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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Brincando com fogo

Começaram as reações
É muito cedo para qualquer avaliação sobre a decisão do Copom de baixar em 5 pontos percentuais as taxa Selic.
Em todo caso, já estamos às 12 horas. O dólar opera em alta de 0,69%, cotado a R$ 1,7880. A pregunta é se haverá fuga da moeda norte-americana em função da minimização dos esforços do Banco Central em manter a inflação em rota de convergência para o centro da meta.
A bolsa cai 0,99%, mostrando um novo recuo. Provavelmente, isso tenha mais a ver com a situação de países e bancos europeus que com qualquer variação do juros brasileiros.
O sinal enviado, desnecessariamente, é de que a prioridade é o crescimento.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Europa: compasso de espera


Até agora, não andou
Não se encontrou ainda um acordo que pudesse encaminhar solução ao problema do endividamento do continente europeu. O Fundo de resgate continua no seu tamanho original (440 milhões de euros), sem os aumentos necessários para proceder ao de resgate da zona do euro.
As estimativas imaginam que a ampliação dos recursos precise alcançar cerca de € 2 trilhões.
Esse não é um valor tão trivial e o processo de negociação, encabeçado pela Alemanha e França, demandará empenho e esforço de toda União Europeia.

Selic

A expectativa de redução dos juros aumenta
Não se trata de uma decisão fácil. Juros mais baixos levarão ao aumento das pressões inflacionárias. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de setembro, acelerou para 0,53%, acumulando alta de 7,31% em 12 meses. Baixar o juros nesse instante significaria para os agentes econômicos o abandono à política de metas para a inflação e, como consequência, traria um novo aumento do risco-país e uma provável redução dos investimentos externos diretos.
A tentação política é grande. A desaceleração da economia e o próprio comportamento do mercado de trabalho anunciado ontem apontam para irresistível atração de preservar o crescimento econômico em patamares que preservem a popularidade do atual governo. O discurso contracíclico dá apoio à ideia e sugere a necessidade de medidas preservadoras da demanda interna.
A lógica econômica, por sua vez, ensina que crescer com base na expansão dos preços, produz um PIB carunchado. Os ganhos reais da renda são engolidos pelo comportamento dos preços, alimentado a autofagia da demanda, induzida artificialmente pelo abandono à responsabilidade monetária.
O momento inspira cuidados e poderá registrar um ponto de inflexão na curva da austeridade econômica. Sensato seria manter inalterada a taxa de 12% ao ano, sinalizando o compromisso com a estabilidade da moeda, mesmo sofrendo o desgaste de alguns poucos pontos percentuais nos índices de aprovação do atual governo. Deixar-se tomar pela atração  política pode ser fatal.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

É velha a crítica sobre os cartórios econômicos

Economistas criticam atuação do BNDES em grandes obras
Veículo: DCI - Data: 18/10/11
Jornalista: Gustavo Machado - AE
São Paulo - O presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, presente em evento da Confederação Nacional da Indústria, afirmou ontem que novos aportes financeiros na área de infraestrutura podem acontecer. Coutinho citou particularmente dois projetos bilionários. A usina hidroelétrica Belo Monte e a fábrica de telas digitais e semicondutores da Foxconn. "Nós temos interesse em examinar seriamente [o empreendimento], pois é uma oportunidade relevante para a economia", comentou sobre a companhia chinesa. Já sobre a usina, Coutinho afirmou que "se necessário, complementaremos o empréstimo para ter tempo de fazer tudo direitinho". Dispêndios bilionários na indústria e em infraestrutura fazem do BNDES o maior fomentador brasileiro. Atualmente, o custo financeiro para o empréstimo, sob a óptica das empresas, é lucrativo. Descontada a inflação, os juros cobrados pelo órgão fomentador situam-se em terreno negativo de 1,31% ao ano. Os juros de apenas 6% ao ano, praticados pelo banco estatal, sugerem críticas por parte de economistas. André Perfeito, economista da Gradual Investimentos, atenta para a contradição evidenciada pelos juros pagos pelo Tesouro Nacional e os recebidos pelo BNDES. "O Governo toma a 12% e empresta a 6%. O Brasil é muito curioso em relação a juros", afirma. Segundo o economista, o retorno financeiro brasileiro é suficiente para o investimento direto no País, sem a necessidade de dar subsídios para empresas estrangeiras. "O retorno em diversas atividades valem mais que os juros atuais de 12%. Caso o retorno não fosse atrativo, ninguém investiria em empresas, apenas no tesouro", explica André Perfeito. Ontem, Coutinho argumentou que o País segue firme e atraente para investimentos estrangeiros, mesmo em épocas de turbulência. "Os planos de investimento no Brasil estão firmes, estão mantidos. Acreditamos na capacidade da economia brasileira de sustentar o crescimento, apesar dos efeitos da crise internacional", diz o presidente. Na semana anterior, membros do governo brasileiro afirmaram à Reuters que o negócio com a chinesa Foxconn pode não se concretizar. Devido à falta de mão de obra qualificada e alta carga tributária, os investimentos de US$ 12 bilhões não seriam viáveis. O banco gerido por Coutinho poderia entrar como salvador de um negócio tido como a principal conquista de Dilma Rousseff em viagem à China. Charles Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), comenta que os investimentos de US$ 12 bilhões são ilusórios quaisquer fossem as condições macroeconômicas brasileiras. "Eles investirão talvez US$ 1,2 bilhão. Não dá pra imaginar esses US$ 12 bilhões", comenta. André Perfeito questiona a possibilidade de investimento do BNDES na companhia chinesa. "Fico indignado com um empréstimo a uma fábrica que, no começo do ano, 15 se mataram por não conseguir mais trabalhar. Uma fábrica bilionária que pode se capitalizar internacionalmente", irrita-se. Fábio Pina, economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, explica que o Brasil perde muito dinheiro com aplicações que, provavelmente, não seriam avalizadas em uma empresa privada. "Ninguém entende essa equação. Reservas de US$ 300 bilhões, juros de 12%, inflação de 7,3% e BNDES emprestando dinheiro a 6%. Somente com as reservas, sem considerar o câmbio, perdemos US$ 18 bilhões ao ano", afirma Pina. Segundo Pina, é incompreensível o tamanho dos desembolsos realizados pelo BNDES na atual conjuntura. "Emprestar mais de R$ 1 bilhão no longo prazo, está errado. É uma transferência de dinheiro público para o privado". O banco dispõe de travas para que determinadas parcelas do empréstimo sejam aprovadas apenas depois da fiscalização do empreendimento. No entanto, empresas conseguem reinvestir parte do empréstimo até que ele seja totalmente utilizado na obra discriminada no projeto. Segundo Celso Grisi, diretor-presidente do Instituto Fractal, investimentos suntuosos em empresas multinacionais não poderiam ser atribuições da instituição fomentadora. "Os investimentos têm que ser muito relevantes do ponto de vista econômico e social. Valores como esses distorcem a ideia de um banco de desenvolvimento", diz. Fábio Pina reforça a crítica feita por Grisi. "O BNDES tem que mudar de nome. Ele não tem o aspecto de um banco para desenvolvimento econômico e social". Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, argumenta contra a legitimidade da instituição. "O subsídio concedido pelo BNDES, a diferença entre o que o Tesouro Nacional paga e o juro praticado pelo banco, configuram um custo para a sociedade". Segundo o ex-ministro, os aportes realizados teriam de ser aprovados pelo Tribunal de Contas da União e pela Câmara Legislativa, pois o dinheiro utilizado pertence à sociedade brasileira. "É para mostrá-lo de forma transparente", comenta o economista Maílson da Nóbrega.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Crescimento brasileiro

À busca dos emergentes mais próximos
América Latina poderia ser uma alternativa regional interessante. Veja a reportagem no endereço abaixo:
http://clipping.cservice.com.br/cliente/visualizarmateria.aspx?materiaId=14389788&canalId=21418&clienteId=YA7vtvn8SlE=&end

Banda cambial?

Flutuações limitadas
Em períodos de grandes flutuações tudo fica mais difícil para os formuladores de política econômica. Prever supõe  a descoberta da direção dos fatos e o diagnóstico das intensidades que assumirão, nas muitas direções que vierem a tomar.
A crise das dívidas europeias assumiu proporções assustadoras que até ontem se mantinham sem direções definidas. Agora, com o G-20, começam a se dissipar. Os líderes europeus comprometeram-se com o encaminhamento de soluções, deixando antever um futuro recessivo, mas sem rompimentos do sistema financeiro. Tanto melhor.
O fato de ser melhor, entretanto, não afasta os grandes dilemas econômicos da atualidade. O câmbio é um deles. A inflação é outro, até mais importante. No câmbio, o regime flutuante segue como um paradigma que não se quer negar, na tentativa de preservar os princípios dos investidores internacionais. Entretanto, a Suíça impôs, no início do mês passado, à moeda  local, o piso de 1,20 francos suíços por euro. O argumento básico é o de que as exportações representam algo em torno da metade de seu PIB e que a valorização excessiva da moeda prejudica a competitividade da empresa local, prejudicando o crescimento econômico.
No Brasil, de forma velada, o regime cambial livre está sendo substituído por um sistema mascarado de banda. O mercado acompanhou os momentos de maior apreciação e observou que o Banco Central do Brasil admitiu, com certa passividade,  a taxa de câmbio alcançar R$1,50 por dólar. Noutro momento, o mercado se deu conta de que acima dos R$ 1,90, o mesmo Banco Central passou a evitar que a desvalorização da moeda se aprofundasse. Estabeleceu-se entre os agentes econômicos uma espécie de consenso de que há um sistema de banda, ainda que  bastante amplo, com piso inferior fixado em R$ 1,50 e superior em R$ 1,90.
As razões do Banco Central brasileiro foram entendidas e aceitas como muito semelhantes à s razões suíças. O mercado também entendeu que emprego e inflação são pontos cruciais nessa decisão e resignou-se diante do intervencionismo estatal. Esse último foi compreendido como instrumento de combate às possíveis recessões, e que a intervenção será a tônica desse governo.
 Se alguém ainda duvidava, as medidas relativas ao IOF em operações cambiais, ao IPI para a importação de veículos e, finalmente, às relativas a redução da taxa Selic sinalizam os novos rumos de nossa economia.
Temo por isso tudo. Vejo muito estado na vida econômica e pouco estado na vida social.
Começo a ver precipitações nas decisões. Ora são tímidas, veladas e retardadas, como no caso do câmbio;  ora chegam de afogadilho, são precipitas e desnecessariamente precoces, como no caso da redução da Selic.
Decisões a céu aberto e justificadas para toda a sociedade, como as suíças, respeitam mais claramente as regras do livre comércio. Decisões de redução dos juros básicos, antes mesmo que a recessão apareça de forma nítida e que, com nitidez similar, a inflação inverta sua direção para o centro da meta, podem causar estragos  de difícil reversão no seio de nossa vida econômica, política e social.

sábado, 15 de outubro de 2011

Inadimplência

Recua a inadimplência
O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor caiu 3,0% em setembro, na comparação com o mês imediatamente anterior. Foi a primeira queda mensal do índice, depois de seis altas consecutivas. No ano, até setembro,  registrou alta de 23,3%. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período de 2010, o índice repetiu o mesmo percentual do mês passado, 23,4%.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, a antecipação do 13º salário aos aposentados, a redução dos juros e a menor quantidade de dias úteis, frente a agosto, fizeram com que a inadimplência apresentasse esse recuo em setembro. Também contribuiu para o declínio do índice a maior facilidade oferecida pelos credores ao consumidor para renegociar dívidas, como, por exemplo, as condições proporcionadas pela Campanha Serasa Experian de Recuperação e Concessão de Crédito Natal 2011, que visa a facilitar a regularização de dívidas e o acesso a novos créditos.
Na decomposição do indicador, todas as modalidades da inadimplência puxaram a queda.  As dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água) apresentaram queda de 3,3%, com contribuição negativa de 1,3 ponto percentual. Os cheques sem fundos caíram 10,3% (contribuição negativa de 1,1 ponto percentual na variação total). As dívidas com os bancos tiveram declínio de 0,9% . Os títulos protestados também tiveram queda de 13,9%.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Brasil em desaceleração no relatório da OCDE

No exterior, o prestígio vai se reduzindo também gradualmente
Entre os emergentes e desenvolvidos, o Brasil mostra a mais forte tendência à desaceleração da economia, conforme o relatório publicado pela  Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE esse mês.
O  Indicador Composto Avançado da OCDE mostra as tendências econômicas para os próximos seis meses.
 Pelo quinto mês consecutivo, o Brasil ficou abaixo do nível de 100 pontos, utilizado como referência para classificar a atividade econômica dos países.Os países que sofreram queda em relação ao último estudo e ficaram abaixo de 100 pontos recebem a classificação de "desaceleração".
ICA do Brasil, em agosto ficou em 94,8 pontos, o mais baixo entre os 39 países analisados.
O ICA do Brasil sofreu queda de 1,2% em agosto sobre o mês anterior. Mas na comparação anual, o indicador do Brasil já perdeu 6,7%, a segunda maior redução logo após a Índia, cujo ICA sofreu queda de 6,8% em um ano.
Interessante notar que a desaceleração está coincidindo com a valorização cambial brasileira e com o aumento da inflação. Inútil, portanto, enviar recados e advertências ao mundo ou afirmar que o país se dispõe a ajudar a Europa em suas questões políticas e econômicas. Melhor será cuidar da própria casa. Permissividade monetária não combina com prestígio internacional. O mundo nos observa nesse instante com muita cautela e algum receio. Já não somos o mesmo?

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

É urgente esperar

Não fazer nada é uma boa decisão
O COPOM parece encurralado, embora as declarações das autoridades econômicas sobre haver espaço na economia para baixar a taxa básica de juros.
Todos os índices que medem inflação apresentaram-se mal comportados, sinalizando para a improbabilidade do alcance das metas definidas para a alta dos preços. Já nisso ninguém mais acredita. Sobretudo a comunidade internacional, onde o prestígio do país começa a ceder como mostram os sucessivos aumentos do risco-país.
Haveria a necessidade de enviar um recado claro ao mundo, dando conta de que a estabilidade monetária é a prioridade da gestão econômica do Brasil.
Por outro lado, a economia agora já cresce mais lentamente e a recessão mundial avançou celeremente. Internamente, o comércio perdeu força, a indústria mantém-se estagnada e os serviços também enfraqueceram seu ritmo de expansão. A oferta de crédito já é menor em função da redução dos ganhos da renda real. O governo necessitaria amenizar esse quadro e a redução de juros é, sem dúvida, uma estratégia eficiente de permitir expansões mais expressivas da economia nacional. As autoridades armaram seus planos com base nessa estratégia, batizada com o nome de contracíclica.
Esse é o enrosco armado para a próxima curva do rio econômico nacional.
Se o COPOM reduzir a Selic, a comunidade internacional pode iniciar um ataque às reservas nacionais, numa perspectiva de recrudescimento inflacionário. Se subir, coloca o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central em desmoralização de suas estratégias e desmente suas promessas.
Melhor não fazer nada, então. Em seguida, soltar uma ata dizendo que o cenário internacional ainda não está completamente definido e que o COPOM, assim como um bom médico, resolveu observar seu paciente por mais 24 horas. Pode para isso recorrer aos conselhos de Talleyrand, o mais célebre estrategista da sobrevivência política: "É urgente esperar".

Preço da carne solicita especialização dos frigoríficos

Preço da carne solicita
especialização dos frigoríficos
Veículo: Canal Rural  -  Data: 10/10/2011
Programa: Jornal da Pecuária  -  Jornalista: Sérgio Braga
A indústria frigorífica precisa agregar valor. Veja por que:

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Steve Jobs para iPad

Revista portuguesa lança edição para iPad
A SÁBADO preparou edição extra com vários artigos sobre a vida de Steve Jobs, uma das principais figuras do mundo das tecnologias de informação, morto no dia 5 de outubro por um implacável câncer no pâncreas.

O co-fundador da Apple passou os últimos dias de sua vida com a família mais próxima.
Seu estilo de gestão em boa medida contraria ensinamentos acadêmicos. Ditatorial, personalista e cheio de receitas de bolos, muitas delas copiadas de alguém. A edição oferece navegação pelos principais gadgets da Apple e pelas fotografias histórias de Steve Jobs. Recomendo fortemente.
E lembre-se, como tudo na Apple, "esta será mais uma oportunidade para você que ainda não comprou, comprar imediatamente o seu iPad. Não perca essa oportunidade única de comemorar o luto do co-fundador, engordando o caixa da empresa".
Disponível na Apple Store, com um custo de 0,79 euros, a aplicação.

Tarda, mas não falha

Grandiente ganhou.
Mas ainda precisa levar.
Em julho desse ano, O Supremo Tribunal Federal havia decidido pela restituição dos valores recolhidos à Suframa, desde 1991 até 1999, a título de remuneração pela anuência aos pedidos de guias de importação de insumos e bens de capital, bem como pela anuência na internação relativas a essas mercadorias. Por si só, isso já havia sido uma bela lição aos burocratas que também se acham no direito de tributar por conta própria.
A Suframa interpôs recurso extraordinário junto ao Superior Tribunal de Justiça. O acórdão publicado no início da semana, nega provimento ao recurso e liquida a questão, restando apenas a estipulação do valor a ser restituído, com as correções monetárias legais. As apostas feitas por tributaristas variam de 300 a 500 milhões de reais.
Para se ter uma idéia do dano imposto à empresa pela avidez da autarquia, é preciso lembrar que a Gradiente, há coisa de quatro anos atrás encerrou suas atividades, com dívidas de mais de R$ 300 milhões. Em outras palavras, a dívida foi construída graças a carga tributária adicional imposta à empresa e que inviabilizou de forma arbitrária seu desempenho no país.
O despacho diz que o parágrafo único do art. 24 do Decreto-Lei n. 288/1967, que autoriza a Superintendência da Zona Franca de Manaus a instituir taxas por meio de portaria, “contraria o princípio da legalidade e, portanto, não foi recepcionado pela Constituição da República de 1988”.
Que bela lição de limites à gestão dos órgãos públicos!

Decapitações

A moda pegou. Agora é no Brasil
Ao passar em frente aos edifícios da Siemens no Brasil é provavel que você se depare com a um banner, em plástico, com os seguintes dizeres em negrito "Agora, sob nova direção".
A auditoria interna da Siemens no Brasil identificou, segundo nota à imprensa, “grave contravenção das diretivas” da empresa, praticada durante a gestão de Adilson Antonio Primo. Procedeu a demissão do executivo e não deu outras explicações ao público sobre o episódio. Afirmou, entretanto,  que os trabalhos de auditoria continuam em andamento. A nota fala de contravenção, no singular. Ao que tudo indica parece ter sido encontrado um único episódio, ocorrido em 2007, e que aparece apenas 4 anos depois. Estranho que seja único. Por outro lado, a auditoria interna mostrou-se atenta e, simultaneamente, excessivamente lenta.

Em princípio, esse episódio não envolveria a área de telecomunicações da empresa, vez que há esse tempo, o negócio de Telecom já estava sendo operado pela Nokia Siemens Networks. Restou a Siemens as operações no segmento de energia e tecnologias aplicadas à medicina e saúde, bem como as áreas de automação industrial e equipamentos domésticos.
Em outros casos de natureza similar, é comum que não haja apenas um único desvio de conduta e que as demissões se estendam no nível horizontal, envolvendo pares, e verticalmente, envolvendo subordinados. Vamos aguardar, para conferir.

Educação financeira

Investimentos e seus riscos
Veículo:Mercado Brasil  -  Data: edição de outubro

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Câmbio

Será necessário inspirar confiança no país
O dólar comercial continua recuando. Fechou, na sexta-feira passada, cotado a R$ 1,7660, acumulando queda pouco acima de  6,0% no mês de outubro. Mas com alta de 6,13%, nesse ano e de 4,74%, nos últimos 12 meses.
Em setembro, a moeda norte-americana havia disparado. Subiu quase 18%, encerrando o mês cotada em R$1,88.
Investidores procuraram pelo novo patamar no qual a moeda venha a se estabilizar. Crêem que esse patamar estará bem acima dos R$ 1,50 e bem abaixo dos R$ 1,90.
Está muito claro que a crise das dívidas europeias aumenta o risco Brasil e puxa o dólar para cima. Uma retomada da economia nos Estados Unidos também.
O equilíbrio da moeda, no que depender do Brasil, vai ficar à espera do arrefecimento das pressões inflacionárias e da redução gastos públicos.
As notícias sobre a inflação brasileira estão assustando os investidores externos e tendem a valorizar a moeda norte-americana. Veja o gráfico abaixo, produzido pelo Banco do Brasil:

A China e sua ditadura

Mesmos as ditaduras precisam legitimar objetivos e os meios para produzí-los
A China acompanha a tendência mundial de redução de crescimento e isso deve continuar, pelo menos, por mais um ano. Mais do que o problema global, o fato é que a China vem, desde 2009, procurando dominar o comportamento dos preços internos, sujeitos a intensa pressão de demanda, imposta pelo rápido crescimento de sua economia. Juros, encurtamento dos prazos de financiamentos, câmbio, depósitos compulsórios, cortes em orçamentos municipais e outros instrumentos de políticas econômicas, de forma gradualista, foram colocados em prática. O crescimento cedeu, mas a inflação persiste.
A bolha imobiliária foi inicialmente identificada como determinante da alta de preços. Para combatê-la o governo de Pequim contingenciou o crédito e aumentou seu custo, resultando na deterioração da saúde financeira das empresas do setor e de empresas de outros setores, sobretudo as pequenas e médias. A procura por imóveis caiu paulatinamente. Os preços também.
O sistema bancário, pelo menos até agora, não levantou maiores suspeitas em relação a sua estabilidade e, realmente, parece, de modo geral, sólido. Nesse momento, a inflação tem sido entendida como resultante dos desequilíbrios das contas dos governos das unidades federativas chinesas e dos enormes, mas não bem conhecidos no Ocidente, déficits dessas províncias e de seus municípios.
Mesmo as ditaduras mais fortes necessitam de um grau mínimo de legitimidade e adesão. Até uma China comunista e ditatorial tem que fazer concessões a políticos e gestores locais para evitar problemas de governabilidade.
Com crescimento mais baixo, as pressões políticas devem ganhar força, e as concessões nesse campo tenderão a se ampliar, recrudescendo o crescimento dos preços e limitando a criação de empregos.
O ano de 2012 deve ser marcado por ondas sucesivas de protestos naquele país, colocando em questão a manutenção de um sistema politico forte e centralizado.

sábado, 8 de outubro de 2011

Moody's em ação

Por isso as agências de risco são chamadas
 de desmancha prazer
O payroll nos EUA veio maior que o esperado. Em setembro, a economia norte-americana criou 103 mil postos de trabalho. A taxa de desemprego, entretanto, não foi afetada, ficando situado perto dos mesmos 9 %. O mercado contava com a criação de 60 mil vagas. Entretanto, a onda de rebaixamentos de bancos e títulos soberanos na Europa,acabou com o otimismo que se desenhava para o final de semana.
O rebaixamento do rating atingiu a dívida soberana da Itália e Espanha, além do rating de diversos bancos ingleses e portugueses. A autora do rebaixamento é a Moody’s, que não desconhece as dificuldades de bancos de países maiores, como a Itália a Espanha e, na rebarba, da pequena Portugal.

Subiu na 5ª. Caiu na 6ª.

Fica tudo igual. Só podia.
O Ibovespa fechou com queda quase tão forte como a alta do dia anterior. A queda foi de 2%, aos 51.243 pontos. Nessa semana, a perda acumulada foi de 2,06% e, no ano, já alcançou 26,06%. O volume girado nessa sexta-feira foi de R$5,51 bilhões. Aliás, os valores financeiros diários têm sido modestos. Em outras palavras, a votalidade está muito forte.
O dólar começa a achar um novo patamar. Fechou a sexta-feira em queda, cotado a R$ 1,7660. Em relação ao dia anterior, a queda  é de 1,18%, enquanto nessa semana que passou a queda foi de 6,06%.
A indústria já desacelerou. O setor de serviços não. A inflação de serviços acumula, em 12 meses, de 9,0%. Esse número é inaceitável e pede providências rápidas.

Quem não deve, não teme.

Oracle concordou em pagar para
encerrar investigação
A Oracle aceitou pagar US$ 199,5 milhões para encerrar a investigação aberta pelo governo dos Estados Unidos para apurar eventuais fraudes em contratos, cuja soma dos valores é superior a US$ 1 bilhão, em vendas a órgãos federais.
A marmelada envolve agentes do governo que com isso são também poupados de investigações adicionais. Esse talvez seja o pior problema que um acordo dessa natureza impõe à sociedade
O Departamento de Justiça informa que o valor desse acordo é o maior, envolvendo a Administração Geral de Serviços do governo norte-americano.
A Oracle vendeu software ao governo com descontos de cerca de 40%. A empresa, para fazer essa venda, assegurou que o desconto de 40% era o maior oferecido pela companhia a qualquer outro cliente desse porte. O governo acabou descobrindo que mais de 90% dessas empresas adquiriram o produto da Oracle com descontos superiores aos 50%.
A empresa nega veementemente a acusação. “A Oracle nunca cometeu qualquer fraude que seja”, afirmou uma porta-voz da empresa na Califórnia, completando que ela aceitou a multa para “evitar custos maiores neste processo”.
Francamente, fica difícil acreditar. Afinal quem não deve não teme. E também não treme. Nem precisa ser tão veemente ou definitivo. Calma Oracle.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Ecommerce

Classe média e ecommerce
Veículo: Cardnews   -  Data: setembro outubro de 2011
Número  - 185