, a Europa pode também trazer alguma novidade sobre o destacamos os resultados da produção industrial de maio. Os resultados para a Alemanha e para o Reino Unido são os mais aguardados.

Varejo frustrado



A venda de televisores novos decepciona
Esperava-se que as vendas de televisores alcançassem um número bem superior ao que tem sido realizado pelo varejo. Nesse sentido, a Copa do Mundo foi decepcionante para fabricantes e varejistas.
Entre janeiro e abril, a Zona Franca de Manaus produziu cerca de 5,6 milhões de novas televisões, 65,1% a mais que no ano passado no mesmo período, esperando por uma procura bem mais forte que a atual.
Deve ter sido a estagnação econômica que fez o consumidor arrefecer a demanda, com alta de apenas 30-40%. Juros alto, menor incremento da renda, temores com o mercado de trabalho e o alto endividamento das famílias podem explicar o comportamento mais contido do consumidor. A consequência mais positiva é que televisores estão entrando em promoção, com descontos mais agressivos de preço. Ótimo momento, portanto, para quem quer comprar TV’s. Péssimo momento para os fabricantes que estão formando um estoque excessivo, pressionando suas necessidades de capital de giro, no momento em que os bancos estão mais cautelosos em aprovar crédito e que os juros estão muito altos também.

Agora quem dá bola é o Bacen

Banco Central julgará as fusões e aquisições
de bancos, decide STF
Essa rinha fez “voar pena pra todo lado”. Não foi uma disputa qualquer. De um lado o Banco Central, disputando a competência exclusiva para julgar fusões e aquisições bancárias. De outro, o Cade alegando a necessidade de sua exclusiva participação nesses eventos.
O barulho começou com a ida do Cade ao STF, discutindo sua atribuição no caso relativo à compra do Banco BCN pelo Bradesco, ocorrida nos anos 1990. No Recurso Extraordinário 664.189, foi questionada decisão do Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual a fiscalização de atos de concentração, aquisição ou fusão de instituições financeiras é de atribuição exclusiva do Bacen. O Cade recorreu ao STF. O ministro Dias Toffoli negou seguimento ao recuso, entendendo que a matéria é infraconstitucional e que, por essa razão, não deveria ser apreciada pelo Supremo. 
Essa briga ainda não acabou e o Cade pode recorrer ao Plenário do STF. Entretanto, deveria cogitar que, se seu pleito prosperar, ele estará em uma grande enroscada. A área bancária tem implicações de natureza tão especializada que a atuação do Cade seria temerária. Para poder dar consequência a seus julgamentos teria que recorrer de maneira tão intensa ao Bacen que melhor será mesmo deixar essa atribuição por conta de quem tem vocação natural para realizá-la.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Contas públicas pioram, em maio

Governo tem queda na arrecadação,
mas as despesas sobem
O déficit primário nacional alcançou, em maio, R$ 10,5 bilhões. Um recorde histórico que promove consequências negativas por todos os ângulos que se examine essa questão. De imediato, no mercado financeiro os juros futuros subiram, aumentando as expectativas sobre abertura de um novo ciclo de altas de juros ainda esse ano e, simultaneamente, aumentando o custo da rolagem dívida interna do país. A arrecadação de impostos, no âmbito da federação, apresenta resultado pífio, praticamente sem variações, nesses primeiros cinco meses do ano, refletindo o baixo crescimento do PIB. Do lado dos gastos, o dispêndio público não para de crescer, sob a influência da aproximação das eleições presidenciais. A situação é mais grave se considerarmos que o número de pessoas empregadas e o total dos rendimentos do trabalho também estacionaram. O crédito vem se arrastando desde o início do ano, crescendo em velocidade muito inferior à de períodos passados. O nível de desemprego também começa a preocupar. Agora se tem a certeza de que o baixo ritmo da atividade econômica chegou ao governo. Não haverá espaços fiscais para, racionalmente, ampliar as medidas de produção de novos estímulos à economia, assim como não há espaço no quadro fiscal para prosperar com a contabilidade criativa e com o engodo de seus artificialismos. Para fechar as contas públicas, o governo vai ter que cortar despesas. A ficção terá que dar lugar à realidade.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Cabo de força

Encruzilhadas econômicas
Ainda não se vê, no horizonte de médio prazo, condições para a redução das taxas de juros. Verdade seja dita: os desmandos na área fiscal foram grandes e comprometeram definitivamente a meta com o superávit primário. Isso que dizer inflação. Ademais o mercado de trabalho, apesar do baixo crescimento, continua ainda muito apertado e não dá espaço para redução dos juros, sob pena do recrudescimento da alta de preços. Inflação e crescimento protagonizam um estranho jogo de cabo de força. Disputam a prioridade dos formuladores de políticas econômicas, abrindo um tradicional problema em economia como as nossas: o crescimento mais acelerado conduz à inflação; a inflação, se combatida, reduz o crescimento. Enfraquecimentos paulatinos no emprego e na renda se manifestam mais claramente, sobretudo nos setores automotivos e da construção civil. As vagas ofertadas e os ganhos de renda são menores. A indústria tem desempenho negativo e comércio continua acusando queda das vendas. Os serviços crescem e se constituem em foco inflacionário relevante nesse momento. A atual crise de crédito esconde algumas oportunidades para investidores descontentes com a remuneração de seus ativos financeiros. Reunidos em cooperativas de crédito, factorings, empresas de leasing, financeiras, bancos de menor porte, e outras sociedades similares ou congêneres, embora com custos financeiros mais altos, começam a atender mais agressivamente certos pleitos de financiamentos para capital de giro. Naturalmente, esses financiadores apresentam taxas de juros mais altas pelos empréstimos concedidos.  A sugestão é só negociar com eles a partir da redução desses custos e garanti-los apenas de forma suficiente, por meio de percentuais justos de recebíveis entregues a essas instituições.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Juros nos EUA devem continuar em alta


A normalização da inflação e crescimento sugere um cenário mais balanceado e,
portanto, com juros mais elevados
Contribuição de Roberto Padovani
Economista Chefe da Votorantim Corretora
Treasuries de 10 anos são fundamentais para mercado. Um dos principais guias dos mercados financeiros no último ano tem sido o comportamento da política monetária nos Estados Unidos, refletidas no comportamento da taxa de juros de longo prazo. A questão hoje é menos sobre o processo de retirada de estímulos de curto prazo e mais o nível em que a taxa de juros poderá alcançar no longo prazo, influenciando os juros longos. Neste caso, há três elementos centrais a serem avaliados: folga no mercado de trabalho, reação do Federal Reserve e nível da taxa de juros neutra.
Sinais de curto prazo explicam atuais patamares dos juros. Parte dos analistas acredita que um patamar justo para as treasuries de 10 anos estaria mais próximo aos níveis atuais, de 2,60%. A lógica deste cenário é que tanto medidas mais amplas de desemprego quanto a taxa de longo prazo quanto mostram que ainda há significativa capacidade ociosa na economia dos EUA, ajudando a conter os salários. Da mesma forma, os estímulos de política poderiam aumentar a oferta de trabalho, elevando o crescimento potencial e o desemprego. Considerando o duplo mandato do Federal Reserve, uma política ótima poderia ser a de tolerar uma inflação acima da meta no médio prazo enquanto o mercado de trabalho se normaliza. Como resultado, a taxa de juros poderia ficar por mais tempo abaixo de seu nível neutro. Não menos importante, evidências de um crescimento potencial mais baixo significam que a nova taxa de juros de equilíbrio poderia também ser menor que seu padrão histórico.
Desemprego de curto prazo é variável central. Diferentemente, no entanto, o desemprego de curto-prazo, o componente mais importante para a inflação nos EUA, não mostra mais folga na economia. Mesmo considerando uma maior tolerância à inflação no médio prazo, estudos recentes do FED mostram que a resposta ótima de taxa de juros a um cenário de normalização da inflação continua sendo a mesma. Neste caso, eventuais mudanças estruturais, que diminuem a oferta de mão de obra e reduzem a taxa de desemprego, apenas reforçam um cenário em que a alta da taxa de juros possa acontecer mais cedo que o esperado. Além disso, há cada vez mais evidências de que os custos de uma política monetária excessivamente acomodatícia superam os benefícios em termos de riscos financeiros e, não menos importante, um menor crescimento potencial não necessariamente se traduz em menor taxa de juros neutra. Neste caso, as treasuries de 10 anos poderiam estar operando mais próximas ao patamar de 3,30%.