Banner

Translate

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Previsões. Um eterno dilema

“Existem formas mais prazerosas de destruir minha reputação do que fazer previsões sobre o comportamento futuro da taxa de câmbio”
Frase atribuída ao Professor Delfim Netto,
durante Congresso de Bancos, em Campos de Jordão, esse ano.
De fato não fui a esse congresso bancário e também nem sei se o Prof. Delfim teria realmente feito essa afirmativa. Entretanto, Brasil é Brasil e “si non è vero, è bene trovato”.
O fato é que já tem saído algumas previsões para 2.011. Entre as que mais me impressionam, uma, certamente, costuma apresentar as maiores discrepâncias em relação à realidade posterior. Refere-se ao comportamento possível para o Ibovespa. No final de 2009, um analista chegou a prever que o Ibovespa alcançasse, no final desse ano, os 200.000 pontos. Outro, mais modesto, arriscou apenas os 120.000 pontos. Talvez esses erros possam ser imputados ao excesso de entusiasmo com desempenhos anteriores, ocorridos em prazos bastante curtos. Se aceitarmos essa hipótese, ainda que de forma provisória, ficamos poupados de deselegância de classificá-los entre os “videntes financeiros”, pouco hábeis em habilidades preditivas.
Seja como for, boas corretoras lançaram nesses últimos dias suas previsões, que vão dos 75 aos 89 mil pontos, para o final de 2011. Todas tentando, nos exercícios de construção de cenários, chegar muito perto do número real. Gostaria de sugerir a todos que militamos nesse campo, incerto e pantanoso em que se constitui o futuro, a abandonar seus compromissos com a precisão. Tenho aconselhado a construção de três cenários alternativos que pudessem nos fornecer valores máximos e mínimos para o comportamento da variável em estudo. Dessa forma, ofereceríamos ao mercado um intervalo dentro do qual a realidade futura pudesse, de fato, se alojar mais confortavelmente.
Alguns fatores podem impactar mais fortemente a bolsa: juros, demanda internacional, fluxo de investimentos externos diretos, nível de renda, do consumo, do crescimento nacional, etc., etc., etc..
Que tal construirmos um primeiro cenário mais conservador, um outro mais agressivo e, por fim, um intermediário, para localizarmos possibilidades mínimas e máximas para as variáveis estudadas? Com base nisso, estimaríamos valores para os índices estudados, em outro intervalo de amplitude correspondente às variações previstas.
Teríamos todos conhecidos os valores prováveis e as hipóteses que lhes deram causa. Um desvio desse intervalo seria tido como uma imprevisibilidade ocorrida e entendida à luz das rupturas com as hipóteses subjacentes à modelagem.
Talvez errássemos menos ou, pelo menos, daríamos melhores explicações aos nossos erros. Como lembra o conselho embutido na frase atribuída ao ex-ministro, mas eterno professor: nossa reputação estaria menos arranhada, embora nosso prazer continuasse relegado ao esquecimento.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O PARADOXO DO WIKILEAKS CRIA IMPASSE NO JORNALISMO

"MÍDIAS E NEGÓCIOS" antecipa
o fenômeno Wikileaks
Em julho deste ano escrevi sobre os possíveis impactos que o WIKILEAKS poderia gerar na forma como o conteúdo jornalístico é criado.
Era parte de uma análise para o livro "MÍDIAS E NEGÓCIOS", onde estudava as formas de geração de conteúdo colaborativo e sua remuneração.
Nem em sonho poderia imaginar que o impacto do WIKILEAKS atingisse este patamar no final de 2010!
Sem juízo de valor sobre o processo de obtenção dos conteúdos pelo WIKILEAKS, é inegável o impacto nas formas de obtenção de informação primária relevante.
O conselho editorial da TIME já decidiu dar o título de personalidade do ano a JULIEN ASSENGE.
Os sistemas hierárquicos - baseados em doutrinas de cadeia e comando - foram abalados com algo que se transforma organicamente e é rizomático (Recomendo a leitura sobre o conceito de rizoma).
Já mostramos no livro MÍDIAS E NEGÓCIOS que o comportamento em rede é antagônico ao comportamento hierárquico.
Empresas, organizações e escolas que trabalham baseados unicamente na lógica COMANDO-CONTROLE não conseguem entender a dimensão do fenômeno WIKILEAKS. Ao não ter a compreensão do que é o WIKILEAKS, tentam destruí-lo com medidas de força, o que só aumenta seu poder (a rede se fortalece quando atacada).
Prender o Julien Assenge é querer acabar com uma rede destruindo um de seus Nodos. A rede encontra outro caminho...
Novamente usam conceitos hierárquicos para impedir uma ação em rede. Não entenderam nada.
Cabeças do século 19 tentando direcionar jovens do séc. 21. Não dá liga.
Vejam a reação de lugares mais inusitados no vídeo abaixo (em chinês e legendas em inglês; admirável mundo em rede)

De qualquer forma várias questões estão no ar:
1) Como seria um WIKILEAKS brasileiro recebido pela mídia?
2) Como um jornalista deve analisar a informação liberada?
3) Analisar o WikiLeaks do ponto de vista da dinâmica das redes sociais e da sua interação com as organizações hierárquicas. É um fenômeno novo e exige outra abordagem?;
4) Quais condições permitiram que WikiLeaks - um pequeno grupo de amadores, colocar de joelhos sistemas de poder em todo o mundo?
5) O WikiLeaks é centralizado?
6) Por qual razão o WIKILEAKS priorizou seu relacionamento com a mídia tradicional? (É paradoxal: um fenômeno digital fazer sua divulgação em sistemas tradicionais?)
7) O que explica a enorme solidariedade que WikiLeaks despertou no mundo?Ainda estou tentando entender a dimensão do que é o WIKILEAKS.
Continuo estudando, aprendendo e criando hipóteses sobre o tema.
Afinal um dos conceitos do comportamento em Rede é não ter certezas e SIM dúvidas que a própria rede pode responder.
Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez -> http://que-midia-e-essa.blogspot.com/
ramirogon@uol.com.br
Autor: Mídias e Negócios e QUE CRISE É ESSA?

Indústria acusa o golpe

Taxas de juros altas e câmbio apreciado são desestímulos fortes para a atividade industrial.
O IBGE mostrou um avanço medíocre do PIB no trimestre passado, quando comparado ao trimestre anterior: 0,5%. Uma desaceleração e tanto.
O setor industrial foi o destaque negativo. A superestocagem nos trimestres anteriores requeria providências que desagravassem o capital de giro dessas empresas. Os custos financeiros estão realmente muito elevados. Com isso, o ritmo de produção foi reduzido. Por outro lado, é preciso entender que a demanda também se reduziu à medida que os estímulos fiscais para a aquisição de bens duráveis se extinguiram.
Por outro lado, com a apreciação do real, as importações tornaram-se mais competitivas e a produção nacional passou a ser substituídas por importações.
A construção civil veio para baixo, mostrando que, no Brasil, o consumidor de imóveis compra mesmo é o financiamento. O imóvel, propriamente dito, tem caráter secundário.
Notícia boa é dada quase simultaneamente: os investimentos alcançaram patamares surpreendentes, atingindo 19,7% do PIB, no terceiro trimestre desse ano. De fato, ainda é um número abaixo do que necessitamos para crescermos 5% a,a.

MARTIN WOLF, ZONA DO EURO e IMPACTOS NO BRASIL

No dia 8 de dezembro, Martin Wolf, o editor e principal comentarista econômico do Financial Times fez uma análise interessante sobre o futuro da zona do Euro. (recomendo quem for assinante a leitura integral do artigo).
Faço aqui minhas considerações sobre as 3 principais hipóteses:

1) qual a probabilidade de uma onda de inadimplência nos países periféricos do Euro? . Ele diz ser ALTAMENTE PROVÁVEL. E seu raciocínio passa dor 2 conceitos: estoque e fluxo. Alguns países atingiram um estoque de dívida tão alto e seu fluxo é ainda negativo que uma reversão ao longo do tempo é improvável (Ex. Grécia);
2)A zonda do Euro implementará mudanças necessárias para evitar isso?
Ele não se mostra confiante em medidas realizadas pelos países do Euro em resolver isso. A Alemanha (e seus cidadãos) começam a questionar se vale a pena pagar a orgia de gastos dos países periféricos;
3)Poderá a zona do euro sobreviver a elas?
Ainda não está claro quais interesses prevalecerão no processo. Resposta ainda incerta.

"O que vem acontecendo é algo familiar a especialistas em países emergentes: é uma "parada súbita". Antes de 2007, havia crédito disponível em condições fáceis a ponto de financiar bolhas nos preços de ativos, construção civil e consumos privado e público. Então, repentinamente, os mercados adotaram um comportamento de sobriedade: os financiamentos secaram, os preços dos imóveis caíram, a construção civil sofreu um colapso, governos passaram a garantir dívidas de sistemas financeiros no vermelho, economias entraram em recessão e déficits fiscais explodiram."

A questão é se esses países podem evitar uma reestruturação da dívida soberana. Sobre isso, o professor Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), é pessimista. Em nota recente, ele argumentou que "em última instância, uma reestruturação significativa da dívida privada e/ou pública é provavelmente necessária em todos os países endividados na zona euro. Já sofrendo crescimento lento antes da imposição de austeridade fiscal, [Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha] enfrentam a perspectiva de uma "década perdida", similar à que a América Latina viveu nos anos 80.

Na europa a questão imediata é que a crise poderá ser enorme, pois parece certo que uma reestruturação disparará outras. Além disso, o sistema bancário seria profundamente afetado.

Martin Wolf continua:
"Para os céticos, o cerne da questão sempre foi até que ponto pode ser robusta uma união monetária entre diversas economias com solidariedade mútua menos do que ilimitada. Apenas uma crise poderá responder a essa pergunta. Infelizmente, a crise que temos é a maior em 80 anos. Será que a zona euro conseguirá acordar em fazer o suficiente para mantê-la coesa? Não sei. Mas saberemos, todos nós, em futuro relativamente próximo".

Como isso poderá impactar o Brasil? Estaremos preparados para uma crise de insolvência na Europa que poderia reduzir fluxos comerciais e IED para o Brasil? Aprendemos algo com a crise americana de 2008 e a futura crise do Euro de 2012?

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez -> http://que-midia-e-essa.blogspot.com/
ramirogon@uol.com.br
Autor: Mídias e Negócios e QUE CRISE É ESSA?

Prato cheio para advogados

Google lança sua loja de ebooks
O Google anunciou a abertura de sua ebookstore. A partir de agora já é possível adquirir mais de 3 milhões de publicações virtuais. Algumas serão gratuitas, mas a grande maioria é paga. Por enquanto, as obras serão oferecidas apenas em inglês.
De início, o Google estará ofertando apenas best sellers e clássicos, sobretudo os que já caíram em domínio público. Vários acordos foram encaminhados pelo Google com milhares de editoras, livrarias e detentores de direitos autorais.
Para fazer as aquisições, o internauta tem que ter uma conta no Google. Bem pensado, não?
Se você quiser uma das obras gratuitas, você vai ter que ter conta no Google. Que tal? Estamos diante de mais uma reserva de mercado? Tem tudo para acabar na Justiça norte-americana.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ministro quer cortar despesas

Corte de gastos põe Brasil em rota sustentável
Veículo: Portal Exame  -  Data: 07/12/10
Economista Celso Grisi diz que novo governo deveria extinguir ministérios dispensáveis para gastar menos
Fabio Rodrigues Pozzebom/AGÊNCIA BRASIL
Mantega anunciou nesta terça-feira que cortes nos gastos do governo estão previstos para 2011
São Paulo - Na segunda-feira (6/12) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que um corte nos gastos de custeio do governo está previsto para o primeiro ano do governo Dilma. Na opinião do economista Celso Grisi, diretor-presidente do instituto Fractal e professor da Faculdade de Economia da USP, se for consistente, o ajuste fiscal será a "prova cabal de que o Brasil está na rota da sustentabilidade de seu crescimento econômico."
O momento é oportuno para se falar em revisão das despesas públicas. O câmbio valorizado, a alta da inflação e a conseqüente impossibilidade de baixar os juros são algumas das principais dores de cabeça da equipe econômica do governo. Para o professor Grisi, boa parte destes problemas é solucionada com uma estratégia séria de contenção de despesas.
Ele explica que se o Brasil conseguir manter um superávit nominal, ou seja, gastar menos do que arrecada, incluindo o pagamento dos juros, terá margem para reduzir a taxa básica de juros da economia. Isso porque, atualmente, uma das maiores pressões de demanda, que eleva os índices de inflação, vem dos gastos do governo.
"Um programa de redução de gastos somado às medidas de contenção do crédito abre espaço para baixar a taxa Selic", diz Grisi, referindo-se à elevação do compulsório anunciada pelo Banco Central na sexta-feira (3/12). Com uma taxa de juros menos atrativa, a entrada de dólares no país também seria menor, ajudando a amenizar a trajetória de valorização do real.
Ministérios dispensáveis
O problema é que Guido Mantega contou apenas o milagre. Sem citar alvos específicos do enxugamento nas contas públicas, ele se limitou a dizer que nenhum ministério ficará de fora. Para Celso Grisi, o governo deveria reduzir o número de ministérios, e cortar - de forma seletiva - os recursos repassados aos que permanecerão.
"O governo tem que manter as despesas com educação, saúde e gastos sociais. Em contrapartida, pode reduzir o repasse aos ministérios do Planejamento, das Minas e Energia e da Agricultura, que já tem grandes reservas. Também poderia fechar o ministério da Pesca, que não faz o menor sentido. Ele pode passar para a administração da Agricultura", diz.

Endividamento, outra vez


Famílias comprometem renda futuro
Veículo: Rádio 107,3 FM – Programa Elas & Lucros - Data: 06/12/10 

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Cortes são intenção, mas ainda não são metas


Mantega diz que ministérios terão
redução de orçamentos
Veículo: DCI   -  Data 07/12/10
Karina NappiAbnor Gondim

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil irá cortar gastos no primeiro ano de mandato de Dilma Rousseff e com isso todos os ministérios terão seus orçamentos reduzidos. Além disso, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - carro-chefe do governo de Luiz Inácio Lula da Silva - deverá ter projetos prorrogados ou executados "mais lentamente".
De acordo com o diretor da Fractal, Celso Grisi, o anúncio do Mantega mostra uma disposição de acertar o orçamento nacional, reduzir despesas e privilegiar o Estado. "A primeira posição do ministro será de acabar com os ministérios criados na gestão Lula, como o Ministério da Consciência Negra e da Pesca, que não têm o menor cabimento de existir, uma vez que a soja e o minério de ferro geram maior atração e lucros para o País e não possuem seu próprio ministério. Além disso, cada órgão gera um gasto absurdo para os cofres públicos. Estes serão transformados em divisões dentro de ministérios importantes como o da Agricultura e da Cultura", declarou.
"Vamos fazer um corte generalizado dos gastos durante o governo Dilma Rousseff. Pretendemos fazer um ajuste dos gastos de custeio já existentes e dos novos. Os cortes ocorrerão sobre iniciativas em andamento e também sobre novos projetos que significariam aumentos de despesas. Apenas os projetos prioritários, como o Bolsa Família, serão poupados, de resto todas as áreas devem sofrer com cortes, será feita uma revisão em todos os ministérios. Alguns dos projetos do PAC serão prorrogados ou executados mais lentamente". As declarações foram feitas durante seminário na capital do Rio de Janeiro.
Guido Mantega não informou de quantos seriam os cortes orçamentários e nem quais seriam as proporções por ministério, mas adiantou que o Ministério do Planejamento, juntamente com o Tesouro Nacional, já iniciaram as análises e cálculos para possibilitar essa redução de gastos do governo. Ele antecipou somente que o corte não será linear, mas seletivo e que não irão comprometer os principais projetos. Hoje, as despesas da União, excluindo a Presidência, somam R$ 520 bilhões por ano.
Mantega citou como exemplo a PEC 300, que iguala os vencimentos de policiais militares e bombeiros aos salários dos policiais do Distrito Federal, como exemplo de projeto que poderá ser postergado, uma vez que, segundo o ministro, terá impacto de R$ 46 bilhões nas esferas federal e estadual e o aumento do salário mínimo, que não deve ultrapassar R$ 540. "A redução de gastos abre espaço razoável para a redução dos juros. O Brasil está muito defasado em juros no cenário internacional", disse.
"Os ministérios que irão sofrer mais com os cortes previstos pelo ministro Mantega são o de Minas e Energia, Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Planejamento, Orçamento e Gestão, Ciência e Tecnologia", frisou Grisi.
O objetivo do governo federal é de reduzir a relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos quatro anos. Segundo expectativa do ministro Mantega a dívida deverá ser de 41% do PIB este ano. Mas, até o final do governo Dilma Rousseff, em 2014, essa taxa deverá cair para cerca de 30%.
"Nossa dívida vem caindo desde 2002 e continuará caindo. Uma meta é chegar ao final do próximo governo em algo como 30%, o que é muito bom, porque os demais países estão com aumento da dívida. A dívida pública está crescendo em todo lugar: Estados Unidos, União Europeia, enquanto isso, estamos diminuindo nossa dívida."
"O Brasil conseguirá reduzir muito mais do que o prometido, uma vez que a taxa de juros irá recuar e com isso, os encargos da dívida pública serão reduzidos em mais de 30%. Vai ser uma economia brutal para o País", argumenta o diretor da Fractal.
Copom
Mantega falou também sobre a reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom) e disse que o colegiado levará em conta o cenário atual de inflação, o crescimento da economia e as medidas relativas ao crédito anunciadas no fim da semana passada peloBanco Central.
"Mesmo com as posições corretas e o futuro com expectativas de baixa na Selic, pelo anúncio do Mantega, na reunião que tem início hoje, podemos esperar uma leve alta [0,5%] para conter a inflação", pondera Grisi.
O ministro também defendeu a mudança do parâmetro de indexação para o reajuste do preço de serviços, aluguéis e contas de luz. Segundo Mantega, o governo quer, gradativamente, substituir o Índice Geral de Preços (IGP), por outros como o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial.
Segundo Mantega, o IGP sofre influência dos preços das commodities, e reflete os preços internacionais, o que traz distorções para o reajuste de preços dentro do País.
"O Mantega está buscando fazer mágica com uma nova contabilidade, precisamos alterar a realidade. A medida pode ser a que utilizamos, contudo, ela deve aferir a realidade", relata Grisi.
Acomodação na indústria divide
previsões para 2011
Veículo: Brasil Econômico On line - Data: 02/12/10
Felipe Peroni (fperoni@brasileconomico.com.br)
O desempenho do setor automobilístico teve destaque, com o contínuo avanço do crédito.
O avanço modesto na produção industrial brasileira, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (2/12) pelo IBGE, aumenta a divergência de analistas sobre como será o setor em 2011.
A produção industrial avançou 0,4% em outubro, ante o mês anterior. A expectativa da Gradual Investimentos era de avanço de 0,6%, enquanto a Rosenberg & Associados projetava alta de 0,9%.
O dado é mais preocupante se somado à estabilidade registrada no terceiro trimestre, em que a produção recuou 0,35% ante o trimestre anterior.
Para André Perfeito, economista da Gradual, a desaceleração é pontual. "O volume de comércio e a demanda são fortes incentivadores da indústria", afirma. "No próximo ano, a produção industrial deve voltar a crescer a taxas maiores".
O economista acredita que no terceiro trimestre o setor operou em ritmo de espera, aguardando a definição das eleições.
"A demanda vem crescendo muito e não deve desacelerar tão rápido", afirma Perfeito.
Já para Thais Marzola Zara, analista da Rosenberg & Associados, os dados indicam que, passadas as vendas de Natal, a indústria deve diminuir o ritmo em 2011. A economista reconhece que a demanda interna está forte, mas acredita que o aquecimento está vazando para as importações.
"Parte da diferença entre demanda e produção pode estar sendo suprida por estoques, mas a maioria está vazando para as importações", explica Thais Marzola Zara, analista da Rosenberg & Associados.
Para a analista, a previsão é reforçada pelo desempenho do setor bens de capital, que acumula queda de 3,1% na produção.
Já Perfeito afirma que a queda não indica comprometimento do setor. "O segmento teve avanço muito forte na primeira metade do ano".
De acordo com Celso Grisi, presidente do Instituto de Pesquisas Fractal, o panorama é de desaceleração. "A pesquisa mostra que as entregas de final de ano já estavam adiantadas, e o crédito cresceu bem menos".
Teve destaque o crescimento foi na indústria farmacêutica (4,9%) e automotiva (1,6%). "O setor farmacêutico é beneficiado pelo aumento da renda, enquanto o automobilístico reflete a contínua expansão do crédito", explica.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O endividamento chegou ao insuportável

 Banco Central merece aplauso.
Mesmo que tenha demorado para agir.
Veículo: Brasil Econômico - Data: 6 de dezembro de 2010


Medidas do Banco Central não estão sendo bem recebidas


Dúvidas e ressalvas se multiplicam
por todo país
A mudança de governo aumentou a imprevisibilidade do ambiente econômico futuro. Dúvidas e ressalvas são as formas verbais que as incertezas têm assumido, dificultando o planejamento para 2011 e as decisões relativas a investimentos.
O novo governo anuncia o melhor dos mundos: corte de gastos, mesmo envolvendo a redução dos investimentos, quedas na Selic e crescimento econômico sustentável. O lema anunciado para esse novo governo poderia ser: “Vôos de galinha, nunca mais”.
E começou mais cedo que se poderia esperar. Ao invés de subir a Selic, contingenciou-se o crédito. Primeiro, na exigência de pagamento de parte das dívidas dos cartões de crédito e, agora, atingindo prazos e volumes dos créditos ao consumo, poupados disso os créditos imobiliários, rurais e para veículos de cargas. Internamente o mercado é reticente.
Entretanto, veja como se pensa lá fora. O indicador de risco-País encerrou a última sessão da semana passada em forte queda. Foram 12 pontos-base, alcançando 168 pontos. Nem o Relatório de Emprego de novembro dos EUA, nem a falta de entusiasmo do Livro Bege afetaram a disposição dos investidores em relação ao país. O Global 40 subiu 0,55% e, no final do pregão, estava cotado a 137,30 centavos de dólar.
Parece mesmo é que as medidas do Bacen foram muito bem recebidas lá fora e que afastaram temores e dúvidas sobre o comportamento monetário brasileiro.
Entenderam que os encargos sobre a dívida pública ficarão mais leves, se a taxa básica de juros não subir. Claro que os juros pagos pelos consumidores vão subir, mas essa era a intenção da medida para reduzir o consumo e a inflação.
Alguém poderia imaginar que o Banco Central não fosse capaz de prever esses efeitos?
Coisas de cabeças desarrumadas. O Banco Central buscava por isso e o mercado internacional entendeu, reduzindo o risco-país.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Demorou muito.

Retardar é fácil. Agir tem um custo político.
Você que acompanha esse blog sabe o quanto tenho insistido que o aumento de juros é um instrumento que, no Brasil de hoje, já perdeu parte de sua eficácia. Os juros já são muito altos e começam a mostrar sinais de exaustão no combate à inflação.
Venho sugerindo desde o início desse ano que o crédito tem sido ofertado de forma muito abundante, com ênfase nas modalidades que privilegiam o consumo e deixam quase à margem o estimulo à patrimonialização familiar e à formação das poupanças individuais.
Não fossem os financiamentos dirigidos à aquisição de veículos e de imóveis residenciais, a política de crédito teria contemplado exclusivamente o crescimento da demanda, por meio do aumento do consumo individual.
Foi preciso atingir os níveis excessivos de endividamento das famílias brasileiras e assistir a um eventual descontrole inflacionário para o governo entender a necessidade de maior austeridade na condução da vida econômica do país. O preço político a pagar implica a renúncia de alguns pontos percentuais de popularidade e de aceitação do Chefe do Executivo. Isso é assim mesmo.
De fato, esse custo é muito baixo se lembrarmos que, entre os muitos benefícios que essas medidas trazem à inflação, à sustentabilidade do crescimento nacional e às famílias, elas abrem espaço para um novo ciclo de redução dos juros básicos e, por consequência, da dívida pública.
Não se pode falar em aperto de crédito, sem ser impróprio. Estamos diante apenas de um contingenciamento de quantidades e de prazos excessivos que provocavam o aumento dos encargos da dívida pública, impedindo a realização do sonho nacional: o superávit nominal. O Tesouro Nacional pode, com essas medidas e com o cumprimento das promessas do governo eleito, efetuar cortes de despesas, planejar superávits importantes à saúde econômica do país, no longo prazo.
A Selic é cruel na medida em que amplia a dívida federal, mas, de igual maneira, será benéfica, quando reduzida. O endividamento sofreria um a alívio, acelerando o saneamento do orçamento nacional. O Copom tem espaço para pensar assim, a partir desse final de semana e não deve hesitar em decidir. Não há mais razões para subir esses juros.
A elevação do compulsório e o reforço das reservas das operações de crédito de longo prazo provocam efeitos profundos e têm impactos mais duradouros sobre todo sistema monetário.
O aumento dos limites de recolhimento ao Banco Central, aos quais os bancos estão compulsoriamente sujeitos, enxuga a liquidez do sistema e retira do mercado dinheiro que certamente ganharia a direção dos empréstimos.
As estimativas dão conta de um enxugamento na casa dos R$ 61 bilhões, um valor significativo que desfaz as ameaças de formação de bolhas no mercado creditício e de altas dos preços decorrentes de fatores não sazonais.
Em reforço, o Conselho Monetário Nacional ampliou as garantias que o sistema bancário precisa fazer para arcar com os riscos de inadimplência em várias modalidades de financiamentos. As instituições financeiras deverão manter R$ 16,50 de capital para cada R$ 100,00 que emprestam no mercado, ao invés dos apenas R$ 11,00 que mantinham antes dessa decisão do Conselho. Essa medida alcança as operações de crédito direto ao consumidor, de mais de 24 meses, empréstimos consignados, de 36 ou mais meses. Para as operações com veículos essas exigências estarão vinculadas ao prazo do financiamento e ao valor dado como entrada na aquisição desses bens.
O mais animador foi ver que o contingenciamento aconteceu de forma seletiva, como vínhamos sugerindo em nossas postagens. As operações de crédito rural, imobiliário e de financiamento ou arrendamento mercantil de veículos de carga permanecem na regra antiga.
Vale também insistir na idéia de que ao atingir os bancos, as medidas punem o consumo que vai se encontrar com taxas mais altas de juros.
Aos bancos, no seu papel de intermediação, não caberá outra decisão senão a de aumentar os spreads.

Ganhou o mundo.

Propaganda da Brastemp
repercute no exterior.
A Brastemp surprendeu as reações de motoristas nos congestinamentos de São Paulo: graves, stressados, introvertidos e silentes. Pediu  a eles que dessem um sorriso para as pessoas que estivessem no carro ao lado. O trânsito pareceu mudar. As pessoas também.
A veiculação foi feita em um número grande de TV's. O anunciante comemorou os resultados alcançados.
A simplicidade de um sorriso, transformou-se em homenagem à vida. Coisas da publicidade nacional.
Assitam mais uma vez.
http://www.youtube.com/watch?v=-Hc1kFvUTT4&feature=player_embedded

Técnicas perfeitas e erros na memorização

Memorização pode apresentar dificuldades. Associações anteriores produzem
inconsistências 
O comercial foi originalmente concebido para uma veiculação de 3'.
Até a metade o personagem é o produto. Só depois, aparece o endossante: expert, célebre, absolutamente compatível com a demonstração das funcionalidades do produto. Tecnicamente perfeito, nobre e singular.
Entretanto, no recall, a peça é sucetível a atribuições à marca concorrente e menções igualmente fortes desse mesmo concorrente.
Afinal, o endossante, embora alemão como a marca anunciada, ainda guarda forte associações com a rival italiana.
Essa versão de 3', pode ser compactada para versões de 1' e até de 30", basta ser criativo na edição. Aliás, a peça parece concebida para isso, permitindo níveis maiores de veiculação.
Vale a pena asistir no Uou Tube
http://www.youtube.com/watch?v=l48errZPPa4

Esperanças se renovam

Bolsa fecha em leve alta sob reflexos
de EUA e Europa
Veículo: Executivos Financeiros   - Data: 02/12/10   -    Por Edilaine Félix
A Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa) fechou as operações em alta quinta (02). O Ibovespa (principal indicador do mercado de ações brasileiro) valorizou 0,26%, atingindo os 69.527 pontos. O volume financeiro do dia foi de R$ 5,7 bilhões, com 496.859 negócios realizados.
De acordo com Celso Grisi, presidente da Fractal e professor da FEA-USP, “o dia foi um dia calmo, sem movimento expressivo”, impulsionado pelas informações da economia americana e europeia.
Em relação à Europa, o professor enfatiza que a zona do euro fica postergando o socorro para segurar posições, sem anunciar claramente e por outro lado, os Estados Unidos apresentou um desempenho interessante: aumento de 10% nos contratos de compra e venda de imóveis, aumento na demanda de auxílio-desemprego.
“Isso demonstra que a recuperação dos Estados Unidos está caminhando e que a Europa contornará a crise”. Grisi acrescenta que sendo assim, o investidor fica mais tranqüilo, pois já fez boas posições no mercado e a tendência é termos um fluxo positivo.
Entre as baixas mais relevantes do dia estiveram as ações ordinárias da LLX Log, que tiveram desvalorização de 4,12%, sendo negociadas a R$ 8,15. Dentre as commodities, as ações preferenciais da Petrobras encerraram as operações com avanço de 0,55%, sendo negociadas a R$ 25,40, e as da Vale tiveram alta de 0,54%, sendo cotadas a R$ 49,50. As altas mais significativas foram registradas pelos papéis ordinários da Ecodiesel, que apresentaram valorização de 4,95%, sendo vendidos a R$ 1,06.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Banco Central dá com uma mão e tira com outra

Aperfeiçoamentos no Sistema
Financeiro Nacional
O Banco Central altera o compulsório, aumenta o limite de garantia do Fundo Garantidor de Créditos programa a extinção do Depósito a Prazo com Garantia Especial do FGC.
As medidas objetivam aperfeiçoar o regramento do setor para consolidar a estabilidade sistêmica no setor financeiro. O adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo será elevado de 8% para 12%. O compulsório sobre depósitos a prazo irá de 15% para 20%. Não se falou em inflação, mas o mercado foi informado que a liquidez seria reduzida em mais de R$ 60 bilhões. A inflação também cairá.
Instituições financeiras com patrimônio de referência menor que R$ 2 bilhões terão aumentado seu limite de dedução do adicional de compulsório sobre depósitos à vista e a prazo. O limite sobe 3 de R$ 2 bilhões para R$ 2,5 bilhões. Para instituições com patrimônio entre R$ 2 bilhões e R$ 5 bilhões, o limite também subirá, mas, nesse caso, de R$ 1,5 bilhão para R$ 2 bilhões.
Para compensar o vigor dessas medidas, o BC pretende elevar o limite de garantia dos depósitos e créditos protegidos pelo FGC de R$ 60 mil para R$ 70 mil, por depositante.
No fundo essa proteção isso não muda nada. Mas afaga, com a mesma mão que bateu. De juros não se falou. De inflação muito menos. O que se pode esperar, senão um a compensação nos spreads?


Selic ainda pode subir nesse ano

Mercado prevê que Copom vai elevar
juro básico para 11%
Veículo: DCI - 3/12/2010 - Karina Nappi
SÃO PAULO - A aposta de alta da taxa Selic no curto prazo segue firme no mercado futuros de juros, adicionando prêmios às taxas projetadas pelos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Os ajustes de alta são maiores nos contratos de DI que vencem em 2011, mas abrangem também vencimentos futuros de DI até 2014.
Nem mesmo um desempenho menor que o esperado para a produção industrial brasileira em outubro e uma desaceleração da inflação na capital paulista medida pelo IPC-Fipe em novembro tiveram força para frear o avanço dos juros futuros de ontem.
Segundo um operador, na dúvida se o momento de ajuste da taxa é dezembro ou janeiro, os agentes antecipam nas curvas dos DI futuros um ajuste de 0,25 ponto percentual à taxa básica, o que a levaria a 11% ao ano.
Ao término da negociação normal na BM&F, entre os contratos de vencimento mais curtos, o DI de janeiro de 2011 projetava taxa de 10,839% ao ano, de 10,77% no ajuste de ontem, com 893.215 contratos negociados ontem; o DI de abril de 2011 avançava para 11,36% ao ano, de 11,21% ontem, com 236.815 contratos negociados; o DI de janeiro de 2012 marcava projeção de 12,24% ao ano, de 12,13% ontem, com 356.515 contratos negociados. Na divisão de longos e curtos, o DI de janeiro de 2013 subia a 12,36% ao ano, de 12,29% ontem, com 156.405 contratos negociados.
Entre os contratos longos, o DI de janeiro de 2014 avançava para 12,20% ao ano, de 12,14% no ajuste de ontem; mas o DI de janeiro de 2017 já cedia para 11,98% ao ano, de 12,01% ontem; e o DI de janeiro 2021 caía para 12,01% ao ano, de 12,03%.
A retomada da alta dos juros - Selic - pode ter início na última reunião do ano, que acontece nos dias 7 e 8 de dezembro. De acordo com informações, a presidente eleita Dilma Rousseff já está preparada para endossar a retomada da alta dos juros e não descarta que isso aconteça ainda em dezembro, na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
A presidente eleita e sua equipe acreditam que o início de um novo ciclo de aperto monetário será seu primeiro grande teste na área econômica.
Nas últimas três reuniões, a Selic é mantida em 10,75% ao ano pelo Banco Central (BC), mas declarações recentes da autoridade monetária ajudaram a alinhar cada vez mais as expectativas de que nova elevação está prestes a ocorrer, entre dezembro e janeiro.
O diretor presidente da RC Consultores, Paulo Rabello de Castro, acredita que o Copom eleve a taxa básica de juros já na próxima reunião.
Na avaliação dele, seria uma sinalização importante para que o BC "mantenha a moral", visto o aumento dos índices que medem a inflação, pressionada pelo preço dos alimentos.
"Eu sou daqueles que mais duramente combateu a utilização da taxa de juros para segurar e frear a demanda dos consumidores. Acho, inclusive, que isso é uma injustiça, porque quem tem de frear sua própria demanda e o excesso de seu próprio gasto é o governo, que gasta demais. Só que há momentos como este em que a inflação realmente está crepitando. E é necessário agir imediatamente", afirmou Castro.
"As expectativas para a inflação neste e no próximo ano apresentaram consideráveis elevações desde a última reunião do Copom, estando bastante acima do centro da meta. De fato, os últimos resultados de inflação foram determinantes para elevar as expectativas, entretanto, um aumento dos juros poderia contribuir para evitar novos aumentos nas projeções de mercado", aponta a análise da Rosenberg Consultores Associados.
"A função de reação continua indicando que a taxa de juros deveria ser elevada. Além disso, houve elevação da taxa esperada pela curva de Taylor desde a última reunião. Após as tergiversações a respeito do impacto das dúvidas sobre os problemas do PanAmericano sobre as decisões de juros, a necessidade de elevação da Selic torna-se premente. As incertezas sobre o cenário externo ainda podem adiá-la por algum tempo, mas vão ganhando corpo as apostas em alta já no início do próximo ano. Embora nosso cenário principal não seja de alta nesta reunião, há uma probabilidade, ainda que pequena, de que o Copom decida iniciar o mais rapidamente possível a trajetória de ajuste que parece tornar-se inevitável", mostra o documento da Rosenberg.
De acordo com o diretor da Fractal, Celso Grisi, na próxima semana o Copom deverá elevar a Selic em 0,5%, com isso a taxa passará a ser de 11,25% ao ano já em 2010. "O que nós temos ouvido é que o Meirelles não será omisso. A inflação crescente pede providências e por isso deverá elevar a Selic para segurar a inflação. Mas o nosso principal problema hoje é o aumento das importações, que afetou o crescimento das indústrias, o nível de emprego, entre outros. Subir taxa de juros é uma perda de tempo, é ineficaz, deveríamos reduzir o número de financiamentos e contingenciar o crédito", disse.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Recuo na hora errada

O Brasil no Mapa da Competitividade Global em 2010
A última edição do Relatório da Competitividade Global, publicado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial - www.weforum.org-, aponta um recuo brasileiro de duas posições no ranking da competitividade global em 2010. O país caiu da 56ª para a 58ª posição. Na América Latina, o Chile ocupa o 30o lugar, Porto Rico o 41º e o Panamá (53o). Entre os BRICs, o Brasil supera a Rússia que está na 63ª posição. A China ocupa o 27º lugar e a Índia o 51º.

A queda pode ser explicada apenas por aspectos institucionais. O ambiente e a cultura de fazer negócios no Brasil são percebidos como muito deteriorados. Os avanços, no plano jurídico-institucional, feitos nos últimos anos, são tidos como insuficientes. Não foram bastantes evoluir nas práticas empresariais, a criação do novo mercado financeiro ou a consolidação da estabilidade monetária. O país sofreu suas piores avaliações em itens como tributação, regulamentação governamental, a qualidade do ensino fundamental, da infra-estrutura, corrupção, desperdício nos gastos do governo, confiança nos políticos e na Justiça. Aliás, é de se admirar que, diante disso tudo, mantenha-se um fluxo tão grande de investimentos externos diretos.
Quanto à baixa qualidade da infra-estrutura do país, a crítica aponta para seus efeitos sobre os custos mais altos de logística e padrões ineficientes de comércio inter-regional e internacional, agravando a os preços do produto nacional. As estimativas apontam para uma necessidade de investimentos anuais de 5% do PIB, para que o Brasil possa crescer a taxas elevadas de crescimento sustentado, sem gargalos na infra-estrutura.
O Relatório destaca ainda que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não logrou alcançar sequer 50% das metas a que se propôs. Quanto aos investimentos, o Relatório ainda reprova o fato de a maior parte do financiamento ter sido destinada à habitação e não para a melhoria da infra-estrutura física do país.
Como se vê, as críticas apontam para a permissividade política e para a capacidade gerencial do governo. Para nós, parece não haver novidades maiores, até porque já nos acostumamos com tantas mazelas. Entretanto, sustentar nossas ambições de crescimento exigirá o desenvolvimento de uma cultura e de novas práticas de gestão. A ênfase deve ser dada aos problemas institucionais e ao aperfeiçoamento de nosso ordenamento jurídico, de maneira a garantir maior segurança aos investimentos e às iniciativas empreendedoras.

Famílias endividadas

No Natal começa novo ciclo de
endividamento familiar.
Veículo: DCI   -   Data: 1o de dezembro de 2.010.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Espanha anuncia programa de privatizações

Pressões impostas pela alta dívida interna levam à privatização
Não se trata de discutir o tamanho do estado ou de seus papéis e funções. A questão não tem contornos ideológicos e não está arrimada em qualquer teoria geral para o estado. Apenas a dívida pública tornou-se insuportável.
Com isso, o Congresso espanhol tomou conhecimento ontem de que o Chefe do Executivo do país estará levando à aprovação, na próxima sexta-feira, proposta para que o capital privado exerça funções, até então, tidas como exclusivamente públicas.
O regime jurídico proposto é o das concessões e atingiria desde aeroportos até a própria loteria espanhola. Cabe ao Conselho de Ministros aprovar o pacote de empresas a serem “embrulhadas e entregues”, total ou parcialmente, ao capital privado.
As medidas têm objetivos explícitos: reduzir a dívida e abrir espaços no orçamento nacional espanhol para permitir investimentos e a criação de novos empregos. A intenção final é de facultar ao executivo espanhol a prática de políticas ativas de emprego e renda.
A receita não é nova, mas pareceu eficaz, pelo menos no Brasil. Ainda que remanesçam acusações e suspeitas sobre a condução desse processo aqui no Brasil, o fato é que o estado nacional mais leve evoluiu para o superávit primário. Conseguiu sustentar políticas sociais e assistenciais que, acompanhadas da expansão do crédito, dessem conta de impulsionar o PIB e ampliar a renda nacional.
Empregos apareceram, possibilitando o crescimento do consumo e da renda das famílias. Ironicamente, o fenômeno repetiu no bojo do estado brasileiro, com a arrecadação crescendo a ritmo acelerado e, lamentavelmente, as despesas também.