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quarta-feira, 15 de maio de 2013

Europa em longa retração

E a retração continua na Zona do Euro.
O PIB da Zona do Euro apresentou queda de 0,2% no primeiro trimestre deste ano com relação ao último trimestre de 2012. Não poderia ser diferente. Com a taxa de desemprego tão alta, a renda agregada cai muito e o consumo vai junto.
Em termos anualizados a queda é de 1,0%. A situação europeia é difícil com as sucessivas reduções do mercado interno. O problema fiscal requer austeridade, mesmo permeada por algumas pitadas de generosidade nas decisões sobre os dispêndios nacionais. A tentativa de ativar a economia pela vertente das exportações acaba encontrando um mundo recessivo.
A saída mais próxima pode ser o acordo comercial com os Estados Unidos, ainda em fase de concepção. Teme-se pela América Latina e, em especial, pelo Brasil, se esse acordo, de fato, se concretizar. A multilateralidade sofreria um golpe muito forte e instituições como a OMC passariam por período de enfraquecimento abrupto no mundo do comércio internacional.

Supresas boas, mas sem consequências maiores

A crise produz números inesperados
A produção industrial da Zona do Euro subiu 1,0% em março, n comparação com o mês anterior. Difícil entender desempenho tão positivo, quando todo o mercado esperava alta inferior a 0,5%. Trata-se da maior alta desde meados de 2011.
Esse número poderia estar sinalizando para uma redução do nível de desemprego na região, mas há que se considerar a elevada ociosidade das instalações industriais de toda a Europa.
As expectativas econômicas da Alemanha mantiveram-se estáveis. O índice ZEW subiu míseros 0,2 pontos no mês de maio, em relação a abril.
Como o crescimento da União Europeia é fortemente influenciado pelo desempenho da economia alemã, não se deve esperar por reversões no quadro econômico europeu, nesses próximos meses.

terça-feira, 14 de maio de 2013

Revendo fatos recentes

O mundo melhora lentamente
A China volta a agradar os mercados internacionais. Anunciou aumento de suas exportações em 14,7%, nos últimos doze meses, enquanto as importações cresceram em 16,8%.
O CPI também cresceu: 2,4%, nos últimos 12 meses.
Bernanke começa a pensar na desmobilização do programa de incentivos à recuperação norte-americana. Já há quem pense que o mercado imobiliário e o nível menor de desemprego possam aliviar o esforço monetário do Fed. Portanto, a palavra de ordem do Banco Central do país é ampliar a regulação bancária dando maior segurança ao sistema financeiro.
Ruim mesmo está a Zona do Euro. Previsão do FMI apontou para o menor crescimento da região. As vendas do varejo encolheram: menos 0,3% em relação ao mês anterior. O PMI composto ficou estável na casa do 46,9%.
Em síntese, o mundo vai melhorando, devagar.

Inflação: Commodities atenuam risco

A desaceleração da economia mundial e a apreciação do dólar reduzem o espaço para alta nos preços de commodities.
Texto de Roberto Padovani, economista chefe da Vorotantim Corretora
O comportamento da inflação ao longo dos próximos meses depende, em grande medida, dos preços de commodities em reais. Neste caso, um cenário de baixo crescimento global e relativo fortalecimento do dólar pode fazer com que os preços internacionais reduzam o risco inflacionário local, tanto por sua influência direta sobre os índices quanto pelos impactos indiretos sobre inércia e expectativas.
O menor ritmo de crescimento global, em particular na China, pode explicar a tendência de queda de preços de commodities observada nos últimos dois anos. Mas além das condições de oferta e demanda, há um componente financeiro nas commodities, que temos mensurado por meio da oscilação do dólar global.
Nossa avaliação é que o aumento da produtividade nos Estados Unidos e a recuperação do mercado imobiliário mais que compensem o ajuste fiscal, produzindo impactos favoráveis sobre a taxa de desemprego e fazendo com que o diferencial de crescimento atraia fluxos de capitais para os Estados Unidos, fortalecendo a moeda. Da mesma forma, a retomada econômica sugere que as taxas de juros de longo prazo possam se elevar, fazendo com que o diferencial de juros também favoreça a moeda norte-americana. Este cenário tende a ser mais claro a partir de 2014, à medida que a redução do desemprego se aproxime dos limites definidos pelo Federal Reserve.
Deste modo, em um cenário de relativa estabilidade do crescimento no mundo, a continuidade do fortalecimento do dólar reduz as chances de um ciclo de alta de preços de commodities. Contribui com este cenário de menor pressão inflacionária o fato de vermos espaço para apreciação da moeda brasileira. Por um lado, o comportamento das commodities e a força do dólar são fatores que sugerem depreciação do real. Mas estes fatores podem ser mais que compensados por menores riscos globais, elevada liquidez internacional e redução do risco associado à economia brasileira, em função principalmente da retomada econômica.
De fato, como a economia brasileira depende em grande medida de poupança externa para financiar o crescimento local, a volta do crescimento implica tanto alguma deterioração em conta corrente quanto aumento dos fluxos de capitais, que tradicionalmente acompanham os ciclos econômicos. Neste caso, o aumento das reservas internacionais ancora as expectativas em relação a um câmbio apreciado.
Tudo considerado, a combinação de preços de commodities em queda com apreciação cambial implica menor pressão inflacionária ao longo deste ano, dando ao Banco Central tempo para monitorar o comportamento da atividade econômica e realinhar a taxa de juros de modo cauteloso.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Área do Euro é uma incógnita

Sobre a área do Euro existem divergências
A Comissão Europeia, como foi dito em postagem anterior, procedeu à revisão do crescimento da região para 2013, reduzindo a previsão anterior em -0,1%. Provavelmente, essa redução deva ter levado muito em conta, a perda de dinamismo da economia alemã, cujo indicador de Gerentes de Compras – o PMI composto-, regrediu de 50,6 pontos do mês anterior, para 49,2 pontos em abril.
As vendas no varejo na região, com ligeira queda no mês de março, também deve ter contribuído para a redução das expectativas de crescimento para a área.
Por outro lado, a alta modesta do índice dos gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro, que reúne dados do setor industrial e de serviços, trouxe otimismo à parte do mercado. Mereceu destaque o desempenho francês, com o indicador atingindo o maior nível em quatro meses. O salto foi de 41,9 para 44,3 pontos.
Alguns analistas enxergam nesses dois movimentos positivos indícios de uma recuperação do PIB na zona do euro, a ocorrer ainda no primeiro semestre desse ano.
Como se vê a Europa é um mistério que divide os analistas. Mas, mesmo que não haja um claro consenso sobre o futuro das economias desse bloco, o fato é que estamos diante de fortes avanços institucionais, alcançados recentemente, e que podem dar impulso a economia de toda a região. O cenário político ganhou contornos mais nítidos, enquanto o cenário econômico espera pela reação do nível de atividade na Alemanha.

Mercado de Trabalho Deve Reaquecer

Depois de números mais fracos,
o mercado de trabalho deve
reaquecer e favorecer o crescimento,
mantendo em alta  as preocupações
com inflação e competitividade.
O texto é de Roberto Padovani, Economista Chefe da Votorantim Corretora.
“A queda quase contínua da taxa de desemprego ao longo dos últimos anos tem gerado a impressão que o mercado de trabalho não acompanha o ciclo econômico, mantendo-se relativamente aquecido.
No entanto, quando se avalia o comportamento da taxa de desemprego em relação a uma tendência histórica, fica mais claro o relativo desaquecimento do mercado. Tradicionalmente, a diferença entre o desemprego e seu nível de longo prazo (hiato de trabalho) acompanha o hiato de crescimento e seu potencial (hiato de produto). Esta relação vale para o caso brasileiro: quando a economia está aquecida, a taxa de desemprego fica abaixo de sua tendência de longo prazo, ficando acima deste patamar em momentos de desaceleração.
De fato, o mercado de trabalho passou a esfriar a partir do segundo semestre de 2011. Embora as condições de renda sofram influência de outras variáveis, como salário mínimo e inflação, o esfriamento tem sido percebido pelo menor ritmo de criação de vagas e formalização do emprego. É verdade, no entanto, que o mercado de trabalho vem respondendo menos intensamente ao ciclo econômico. Esta oscilação mais suave pode ser explicada (a) pela maior formalização do trabalho, que eleva os custos de demissão; (b) pelas condições demográficas mais restritivas, que geram menor oferta de mão-de-obra; e (c) pela percepção de que a economia brasileira opera ciclicamente, incentivando ajustes temporários.
Com isso, é provável que os empresários tenham sido estimulados a preservar o emprego durante o ciclo de baixa, o que faz com que não haja contratações relevantes na volta da economia. Em parte, os movimentos cíclicos têm sido amortecidos por maiores variações nas horas trabalhadas, evitando ajustes bruscos no nível de emprego.
A partir de agora, no entanto, o mercado de trabalho pode voltar a reaquecer. Sem choques externos e com estímulos de política econômica, a economia brasileira deve mostrar recuperação, conduzindo a um aumento da ocupação. Mesmo longe da exuberância recente, os últimos 2 trimestres já mostram sinais de algum reaquecimento. O aumento da população ocupada, por sua vez, não deve ser compensado por uma maior oferta de trabalho, o que poderia elevar o desemprego. Apesar de a recuperação econômica estimular a procura por emprego, o menor ritmo de crescimento populacional limita a oferta de trabalhadores.
Como resultado, a inflação de serviços e os custos de mão de obra podem manter-se pressionados. Seria necessária uma desaceleração substancialmente forte no mercado de trabalho para se ter algum alívio relevante nas pressões inflacionárias e nos custos de produção, o que parece pouco provável do ponto de vista dos custos sociais e políticos.

Hora da virada?

Seis aberturas de capital captaram
mais dinheiro em quatro meses
do que todos os lançamentos
de 2011 e 2012 juntos.
Por Cláudio GRADILONE
"Nos quatro primeiros meses do ano, seis empresas realizaram aberturas de capital, conhecidas pelo nome inglês Initial Public Offering (IPO), e venderam R$ 13, 2 bilhões em ações já existentes ou recém-emitidas para pelo menos nove mil investidores. Essa captação superou as de 2011 e de 2012 somadas.
Confirmando-se a abertura de capital da Votorantim Cimentos, anunciada no dia 17 de abril e que poderá atrair mais de R$ 10 bilhões, os resultados passarão a estimativa da bolsa, de R$ 20 bilhões em IPOs neste ano.
No caso do IPO da Smiles, a principal delas foi a atuação do fundo de private equity General Atlantic, que adquiriu R$ 400 milhões, respondendo por 40% do total captado logo na saída."

domingo, 5 de maio de 2013

Sem crescimento

A difícil recuperação brasileira
A produção industrial apresentou-se em expansão de 0,7% no mês de março, comparada ao mês anterior. A expansão foi extremamente modesta e já faz crer em PIB, para 2013, menor que os 3,0%. As concessões não andam. Estão paradas na discussão sobre os retornos desses investimentos para os concessionários.
Quanto à inflação, o Índice de Preços ao Consumidor da Fipe avançou 0,28% em abril, o que significa que nos 4 meses de  2013 o indicador acumulou alta de 1,47%. Considerado os últimos 12 meses, o indicador está em 5,37%.
A inflação cresce mais lentamente e a produção industrial decresce, mais rapidamente.
Para quem vê nas exportações uma vertente para estimular o crescimento industrial, lembramos que a Comissão Europeia acaba de revisar sua projeção para o PIB da região, nesse ano. A previsão aponta para -0,4 %, contra os -0,3% da previsão passada.
Os quadros europeu e norte-americano estão confirmando a previsão do FMI de menor crescimento mundial, em 2013. O Brasil parece estar acompanhando essa tendência e seu ambiente institucional agravou-se ainda mais com a disputa entre o Congresso nacional e o STF.

Volatilidade irracional

Tudo são expectativas
Dos Estados Unidos chegaram notícias boas e ruins. Mas, as perspectivas de ganhos com as boas notícias ofuscaram as possibilidades de perdas, com as notícias ruins. Trata-se do velho problema da racionalidade limitada dos agentes econômicos.
É verdade que:
1)- o nível de desemprego recuou para 7,5%, no mês de abril. Há, de fato, um crescimento, ainda que modesto, na procura por mão de obra, alimentado artificialmente pelo programa de estímulos patrocinado pelo Fed.
2)- a criação de vagas de trabalho também apresentou, em abril, um comportamento superior às previsões mais otimistas do mercado, com a criação de 165 mil empregos, segundo o Departamento do Trabalho norte-americano.
Mas também é verdade que:
3)- as encomendas feitas à indústria do país apresentaram um recuo preocupante, de 4,0%, no mês de março. Essa queda de encomendas pode comprometer o desempenho do mercado de trabalho, já no próximo mês. Os estoques tendem a subir, pressionando as margens das operações industriais e reduzindo a oferta de empregos.
4)- o ISM de serviços também apresentou recuo em abril. Dessa vez, a queda em relação ao mês anterior foi de 1,3 pontos. É de se imaginar que os efeitos dessas duas quedas se somem, produzindo um efeito recessivo mais amplo no próximo período.
As bolsas no ocidente, inclusive a brasileira, comemoraram os resultados do desemprego com altas expressivas, desconsiderando os demais fatos, que talvez fossem mais relevantes para o curto e médio prazos.
Assim são as volatilidades. Movidas pela racionalidade limitada e por assimetrias informacionais, realizam ganhos e perdas como forma de promover e punir as ambições humanas.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Preocupações crescentes

O problema é maior e exige
um plano mais amplo.
O dólar apresentou alta de 0,45% na sessão de ontem e fechou cotado a R$2,01. A alta corresponde ao aumento da procura da moeda norte-americana e pode expressar a redução da confiança do investidor na economia nacional.
O Ibovespa recuou 1,05%, encerrando o dia aos 55.321 pontos. O volume negociado na bolsa atingiu os R$ 8,04 bilhões, número é alto e também incomoda, se a hipótese anterior for comprovada.
O IPC-S teve alta de 0,52% em abril. Em março, a alta alcançou 0,72%. O recuo é expressivo e sinaliza para nova redução do consumo.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior divulgou os resultados da balança comercial brasileira. Os dados mostram um novo déficit no mês de abril, equivalente a US$ 994 milhões. Já se fala em problemas futuros para nossas transações com o exterior. De janeiro a abril, a balança apresenta déficit de US$ 6,1 bilhões. As exportações nesse período somaram U$ 71,4 e as importações, US$ 77,6.
A deterioração dos preços e das quantidades exportadas das commodities pode explicar mais fortemente esse resultado. A redução do crescimento no mundo reduz a demanda pelos produtos nacionais, enquanto os custos da produção brasileira promovem a substituição de nossos produtos pelos da concorrência, inclusive em mercados tradicionais de nossas exportações.
Realmente, há motivos para as preocupações com os resultados do comércio internacional do país.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Inutilidade econômica

Economia não reage às medidas governamentais
Janeiro até que foi bom. A partir do segundo mês do trimestre, as coisas começaram a deteriorar:
  1. Os dados de varejo mostraram queda também. No mês de fevereiro a queda foi de 0,4%.
  2. A produção industrial caiu 2,5%. A grande maioria dos setores estudados apresentou queda. O enfraquecimento da indústria foi, portanto, generalizado.
  3. O IBC-Br apresentou contração de 0,5%, em fevereiro.
  4. A criação de vagas de trabalho com carteiras assinadas é cada vez menor. Nos três últimos meses, os números estão em queda.
  5. O PMI desacelera.
As medidas governamentais são ineficazes. As privatizações andam lentamente. O quadro institucional se deteriora dia a dia. Congresso e Supremos aumentam as incertezas jurídicas. Um país com instituições extemporâneas fracassa, no mundo moderno
As esperanças para 2013 são, a cada dia que passa, menores.

OSUSP em noite de gala

É para não perder
Sábado,  11 de maio, na sala São Paulo, a exbição dd grandes clássicos, pelo virtuosismo da OSUSP

Inflação, crescimento e juros são problemas eternos.

Crescimento orienta Banco Central
Apesar de a inflação ter sido o gatilho para o início do ciclo de alta de juros, o crescimento deve continuar definindo a cautela na condução da política monetária.
Colaboração preciosa de Roberto Padovani – Economista Chefe da Votrorantim Corretora a esse blog.
Apesar dos ruídos em torno da condução da política monetária, nossa leitura da ata da última reunião do Copom reforçou um cenário em que o Banco Central continua sendo cauteloso, retirando os incentivos de política de modo gradual.
Por um lado, a urgência do realinhamento da taxa de juros pode ter sido estimulada pela ampla visibilidade política que a inflação gerou. A lógica política pode ter atuado no sentido de antecipar o ciclo de ajuste, contribuindo para ancorar as expectativas e contrariando a tese de que constrangimentos políticos poderiam postergar o processo de ajuste da taxa de juros.
Mas apesar de a inflação preocupar, com o IPCA acima do limite superior da meta, nossa avaliação é que os dados de crescimento devem continuar pautando a política monetária. Isto porque a política monetária opera em um ambiente complexo e atípico. Mesmo com os juros abaixo do nível de longo prazo, a economia está abaixo do potencial e a inflação acima da meta. O desempenho da inflação, na verdade, se deve em grande parte a uma combinação de limitações de oferta de mão-de-obra (inflação de serviços) com choques de oferta, dados pelas altas de câmbio e commodities (inflação de alimentos).
Neste ambiente, o recuo da inflação mensal pode fazer com que o BC se volte aos dados de crescimento, a exemplo de sua atuação ao longo do segundo semestre de 2012. Em nosso cenário, a inflação mensal pode mostrar recuo com a retirada dos efeitos dos choques de oferta: o IPCA acumulado em 12 meses deverá permanecer em patamar elevado até agosto deste ano, oscilando próximo a 6,3% até agosto, quando pode passar a recuar e alcançar 5,5%.
Com algum alivio inflacionário, a estratégia do BC deverá seguir o padrão dos últimos anos: a taxa de juros tende a se ajustar em relação ao patamar neutro à medida que o crescimento se ajusta ao produto potencial. Além disso, o BC pode seguir uma recomendação tradicional: em ambiente de incertezas elevadas, a gestão de política deve ser cautelosa e fazer menos que a escolha ótima. No caso atual, informações ainda precárias em torno do crescimento devem conduzir a movimentos suaves na retirada dos incentivos de política.
Mas apesar de o BC poder ser cauteloso no ritmo de ajuste da política, faz sentido que o ciclo seja aquele em que a taxa de juros alcance seu nível de longo prazo. Ainda que haja dúvidas em relação ao ritmo, a dinâmica de crescimento deve ser favorável, com a política fiscal contribuindo para o PIB alcançar o seu nível potencial ao final deste ano.
Nossa estimativa é que a taxa de 8,50% pode ser compatível com a tendência histórica de queda dos juros no País, fazendo com que o crescimento se aproxime do produto potencial e faça a inflação convergir para a média de 5,5%, registrada nos últimos anos.

terça-feira, 30 de abril de 2013

No dia do leão

Ironias à parte, anotícia que o Governo
gasta mais aparece no dia
de entregar o IR
O jornal Folha de São Paulo foi o autor proeza, anunciando o aumento de gastos com o custeio da máquina e com programas sociais.
Veja o trecho da matéria de hoje “as despesas com investimentos tiveram alta nominal (sem descontar a inflação) de 7,4%, menos da metade do crescimento dos gastos com custeio e programas sociais e também bem abaixo da expansão com gastos da Previdência. As despesas totais cresceram 11,5%”. Quanto a receita da arrecadação do primeiro trimestre, descontada a inflação, apresentou queda de 0,48%.
As aulas de Introdução à Economia ensinam que gastos maiores do governo pressionam a inflação, pois inflam a demanda sem produzir o correspondente aumento na oferta.
Essa receita pode até ter o nome bonito de medidas contracíclica, mas seus efeitos são infalíveis e não tardarão. Podemos nos preparar para novas pressões sobre os preços e, portanto, sobre novas corrosões nos ganhos de renda, obtidos em passado recente. E tudo no dia do leão!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Crédito, investimento e consumo

Os sinais mais animadores
chegam da indústria 
O estoque de crédito cresceu em março, segundo o Banco Central, 1,8% em relação ao mês anterior, impulsionado pelos créditos direcionados que, por sua vez, superou o crédito livre.
Isso sugere a expansão da taxa bruta de formação de capital fixo. Esse resultado surpreendeu a todos. Entretanto, a explicação deverá ser creditada à recuperação do setor de bens de capital e muito associada aos desempenhos da indústria de caminhões e da construção civil. A evolução de empréstimos às pessoas físicas continuou decepcionante. A inadimplência muito alta não é compatível e, portanto, não recomenda a expansão desses empréstimos.
Podemos estar preparados para que a carteira de pessoas físicas deixe de impulsionar o consumo das pessoas físicas. Sobra-nos ampliar os investimentos para acelerar nossa atividade econômica.

Revendo fatos anteriores

O que há de bom e de ruim na
economia da semana anterior
Na Zona do Euro, embora o mercado de trabalho tenha um desempenho desanimador, o PMI envolvendo a indústria e os serviços veio estável. Não se degradou e também não cresceu. O mercado esperava desempenho pior. A estabilidade não é um resultado ruim. Também não é bom.
O PIB dos Estados Unidos, anualizado, do 1º trimestre de 2013, veio com crescimento de 2,5%. O resultado foi considerado baixo e decepcionou os mercados financeiros em torno do mundo. A recuperação é lenta. As expectativas crescem mais rapidamente rápido e descolam da boa lógica.
O consumo das famílias no USA, por outro lado, apresentou um desempenho interessante. Cresceu no primeiro trimestre do ano 3,2%. O consumo do governo, entretanto, foi 4,1% inferior ao trimestre anterior. Essa redução do gasto do governo tem a ver com a atuação do Senado sobre o orçamento norte-americano. Esse talvez tenha sido o fator determinante de o PIB ter crescido aquém daquilo que os agentes econômicos desejavam.
A China, que anda aplicando “peças” aos investidores internacionais, anunciando reduções de seu crescimento, surpreendeu. Exibiu seu indicador PMI Industrial em crescimento. O indicador subiu de 50,5 pontos para 51,6 pontos. Isso significa que o país vive um momento de expansão de sua produção industrial.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

No cravo e na ferradura

O Brasil ontem 
Como estamos indo com a Inflação? Parece que os preços começam a subir mais devagar:
1)   O Índice de Preços ao Consumidor da Fipe teve alta de 0,17% na terceira quadrissemana de abril. Não foi uma alta tão grande em relação ao avanço de 0,08% da leitura anterior. Os alimentos se acalmaram um pouco, mas o setor de serviços não. Os subgrupos de saúde e educação foram os principais responsáveis pela alta.
2)  Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal, da FGV subiu menos que os 0,65% da leitura anterior. A alta agora foi de 0,54% e referiu-se à terceira quadrissemana de abril. O principal responsável por esse recuo foi exatamente o grupo de alimentos.
Já podemos mudar o foco. Alimentos preocuparão menos e serviços preocuparão mais.
O que não vai bem é o setor externo. Os preços das commodities nacionais exportadas caíram. Pior é que essa queda veio acompanhada pela redução dos volumes consumidos no mundo. O déficit em conta corrente atingiu os US$ 6,8 bilhões em janeiro. É um resultado ruim para o país, nesse momento. No primeiro trimestre do ano, o défict em transações correntes alcançou a cifra de US$ 24,8 bilhões, correspondentes a 4,31% do PIB.
O que tem salvo nossa lavoura no setor externo são os investimentos estrangeiros diretos, que , segundo o Bacen, atingiu os US$ 5,7 bilhões em março. O resultado desagrava, de alguma forma, as preocupações geradas com o déficit em transações correntes. Até o momento, o IED já acumulou US$ 13,2 bilhões, o que equivale a 2,3% do PIB.  Mesmo que esteja abaixo das projeções feitas no início do ano, o volume desses aportes também não foi desprezível. Esses recursos são indispensáveis para que o país possa alcançar um crescimento anualizado, em 2013, de 3,0%. Bom também foi saber que o fluxo cambial está positivo no mês de abril (até o dia 22). A entrada de dólares no Brasil superou a entrada em US$ 1,1 bilhão no mês.
Há um dado que soa como advertência aos investidores e alerta aos responsáveis pela política de emprego no país. A Confederação Nacional da Indústria divulgou que o índice de atividade de construção apresentou recuo pelo quinto mês seguido, chegando a 48,9 pontos em março. Também a Sondagem do Consumidor da FGV, no mês de abril, apontou estabilidade no seu indicador de confiança do consumidor. No mês anterior, o indicador havia apresentado queda de 2,0%. Foram seis quedas mensais consecutivas até alcançar a estabilidade em abril. As incertezas que sempre povoaram a cabeça dos agentes econômicos, também parece ter alcançado a população e essa é talvez a melhor explicação para entender a retração do consumo.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Revisões

O otimismo com a economia mundial
está menor
O Fundo Monetário Internacional divulgou seu ultimo Outlook, conhecido por Panorama Econômico Mundial. Com esse documento foram divulgados o Relatório de Estabilidade Financeira e o Monitor Fiscal (www.imf.org).
O Outlook procedeu à revisão do crescimento mundial para baixo. De 3,5% veio para 3,3%. E tudo acaba atribuído às menores expectativas da recuperação dos Estados Unidos e do crescimento norte-americano.
Em termos do grau de desenvolvimento das economias mundiais, o FMI reduziu suas projeções de crescimento para o os países desenvolvidos 1,3% para 1,2% e para os países em desenvolvimento o recuo foi de 5,3% para 5,0%.
Mau na foto mesmo está o Brasil. O crescimento previsto para esse ano era de 3,5% e foi reduzido para 3,0%. Parece mesmo que o mundo já entendeu que as concessões prometidas pelo Governo Federal não sairão a tempo de produzirem efeitos no crescimento econômico de 2013. Falta agilidade para encaminhar soluções e entender os problemas dos postulantes a concessionários.
Curiosa a projeção para economia japonesa de crescimento de 0,4%. Francamente, pessoalmente esperava um número um pouco maior, coisa como 0,7% seria de se esperar após a drástica flexibilização monetária anunciada dias atrás.
A percepção das condições monetárias e financeiras do sistema mundial mostrou evolução significativa, apontando para a redução dos riscos de crédito, dos referentes a problemas macroeconômicos e dos desempenhos dos mercados emergentes. É verdade que o clima institucional do mundo evoluiu rapidamente nos Estados Unidos e, principalmente, na Europa.
 
Também é verdade que o relaxamento monetário na terceira maior economia mundial, o Japão, criou uma nova vertente de recuperação econômica e a Europa, embora lenta, encaminha solução para cada problema surgido dentro das chamadas Instituições Europeias, sem rupturas ou abalo de sua determinação de manter-se unificada. O Euro continua intacto, depois de tantas ameaças

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Inflação


O IPCA-15 de abril veio com alta 0,51%
Muito alto o IPCA-15 desse mês. Isso significa que o aumento da Selic terá um efeito cosmético sobre os preços. Subir a Selic 0,25 quebrou um tabu, foi um recado, mas não resolve o problema de alta de preços. No acumulado de 12 meses, o indicador fez questão de arranhar a meta superior da inflação: ficou em 6,51%. Inflação de alimentos alta decorre, de modo geral, de demanda intensa que o consumidor esteja fazendo. É o caso dos preços dos produtos hortifrutigranjeiro, sazonalmente, e do açúcar, da carne (que encontra substituto na carne de frango), da soja e do óleo. Note-se que a intensidade na demanda de alimentos coincide, quase sempre, com a intensificação na demanda de calçados, vestuários e serviços (médicos, de educação, etc). 
Pouco a pouco, parece haver um convencimento crescente que, para esse ano, a batalha contra a inflação está perdida e que a solução será antecipar-se a cada onda de alta de preços.

Crédito se expande na inércia do mercado global

Liquidez Global Favorece Crédito
A tese é do Roberto Padovani, economista Chefe da Votorantim Corretora.
Menores incertezas e elevada liquidez global favorecem os fluxos de capitais, contribuindo para a recuperação cíclica do crédito local. 
O ambiente global tem mostrado claros avanços. O processo de contínua desaceleração da economia chinesa foi controlado, houve redução dos riscos de ruptura institucional e financeira na Europa e há sinais claros de retomada na economia norte-americana, com o mercado imobiliário explicando o recuo do desemprego.
Neste ambiente, a nova estratégia de política monetária no Japão é um fato relevante. Em conjunto com outros bancos centrais, o afrouxamento quantitativo japonês amplia a já elevada liquidez global, a ponto de a valorização recente dos principais ativos financeiros reforçar os temores de que os crescentes estímulos de política possam estar conduzindo a exageros nos mercados. Nos Estados Unidos, as correlações históricas entre bolsa, crescimento econômico e juros de longo prazo são cada vez menores. 
Elevada liquidez global e menores riscos de ruptura favorecem o mercado local de crédito. Há, no Brasil, elevada correlação entre fluxos de capitais e ciclo de crédito. Os testes estatísticos de causalidade indicam que a aversão global a risco - mensurada por preços de commodities, volatilidade e preços de ativos financeiros - pode explicar as condições locais de crédito. Em particular, o mercado de ações norte-americano tem antecipado o ciclo de crédito no Brasil, à exceção da forte contração local de crédito vivida a partir de 2011. 
Este ambiente global favorável à recuperação do crédito deve ter continuidade. Por um lado, a retomada da economia internacional sugere normalização das políticas, evitando que a manutenção de estímulos por tempo demasiado possa gerar bolhas. Por outro lado, no entanto, é preciso que os bancos centrais adotem estratégias de saída cautelosas. Como eventuais perdas patrimoniais podem influenciar, por meio do efeito riqueza, a confiança em se consumir e investir, é preciso evitar, na medida do possível, correções relevantes nos preços dos ativos financeiros. 
A mudança de viés de política econômica, no entanto, é sempre um desafio: mesmo que haja a clara indicação do sequenciamento na retirada de incentivos de política, começando pelo lado fiscal, passando pela redução do balanço dos bancos centrais e, apenas ao final, iniciando um ciclo de correção da taxa de juros, os mercados tendem a antecipar o processo, elevando rapidamente os juros de longo prazo. 
Justamente por isso, parece pouco provável um cenário de rápida reversão global das condições de liquidez, o que tende a beneficiar a economia brasileira. A percepção de ampla e continuada liquidez reforça a recuperação cíclica do crédito e, ao mesmo tempo, sugere que a condução da política monetária deva ser cautelosa para sustentar a volta do crédito e, ao mesmo tempo, evitar o aumento da volatilidade cambial.