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sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vai engrossar o caldo

A reação pode demorar 
Mais alguns meses de baixo crescimento e os índices do mercado de trabalho apresentarão um quadro em agravamento. A pesquisa mensal do comércio, relativa a maio, trouxe resultados pouco animadores. Realmente o comércio não vai bem.
O índice restrito ficou estável em relação ao mês anterior, enquanto o índice ampliado veio com -0,8% de queda. Para quem não se recorda, o índice ampliado inclui as vendas de veículos e material de construção.
Não se trata do mau desempenho de um ou outro segmento do comércio. O enfraquecimento é generalizado em todo o setor graças à a queda abrupta no crescimento da renda e do enxugamento do crédito bancário. A recuperação torna-se ainda mais difícil com a Selic agora nos 8,5% ao ano.
Enfim, os dados da indústria, de dias atrás, e do comércio, confirmam a pífia atividade econômica brasileira e explicam o resultado negativo do IBC-BR de maio.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Sem novidades

Banco Central faz sua parte
O Copom subiu pela terceira vez a Taxa Selic. O aumento de 0,50% já era esperado. Com isso, a Selic atingiu os 8,5% ao ano por meio de decisão unânime e sem viés algum.
Ao anunciar a decisão o Copom foi claro, enviando o recado, embora tardiamente, à sociedade brasileira: “o Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”.
Analistas esperam por novas altas, mas estão divididos sobre suas intensidades. As opiniões têm variado em um intervalo de 9,0% até um máximo de 10,5%.
Há aqueles que acreditam numa desvalorização do real ainda maior e por isso enxergam que os efeitos do câmbio serão traduzidos por uma inflação mais forte. Entretanto, nesse instante, o quadro inflacionário tem se tornado mais benigno e esse último aumento pode desmotivar novas altas nos preços. Também os preços administrados estão sob a pressão dos últimos acontecimentos ocorridos nas ruas das grandes cidades brasileiras.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Pessimismo em excesso?

Focus faz novos ajustes
No Boletim Focus dessa semana, as previsões foram ainda mais cruéis:
1)     PIB de 2013 ficou em 2,34 e para 2014 em 2,80.
2)     Taxa de câmbio foi de R$ 2,15 para R$ 2,20 em 2013, e de R$ 2,20 para R$ 2,22, em 2014.
3)     IPCA caiu de 5,87% para 5,81%, em 2013. Para 2014, apresentou em alta de 5,88% para 5,90%.
4)      Selic veio sem variação. As previsões conservam-se em 9,25%, para o final de 2013 e para o final 2014.
Pessoalmente, imagino para 2013 um PIB de 2,5%, o câmbio a R$ 2,40, o IPCA em 5,5% e a Selic em 10,0%.
Vamos conferir no final do ano

Copom reafirma sua última declaração

Alta da Selic e corte no orçamento
O Comitê de Política Monetária entra em campo nessa terça e quarta-feira para decidir sobre o nível da taxa básica de juros. Estou apostando em mais 0,50 pontos percentuais. O Copom precisa sinalizar ao mundo que a prioridade é o combate à inflação e não o crescimento a qualquer custo. Em outras palavras, o Brasil precisa viver um novo ciclo de aperto monetário.
Os bancos já podem comemorar o bom alívio que terão até o final do ano, com a Selic a 8,50 a.a.
Mas, o interessante é que a fazenda proceda realmente ao prometido corte do orçamento à busca do superávit primário. O corte tem que ser no custeio e não no investimento. Com isso, estaremos caminhando em direção à austeridade fiscal, mostrando ao mundo que a preocupação com a inflação não é só do Banco Central. Mais que isso, que as autoridades econômicas estão empenhadas em recuperar os fundamentos da economia brasileira.

sábado, 6 de julho de 2013

Sem credibilidade

Banco Central atua, mas dólar continua a subir
O IGP-DI, divulgado pela Fundação Getúlio Vargas nesse sexta feira, referente ao mês de junho, registrou alta forte de 0,76% em relação ao mês anterior. Nos últimos 12 meses, a alta é de 6,3%.
O IPCA, para junho veio com alta de 0,26% em relação a maio. Em 12 meses, o IPCA continua acima do limite superior do centro da meta fixada para o país: 6,70%.
 
Enquanto isso, o dólar continua se valorizando em relação ao real: a alta dessa sexta-feira foi de 0,09%, cotado a R$ 2,2620, mesmo com a recorrente atuação do Banco Central.

Dessa vez doeu demais

 A queda pode continuar
A perda dos fundamentos econômicos, a desordem institucional, os movimentos de rua, a inflação, o baixo crescimento e a recuperação nos Estados Unidos assustam investidores. Já não se sabe mais o que é causa e o que é consequência.
O país não oferece maiscoportunidades para a remuneração dos capitais aqui aportados. O sistema industrial encontra-se destruído, a atividade do varejo também se tornou anêmica.
O Ibovespa sofre como poucas vezes sofreu no passado. Caiu, na última sessão da semana, 1,21%, fechando aos 45.210 pontos, com um volume negociado de R$ 7,76 bilhões. A perda acumulada na semana foi de 4,73%.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Quase parando

O Brasil já deveria estar reagindo
A notícia de ontem do recuo do nível de atividade da indústria de 2,0%, em maio, provocou desânimo generalizado entre os agentes econômicos. Hoje, logo pela manhã, a má notícia chega pelas mãos da Serasa Experian. O movimento do varejo em junho também recuou. A queda foi de 1,6, em junho em relação ao mês anterior.
Os segmentos do varejo, de modo geral, apresentaram um desempenho sofrível, mas os destaques negativos ficaram por conta de móveis, eletrodomésticos e informática e combustíveis e lubrificantes. No campo dos números positivos, estiveram o aumento de 6,2% nas lojas de veículos, motos e peças.
Fica a impressão que o caminho da recuperação econômica ainda não foi encontrado e que as intervenções governamentais na ordem econômica não conseguiram reverter o sonolento quadro da economia do país.
Embora o recuo no comércio seja também desanimador, a notícia traz algum alento quando mostra que, no primeiro semestre desse ano, o varejo, como um todo cresceu, 8,1%, em relação a igual período do ano anterior. Antes assim.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Pelo mundo

O mundo está girando devagar
A China começa a cogitar a criação de um seguro para depósitos, com o objetivo de conceder ao sistema bancário do país maior estabilidade. O primeiro efeito já foi sentido com a redução dos empréstimos interbancários. Trata-se de questão institucional, mais do que econômica.
Esse expediente é comum em economias mais avançadas e estranha muito que a China ainda não tivesse recorrido a ele.
Na Zona do Euro, o índice de preços ao produtor recua 0,3% em abril, quando comparado ao mês anterior. Considerado os últimos 12 meses o recuo foi de 0,1%.
Em meio a recessão europeia, a Espanha anuncia que os pedidos de auxilio-desemprego recuaram 2,6% de maio para junho. Enfim, alguma notícia boa tinha que aparecer por lá depois dos 3 a zero contra o Brasil.
Nos Estados Unidos as encomendas à indústria tiveram aumento de 2,1% no mês de maio, ante o mês anterior.

IPC-Fipe e Produção Industrial

Inflação e crescimento,
ambos em ponto morto
Na 4a quadrissemana de junho, o IPC-Fipe (medida da inflação na cidade de São Paulo) foi de 0,32%. Nos últimos 12 meses, a alta é de 5,20%.
Por outro lado, o IBGE divulgou a Produção Industrial do mês de maio, apontando recuo de 2%, em relação a abril. Comparada a maio de 2012, entretanto, o indicador apresentou alta de 1,4%.
A inflação recua muito devagar e o crescimento mostra-se também muito lento.
As intervenções governamentais na ordem econômica serviram apenas para afugentar os capitais e, sem eles, não conseguiram acelerar o crescimento econômico.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Dados positivos nos Estados Unidos, outra vez

EUA continuam sua recuperação
O ISM norte-americano ultrapassou os 50 pontos, mostrando a economia em expansão. Agora o ISM alcançou os 50,9 pontos em junho. Claro que as bolsas comemoraram.
Analistas atribuem o resultado aos componentes para produção e aos novos pedidos. Os gastos em construção também tiveram alta de 0,5%, em maio.
Enquanto os Estados Unidos reafirmam seu crescimento, o risco Brasil inicia o primeiro dia útil de julho aos 233 pontos, e o dólar fica cotado em R$ 2,23. Para agravar a situação brasileira, PMI, chinês chegou 48,2 pontos no mês de junho, ante 49,2 pontos em maio. Com o baixo crescimento da China, as commodities continuam a cair e o Brasil fecha o primeiro semestre desse ano com 3 bilhões de déficit.
De janeiro a junho, as exportações brasileiras atingiram a cifra de US$ 114,5 bilhões e as importações chegaram US$ 117,5 bilhões. O desempenho da balança comercial só não foi pior porque o setor agropecuário ajudou.
No Japão, as grandes empresas estão mais confiantes. O índice que mostra o sentimento desses empresários veio positivo, contrapondo-se a vários trimestre no campo negativo.
Como Deus é brasileiro, ganhamos a Copa das Confederações da Espanha. Mas, melhor ainda foi o atraso, provocado por questões políticas, nas negociações Estados Unidos e União Europeia. Isso amplia o prazo para o Mercosul avançar suas negociações com a UE, evitando que o Brasil fique fora das concessões norte-americanas.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

BC Abre Espaço Para Ciclo Mais Longo

O Relatório de Inflação trabalha com cenários conservadores para a política fiscal e para o mercado de trabalho, mantendo elevado o risco inflacionário. Como resultado, acreditamos que o ciclo de aperto possa se prolongar.
Uma Contribuição do amigo Roberto Padovani
O Relatório de Inflação (RI) do segundo trimestre indica disposição do Banco Central (BC) em agir para controlar um risco inflacionário crescente.
Apesar de um cenário externo marcado por queda de preços de commodities no curto prazo, a avaliação da autoridade monetária é a de que as economias local e global tendem a se recuperar, elevando o risco inflacionário. Além disso, impulsos fiscais locais persistentes, associados a um mercado de trabalho ainda aquecido, elevam os desafios para a convergência da inflação.
Importante notar que o RI não indica um cenário em que haja reorientação do viés de política fiscal e esfriamento do mercado de trabalho, apesar da hipótese de menor reajuste do salário mínimo. Da mesma forma, o BC indica disposição de usar a política monetária para combater os impactos inflacionários da desvalorização cambial, mesmo considerando-se um cenário de câmbio mais apreciado que os patamares correntes. Por último, os exercícios quantitativos indicam que, no cenário de mercado, uma taxa de juros no patamar de 8,75% pode não ser suficiente para definir uma trajetória de clara convergência da inflação.
Nossa leitura do RI é de que o cenário de elevadas incertezas globais e locais incentiva o BC a ser conservador em relação aos riscos inflacionários, não indicando nenhuma mudança de estratégia no curto prazo. Da mesma forma, a resistência da inflação mostra que a probabilidade de uma trajetória mais clara de convergência vem se reduzindo, o que pode dificultar a capacidade do BC em coordenar expectativas.
Para o próximo ano, no entanto, o esfriamento do mercado de trabalho pode atuar para reduzir os riscos inflacionários, fazendo com que o atual ciclo de aperto monetário possa ser inferior ao correntemente precificado nos mercados.
Tudo considerado, elevamos nossa projeção para a taxa de juros, saindo de um patamar de 8,75% para 9,25% para 2013, com os juros permanecendo neste patamar por um longo período.

Pondo preço no risco

Publicado dia 27/06/2012 no DCI

A lógica do mundo financeiro

Previsões e reações
Os Estados Unidos publicaram seus dados de consumo e renda. O consumo apresentou crescimento de 0,3% em maio, face ao mês de abril. Quanto à renda, o crescimento de maio foi de 0,5%. Notícias como essa animaram os mercados financeiros.
Também o pronunciamento do presidente do Fed de Nova York, membro do Fomc, ajudou a recuperação dos mercados em torno do mundo. Willian Dudley deu conta, em sua fala, que o banco central americano deve continuar com sua política monetária inalterada, e que uma fase de aperto nessa área não deve ocorrer tão cedo como os agentes econômicos prognosticaram. Primeiro é preciso que a economia apresente dados consistentes e convincentes sobre a recuperação, para só depois pensar em aumentos dos juros, o que estaria ainda bem distante. Não descartou, contudo, a redução do ritmo de compra de bônus, mas frisou que isso pode se dar mais para o final do ano. Aí sim, os mercados reagiram com maior vigor.
No Brasil, o dólar fechou ainda em alta de 0,23%, cotado a R$2,1950, enquanto o Ibovespa apresentou sua terceira alta sucessiva, avançando 0,93%. O Ibovespa encerrou a sessão aos R$47.609 pontos, negociando um volume de R$6,571 bilhões. É bem verdade que esse volume está abaixo da média diária do mês, mas o salto do índice foi muito expressivo em apenas 3 dias.
A lógica financeira do mundo vive de previsões e expectativas. Basta a declaração de um membro do Fed e parece que o mundo todo mudou. As reações não tardam, ao contrário, se antecipam aos acontecimentos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sem empréstimos, não há atrasos

A pontualidade de pagamentos aumentou?
Depois de tantas restrições as MPE reagem. Parece que lentamente a inadimplência deve reduzir-se entre as micro e pequenas empresas nos próximos meses. Em maio, a pontualidade nos pagamentos alcançou os 95,8%, a quarta alta mensal consecutiva. Vale dizer que a cada 1.000 pagamentos, 958 foram quitados à vista ou com atraso máximo de sete dias, nesse mês de maio.
O maior nível de pontualidade entre essas empresas foi alcançada pelas que atuam no setor comercial: 96,4%. As industriais atingiram pontualidade de 95,2%, enquanto as de serviços alcançaram 95,1%.
Essas empresas tem sido objeto de políticas de crédito muito seletivas por parte dos bancos privados e isso deve ter contribuído para a melhora. O que não se pode concluir é que elas tenham melhorado sua saúde financeira. Ao contrário, elas devem estar “vivendo da mão pra boca” .
Sem crédito, não há atrasos.

A inflação desafia o Copom

Agora a culpa é do atacado
O IGP-M apurado pela Fundação Getúlio Vargas apontou alta de 0,75% no mês de junho, em relação a maio. A alta superou todas as previsões dos especialistas.
A determinante dessa aceleração foi a elevação dos preços no atacado.
A análise feita do Índice de Preços do Atacado revelou alta de 0,68% em junho, contra a queda de 0,30% de maio. Produtos agropecuários subiram 1,01%, pressionados, sobretudo pelo aumento da soja (11,38%). Os produtos industriais também responderam por parte da alta, subindo 0,56% em junho, frente aos 0,34% do mês anterior. Por fim, o Índice de Preços ao Consumidor apresentou alta discreta de 0,33% em maio, para 0,39% em junho.
Essas altas farão o Copom pensar em algo como 0,5% para a alta da Selic, na próxima reunião.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Contas Externas Elevam Incertezas

A rápida deterioração do déficit
em conta corrente eleva as incertezas
em relação ao câmbio.
A liquidez global e melhores fundamentos domésticos, porém, podem sustentar o financiamento do balanço de pagamentos.
O texto é de Roberto Padovani, economista chefe da Votorantim Corretoera.
O comportamento da taxa de câmbio tem estado no centro do debate ao longo do último ano. Os últimos meses reforçaram esta preocupação com uma combinação de expressiva deterioração do resultado em conta corrente com aumento das incertezas em relação aos fluxos de capitais globais.
Em cerca de um ano, o superávit comercial brasileiro saiu de um patamar de US$ 30 bilhões para US$ 8 bilhões. Mesmo que as séries estatísticas da balança comercial possam conter ruídos, esta rápida deterioração não deixa de estar associada à desaceleração global, com reflexos nos preços das exportações, à recuperação econômica doméstica e a condições locais precárias de competitividade. Nossas estimativas indicam que este movimento de piora possa ter continuidade, com o superávit comercial encerrando o ano em cerca de US$ 6,5 bilhões.
 Somado à aceleração do déficit em serviços que, liderado pela remessa de lucros e dividendos, pode superar US$ 90 bilhões, o resultado em conta corrente neste ano pode ser negativo em US$ 81 bilhões. Isto significa que após quase 2 anos de relativa estabilidade no patamar de 2,2% do PIB, o déficit saltou, em poucos meses, para cerca de 3,2% do PIB. Nossas estimativas indicam que o déficit em conta corrente pode continuar piorando e se estabilizar no patamar de 3,5% do PIB ao longo dos próximos meses.
As condições de financiamento do balanço de pagamentos, por outro lado, ainda estão preservadas, ainda que com uma margem menor. Os fluxos estimados para este ano de investimento direto (US$ 61 bilhões), investimento em portfólio (US$ 23 bilhões) e empréstimos internacionais (US$ 54 bilhões) seriam suficientes para cobrir as necessidades de conta corrente e amortizações. De fato, ainda vemos espaço para aumento modesto das reservas internacionais: enquanto a necessidade total de recursos pode oscilar próxima a US$ 125 bilhões neste ano e no próximo, os fluxos de capitais podem alcançar o patamar de US$ 130 bilhões no mesmo período.
Este quadro tende a gerar volatilidade no mercado cambial, dado que a exposição do País a um ambiente de incertezas globais se elevou. A maior instabilidade já é um forte argumento para que a moeda brasileira opere em um patamar mais depreciado a partir de agora.
Há motivos, no entanto, para supor que os níveis correntes de câmbio possam conter exageros. Não apenas a liquidez global e o diferencial de juros favorecem a moeda brasileira, mas também a retomada gradual do crescimento, os leilões de concessões de infraestrutura e a maior cautela na comunicação da gestão econômica reduzem as chances de que uma crise de confiança conduza a uma parada súbita dos fluxos de capitais.

Pano de fundo

Deixando de lado as pressões
do dia a dia
Pensando no cenário econômico brasileiro em prazo mais longo, é de se reconhecer  que:
a)  A inflação continua em patamar elevado, sem ser ainda revertida pelos dois últimos aumentos da Selic.
b)  Há, portanto, que se pensar em um novo ciclo de aperto monetário, agora mais forte de ajuste da taxa Selic.
c)   A deterioração das contas públicas deve se acentuar, com o atendimento às novas demandas nascidas nas ruas das grandes cidades brasileiras.
d)  Os preços das commodities, de modo geral, continuam em queda.
e)  O crescimento da China é a cada dia mais lento.
f)    A recuperação da economia norte-americana, embora construa um cenário favorável para o mundo, agrava e compromete o influxo de capitais internacionais para o Brasil.
g)  O baixo crescimento, o modesto nível de investimentos, a inflação elevada e a deterioração fiscal poderão subtrair, em futuro próximo, o grau de investimento atribuído ao país recentemente.
Novas direções precisam ser dadas a vida econômica e institucional do país. Essas direções são a forma mais eficiente de encaminhar soluções aos problemas da população brasileira.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Dívidas em dólares assusta o mercado

A alta do dólar e as dívidas no exterior
Com o dólar desvalorizado em relação ao real e com os juros baixos no mercado norte-americano, as perspectivas ficaram extremamente interessantes para a empresa nacional fundear suas operações a partir de recursos captados no exterior. Especialmente no momento em que o Brasil exibia um consumo 0muito exuberante, de alto crescimento. Os investidores estrangeiros ficaram atraídos pelas remunerações oferecidas pelos títulos privados de dívida de empresas brasileiras.
Para as empresas nacionais, captar no exterior significava o barateamento do custo de endividamento para financiar, principalmente, seus projetos de expansão, de prazos mais longos.
Com os sucessivos insucessos da economia brasileira, mas sobretudo pela perda de seus fundamentos econômicos, o dólar começou a se apreciar face ao real. Adicionalmente, a recuperação norte-americana valorizou sua moeda em escala global, agravando o processo já em curso de desvalorizações sucessivas de nossa moeda. Por fim, as declarações de Ben Bernake sobre o fim dos estímulos monetários e a eventual elevação dos juros nos Estados Unidos acabaram por produzir a mais forte depreciação da moeda brasileira dos últimos tempos.
Para os que se lembram de episódios anteriores semelhantes, as consequências já são conhecidas.
Segundo a Economática, as empresas brasileiras com dívida no exterior, ostentam uma perda cambial equivalente a R$ 16,6 bilhões desde março. Juntas, as 244 empresas consideradas nesse levantamento, apresentavam uma dívida no exterior da ordem de R$ 137,3 bilhões, no final de março. Com a variação cambial ocorrida, essa dívida situava-se ontem em R$ 153,9 bilhões.
O dólar spot subiu 12,1%, de março até ontem, passando de R$ 2,0161 para R$ 2,2605. Segundo a Economática, o impacto da taxa de câmbio já é suficiente para derreter o equivalente a dois terços dos ganhos operacionais (lucro antes de pagar impostos e juros) dessas empresas, no primeiro trimestre de 2013. Algo como R$ 24,9 bilhões.
No passado, essas variações costumavam quebrar as empresas. Hoje há que se lembrar da proteção cambial, por meio do hedge e, no caso das empresas exportadoras, seria necessário admitir que boa parte dessa dívida conta com a proteção do hedge natural. Portanto, penso que no caso de algum problema, ele deve localizar apenas entre os que desrespeitam às boas práticas da gestão financeira.

Se a moda pega?

A precificação da crise brasileira
começou, no mercado
internacional
O movimento nas ruas do Brasil levantou inúmeras bandeiras e provocou reações descabidas e insensatas. A proposta do plebiscito pareceu descabida à maioria dos políticos, enquanto a decisão de suspender os reajustes de pedágio revela a fragilidade institucional a que o país foi lançado, nesses últimos tempos. A desmoralização do legislativo e a ausência de lideranças para condução da crise sugerem o inicio da ingovernabilidade. A própria oposição permanece acéfala.
As campanhas estão suspensas, os líderes quietos ou escondidos atrás de seus tradicionais oportunismos, as forças políticas aguardam o desenrolar dos fatos e estudam alternativas que reorganizem as coalizões, à busca apenas de suas sobrevivências.
Do ponto econômico, o desastre fiscal está anunciado. Com a aproximação das eleições as pressões sobre os gastos já eram grandes e as barganhas já ganhavam contornos ameaçadores. O apoio seria negociado contra verbas para Estados e Municípios, onde estão os eleitores. Pobre das contas públicas, dizia-se.
O que era ruim ficou pior. Com o movimento da população brasileira o preço subirá, tornando o apoio mais raro e, portanto, cada vez mais caro. A isso vai somar-se a desarrumação das receitas e custos dos serviços públicos e seus conexos, sobretudo por envolverem os chamados preços administrados. Quem terá coragem de reajustar esses preços? Para se ter ideia, os principais preços determinados no âmbito das administrações municipal e estadual compreendem: gás encanado, imposto predial e territorial urbano (IPTU), taxas de emplacamento e licenciamento de veículos, taxa de água e esgoto, transporte público (tarifas de ônibus urbanos e intermunicipais, metrô e táxi). Ficou difícil para os prefeitos e governadores.
Por sua vez, os preços determinados no âmbito federal vão desde os derivados de petróleo - incluindo gasolina, óleo combustível para veículos e gás de botijão -, álcool combustível, tarifas de energia elétrica de consumo residencial, tarifas de telefonia e correios, transporte público, incluindo passagens de avião e de ônibus interestaduais, até planos e seguros de saúde.
Os preços administrados são aqueles que de alguma forma são determinados ou influenciados por um órgão público e que variam independentemente das condições vigentes da oferta e da demanda. Claro que tais preços apresentam um peso bastante alto na composição do IPCA e, como vinham sendo conduzidos, reduziam substancialmente a eficácia da taxa de juros no combate à inflação. Essa foi a verdadeira causa que levou o país a subsidiar combustíveis e energia elétrica de maneira tão inapropriada nesse governo.
Tradicionalmente, na história econômica do país, os preços administrados apresentaram uma taxa de crescimento significativamente superior à taxa de expansão dos demais componentes do IPCA ou dos chamados preços livres. E, bem por isso, a política monetária comandada pelo Bacen sempre teve, em boa medida, sua eficácia comprometida.
Agora, vamos assistir a inversão desse quadro. Com os preços administrados represados pelo movimento popular é de se esperar pela ampliação do rombo fiscal. O superávit primário, nessas condições estaria comprometido e os investidores internacionais que costumam se antecipar aos fatos devem precificar todos os ativos nacionais, de maneira fria e cruel. Ontem mesmo os títulos da dívida brasileira tiveram forte recuo em suas cotações. Preparem-se.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Agitação financeira pode diminuir nessa semana

A volatilidade tende a ser menor
A fala de Bernanke assustou os mercados. A eliminação dos estímulos monetários à economia norte-americana foi interpretada como uma decisão precipitada e perigosa. As bolsas de todo o mundo reagiram negativamente, antecipando uma eventual retração e ignorando o lado bom e prudente da medida. A liquidez excessiva e prolongada, para além do necessário, levaria a economia a riscos maiores do que eventuais reflexos das medidas no campo monetário.
As notícias sobre a redução da taxa de crescimento da China também colaborou com a volatilidade da semana anterior.
Portanto, essa semana começa em clima de pessimismo, que pode ser revertido com o anúncio dos novos dados sobre consumo e renda, nos Estados Unidos. Esses dados devem dar sustentação às decisões do Fed e evidenciar com maior clareza as razões de Bernanke para suspender os atuais estímulos monetários. Também teremos anúncios sobre o desempenho do setor imobiliário norte-americano e sobre as encomendas à indústria de bens duráveis naquele país.
Portanto, é de se esperar por uma semana mais calma e de alguma recuperação nos preços dos ativos de risco.