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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Euro x dólar x iene, todos oscilam.

Euro pressionado na esteira das negociações para socorrer a Irlanda
A perspectiva sobre o socorro à economia irlandesa para reestruturar seu sistema financeiro pressionou o euro. A moeda européia avançou 0,49%, fechando a US$ 1,3595. O resgate da Irlanda abre uma temporada de caça entre investidores dispostos a doses de riscos mais altas.
Na verdade, para esses investidores, no curto prazo, a estabilização econômica da Irlanda diminui o risco da região e estimula a troca de posições no mercado de divisas. A tendência é a venda de dólares e ienes para substituí-los por euro.
O governo da Irlanda vai reunir-se com a União Européia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Central Europeu (BCE) nos próximos dias para encaminhar uma solução que evite o chamado efeito dominó, dando com isso um suporte à moeda européia.
Vamos observar essas cotações cruzadas, pois no mercado de moeda os preços também são relativos.
Falta saber como isso se comportará diante da injeção de liquidez prometida pelo Fed.
Outras incertezas podem ser adicionadas, nos próximos dias, ao mercado de moedas: redução do crescimento chinês, queda das importações de comomdities agrícolas e industriais, ritmo da recuperação norte-americana, outras dívidas dos países periféricos da UE, etc, etc, etc.
Portanto, essa avaliação deve ficar restrita ao curtíssimo prazo. Hoje, certamente. Amanhã e depois, talvez. Daí "pra" frente, sabe Deus!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Lição da crise é que papel do Estado tem de mudar; regulação financeira é essencial

Veículo: Folha de São Paulo  -  11/11/2010 - MAÍRA TEIXEIRA
Um assunto que deve ganhar destaque na reunião do G20, realizada nesta quinta e sexta-feira em Seul, será regulação dos mercados financeiros mundiais. Especialmente depois que a União Europea e os Estados Unidos tomaram medidas para regulamentar os mercados, mas ainda sofrem dias de recuperação lenta e seguem no sentido evitar falências de instituições financeiras e até de Estados, como Grécia, Irlanda, Hungria, Espanha e o próprio EUA.
Para Celso Grisi, economista da FIA (Fundação Instituto de Administração) e da USP (Universidade de São Paulo), a lição que deve ficar após o G20 neste sentido é que o papel do Estado tem de mudar. "Com a economia totalmente globalizada é preciso criar mecanismos eficazes de blindagem. A regulação bancária tem de ser discutida e definida. As economias não podem ignorar que tivemos uma crise imensa, que abalou o mundo, e que afetou todos os mercados. O contágio foi imenso e por isso é urgente que se crie mecanismos para regular e punir o uso irrestrito de investimentos como os derivativos -- devido ao elevado nível de contágio."
O economista condena utilização sem lastro de derivativos. "Da forma como é feita hoje, os derivativos funcionam como uma emissão de moeda sem controle. Não sabemos quantas operações são feitas no mundo por dia. Não há lastro e a probabilidade de que o mundo sofra novos problemas é grande."
José Márcio Camargo, economista da Opus, concorda com Grisi. "É preciso insistir no controle das operações especulativas. Nos EUA, esse tipo de lucro é regular, faz parte da cultura. Os EUA têm um monte de papeis podres e querem sempre alavancar, ter lucros enorme. Para que isso continue é imprescindível ter regras, senão o ônus pode ser governamental, mesmo que o risco tenha sido corrido por um banco privado."
Grisi destaca que as operações nos EUA precisam sofrer restrições porque causam grandes prejuízos à economia real. "Ao consumidor, e ao desempregado. Essas pessoas estão pagando a conta da GM e das empresas de hipoteca, por exemplo".
MEDIDAS
A UE (União Europeia) aprovou em setembro um sistema de supervisão financeira, com a criação de três agências transnacionais que devem vigiar bancos e mercados, após uma crise que ainda tem os efeitos sentidos, principalmente no consumo e desemprego na região. A nova legislação da UE entra em vigor em 1º de janeiro e foi criada,segundo o comissário europeu de Serviços Financeiros, Michel Barnier, para "prevenir futuras crises severas, proteger os consumidores e estimular um crescimento sustentável".
Em 21 de julho, o presidente dos EUA, Barack Obama, promulgou a maior reforma financeira do país desde a Grande Depressão. O intuito de uma das principais bandeiras do presidente da maior potência do mundo era acalmar os mercados, e com a regulamentação mostrar aos norte-americanos que o Estado não poderia pagar novamente pelo erro de bancos e instituições em busca do lucro. Obama defende desde o início da elaboração da lei que a reforma colocará fim aos resgates de Wall Street financiados pelos contribuintes.

A empreitada bem-sucedida do Professor Ramiro

Mídias e Negócios chega à Europa
Há algum tempo recebi, ainda no prelo, os originais do "Mídias e Negócios" escrito pelo Professor da FIA e grande amigo, o Professor Ramiro Gonçalez. Pedia-me, na ocasião, que opinasse sobre esse empreendimento intelectual. A originalidade da forma e o conteúdo me fascinaram. O livro não tinha capítulos. Foram substituídos por postagens. O índice era muito criativo, obediente à idéia de que o leitor pudesse começar a lê-lo por onde bem entendesse, sem que fosse obrigado a seguir a ordem convencional - do início para o fim. O conteúdo elegia a preocupação central do autor:  as mídias online não acharam seu modelo de negócio. Salvo os raros casos já conhecidos, essas mídias não conseguiram encontrar o caminho do lucro. Curioso é que qualquer que seja  a ordem da leitura, o conteúdo está sempre articulado.

O livro foi lançado esse ano no Brasil, após os seminários realizados pela USP/FIA, sobre o mesmo tema, com a presença dos principais profissionais do setor nas mesas de discussões.
Agora a notícia:  Prof. Dr. Paulo Faustino, da Universidade Técnica de Lisboa, resolveu adicionar o Mídias e Negócios ao livro que escreve sobre Métricas de Avaliação de Mídias para lançamento em Lisboa.
O  Prof. Ramiro alcança com isso uma visibilidade inusual para suas idéias. Inaugura a discussão do tema na Europa e projeta as reflexões nacionais para o Velho Continente.
Parabéns ao nosso amigo Ramiro pela empreitada bem-sucedida.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fábio Caramuru foi sempre grande apoiador da OSUSP

Recital do Fabio Caramuru ganhou
as terras do Tio Sam

The Zinc presents for one show only, Tuesday November 16, from 7 to 9pm, extraordinary Brazilian pianist, composer, arranger FÁBIO CARAMURU, a São Paulo native, who has garnered great critical momentum with the release of his "JOBIM BY CARAMURU" a definitive robust 2 cd recording of the master's compositions, with Caramuru's take on it.
Caramuru's work range from playing with his duo with bassist Pedro Baldanza, with a very innovative album "BOSSA IN THE SHADOWS", with the Duo. One could not leave his "MOODS, REFLECTIONS, MOODS" incredible solo album, with compositions from Jobim to Camargo Guarnieri and Richard Rogers to popular Brazilian folk songs.
On this solo concert, New Yorkers who are discovering Caramuru, will be delighted with his handling of jazz, classical, popular and folkloric compositions, that made his diversified career a success in relative short time.
82 West 3rd Street (btw Thompson & Sullivan)
Greenwich Village New York NY 10012
tel. 212-477-ZINC (9462)
www.zincbar.com/calendar/2010-11-16

GOOGLE: SATISFAÇÃO NO TRABALHO OU SALÁRIO?

A boa teoria de recursos humanos diz que salário não é fator de motivação.
Apenas de movimento.
Colocado do jeito que está a frase título deste Post pode dar impressão que as opções são mutuamente excludentes. Não são. Já é senso comum que não há essa decisão maniqueísta. É possível ter ambos os vetores num ambiente de trabalho profissional.
Chama atenção, entretanto, a decisão do Google em aumentar significativamente os salários de seus funcionários (colaboradores no glossário Google).
O Google tem sido uma das empresas mais atraentes (e charmosas) para se trabalhar. Havia até um glamour rebelde em fazer parte da empresa. O tempo passa e as empresas se comportam como as famílias (todas são diferentes nas suas riquezas, mas todas são iguais nas suas pobrezas).
Ocorre que o GOOGLE tem perdido colaboradores de destaque. Um caso sintomático foi o de Omar Hamoui -criador do AdMob - que decidiu buscar "desafios novos". E não foi só ele. Lars Rasmussen que todos conhecessem como desenvolvedor do Google Maps também buscou "outros desafios".
Os eventos mostram que não existe milagre na administração de pessoas e nem o GOOGLE havia descoberto o NIRVANA EMPRESARIAL. Uma pena, pois os valores que o GOOGLE mostrou ao mundo eram excelentes (como por sinal os do Socialismo também eram... e deu no que deu...).
Quando uma empresa do porte e importância do GOOGLE dá um aumento linear de 10% em todas as funções da empresa, mostra que a famosa teoria da cenoura ainda funciona...
O GOOGLE também concedeu generosos aumentos de 30% a seus TOP executivos (SIM,como em qualquer empresa hierárquica do século 20, o "top management" é tratado de forma diferenciada).
Eles também terão um aumento em seus bônus, que saltarão de 150% dos salários para 250% (fonte: IDGNOW).
As ações tomadas pelo GOOGLE colocam em cheque o discurso de que o ambiente de trabalho viria a frente da remuneração?
Fico na dúvida se a imagem do GOOGLE como uma empresa em REDE, com gestão do século 21, fica prejudicada
Seria preciso utilizar técnicas de incentivo como essas? Havia outra alternativa?
Com a palavra nossos Gurus que analisam as gerações "Y", "Z" e "ctrl - z".
Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez -> http://que-midia-e-essa.blogspot.com/
ramirogon@uol.com.br
Autor: Mídias e Negócios

O problema de todos é que todos têm problemas

Desequilíbrio entre moedas afeta
economias de norte a sul
Veículo: Folha de São Paulo   -   Data:   2/11/2010   -   MAÍRA TEIXEIRA
O desequilíbrio na precificação das moedas mundiais foi o ponto nevrálgico das discussões na reunião do G20, que ocorreu nesta quinta e sexta-feira, em Seul. O foco desta discussão, apontam economistas, gerou polêmica por conta do câmbio do maior exportador do mundo, a China, que mantém sua moeda artificilamente com baixo valor. "Esse desequilíbrio já está sendo sentido nas economias de norte a sul", afirma Felipe Tâmega, economista-chefe do Modal.
Incomodado e pressionado pelos baixos índices de aprovação nos Estados Unidos e pelos indicadores de que a economia do país não vai bem, o presidente americano, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira (10) que a força do dólar e a economia mundial dependem da recuperação econômica dos Estados Unidos, em uma carta enviada aos demais membros do G20 antes da reunião de cúpula de Seul.
Comunicado do G20 pede combate ao protecionismo e a desequilíbrios cambiais.
"Uma recuperação forte cria postos de trabalho: renda e consumo é a contribuição mais importante que os Estados Unidos podem fazer para a recuperação global. A força do dólar continua sendo uma das bases da
economia dos Estados Unidos", diz a carta. A maior economia do mundo tem 15 milhões de desempregados (9,6% da população) e a renda e consumo permanecem baixos. Os EUA têm criticado à política chinesa de manter o yuan depreciado para não perder competitividade nas exportações e recebido apoio de outros países. No entanto, após o anúncio do Fed de injetar US$ 600 bilhões na economia norte-americana até meados de 2011, o país passou a receber uma série de acusações dos países do G20, especialmente os emergentes. Com um deficit de 3% (em relação ao PIB) em sua conta corrente, que inclui um forte deficit comercial com os chineses, os Estados Unidos culpam Pequim por prática de "comércio injusto'" ao manter o yuan desvalorizado.
Para países como China, Brasil e a União Europeia essas iniciativas da China e dos EUA alimentam o ciclo de desequilíbrios e impedem um consenso. Segundo os economistas, por ser o maior exportador do mundo, o controle sobre a moeda chinesa é um dos principiais responsáveis por deficit nas balanças comerciais de diversos países.
Para Celso Grisi, economista da FIA (Fundação Instituto de Administração) e da USP (Universidade de São Paulo), o maior controle sobre gastos públicos pelos países ricos poderia atenuar esse cenário negativo. "Além disso, se a China estivesse disposta a aceitar uma maior de valorização de sua moeda também seria razoável."
O iene (japão) também se desvalorizou muito neste ano devido a falta de confiança mundial na economias do país. Os Estados Unidos fizeram pressão no governo japonês para valorizar sua moeda e, assim, diminuir o deficit comercial com o país nipônico. No último dia 15 de setembro as autoridades japonesas intervieram no mercado de câmbio para enfraquecer o iene pela primeira vez em seis anos e meio.
Já o euro (16 países da zona do euro) sofreu forte desvalorização por conta da recessão na Europa. No entanto, o bloco promoveu discussões entre os Estados-membros e traçou um plano de salvação para a Grécia e discute a regulamentação da especulação nos mercados financeiros. Essa movimentação-- aliada às medidas impopulares, mas estruturais, de corte de gastos do governo, de salários e reformas na aposentadoria dos países mais ricos -- afastou o temor de aprofundamento da crise na Europa, que tem se recuperado gradativamente.
BRASIL
O governo brasileiro -- que também se posiciona contra a política cambial chinesa --, tem apresentado uma série de medidas para conter a alta do real, porém, elas não têm surtido o efeito esperado. Em outubro, o governo Federal anunciou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investimento estrangeiro em renda fixa para 6%. O tributo já havia subido de 2% para 4% no começo do mês. O governo também aumentou o IOF (de 0,38% para 6%) sobre a margem de garantia para investimentos no mercado futuro para estrangeiros.
A ideia é desestimular esse tipo de investimento --que oferece alta rentabilidade devido às altas taxas de juros praticadas no Brasil-- para tentar  conter a forte entrada de dólares no país. "O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, que acabam sendo mantidas nesse patamar para sustentar a dívida pública. Ou seja, o problema não é só pela moeda chinesa está depreciada", diz Grisi, para quem a discussão sobre como equilibrar as diferenças cambiais entre os países é um problema "sem uma solução única".
O ingresso de capital externo leva à valorização do real, o que, entre outras consequências, reduz a competitividade das exportações brasileiras. Nos últimos meses, o Brasil tem registrado entradas recordes de recursos externos,puxando a cotação da moeda dos EUA para baixo.
Especialistas descartam a volta de um regime internacional de câmbio fixo, que impõe uma série de desvantagens. Economistas são unânimes ao apontar uma negociação mundial, onde todos as potências teriam de ceder. "Todo mundo sabe o que tem de ser feito, mas isso não deve ocorrer. O resultado do G20 deve ser, mais uma vez, um tratado de intenções", avalia Tâmega, do Modal.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Correção econômica tem sempre um custo social

Crise aumenta desemprego e número de pobres
nas grandes potências
Veículo: Folha de São Paulo   -   Data: 13/11/2010
GRAZIELLE SCHNEIDER
Um dos efeitos mais devastadores da recente crise mundial é a escalada do desemprego, especialmente nas maiores economias. Países como os Estados Unidos, Grécia, Espanha, Irlanda e Reino Unido viram os índices da população desocupada explodir nos dois últimos anos e esse é um dos fatores que impede  consumo e ou aumento da renda, e consequentemente, o fortalecimento das economias internas.
Além disso, nos países enfraquecidos pela economia globalizada, ocorreram mudanças nos estratos sociais, fazendo com as classes baixas crescessem mais do que a média ou rica.
A origem dessa movimentação pode ser explicada pelo aumento ou queda do crédito, segundo Armando Castelar, pesquisador de economia aplicada da FGV (Fundação Getulio Vargas). "O que acontece no mundo é que aqueles países que consumiam muito pararam de consumir tanto, e aqueles países que produziam mais do que consumiam continuam querendo produzir mais. Então, você tem uma situação no mundo onde a capacidade de produção é maior que a demanda, isso significa que existe desemprego, porque são trabalhadores que poderiam ser empregados para produzir coisas, mas eles não estão porque vão produzir coisas que não têm comprador."
A lenta recuperação econômica nos Estados Unidos após a recessão iniciada em dezembro de 2007, elevou o nível de pobreza nos EUA de 13,2 %, em 2008, para 14,3 %, em 2009. Hoje, 15 milhões de norte-americanos (9,6% da população) estão desempregados, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA.
"Os EUA não. Estão com uma taxa de desemprego elevada, não estão felizes com isso e querem passar a produzir coisas para exportar ou para diminuir a exportação. Dessa forma, empregaria mais. É um jogo de "rouba-o-monte", ninguém quer ceder. A guerra cambial é um reflexo desse processo", ressalta Castelar.
A Espanha, ainda sob os efeitos da crise econômica, tem índice de desemprego que beira os 20% -- o que significam mais de 4 milhões de desempregados. O governo aprovou um plano de austeridade para 2011 que inclui um aumento nos impostos para os mais ricos e cortes de gastos de 8%. O funcionalismo sofrerá um corte salarial de 5%, e os salários serão congelados em 2011.
Grécia, Portugal, Itália, Irlanda são exemplos de países que sofrem com o aumento do número de desocupados.
Celso Grisi, economista da FIA (Fundação Instituto de Administração) e da USP (Universidade de São Paulo), chama a atenção para medidas impopulares adotadas por países europeus, de cortes de gastos e benefícios. "São medidas muito duras de serem tomadas, mas que já estão surtindo efeito, especialmente na Europa. Com cortes do funcionalismo,  diminuição de salários, e reforma na previdência, é possível cortar gastos e isso ajuda a equilibrar as contas."
Grisi avalia que com o aumento das taxas de longevidade e, com esse novo cenário -- de pessoas ficando mais velhas, consumindo mais -- é preciso aumentar o tempo de trabalho e refazer as contas das aposentadorias. "As contas previdenciárias não fecham no mundo todo, de um modo geral. O Brasil também vai ter de cortar previdência e aposentadoria, aumentar a idade das aposentadorias [exceção de trabalhos insalubres] e aumentar a arrecadação. Se não fizer isso, a Previdência vai à falência total."
Nas economias emergentes, a movimentação das classes sociais vive dias melhores, com o crescimento da classe média e o aumento do poder de compra dos menos favorecidos. O Brasil vive neste ano um momento histórico -- a classe média atingir 50% da população --, segundo o economista Marcelo Neri, da FGV (Fundação Getulio Vargas), com base em dados da Pnad 2009 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios). A FGV enquadra nesse estrato ddas famílias com rendas domiciliar de R$ 1.116 a R$ 4.854. Essa nova classe média abarca 94,9 milhões de pessoas.

domingo, 14 de novembro de 2010

Guerra cambial ou guerra comercial?

Ministros do G20 discutem 'guerra cambial'
Fabrícia Peixoto - BBC Brasil, em Brasília

Os ministros das Finanças dos países que integram o G20 começam a discutir nesta sexta-feira, em Seul, uma proposta de ação coordenada que possa colocar fim à chamada guerra cambial.
Diversos países, entre eles Estados Unidos e Brasil, reclamam de outras nações, que estariam forçando a desvalorização de suas moedas como forma de beneficiar suas exportações.
Os americanos, por exemplo, têm apontado o dedo para o governo chinês como principal culpado pelo desequilíbrio cambial nos mercados. Para Washington, a moeda chinesa, o yuan – cujo valor é controlado pelo governo –, deveria estar mais valorizada.
Já o Brasil vê os Estados Unidos como grande responsável pela desvalorização do dólar frente a outras moedas. Isto porque o governo americano, para estimular sua economia no pós-crise, está imprimindo mais dinheiro, o que tende a valorizar a moeda de outros países.
O governo brasileiro já começou a agir: em menos de um mês, anunciou três medidas com o objetivo de restringir a entrada de capital estrangeiro no país e, assim, tentar atenuar a valorização do real.
A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas que explicam o debate.
O que seria uma guerra cambial?
O termo é usado por diversos governos e economistas para descrever uma suposta disputa entre os países envolvendo suas moedas.
O argumento é de que alguns países estariam “forçando” a desvalorização de suas moedas para beneficiar seus ganhos com exportação.
Os governos têm evitado um confronto direto com a China, mas muitos consideram o país asiático como vilão dessa disputa. Além de ser uma das principais economias do mundo, a China é uma das poucas a manter o regime de câmbio fixo.
A cotação da moeda local, o yuan, é controlada pelo governo, enquanto nas principais economias o câmbio é flutuante, ou seja, tem sua cotação definida pelas negociações de mercado.
Mas os Estados Unidos também são apontados como responsáveis pelo início da disputa cambial, com sua política recente de incentivar a economia por meio da colocação de mais dólares no mercado, o que diminui seu valor e aumenta a cotação de outras moedas.
Para muitos economistas, essa diferença entre os regimes causa distorções na economia internacional, levando à adoção de medidas de retaliação – daí o termo “guerra cambial”.
Essa guerra já está em curso?
É difícil afirmar com precisão. Muitos especialistas, como o colunista do jornal britânico Financial Times, Martin Wolff, acreditam que sim. Já o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, prefere falar em “tensão” no lugar de “guerra”.
Seja guerra ou apenas uma tensão, todos parecem concordar que existe um movimento em curso em diversos países cujo objetivo seria o de evitar prejuízos com uma excessiva valorização cambial.
Um desses países é o Brasil, que, em menos de um mês, anunciou três medidas para tentar atenuar a valorização do real.
A principal delas foi a elevação de 2% para 4% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o capital estrangeiro que entra no país em busca de rendimentos de curto prazo (basicamente, títulos do governo). Nesta semana, a taxa voltou a subir, dessa vez para 6%.
Mas o Brasil não é o único. No mês passado, o governo japonês decidiu intervir na cotação de sua moeda, o iene, algo que o país não fazia desde 2004. O Banco Central da Coreia do Sul também anunciou medidas que deverão interferir no câmbio a partir deste mês.
Os Estados Unidos, apesar de mais cautelosos em função da forte ligação econômica com Pequim, também têm subido o tom contra a desvalorização da moeda chinesa.
No mês passado, a Câmara dos Estados Unidos aprovou um projeto de lei que permitirá ao governo americano tratar a desvalorização do iene como um subsídio, abrindo as portas para uma série de medidas protecionistas contra a importação de produtos chineses.
Se o câmbio chinês sempre foi fixo, por que essa discussão agora?
Segundo o professor da Faculdade de Economia da USP Celso Grisi, a origem desse debate está na crise financeira internacional.
“Estados Unidos e Europa, principalmente, ainda sofrem as consequências da turbulência que começou há dois anos, com desemprego e sérios problemas fiscais”, diz o economista.
Com o consumo interno ainda fraco, muitos países têm buscado nas exportações uma forma de manter a economia rodando.
Mas como não tem sido fácil encontrar compradores em outros países, a desvalorização cambial acaba sendo uma saída para tornar as vendas ao exterior mais competitivas.
Os economistas também chamam atenção para a política econômica americana, que já está com juros próximos de zero e, portanto, sem condições de usar a política monetária para estimular a economia. A saída tem sido a colocação de dólares no mercado.
Qual é a parcela de culpa da China nessa ‘guerra’?
Por ser o maior exportador do mundo e exercer o controle sobre sua moeda, a China é responsável por grande parte do problema, mas não é a única.
Há diversos fatores que também contribuem para a excessiva valorização de algumas moedas e para um desequilíbrio comercial.
Com um déficit de 3% (em relação ao PIB) em sua conta corrente, que inclui um forte desequilíbrio comercial com os chineses, os Estados Unidos culpam Pequim por prática de “comércio injusto” ao manter o yuan desvalorizado.
Por outro lado, há o argumento de que os Estados Unidos não só “criaram a crise”, como também permitiram que a poupança interna ficasse abaixo do desejável, tornando o país extremamente dependente de importações.
O governo brasileiro, que já criticou tanto a postura americana quanto a chinesa na disputa cambial, também tem problemas internos que mantêm sua moeda valorizada.
“O Brasil tem uma das maiores taxas de juros do mundo, que acabam sendo mantidas nesse patamar para sustentar a dívida pública. Ou seja, o problema não é só com os chineses ou americanos”, diz Grisi.
E qual seria a solução para o problema?
A discussão sobre como equilibrar as diferenças cambiais entre os países é considerada um dos temas mais controversos da macroeconomia. Para muitos especialistas, trata-se de um problema sem uma solução única.
Como os teóricos da atualidade descartam a volta de um regime internacional de câmbio fixo, que segundo eles impõe uma série de desvantagens, a saída seria um “meio termo” – ou seja, manter o câmbio flutuante, mas com alguma coordenação entre os países.
Essa coordenação, no entanto, pressupõe uma ampla negociação entre as principais economias. “Em toda negociação, todos têm de ceder. E esse nunca é um processo fácil entre potências”, diz o professor da USP.
Segundo ele, algumas medidas poderiam “atenuar” o problema, como um maior controle sobre gastos públicos da parte dos países ricos e uma disposição da China em aceitar um grau maior de valorização de sua moeda. “Mas nada disso é simples”, acrescenta Grisi.
O assunto promete ser o principal tema não apenas da reunião entre ministros das Finanças do G20, mas também do encontro entre chefes de Estado do grupo, marcado para os dias 11 e 12 de novembro, na Coreia do Sul.

Chega de sustos na Europa

Europa não quer mais surpresas.
A Europa parece estar encontrando sua saída para a crise iniciada em 2008. Há boas notícias vindas do norte e do leste europeu. A Alemanha também tem aportado muito ânimo às economias da região. Mesmo os chamados países periféricos mostraram disposição ao tratar suas contas públicas e ao buscar alternativas de crescimento.
 Portugal, embora mantenha um intenso debate político interno, apresentou resultados positivos na redução de sua dívida e de seus juros, bem como mostrou ser possível crescer por meio das exportações.
 O quadro está lentamente tornando-se convincente no Velho Continente. Mas, não pode apresentar novas surpresas. Por essa razão, os ministros europeus começam a pressionar a Irlanda para que recorra à mais recente dobradinha financeira mundial: Fundo de Emergência da União Européia e FMI. A essa altura, a quebra do país poderia ser fatal ao atual estado de recuperação da União Européia.
Ontem, a Reuters noticiou que a Irlanda estava em conversações para recorrer ao Fundo de Estabilização Financeira da União Européia, hoje os meios jornalísticos, considerados como os melhores formadores de opinião na Europa, já dão como certas essas negociações. O FMI declara-se pronto para mais esse socorro financeiro. O próprio Fundo de Emergência Europeu definiu sua ajuda como algo entre 60 e 80 mil milhões de euros.
O Governo irlandês nega a necessidade de ajuda para honrar seus compromissos. O primeiro-ministro, o ministro das Finanças irlandês e o presidente da Comissão Européia, Durão Barroso, também negaram que a Irlanda tenha solicitado qualquer ajuda.
Fosse no Brasil, a população teria a certeza, a partir dessas negações, que a ajuda já estaria em curso. Para complicar, Brian Lenihan, ministro das Finanças, afirmou não fazer sentido falar de um pedido de ajuda, uma vez que a Irlanda não precisa regressar aos mercados, antes de meados de 2011.
Seja com for, necessitando de ajuda ou por conta própria, a Irlanda precisa dar curso a uma solução transparente e definitiva para seus compromissos financeiros. Caso contrário, teme-se que um eventual contágio possa rapidamente alcançar a Espanha, Itália e Portugal, interrompendo o ciclo de recuperação de toda a região. Esse final de semana será decisivo para a economia da região.

Não podem faltar investimentos

Discussão sobre endividamento de países
fica em 2º plano no G20
Veículo: Folha de São Paulo - Data: 12/11/2010 - MAÍRA TEIXEIRA
O problema do crescente endividamento dos países deveria ser destaque na reunião do G20, realizada nesta quinta e sexta-feira em Seul. Mas, mesmo sendo um tema relevante e essencial para a economia mundial, ficou em segundo plano.
Para Felipe Tâmega, economista-chefe do Modal, o controle do endividamento e do déficit público são importantes. "Mas isso não quer dizer que um país precisa ter sua dívida pública zerada. O endividamento público é, muitas vezes, essencial para que uma nação faça investimentos importantes e aloque recursos para conseguir se capitalizar no futuro ou melhorar a infraestrutura do país."
Entenda o G20
Na opinião dos economistas, a discussão fiscal tem de ser feita no sentido da qualidade da dívida pública. "Limitar o endividamentos de países pode conter gastos exagerados. O ideal ao gerir a uma dívida pública é ter um déficit um agora, mas sinalizar que estão sendo tomadas medidas para diminuir gastos.
Ou demonstrar que esses gastos vão ajudar no desenvolvimento da economia e do país como um todo, em diversos setores. O ideal é fazer dívidas que se revertam em benefícios”, defende Tâmega.
Alguns países com dívida pública já tentam sinalizar uma reversão do quadro negativo. Com medidas muitas vezes duras e impopulares, como cortes de benefícios sociais, salários do funcionalismo para diminuir os custos, essas economias vêm demonstrando melhoras, especialmente no caso da Europa que parece ter controlado os efeitos da crise.
"Os EUA são um ótimo exemplo negativo do efeito do crescimento da dívida. Desde o começo da crise, naturalmente, o governo aumentou muito os gastos com a seguridade e estendeu benefícios e estímulos à economia. O mercado já sinalizava que o país deveria reduzir estímulos, o que não ocorreu ainda, pelo contrário. Tudo isso faz com que o déficit fiscal cresça ano após ano e economia ainda patine", analisa o economista da Opus, José Márcio Camargo.
Para Celso Grisi, economista da FIA (Fundação Instituto de Administração) e da USP (Universidade de São Paulo), trabalhadores sem rendimentos, e acuados, consumiram menos do que economia precisa e que o Estado esperava. "Sem investimentos, a roda não gira e isso influencia no desemprego e na diminuição da renda, o que promove uma estagnação ou recuperação muito lenta", diz Grisi. Para o economista é importante conter os gastos para fazer um controle da dívida que tem dado resultados ruins. Segundo o FMI, em 2007, a dívida bruta dos EUA estava em 62% do PIB. O cálculo do fundo é de que em 2015 chegue a 110%. "A dívida quase dobra e a economia não tem reagido como o esperado. Ou seja, os estímulos não estão dando resultados", explica Grisi.
Para Felipe Tamêga, economista-chefe do Modal, outro país que preocupa muito é o Japão. "A situação do Japão é uma das piores e está ligada a uma recessão longa que país enfrentou. Em 2007, a dívida pública japonesa era de 187,7% do PIB, o que já era ruim, mas em 2015, a estimativa é de que chegue a 248%.
A economia japonesa vem decepcionando tanto que, por conta da desaceleração do segundo trimestre, fez o país perder o posto histórico de segunda maior potência do mundo para a China -- ao menos no período de abril a junho. O resultado é que o PIB japonês no segundo trimestre ficou em US$ 1,29 trilhão, ante US$ 1,34 trilhão dos rivais chineses.
O PIB japonês cresceu 0,1% em relação aos três primeiros meses do ano, quando se expandiu em 1,1%, com a valorização do iene em relação ao dólar prejudicando o setor exportador e o consumo interno perdendo força.
Nos países da Europa o endividamento dos Estados também é alto, mas, em contrapartida, não crescem na velocidade dos EUA ou Japão, de acordo com dados do FMI. Em 2007, a Itália tinha a dívida em 103,4% do PIB, em 2015 deve chegar a 124,7%. A Alemanha tinha em 2007 65% do PIB em dívida pública e esse percentual deve saltar para 81,5 em 2015.

sábado, 13 de novembro de 2010

Na ausência daegovernança mudial, o unilateralismo prevalece

"Guerra cambial" força países a tomarem medidas unilaterais
Veículo: Folha de São Paulo   -   Data:  11/11/2010
GRAZIELLE SCHNEIDER
A reunião do G20 começa nesta semana com uma grande preocupação atormentando os líderes dos países participantes: a guerra cambial. A expressão surgiu para descrever a suposta disputa entre os países envolvendo suas moedas, já que há a desconfiança de que alguns deles estejam forçando a desvalorização de suas moedas para tornar seus produtos mais competitivos no exterior. A lição da crise é que papel do Estado tem de mudar e que regulação financeira é essencial.
Manipulação das moedas para ganhar competitividade será um dos temas do G20
"Países desenvolvidos, e também emergentes, entenderam que a vertente mais fácil para o crescimento [e recuperação da crise econômica iniciada em 2008] seria a exportação. Para isso, usaram uma estratégia: a desvalorização das moedas locais. Assim, os preços em dólares ficariam muito mais convidativos para o importador"', explica Celso Grisi, economista da FIA (Fundação Instituto de Administração) e da USP (Universidade de São Paulo).
O principal foco das críticas é a China, que impede, há pelo menos dez anos, a
valorização da sua moeda, o yuan, para favorecer suas exportações.
DÓLAR EM QUEDA
De outro lado, o governo norte-americano vem despejando dólares na sua economia para estimulá-la. Com isso, o dólar vem perdendo valor diante de várias moedas.
"Para o Brasil, que tinha, como alguns outros países, fundamentos econômicos muito sólidos, o que ocorreu foi uma atração do capital estrangeiro para dentro do país, criando uma oferta de dólares muito grande e apreciando a nossa moeda", explica Grisi. Ele destaca que, por isso, os preços de nossos produtos ficaram pouco competitivos lá fora, comprometendo a indústria local. Além disso, o aumento da entrada de dólares resultou em alta do deficit externo do país. Para piorar, o Fed (banco central americano) anunciou na última semana nova tentativa de impulsionar a economia americana: a compra de US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro, o que ficou conhecido como afrouxamento quantitativo (QE2).
"Uma injeção dessas implica atolar o mundo em dólares, que vai ter uma desvalorização imensa, favorecendo as exportações americanas e, portanto, trazendo um saldo conveniente para os EUA. Em contrapartida, todas as outras moedas do mundo se apreciarão", destaca Grisi.
MEDIDAS
Todo esse imbróglio está fazendo com que os países adotem medidas unilaterais para conter a valorização de suas moedas.
O governo brasileiro, por exemplo, elevou em outubro a alíquota do IOF(Imposto sobre Operações Financeiras) de investimentos estrangeiros nas aplicações de renda fixa de 4% para 6% --apenas duas semanas após elevar a alíquota de 2% para 4% -- e promoveu intervenções do Banco Central para a compra de dólares.
A Tailândia também adotou imposto para aplicações de estrangeiros em renda
fixa. No país, o estrangeiro pagará 15% no ganho com títulos da dívida pública e de empresas, que rendem mais de 8% ao ano, estimulando operações de 'carry trade', em que o estrangeiro empresta recursos nos EUA e Japão com taxas máximas de 1,5%.
Na Ásia, Indonésia, Coreia do Sul e Taiwan tomaram medidas semelhantes para segurar suas moedas. A Indonésia instituiu, em outubro, uma 'quarentena' de um mês para o dinheiro ficar no país. Taiwan preferiu fechar acesso do não residente a depósitos de curto prazo.
Mais liberal, a Coreia do Sul limitou a exposição dos bancos a derivativos cambiais, reduzindo o poder de fogo para especulação em favor do won. O próprio Japão rasgou a cartilha liberal e interveio pela primeira vez em quase sete anos para impedir a alta do iene, que mina a competitividade da indústria japonesa.

Redes socias estão congestionadas?

Como vencer a saturação nas redes sociais
As redes sociais se popularizaram. A postagem anterior mostra as conseqüências dessa massificação para a tecnologia e desenha as fronteiras dos novos usos. Como ficarão, então, as aplicações das técnicas de marketing nesse novo cenário?
Segundo Social Technographics da Forrester Research, em média, cada usuário do Facebook nos EUA tem 135 “amigos” e o Twitter e o MySpace parecem ir pelo mesmo caminho. Cerca de 75% dos "online users" norte-americanos consome outros conteúdos sociais fora das redes, como, por exemplo, blogues.
Curioso desse estudo é a revelação de que, a grande maioria verifica apenas poucas vezes por mês os seus feeds. Mais curioso ainda, é o fato de que esses usuários recebem mais informação do que aquela que conseguem na realidade consumir. Trata-se daquilo que na teoria das informações é chamado de “obesidade informacional”.
Para as práticas de marketing o assunto assume relevância especial. As mensagens não são lidas, a não ser ocasionalmente ou, quando poderiam ser lidas, são em tal quantidade, que o consumidor não as lerá. Para que então serviria fazer campanhas de marketing nesses ambientes virtuais?
O “Defeating Social Clutter”, da Forrester, afirma que os profissionais de marketing deparam-se com duas escolhas importantes: ou enfrentam a saturação “social” ou tentam contorná-la. No primeiro caso, a identificação dos "opinion leaders", dos influenciadores é, sem dúvida, uma das melhores alternativas para o sucesso, uma vez que os “social users” interagem e confiam mais nos seus amigos e na informação dos seus endossantes, que nas marcas ou anunciantes. Potencializar a ação destes key consumers e dinamizar esta “recomendação entre pares” pode fazer a diferença nas campanhas em redes sociais. Claramente, recorre-se aqui às estratégias de ativação da mídia boca a boca e a todos os preceitos que já se tem como conhecidos sobre a credibilidade da mensagem. "Amigos" e "key consumer" não apresentam a intenção persuasiva, por isso são mais críveis. Suas mensagens têm natureza apenas noticiosa ou quando defendem pontos de vistas acabam mantendo uma forte compatibilidade entre a mensagem e fonte, sem a produção de dissonâncias que pudessem produzir a perda ou a redução da credibilidade.
No segundo caso, evitar a saturação "all together" parece a ação mais promissora. As estratégias aqui obedecem também aos princípios mais gerais que a boa teoria de marketing já havia estabelecido: busca de públicos-alvo menos sujeitos à saturação social; procura de open spaces, identificando ferramentas, tópicos, "passion points" e iniciativas que não tenham sido exploradas por concorrentes; desenvolvimento rede social própria para suportar marcas já estabelecidas no mercado, com audiência mais reduzida e maior nível de awareness e attention do público-alvo.
Enfim, parece que a segmentação de mercados e a criação de plataformas diferenciadas de atendimento continuarão no âmago das estratégias de marketing, mesmo no mundo virtual. Ou principalmente nele?

Email tem concorrente pela frente

Redes sociais substituirão emails?
A Gartner, empresa especializada em pesquisa e consultoria na área de TI, anuncia nova tendência para as comunicações pessoais: redes sociais poderão substituir os emails.
O crescimento das redes foi muito forte, revelando ter caído no gosto dos mais jovens e a disponibilidade desses serviços tornou-se muito grande, favorecendo o seu uso. A associação desses atributos, segundo a previsão, fará com que 20% dos profissionais das empresas passem a utilizar as redes sociais, abandonando os emails.Naturalmente, as organizações que fornecem os serviços de emails não “vão deixar barato”. Já estariam pensando em soluções de integração dos dois serviços, possibilitando que instrumentos como os calendários, agendas, etc. possam ser compartilhados.
Na verdade, parece que sobreviverá no futuro apenas um serviço híbrido. E com tantas funcionalidades e benefícios que o consumidor tenderá a migrar para ele em grande velocidade. Será?

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Dólar continua seu movimento de alta

Mesmo sob a ameaça do Fed, dólar sobe pelo terceiro dia consecutivo
É sempre bom lembrar que, de fato, os tais US$ 600 bilhões não chegaram ao mercado. Depois da fala do presidente Obama, o mercado reagiu de susto. Como nada aconteceu, o dólar voltou a subir no Brasil, demonstrando a eficiência do aumento do IOF sobre os capitais especulativos. Fechou a semana cotado a R$ 1,724. Alta de 0,29% hoje e de 2,74% na semana. O ministro Mantega acertou.
Passaram-se os dias, o G-20 chega ao fim em ponto morto. Parece não haver decisões. Apenas recomendações.
Mas, recomendações pode ser apenas o pretexto que todos esperavam para aumentar os impostos sobre as importações de países com moedas subvalorizadas. Parece ser essa a fórmula que passará a vigorar no comércio internacional, na contramão dos esforços da OMC que quer ver essas taxas cada vez menores.
A esse propósito, a OMC estaria pronta para resgatar uma cláusula do antigo GATT, que previa sanções às nações que desvalorizassem excessivamente suas moedas, para adaptá-la às condições atuais. Com isso, estaria dando munição pesada ao seu sistema de soluções de controvérsias para dirimir esses conflitos por meio dos chamados “panels”.

Se isso acontecer, a OMC transforma-se na principal instituição internacional da governança mundial. Tende, contrário senso ao espírito de sua criação, a consolidar-se em um verdadeiro tribunal econômico. Vai acumular funções legislativa e judiciária. Isso, sinceramente, não me agrada.
De outro lado, a China começa a dar sinais de exaustão do seu ritmo de crescimento, pressionada pela alta dos preços do pujante mercado interno. Nesse caso, ela brincou com o crédito. Abundante como foi, acelerou o consumo e, a inflação, por isso, alcançou 4,4% em outubro. É hora de desacelerar. Isso dará início a um ciclo de aperto monetário, com elevação da taxa básica de juros que, por sua vez, induzirá uma redução das importações. Esse temor já levou investidores a repensar os preços das commodities. Os preços começaram a ceder nessa sexta-feira, sobretudo em relação às commodities metálicas, cujos usos são basicamente industriais. A bolsa de Shagai caiu hoje 5,2%. Um novo cenário se aproxima, anunciando a necessidades de novos esforços preditivos para o desempenho do mundo e de suas regiões em 2011.

Risco de inadimplência

Professor critica comportamento de auditorias
Veículo: DCI  -  Data: 12/11/2010
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O professor de Economia da Fundação Instituto de Administração (FIA) e presidente da Fractal Instituto de Pesquisa, Celso Grisi, acredita que a cessão de crédito é um bom instrumento de captação, pois é aceito pelas esferas bancárias e é juridicamente perfeito. Mas questiona a transparência da carteira: "Quem sabe o que está acontecendo nela?"
Para Grisi, o caso do banco PanAmericano é emblemático, pois semeou-se a desconfiança no mercado sobre a capacidade das empresas de auditoria. "Foram enganadas? Não viram problemas? Não acompanham a alavancagem?"
Grisi vê muitos riscos nas carteiras de crédito, pois uma carteira podre pode contagiar os bancos maiores. "A transferência pode ser feita, mas temos uma concentração muito grande. Eles concentram os negócios, o que causa riscos ao sistema." Outro ponto de preocupação e que pode afetar as carteiras é que o brasileiro está com 23,5% da renda comprometida com prestações.

Contingenciamento do crédito é medida necessária ao equilíbrio da economia

A miragem do calote
Veículo: Revista Carta Capital  -  Data: 11/11/10  -  André Siqueira
As informações mais recentes do Banco Central (BC) sobre crédito colocaram na berlinda o ciclo atual de expansão dos empréstimos. De acordo com o último Relatório de Inflação, publicado em 22 de outubro, os brasileiros gastam mais que os americanos, por mês, para pagar suas dívidas – um dado assustador, dada a fama de grandes gastadores destes últimos. Por aqui, segundo o BC, prestações, juros e encargos abocanham quase um quarto dos salários, enquanto nos Estados Unidos as despesas financeiras consomem 17,2% da renda das famílias. Outro sinal alarmante, ao menos para a turma do copo meio vazio, seria a alta constante do endividamento (calculado sobre a renda anual) nos últimos quatro anos, hoje em 39,1%.
Coube ao próprio BC adicionar alguma água à fervura, quatro dias depois, ao divulgar a taxa de inadimplência em setembro, que chegou ao nível mais baixo da história (4,7%). Os juros também permaneceram em queda, numa trajetória que nem o ciclo de aperto da política monetária – com a elevação da taxa Selic de 8,75% para 10,75% ao ano - entre março e junho ltimos – foi capaz de abalar.
As dúvidas que ainda poderiam existir quanto à viabilidade da expansão das carteiras de crédito começam a se esvair na medida em que os bancos divulgam os resultados referentes ao terceiro trimestre. O Itaú registrou, na quarta-feira 3, o maior lucro de uma instituição financeira no País, de 3,03 bilhões de reais de julho a setembro. O recorde anterior havia sido anunciado apenas uma semana antes pelo Bradesco (2,53 bilhões de reais). A operação brasileira do Santander representou um ganho de 1,93 bilhão de reais para o grupo espanhol, uma alta de 31,4% ante o mesmo trimestre de 2009.
A explicação das instituições para o aumento das margens é praticamente a mesma: ampliação da carteira de crédito e redução da reserva feita para compensar eventuais calotes – a chamada provisão para devedores duvidosos. Os bancos médios mostram resultados positivos por razões semelhantes. O BMG, focado em empréstimos consignados, lucrou 147 milhões de reais, alta de 20,6% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
“Os bancos têm administrado muito bem a expansão do crédito. Conseguiram ampliar e melhorar a qualidade dos financiamentos”, afirma Celso Grisi, professor de economia da USP e diretor do Instituto de Pesquisas Fractal, especializado em estudos e cenários para instituições financeiras. “Tudo o que os bancos precisam fazer é monitorar a renda do brasileiro e a inflação, que são os dois fatores capazes de influenciar a demanda por crédito e a capacidade de pagamento.”
O professor lembra que as taxas médias cobradas pelas instituições caíram, em boa parte, por conta do aumento da concorrência dos bancos públicos – na esteira das políticas anticíclicas adotadas pelo governo em 2009, em resposta à crise financeira internacional – e pelo maior volume de crédito em modalidades menos arriscadas, como o financiamento de veículos, imóveis e o empréstimo consignado.
As taxas dos empréstimos, de acordo com Grisi, continuam elevadas para os novos clientes, oriundos da nova classe C. A queda média seria explicada pelas melhores condições obtidas pelos clientes de renda mais elevada e com bom histórico. “A população passou a recorrer mais aos financiamentos, e isso não é privilégio de nenhuma classe específica, porque todas elas registraram aumento de renda.”
O especialista diz que os crescimentos da economia e da massa de renda (salários, aposentadorias e pensões) são os principais fatores a sustentar a expansão do crédito, ao lado da queda das taxas e do alongamento dos prazos. A maior capacidade de contrair dívidas, por sua vez, explica o descolamento entre a curva de elevação do endividamento e a do comprometimento da remuneração mensal (gráfico à pág. anterior). Ou seja, nos últimos anos o brasileiro tem conseguido contrair débitos maiores sem, necessariamente, ter de abrir mão de uma parcela maior de seus ganhos.
Em que pese a trajetória positiva dos últimos anos, a oferta de crédito no Brasil continua sensivelmente inferior à da maioria dos países desenvolvidos e de boa parte do mundo emergente, onde os índices invariavelmente superam 100%. Em relação ao tamanho da economia, os empréstimos atingiram 46,7% em setembro. No mesmo mês de 2009, a relação entre dívida e PIB estava em 43,9%. Nos Estados Unidos, por exemplo, a relação chega a 187%.
Embora usem uma parte proporcionalmente menor do salário mensal para pagar dívidas, na comparação com os brasileiros, os americanos são mais endividados. Naquele país, o crédito equivalente a 128% da massa salarial da nação, ante 39,1% por aqui.
De acordo com a assessoria de imprensa do BC, “a distância (entre o comprometimento de renda dos brasileiros e o dos americanos) justifica-se pela diferença de taxa de juros e de horizonte temporal das operações de crédito entre os países”. Em outras palavras, o trabalhador americano assume dívidas muito maiores, mas, como paga taxas menores e estende os pagamentos por prazos mais longos, arca com parcelas mensais proporcionalmente inferiores às assumidas pelos brasileiros.
O economista sênior da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Jayme Alves, vê razões adicionais, de ordem metodológica, para as discrepâncias entre os índices brasileiro e americano. A principal delas diz respeito ao cheque especial – ao lado do cartão de crédito, a modalidade mais cara oferecida pelos bancos nacionais. Nos EUA, a cobrança de quem utiliza recursos superiores aos disponíveis na conta é registrada como tarifa e, portanto, não é levada em conta nos índices de endividamento financeiro. Nos cálculos da Febraban, sem o cheque especial o comprometimento de renda do brasileiro cairia de 23,8% para 20%.
“O cheque especial e o rotativo do cartão são linhas a ser usadas por poucos dias, em ocasiões extraordinárias”, explica Alves. “Essas duas modalidades acabam por influenciar significativamente no cálculo de comprometimento de renda quando seu custo financeiro é projetado por todo o mês. É preciso verificar se nossos dados são realmente comparáveis aos americanos.”
As transformações recentes do setor de crédito brasileiro levam o professor de Economia da USP Antônio Borges Matias a olhar com reserva os dados do BC. “Há uma regra que proíbe os bancos brasileiros de emprestar ao correntista se as parcelas representarem mais de 30% do salário. Para termos uma média de 24% de comprometimento de renda, é preciso que muita gente esteja acima desse limite”, diz.
Segundo Matias, a expansão do volume de operações de crédito é importante não só pelo impulso ao consumo e ao crescimento econômico, mas pelo fato de permitir a redução das taxas exigidas dos clientes. “Nosso sistema financeiro trabalha de uma forma invertida em relação ao mundo desenvolvido. Aqui os bancos operam com volumes baixos e spread (diferença entre o quanto os bancos pagam para captar o dinheiro e o quanto cobram por ele) bastante elevado. Lá fora, as concessões são muito maiores e, por isso, as taxas podem ser mais baixas”, explica.
Para comprovar essa tese, o professor cita a relação entre o lucro e o patrimônio líquidos no setor bancário brasileiro, na ordem de 10% em 2009 e em torno de 15% neste ano. “Não é uma rentabilidade absurda, nem desalinhada aos níveis internacionais.”
Na quinta-feira 28, o presidente do BC, Henrique Meirelles, disse, após um evento em São Paulo, que continua a tomar medidas para impedir que se forme no Brasil a “mais perigosa das bolhas, a de crédito”. Segundo Matias, o uso de instrumentos como a elevação dos empréstimos compulsórios – baixados durante a crise internacional – seria viável, mas novas elevações na Selic podem ter efeito contrário ao desejado. “O juro elevado aumenta o gasto do governo e atrai mais capital para o País, o que pode prejudicar o crescimento e valorizar ainda mais o câmbio, sem frear a elevação do crédito”, ressalta.
Outro objetivo do BC, conter a valorização do real, também pode exigir uma contração na oferta de empréstimos, na avaliação de Grisi. “Elevar a cotação do dólar é encarecer os produtos importados, o que põe em risco o controle da inflação”, avalia. Nesse caso, o professor recomenda um “gerenciamento seletivo do crédito ao consumo”, de forma a reduzir a demanda. “É possível limitar a oferta das linhas mais caras, com regras mais duras para o uso do cheque especial e do cartão de crédito, ou reduzir os prazos para consórcios de automóveis”, sugere. “Não são ajustes fáceis, mas certamente são menos danosos para a economia do que um aumento dos juros.”

Bolsas européias refletem o desempenho das bolsas norte-americanas

Bolsa deve sofrer influência da diminuição das importações chinesas e do G20
Veículo: Executivos Financeiros  -  Data: 11/11/10  -  Francine Brandão
A Bovespa operava em baixa de 0,62%, 71.194 pontos, R$ 704.233 bilhões de volume e 58.132 negócios às 11:47hs, de acordo com o diretor do Instituto Fractal, Celso Grisi, “é provável que o pregão tenha impacto da expectativa da alta de juros na China, pressão inflacionária que deve acontecer nos próximos dias e a redução das importações e crescimento chineses, nos próximos meses e até em 2011”.
Para o executivo, estes problemas decorrem do excesso de empréstimos bancários, que leva a uma liquidez muito forte e subida de preços. “É provável que o dólar não sofra variação significativa, mas as ações de empresas exportadoras vão sofrer desvalorização em função do real tão apreciado e do cenário chinês já detalhado”.
Já a reunião do G20, para o profissional, deixa a Bolsa de Valores “em suspenso, tende a baixar o real e estabilizar o dólar”. Outra questão levantada por Grisi, é que o preço das ações dos bancos deve se recuperar, pois o Banco Central demonstrou que o sistema financeiro continua estável e não sofrerá contágio. “O Panamericano não contaminará nosso sistema”, acredita.
Celso analisa ainda que as bolsas europeias não devem influenciar no pregão nacional. “Elas são um primeiro movimento que determina o comportamento americano e mais efeito do que causa do desempenho da Bovespa”.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Juros mantidos no Japão

Ainda não foi dessa vez.
A taxa básica de juros  no Japão continuará zerada. O Bank of Japan resolveu também não ampliar o afrouxamento monetário do país e seguiu sem nenhuma medida adicional de estímulos à economia do país.
Desse modo, sua política diverge daquela assumida pelo Fed, implicando o reconhecimento dos hábitos da população do país em relação a gastos e investimentos. Por excelência, o consumidor japonês é muito poupador e pouco gastador. Portanto, é provável que esse consumidor não reagisse a medidas de estímulo ao consumo. Crédito abundante, juros baixos, longos períodos de amortizações  não o empolgam.
O programa de ampliação de liquidez, naquele país, prevê a expansão de US$ 62 bilhões de dólares em compras de ativo, mas o ministro Sirakawa e o Bank of Japan acharam que ainda é cedo para isso. Também não gostam de endividar, mesmo que internamente, seu próprio estado.

UE quer ter outros "termômetros"

Regramento na UE pode alcançar até as agências de classificação de riscos
A União Européia começou a cogitar a possibilidade de endurecer as regras para  as agências de risco. De início, pensa em obrigá-las a informar, com uma antecedência mínima de três dias, aos países que pretendam rebaixar as notas de avaliação de suas dívidas soberanas.
Para complicar mais um pouco a vida dessas agências, a Comissão Européia manifestou a intenção de criar no próprio Banco Central Europeu, ou mesmo nos bancos centrais de cada um dos Estados-Membros, indicadores semelhantes aos das agências. A intenção é a de ampliar a competição nesse mercado e, com isso, melhorar a qualidade das avaliações e dos procedimentos de comunicação com todos os demais agentes que operam nos mercados de dívidas soberanas.
A idéia de maior regulação agrada. Muitas vezes as avaliações acabam  por não refletir as condições de riscos a que as dívidas de cada estado estão realmente sujeitas. A comunicação, com alguma anterioridade também agrada e, no nosso modo de ver poderia até ser maior que três dias. Entretanto, incumbir "o bode para tomar conta do milho", não parece uma idéia das mais brilhantes. Será que o Banco Central da Grécia teria publicado o risco da dívida do próprio país? Realmente essa idéia apenas reforçaria ainda mais a posição competitiva das dessas agências, contrariando o espírito inicial da iniciativa da Comissão Européia.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Inflação e G-20 preocupam o invesidor

Realizações de lucro pelo mundo revelam a ansiedade dos investidores
O Ibovespa encerrou ontem em queda, em função da realização de lucros provocada pelas incertezas que rondam o desfecho da reunião do G-20. Com isso, o índice fechou aos 71.679 pontos, desvalorizando 1,35%. O volume financeiro não foi mal. Esteve na casa dos R$ 6,81 bilhões, mostrando a liquidez dos papéis transacionados e a existência de compradores dispostos a enfrentar os seus riscos.
O dólar fechou em alta, encerrando cotado a R$ 1,6990 A alta foi de 0,18%. O dólar parece ter ficado tão baixo que está estimulando alguns investidores a fazer posição na moeda norte-americana. Loucura? Talvez não. Depende do G-20. Já há algum nível de apostas, no contrapé do mercado. São os especuladores, respondendo a lista de chamada.
Nos Estados Unidos o S&P perdeu 0,80%. Os principais índices de ações também fecharam em queda. Os mercados europeus estão em valorização. Em Londres, o índice FTSE subiu 0,43%, em Paris, o CAC teve alta de 0,82% e o DAX, de Frankfurt, subiu 0,55%. Na Ásia, os principais mercados fecharam com quedas discretas. Em Xangai, queda de 0,8% e em Hong Kong, recuo de 1%. Em Tóquio, o índice Nikkei teve queda de 0,4%.
O front externo está fraco à espera do G-20. No front interno, o dia ficou monótono com realizações de lucros e, também, na espera do G-20. Enquanto esperamos, é bom pensar que, no Brasil, saem novas medidas da inflação: IPC-Fipe da primeira semana de novembro, IGP-I de outubro, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola de outubro e o fluxo cambial brasileiro semanal.
O IPCA do mês de outubro, veio com alta de 0,75%, acima dos 0,67% esperados pelo mercado. Isso preocupa. O índice continua sendo puxado por alimentação e já acumula alta de 5,20% em 2010. O cenário inflacionário é preocupante, já que para manter o IPCA na meta de4,5%, seria necessário que em outubro o mesmo ficasse em 0,35% (sazonalmente ajustado). Além disso, a demanda doméstica continua muito forte, com o mercado de trabalho aquecido e as expectativas de inflação avançando na Pesquisa Focus. Por fim, o avanço dos preços das commodities também deve dificultar a redição da inflação até o fim do ano.
Nos EUA, destaque para os Pedidos de Auxílio Desemprego da semana, a Balança Comercial de setembro .