Banner

Translate

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Nada que preocupe, ainda.

Desemprego em alta
A taxa de desemprego caiu de 4,8% para 4,3% entre novembro e dezembro. Os dados são da Pesquisa Mensal de Emprego realizada pelo IBGE nas principais regiões metropolitanas. Dessazonalizada, a taxa de janeiro a dezembro de 2013 era de 5,4%. Em 2014, ficou em 4,8%. Enquanto isso, o crescimento do rendimento médio nominal atingiu, no mês de dezembro 7,9%. O rendimento médio real chegou a R$ 2.122, com um avanço de 1,6% em termos reais, quando comparado a igual período do ano anterior. Contudo, em relação a novembro, houve queda de 1,8%, apontando para um mercado de trabalho menos apertado. É muito cedo para se concluir sobre o que pode acontecer no mercado de trabalho, embora a economia sofra com um ciclo de aperto monetário e com uma possível aceleração dos ajustes fiscais.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A deflação mundial pode adiar a alta de juros nos Estados Unidos

Moedas emergentes podem sofrer menos
A má notícia vem pelas mãos da carteira de crédito no Brasil que, no último mês de 2014, cresceu apenas 11,4%. É de pasmar, mas esse crescimento é julgado baixo no país e os analistas o tomam com uma reafirmação do momento de estagnação pelo qual atravessamos. De fato, esse resultado é até extraordinário, entretanto ele expressa uma desaceleração nesse mercado e por isso impressiona tão mal. Vale lembrar que estávamos acostumados com crescimentos mais altos.  Por outro lado, as famílias estão endividadas, a renda real já não cresce tanto e os juros continuam aumentando. O mais prudente é que o estoque de crédito reduza ainda mais sua velocidade de crescimento. Isso não é mal. A inadimplência de 2014 está em 6,5%, contra a de 2013 que atingiu 6,7%. A notícia boa chega dos Estados Unidos. A queda das commodities internacional é tão benigna para inflação norte-americana que o Fed passa a discutir se aumentará mesmo a taxa de juros em meados de 2015. Certamente a tendência será a de adiar essa alta, já que não existe no horizonte de médio prazo riscos de desestabilização dos preços. O mercado de trabalho continua se comportando de maneira muito positiva naquele país, mas não de modo a prejudicar a pressionar os preços. Com os juros baixos, a fuga de capitais dos países emergentes é sempre menos provável.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Aumenta a previsibilidade

Banco Central dará continuidade ao ciclo de aperto monetário
Aconteceu dentro da maneira prevista: o aumento foi de 0,5 pontos percentuais. O mercado gostou e já entendeu que o ciclo de aperto monetário pode continuar, se a inflação não ceder. Também todos entenderam que o crescimento ficou para depois. Agora, “a bola da vez” é a inflação. A previsibilidade, com isso aumentou, enquanto o cenário piorou para o curto e médio prazo. A estagnação ficou consolidada à espera dos investimentos governamentais, dos cortes de custos e do investidor externo. O fato é que a produtividade brasileira é muito baixa e a competitividade dos produtos nacionais não permitem imaginar vertentes de crescimento via mercado exterior. Por outro lado, esses mercados estão com seus níveis de atividades reduzidos. Os riscos inflacionários permanecem elevados. O comportamento futuro dos preços relativos, a partir das variações cambiais e dos tarifaços (transporte e energia) ainda é a grande incógnita do momento e provoca dificuldades para reduzir as expectativas sobre a convergência da inflação para o centro da meta. Tudo se resolverá com o anúncio de cortes. Ajustes assentados em aumentos de impostos não convencem.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Ontem a temperatura subiu

Na vida dos brasileiros, ontem, foi um dia
para não ser esquecido
A temperatura estava alta e o consumo de energia elétrica bateu o pico, em plena estagnação econômica. Sobreveio o apagão, em proporções nacionais.
A população, atordoada, ainda estava sobre o impacto do tarifaço, da energia e do transporte. O que aconteceria se o país voltasse a crescer? Haveria uma aumento abrupto no consumo de energia pela indústria nacional, com a oferta estagnada. De outro lado, ainda bem que a presidenta Dilma Rousseff vetou a correção de 6,5% na tabela do Imposto de Renda das pessoas físicas. Para ser aplicada, a MP aguardava pela sanção presidencial, pois já havia sido aprovada pelo Senado Nacional. Os estudos do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, assumindo o IPCA de dezembro 2014, apontava defasagem acumulada, desde 1996, de 64,28%. Como se sabe, auditores não são muito apreciados. Quando o dia estava acabando, pernilongos e calor atormentavam mais um pouco a vida da população. Entra em cena o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que anuncia medidas de aumento de tributos para reforçar a arrecadação do governo. A ideia não foi considerada genial pelos brasileiros, tanto mais depois das orgias financeiras patrocinadas pelo governo brasileiro. O propósito das medidas é obter este ano R$ 20,6 bilhões em receitas extras, subtraídas do bolso de cada brasileiro. A estratégia para isso está na elevação do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre os combustíveis e do retorno da Contribuição para Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Aumentar a arrecadação foi fácil. Difícil será cortar os gastos públicos. Penso que isso ficará para o inverno. O frio costuma punir, com maior eficiência, as baratas perdulárias.

domingo, 18 de janeiro de 2015

Estabanamentos heterodoxos

Gasolina e etanol em polos opostos
As rivalidades entre esses combustíveis ocorrem no plano ambiental, tributário, dos preços e do percentual em que se misturam para formarem o produto final. Resolver uma equação com tantas variáveis, em si, já é um problema econômico difícil. Quando a ele se associam variáveis de natureza política, a solução costuma ser ainda mais complexa. Foi assim com a gasolina e o etanol. A Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) passou a ser devida em 2002, atingindo os chamados combustíveis fósseis. Nessa ocasião, o impacto nos preços do litro da gasolina era de R$ 0,28. Em 2012, sob inspiração de uma nova matriz econômica, o governo decidiu zerar a alíquota da Cide para reduzir os custos tributário das Petrobras, sem elevar o preço ao consumidor. O estado passava a absorver essa diferença, aumentando o lucro, na refinaria, e mantendo o preço estável para o consumidor. Em outras palavras, o governo subsidiava a Petrobras. Mais absurdo foi constatar que, nesse período, a Petrobras comprava derivados a preços mais altos do que os de venda, com o objetivo de subsidiar a gasolina ao consumidor. O petróleo era caro, mas a gasolina era barata, tudo graças aos artificialismos econômicos, que permitiam que a Petrobras subsidiasse a gasolina, a partir de subsídios governamentais. A solução que se discute no momento prevê a extinção dos subsídios, sensibilizando as autoridades econômicas que precisam acabar com tantos favores fiscais e recuperar a receita pública. Duas vertentes são exploradas simultaneamente. A primeira fala no aumento do etanol anidro na mistura à gasolina, de 25% para 27,5%. As quantidades consumidas do etanol aumentariam, beneficiando produtores e industriais da cana de açúcar, com alguma redução dos efeitos ambientais provocados pelo uso de combustíveis fósseis. A segunda prevê a elevação da alíquota, hoje zerada, da Cide penalizando o preço do litro de gasolina na bomba, adicionado ainda do aumento das alíquotas de PIS e COFINS que incidem sobre os combustíveis fósseis, de 6,2% para 9,25%. Isso, traria de volta a remuneração do produtor de etanol dos atuais R$ 1,29 por litro para R$ 1,56. A solução soa como música aos ouvidos de um governo que viria suas receitas aumentarem em cerca R$ 14 bilhões por ano. A administração estabanada dos preços é uma característica de governos que precisam conter a inflação. Nesse caso, foi levada a um extremo perigoso. Sangrou os lucros da Petrobras, pressionou as contas do Tesouro Nacional e destruiu o parque sucroalcooleiro do país. Percorrer o caminho de volta em direção a padrões de mercado não é decisão tão fácil. Sobretudo por que, se essa é a intenção, o governo terá antes de permitir que os que os preços internos dos derivados alinhem-se às baixíssimas cotações mundiais do momento. Mas, pelos menos nessa hipótese, haveria alguma compensação ao consumidor final, tornando a decisão mais palatável.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Semana de Copom

Na alta da Selic, haverá um recado implícito
O IPCA -15 deve ser anunciado também nessa semana. Deve vir alto, mostrando inflação anual acima do teto superior da meta. O comportamento dos preços administrados (energia, transporte) exacerba as expectativas dos agentes e generaliza a alta, ampliando sua difusão por todo o sistema de preço.
Restam poucas alternativas ao Copom, nessa quarta-feira. Ou sobe a Selic 0,5%, ou sobe 0,75%. Não subir, ou subir apenas 0,25%, levaria à descrença sobre a determinação da nova equipe econômica em “arrumar a casa” de maneira definitiva. Portanto, é bom trabalhar com a ideia da Selic em pelo menos 12,25% a.a. e esperar que a redução dos gastos públicos e o arrefecimento previsto para a economia possam contribuir com a moderação das próximas altas.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sem surpresas

A estagnação está garantida, segundo o IBC-Br
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central mostra, em novembro, que no acumulado dos últimos 12 meses é negativo em 0,01%. Com a publicação desse dado, o pessimismo tomou conta do mercado e as previsões para o crescimento, nesse ano, vão se degradando a uma velocidade ainda maior. A hipótese de crescimento zero tem sido reafirmada por especialistas. Estão cada vez mais temerosos em relação a um possível arrocho salarial e a um ajuste fiscal muito forte. Isso colocaria o país em recessão, extinguindo as expectativas de crescimento, no médio prazo. Estimar as verdadeiras consequências desse amontoado de novas medidas demandará o acompanhamento de dados sobre emprego,  renda, demanda e níveis de investimentos a serem praticados em setores chave. Uma coisa já está clara: serão dias difíceis para todos, pois a estagnação parece definitivamente garantida pelo Banco Central e seu indicadores.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Imparcialidade

CADE aprova operação

O Banco do Brasil S.A. comunicou, por meio de Fato Relevante divulgado em 02 de janeiro de 2015, a aprovação pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE da proposta de parceria no segmento de meios de pagamentos entre a subsidiária da companhia, a BB Elo Cartões Participações S.A. e a Cielo S.A. A companhia divulgou também o recebimento, no dia 30 de dezembro de 2014, de comunicado do Banco Central do Brasil - Bacen, por meio do qual a instituição autorizou a participação societária das duas companhias em uma nova empresa para formação da parceria estratégica. O Banco Central ressaltou a necessidade de novo pedido de autorização específica caso a parceria tenha como objetivo atuar como Instituição de Pagamento.
Beleza pura. Os pequenos que se que se lixem.

Tudo são expectativas

A especulação está solta
De repente as ações da Petrobras dispararam. Conhecidas pela sugestiva sigla PETR4, as ações preferenciais subiram 6,86 %, nessa quinta-feira, dia 15/01, enquanto as ordinárias, identificadas pela abreviatura PETR3, valorizaram-se 8,82%. Buscar causas em elementos racionais é exercício inútil e inconsequente. Perda de tempo. Tudo funciona por expectativas que se nutrem da ambição humana e da certeza de que as incertezas produzirão a novas expectativas derivadas de promessas e intenções. Isso basta. As possibilidades de realização do que se promete e se deseja são deixadas à margem das decisões. É assim que tudo se movimenta. Entre a loucura e a normalidade não há mais distância significativa. Estão tão próximas que é difícil distinguir uma da outra. O dólar americano subiu 0,8% e vale R$ 2,642, após ficar abaixo de R$ 2,60 durante o dia. Por que? Sabe-se lá. Mas subiu. E pronto. Dizem que há grandes investidores que movimentam a loucura de todos. São eles a causa das altas e das baixas. Não acredito que planejem ou controlem esses movimentos. Embora tenham mais informações e muita “bala na agulha” são tão idiotas como os outros. Suas idiotices apenas são maiores e, ao manifestarem-se, provocam variações expressivas, mas tão sem sentido como todas as outras variações dos pequenos que, somadas, apontam para os mesmos delírios, de igual natureza embora, às vezes, com sentidos diferentes. A beleza das expectativas é que são desprovidas de objetividades e espelham nossos devaneios pessoais, subjetivos, idiossincráticos, que podem estar na direção da realidade ou divergentes dela. Invistam conforme suas lógicas e conforme suas irracionalidades. A especulação está solta. Vamos tentar, mais uma vez e ver o que acontece.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Sem desvendar os mistério das garrafas

Garrafas e mercado financeiro nacional
Meu amigo Décio Pecequilo (40 anos de pregão) envia a seguinte notícia: o valor de mercado da Apple equivale a 620 bilhões de dólares, enquanto todas as empresas brasileiras de capital aberto somadas atingem 700 bilhões de dólares.
Isso dá a ideia de quão estreito ainda é o mercado brasileiro e o quanto ele tem para crescer. Portanto, não querendo retomar a história da garrafa meio cheia e meio vazia, sugiro que esse dado possa ser visto como uma grande oportunidade e não como um ponto fraco de nosso mercado.

Os agricultores que se preparem.

As notícias são ruins para o produtor agrícola
Economistas festejam a redução das pressões inflacionárias decorrentes do aumento da produção mundial de grãos. Esquecem-se contudo de que isso leva o PIB do campo para baixo e faz prever problemas grandes para o agricultor brasileiro, que já vinha sofrendo com a seca, desde a safra anterior. O Relatório de Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda Agrícola, divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aponta para queda dos preços das principais commodities agrícolas, ao revisar para cima a produção mundial dos principais grãos. Trigo e soja devem ter produções e estoques elevados a partir dessa colheita. O milho, embora sofra uma queda na produção mundial nessa safra, manterá altos níveis de estoques, impedindo a alta desse grão. A previsão já contabilizou uma redução das exportações russas, prejudicadas pelos muito eventos ocorridos recentemente. O cenário que se desenha para a agricultura nacional é muito ruim para 2015. A mera publicação do relatório jogou os preços para baixo no mercado internacional dessas commodities, deixando claro que os preços serão bem inferiores aos praticado no mundo, no ano agrícola de 2013-2014. A exportações brasileiras de commodities deve sofrer reduções expressivas e a renda do campo não ajudará nossa ministra a ampliar a classe média rural nesse período.Os agricultores que se preparem. As notícias são ruins para o produtor agrícola Economistas festejam a redução das pressões inflacionárias decorrentes do aumento da produção mundial de grãos. Esquecem-se contudo de que isso leva o PIB do campo para baixo e faz prever problemas grandes para o agricultor brasileiro, que já vinha sofrendo com a seca, desde a safra anterior. O Relatório de Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda Agrícola, divulgado ontem pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos aponta para queda dos preços das principais commodities agrícolas, ao revisar para cima a produção mundial dos principais grãos. Trigo e soja devem ter produções e estoques elevados a partir dessa colheita. O milho, embora sofra uma queda na produção mundial nessa safra, manterá altos níveis de estoques, impedindo a alta desse grão. A previsão já contabilizou uma redução das exportações russas, prejudicadas pelos muito eventos ocorridos recentemente. O cenário que se desenha para a agricultura nacional é muito ruim para 2015. A mera publicação do relatório jogou os preços para baixo no mercado internacional dessas commodities, deixando claro que os preços serão bem inferiores aos praticado no mundo, no ano agrícola de 2013-2014. A exportações brasileiras de commodities deve sofrer reduções expressivas e a renda do campo não ajudará nossa ministra a ampliar a classe média rural nesse período.

Para quem gosta de globalização

Agora o bicho pega
A Americas Trading Group anunciou sua disposição de abrir uma nova bolsa no Brasil em associação com a NYSE Euronext, nos os próximos meses, constituindo-se na mais nova e assustadora ameaça à BM&FBovespa. Segundo suas declarações a organização já está pleiteando as necessárias licenças junto ao Banco Central do Brasil e à Comissão de Valores Mobiliários, órgão regulador desse mercado. Estima-se que até o final de 2015, a nova bolsa possa estar entrando em funcionamento, muito embora a burocracia nacional para isso seja infernal. De início o projeto prevê apenas negociações com ações, a partir de uma estratégia de low cost. A notícia pega o mercado brasileiro em momento difícil e, particularmente, atinge a BM&FBovespa que vive atualmente momento de grande vulnerabilidade.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Política econômica estragou a festa.

Capitalismo de mercado destruído
Bolsas não são tão enigmáticas quanto um leigo possa pensar. Por exemplo, nesse ano os melhores resultados foram apresentados pelas Bolsas da na Ásia e nos EUA. O Ibovespa foi uma tragédia só menor em relação à Grécia e à Rússia. Não há maiores explicações. De fato, a recuperação americana explica o desempenho de seu mercado e a Ásia continua marcada pelas esperanças provocadas pelos planos econômicos do Japão e da China.

Veja agora o texto de Rodrigo Tolotti Umpieres:

“Marcado pelas expectativas de recuperação das economias nos EUA e na Europa e pelos mercados agitados nos países emergentes, 2014 chega ao fim com as principais bolsas mundiais sem grandes oscilações nos países desenvolvidos, principalmente na zona do euro. A exceção ficou com a Grécia, que ganhou destaque recentemente com suas eleições e tem visto sua Bolsa despencar. Um dos países que mais sofreu com a crise de 2008, a Grécia passou o ano lutando para conseguir acelerar sua recuperação, mas no último mês, com as dificuldades que o atual governo está tendo em relação às eleições - que foram adiantadas em 3 meses -, levaram os mercados a temerem uma vitória da oposição, o que poderia gerar dificuldades para o programa de resgate do país. Diante disso, pressionado por este final de ano, o índice grego registrou queda de 29,49% em 2014. Na Ásia foram registrados os maiores ganhos de 2014, com o índice Shanghai registrando forte alta de 49,72% no ano, seguido pelo Nikkei, que avançou 8,83%. Já o Ásia Dow ficou estável, com leve queda de 0,43%, enquanto o índice indiano registrou ganhos de 29,41% nesses 12 meses. Segunda maior economia do mundo, a China vem passando por mudanças econômicas, mas mesmo assim, segue como uma potência, com forte crescimento anual. O destaque negativo fica com a Rússia, um dos mercados mais turbulentos do ano. Diante da tensão envolvendo a Ucrânia e as diversas sanções que o país sofreu das grandes potencias europeias e dos EUA por causa do conflito. Além disso, a derrocada do preço das commodities, em especial o petróleo, acaba prejudicando bastante a economia do país. Com isso, o índice RTSI fecha com ano com desvalorização de 44,91%. Já na América Latina, destaque para a Argentina, onde mesmo diante da dificuldade financeira do país e um ano conturbado em relação ao pagamento da dívida do governo, o índice Merval fecha 2014 com ganhos de 56,61%. Diferente do Ibovespa, que com toda a agitação da eleição e o rali causado por ela, encerra o ano com perdas de 1,77%. Enquanto isso, nos EUA o ano foi de empolgação, com os principais índices acionários registrando quebras consecutivas de recordes históricos. 2014 mostrou recuperação da economia local, mesmo que de forma moderada, levando o Federal Reserve a encerrar o programa de estímulos à economia, o Quantitative Easing 3, e já começar a falar em elevação dos juros para 2015.

Confira abaixo o desempenho das principais bolsas mundiais em 2014:”



Índice
País
Desempenho no ano
Merval
Argentina
+56,61%
Shanghai Composite
China
+49,72%
S&P BSE
Índia
+29,41%
BIST 100
Turquia
+23,70%
Nasdaq
EUA
+15,08%
S&P 500
EUA
+13,15%
Nikkei
Japão
+8,83%
Dow Jones
EUA
+8,81%
FTSE Straits
Singapura
+6,32%
DAX
Alemanha
+3,93%
IPC
México
+1,08%
CAC 40
França
+0,51%
Asia Dow
Ásia
-0,43%
FTSE 100
Reino Unido
-1,70%
Ibovespa
Brasil
-1,77%
Athex
Grécia
-29,49%
RTSI
Rússia
-44,91%
Dados entre o fechamento de 31 de dezembro de 2013 e o pregão de 29 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Maestria

Não se trata de definir metas,
mas de alcançá-las
O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2015 foi aprovado. Espera-se que o orçamento de 2015 seja aprovado pelo Senado ainda esse ano. Ainda que haja algum atraso, as principais metas orçamentárias já estão definidas:
- superávit primário em 2015 + R$66,3 bilhões, ou seja, 1,2% do PIB
- dívida líquida de 37,4% do PIB, para os próximos dois anos.
A meta para o superávit primário parece baixa, aquém das expectativas do investidor externo e, nesse sentido, pareceu muita fumaça para pouco fogo. A dívida líquida agrada. Com o tempo precisar ser reduzida para no mínimo 35%. O problema do crescimento permanece superestimado para 2015 e 2016: PIB evoluiria de 0,8% em 2015, para 2,0% em 2016 e 2,3% para 2017. Mas vamos observar o comportamento das variáveis econômicas durante os próximos meses, antes de desacreditar. Seria necessário um planejamento muito cuidadoso e muita maestria na condução das políticas econômicas para que tudo isso acontecesse.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Faltava essa

Se os Estados Unidos subir sua taxa de juros...

Ao iniciar suas reuniões o FOMC sempre atualiza suas projeções sobre o desempenho da economia norte-americana, lançando mão das estimativas do Banco Central do país. Os números devem apontar, mais uma vez, para a consistência do crescimento econômico. Se isso acontecer, o FOMC deve mostrar que a alta dos juros já seria eminente. No quadro mundial, faltava só mais isso. Considerando que já estamos em meio à crise Russa, podemos esperar por novos contágios, além dos já provocados nas cotações do dólar e de outras commodities. O preço do petróleo desceu do patamar de US$ 100,00/barril para menos de US$ 60,00/ barril. Isso quebra a Rússia, que já vinha penalizada pelos embargos decorrentes de sua atuação imprudente na Ucrânia De igual maneira, lançara à lona a pré-falimentar Venezuela. De fato vai sobrar também para o Equador, Angola e de maneira menos cruel para o Brasil, com a sua Petrobras levada, recentemente, ao desmanche. O dólar por essas razões já alcançou cotações recordes, graças às fugas de capitais dos países emergentes.  Os preços das commodities em queda trarão consequências à balança comercial brasileira e a desaceleração chinesa mostra que as reações de preços das mercadorias brasileiras exportadas não devem prosperar em 2015. É nesse contexto, que um anúncio a ser feito por Janet Yellen, ao final da reunião do FOMC pode colocar mais “caco de vidro na feijoada” da nova equipe econômica.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Mais lenha na fogueira

O proxy do PIB confirma a estagnação
O IBC-Br do Banco Central apontou, em outubro, queda de 0,3% em relação a setembro. O resultado apenas confirma o crescimento anêmico para o último trimestre do ano. Inadimplência elevada, o alto endividamento das famílias e das empresas, o baixo consumo, as altas taxas de juros, as restrições na política creditícia e a baixa confiança do empresariado impedem a recuperação no curto prazo. Para 2015, as expectativas ainda não são diferentes.

Brincando com o dinheiro do trabalhador

É de estarrecer
Meu amigo Décio Pecequilo manda-me a seguinte notícia, citando como fonte a Folha de São Paulo de 12/12/2104, página D5, do Caderno MERCADO: mesmo em queda de mais de 20% nas ações da Petrobras, nos últimos 15 dias, o trabalhador que investiu, em agosto de 2000, parte dos recursos de seu FGTS em fundos que aplicam em papéis da companhia, ainda leva vantagem.
Segundo cálculo, o ganho dos fundos que investem em ações ordinárias (ON) da estatal (ações com direito a voto) de 17 de agosto até 11 de dezembro de 2014, foi de 134,24%. Nesse mesmo período, o FGTS rendeu 93,61%. Um verdadeiro abuso do FGTS contra a classe trabalhadora, perpetuado por sucessivos governos do país, e agora, nos últimos governos, ao destruir a estatal e o capital investido por quem acreditou na Petrobras. É de estarrecer!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Essa rotina ficou monótona

Depois de plantados os grãos, a previsão
é de baixa de preços
Foi sempre assim. Antes do plantio no hemisfério sul, começam aparecer as revisões dos relatórios do USDA. Nesses relatórios pós-plantio, as previsões são sempre de safras recordes, no mundo. Particularmente, nesse mês de dezembro, as estimativas foram revistas para cima, para todos os principais grãos. As notícias falam são sobre expectativas de safras maravilhosas e de estoques elevados de grãos. Os preços, naturalmente, começam a cair e os industriais e comerciantes fazem a festa, provisionando-se a custos muito baixos. Essa situação deixa sempre uma questão a ser resolvida: os preços dos alimentos industrializados vão cair também? Ou a diferença entre os preços mais baixos das commodities e os preços anteriores, mais altos, vão ser embolsados por industriais e especuladores? Esses ganhos adicionais não vão ser repassados ao consumidor? Quando iniciar o novo período de plantio no hemisfério sul, as previsões vão falar novamente em escassez. Os agricultores vão ver os preços dos produtos que venderam barato, subirem. Animados com a perspectivas de ganhos, voltam a plantar. Se esquecem que o Departamento de Agricultura dos EUA, o famoso USDA, em breve publicará as edições de novos “Relatórios de Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda Agrícola”, dando conta de uma super oferta e transformando os ganhos esperados em mais um momento de frustração dos agricultores. Trata-se de expediente que promove a transferência da renda do campo pobre para a cidade rica. Ampliam-se as desigualdades, em todo o mundo. Salvo os momentos onde os Atos de Deus são impossíveis de serem escondidos, o USDA patrocina e garante os lucros das tradings e das grandes empresas internacionais do setor, com a colaboração eficiente do universo especulativo das bolsas de mercadoria.  Essas descasam os preços do presente daqueles previstos para o futuro baseadas em expectativas manipuladas. Esses mecanismos desinformam e confundem o agricultor. Uma rotina que ficou monótona, e que serve aos poucos que se beneficiam das assimetrias informacionais.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

2015, o ano dos ajustes

Ajuste fiscal e taxa de câmbio são aguardados
Nas projeções feitas por experts, para o ano de 2015, as preocupações iniciais referem-se ao ritmo de crescimento da economia mundial. A China luta para manter seu crescimento acima dos 7%. Quer evitar a todo custo o recrudescimento das tensões sociais internas que certamente surgiriam com o agravamento do desemprego local. A Europa ensaia avanços na flexibilização de sua política monetária, mas encontra resistências dentro das próprias instituições europeias, que atrasam sua versão mais completa do quantative easing. No Japão, a deflação parece ter voltado, mesmo após todas as medidas do plano Abe. Essas expectativas trazem os preços das commoditites para baixo, comprometendo o saldo comercial brasileiro. Já se fala abertamente da necessidade de compensar a balança comercial com medidas de estímulo aos serviços e ao fluxo de capitais. Não se tem esperanças na recuperação da indústria nacional no curto ou médio prazo. A produtividade industrial está comprometida por fatores endógenos ao setor e por problemas exógenos (custo Brasil), que comprometem a produtividade setorial. Crescendo, de fato, só se acredita nos Estados Unidos. Não se trata de crescimento alto, mas sem dúvida, já se pode admitir até o aumento dos juros norte-americanos para o primeiro trimestre de 2015. Os baixos preços do petróleo provocarão efeitos dolorosos, por aqui. Principalmente na Petrobras. A valorização do dólar foi tomada como certa. Internamente, a Ata do Copom que deve sair na quinta feira, pode ser determinante nas decisões dos ajustes fiscais, do câmbio e das expectativas dos agentes econômicos em geral.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Surpreendente que disso tenha se falado tão pouco

A festa do dragão
Não há outra forma de se referir a esse episódio. Foi realmente a festa do dragão. De uma só vez, e no melhor American Way of Life, o Banco do Povo da China injetou 400 bilhões de yuans em quatro outros grandes bancos estatais, incluindo ICBC, ABC, BOC e CCB, no mês de setembro. Estamos em dezembro e niguém parece ter sido avisado desse verdadeiro quantitative easing. E isso não ficou por aí. Outros 100 bilhões de yuan foram destinados ao CDB, Bocom e PSBC. Esta surpreendente liquidez destinou-se ao atendimento das necessidades de caixa das empresas públicas e algumas grandes empresas com operação no país. Quando tudo parecia já equilibrado, mais 269,5 bilhões de yuans foram alocados para os pequenos e médios bancos, no mês outubro, com a finalidade de beneficiar micro, pequenas e médias empresas, bem como a agricultura, áreas rurais e os agricultores em geral. As medidas de liquidez foram tidas como suficientes e não são esperadas reduções de taxas de juros ou outras medidas de natureza monetária. No dia 6 de novembro, o PBOC confirmou, pela primeira vez, já haver injetado 769,5 bilhões de yuans no mercado através de um mecanismo conhecido pelo nome de Empréstimo de Médio Prazo (MLF). Embora sempre muito misterioso, o governo chinês anunciou a liberação de recursos e a implementação dessas novas políticas, objetivando melhorar as expectativas e orientar o mercado. As autoridades econômicas sempre exibiram um certo temor em relação ao relaxamento da política monetária. Um clima de otimismo está semeado. Embora, no longo prazo, tudo isso possa desembocar em um agravamento da inflação interna. E espantoso ver como esses fatos foram ignorados no Brasil.