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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Focus perde o foco

Ao invés de prever, o Focus apenas
se ajusta à economia
Precocemente a economia começa a reagir. A pesquisa Focus, do Banco Central, revisa sua expectativa de crescimento do PIB nacional e pronto, estamos conversados.
Agora, já fala em crescimento de 3,30% em 2012 e 4,20% para 2013. Para a inflação, prevê o IPCA dentro da meta: 5,29. Na realidade, a inflação começou o ano bem baixa.
Em relação ao câmbio, a previsão é que o real estará valendo, no final de 2012, US$ 1,75. A pesquisa ainda imagina que o câmbio será mantido no mesmo valor em 2013. Face aos últimos dias fica difícil imaginar essa situação.
O relatório Focus parece coletar opiniões que ao invés de prever, vão se ajustando às mudanças, sem antecipar-se aos fatos. Veja mais esse exemplo: para a taxa Selic, em 2012, sua previsão é de 9,5%.
Melhor será entender esse trabalho do Banco Central como um indicador psicológico do humor empresarial, nunca como elemento para construção de cenários futuros.

Destruindo poupanças individuais

O traiçoeiro mercado de capitais brasileiro
O noticiário econômico do final de semana deu conta de um percentual baixíssimo de pessoas físicas na bolsa de valores brasileira. Assustadas com as sucessivas quedas e com o prolongado período de baixos preços, as pessoas físicas realizaram seus prejuízos e optaram pela renda fixa.
O Ibovespa, só em janeiro, subiu mais de 14%. E tudo graças à temporada de dados positivos apresentados pelos Estados Unidos.
Na sexta-feira, o dólar acumulava queda próxima a 8 %, quando o Banco Central resolveu intervir no mercado. Era a entrada de moeda estrangeira na BM&FBovespa, como a muito tempo não se via. A bolsa de São Paulo fechou o dia aos 65.217 pontos. No mercado futuro de juros, o mercado continuou apostando na queda da Selic.
Faz pena ver os ganhos migrarem para os investidores institucionais, sem deixar benefícios às benefícios pessoas físicas que acreditaram no mercado de renda variável.
E, pior, assistimos a mais uma triste experiência na tentativa de formarmos um mercado de capitais pujante, que pudesse financiar o desenvolvimento nacional. A demanda, antes da oferta, comanda esse jogo cruel, sediado pela BM&FBovespa, que distroi as poupanças individuais.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Bússola econômica

O mundo vem em ondas
O evento mais esperado para a semana que começa amanhã é o desfecho das negociações sobre a dívida grega. Um resultado positivo traria um grande conforto a países como Portugal, Espanha e Itália. Se, entretanto, a Grécia não conseguir fechar o acordo, Portugal vira a bola da vez e, provavelmente, dará inicio ao efeito dominó sobre toda a Zona do Euro. A bancarrota se disseminaria pelo mundo, com efeitos imprevisíveis.
São esperadas ainda, nessa região, novas decisões no âmbito da política monetária, cujas medidas já estão sendo discutidas e, de certa forma, antecipadas.
Nos Estados Unidos, o clima é de festa. Foi uma safra e tanto de boas notícias, na semana passada. Embora não haja indicadores a serem anunciados para os próximos dias, fiquem de olho em eventuais iniciativas do presidente Obama. Ele é mestre na criação de fatos novos e as recentes perspectivas econômicas podem conduzi-lo à reeleição. Há duas semanas, deixou os problemas do Irã no colo dos líderes europeus, poupando-se de novos confrontos internacionais. A evolução desse conflito pode ter repercussões sobre o preço do petróleo e, portanto, o mundo das commodities pode complicar-se, dando origem a pressões inflacionárias mundo afora.
Particularmente, esse assunto consulta aos interesses chineses, grandes importadores de petróleo. A China apresentará dados sobre o comportamento dos preços internos. Todos gostariam de ver dados indicando a queda da inflação. Aliás, isso está sendo esperado em função da retração dos preços dos alimentos. A China, com inflação mais baixa poderia expandir sua economia em ritmo mais forte, aumentando suas importações e dando sustentação aos esforços de recuperação mundial. Petróleo em alta impulsionaria a inflação chinesa e destruiria a alternativa de crescimento por meio da Ásia.
No Brasil, teremos notícias e indicadores por todos os lados: Sondagem de Serviços, da FGV, para o mês de janeiro, Pesquisa Semanal do Banco Central (Focus) e o resultado da Balança Comercial, com os dados definitivos do MDICtambém para o mês de janeiro.
São esperados ainda dados de produção da indústria automobilística e os indicadores de confiança de serviços e comércio, referentes ao primeiro mês do ano. Por fim, deve ser anunciado o IPCA de janeiro. De um modo geral, as expectativas sobre a economia nacional são bastante positivas e devem dar conta de um bom nível de atividade econômica, com baixa inflação. Contudo, nada disso despreocupará as autoridades monetárias brasileiras. Elas sabem que inflação e crescimento costumam andar de mãos dadas. Se o crescimento reaparece, a inflação recrudesce.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O comércio com a China

O comércio com a China precisa ser repensado
Analisados os 10 principais produtos importados e exportados pelo Brasil observa-se que a China exporta produtos de valor agregado elevado, enquanto as exportações brasileiras são marcadas por commodities.


As transações mostram uma deterioração dos termos brasileiros de trocas. Por outro lado, os produtos chineses exportados ao Brasil, conseguiram aumentar seus preços de forma substancial a partir do final de 2007.
Esse fato surpreende em função da crise econômica mundial e da retração do consumo. Também surpreende pelo fato do real ter atravessado por uma fase de forte valorização em relação ao dólar, o que deveria ter inibido essas importações.
Por outro lado, esse dado evidencia o vigor do mercado brasileiro, que, em plena crise e com sua moeda valorizada, foi capaz de absorver os aumentos de preços e importar produtos com maior grau de sofisticação. Isso agrava ainda mais a deterioração dos termos de troca.
Dados do MDCI mostram que o quilo dos bens de consumo não duráveis aumentou de US$ 6,33, calculado para o período de janeiro a julho de 2008, para US$ 7,44 nos primeiros sete meses de 2009. Os bens de consumo duráveis aumentaram, nessa mesma base de comparação, de US$ 4,46 para 4,60.

A moeda continuará forte

Real: moeda forte, líquida e estável
A inflação de volta ao centro da meta, a política fiscal torna os gastos mais restritivos, a taxa básica de juros em queda, a demanda interna em nova ascensão e a recuperação dos ganhos das famílias, tudo isso, ao mesmo tempo, anima investidores estrangeiros e reduz a aversão ao risco-País.
O saldo de capitais estangeiros na Bovespa bate um novo recorde. Atinge R$7,2 bilhões, em janeiro.
Não há dólar que nos resista. É para baixo que ele vai.
O Boletim da BM&FBovespa registrou que o movimento dos investidores estrangeiros atingiu R$ 52,818 bilhões, em compras, e R$ 45,650 bilhões, em vendas.
Esse movimento dos capitais internacionais promoveu alta do Ibovespa de 11,13% no mês de janeiro, fazneod o Ibovepa superar os 65 mil pontos.
O Banco Central terá que agir, mas não será o suficiente. Câmbio flutuante expõe o país às flutuações mais fortes. Que tal pensar como os suíços e estabelecer um piso mínimo para a desvalorização do dólar? Ou, que tal abrir um programa de modernização industrial baseado em importações massivas? Assim é que não pode ficar, porque a desindustrialização trará desemprego, ameaçando a renda, o crescimento e as contas internacionais.

Sólido, líquido ou gasoso?

Os Estados Unidos foram destaque
dessa semana
Os Estados Unidos trouxeram novas esperanças a sua população e à população do mundo. O Departamento do Trabalho divulgou o esperado relatório de emprego de janeiro, apontando a criação de 243 mil postos de trabalho na economia. Foi uma surpresa até para os analistas mais experientes. Empolgante ainda foi o registro do relatório de que a taxa de desemprego caiu para 8,3%, melhor resultado apresentado pelo mercado de trabalho desde fevereiro de 2009.
Para completar, os ganhos médios por hora trabalhada subiram US$ 0,04, para US$ 23,29.
O índice de atividade do setor de serviços cresceu para 56,8 pontos em janeiro. Em dezembro, estava em 53 pontos. As encomendas feitas à indústria norte-americana no mês de dezembro também subiram. Foi uma segunda alta mensal consecutiva. Dessa vez, de 1,1% em relação ao mês anterior.
Ouvi vários colegas economista.
A primeira metade acha que o estado da recuperação norte-americana é sólido. A segunda metade teme que os resultados não sejam sustentados ao longo do ano e que, portanto, possam se liquefazer. A “terceira” metade (isso é possível em economia) acha o estado da recuperação ainda muito gasoso e fluido. Entende que tudo possa se desfazer. Pessoalmente, estou começando a sair da segunda metade e caminhando em direção à primeira.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Ruim lá, ruim aqui

Varejo em queda no Brasil também
Agora é a Serasa Experian quem diz:  atividade do comércio caiu 1,6% na margem, em janeiro. Era de se esperar. Janeiro é tradicionalmente um mês fraco para o comércio no país. Em dezembro, a atividade varejista havia apresentado alta de 2,2%.
Quem atrapalhou o melhor desempenho de janeiro foi queda  de 2,9% nas vendas de veículos .
Tudo dentro do esperado, tendo em conta que a reaceleração do consumo passará por novos ganhos da renda das famílias, provenientes do aumento do mínimo e de reajustes que devem se suceder até março/abril, principalmente.

Notícia ruim

Zona do Euro emsaia aprofundamento
de sua recessão
A notícia é da Eurostat (escritório de estatística da região). As vendas no varejo da Zona do Euro  apresentaram em dezembro, mais um resultado negativo na margem. O comércio caiu  0,4% em relação ao mês anterior.
O varejo é um excelente termômetro para o consumo das famílias. O comportamento do mês de dezembro, tão abaixo do esperado pelos especialistas, joga um balde de água fria nas expectativas de recuperação da região, sobretudo porque se refere ao mês das festas natalinas, tradicionaolmente um período bastante ativo do comércio varejista em todo mundo.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Só para complementar as informações sobre a Europa

No Brasil, a indústria parece reverter sua tendência mais recente
O índice gerente de setor industrial alemão cresceu expressivamente em janeiro. Atingiu os 51 pontos, saindo dos 48,4 pontos de dezembro.
Considerada toda a Zona do Euro o mesmo índice (PMI, do qual falamos essa manhã para a China) também registrou alta em janeiro. Saiu de 46,9 em dezembro para 48,8 pontos em janeiro desse ano. Continua, entretanto abaixo do50 pontos que divide a recessão para a expansão do setor de manufaturas.
Na contramão desses movimentos, a França apresentou seu PMI em queda de 49,9 pontos no mês de dezembro para para 48,5 em janeiro.
No Brasil, esse mesmo indicador subiu para 50,6 pontos em janeiro. Em dezembro, o índice registrava 49,1 pontos.
Há dois fatos a comemorar nessa última notícia:
• pela primeira vez, desde maio, o indicador ultrapassou a barreira dos 50 pontos. Isso quer dizer que a indústria nacional voltou a crescer.
• rompeu-se com uma série de 8 meses recessivos nesse indicador.
As medidas macroprudenciais dão sinais de reversão mais claros.

Volta ao mundo, na manhã dessa quarta-feira

Um giro rápido pela Ásia, Europa
e Estados Unidos
A atividade industrial na China parece recuperar-se lentamente. Expandiu-se de 50,3 pontos em dezembro de 2011 para 50,5 pontos em janeiro de 2012. O anúncio na verdade não enfatiza  o fato de a expansão ter sido muito discreta. Insiste, entretanto, que o indicador apresenta-se em crescimento pelo segundo mês consecutivo. A notícia entusiasmou investidores de todos os continentes.
Na Europa, o PMI da Zona do Euro subiu para 48,8 em janeiro. Embora mantenha-se abaixo dos 50 pontos, marcando as condições recessivas da economia da região, é também a segunda  vez consecutiva que o índice está em alta.
Ainda na Zona do Euro, o primeiro ministro da Grécia, Lucas Papademus, declarou que espera concluir as negociações com os credores internacionais ainda nessa semana. Já se fala em um deságio de 70% sobre os valores de face. Acreditem ou não, essa notícia, mesmo com o deságio anunciado, é tomada como muito boa.
Tão boa é essa notícia que o rendimento dos títulos públicos, de dez anos, do governo português caiu 0,64%, antes  da abertura do leilão que iria vendê-los. Portugal quer que o mercado absorva 1,5 bilhão de euros. Não faltam oportunistas nesse mercado. Os países endividados estão se beneficiando do otimismo que tomou conta de todo ambiente europeu desde o instante em que quase a totalidade dos líderes da União Europeia  aprofundou o acordo sobre o novo pacto fiscal.
Nos Estados Unidos, a festa dos indicadores foi interrompida pelo anúncio do recuo do  índice de confiança do consumidor norte-americano, medido pelo Conference Board. A queda foi significativa no mês de janeiro. O índice veio para 61,1 pontos dos 68,0 registrados em dezembro do ano passado. Também ontem foi anunciado o índice da S&P que afere preços de imóveis. Caiu 1,35% de outubro para novembro. Comparado a novembro de 2010, a queda esteve próxima aos 3,5%. Parece que o climna eleitoral não tem ajudado muito o país a recuperar-se.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

De volta pro meu aconchego

Os acertos da política econômica trazem de volta os capitais estrangeiros para a Bovespa
Não se trata de nada além das medidas acertadas que o governo federal tem tomado no plano econômico. Controle da inflação, redução da taxas básicas de juros, reduções na tributação das operações financeiras, envolvendo renda variável e derivativos, tudo isso trouxe de volta os capitais internacionais para a Bovespa.
Nesse ano, o saldo positivo dos capitais estrangeiros na Bovespa já alcançou R$ 6,2 bilhões de reais.
Sem a sustentação desses recursos a bolsa tende a cair cerca de 20%. São capitais que nos chegam pelas mãos de grandes fundos de ações e que aportam por aqui, atraídos pelas boas oportunidades de ganhos oferecidas pelo mercado nacional.
Sem dúvida, as companhias de capital aberto têm apresentado uma performance bastante superior a de outras bolsas, sobretudo pela valorização das commodities agrícolas e metálicas.

Plano Verão ou Fundo Verão?

Rumores para o verão europeu
O Financial Times, em sua versão alemã, anunciou que o Fundo de resgate do euro pode alcançar a cifra de € 1,5 trilhões, por meio da soma das contribuições de instituições de socorro financeiro.
O FMI e a Comissão Europeia estariam propondo, segundo informa o jornal, conjunção dos recursos do FEEF, o MEE e o fundo de € 500 bilhões do FMI. No total, o fundo de resgate do euro alcançaria, em números redondos, algo como € 1,5 trilhões, suficientes, segundo as estimativa, para dar cabo à crise das dívidas soberanas nacionais.
Tudo teria sido discutido, no mais alto nível, durante a recém concluída jornada de Davos, no último final de semana.
Christine Lagarde, Mario Draghi e os ministros das Finanças da França, Alemanha e dos Estados Unidos concordaram em um mecanismo único, envolvendo o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, o Mecanismo de Estabilidade Europeu e o fundo de € 500 bilhões do FMI, criando o novo fundo que iniciaria sua operação já em março desse ano.
Espanha, Portugal e Itália poderiam com isso sair da “linha de fogo” dos mercados financeiros. Os custos da rolagem de suas dívidas apresentam custos insuportáveis, que estão agravando as possibilidades de seus respectivos defaults.
Trata-se de uma avanço definitivo na solução do problema europeu. Resta, contudo, saber se esse é realmente o fundo do poço.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

USA está crescendo?

Dúvidas precisam de tempo para serem afastadas. Ou confimadas.
As últimas notícias sobre o PIB norte-americano fizeram com que as atenções do mercado voltassem a olhar com maior interesse outros indicadores que pudessem confirmar, ou não, a atual recuperação da economia daquele país.
Nessa altura, a indústria, como criadora mais relevante de empregos, passa a ser acompanhada de perto. Seu desempenho pode determinar o ritmo da recuperação e, portanto, será necessário acompanhar sua produção, seus níveis de estocagem, suas contratações e suas vendas.

Outras notícias são relevantes para o desempenho industrial. Entre as mais esperadas estão as que dizem respeito aos comportamentos referentes ao consumo das famílias, às variações da renda real e às variações de estoques no atacado do país.

Vamos aguardar para concluirmos com maior acuracidade se podemos contar com os Estados Unidos ou se vamos continuar apensados exclusivamente à China.

A semana fechou de fria para mrna

Mercados sem entusiasmos
O PIB norte-americano cresceu apenas 2,8% no quarto trimestre de 2011. Os analistas esperavam por um crescimento pouco acima dos 3,0%.
Curioso notar que  o índice de confiança do consumidor superou as expectativas.
Mas, de  fato, a lógica dos mercados opera com dados reais da economia e, por isso, ficaram no vermelho, na sexta-feira última. Estados Unidos, Europa, Ásia e Brasil apresentaram pregões sem maiores ânimos. Para ampliar as incertezas, as negociações da reestruturação da dívida grega  não haviam sido concluídas. Por outro lado, a Itália conseguiu vender 11 bilhões de euros em títulos de curto prazo.

Leão tem mais fome.

Não será por falta de apeteite do leão
A arrecadação federal atingiu a cifra de R$ 969,907 bilhões em2011. O volume é R$ 143 bilhões maior que em relação ao verificado em 2010. Percentualmente, esse volume significa uma expansão real da arrecadação de aproximadamente 10%. Foi frustrante para nossas autoridades tributárias que esperavam um crescimento de 11,5%.
As autoridades monetárias deveriam pensar que esse volume representa uma porcentagem assustadora sobre o PIB nacional e que subtrai competitividade à produção nacional.
O Banco Central divulgou os últimos dados sobre a expansão do crédito em 2011:
a)  O volume total de crédito no sistema financeiro cresceu 19% em 2011. Esse crescimento faz parate da política expansionista do governo federal.
b)  Agora o saldo dos empréstimos somam R$ 2,0 trilhões, com juro médio de 37,1% no crédito livre. Essa taxa média pede novas reduções.
c)    Isso corresponde a 49,1% do PIB, em dezembro. Estamos chegando próximos ao limite e quem dirá isso será a inflação e a inadimplência
d)  A inadimplência média está em queda. Nos cálculos do Bacen, ela está em 5,5%, no último mês do ano passado.
e)  A base monetária expandiu-se 17,3% de novembro para dezembro, chegando a R$ 214,235 bilhões. Essa expansão  ultrapassou o desejável e trará impactos sobre os preços.
f)     No acumulado do ano, o crescimento foi de 3,6%, acima do crescimento do PIB.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Davos: um ventilador para espalhar inutilidades

Argumentos genéricos e abstrações teóricas tornam inúteis as argumentações de Davos
A América Latina não pode ignorar os riscos da crise da dívida na Europa e da desaceleração da economia mundial. Foi a conclusão do Fórum Econômico Mundial, em relação a essa região do mundo.
Óbvias e inúteis são as qualificações mais apropriadas aos alertas feitos.
Enrique Iglesias, secretário-geral da Secretaria Geral Ibero-americana colocou sua posição pessoal: "Não sou pessimista com relação à América Latina; sou pessimista com relação ao mundo". E mais adiante, acrescentou com um tom revelador, "As repercussões da crise da dívida na Europa podem chegar de forma direta ou indireta ao Novo Mundo".
Francamente, sua fala não valeu o bilhete aéreo que o levou à Suiça. Para ele, o baixo crescimento e a recessão na zona do euro produzirão "impacto sobre os mercados latinos, pois os europeus comprarão menos, assim como acontecerá com a China, o que impactará a venda de matérias-primas latinas. Definitivamente, Inglesias não estava num dia feliz.
De outro lado, o professor venezuelano Ricardo Haussmann, diretor do Centro para Desenvolvimento Internacional da Harvard Kennedy School, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sugeriu que a região deve diversificar e não especializar-se, como sugere a teoria das vantagens competitivas. “Isso é um erro”, afirmou. Os estados estão ausentes na formulação de políticas públicas para garantir a diversificação da capacidade de produção dos países na América latina. Fechou sua fala pedindo por maior integração dos países da região.
Ficaram muitas questões sobre as afirmações. Diversificar facilita ou dificulta a integração? A complementaridade econômica aumenta ou diminui entre os países? As vantagens competitivas, nesse caso, diferem muito das comparativas? Ou falava-se de um conceito e pensava-se em outro?
Deus, quanta inutilidade!

O que pensa o Banco Central

A opção está feita na última Ata do Copom: combater a inflação é uma questão mais fiscal que monetária
Com a palavra o Banco Central: “a desaceleração da economia brasileira no segundo semestre do ano passado foi maior do que se antecipava...”. E continua: ”eventos recentes indicam postergação de uma solução definitiva para a crise financeira europeia, neste momento, o Copom atribui elevada probabilidade à concretização de um cenário que contempla a taxa Selic se deslocando para patamares de um dígito.”
Quer dizer que além da desaceleração vigorosa pela qual o país atravessou no terceiro trimestre de 2011, o Bacen acredita em preços internacionais em queda, ajudando no combate à inflação interna, além de entender que a oferta e a procura nos setores que mais pressionam a inflação (como alimentos, serviços, construção civil, etc.) estarão voltando ao equilíbrio, erradicando os principais focos de pressão sobre os preços.
Portanto, é de se pensar que o crédito deva realmente estar em expansão, sujeito agora às condições mais restritivas para sua concessão pelos agentes financeiros. Tudo isso quer dizer menos Banco Central no controle dos preços.
Por fim, reforça o recado do ministro Mantega, afirmando que para o alcance das metas inflacionárias, levou em conta “a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais”. Ou seja, o custeio da máquina pública deverá ser reduzido em pelo menos R$ 50 bilhões esse ano, uma vez que estão garantidas, de público, as verbas destinadas aos investimentos previstos, dando cumprimento às metas definidas para o superávit primário de pouco mais de 3,0% no ano em curso.
Significa dizer mais Ministério da Fazenda no enxugamento da liquidez promovida pelo poder central.
É até difícil de acreditar, depois de tantos anos, que a política econômica esteja substituindo a taxa de juros pela redução do custeio da máquina pública, como instrumento de contenção da inflação. Oxalá seja assim mesmo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Inflação e demandas mais fracas

IPC-Fipe apresentou variação positiva,
 mas inferior à tomada da
quadrissemana anterior
O IPC-Fipe da terceira quadrissemana, apresentou variação nos preços de 0,68%.
Na 2ª quadrissemana a variação havia sido de 0,79%. A queda foi, portanto de 0,11%. Na comparação com o mesmo período de 2011, o índice está 0,35% menor.
Passada as festas de final de ano, o índice de preços de alimentação caiu de 1,71% para 1,06% e o de despesas pessoais também cedeu de 1,31% para 0,93%.
Nada que não fosse esperado, sobretudo pelo fraco desempenho da economia nesse início de ano. Mas as pressões sobre os preços devem voltar mais rápido que o esperado. Serviços e alimentação não devem dar trégua nos próximos meses e estarão desafiando a política de redução da Selic que o Banco Central promete manter.

Estados Unidos volta ao consumo

Duas razões a mais para acreditar
na recuperação
Os preços dos imóveis norte-americanos subiram 1,0% no mês de novembro, conforme a Federal Housing Finance Agency . O indicador Housing Price Index aponta a reação nos preços, enquanto outros indicadores mostram que a demanda por imóveis novos e pendentes já haviam avançado no mesmo período.
Em paralelo, o Fed anuncia que vai manter a taxa de juros baixa até 2014 e reafirma que a recuperação do país  continuará lenta, obrigando que a política monetária mantenha os juros baixos por pelo menos  um ano e meio.
Juros baixos estimulam o crédito e o investimento. O crédito começou a se expandir, levando consigo o consumo. Tudo lentamente, como quer o Fed. Os ativos familiares também estão em curso. O mercado de trabalho dá sinais de recuperação, com o setor privado começando a contratar. O índice referente aos gerentes de compras mostra-se em crescimento e a capacidade ociosa começa a ser ocupada. A continuar assim, logo mais as empresas deverão voltar a investir, estimulando novas contratações. Tudo a  aguardar e conferir.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Por essa não se esperava

Alemanha e França aparecem
melhor na foto
Em meio a toda a turbulência europeia, chega a notícia de crescimento do PMI da Zona do Euro. O PMI é um índice que mede as compras dos gerentes das empresas europeias. Nessa metodologia, 50 pontos é o marco divisório entre a expansão e a retração. Abaixo dos 50 pontos o setor estará em retração, acima de 50 pontos, em expansão. 
O índice geral foi para 50,4 pontos e o de serviços para 50,5 pontos. O índice para manufatura, único a indicar retração, ficou em 48,7 pontos. 
A “puxada” é atribuída à Alemanha e à França. Mesmo assim, trata-se de uma surpresa. Ninguém esperava por uma recuperação nas compras. Com o euro desvalorizado, a tendência pode acentuar-se, sobretudo entre as empresas exportadoras, cuja competitividade sofre um estímulo parcial, mas muito relevante.
A Standard&Poors havia reduzido a notação do risco francês na semana passada. Curioso que outros indicadores, como os de contratação de pessoal em nível de gerência, também melhoraram na França, em dezembro. 
A Espanha, essa sim, apresenta-se em dificuldades para alcançar a meta fiscal de 2012. Não só a Espanha, mas países como Itália, Grécia e outros já dão sinais de exaustão. A sociedade começa a se movimentar mais claramente. Mário Monti, primeiro ministro italiano, manifestou-se contra o cumprimento de metas fiscais que subtraiam espaços para, pelo menos, algum crescimento econômico. A convivência com altas taxas de desemprego não é aceita pela população europeia. Não querem pagar o custo de seus descalabros. Preferem deixar a conta para as gerações vindouras. 
Engrossando o coro das vozes dissonantes, o ministro do Orçamento da Espanha, Cristóbal Montoro, pediu à União Europeia uma revisão da meta fiscal fixada para seu país nesse ano. A meta atual para o déficit fiscal é de 4,4% do PIB. A do ano passado, fixada em 6% do PIB, estourou em 2 pontos percentuais, segundo as estimativas correntes. 
Na Grécia, as negociações entre o governo e os credores privados se arrasta lentamente. As expectativas, entretanto, são de que o acordo esteja próximo.
A experiência brasileira poderia servir de exemplo aos europeus. Estimular um processo de consolidação econômica em bancos e outros setores que demandam altos investimentos para sua competitividade, privatizar as estatais ineficientes, rever as funções e papéis dos estados, aperfeiçoando o aparato regulatório e ampliando os poderes das instituições europeias. 
Ironias à parte, a Europa e os Estados Unidos estão conhecendo os sofrimentos impostos aos brasileiros décadas atrás.