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quarta-feira, 22 de maio de 2013

Olhando o mundo das commodities

Commodities em plena volatilidade
A produção mundial de aço aumenta graças à produção chinesa. Embora a China mantenha um crescimento inferior àquele previsto pelos analistas, o fato é que os minerais metálicos estão subindo seus preços. Como se sabe, grande parte das commodities metálicas encontra suas maiores aplicações na área industrial. Isso talvez possa ser um sinal de melhores dias, em pelo menos algumas economias do mundo. Ouro, prata, platina, cobre e estanho, nesses últimos dias, estão em alta.
Mas veja como vão esses preços, segundo o Index Mundo, ao longo do tempo:
Commodity
1 Month Change
12 Month Change
Year to Date Change
Índice de preços de bebidas
-0,37%
-10,01%
-3,64%
Índice de preços de combustível (energia)
-3,20%
-12,45%
-5,12%
Índice de preços de insumos industriais
-2,82%
-8,75%
-7,06%
Índice de preços de matérias-primas agrícolas
-1,02%
-6,63%
-2,40%
Índice de preços de metais
-3,72%
-9,80%
-9,29%
Índice de preços do petróleo bruto
-3,69%
-13,13%
-5,91%
Índice de preços dos alimentos
0,07%
2,80%
-0,33%
Índice de preços dos alimentos e bebidas
0,03%
1,61%
-0,61%
Índice de preços não-combustíveis
-1,34%
-3,59%
-3,78%
Índice Geral de Preços de Mercadorias
-2,56%
-9,55%
-4,66%
Carvão Sul Africano
-2,01%
-19,65%
-5,47%
Carvão térmico australiano
-5,36%
-15,81%
-6,00%
Combustível de jato
-5,42%
-12,96%
-9,16%
Diesel
-4,51%
-10,55%
-6,54%
Gás Natural



Gás natural russo



Gasolina
-7,14%
-15,60%
-5,12%
Gasolina reformulada
-4,03%
-10,55%
0,24%
GNL da Indonésia



Óleo combustível
-6,76%
-12,92%
-10,59%
Petróleo bruto
-3,66%
-13,10%
-5,89%
Petróleo bruto Brent
-5,82%
-14,69%
-8,90%
Petróleo bruto Dubai Fateh
-3,62%
-13,39%
-5,47%
Petróleo bruto West Texas Intermediate
-1,18%
-10,90%
-2,78%
Propano
5,27%
-21,49%
12,05%
Cacau
6,57%
1,23%
0,85%
Café arábica suave
-0,03%
-20,89%
-3,36%
Café, robusta
-4,52%
-3,70%
1,69%
Chá
-10,45%
-21,90%
-21,41%
Arroz
-2,05%
-5,50%
-3,43%
Cevada
-3,47%
-2,04%
-1,92%
Milho
-9,44%
2,21%
-7,59%
Sorgo
-9,29%
5,62%
-7,50%
Trigo
-0,38%
15,93%
-7,98%
Trigo Canadense



Trigo Soft Red Winter E.U.
-2,70%
9,24%
-9,99%
Bananas
-2,81%
-11,38%
-2,31%
Laranjas
-5,30%
4,37%
16,20%
Aves (frango)
1,08%
9,98%
3,47%
Carne
-0,06%
-0,22%
-1,90%
Cordeiro
0,92%
-9,05%
4,88%
Porco
2,57%
-2,38%
-5,85%
Camarão
65,37%
42,36%
55,71%
Peixe (salmão)
10,72%
42,32%
15,68%
Açúcar
-3,66%
-21,44%
-6,31%
Açúcar, preço de importação Estados Unidos
-3,76%
-35,08%
-8,23%
Açúcar, preço de importação Europeia
1,52%
-4,40%
-4,18%
Amendoim
-4,10%
7,14%
4,67%
Azeite de oliva, extra virgem
-0,89%
34,50%
-0,89%
Farinha de soja
-4,61%
1,30%
-2,29%
Óleo de amendoim
-1,30%
-16,34%
-9,57%
Óleo de coco
-3,41%
-41,37%
-4,34%
Óleo de colza
-2,71%
-13,28%
-6,39%
Óleo de girassol
-1,56%
-0,12%
-4,48%
Óleo de palma
-2,00%
-34,65%
-2,59%
Óleo de palmiste
-0,60%
-40,86%
4,15%
Óleo de soja
-1,46%
-11,83%
-3,21%
Peixe
2,84%
30,30%
-12,16%
Soja
-3,41%
-2,20%
-1,57%
Algodão
-1,99%
-7,52%
8,26%
Copra
-2,43%
-39,68%
-5,60%
Couro
0,00%
2,38%
0,00%
Borracha
-3,71%
-25,44%
-13,22%
Lã fina
-8,72%
-16,16%
-12,97%
Lã grossa
-8,51%
-14,23%
-10,74%
Madeira Compensada
-2,95%
-8,89%
-8,86%
Madeira dura
-2,95%
-13,90%
-8,86%
Madeira macia
7,51%
28,18%
7,51%
Madeira serrada dura
1,50%
-6,92%
-4,16%
Madeira serrada macia
1,84%
-4,99%
1,84%
Polpa de celulose
2,55%
-1,83%
3,87%
Aço laminado a frio



Aço laminado a quente



Alumínio
-2,63%
-9,15%
-8,67%
Cátodo de cobre grado A
-5,64%
-12,85%
-10,34%
Chumbo
-6,85%
-2,38%
-13,28%
Estanho
-7,35%
-2,37%
-12,23%
Fio-máquina de aço



Minério de ferro
-1,77%
-6,95%
-8,70%
Níquel
-6,59%
-12,65%
-10,66%
Ouro
-6,61%
-9,81%
-11,01%
Prata
-11,93%
-19,63%
-18,37%
Urânio
-2,06%
-19,28%
-3,13%
Vergalhão



Zinco
-3,81%
-7,34%
-8,65%
Cloreto de potássio
0,38%
-16,48%
-0,89%
Fosfato diamónico (DAP)
0,15%
-1,91%
4,79%
Fosforite
-1,47%
-10,96%
-6,42%
Superfosfato triplo
0,00%
-1,42%
0,00%
Ureia
-6,10%
-26,73%
-8,11%
A tabela, analisada cuidadosamente, mostra que as quedas foram generalizadas. As pequenas reações acontecidas na última semana, não são suficientes para entusiasmar os investidores.
Nos Estados Unidos, o Fed inicia uma revisão de sua política de aquisição de Bonds. Os rendimentos caíram muito e o Fed entende que isso seja uma forte razão para um recuo no seu programa de injeção de liquidez no mercado norte-americano. O mercado reagirá negativamente a decisões como essa, por achá-las precoce

Economia e seus sinais

Há razões para um otimismo moderado
O mercado de trabalho gerou 196,9 mil novos empregos líquidos, com carteira assinada, no mês de abril, segundo o Caged. Esse resultado é 9,2% menor que o de abril do ano anterior.
Não há dúvida de que a estaglação provocou estragos razoáveis por toda a economia, atingindo agora o mercado de trabalho. Foi o pior resultado para o mês, desde 2009.
Nada que possa assustar, pois já se vê, no horizonte de curto prazo, um início de retomada de crescimento, ainda que em ritmo moderado.
O setor de serviços foi o mais ativo na criação de empregos, enquanto a indústria e a construção civil mantiveram-se relativamente estáveis. O comércio mostrou-se ligeiramente mais ativo, mas nada que aponte para uma aceleração desse setor na criação de novas vagas.
Nesse quadro, é relevante observar que o índice de confiança da indústria, medido pela FGV, apontou alta de 1,1% na prévia de maio em relação ao mês de abril. Esse resultado vem alinhado com o avanço da utilização da capacidade instalada, noticiada dias atrás

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A semanacomeça agora

Estados Unidos animam os mercados
O mercado financeiro norte-americano continua a mostrar fôlego e a bater recordes de desempenho. O índice de confiança do Consumidor, produzido pela Universidade de Michigan, atingiu os 83,7 pontos, na prévia de maio.
O índice de indicadores antecedentes, acima das estimativas do mercado, deu novo gás ao mercado.
Na Europa, as vendas de automóveis voltaram a crescer, interrompendo uma série de 18 quedas sucessivas. A alta de abril representou 1,7% de crescimento em relação ao mesmo mês do ano passado. E para trazer maior otimismo ao mercado,  a Espanha obteve o primeiro superávit comercial, depois de um longo período acumulando déficits em sua balança. Foram US$ 814 milhões, no mês de março, fazendo crer que o emprego pode3rá crescer via exportações.
Na China, são aguardadas novas medidas de estímulo à economia do governo central. Trata-se de especulações, por enquanto. Mas todos passam a acreditar que “onde há fumaça, há fogo”.
No Brasil, o clima político melhorou muito na semana que passou. Depois da aprovação pelo Congresso Nacional das privatizações dos portos, parece dissipar-se, em boa medida, o temor por investimentos no Brasil. Ver para crer.
Agora precisamos acentuar o combate à inflação. O índice de Preços ao Consumidor – Fipe- subiu 0,21%, na segunda quadrissemana de maio. Continua difícil.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Agora vai?

Crescimento moderado
O Banco Central divulgou ontem o IBC-BR, seu indicador antecedente que aponta o crescimento da atividade econômica. Nesse primeiro trimestre, o índice cresceu 1,79% em relação a igual período do no anterior. Em março, o IBC-Br registrou crescimento dessazonalizado de 0,72%, o que significa a maior expansão desde janeiro desse ano. Em janeiro, o crescimento foi de 1,05% apontando para o que poderia ter sido o início de uma recuperação. Em fevereiro, veio a frustração, com uma queda desalentadora de -0,36%.
Com o crescimento anunciado ontem, a expectativa é de que o PIB de 2013 venha realmente a alcançar os 3,0%.
Remanescerá, para todos os analistas, o desafio de identificar quanto das políticas contra cíclicas implantadas em 2012 e em 2013 foram causa desse crescimento.  De fato, essas medidas foram abundantes e sucessivas de maneira a dificultar o exercício acadêmico. O governo durante o ano passado, reduziu o IPI para linha branca e automóveis, além do cortar os juros básicos da economia. Desvalorizou o real de forma significativa e promoveu a redução de mais de R$ 100 bilhões nos depósitos compulsórios, injetando liquidez no sistema econômico. Como a economia não reagisse, o governo reduziu o IOF para empréstimos tomados pelas pessoas físicas, desonerou folha de pagamentos. Especificamente no setor público, liberou mais crédito para os estados e colocou a máquina de compras do estado a serviço da recuperação, anunciando programa de compras governamentais de R$ 8,4 bilhões. Por fim, atendeu reclamos setoriais e implantou medidas, cuja legitimidade é contestada no âmbito da OMC, de defesa da concorrência.
O esforço governamental é inegável, mas sua eficiência parece definitivamente baixa e com efeitos inflacionários perversos. A Selic, nesse sentido, foi levada para 7,5%, em abril desse ano. É provável que tenha de sofrer novas altas nas próximas reuniões do Copom.
Curiosamente, o crescimento sugerido pelo IBC-BR parece inconsistente com a queda das vendas no varejo de -0,1%, anunciada ontem pelo IBGE e com o tímido desempenho do setor industrial.
Por ora, a expansão só pode ser explicada pela atividade agropecuária e pelo aumento dos investimentos em setores mais ativos da área de serviços.
Para ser convincente, precisaríamos ver o crescimento se generalizar por toda a economia. Aí sim diríamos que "agora vai".

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Europa em longa retração

E a retração continua na Zona do Euro.
O PIB da Zona do Euro apresentou queda de 0,2% no primeiro trimestre deste ano com relação ao último trimestre de 2012. Não poderia ser diferente. Com a taxa de desemprego tão alta, a renda agregada cai muito e o consumo vai junto.
Em termos anualizados a queda é de 1,0%. A situação europeia é difícil com as sucessivas reduções do mercado interno. O problema fiscal requer austeridade, mesmo permeada por algumas pitadas de generosidade nas decisões sobre os dispêndios nacionais. A tentativa de ativar a economia pela vertente das exportações acaba encontrando um mundo recessivo.
A saída mais próxima pode ser o acordo comercial com os Estados Unidos, ainda em fase de concepção. Teme-se pela América Latina e, em especial, pelo Brasil, se esse acordo, de fato, se concretizar. A multilateralidade sofreria um golpe muito forte e instituições como a OMC passariam por período de enfraquecimento abrupto no mundo do comércio internacional.

Supresas boas, mas sem consequências maiores

A crise produz números inesperados
A produção industrial da Zona do Euro subiu 1,0% em março, n comparação com o mês anterior. Difícil entender desempenho tão positivo, quando todo o mercado esperava alta inferior a 0,5%. Trata-se da maior alta desde meados de 2011.
Esse número poderia estar sinalizando para uma redução do nível de desemprego na região, mas há que se considerar a elevada ociosidade das instalações industriais de toda a Europa.
As expectativas econômicas da Alemanha mantiveram-se estáveis. O índice ZEW subiu míseros 0,2 pontos no mês de maio, em relação a abril.
Como o crescimento da União Europeia é fortemente influenciado pelo desempenho da economia alemã, não se deve esperar por reversões no quadro econômico europeu, nesses próximos meses.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Revendo fatos recentes

O mundo melhora lentamente
A China volta a agradar os mercados internacionais. Anunciou aumento de suas exportações em 14,7%, nos últimos doze meses, enquanto as importações cresceram em 16,8%.
O CPI também cresceu: 2,4%, nos últimos 12 meses.
Bernanke começa a pensar na desmobilização do programa de incentivos à recuperação norte-americana. Já há quem pense que o mercado imobiliário e o nível menor de desemprego possam aliviar o esforço monetário do Fed. Portanto, a palavra de ordem do Banco Central do país é ampliar a regulação bancária dando maior segurança ao sistema financeiro.
Ruim mesmo está a Zona do Euro. Previsão do FMI apontou para o menor crescimento da região. As vendas do varejo encolheram: menos 0,3% em relação ao mês anterior. O PMI composto ficou estável na casa do 46,9%.
Em síntese, o mundo vai melhorando, devagar.

Inflação: Commodities atenuam risco

A desaceleração da economia mundial e a apreciação do dólar reduzem o espaço para alta nos preços de commodities.
Texto de Roberto Padovani, economista chefe da Vorotantim Corretora
O comportamento da inflação ao longo dos próximos meses depende, em grande medida, dos preços de commodities em reais. Neste caso, um cenário de baixo crescimento global e relativo fortalecimento do dólar pode fazer com que os preços internacionais reduzam o risco inflacionário local, tanto por sua influência direta sobre os índices quanto pelos impactos indiretos sobre inércia e expectativas.
O menor ritmo de crescimento global, em particular na China, pode explicar a tendência de queda de preços de commodities observada nos últimos dois anos. Mas além das condições de oferta e demanda, há um componente financeiro nas commodities, que temos mensurado por meio da oscilação do dólar global.
Nossa avaliação é que o aumento da produtividade nos Estados Unidos e a recuperação do mercado imobiliário mais que compensem o ajuste fiscal, produzindo impactos favoráveis sobre a taxa de desemprego e fazendo com que o diferencial de crescimento atraia fluxos de capitais para os Estados Unidos, fortalecendo a moeda. Da mesma forma, a retomada econômica sugere que as taxas de juros de longo prazo possam se elevar, fazendo com que o diferencial de juros também favoreça a moeda norte-americana. Este cenário tende a ser mais claro a partir de 2014, à medida que a redução do desemprego se aproxime dos limites definidos pelo Federal Reserve.
Deste modo, em um cenário de relativa estabilidade do crescimento no mundo, a continuidade do fortalecimento do dólar reduz as chances de um ciclo de alta de preços de commodities. Contribui com este cenário de menor pressão inflacionária o fato de vermos espaço para apreciação da moeda brasileira. Por um lado, o comportamento das commodities e a força do dólar são fatores que sugerem depreciação do real. Mas estes fatores podem ser mais que compensados por menores riscos globais, elevada liquidez internacional e redução do risco associado à economia brasileira, em função principalmente da retomada econômica.
De fato, como a economia brasileira depende em grande medida de poupança externa para financiar o crescimento local, a volta do crescimento implica tanto alguma deterioração em conta corrente quanto aumento dos fluxos de capitais, que tradicionalmente acompanham os ciclos econômicos. Neste caso, o aumento das reservas internacionais ancora as expectativas em relação a um câmbio apreciado.
Tudo considerado, a combinação de preços de commodities em queda com apreciação cambial implica menor pressão inflacionária ao longo deste ano, dando ao Banco Central tempo para monitorar o comportamento da atividade econômica e realinhar a taxa de juros de modo cauteloso.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Área do Euro é uma incógnita

Sobre a área do Euro existem divergências
A Comissão Europeia, como foi dito em postagem anterior, procedeu à revisão do crescimento da região para 2013, reduzindo a previsão anterior em -0,1%. Provavelmente, essa redução deva ter levado muito em conta, a perda de dinamismo da economia alemã, cujo indicador de Gerentes de Compras – o PMI composto-, regrediu de 50,6 pontos do mês anterior, para 49,2 pontos em abril.
As vendas no varejo na região, com ligeira queda no mês de março, também deve ter contribuído para a redução das expectativas de crescimento para a área.
Por outro lado, a alta modesta do índice dos gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro, que reúne dados do setor industrial e de serviços, trouxe otimismo à parte do mercado. Mereceu destaque o desempenho francês, com o indicador atingindo o maior nível em quatro meses. O salto foi de 41,9 para 44,3 pontos.
Alguns analistas enxergam nesses dois movimentos positivos indícios de uma recuperação do PIB na zona do euro, a ocorrer ainda no primeiro semestre desse ano.
Como se vê a Europa é um mistério que divide os analistas. Mas, mesmo que não haja um claro consenso sobre o futuro das economias desse bloco, o fato é que estamos diante de fortes avanços institucionais, alcançados recentemente, e que podem dar impulso a economia de toda a região. O cenário político ganhou contornos mais nítidos, enquanto o cenário econômico espera pela reação do nível de atividade na Alemanha.

Mercado de Trabalho Deve Reaquecer

Depois de números mais fracos,
o mercado de trabalho deve
reaquecer e favorecer o crescimento,
mantendo em alta  as preocupações
com inflação e competitividade.
O texto é de Roberto Padovani, Economista Chefe da Votorantim Corretora.
“A queda quase contínua da taxa de desemprego ao longo dos últimos anos tem gerado a impressão que o mercado de trabalho não acompanha o ciclo econômico, mantendo-se relativamente aquecido.
No entanto, quando se avalia o comportamento da taxa de desemprego em relação a uma tendência histórica, fica mais claro o relativo desaquecimento do mercado. Tradicionalmente, a diferença entre o desemprego e seu nível de longo prazo (hiato de trabalho) acompanha o hiato de crescimento e seu potencial (hiato de produto). Esta relação vale para o caso brasileiro: quando a economia está aquecida, a taxa de desemprego fica abaixo de sua tendência de longo prazo, ficando acima deste patamar em momentos de desaceleração.
De fato, o mercado de trabalho passou a esfriar a partir do segundo semestre de 2011. Embora as condições de renda sofram influência de outras variáveis, como salário mínimo e inflação, o esfriamento tem sido percebido pelo menor ritmo de criação de vagas e formalização do emprego. É verdade, no entanto, que o mercado de trabalho vem respondendo menos intensamente ao ciclo econômico. Esta oscilação mais suave pode ser explicada (a) pela maior formalização do trabalho, que eleva os custos de demissão; (b) pelas condições demográficas mais restritivas, que geram menor oferta de mão-de-obra; e (c) pela percepção de que a economia brasileira opera ciclicamente, incentivando ajustes temporários.
Com isso, é provável que os empresários tenham sido estimulados a preservar o emprego durante o ciclo de baixa, o que faz com que não haja contratações relevantes na volta da economia. Em parte, os movimentos cíclicos têm sido amortecidos por maiores variações nas horas trabalhadas, evitando ajustes bruscos no nível de emprego.
A partir de agora, no entanto, o mercado de trabalho pode voltar a reaquecer. Sem choques externos e com estímulos de política econômica, a economia brasileira deve mostrar recuperação, conduzindo a um aumento da ocupação. Mesmo longe da exuberância recente, os últimos 2 trimestres já mostram sinais de algum reaquecimento. O aumento da população ocupada, por sua vez, não deve ser compensado por uma maior oferta de trabalho, o que poderia elevar o desemprego. Apesar de a recuperação econômica estimular a procura por emprego, o menor ritmo de crescimento populacional limita a oferta de trabalhadores.
Como resultado, a inflação de serviços e os custos de mão de obra podem manter-se pressionados. Seria necessária uma desaceleração substancialmente forte no mercado de trabalho para se ter algum alívio relevante nas pressões inflacionárias e nos custos de produção, o que parece pouco provável do ponto de vista dos custos sociais e políticos.

Hora da virada?

Seis aberturas de capital captaram
mais dinheiro em quatro meses
do que todos os lançamentos
de 2011 e 2012 juntos.
Por Cláudio GRADILONE
"Nos quatro primeiros meses do ano, seis empresas realizaram aberturas de capital, conhecidas pelo nome inglês Initial Public Offering (IPO), e venderam R$ 13, 2 bilhões em ações já existentes ou recém-emitidas para pelo menos nove mil investidores. Essa captação superou as de 2011 e de 2012 somadas.
Confirmando-se a abertura de capital da Votorantim Cimentos, anunciada no dia 17 de abril e que poderá atrair mais de R$ 10 bilhões, os resultados passarão a estimativa da bolsa, de R$ 20 bilhões em IPOs neste ano.
No caso do IPO da Smiles, a principal delas foi a atuação do fundo de private equity General Atlantic, que adquiriu R$ 400 milhões, respondendo por 40% do total captado logo na saída."

domingo, 5 de maio de 2013

Sem crescimento

A difícil recuperação brasileira
A produção industrial apresentou-se em expansão de 0,7% no mês de março, comparada ao mês anterior. A expansão foi extremamente modesta e já faz crer em PIB, para 2013, menor que os 3,0%. As concessões não andam. Estão paradas na discussão sobre os retornos desses investimentos para os concessionários.
Quanto à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe avançou 0,28% em abril, o que significa que nos 4 meses de  2013 o indicador acumulou alta de 1,47%. Considerado os últimos 12 meses, o indicador está em 5,37%.
A inflação cresce mais lentamente e a produção industrial decresce, mais rapidamente.
Para quem vê nas exportações uma vertente para estimular o crescimento industrial, lembramos que a Comissão Europeia acaba de revisar sua projeção para o PIB da região, nesse ano. A previsão aponta para -0,4 %, contra os -0,3% da previsão passada.
Os quadros europeu e norte-americano estão confirmando a previsão do FMI de menor crescimento mundial, em 2013. O Brasil parece estar acompanhando essa tendência e seu ambiente institucional agravou-se ainda mais com a disputa entre o Congresso nacional e o STF.

Volatilidade irracional

Tudo são expectativas
Dos Estados Unidos chegaram notícias boas e ruins. Mas, as perspectivas de ganhos com as boas notícias ofuscaram as possibilidades de perdas, com as notícias ruins. Trata-se do velho problema da racionalidade limitada dos agentes econômicos.
É verdade que:
1)- o nível de desemprego recuou para 7,5%, no mês de abril. Há, de fato, um crescimento, ainda que modesto, na procura por mão de obra, alimentado artificialmente pelo programa de estímulos patrocinado pelo Fed.
2)- a criação de vagas de trabalho também apresentou, em abril, um comportamento superior às previsões mais otimistas do mercado, com a criação de 165 mil empregos, segundo o Departamento do Trabalho norte-americano.
Mas também é verdade que:
3)- as encomendas feitas à indústria do país apresentaram um recuo preocupante, de 4,0%, no mês de março. Essa queda de encomendas pode comprometer o desempenho do mercado de trabalho, já no próximo mês. Os estoques tendem a subir, pressionando as margens das operações industriais e reduzindo a oferta de empregos.
4)- o ISM de serviços também apresentou recuo em abril. Dessa vez, a queda em relação ao mês anterior foi de 1,3 pontos. É de se imaginar que os efeitos dessas duas quedas se somem, produzindo um efeito recessivo mais amplo no próximo período.
As bolsas no ocidente, inclusive a brasileira, comemoraram os resultados do desemprego com altas expressivas, desconsiderando os demais fatos, que talvez fossem mais relevantes para o curto e médio prazos.
Assim são as volatilidades. Movidas pela racionalidade limitada e por assimetrias informacionais, realizam ganhos e perdas como forma de promover e punir as ambições humanas.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Preocupações crescentes

O problema é maior e exige
um plano mais amplo.
O dólar apresentou alta de 0,45% na sessão de ontem e fechou cotado a R$2,01. A alta corresponde ao aumento da procura da moeda norte-americana e pode expressar a redução da confiança do investidor na economia nacional.
O Ibovespa recuou 1,05%, encerrando o dia aos 55.321 pontos. O volume negociado na bolsa atingiu os R$ 8,04 bilhões, número é alto e também incomoda, se a hipótese anterior for comprovada.
O IPC-S teve alta de 0,52% em abril. Em março, a alta alcançou 0,72%. O recuo é expressivo e sinaliza para nova redução do consumo.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou os resultados da balança comercial brasileira. Os dados mostram um novo déficit no mês de abril, equivalente a US$ 994 milhões. Já se fala em problemas futuros para nossas transações com o exterior. De janeiro a abril, a balança apresenta déficit de US$ 6,1 bilhões. As exportações nesse período somaram U$ 71,4 e as importações, US$ 77,6.
A deterioração dos preços e das quantidades exportadas das commodities pode explicar mais fortemente esse resultado. A redução do crescimento no mundo reduz a demanda pelos produtos nacionais, enquanto os custos da produção brasileira promovem a substituição de nossos produtos pelos da concorrência, inclusive em mercados tradicionais de nossas exportações.
Realmente, há motivos para as preocupações com os resultados do comércio internacional do país.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Inutilidade econômica

Economia não reage às medidas governamentais
Janeiro até que foi bom. A partir do segundo mês do trimestre, as coisas começaram a deteriorar:
  1. Os dados de varejo mostraram queda também. No mês de fevereiro a queda foi de 0,4%.
  2. A produção industrial caiu 2,5%. A grande maioria dos setores estudados apresentou queda. O enfraquecimento da indústria foi, portanto, generalizado.
  3. O IBC-Br apresentou contração de 0,5%, em fevereiro.
  4. A criação de vagas de trabalho com carteiras assinadas é cada vez menor. Nos três últimos meses, os números estão em queda.
  5. O PMI desacelera.
As medidas governamentais são ineficazes. As privatizações andam lentamente. O quadro institucional se deteriora dia a dia. Congresso e Supremos aumentam as incertezas jurídicas. Um país com instituições extemporâneas fracassa, no mundo moderno
As esperanças para 2013 são, a cada dia que passa, menores.

OSUSP em noite de gala

É para não perder
Sábado,  11 de maio, na sala São Paulo, a exbição dd grandes clássicos, pelo virtuosismo da OSUSP

Inflação, crescimento e juros são problemas eternos.

Crescimento orienta Banco Central
Apesar de a inflação ter sido o gatilho para o início do ciclo de alta de juros, o crescimento deve continuar definindo a cautela na condução da política monetária.
Colaboração preciosa de Roberto Padovani – Economista Chefe da Votrorantim Corretora a esse blog.
Apesar dos ruídos em torno da condução da política monetária, nossa leitura da ata da última reunião do Copom reforçou um cenário em que o Banco Central continua sendo cauteloso, retirando os incentivos de política de modo gradual.
Por um lado, a urgência do realinhamento da taxa de juros pode ter sido estimulada pela ampla visibilidade política que a inflação gerou. A lógica política pode ter atuado no sentido de antecipar o ciclo de ajuste, contribuindo para ancorar as expectativas e contrariando a tese de que constrangimentos políticos poderiam postergar o processo de ajuste da taxa de juros.
Mas apesar de a inflação preocupar, com o IPCA acima do limite superior da meta, nossa avaliação é que os dados de crescimento devem continuar pautando a política monetária. Isto porque a política monetária opera em um ambiente complexo e atípico. Mesmo com os juros abaixo do nível de longo prazo, a economia está abaixo do potencial e a inflação acima da meta. O desempenho da inflação, na verdade, se deve em grande parte a uma combinação de limitações de oferta de mão-de-obra (inflação de serviços) com choques de oferta, dados pelas altas de câmbio e commodities (inflação de alimentos).
Neste ambiente, o recuo da inflação mensal pode fazer com que o BC se volte aos dados de crescimento, a exemplo de sua atuação ao longo do segundo semestre de 2012. Em nosso cenário, a inflação mensal pode mostrar recuo com a retirada dos efeitos dos choques de oferta: o IPCA acumulado em 12 meses deverá permanecer em patamar elevado até agosto deste ano, oscilando próximo a 6,3% até agosto, quando pode passar a recuar e alcançar 5,5%.
Com algum alivio inflacionário, a estratégia do BC deverá seguir o padrão dos últimos anos: a taxa de juros tende a se ajustar em relação ao patamar neutro à medida que o crescimento se ajusta ao produto potencial. Além disso, o BC pode seguir uma recomendação tradicional: em ambiente de incertezas elevadas, a gestão de política deve ser cautelosa e fazer menos que a escolha ótima. No caso atual, informações ainda precárias em torno do crescimento devem conduzir a movimentos suaves na retirada dos incentivos de política.
Mas apesar de o BC poder ser cauteloso no ritmo de ajuste da política, faz sentido que o ciclo seja aquele em que a taxa de juros alcance seu nível de longo prazo. Ainda que haja dúvidas em relação ao ritmo, a dinâmica de crescimento deve ser favorável, com a política fiscal contribuindo para o PIB alcançar o seu nível potencial ao final deste ano.
Nossa estimativa é que a taxa de 8,50% pode ser compatível com a tendência histórica de queda dos juros no País, fazendo com que o crescimento se aproxime do produto potencial e faça a inflação convergir para a média de 5,5%, registrada nos últimos anos.