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sexta-feira, 7 de julho de 2017

O roto e o rasgado

No comércio internacional, o livre comércio ainda vive de seu discurso
A União Europeia é o primeiro parceiro comercial de origem das importações do Brasil e o segundo mercado de exportações para produtos e serviços brasileiros. Tem criticado muito a política protecionista de Trump, esquecida de sua política agrícola. Um exemplo tosco do "roto falando do rasgado".
À beira de fechar o tão esperado acordo bi-regional, ela mantém sua elevada proteção a produtos como carne, lácteos, açúcar e etanol, para não dizer de sua ambígua e subsidiada política, criada para a  proteção de sua agricultura.
A tarifa média praticada para produtos agrícolas atinge 14,1%, o triplo daquela praticada para produtos industriais. Registre-se a existência de poucos, mais escandalosos, picos tarifários, na casa dos 700%, acrescidos de 124 cotas tarifárias, impeditivas da entrada produtos agrícolas.
De forma, inconsistente com sua conduta comercial, critica o governo Trump, mas mantem um comércio claramente administrado quando se fala em produtos rurais.

sábado, 24 de junho de 2017

Não precisava acontecer

Tudo começou com a operação carne fraca 
O aparecimento de abscessos na carne "in natura" exportada do Brasil para os Estados Unidos é a prova mais cabal de que o gado brasileiro é vacinado e, portanto, livre de doenças que pudessem prejudicar a saúde humana.
A vacinação pode sim causar esses abscessos em função das práticas utilizadas durante a aplicação das vacinas. O fato é que essas pequenas lesões são desprovidas de consequências para o consumo e atestam o procedimento preventivo. Apenas a aparência da carne é que padece de sua beleza bruta e natural.
A suspensão da importação norte-americana parece estar relacionada a uma conduta mais geral, alinhada à perspectiva econômica do presidente Trump, que claramente quer proteger o país de importações de seus concorrentes. O protecionismo, nesse caso, busca proteger produtores e industriais de carne bovina, garantindo um maior nível de emprego no país e o crescimento da renda de sua população.
Sem entrar em discussões teóricas, a opção pelo protecionismo é, no médio prazo, autofágica. Punirá o consumidor americano com futuras altas de preço do produto.
Para o Brasil, entretanto, a proibição pode, sem dúvida, servir como pretexto para medidas similares a serem tomadas por outros países e, dessa forma, traduzir-se em novas perdas de share no mercado internacional. Os prejuízos para pecuária terão repercussões imediatas por toda a cadeia de produção, derrubando os preços internos e desestimulando investimentos na expansão e no aperfeiçoamento do criatório nacional.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Vendemos commodities. Compramos manufaturados.

Toneladas por quilos
O comércio com a china, de janeiro até maio, desse ano, apresentou números interessantes:
A corrente comercial sino-brasileira alcançou a ordem dos US$ 32 bilhões. Um crescimento de quase 30% em relação a igual período de 2016.
Nas exportações o Brasil cresceu cerca de 40%, atingindo US$ 22 bilhões, se comparado ao mesmo período de 2016.
Nas importações da China houve aumento de 10%, nos 5 primeiros meses de um ano para outro. As importações totalizaram US$ 10 bilhões.
As exportações brasileiras são representadas na sua imensa maioria por commodities: soja, minério de ferro e petróleo. No sentido contrario, o valor das importações envolve basicamente aparelhos elétricos e suas partes (US$ 3,4 bilhões), compras de instrumentos mecânicos (US$ 1,5 bilhão). São produtos manufaturados chineses chegando ao Brasil.
Os termos de troca parecem sofrer de deterioração continuada. A qualidade do comércio com a China não entusiasma.