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sábado, 19 de novembro de 2011

IBM: um cenário para TI

Entendendo o mercado futuro
A IBM anuncia o resultado de sua pesquisa mundial junto a executivos de tecnologia de informação: business analytics, cloud computing e mobilidade serão as áreas que receberão os maiores investimentos e que abrirão o maior número de vagas para empregos.
A pesquisa foi realizada em 93 países, envolvendo 4.000 entrevistados, todos trabalhando na área de TI. Os números falaram muito alto:
1)  A área de business analytics alcançou, entre os entrevistados, o maior percentual de adoção, 90%. Esse  resultado decorre, segundo a pesquisa, da necessidade das empresas de automatizar e decifrar o grande volume de dados produzidos nos trabalhos diários.
2)  42% dos profissionais entrevistados afirmam que em suas empresas existe demanda por esses softwares, enquanto 49% afirmaram que a área de business analytics é ou será utilizada para aumentar a automação de seus processos.
3)  Esses sistemas são mais procurados no Brasil, Rússia, Índia e China (BRIC) do que nos Estados Unidos.
4)  A mobilidade também é apontada como oportunidade. A pesquisa prevê crescimento de 85% nos próximos dois anos.
5)  Os aplicativos corporativos deverão aumentar 34% nesse período.
6)  25%das empresas pretendem desenvolver novas aplicações para computação em nuvem e 24% deverão virtualizar seus ambientes de TI.
7)  24% também pretendem explorar os benefícios oferecidos pela nuvens para armazenamento de dados, muito embora 40% dos entrevistados acreditem que as empresas não estejam ainda suficientemente comprometidas com essa tecnologia.
8)  Mesmo assim, 75% acham que elas começarão a desenvolver infraestrutura na nuvem nos próximos dois anos, impulsionadas pela flexibilidade da operação e pela redução dos custos.
9)  As mídias sociais mudarão nos próximos anos a maneira de fazer negócios das empresas. 43% dos respondentes da pesquisa pretendem utilizar os recursos do “social business” para desenvolvimento interno e 41%, para desenvolver a empresa em ambientes externos.
A pesquisa da IBM mostra as tendências mais fortes na área de TI, dentro do conhecimento dominado hoje. Inovações devem ocorrer e esse quadro pode alterar-se. Entretanto, é de se entender que os drivers expressos  pelas necessidades manifestadas pelos usuários venham a dar impulso aos mercados de TI.
Também e de se aplaudir a pesquisa da IBM e decisão de colocar seu resultados à disposição do grande público.

Arrependimento, por tantas medidas macroprudenciais, mata?

Medidas macroprudenciais foram exageradas?
Realmente, essas medidas não devem ser entendidas como exageradas. O relaxamento nas taxas de juros deve ser visto apenas como decisão contracíclica. E nada mais.
A deterioração do ambiente internacional trouxe um movimento recessivo de proporções alentadas. A taxa de juros foi considerada como um instrumento de política econômica indispensável para reduzir os impactos externos sobre a economia interna. Entretanto, seu uso não pode esquecer o comportamento dos preços e comprometer a estabilidade monetária. Pessoalmente, tenho muito receio de uma eventual recaída inflacionária. Acredito, entretanto, que um arrocho nos gastos públicos pode impedir o renascimento das altas de preços no país. O corte tem que se dar no custeio, jamais nos investimentos. O estado podrá abrir mão de seu papel indutor, no combate à crise. A expansão moderada do crédito pode ser medida de revitalização da economia nesse instante, embora deva ser administrada com olhos nos aumentos da inadimplência e no crescimento da renda real das famílias. Nessa perspectiva, é e de se esperar por novas reduções da Selic, aliviando a pressão que a política monetária tem feito sobre o consumidor e sobre a demanda nacional.
As commodities não caíram tanto quanto previam os analistas, mostrando que a procura mundial por alimentos é maior que a crise que o mundo atravessa. Desse modo, políticas desenvolvimentistas, que privilegiam o crescimento, ganham espaços novos e começam a justificar a prática de juros menores.
Convém ainda lembrar que Japão e Estados Unidos emitem sinais positivos quanto aos seus crescimentos internos e amenizam, em grande medida, a crise internacional. Também não nos esqueçamos que, depois de tantas injeções de liquidez, a inflação remanesce acima do esperado, em um amplo conjunto de países. Parece prudente não fazer previsões tão negras, pois a desaceleração pode não ser tão forte quanto se tem anunciado.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Convergências e consistências econômicas

As opiniões podem ser divergentes.
Os fatos, não.
O índice de atividade econômica do Banco Central sinaliza para crescimento negativo do PIB, no terceiro trimestre. A desaceleração da atividade econômica é absolutamente compatível com a redução da inflação no período.
O índice de atividade do Banco Central permaneceu estável no mês de setembro, com variação positiva, mas muito pequena, de apenas 0,01%, e isso depois do recuo de 0,57% ocorrido em agosto.
Os resultados mostram que a economia brasileira desacelera forte nesse instante. Como conseqüência, o IGP-10 recuou em novembro. A alta foi de apenas de 0,44% em novembro, mostrando considerável redução em relação aos 0,64%, observado em outubro.
A teoria econômica é realmente muito consistente. Redução na atividade econômica vem, geralmente, acompanhada da queda dos preços.

Desaceleração até na criação de novas vagas de trabalho

Criação de novos empregos formais
cai 38%, em outubro
Durante todo o ano de 2011, até o final do mês de outubro, foram criados 2,24 milhões de postos de trabalho com carteiras assinadas. Um resultado e tanto para um ano de crise internacional.Nesse último mês de outubro, entretanto, a criação de vagas formais caiu 38%, na comparação com o mesmo mês do ano passado, conforme os dados do próprio Ministério do Trabalho e Emprego.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged - apontam para a criação de 126.143 vagas formais em outubro. No mesmo mês de 2010, foram geradas 204.804 vagas para empregos com carteira assinada.

A economia realmente desacelerou e ainda assim os dados são positivos.

Dá pra explicar?

Divergências entre agência de risco
e mercados financeiros
Os mercados e seus protagonistas estão muito preocupados com o cenário europeu. Por isso, o  risco-Brasil sobe 3 pontos. Enquanto isso, a agência de classificação de risco Standard&Poor's anuncia a elevação do rating soberano de longo prazo do Brasil, em moeda estrangeira, de "BBB-" para "BBB". E, para completar, aumenta a nota de longo prazo, em moeda local, de "BBB+" para "A". Durma-se com um barulho desse.
Mas, de fato, países europeus continuam a lançar seus títulos públicos no mercado. Agora, foi a vez da Espanha e da França que, para colocarem seus papéis, pagaram taxas elevadíssimas, semeando preocupações e incertezas entre os investidores.
Curioso notar que a retórica política não tem produzido maiores efeitos nos mercados. No início da semana foi o discurso da chanceler alemã, Angela Merkel, com seu contundente apelo para a preservação da Zona do Euro e de sua moeda única. Depois, o primeiro ministro frances e sua austeridade, mais verbal que econômica. A austeridade é bastante propalada na França, mas pouco evidente na prática orçamentária naquele país. Na continuidade, o primeiro-ministro italiano, Mario Monti, entrou em cena, prometendo adotar medidas para enfrentar o ceticismo sobre a capacidade da Itália de honrar sua dívida pública. E tudo encontra seu ponto final com o relatório da  Comissão Europeia sobre a força tarefa montada para ajudar a Grécia. Estuda-se uma arquitetura financeira capaz de encontrar, via assistência técnica, uma solução definitiva para aquele país.
As declarações foram lançadas ao vento e o indicador de risco Brasil  encerrou a 231 pontos-base.
A agência S&P acompanhou o ministro Carlos Lupi em sua paixão pela presidente Dilma. Efetivamente, Rousseff  tem demonstrado seu compromisso com o cumprimento de metas fiscais e a S&P reconheceu isso : "A resposta do governo para as pressões inflacionárias em 2011 enviaram um importante sinal sobre sua flexibilidade política e compromisso para a estabilidade econômica". Parece que se desenha um novo caso de amor, depois que Lupi "levou o fora".
O que mais impressionou a agência foram os cortes no orçamento e a contenção no aumento da despesa com pensões. A conta continua sendo paga pelos pensionistas e aposentados que formam o lado mais fraco da corda. A agência acredita (e há razões suficientes para isso) que o superávit primário do setor público atingirá 3,15% do PIB, no final desse ano. Foi mais um vitória da presidente.
Ainda que ontem o risco país tenha aumentado, a tendência para os próximos dias é de que regresse aos níveis anteriores, refletindo nossa melhoria na escala de risco e no fortalecimento do grau de investimento obtido.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Não pode passar sem registro

Na enxurrada de informações do IBGE, uma chama a atenção dos internautas
A presença de PC’s nos domicílios aumentou aproximadamente 300%, em dez anos, no país.
Em 2000, 10,6% dos domicílios tinham pelo menos um PC. Em 2010, 38,3% dos lares no Brasil contam com um equipamento, pelo menos. A informação é do último censo do IBGE.
A informação vai contaminar o mundo de marketing com uma nova onda de otimismo. A área de comunicação, envolvendo a propaganda e a publicidade, aumentará seus esforços digitais, movidos pelas novas informações sobre a evolução desse mercado.
Em 2010, 21,93 milhões de domicílios contavam com um PC e 80,2% deles, ou seja, 17,59 milhões, já estavam conectados à internet.
Haja emailmarketing em nossas vidas.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

IEB da USP

A USP e sua produção cultural
Merecem ser conhecidas as iniciativas culturais da Universidade de São Paulo, produzidas em seus órgãos mais representativos do mundo do conhecimento.
O debate deve ter essa direção.
Por isso recomendo tão fortemente a leitura da revista do IEB.

Terra em transe 2

Parece coisa do equilíbrio sistêmico
A Europa afunda em suas dívidas e a China desacelera seu crescimento. Comportamentos típicos da imprudência financeira do “savoir vivre” europeu e da prudência milenar da sabedoria oriental.
A crise tenderia a contagiar o mundo, levando tudo “água abaixo”. Mas, diz a Teoria Geral dos Sistemas que os sistemas tendem a se preservar, criando alternativas as suas próprias sobrevivências.
Os Estados Unidos iniciaram movimentos de recuperação da renda, do consumo, do crédito e de sua produção. Irônico para quem se encontrava em situação de absoluto descrédito e com a auto-estima de sua população tão destruída.
Não é que, agora, o PIB japonês desperta de sua longa hibernação, apoiado em inesperada recuperação da produção industrial e da ampliação do consumo interno. Chega a estarrecer! A população japonesa cresceu o seu consumo depois de tantos anos de poupança e entesouramento da moeda nacional e isso, após o terremoto que assolou o país. Mas são as coisas da Teoria Geral dos sistemas. Desgraças viram causas da reversão econômica do país.
No terceiro trimestre, o PIB japonês cresceu ao ritmo anualizado de 6,5%. Em relação ao segundo trimestre do ano, o crescimento foi de 1,5%. Suas exportações também cresceram forte, graças à rápida recuperação de suas cadeias produtivas e ao restabelecimento do supply chain de sua indústria, em velocidade assustadora.
O consumo “surfou”, na onda da recuperação. Cresceu 1,0%, sobretudo puxado pelas atividades de lazer, viagens e compras de veículos.
Como no caso de outros países, a moeda japonesa está excessivamente valorizada em relação a outras moedas fortes, prejudicando seriamente as exportações para outras áreas do mundo. Os investidores entenderam que o Yen é uma moeda-refúgio. Sistemas desenvolvem mecanismos adicionais de sobrevivência.
Especificamente, para o Brasil, será necessário repensar o que andamos fazendo nos últimos anos. Sucateamos nosso parque industrial em uma política de contenção da inflação, via a defasagem cambial. Tudo ficava mais barato com as importações incentivadas pelo real forte. Não há político que resista deitar nesse “berço esplêndido”. O problema é que a queda na taxa de crescimento chinês e a crise européia sinalizam para a redução dos preços e das quantidades compradas de nossas commodities agrícolas e industriais.
Aos Estados Unidos e ao Japão nossas commodities também agradam, mas esses dois países são consumidores naturais de nossos manufaturados e semimanufaturados. Procuram partes, peças, componentes produtos acabados, serviços, etc. Fica a necessidade de uma rápida reestruturação de nosso parque industrial que, sem oferta de mão de obra especializada, contará, por outro lado, com um influxo de capitais estrangeiros para lhe dar suporte.
O governo não pode apenas reagir. Ele terá que agir proativamente e rápido. O novo plano econômico precisa contemplar o longo prazo e estar assentado em setores estratégicos para os próximos decênios. Só isso dará consequência a um sistema cujo produto bruto interno tenha uma participação expressiva de bens de maior valor agregado, pagando maiores salários e garantido novas altas do consumo interno.

Um grito de alerta

Nos naufrágios, os ratos são os primeiros a abandonar o barco
A posse de Mario Conti como  Primeiro Ministro da Itália provocou um momento inicial de otimismo. As bolsas na Ásia apresentaram elevações. No ocidente, abriram alta pelo mesmo motivo. Mas recuaram em seguida em função do fracasso do leilão de bonds de 5 anos da Itália. O Yield para esses títulos atingiu níveis inusitados, desde a criação da moeda única européia.
Como se vê, já o mercado não crê em sustentabilidade fiscal para a Itália e outros periféricos da Zona do Euro. O resultado pode ser traduzido pela fuga de capitais dos títulos representativos de dívidas soberanas. Além dos temores em relação à Espanha, Portugal e Itália, os investidores liquidaram suas posições em papéis da Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Holanda.
Dada a gravidade da situação, a chanceler alemã,  Angela Merkel, entrou em ação. Alertou a todos de forma contundente: "A Europa vive um dos piores momentos desde Segunda Guerra Mundial, talvez o pior momento", em seu discurso nessa segunda-feira, em Leipzig, no congresso da União Democrata-Cristã, partido da chanceler. “Se o euro fracassar a Europa vai fracassar”, disse Merkel.
O discurso pode ser entendido como um pedido de apoio às medidas políticas e as suas posições frente à crise. Mas, para, além disso, seria bom entender que não se pode demorar tanto para encaminhar políticas econômicas em casos de default. Agentes econômicos são como os ratos no momento de naufrágio: saltam para o mar antes dos próprios marinheiros.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Quedas sucessivas

Demanda por crédito cai pelo
segundo mês consecutivo
Já havíamos constatado o  enfraquecimento da expansão da economia brasileira, bem como  a redução da velocidade de crescimento do emprego e da renda do consumidor nacional. No mês de setembro, a Serasa Experian apontou que a quantidade de pessoas que procurou crédito caiu 10,7% em comparação com o mês agosto. Na comparação com setembro de 2010, a demanda do consumidor por crédito havia aumentado apenas 1,6%, registrando a menor taxa de expansão anual dos últimos 23 meses. No acumulado do ano, a busca do consumidor por crédito havia totalizado um  crescimento de 11,8% em relação ao observado no período de janeiro a setembro de 2010.
A razões apontadas para esse recuo eram, na ocasião, o então o agravamento da crise financeira internacional e os alertas das autoridades do governo brasileiro de que o país poderia sofrer consequências mais graves com a deterioração do quadro externo.
O mesmo indicador, referente ao mês de outubro, mostra que a quantidade de pessoas que procurou crédito recuou 4,6% em relação a setembro, registrando a segunda queda mensal consecutiva da busca do consumidor por crédito. Na comparação com outubro de 2010, a demanda do consumidor por crédito aumentou 0,1%, a menor taxa de expansão anual, em 25 meses. No acumulado do ano, a procura do consumidor por crédito cresceu 10,5% em relação ao observado no período de janeiro a outubro de 2010.
A crise europeia continuou em deterioração, os indicadores econômicos  internos também se agravaram, tudo conforme previam nossas autoridades econômicas. Com com isso, os consumidores resolveram assumir uma atitude mais prudente.
O governo anuncia novas medidas para garantir o crescimento de toda a economia. Em especial colocará seus esforços na ampliação do emprego e da renda. O final do ano se aproxima e o consumo voltará a aumentar. É de se esperar que o crédito possa até se recuperar nesse período e que a inflação volte a incomodar as autoridades nacionais. Mas, finda as comemorações natalinas, o país precisaria construir um plano de longo prazo, para não continuar improvisando medidas monetárias de combate às injunções de cada momento econômico.

sábado, 12 de novembro de 2011

A próxima semana será muito curta

Promessa é dívida, Berlusconi.
Na Europa, a aprovação de medidas orçamentárias pelo Senado italiano, pode acalmar os ânimos na próxima semana. O primeiro ministro italiano prometeu renunciar após a aprovação das medidas. E promessa é dívida, acredita o mercado.
Na Grécia, Lucas Papademos, com a credibilidade de vice-presidente do Banco Central Europeu foi empossado chefe do novo governo de coalizão, e deverá levar a cabo as reformas exigidas para  a concessão do pacote adicional de ajuda àquele país, de 130 bilhões de euros. O encaminhamento dos problemas desses dois países também pode levar o mercado a um novo momento de otimismo. A Europa precisaria ainda recuperar a renda e o consumo para provocar uma ampliação dos investimentos privados. Oxalá isso possa acontecer pelas mãos da Alemanha e da França. Caso contrário, 2012 e 2013 terão garantidos uma recessão econômica que há muito tempo não se via por lá.
Da China e do Japão não se espera maiores novidades essa semana. A China continuará a administrar o seu pouso suave e o Japão continua o esforço por uma decolagem, ainda mais suave. A Ásia, tirantes seus terremotos e tsunamis, está mais para uma economia em estado Zen, nessa próxima semana.
O Brasil estará de férias até 4ª. feira. Afinal, a república é coisa que entrou na moda nesses últimos tempos. Aproveitando a galeria construída entre o final de semana e o feriado da proclamação, o governo federal, laico e republicano,  pode estar incubando alguma surpresa no campo do crédito ao consumidor. Arrepia-me pensar no recrudescimento inflacionário face ao pensamento ao desenvolvimentista reativo e não planejado, que tomou conta desse país.
Quando a semana começar tudo vai parecer quarta-feira de cinzas. E para Berlusconi estará se iniciando uma extemporânea quaresma individual.

A semana passou 2

A semana, no Brasil, indicou direções a seguir
O Ibovespa não descolou nessa 6ª. Feira e acompanhando os mercados internacionais subiu 2,14%, atingindo os 58.546 pontos. Mesmo assim, nessa semana, o índice apresentou uma queda de 0,21%.Mas não se entusiasme com a alta de sexta feira. O volume negociado foi muito acanhado: míseros R$ 4,95 bilhões. O investidor não movimenta suas posições e também não demonstra ânimo para entrar com dinheiro novo na bolsa brasileira.
Embora a economia norte-americana tenha apresentado indicadores mais alentados, o dólar no Brasil ainda caiu nessa 6ª, feira,  fechando cotado a R$ 1,7440. A queda no dia foi de -0,97%, mas, na semana, a moeda subiu 0,29%.
Por outro lado, o anúncio de que o IPCA, de outubro, desacelerou de 0,53%, em setembro, para 0,43% trouxe algum alento em relação à nova política monetária do Banco Central. Mesmo considerando que a inflação dos últimos 12 meses esteja em 6,97, acima do teto da meta, o mercado espera por uma inflação anual de 6,5%, no limite superior da meta fixada.
O emprego na indústria cresceu muito modestamente, no último mês: apenas 0,4%.
Nesse isntante, as medidas macro prudenciais começam a ser revisadas. Já se fala em um novo ciclo expansionista do crédito e em novas reduções na taxa básica de juros. Não pode, contudo, ser esquecida a necessidade da desvalorização do real, como uma condição importante para estancar o processo de desindustrialização brasileiro. O estado perecisa assumir seu papel de indutor e ampliar os investimentos nos setores estratégicos nacionais.

A Semana passou

Notícias boas e ruins se sucederam
na semana que passou
A crise européia  já tinha gravidade suficiente. A entrada, agoa definitiva, da Itália no radar dos agentes econômicos, trouxe uma percepção mais contundente acerca da existência de suas possíveis soluções. O Brasil entendeu, finalmente, que esse cenário e suas incertezas prromoverão impactos negativos, e não desprezíveis, sobre o crescimento, a oferta de emprego e a oferta de empregos.
O mercado de juros passou a apostar na queda da taxa Selic, e o DI, para vencimento em janeiro de 2013, já projeta taxa de juros de um dígito. Juros mais baixos e crédito mais abundante para o consumo passaram a ser as novas convicções sobre a direção da política contracíclica nacional.
A inflação essa semana deu sinal de arrefecimento. Portanto, na convicção geral do mercado, alta de preços não será problema nos próximos meses.
A produção industrial de setembro veio com queda forte: -2,0%. O varejo teve desempenho modesto, mas positivo: 0,4%. O desemprego deve acentuar-se, mas, por ora, apenas de forma discreta.
As commodities agrícolas iniciaram um novo período de recuperação de preços. O caso mais evidente, nessa semana, diz respeito ao preço da soja.
Os indicadores econômicos norte-americanos acenam com perspectivas mais animadoras. Os dados sobre consumo, crédito e renda renovam esperanças, pressionam a valorização do dólar em todo o mundo e no Brasil, mas ainda não autorizam pensar em um ciclo de recuperação definitivo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Câmbio, outra vez

Tendência é de fluxo cambial negativo
até o final de 2011
Veículo: DCI   -   Data: 10/11/11
Para especialistas, retirada de US$ 134 milhões no mês passado é resultado da crise internacional e da percepção de risco no mercado doméstico
O Banco Central (BC) divulgou ontem que o fluxo cambial registrou saída líquida de US$ 134 milhões em outubro. Trata-se da primeira retirada de dólares desde junho deste ano, quando US$ 2,55 bilhões saíram do País.
Em outubro, o fluxo financeiro — que inclui os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior — registrou saída de US$ 2,002 bilhões. De acordo com o Banco Central, a retirada de recursos foi gerada porque as transferências para o exterior somaram US$ 29,268 bilhões e foram superiores aos ingressos no período, de US$ 27,266 bilhões.
Já a conta comercial acumulou entrada líquida de US$ 1,868 bilhão no mês passado. A explicação da autoridade monetária é que o resultado foi devido aos contratos de câmbio para exportação que somaram US$ 21,552 bilhões e foram maiores que os US$ 19,684 bilhões obtidos com as importações.
Com relação à conta comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação, houve o ingresso de US$ 1,86 bilhão no País no décimo mês de 2011. A explicação é que, com a subida da cotação do dólar, exportadores podem ter aproveitado para "internalizar" os recursos e obter mais reais.
O diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Grisi, entende que a saída de dólares do mês passado foi devido à retirada de empresas com sede no exterior impactadas pela crise internacional. E porque há uma percepção de risco no cenário da crise. "Outubro foi um mês conturbado, por causa da turbulência em países europeus e porque houve uma desconfiança dos investidores no controle da inflação brasileira. E se aumentar a pressão inflacionária, que está na casa dos 6,60%, é possível que ocorra uma desconfiança ainda maior", esclarece.
Na opinião do professor de Economia do curso de Administração da ESPM, José Eduardo Balian, o fluxo cambial de outubro foi pontual. Segundo ele, há uma influência da crise externa para ocorrer a necessidade de retirar dinheiro do Brasil. "Contudo, o impacto do cenário internacional ainda é uma marolinha no Brasil", diz.
No ano
Com a inércia de outubro, o fluxo cambial permaneceu negativo na primeira semana de novembro. O período entre os dias 1º e 4 deste mês registrou saída líquida de US$ 36 milhões. O fluxo financeiro na primeira semana ficou negativo em US$ 233 milhões, decorrente de vendas de US$ 3,693 bilhões e compras de US$ 3,460 bilhões. Já o fluxo comercial foi positivo em US$ 197 milhões (US$ 2,437 bilhões de exportações e US$ 2,240 bilhões de importações).
Porém, de janeiro a novembro, até o dia 4, o fluxo cambial é positivo em US$ 68,128 bilhões, o que mostra que mesmo com o resultado de outubro ainda há mais entrada, do que retirada de dólares do País.
Essa parcial do ano representa um crescimento de cerca de 180% comparado ao registrado em todo o ano de 2010 (US$ 24,35 bilhões). Por enquanto, esse saldo é o segundo maior da história, a perder apenas para 2007, que registrou de janeiro a dezembro ingresso de US$ 87,45 bilhões.
Tendência
Os especialistas divergem sobre a tendência para o fluxo cambial e seu impacto no câmbio. Para Balian, depende muito do que irá acontecer com a Europa. Ou seja, qual solução para o endividamento grego e de outros países, como a Itália.
O professor da ESPM acredita que haverá uma menor entrada de dólares no País, nos próximos meses até pelo menos o primeiro semestre de 2012, em função de menores condições financeiras de estrangeiros de ampliar investimentos e pela queda na venda de commodities pelo Brasil. "No caso das saídas, é prematuro fazer projeções. Primeiro, porque a taxa de juros (Selic) é uma das mais altas do mundo. Mesmo que caia para 9% em 2012, que é possível, ainda vai ser atrativo", complementa Balian. Atualmente, a taxa básica de juros está em 11,50%.
Neste contexto, ele observa que o câmbio vai ter oscilações, mas vai ficar por volta de R$ 1,65 por dólar.
Por outro lado, Grisi prevê que haverá uma continuidade de retiradas da moeda americana, por causa da sazonalidade do final do ano. "A demanda gerada pelas festas do final do ano fazem com que a indústria tenha que elevar as importações. Além disso, vai ocorrer o fechamento dos balanços fiscais das empresas. Desta forma, muitas terão que enviar lucros e dividendos para suas matrizes, o que provocará esse fluxo negativo no Brasil", diz. "Contudo, essas saídas não devem ser tão expressivas quanto foi em outubro", acrescenta.
Neste quadro, diferentemente de Balian, o diretor-presidente da Fractal espera que o câmbio deve chegar na casa dos R$ 1,90 por dólar em dezembro.
Segundo o boletim Focus, do BC, o mercado projeta que o câmbio irá fechar em R$ 1,75 ao final de 2011, mesmo patamar aguardado em dezembro de 2012.

Estados Unidos reage

Até o consumidor se animou
O índice de confiança do consumidor, medido pela universidade de Michigan, surpreendeu a todos com um resultado em crescimento 3,3 pontos de crescimento em relação à medida anterior. A primeira prévia para o mês de novembro atingiu 64,2 pontos, apontando para a aprovação popular do plano de emprego de Barak Obama, mesmo tendo sido reprovado pelo Congresso norte-americano.
Sem dúvida, a economia dos Estados Unidos vinha apresentando melhoras no mês de outubro. Em várias postagens anteriores registramos essa evolução positiva e recente. Embora não se possa falar em uma tendência firme, esses número sugerem o início de uma nova recuperação econômica nos Estados Unidos. A consequência mais imediata seria a valorização de sua moeda face às demais moedas fortes, sugerindo a redução das pressões inflacionárias global e local.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nas crises, o comportamento dos agentes é o mesmo

O fluxo cambial de outubro é negativo
em US$ 134 milhões
Os dados são do Banco Central que monitora diariamente o movimento de entradas e saídas de dólar no país.
Na primeira semana de novembro,  o fluxo cambial permanece negativo, 
em US$ 36 milhões. A explicação para isso é o aumento das remessas feitas a título de dividendos e de repatriação de capitais especulativos, em renda fixa ou em bolsa.
No campo comercial, o superávit foi de US$ 197 milhões.
Em função da crise internacional, o Brasil importa e exporta quantidades menores e os resultados financeiros da operação comercial tendem a cair. Mas, com a aversão a risco aumentando, o mercado financeiro reage com maior vigor. Nesse caso, não é só a crise. A inflação em crescimento tem assustado muito aos investidores. Temem que a estabilidade monetária tenha sido deixada à margem por um governo que prioriza o crescimento e abandona a austeridade monetária, não se dando conta dos problemas fiscais produzidos e pelo excesso de gastos públicos.
Taí o resultado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Inflação ainda está vacilante

Preços assumem direção opostas. Desaceleração é evidente.
IGP-DI, da FGV, de outubro, conforme mostrou-se ontem, caiu de 0,75% em setembro para 0,40%, em outubro.Em seguida, vieram notícias que davam conta da desaceleração do ritmo da atividade econômica no Brasil:
1) A CNI apontou que a utilização da capacidade instalada caiu de 82,2% para 81,6%, enquanto as horas trabalhadas na indústria tiveram um recuo de 1,3%, no mês de setembro referente a agosto.
2) A CNI ainda anunciou que o emprego na indústria recuou 0,3% nesse mês, mas cresceu 1,1% nos últimos 12 meses. O índice de Vendas Reais cresceu 1% em relação agosto e 4,1% contra setembro do ano anterior.
3) O IPC-S foi subiu 0,34% na quadrissemana encerrada dia 7. Na última semana de outubro a alta foi de 0,26%.
Conclusão: não se pode confiar que a redução da atividade econômica, por si só, reduza a inflação. O IPC-S já mostrou um suspiro precocemente saudoso. Baixar juros pode ser um importante instrumento contracíclico, entretanto será preciso acompanhá-lo de cuidados com a política de gastos públicos e com a política expansionista do crédito.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Terra em transe

A sofrida Europa volta a ter juizo
A situação da Itália inspira cuidado. Os juros de títulos soberanos do país estão atingindo recordes históricos. Pela manhã já estava acima de 6,5%. O problema agora é conhecer o tamanho do “buraco” a ser coberto. Imagina-se que tenha uma dimensão tão grande que dificilmente o socorro que a União Europeia teria disposição para oferecer seria suficiente para equilibrar as contas italianas.
Para piorar, o Parlamento italiano votará o orçamento de 2012, tendo um desprestigiado Silvio Berlusconi na chefia do estado e um Banco Central Europeu muito cético em relação às compras que precisariam ser feitas dos bônus da Itália.
A Grécia corre um pouco à frente e dá o exemplo à Itália. Já espera por um novo primeiro ministro.
O clima é, em toda a Europa, de redução de dívidas. A França anunciou ontem um pacote de austeridade para 2012. A meta para é de um déficit nominal de 4,5% do PIB, que implica corte de € 7 bilhões. Para isso, a França fará aumentos de impostos que recairão sobre um conjunto de produtos e serviços. Para completar, fará a mudança da idade mínima de aposentadoria, de 60 para 62 anos, em 2017.

Os preços

IGP-DI em forte desaceleração
O IGP-DI de outubro apontou alta de 0,40%, desacelerando substancialmente em relação a setembro, onde a alta havia sido de 0,75%.
A desaceleração ocorreu nos preços ao produtor e, simultaneamente, nos praticados no varejo. O IPA agrícola entrou em deflação: -0,63%, em outubro. Em setembro, a inflação no setor agrícola registrada pelo IPA havia sido de 1,85%. O que se espera é que a inflação se amplie moderadamente nos próximos dois meses em função da recuperação dos preços das commodities agropecuária e com um certo recrudescimento dos preços ao consumidor, proveniente das festas de final de ano.
O IPA industrial, também desacelerou. Os produtos alimentícios foram o destaque mais relevante.
O resultadogeral representou uma forte desaceleração em relação ao mês anterior, embora a construção civil tenha resistido à queda.
Em 12 meses, o IGP-DI acumulou alta de 6,78, fora do centro da meta, portanto. Ainda é cedo para considerar a inflação dominada, mas ela acusou um momento de perda de vigor da atividade conômica nacional.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Brasil de costa para a América Latina

Ausência de política para o
comércio exterior brasileiro
O Peru decidiu apresentar uma queixa formal contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio. A razão alegada é a construção de barreira técnica à entrada da “sardinha peruana”, a anchoveta, no Brasil.
A base para a reclamação é o Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio  da OMC. Os Peruanos consideram protecionismo brasileiro a limitação imposta pelo Brasil da venda de sua "sardinha" aqui no país. Do lado brasileiro, as autoridades afirmam que o peixe peruano pode entrar com a classificação de anchoveta, mas não como sardinha.
Do ponto de vista da classificação científica, o Brasil está certo. Mas, fica em jogo um pouco mais do que a mera questão de nomenclaturas classificatórias, que, em si, é problema de fácil solução. Estamos diante de um vizinho, com quem dividimos uma área fronteiriça de proporções não desprezíveis e que tem na pesca um de seus poucos produtos exportáveis. Na região, o Peru alcançou a posição de grau de investimento, até um pouco antes do que o Brasil, a custo de um gigantesco esforço fiscal. Naturalmente,  assumiu para isso custos sociais também muito grandes e luta, como nós, para minimizá-los. Por fim, trata-se de um comprador regional de produtos brasileiros de alguma expressão e que vendeu ao Brasil apenas US$ 4 milhões dessas sardinhas em 2010.
Essa disputa não interessa ao país, sob nenhum aspecto que se analise. Só mesmo a falta de sensibilidade política e a desestruturação da política de comércio exterior poderiam dar guarida às razões alegadas por empresários, varejistas brasileiros, interessados no mercado das merendas escolares.
Protecionismo de má qualidade, patrocinado pelo Ministério da Pesca para proteger a indústria nacional e as prerrogativas cartoriais dos Ministérios ligados à questão. Fica à margem das discussões o problema da taxa de câmbio que prejudica o produtor nacional e que parece um mito gerencial, tido como problema insolúvel. À margem fica também os aspectos da pesca artesanal, pór si só, não competitiva e pela baixa produtividade do setor industrial nessa área.
O protecionismo se sustenta em afirmações como a quantidade de emprego que o setor  oferta para o trabalhador brasileiro: 20 mil pessoas. A argumentação se estende ainda pelo campo dos preços, onde se supõe que o Peru seria capaz de exportar grandes volumes dessa "sardinha" e colocar o produto abaixo de R$ 1,00 no supermercado. A indústria brasileira não teria condições de competir com esses preços, embora o consumidor nacional viesse a ser beneficiado com a redução de seus gastos  na aquisição de proteinas
Ineficiências precisam ser sanadas no bojo dos sistemas econômicos. Vizinhos pobres precisam ser apoiados para reduzir suas misérias internas, sem lembrar que o desejo brasileiro de consolidar uma liderança regional solicita do país atitudes de harmonização política e da definição de complementaridades econômicas. Já bastam os últimos incidentes politicos e diplomáticos com a Argentina, Parguai, Bolívia e Venezuela.
O Brasil não pode continuar de costa para a América Latina.