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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Planejar e regular

Reduzir o tamanho do Estado também
tem seus problemas
O primeiro passo é a privatização. Para isso, o governo deveria planejar as operações a serem licitadas, colocando seus objetivos para o setor, sobre todos os ângulos administrativos. O bom dimensionamento do mercado e  as estimativas da demanda futura devem ser precisas para não haver comprometimento do desempenho futuro.]Bem planejado é preciso regulamentar a atividade, procedendo à elaboração contratual e o melhor regramento das condutas das partes, inclusive nas questões relativas ao desfazimento do contrato.
A máquina estatal enxuga-se, é verdade. Mas de outro lado, ela terá que buscar pelos maiores níveis de excelência.
O caso norte-americano é ilustrativo:
O presidente Obama vai exigir um novo conselho de supervisão que trabalhe com as agências federais para cumprir o objetivo de cortar desperdícios e melhorar o desempenho. Quer dizer, o estado enxuto está perdendo suas competências essenciais: planejar e regular.
Para evitar o que seria um desastre, Obama anuncia hoje o novo pacote de medidas para cortar os desperdícios da Administração, por entender a ineficiência, fraudes e abusos como elementos preocupantes, especialmente em tempos econômicos difíceis.
O reconhecimento da própria incompetência assumiu o passo anterior ao primeiro. Será preciso qualificar pessoas para o planejamento e a regulação, caso contrário privatização pode ser um tiro a sair pela culatra. As agências precisam estar preparadas. Repetindo o presidente dos Estados Unidos, “livres de ineficiências, fraudes e abusos”.
É difícil em qualquer país dominado pelo fisiologismo, pelas pressões orçamentárias e pelos compromissos assumidos em prazos muito curtos.

Petróleo abaixo dos US$ 99,00

Queda abrupta de preços mostra
especulação anterior
A redução do ritmo de recuperação da economia norte-americana e a perspectiva da perda de velocidade de crescimento do PIB chinês fazem os preços do petróleo, nos Estado Unidos, desabar. É a maior queda, considerada as últimas 4 semanas.
O arrefecimento das economias reduzirá a procura de petróleo nos dois maiores consumidores mundiais e o ajuste das quantidades não vendidas será realizado via preço.
O Brent do Mar do Norte, negociado em Londres caiu, na sexta-feira, 0,17%, fechando em US$ 118,58 o barril. Nos Estados Unidos , o petróleo tipo WTI, recuou 0,54% para US$ 98,75 dólares o barril.
Os preços formam-se por meio das expectativas de consumo. O especulador aparece no mercado e faz o preço disparar.

Banco Central recupera confiança

As expectativas inflacionárias
cederam rapidamente
A curva de juros já mostra que o mercado passou a acreditar na eficácia do combate à inflação. As altas sinalizam que as projeções baseiam-se em mais um aumento da Selic na reunião de julho. As dúvidas sobre a determinação do atual governo estão dessipadas e o Banco Central deixará isso claro na Ata da reunião do último COPOM.
Por outro lado, as projeções feitas pelo mercado para os indicadores de preços de junho são inferiores aos valores reais do mês de maio.
Expectativas de inflação desfeitas e confirmada a austeridade fiscal, o Brasil caminha célere para 2012.

domingo, 12 de junho de 2011

Nocaute no último round

Estava nas cordas. Foi à lona.
A i4i é uma desenvolvedora de software. Em 2007, moveu ação contra a Microsoft,  por quebra de patente no Word e no sistema operacional do Windows Vista. Dois anos depois, a Microsoft perdeu em primeira instância. Apelou à Suprema Corte dos Estados Unidos, que confirmou a decisão do 1º Grau: a Microsoft terá de pagar US$ 290 milhões por violação à lei de patentes. Pior, foi impedida de vender as versões 2003 e 2007 do processador de texto Word.
A atitude de violação é tão mais indigna quanto maior e mais forte é o violador. Cria um quadro ético insustentável, sobretudo após a sentença final.
Quebras de patentes tornaram-se habituais no segmento de tecnologia. As sentenças proliferam por todas as partes do mundo. A maneira mais eficiente de por fim a essa conduta reprovável seria criminalizá-la.
O mais melancólico é ver o gigante beijar a lona.

sábado, 11 de junho de 2011

Aversão a riscos?

Comportamentos inconsistentes na Ásia
A Ásia vive uma curiosa aversão a risco. E a sua maneira.
Teme a redução do crescimento chinês e atemoriza-se com a recessão japonesa.
Por outro lado, a China acaba de anunciar um surpreendente aumento de suas importações de 28,4%, em maio. Um país em recessão não aumentaria suas importações.
Para acentuar a idiossincrasia do comportamento dos agentes econômicos asiáticos, o país anunciou ainda um crescimento de seu superávit comercial. Isso quer dizer que ampliou suas exportações expressivamente e que,  via exportação aumentou o emprego e a renda? Se for, melhor centrar suas preocupações na inflação e não no crescimento.

No mundo rico, um clima ruim.

A semana encerrou-se em clima bem "deprê"
Nos Estado Unidos, o preço das importações subiu 0,2% em maio m relação ao abril. A expectativa do mercado era que o índice caísse 0,7%.
Por outro lado, o Departamento do Tesouro deu a conhecer um déficit orçamentário de US$ 57,64 bilhões, em maio. Esse déficit é menor que o déficit registrado em maio de 2010, de US$ 135,93 bilhões.
A situação fiscal contiuna se agravando, embora a tentativa de dissimular o tamanhoa do rombo.
Enquanto isso, no Velho Continente, o Parlamento Alemão aprovou uma  nova ajuda para a Grécia. Impôs condições que contrariam a dobradinha FMI e UE.
O Parlamento quer uma reestruturação da dívida grega pra valer. Inclui os credores privados do país  e não apenas os países vizinhos. Os alemães querem uma solução integral e definitiva do problema, o que amplia os esforços de cortes para o governo grego. A Grécia quer resistir à tanta austeridade.
Por sua vez, França e Reino Unido anunciaram indicadores industriais em queda.
Vai daí que não se pode esperar por recuperações econômicas rápidas. A tendência é letárgica.

A semana acabou

Nada a lamentar. Tudo era esperado.
E até desejado.
Ibovespa com queda de 1,22%, encerrando a sexta-feira aos 62.697 pontos. Na semana, a queda acumulada foi de 2,55%. No mês, de 2,98%. O giro financeiro dessa sexta-feira foi de miseráveis R$4,955 bilhões.
Quer saber? O Bovespa “tá cansando a nossa beleza”.
O IBGE anunciou recuo no emprego industrial de abril em relação a março. Entretanto, quando comparado a abril do ano passado, o crescimento foi de 1,7%. Reafirmando a desaceleração da economia, o valor real da folha de pagamento dos trabalhadores da indústria também caiu. A queda, nesse caso, foi de 0,8%, interrompendo a série de três meses de aumentos sucessivos.
A desaceleração chegou.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Violação de privacidade e etc.

Facebook nas cordas. Mas, ainda não, na lona.
Quando um praticante da nobre arte (lutador de Box) é atingido por um desses golpes que costumam abalá-lo a recomendação é a de que vá para as cordas e que, apoiado nelas, siga o procedimento mais prudente de fazer movimentos, em pêndulo, da cintura para cima. Isso ajuda a absorver o impacto dos golpes desferidos pelo adversário e permite o ganhar tempo necessário até bater o sinal de fim de round. Ele aí, sentado, conseguiria recuperar-se à custa de inalações, borrifos de água e aplicação de vaselina nas partes feridas.
Acho que o Facebook já pode começar a fazer pêndulo. O Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, órgão do Ministério da Justiça, convocou a rede social a prestar esclarecimentos sobre um novo sistema que reconhece pessoas automaticamente em seus álbuns pessoais. Segundo o pensamento dominante, isso violaria a privacidade dos usuários.
O argumento utilizado é de que a ferramenta faculta a qualquer usuário identificar seus amigos em fotos postadas no álbum pessoal. A imagem dos usuários ficaria, então, submetida a uma exposição muito grande, o que poderia não ser conveniente, nem desejado, pelos usuários.
ODPDC quer saber se os usuários souberam disso com tempo de retirar, ou não, suas fotos em álbum pessoal ou mesmo se as mudanças foram comunicadas aos usuários.
Para o órgão, há indícios da ausência de consentimento dos usuários para a ativação da ferramenta. Isto significaria possível violação da privacidade e modificação unilateral sem aviso prévio dos termos de uso da rede social.
Vamos esperar que não dê nocaute.

Caras e Bocas, com Jean-Claude Trichet

Forte vigilância pode ser apenas desculpa para a decisão anterior
Enquanto o mundo continha suas taxas de juros perto de zero, para assegurar um alto nível de liquidez a seus sistemas econômicos, o Banco Central Europeu subiu sua taxa de juros para 1,25%. Precipitou-se, certamente.
O mundo usou as taxas baixas como instrumento para aceleração da recuperação econômica. Como medo da inflação, o BCE precocemente agiu da forma mais conservadora possível, elevando o juro europeu. Deu no que deu: crescimento muito baixo em toda região.
 Ontem o BCE anunciou que manterá inalterada sua taxa nos mesmos 1,25% e, simultaneamente, anunciou sua nova perspectiva para o crescimento da economia europeia esse ano. As previsões crescimento do PIB, dos 17 países que formam a Zona do Euro, passaram de 1,7% em março, para 1,9% em junho. Não refresca nada, mas também não esquenta.
Com suas costumeiras caras e bocas, Jean-Claude Trichet, o precipitado presidente do BCE, disfarçou, afirmando a necessidade de "forte vigilância" sobre o  comportamento dos preços. Quer nos fazer crer que a decisão anterior de subir as taxas de juros  foi acertada.  E, reafirmando suas inconvenientes antecipações aos fatos, voltou a opor-se às propostas de reestruturação compulsória da dívida da grega.
Tornou-se um desnecessário dissidente da nova onda de austeridade europeia. Sem dúvida, mais um colecionador de conflitos inúteis.

Meus senhores, o caso é grave.

Tio Sam ainda na unidade
de tratamento intensivo.
Cresceram os estoques no atacado em 0,8%. Na verdade, o resultado não é mau. Mas cresceram e isso não é um sinal animador, pois mostra o varejo menos ativo. Quer dizer, os compradores norte-americanos continuam jogando na defesa.
Por outro lado, o déficit comercial sofreu uma redução interessante. O déficit do comércio americano era, na média do primeiro trimestre do ano, de quase US$ 47 bilhões e veio para quase US$ 44,0 bilhões, em abril. Tudo atribuído, principalmente, à redução das importações do petróleo.
Se foi só por isso, a redução é apenas interessante. Mas não pode ser considerada uma intensificação da vertente exportadora para o crescimento norte-americano. Não dará empregos novos, nem muito menos contribui para a expansão da renda do país.

Finalmente, os pedidos de auxílio desemprego nos Estados Unidos decepcionaram. Esperava-se uma redução bem mais forte do que a redução de apenas mil novos pedidos.
Até agora, nada parece reanimar o Tio Sam. Como diriam os melhores boletins médicos: seu estado inspira cuidados.

Sob controle

Os preços se aquietam.
Em São Paulo, a inflação medida pelo IPC da Fipe, para a primeira quadrissemana de  junho, praticamente não se moveu: 0,05%. Quase 0,0%.
O IGP-M da FGV, na primeira prévia de junho, veio mais favorável ainda: - 0,09%. Quer dizer os preços recuaram. Deflação! Vamos voltar para o intervalo do centro de meta?
O ministro Mantega deve estar comemorando. E com razões de sobra para isso.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Inflação é tema do Jornal da Record

Inflação em queda
TV RECORD  -  Record em Notícias  -  7/6/2001
Uma entrevista muito breve.
http://noticias.r7.com/videos/baixa-no-preco-dos-combustiveis-derruba-inflacao-para-menos-de-0-5-/idmedia/4deebc9bb51a597468ae6c9f.html

Engraçado não é. Apenas parece curioso.

Fed pessimista. Empresários otimistas.
O presidente do Fed, Ben Bernanke, fêz ontem um discurso de lascar. Esparramou pessimismo na recuperação norte-americana. Foi o chamado "balde de água fria".
Agora é o Livro Bege que anuncia que 4 dos 12 distritos do Fed mostram recuo em suas economias. Poderia ter dito que, nos últimos 2 meses, 8 distritos dos 12 pesquisados, mostraram atividades econômicas positivas.
o sentido contrário, o empresariado ostenta otimismo uma vez mais no que tange à economia do país. Já falam em recuperação no médio prazo.

Chegamos aos 12,25% para a Selic

Resta dizer que se trata de medida macroprudencial, também.
Curioso que desta vêz não houve dissidência. Foi por unanimidade. Mais 025%. Exatamente quando a inflação dá mostras de estar cedendo e as medidas macro prudenciais mostavavam sua eficiência, mesmo que tardias. O Comitê manifesta- se claramente preocupado com a "convergência da inflação para o centro da meta".
Duas expressões são recorrentes na fala das autoridades monetárias e sugerem, para julho, mais um aumento de 0,25%, pelo menos: "ciclo de aperto monetário prolongado" e "ajuste gradual". Preparem-se que nesse inverno "vem mais chumbo".
O Comitê fêz o que tinha que fazer e não tenham dúvida que a inflação vai cair. As expectativas dos agentes se ajustaram às novas circunstâncias monetárias do país.

Evo Morales e as consequências de suas imprudências

Bolívia entende-se como parceira brasileira na produção de uréia.
O governo de Evo Morales deve buscar acordos políticos o Brasil. Esses acordos pressuporiam projetos comuns entre os dois países, onde o gás boliviano seria industrializado no Brasil. Um recúo definitivo em sua postura rivalizadora com o Brasil.
O temor boliviano relaciona-se à planta de Três Lagoas, localizada no estado de Mato Grosso do Sul, que poderia competir com o projeto da Empresa Boliviana de Industrialização de Hidrocarbonetos e Energia. A Petrobrás já havia decidido reduzir sua dependência de gás da Bolívia. Agora Evo precisa correr atrás do prejuízo.

Na Folha de São Paulo

Claramente, um equívoco. Acontece.
Na Folha de hoje, quinta-feira, 9 de junho de 2011, na página B27, VAIVÉM: "Algodão puxa safra recorde de grãos no país."
A qualidade da matéria que se segue é muito boa. Bem escrita, com informações precisas e relevantes. Em tudo a matéria é realmente compatível com os padrões da Folha e do seus jornalistas.
Escapou ao jornalista, entretanto, o fato do algodão não ser grão. Coisa que pode acontecer a qualquer um. O jeito de não errar é não escrever.
Mas, insisto, a matéria é muito boa e o jornalista também.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Rentabilidade das aplicações - Valor Econômico

É preciso estimular a poupança interna.
Não o consumo.
O cálculo é do Valor Econômico, do dia 1o. de junho desse ano. Veja no quadro abaixo.

O rendimento está muito baixo em relação à taxa de juro básica (12% de Selic). A inflação está muito alta e praticamente anula o rendimento real.
As taxas de juros para financiamentos aumentam muito e a diferença entre o que se paga, em relação ao que se recebe, nega a lógica econômica. Em termos gerais não se pode pagar juros tão altos e receber juros tão baixo. Isso estimula o consumo.
A poupança nacional está na casa de 16%. O país precisaria poupar 25% para crescer ao ritmo de 5% ao ano. Sem essa poupança, nosso crescimento fica à mercê dos capitais externos. Rendimentos mais altos estimulariam a formação da poupança nacional e não deslocaria os ganhos para o consumo, aliviando as pressões sobre os preços do sistema. Taxas como as praticadas faz pensar que não há razões para poupar.
A título de curiosidade, o governo para financiar suas dívidas paga a segunda taxa de juros mais alta do mundo e, no ano de 2010, apresentou uma poupança pública negativa de -2%. Tudo muito contraditório, ainda.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Inflação: a ameaça de sempre. Mesmo nas crisse.

E os preços não param
Como se vê dos dois gráficos anteriores, a inflação nos emergentes é muito maior que nos países desenvolvidos.
Enquanto os problemas fiscais e as dívidas soberanas impedem o crescimento dos desenvolvidos, entre os emergentes, o combate à inflação segura o crescimento mais rápido.
Mesmo assim, a inflação nos desenvolvidos também começa a subir. Tanto entre os emergentes, quanto entre os desenvolvidos, a razão fundamental para a inflação é o excesso de liquidez. Muita emissão nos desenvolvidos. Muito crédito entre os emergentes.
Taxas de juros são os instrumentos mais eficientes, de plantão. Na Europa o juro subiu precocemente. Nos Estados Unidos a alta deve vir lá pelo final do ano.
No Brasil, podemos apostar em mais 025% amanhã. Há quem diga que não é mais necessário mexer nos juros e que as medidas macroprudenciais já teriam dado conta de todo o recado inflacionário.
Provavelmente se esquecem das entradas de dólares no país a título de investimentos externos diretos e também não se lembram dos investimentos do PAC. Acho que o Banco Central poderia subir mais 0,25%, sem sair de sua postura gradualista. Seria um recado definitivo enviado para os agentes econômicos: estabilidade é prioridade na vida nacional.

Só para comparar

Inflação nos Emergentes
A inflação nos países emergentes é maior ou menor que  no primeiro mundo?
Veja abaixo e compare com a postagem anterior?
Inflação é o nosso problema . Nos impede de crescer mais forte. Os ajustes fiscais foram prometidos e de certa forma foram realizados. Mas,  falta muito. Precisamos chegar ao superávit nominal.
Inflação no centro da meta, câmbio flutuante e um expressivo superávit nominal tornariam o real uma moeda com conversibilidade plena. Ess é o sonho que faria do Brasil o segundo maior centro financeiro de toda a Américas.
Deus salve a América!

Japão reagiu com suas catástrofes

Assimetrias dos preços no mundo
Esse grágico é imperdível.

O Japão sai da deflação com a catástrofe. Pode ser coincidência, mas op gráfico sugere essa ironia.
O Reino Unido tropeça nos próprios pés. Com todo o ajuste fiscal, a inflação é a maior do mundo desenvolvido o momento. Faz pensar que os descaminhos, no passado, foram grandes demais
Estados Unidos, Canadá e Zona do Euro convergem.
Quanto ao Brasil, as coisa vão melhorando.