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terça-feira, 26 de março de 2013

Mercado assustado

Boatos se multiplicam. A insegurança
toma conta dos investidores
Embora seja uma economia pequena, o Chipre ampliou muito a percepção de risco dos investidores. Teme-se por um eventual contágio que pudesse alcançar o sistema financeiro europeu.
Era mesmo de se espera por um crescimento do risco-país no caso brasileiro. A tabela a seguir mostra a apreciação do dólar em relação ao real e a evolução do risco país.

Data
Comercial
VENDA / VARIAÇÃO %
Risco País
PONTOS
Risco País
VARIAÇÃO
01
1,9830
0,25%
176
3,52%
04
1,9720
-0,55%
176
0%
05
1,9650
-0,35%
170
-3,40%
06
1,9690
0,20%
167
-1,76%
07
1,9608
-0,41%
164
-1,79%
08
1,9470
-0,70%
164
0%
11
1,9570
0,51%
167
1,82%
12
1,9640
0,35%
168
0,59%
13
1,9710
0,35%
171
1,78%
14
1,9750
0,20%
170
-0,58%
15
1,9820
0,35%
173
1,76%
18
1,9890
0,35%
177
2,31%
19
1,9870
-0,10%
188
6,21%
20
1,9900
0,15%
186
-1,06%
21
2,0110
1,05%
191
2,68%
22
2,0110
0%
193
1,04%
25
2,0120
0,05%
190
-1,55%
Entretanto, a saída de dólar tem sido desproporcional ao aumento do risco e, portanto, não pode ser explicado apenas pelo episódio financeiro protagonizado pelo pequeno Chipre.
A fuga capitais estrangeiros tem se intensificado nos últimos dias. Há, sem dúvida, um claro sobressalto provocado deterioração das contas internas. Não se espera mais pela redução do intervencionismo despropositado do governo na economia e em  mercados que deveriam espontaneamente buscar pelos seus patamares de preços. As expectativas sobre o desempenho econômico do país em 2013 foram muito reduzidas e a proximidade das eleições ampliam os receios com o descontrole da inflação. O discurso oficial antagoniza-se com a atividade privada.
Essa insegurança multiplica as especulações e os boatos. Nesse instante o mercado fala, à boca miúda, sobre um eventual agravamento no estado de saúde do ex-presidente Lula e de um possível rebaixamento da nota do crédito soberano do país. Enquanto isso o dólar sobe e os comportamentos nas bolsas seguem desorganizados. O Banco Central, de longe e silente, apenas acompanha os fatos.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Largo espectro

Na crendice popular,
"remédio bom é amargo"
O IPCA-15 de março apresentou alta de 0,49% na comparação com o mês o de fevereiro. Poderíamos iniciar a comemoração pela relativa acomodação no comportamento dos preços: no acumulado dos últimos doze meses o IPCA-15 está abaixo do limite superior da meta do Bacen. Os alimentos permanecem como o grande problema dos formuladores de política econômica, afinal eles se constituem na maior pressão sobre os preços, mantendo-se, nessa medida do IPCA-15, em 1,4%.
Entretanto, a comemoração deve ser cuidadosa, pois remanescem alguns perigos ainda referentes aos preços. Veja que o resultado positivo não dispensará alguma alta na taxa básica de juros, na próxima reunião do Copom. Afinal, o índice de difusão subiu mais uma vez. Em março, o índice de difusão (excluídos alimentos) cresceu para 74,9%, contra 74,4% do mês anterior, apontando para uma generalização ainda maior do movimento de alta dos preços.
Mais que a alta de um ou outro item, o que atemoriza é a forma tão difusa com que a inflação se cronifica na economia nacional. O remédio para isso tem que ser de largo espectro, atingindo também generalizadamente os preços da economia. Afinal, diz a sabedoria popular que remédio bom tem que ser amargo. Será?

quinta-feira, 21 de março de 2013

Ignorando papéis e funções

A Moody’s não considerou a natureza
das organizações de fomento
A agência de classificação de risco Moody's acaba de anunciar sua decisão de rebaixar em dois níveis os ratings do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e de sua subsidiária BNDESPar. No mesmo comunicado, anunciou igual decisão para a Caixa – CEF.
O motivo alegado foi a deterioração do crédito dessas instituições.
Como se sabe o governo federal utilizou-se dessas organizações para apoiar as políticas econômicas de combate à crise global, ampliando a oferta de crédito às empresas e às pessoas físicas de modo geral.
O BNDES e do BNDESPar foram rebaixados de A3 para Baa2, com perspectiva positiva, e seu perfil de risco de crédito individual caiu de baa2 para ba1. Quanto à Caixa, os ratings de depósito de longo prazo em moeda local foram também  rebaixados de A3 para Baa2. Os ratings de dívida senior em moeda estrangeira do BNDES, do BNDESPar e da Caixa foram rebaixados de Baa1 para Baa2, com perspectiva positiva, mesma nota da dívida brasileira.
O que se teme nesses ratings é mais o uso que se faça deles do que eles, de fato, possam estarestejam expressando. É preciso reconhecer os papéis dessas instituições em momentos de crises econômicas ou financeiras. A elas atribuem–se papéis e funções que tenham como objetivo apoiar as atividades econômicas, garantindo, nos períodos de maiores dificuldades, a minimização dos efeitos sobre a sociedade local. E tudo isso precisa ser feito sem que se coloque em risco a estabilidade e a sobrevivência dessas instituições.
Para cumprir suas tarefas, os bancos de fomento utilizam-se de recurso públicos, transferidos a eles pelo Estado e, na maior parte, constituídos de fundos ou de repasses entre agências governamentais, nacionais e internacionais, de fomento e desenvolvimento. Dessa maneira, talvez pudéssemos avaliar melhor essas instituições pelo resultado de seu apoio à sociedade do que apenas por sua saúde financeira. E, para os que estão pensando apenas nos riscos dessas instituições, convém lembrar que, além desses riscos serem muito baixos, essas instituições contam com a presença do estado brasileiro a lhes dar a própria existência.

Ajustes previstos na recuperação dos USA

O Fed entendeu que melhor seria manter os estímulos à economia
O comunicado da reunião de ontem do FOMC foi claro, reafirmando a continuidade da política monetária dos Estados Unidos. A taxa de juros fica onde está, entre 0% e 0,25% ao ano, até pelo menos maio/junho de 2015. O programa de recompra de títulos (papéis lastreados em hipotecas e treasuries), no valor de US$ 85 bilhões ao mês, continua mantido.  Essa liquidez, a juros baixos, é a forma até agora encontrada para dar suporte à recuperação norte-americana, sobretudos para a recente volta do crescimento de sua economia.
O Comitê vê um ritmo apenas moderado no crescimento do país, embora a melhora no mercado de trabalho não tenha passado despercebida. Em outras palavras, o Fed não ignorou os efeitos recessivos das medidas fiscais, aprovadas pelo Senado, e que, segundo as expectativas, vai reduzir 1,5% ponto percentual do crescimento anual do país.
Da fala do Bernanke, após a divulgação do comunicado a propósito dessa questão, ficou também a certeza de que o Fed ajustará o ritmo de suas compras de ativos à medida que a economia venha apresentar novos avanços.
Parece que as autoridades econômicas do país dão a recuperação como certa e que as taxas de juros serão o grande instrumento regulador dos ajustes da inflação e da liquidez do sistema, no período pós-quantitatives easing.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Segura peão.

Contágio
A Europa ainda terá alguns sobressaltos como o que Chipre trouxe nesses últimos dias. As crises mais graves parecem afastadas e isso talvez tenha sido o motivo pelo qual, no pacote definido sexta-feira, a União Europeia tenha inaugurado a prática de socorro com parte de dinheiro público e parte de dinheiro privado.
O tamanho do pacote de ajuda financeira ao Chipre ficou estabelecido em 10 bilhões de euros. Mas, cerca de 5,8 bilhões de euros adicionais deverão ser custeados por imposto de até 9,9% sobre depósitos bancários. A regra para isso é que um percentual de 6,75 venha atingir os depósitos menores que 100 mil euros e que 9,9% venha alcançar os depósitos acima desse valor.
Esse imposto sobre depósitos será insuficiente e, portanto, novas medidas devem ser envolver o setor privado. Entre elas estão o aumento de impostos sobre pessoa jurídica, privatizações e imposição de perdas a detentores de títulos públicos.
A ideia é inovadora e de certa forma parece impor aos capitais privados certa punição pela irresponsabilidade embutida na ganância por ganhos excessivos. Entretanto, é de se pensar que essa punição poderá criar canais de contágio à vida europeia. Afinal, entre credores e financiadores, existem bancos europeus também.

IBC-Br de Janeiro

Sinais de crescimento
O IBC-Br de janeiro apresentou alta de 1,3% em relação ao mês anterior, despertando grande otimismo entre os analistas de mercado. Entre eles, a grande novidade positiva é o crescimento da produção industrial de 2,5% em relação a dezembro. Também merece registro o crescimento das vendas do varejo de 0,6%.
O IBC-Br sugere, dessa vez, uma aceleração do PIB do primeiro trimestre. Entretanto, deve-se considerar que o crescimento de janeiro não deve ser reproduzido nem em fevereiro, nem em março. De qualquer forma, a notícia foi animadora e pode dar ânimo aos investidores nacionais e estrangeiros.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Esperanças são a última a morrer

Brasil também a de crescer
Para hoje é esperado o anúncio do IBC-BR do mês de janeiro. Trata-se de um indicador mensal sobre o comportamento esperado do PIB e que sempre desperta muito o interesse dos analistas da economia nacional.
Ainda na 5ª feira, deu-se a conhecer o crescimento do varejo no primeiro mês do ano. Foi uma surpresa geral. As vendas do comércio restrito cresceram 0,6%, em relação a dezembro de 2012. Esse fato provocou a necessidade da revisão das previsões anteriores sobre o IBC-BR, imaginando seu crescimento mais forte para janeiro.
Essas revisões não me parecem razoáveis, se considerarmos o recuo da atividade agrícola e industrial. Posso estar errando, mas as primeiras informações de fevereiro apontam para uma evolução menos positiva dos fatos. A indústria já apresenta recuo e, na agricultura, os preços cederam de forma significativa.

O mundo nesse final de semana

O sentido dos fatos parece bom
Nos Estados Unidos o índice de preços ao produtor apresentou-se em alta de 0,7% no mês de fevereiro, em relação ao mês anterior. A alta nesses preços pode estar expressando um crescimento na demanda por insumos voltados à produção de bens de consumo.
Por outro lado, os pedidos de auxílio desemprego na semana que se iniciou em 4 de março e se encerrou em 9 de março, recuaram para 322 mil solicitações. No entendimento do Departamento do Trabalho, o recuo foi maior do que a previsão do órgão e surpreendeu positivamente ao mercado. Com isso, a safra de boas notícias nos Estados Unidos continua incentivando investidores e outros agentes econômicos.
A Europa, depois de anunciar indicadores de crescimento e de mercado de trabalho desanimadores, vai encerrar a semana semeando novas esperanças. O leilão de títulos da Espanha, no valor de US$ 1,0 bilhão, foi considerado vitorioso, uma vez que os títulos foram vendidos com remunerações mais baixas que aquelas dos leilões anteriores. Um bom sinal, revelando as melhores expectativas do mercado em relação ao país.
Também já se fala em resultados positivos para a reunião dos líderes europeus, a ser realizada em Bruxelas.
O propósito da reunião seria o de encaminhar soluções para o resgate de Chipre, uma ilha marcada por divisões políticas memoráveis. O ponto alto da reunião será as discussões sobre novos estímulos ao crescimento e ao emprego em toda União Europeia.
Na Ásia, continuam a aumentar as expectativas sobre o crescimento japonês e chinês e sobre a moderação dos preços no mercado imobiliário dos dois maiores países da região.
Enfim, há razões para crer que, no próximo final de semana, o mundo econômico pode estar mais calmo.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Caminhando bem?

Até agora a economia dos EUA
mostra recuperação
O grande temor é o braço de ferro entre os republicanos, no Senado e os Democratas, na Presidência da República.
Tirante isso o panorama econômico é agradável.
As vendas no varejo referente a fevereiro cresceram 1,1%, conforme informações do Departamento de Comércio do país. Foi a maior alta mensal desde setembro de 2012. Coisa para comemorar.
Por outro lado, o Federal Reserve divulgou um déficit orçamentário de  praticamente US$ 204 bilhões, no mês de fevereiro O Tesouro realmente tem servido como um grande agente para a recuperação do país. Mas, enquanto isso, a dívida pública cresce rapidamente.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O beco tem saída?

O governo terá que propor medidas anti-inflacionárias nesses próximos dias
A inadimplência continua a conter a oferta mais extensiva do crédito no país. O mercado de trabalho já não mostra o mesmo vigor e antecipa a redução dos ganhos de renda em 2013. Nada faz crer que o consumo venha a se acelerar.Do lado da oferta, os investimentos ainda são muito tímidos, deixando entrever que março encerre mais um trimestre de baixo crescimento na economia brasileira.
São esperados grandes investimentos nas áreas de infraestrutura, provocado pelo recente processo de privatização, mascarado sobre o nome de concessões.
Conspiram em sentido contrário, arrefecendo os ânimos dos investidores o ambiente institucional de negócios no país. O principal vetor de mudanças é o ideológico, tentando sobrepor o controle estatal às forças de mercado. A livre iniciativa está comprometida e o setor privado passa a viver sobre ameaças vindas dos diversos setores do governo central.
A política monetária oferece um triste espetáculo da tergiversação econômica em nome do populismo político. A inflação não é mais uma ameaça remota. Os juros básicos da economia foram conservados no patamar de 7,25% ao ano e o dólar balança entre 1,95 e 1,96 reais. O parque industrial continua em processo de sucateamento, poupados apenas disso os setores importadores.
As desonerações são claramente insuficientes para deter as pressões inflacionárias. Já não se acredita em 4,5% ao ano como centro da meta. Também o intervalo de 2 pontos para os limites superior e inferior do centro da meta precisa ser encurtado.
O combate à inflação pode por em risco o novo ciclo desenvolvimentista esperado para 2013, provocando um abalo no mercado de trabalho e no prestígio do governo central.
O quadro é triste e aponta para a redução dos fundamentos econômicos. Não tenham dúvida que as agências de avaliação de riscos observam à distância. A continuar nessa toada não será fora de propósito uma redução brasileira nesses rankings e até a perda do grau de investimentos.

terça-feira, 12 de março de 2013

Punir ao invés de reconciliar

O governo precisa mudar sua postura
antes que seja tarde
A presidente quer aumentar as punições através dos Procons.
O Ministro Mantega quer punir os abusos de preços praticados por empresários beneficiados com a da redução do imposto de importação.
O setor de alimentos deve ser punido por não repassar o valor das isenções de impostos referidos a cesta básica.
O presidente do STF entende que os bancos precisam ser punidos em função da lei de lavagem de dinheiro.
Agricultores e pecuarista vivem sob a ameaça de um rol extenso de punições.
A postura é esdrúxula, ineficaz e retrógada. Quando se protege algum setor, o objetivo básico é permitir preços mais altos à indústria nacional. E não mais baixos.
A isenção na cesta básica daria folego ao empresário, com redução de preços ao consumidor. Quando se fala “dar folego”, se quer dizer “permitir lucro”. Lavagem de dinheiro é, fundamentalmente, problema fiscal e não bancário. Por que não se pune a Receita Federal, os órgãos arrecadadores, seus agentes e fiscais? Por que não se pune o ineficiente judiciário que não protege o consumidor.
De fato, a máquina do estado precisa funcionar. Precisa ser desaparelhada e revista em seus processos, estruturas, estratégias e pessoas.
Quer saber? O governo "meteu a mão na cumbuca" do sistema de preços privados. A história econômica recente já demonstrou que o sistema é complexo e que seu melhor administrador é o mercado. Artificialismos aqui, não funcionam. Aliás, o mercado de capitais acaba de mostrar isso à Petrobras.
A única coisa a evitar, nesse momento, é o confronto entre o estado e setor privado. Isso pode ser uma barreira definitiva ao aumento dos investimentos no país. Afinal, o estado estaria rompendo com o seu principal financiador.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Expectativas melhores

Algumas economias reagem.
Outras não.
A economia dos EUA criou 236 mil postos de trabalho em fevereiro. A criação de empregos praticamente dobrou em relação a janeiro. A taxa de desemprego agora está em 7,7%.
Foi uma surpresa geral. Fica posta em dúvida a política republicana de cortes de gastos. Cuidado que, nesse caso, o feitiço pode virar contra o feiticeiro.
A produção industrial da Alemanha continua estável desde dezembro. A expectativa era de uma reação que não se deu no mês de janeiro. A União Europeia é muito sensível ao desempenho da economia alemã. As lideranças francesas continuam apoiando a queda do euro, com a expectativa que isso melhore a competitividade de seus produtos exportados. Esperam ampliar o emprego com esse crescimento. Os alemães, ao contrario, não gostam de ver a moeda enfraquecer-se. Temem pela inflação e sugerem a ampliação da competitividade via ganhos de produtividade. A Espanha apresenta-se ainda pior. O recuo da produção industrial de janeiro foi de 5,0%, na medida interanual.
A China apresentou um inesperado superávit comercial. Algo em torno do US$ 15 bilhões, no mês de fevereiro. Ninguém previa esse resultado, ao contrário, todas as previsões falavam e déficits. O resultado é positivo, mas os analistas querem ver o impacto desse volume de exportações sobre a inflação do país.
No Brasil, o mercado começa a se assustar outra vez, com o Banco Central deixando o dólar cair para R$1,950.  O Bacen conservou a Selic e deixou o real valorizar-se. A indústria treme, com isso.

sexta-feira, 8 de março de 2013

Um espetáculo maravillhoso

Para pessoas de gosto refinado
Imperdível! Como tudo da OSUP. Venha!

Especulações não convencem

Não há enigmas no 
comportamento cambial
Ontem dólar fechou em queda. Especialistas dizem que a mera possibilidade de uma alta na Selic motivaria um aumento no influxo de capitais, nos próximos períodos. A explicação parece não convencer.
Cogitou-se também que a publicação de dados positivos sobre economia norte-americana poderia ter reduzido a percepção de risco dos investidores e, com isso, pressionado a queda do dólar. Também não convenceu. Afinal, se a economia dos Estados Unidos apresenta recuperação sua moeda deveria apresentar cotação mais alta.
Ainda hoje, na edição do jornal Valor Econômico, há uma excelente matéria do jornalista José de Castro e Silva Rosa, mostrando que os bancos iniciaram, em dezembro do ano passado, a ampliação da captação via linhas externas. Aproveitaram, conforme mostra o articulista, “a redução do prazo dos empréstimos, sujeitos à alíquota de 6% do IOF, de dois para um ano” e retomaram, com vigor, suas captações no exterior. Fazem com isso grande liquidez e garantem disponibilidades para fazer frente à expansão prevista de 15% do mercado de crédito, nesse ano. Por outro lado, os dólares captados vão se prestando a atender a demanda interna pela moeda norte-americana nesses tempos de fluxo cambial negativo. O excesso de caixa, em dólares, é levado, segundo o artigo, à arbitragem entre as baixa taxas praticadas no exterior e os juros internos. Há que se lembrar que lá fora a liquidez é excessivas e as taxas são muito competitivas, viabilizando a arbitragem, mesmo com a Selic a 7,25% ao ano.
No caso das quedas na cotação do real ante o dólar, será melhor buscarmos por explicações em variáveis empíricas, relevantes ao fato, que nos apoiar apenas em cogitações e expectativas não confirmadas.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Comodismo ou insegurança decisória

Por uma política monetária
Definitivamente o esforço governamental de reduzir juros e spreads é meritório e não se pode deixar de aplaudir a iniciativa. Igualmente devem ser vistos os esforços de combate à pobreza e de distribuição da renda. A empolgação exagerada nesses esforços, entretanto, desenha um quadro inflacionário novo e perigoso. O aumento de preços deriva de uma demanda que cresceu mais rapidamente que a oferta de bens e produtos. Impulsionaram a demanda a alta dos salários e o apertado mercado de trabalho. Esse diagnóstico parece consensual, tanto que o câmbio tornou-se variável crítica para o controle da inflação.
O governo continuará determinadamente comprometido com a redução das desigualdades sociais e com a inclusão de novos brasileiros pobres na classe C, provocando pressões, que se renovarão ao longo do tempo, sobre nosso sistema de preços. Não há, portanto, como acreditar mais na meta de 4,5% ao ano. O Copom tergiversou e não percebeu que a meta já foi deslocada pelos fatos. Estará, nesse momento, minimamente, 0,5 ponto percentual acima da meta declarada. Isso foi a inspiração para que  a taxa básica de juros permanecesse inalterada, deixando antever sua estabilidade por um período mais longo.
A bem da verdade esse negócio de 4,5% ao ano, com 2 pontos para baixo ou para cima, é uma piada de mau gosto. Se o limite inferior de 2% for pensado seriamente, estaríamos cogitando de problemas das economias desenvolvidas, mergulhadas em problemas de estagnação e desemprego. O Japão, com inflação na casa de 1% e receoso de deflação, sonha elevar a inflação para 2% ao ano. Por outro lado, falar em 6,5% no atual ambiente internacional é admitir o descontrole dos preços. Esse intervalo está excessivamente grande envolvendo polos opostos e muito distantes da realidade econômica atual.
O Copom já deveria ter tratado desse problema, evitando que a credibilidade do Bacen seja posta em dúvida. Ao mesmo tempo estaria oferecendo aos investidores a previsibilidade por eles reclamada. Em outras palavras, o centro da meta precisa subir e as variações admitidas, como máxima e mínima, precisam ser reduzidas. A decisão apontaria para a possibilidade de um crescimento maior, mas com a inflação controlada dentro do contexto de países emergentes.
O Copom teria maior facilidade em explicar, e a população em compreender, a manutenção da taxa de juros face ao desempenho futuro da atividade econômica e da inflação.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A animação continua

O mundo ensaia a próxima cena
A Zona do Euro apresentou dados de sua atividade industrial e de vendas no varejo na região. As vendas cresceram 1,2% no varejo no mês de janeiro em relação a dezembro de 2012. Foi a maior alta mensal desde abril de 2011.
O PMI composto da região caiu menos do que os analistas esperavam. A queda foi pequena e não incomodou os investidores: de 48,6 pontos no mês de janeiro para 47,9 pontos em fevereiro.
Na Ásia, as declarações da vice-presidente do Federal Reserve, Janet Yallen, reafirmando a disposição do Banco Central norte-americano em dar apoio às medidas de estímulo para a economia de seu país provocou otimismo entre japoneses, coreanos e chineses. Somou-se a isso o discurso do primeiro ministro chinês na abertura do Congresso Nacional do Povo, que promete o aumento dos gastos e a da dívida pública para alcançar o crescimento ao redor de 7,5%.
Espera-se por acelerações, em velocidades diferentes, em cada uma dessa regiões. Por isso o dólar sobe e os investimentos começam a aparecer na economia real.

Movido a notícias

Valorizações apoiam-se em
boas expectativas
O dólar fechou ontem, pelo segundo dia, em alta em relação à moeda nacional. A queda foi de 0,36 %. No encerramento, a cotação era de R$ 1,9650 na venda. O Boletim da BM&F informou que o volume negociado ficou próximo a US$ 2,8 bilhões.
As razões para isso ficam muito associadas às notícias veiculadas sobre a evolução positiva do ambiente econômico nacional e, de modo mais predominante, da economia internacional. Essas notícias reduzem o risco Brasil e desembocam em valorizações da moeda norte-americana.
Dias de Março
2013
Dólar Comercial
Risco País
Risco País
VENDA / VARIAÇÃO %
PONTOS
VARIAÇÃO
1
1,983
0,25%
176
3,52%
4
1,972
-0,55%
176
0%
5
1,965
-0,35%
171
-2,84%
A divulgação, nos Estados Unidos, do crescimento do setor de serviços mexeu com as expectativas do mercado. Por outro lado, generalizou-se a ideia de que o novo governo empossado na China utilizará a expansão do consumo como instrumento para alcançar rápidas e expressivas reduções das desigualdades sociais. Para isso, levaria o crescimento do PIB do país a 7,5% nesse ano.
Finalmente, a perspectiva de que a reação econômica brasileira possa realmente estar se iniciando levou os investidores a imaginar que o influxo de capitais estrangeiro para o país venha a aumentar expressivamente nos próximos dias e ao longo de todo esse ano. Reforça essa ideia, a provável alta da taxa básica de juros promovida pelo Copom, com a intenção de reduzir as pressões inflacionárias. O cenário para os preços mostrou-se benigno nos últimos dias, mas o banco Central parece mesmo determinado a afastar qualquer expectativa de que a inflação aproxime-se do teto superior da meta.

 

sábado, 2 de março de 2013

O que fará o Copom?

A sinuca é de bico.
A pressão inflacionária não se desfez, embora tenha reduzido um pouco sua intensidade. A economia ainda desacelera, mesmo depois de tantos incentivos a sua recuperação. Nesse contexto - que contrariou todas as previsões oficiais-, e que ameaça desacelerar a criação de empregos, o Conselho de Política Monetária vai se reunir na próxima semana para tomar decisões sobre juros e, quem sabe, sobre câmbio, considerando a necessidade de crescimento e os riscos de inflação. Deveria também cogitar sobre os impactos na Balança de Pagamentos. Mas isso, certamente ficará à margem das preocupações atuais, sob o pretexto de que as reservas ainda são muito grandes.
Em meio às discussões sobre os rumos da economia nacional, o IPCA de fevereiro deve apontar para uma inflação já arranhando o limite superior da meta. Haverá sempre a possibilidade de arguir-se, em favor das autoridades econômicas, que o regime de metas para inflação é obsoleto e que, no regime de flutuante para o câmbio, é normal conviver com valorizações temporárias da moeda nacional. Com isso, a Selic ficaria preservada, poupando o governo federal dos desgastes de uma alta, e o câmbio combateria a inflação, obrigando o Ministério da Fazenda a produzir uma nova safra de incentivos, como compensação à competitividade industrial.
A ata dessa reunião também poderia enfatizar que a produção industrial de janeiro está em alta, puxada pelo aumento da produção de caminhões, esquecendo que fevereiro já registrou uma redução na utilização da capacidade instalada e uma diminuição, ainda que modesta, da confiança do empresário.
A reversão do estado letárgico em que o governo lançou a economia nacional pressupõe a ampliação dos investimentos, segundo o diagnóstico unânime dos especialistas. Para tanto, será necessário enviar aos investidores estrangeiros um recado definitivo. A manutenção da Selic no atual patamar aponta para uma política monetária afastada de seus objetivos centrais.
O momento sugere que a Selic deveria subir mais expressivamente para afastar as incertezas e ampliar a previsibilidade dos investimentos requeridos pelas concessões. Para isso, não basta uma alta cosmética.
Obediente aos conceitos de que as maldades devem ser feitas de uma única vez e que as bondades devem ser distribuídas ao longo do tempo, o Copom não deveria perder a oportunidade de aumentar a Selic em, pelo menos, 0,75 ponto percentual. Os investidores reconheceriam essa medida e o governo mostraria sua determinação em produzir crescimento, sem a perda da estabilidade da moeda nacional.


sexta-feira, 1 de março de 2013

É sempre bom relacionar os fatos

Não faltam explicações para alta da inadimplência
Na postagem anterior, falamos do aumento da inadimplência nos empréstimos às pessoas jurídicas.
Reparem o que aconteceu em janeiro com o custo dos empréstimos: a taxa média geral de juros, considerados os empréstimos com recursos livres e direcionados, subiu 0,5 pontos percentuais no mês de janeiro. Essa alta interrompeu uma série de dez meses de declínios consecutivos. No final de janeiro, a média praticada no mercado era, segundo o Banco Central, de 18,5% ao ano.
Nos empréstimos às empresas a taxa média de juros atingiu 13,9%. O aumento no mês foi de 0,6 pontos percentuais. A alta reflete a elevação de 0,9 pontos percentuais nas taxas dos recursos livres que atingiu 18,8% ao ano e, de 0,4 pontos percentuais, na taxa dos empréstimos com recursos direcionados, que acabou o mês em 7,6%.
Agora, vejam o comportamento da oferta de crédito: o Banco Central informou que o saldo total das operações de crédito do sistema financeiro atingiu R$2.367 bilhões, em janeiro de 2013, registrando estabilidade relativamente ao mês anterior e acumulando expansão de 16,4% nos últimos doze meses. O comportamento no mês resultou da retração de 1% no saldo referente a pessoas jurídicas, R$1.279 bilhões. A relação crédito/PIB ficou em 53,2% em janeiro, contra 53,6% em dezembro passado.
As concessões de crédito no mês totalizaram R$262 bilhões, consideradas as operações com recursos livres e direcionados. Esse volume foi 16,7% inferior ao registrado no mês anterior, em decorrência dos recuos de 27% nos desembolsos a pessoas jurídicas.
Os bancos fecharam suas torneiras e a inadimplência aumentou pela falta de capital de giro e pelo seu custo maior.