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domingo, 23 de junho de 2013

Não foram apenas insatisfações

Brasil, na semana que passou
Duas notícias marcaram a semana.
1ª) A .Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE registrou a taxa de desemprego em 5,8%. Coisas do pleno emprego que, de outro lado, embutem uma armadilha cruel para o dispêndio governamental. Esse resultado foi produzido pelo crescimento do emprego no setor público.
2ª) O IPCA-15 ficou em 0,38%. Nos últimos 12 meses, estourou o limite superior da meta, atingindo 6,67%.
A lamentar, a alta nos transportes de 0,1%. A comemorar, a queda da nos preços da alimentação no domicilio, cuja deflação foi de -0,07%.

Olhando a semana que passou

O mundo deu as voltas que costuma dar
Os Estados Unidos reconheceram tecnicamente que o processo de sua recuperação está consumado. Já não precisariam mais das injeções de liquidez por meio de seu programa de recompra de títulos (QE3) e prometem gradualmente extingui-lo.
Entre as argumentações do Fed para isso estão o recuo da taxa de desemprego e o avanço da inflação. À medida que a primeira se aproxime dos 6,5% e a segunda aponte para os 2,5% ao ano o programa de estímulos sofrerá reduções gradativas.
O mercado, arisco como é, já começa se antecipa às decisões e, com isso, a curva de juros de longo prazo subiu de forma surpreendente, enquanto dólar acentuou sua rota de valorização. O mercado também já precifica a alta de juros, para início de 2014.
Mas se os indicadores melhoraram nos Estados Unidos, na China, a incerteza aumentou com a publicação da prévia do PMI Composto de maio que registrou queda de 48,9 para 47,7 pontos. A se confirmar esses dados preliminares, a China estaria caminhando para um quadro social perigoso. Sua economia precisaria estar crescendo bem mais rapidamente, com criação de vagas de trabalho, e ampliação de investimentos para evitar desequilíbrios sociais mais contundentes.
Na Zona do Euro a contração se aprofunda e eventuais soluções continuam repousando sobre as economias alemã e francesa.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A taxa de desemprego ficou estável

Mercado de trabalho continua apertado
A pesquisa mensal de emprego, realizada pelo IBGE, aponta que o desemprego no Brasil, em maio, manteve-se estável em relação ao mês anterior. A taxa está parada em 5,8%, confirmando as expectativas sobre a permanência de um mercado de trabalho apertado, mesmo com o baixo nível de atividade econômica.
Fica para os governantes silentes, o desafio de explicar as causas das insatisfações manifestadas pela população brasileira nos últimos dias. Afinal, a população nacional está completamente empregada e recebendo, anos seguidos, reajustes salariais tão generosos.
Vamos lembrar que aumentos superiores aos ganhos de produtividade do trabalho trazem inflação. E a inflação deteriora os salários. As insatisfações parecem nascer do recuo sócio-econômico nas condições de vida dos cidadãos.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A China às voltas com seu baixo crescimento

Falando sobre o que temos esquecido de falar
Os investimentos chineses também sofreram retração. Como no Brasil, o PIB não cresce como os governantes gostariam que crescesse.
Está difícil substituir o mercado externo pelo mercado interno. Com isso, a primeira tomada que tenta prever o desempenho da atividade industrial no país mostra um PMI na zona de contração, abaixo dos 50 pontos, e pior, em queda. Reduziu-se de 49,2 em maio, para 48,3 pontos, em junho.
Sem pensar nas consequências que isso teria para o mundo e pensando apenas na aceleração do crescimento chinês, há que se admitir que o crédito por lá, andou também muito depressa e que a insolvência e a inadimplência estão muito altas, para além do desejável.
Portanto, em um mundo recessivo, a China, como o Brasil, encontrarão soluções apenas pela via da ampliação dos investimentos e da oferta interna, criando novos postos de trabalho, combatendo pressões inflacionárias, e procedendo à inclusão de novas camadas sociais na economia desses países, para que possam viver um novo ciclo de prosperidade econômica.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Japão continua reagindo

Crescendo para fora
O curioso da recuperação japonesa é que ela se dá pela vertente externa. Todo o programa de recuperação visava aumentar a liquidez interna e, por esse meio, aumentar o consumo. Isso aconteceu em alguma medida, mas não tanto quanto se imaginava.
Por outro lado, a balança comercial do país, embora deficitária, aponta crescimento das exportações em 3,2%, enquanto para  as importações o crescimento foi de 4,7%.
O crescimento das importações pode estar associado ao crescimento do mercado interno, mas impressiona ver a rápida velocidade com que as exportações japonesas estão se dando, mesmo em um mundo em crise.
Os especialistas tem explicado essa velocidade pela desvalorização da moeda local e, por conseguinte, pelo barateamento do produto japonês.
As exportações para Ásia cresceram 11,1%, para União Europeia a redução foi de 4,9% e para os EUA cresceram 16,3% no mês de maio.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Emoções, nas 4a feiras de 2014

Agendando reuniões e decisões
O Calendário das Reuniões Ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) para o ano de 2014, foi divulgado pelo Banco Central.
As datas aprazadas são:
14 e 15 de janeiro
25 e 26 de fevereiro
1 e 2 de abril
27 e 28 de maio
15 e 16 de julho
2 e 3 de setembro
28 e 29 de outubro
2 e 3 de dzembro
As reuniões ordinárias são realizadas em duas sessões: a primeira, às terças-feiras, reservada às apresentações técnicas de conjuntura, e a segunda, às quartas-feiras, para decisões das diretrizes de política monetária.

Para quem gosta da boa música

Fábio Caramuru, virtuoso e inspirado
Considero um dos melhores espetáculos desse mês.


Ficou preocupante

Pesquisa Focus dessa segunda-feira
mostra-se ainda mais pessimista
Repetindo a semana anterior, o Boletim Focus do Banco Central, mostra uma tendência de redução do PIB e de aumento na taxa básica de juros da economia brasileira para 2013.
Era mesmo de se esperar que com o término da flexibilização monetária as expectativas de crescimento apresentassem redução. Isso não seria surpresa, mas, então, também seria de se esperar por uma redução das estimativas referentes à inflação. Não foi o que aconteceu. A estimativa referente ao IPCA, para 2013, estava em 5,80% na semana passada. Nessa semana, a estimativa cresceu para 5,83%.
Para o crescimento econômico o Focus falava em 2,53%, na semana anterior. Nessa semana, as previsões para o PIB estão em 2,49%. Enquanto isso, a taxa Selic teve sua previsão aumentada de 8,75% para 9,00%.
Desse jeito, as vaias não estarão acontecendo apenas em campos de futebol.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Agora é a vez do consumo cair

Brincando com a inflação
Os dados de vendas de abril foram surpreendentemente frustrantes. As vendas de varejo de abril cresceram 1,9% em relação ao mês anterior, No conceito restrito, onde se excetua carros e construção cível, o crescimento foi bem menor. Apenas 0,5%. Ambos os resultados foram interpretados pelos especialistas como muito aquém daquilo que seria desejável.
Talvez fosse mais conveniente rever nossas expectativas diante do crescimento econômico modesto que nossa economia vem apresentando, lembrando também que esse setor é muito sensível à oferta de crédito. O crédito a consumidores e às empresas de menor porte tem sido objeto de grande seletividade por parte dos bancos e sua expansão realmente está se dando a ritmo bem inferior ao de períodos anteriores.
Por outro lado, a inflação, alta e prolongada, minou a renda real dos consumidores e suas famílias, contribuindo para a redução do consumo.
O sintoma mais preocupante desse fraco desempenho ficou associado à redução das vendas dos supermercados, sugerindo que os cortes podem estar sendo feitos em alimentos, com a migração para as marcas mais baratas e redução do número de itens comprados. A se confirmar essa hipótese, vamos nos deparar com um reviravolta nos movimentos de inclusão social.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bancos Centrais sustentam fluxos globais

A fragilidade econômica global sugere que a liquidez global seja mantida ou ampliada, sustentando os fluxos para os mercados emergentes. 
Uma contribuição  preciosa de Roberto Padovani, economista chefe da Corretora Votorantim
As últimas semanas foram dominadas pelo temor de que os principais bancos centrais reduzam a liquidez global, diminuindo os fluxos de capitais para os mercados emergentes.
Nossa avaliação, no entanto, é que há incentivos para que se evite uma elevação abrupta dos juros longos, mantendo as condições de liquidez por um bom tempo. A fragilidade econômica faz com que ou não haja espaço para redução de liquidez, como nos Estados Unidos, ou haja espaço para aumentar liquidez, como na Europa. Mesmo no caso japonês, onde o sucesso do afrouxamento monetário é incerto e depende de reformas, uma mudança no viés de política é pouco provável no curto prazo.
No caso dos Estados Unidos, ainda que a possibilidade de diminuição do ritmo de compras de ativos tenha sido considerada de forma explícita, conduzindo ao início de normalização dos juros longos, a sinalização fundamental é de que a política monetária continuará altamente expansionista por um período considerável de tempo. Uma melhora “substancial” no mercado de trabalho, gatilho para diminuir as compras de ativos, ainda não parece ter ocorrido, e o Fed projeta apenas para o final de 2014 uma taxa de desemprego próxima a 6,5%, uma das condições necessárias para alta de juros. Ainda, não parece haver grande desconforto dentro do banco central com o tamanho de seu balanço e seus possíveis efeitos nocivos sobre a economia. Isto significa que quando as compras de ativos forem interrompidas, a diminuição do balanço do Fed pode ser lenta.
Na Europa, o BCE ainda enxerga um cenário com viés negativo para o crescimento e expectativas de inflação bem ancoradas. Da mesma forma, não apenas o banco central mantém seu compromisso com uma política ultra-expansionista pelo tempo que for necessário, como também procura alternativas, como a fomentação de um mercado de dívida colateralizada por empréstimos a empresas do setor real. Na Inglaterra, a discussão gira em torno de aumentar ou não as compras de títulos, ao mesmo tempo em que se discutem medidas para garantir funding ao setor real da economia. O viés, portanto, parece ser para mais afrouxamento quantitativo, e não menos.
Por último, a alta dos juros longos no Japão não reflete uma estratégia de retirada de liquidez, mas sim dúvidas sobre reformas estruturais, problemas de comunicação e ruídos no mercado de títulos. De fato, os agressivos estímulos fiscais e monetários só podem alcançar o objetivo de elevar a inflação e impulsionar o crescimento econômico caso sejam acompanhados por aumento da produtividade e manutenção de um baixo risco de solvência fiscal. Justamente por isso, o mais provável é que o banco central mantenha o programa de estímulo e procure elevar sua eficácia, reduzindo as incertezas em relação aos juros reais de equilíbrio.

Pânico no mercado financeiro 1

O dia em que o mundo se assustou
Tudo começou no Japão. Esperava-se pela ampliação do programa de incentivos monetários. O BoJ frustrou as expectativas de todos, deixando tudo como estava, sem adicionar medidas novas capazes de intensificar o ritmo da economia. Pensando bem, isso não deveria decepcionar aos analistas. O Japão já reagiu de forma exuberante aos estímulos concedidos até aqui, crescendo no primeiro trimestre desse ano, a uma taxa anualizada de 4,1%. Não está bom?
Acompanhando o caminho do sol, os temores foram se ampliando com o início do processo de decisão da corte alemã sobre a legalidade da compra de títulos de países da Zona do Euro, pelo Banco Central Europeu. Parece até que as compras poderiam ser revertidas depois de tudo que já se fez.
Nos Estados Unidos, a notícia de que os estoques, no mês de abril, subiram 0,2%, em relação a março também não agradou os investidores. É bom ter em conta que a variação é desprezível.
Mas, o que “pegou” mais forte foi a aproximação de uma eventual decisão sobre a redução dos estímulos monetários da economia norte-americana pelo Fed. O juros nos Estados Unidos, nesse caso, deveriam subir e sua moeda continuaria em pleno processo de valorização em relação a todas as outras moedas do mundo. Inclusive, em relação ao real. As demais moedas nacionais depreciadas impactariam as respectivas economias de forma diferenciada, enquanto os investimentos em papéis do Tesouro americano tornam-se cada vez mais atraentes, ampliando as percepções de risco dos emergentes e configurando uma fuga de capitais desses países.
O resultado esperado por todos é que o real continue em queda e o Ibovespa atinja níveis ainda menores do que o de ontem.
Investidores já desconfiam da existência de um desastre nas economias emergentes. Recomendo calma aos que estão negativos nas suas posições em renda variável, afinal o desastre não vai ocorrer.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Japão, de novo

Um novo momento?
O primeiro trismestre do ano já mostra, no Japão, um crescimento anual de 4,1%, respondendo à nova política monetária do Governo Abe. Fazia tempo que o país não assistia "ao espetáculo do crescimento econômico".
A desvalorização do ien provocou um saldo em transações correntes positivo e que foi duas vezes maior que as expectativas do mercado. Os primeiros dados da economia impressionam e surpreendem o mercado.

domingo, 9 de junho de 2013

Balanço geral 4

Brasil ainda na linha de tiro
A S&P ameaçou retirar o grau de investimento do país. Suas críticas para isso chegaram, mais uma vez, atrasadas. O país já havia iniciado as medidas de combate à inflação, aumentando a taxa Selic em mais 0,5 ponto percentual.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, apurado pelo IBGE, foi de 0,37%, no mês de maio. No mês anterior, havia avançado 0,55%. Em doze meses, o IPCA é de 6,5%, bem no limite superior da meta para a inflação. Pode ser até que a inflação suba mais um pouco, entretanto é de se esperar que a partir do julho ela comece a se reduzir gradualmente. Fica, entre nós, sempre o temor de que uma eventual aceleração de nossa economia, mesmo que modesta, possa ser pressionada pelos preços do setor de serviços.

sábado, 8 de junho de 2013

Balanço geral 3

E nos Estados Unidos...?
Todas as informações confirmam a recuperação consistente e moderada da economia norte-americana: criação de 175 mil empregos novos no mês de maio, com a taxa de desemprego agora na casa dos 7,6%.A produtividade do primeiro trimestre desse ano em 0,5%, com o custo unitário do trabalho, no mesmo período em -4,3%.
O Federal Reserve anunciou que o crédito ao consumidor aumentou US$11,06 bilhões no mês de abril.
Os argumentos em favor da redução do programa de recompra de títulos ganham força. A política monetária pode deixar de ser tão flexível.

Balanço geral 2

Falando em China
De relevante, na China, apenas o anúncio de um PMI em queda. O PMI da indústria, em maio, veio abaixo dos 50 pontos: 49,6 pontos, contra 50,4, de abril. Vale aqui lembrar que abaixo dos 50 pontos, o indicador sinaliza para a contração da economia.
A redução do ritmo econômico chinês preocupa o mundo. Em relação ao Brasil, cria-se uma expectativa de redução dos preços das commodities que exportamos. Os resultados vão contribuir para a deterioração da Balança Comercial brasileira, mas ajudarão no combate à inflação, sobretudo, aquela produzida pelos alimentos.

Balanço geral 1

Fatos que marcaram a semana
Na Zona do Euro, o discurso de Draghi, ignorando novos incentivos, não agradou investidores. Também falou sobre um melhor desempenho da economia da região. Desempenho que os fatos e os números não confirmaram. Com isso a taxa de juros foi mantida pelo BCE em 0,50% ao ano.
O PIB do primeiro trimestre da Zona do Euro foi revisto. Fala-se agora em -0,2% para o primeiro trimestre desse ano em relação ao último trimestre de 2012. Isso corresponde a -1,1 nos últimos 12 meses. É um resultado ruim, sem dúvida. Mas, para consolo da região, não é tão ruim como muitos esperavam.
Também se anunciou o PMI de maio em 48 pontos. Abaixo dos 50 pontos, o PMI aponta para contração na economia. As vendas de varejo foram na mesma direção. Em abril, elas recuaram -0,5%.
A Zona do Euro ainda não encontrou o caminho da recuperação. Juros baixos parecem não ser suficientes para impulsionar as economias do bloco. Melhor seria uma proposta de coordenação das políticas econômicas nacionais à busca de novos mercados em regiões com maior dinamismo econômico. O acordo com os Estados Unidos pode ser uma oportunidade impar nesse instante para a região.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Europa sem planos

Vacilações no Novo e no Velho Continente
O Departamento de Trabalho americano registrou queda no número de pedidos de auxílio desemprego. Foram 11 mil solicitações a menos, na semana até 1º de junho, totalizando 346 mil pedidos. Curioso. Enquanto parte do mercado comemorava, outra parte se decepcionava com esse desempenho. Vai entender.
Na Europa, Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu, frustrou as expectativas dos agentes econômicos ao ignorar o tema “novos estímulos econômicos para a Zona do Euro”. A entidade reunia-se para discutir sua política monetária para região. Dado que o desempenho previsto para PIB dessa parte do mundo aponta para uma contração de -0,6%, em 20123, esperava-se por alguma a mudança do BCE no sentido de minimizar essa queda.
Na ausência de manifestação, o mercado concluiu que não há nada previsto ou planejado pela autoridade monetária e que a recessão deverá ser mais profunda e prolongada do que se esperava.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Surpresas nos dados econômicos

Nada garante que o crescimento possa
se manter nos próximos meses
A produção industrial de abril cresceu 1,8% em relação ao mês anterior. Esses dados surpreenderam, sobretudo, aqueles referentes ao setor de veículos, em particular, o setor de caminhões. No geral o setor apresentou crescimento de 8,2%. O mais surpreendente foi o desempenho do setor de bens de capital, encabeçado pela produção de máquinas e equipamentos. Esse setor atingiu 7,9% de crescimento em relação março.
Entretanto, convém não tomar esse dado como uma recuperação definitiva de nossa economia, pois, de fato, salvo a recente valorização do dólar, nada mais mudou na competitividade industrial brasileira.

Só para lembrar

Insistindo na coerência econômica
A redução do o IOF sobre o ingresso de capital estrangeiro em aplicações de renda fixa já está valendo. A alíquota veio de 6% para 0%. Os efeitos serão apenas cosméticos e não produzir efeitos capazes de inverter os fluxos de capitais. As decisões envolvendo divisas internacionais estão obedientes à recuperação norte-americana e à gradativa redução do programa de recompra de títulos pelo Fed. O dólar continuará se valorizando frente às demais moedas internacionais, no médio prazo. Por outro lado, aproveitando esse nova onda, que tal a medida alcançar os empréstimos externos realizados pelo prazo de até um ano?

terça-feira, 4 de junho de 2013

PIB: Recuperação Moderada

Mesmo com um ritmo mais lento,
há razões para que a dinâmica de
crescimento neste ano permaneça bem
mais favorável que a registrada em 2012.
 Texto de Roberto Padovani, Economista Chefe da Corretora Votorantim
A desconfiança em relação ao cenário de crescimento neste ano se mantém elevada. O temor é de que haja uma repetição do observado em 2012: enquanto no início do ano se esperava um crescimento próximo a 3,3%, o resultado final não superou 1,0%.
Neste ano, da mesma forma, as expectativas mostram piora. As novas frustrações com o PIB, a instabilidade nos dados de atividade e a desaceleração do consumo local têm reduzido as projeções de crescimento, cujo consenso se aproximava de 3,4% no início do ano e agora já alcança o patamar de 2,8%.
Este movimento ocorre em um momento em que a capacidade de crescimento estrutural parece perder fôlego em relação à última década: as condições globais são piores, há escassez de mão de obra e a construção de uma agenda para o aumento dos investimentos caminha de forma lenta e incerta.
Da mesma forma, a economia ainda vive ajustes cíclicos após os excessos recentes, como é o caso dos mercados de crédito e imóveis. Neste ambiente, o crescimento médio de 4,5% registrado entre 2004 e 2010 dificilmente poderá se repetir, podendo alcançar uma média ao redor de 2,0% nos anos 2011-2013.
Nossa avaliação, no entanto, é que as condições para uma retomada cíclica da economia continuam favoráveis. O colapso no crescimento registrado no segundo semestre de 2011 e início de 2012 (Figura 1) dificilmente irá se repetir: seria preciso um novo choque externo capaz de intensificar o esfriamento em curso no mercado de trabalho e comprometer a retomada.
Este não é nosso cenário básico.
O ambiente global parece mais saudável que os observados em 2011 e 2012, com menores riscos de ruptura financeira, econômica e institucional. As incertezas trazidas pela política monetária nos Estados Unidos dificilmente podem implicar mudanças relevantes no cenário de crescimento global.
Com isso, o mercado local de crédito já mostra estabilização, com redução da inadimplência, aumento da demanda por crédito e crescimento de novas operações, lideradas por bancos públicos. A normalização do crédito e os incentivos fiscais e monetários ainda presentes podem compensar o esfriamento do mercado de trabalho e garantir o crescimento do consumo, favorecendo os investimentos. Consumo e investimento, neste caso, mais que compensam o impacto negativo da balança comercial sobre o crescimento.
Finalmente, a produção agrícola e a indústria de transformação podem reforçar a trajetória de recuperação, compensando o fraco desempenho da indústria extrativa mineral e da construção civil. Tudo considerado, a recuperação continua em curso, ainda que a um ritmo mais moderado: o crescimento projetado de 2,5% para o PIB neste ano afasta a economia do colapso registrado em 2012 (Figura 2).