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domingo, 29 de março de 2015

Poupar ou consumir?

Poupança e crescimento
A taxa de poupança se constitui em uma das mais sérias restrições ao volume de investimentos a ser financiado e, dessa forma, em um limitador à taxa expansão da acumulação de capital da economia. No prazo médio, a consequência mais cruel é que tais limitações transformam-se em fatores determinantes da baixa taxa de crescimento da renda real. Trata-se de um ciclo vicioso, pois com a queda da renda, a capacidade de poupar do indivíduo torna-se ainda menor. Países com taxas elevadas de poupança (acima de 30% do PIB), como os asiáticos, cresce a taxas superiores aos países com taxas baixas de poupança (em torno de 20% do PIB). O último dado sobre o Brasil fala em uma taxa de poupança na casa dos 17,5% em relação ao PIB). México e Chile apresentam-se com taxa próximas aos 22,5%. Portanto, reequilibrar a macroeconomia e, com isso obter crescimento, deveria envolver uma discussão sobre a poupança doméstica e as taxas de investimentos na economia brasileira. Poupar não é a única providência. É apenas a primeira, pois transformar poupança em investimento, nesse momento, dependerá das expectativas sobre a sustentabilidade do crescimento futuro. Para ser sustentável o crescimento requer estabilidade fiscal e inflação convergindo para o centro da meta. Por isso, um ajuste, maior ou menor, é o pressuposto da ampliação da poupança. Desejável seria um nível superior a 25%, e uma taxa de investimento que o mais possível acompanhe a taxa acumulação de capital.


sábado, 28 de março de 2015

Ruim

E os número dão a dimensão dos fatos
Com revisão metodológica na série e nos componentes do PIB, 2014 fechou com crescimento positivo, ainda que muito modesto. O crescimento foi de 0,1 %, expressando uma retração expressiva em relação ao ano anterior, onde o PIB havia crescido 2,7%. Como era esperado, o desempenho do setor industrial foi negativo em 1,2%, enquanto a agricultura e os serviços mostraram desempenhos positivos de 0,4% e 0,7%, respectivamente. Não podem passar desapercebidos alguns fatos relativos ao último trimestre do ano:
- O consumo cresceu 1,1 %, em relação ao 3º trimestre.
- Significa dizer que cresceu menos que nesse período.
- Portanto, os estoques na economia aumentaram.
- Os gastos do governo caíram, depois de subir nos últimos 6 meses.
- Para piorar, nos três meses finais do ano, as exportações caíram 12,3 % e as importações acompanharam a queda, sofrendo redução de 5,5% no trimestre.
- Os investimentos completaram 24 meses de quedas sucessivas.
Não é de se esperar, senão por um desempenho medíocre da economia, no 1º trimestre de 2015.


Medidas no âmbito administrativo podem ser aceleradas

Devagar, o ajuste vai ganhando forma
Sem necessidade do legislativo, o ajuste caminha na área administrativa. O Conselho Monetário Nacional aumentou a TJLP em mais 0,5%. Agora a TJLP está em 6,0 % ao ano. Essa nova taxa passa a vigorar a partir do dia 1º de abril, o dia da mentira. Irônico, não? Não parou por aí. O Conselho ainda elevou a taxa de juros cobrada dentro do programa Moderfrota de 4,5 para 7,5% ao ano, para empresas com faturamento de até R$ 90 milhões. Para empresas que superam o limite de R$ 90 milhões de faturamento / ano, a taxa cresceu de 6% para 9%. A vigência da medida se inicia no mesmo dia. Para uma Selic que ainda deve crescer mais 0,5%, esses aumentos representam apenas uma juste. E como não precisam passar Senado, nem pela Câmara, basta a canetada administrativa e o ajuste ganha forma.

quarta-feira, 25 de março de 2015

Nada mudou, até agora

O quadro econômico não se transformou, ainda
Na prévia de março, a sondagem da indústria continua mostrando recuo, apontando para os 76,2 pontos. Confirmada essa prévia, estaríamos diante do pior desempenho, desde fevereiro de 2009. A sondagem ainda registra que a utilização da capacidade instalada volta a cair. A queda é de 81,6% para 80,8%. O saldo da conta corrente surpreendeu, apresentando resultado melhor que o esperado: negativo em US$ 6,9 bilhões, em fevereiro. Em 12 meses apresentou recuo de US$ 90,4 bilhões para US$ 89,8 bilhões; ou seja, em relação ao PIB, manteve-se estável em 4,2%. A balança comercial apresentou déficit nos últimos dois meses, após recuperação em dezembro. O resultado, em fevereiro, foi determinante para o saldo da conta corrente: -US$2,8 bilhões. Embora o setor industrial arraste-se por anos em situação de penúria tecnológica e com sua competitividade arrasada, não há no horizonte nenhum planejamento, ou conjunto de medidas, para sua recuperação. Quanto à arrecadação federal, foi registrado crescimento de 0,5% em termos reais, no mês de fevereiro. Para isso contribuiu a chamada receita extraordinária (R$ 4,64 bilhões). A arrecadação de tributos e contribuições alcançou a cifra de R$ 89,9 bilhões, equivalentes a um crescimento nominal de 8,2% na comparação com o mesmo mês de 2014. Excluída a receita extraordinária, a arrecadação nos últimos 12 meses apresentou queda real de 4,7%. No acumulado do ano, excluindo os resultados extraordinários, a receita registra queda real de 5,1%. Por enquanto, nada de empolgante nesses ajustes anunciados. Na Zona do Euro, a divulgação do PMI mostrou avanço em seu resultado preliminar. O PMI foi de de 53,3 pontos para 54,1 pontos. O mercado reagiu muito positivamente à notícia.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Mistério oriental

Altas inesperadas no Japão
Tóquio fechou em alta nesta segunda-feira. A bolsa local atingiu a máxima em 15 anos, face à forte procura por ações dos setores farmacêutico e automotivo. O índice Nikkei, subiu 0,99%, fechando aos 19.745,36 pontos, após o avanço de 0,4% registrado no pregão de sexta-feira. As farmacêuticas lideram as preferências dos investidores, sobretudo depois da divulgação dos bons resultados de experimentos com uma droga para Alzheimer do parceiro Biogen Idec. Os papéis da Eisai, por exemplo, saltaram 21%, atingindo o limite de valorização para um dia. Recentemente, a Eisai e a Biogen fecharam uma aliança para pesquisas de tratamentos para Alzheimer. Também na área farmacêutica, a Astellas Pharma subiu 1,5% e a Takeda Pharmaceutical avançou 2,1%. As montadoras apresentaram altas expressivas hoje: Suzuki Motor (4,5%) e Toyota (1,7%). Vamos aguardar mais um pouco para ver se esse é um movimento consistente que represente uma recuperação no consumo do país ou, se se trata apenas de altas pontuais, ligadas apenas a alguns setores microeconômicos.



quarta-feira, 18 de março de 2015

A UE comemora

Foi o Quantitative Easing?
O euro caiu mais do que o esperado após o início do programa de flexibilização quantitativa do BCE. Abre-se com isso uma nova vertente de crescimento para os europeu, via exportação. A maioria dos analistas já esperava por esse  movimento, desde que o QE foi anunciado. O que não se imaginava, entretanto,  é que a queda fosse tão grande. Veja o gráfico abaixo.
A cotação , no início dessa semana, era de 1,06 dólares, contra 1,13 no final da semana anterior. O que ainda não fica claro é se isso é uma tendência ou se essa queda pode ser explicada pelas tensões decorrentes nova postura grega. A médio e longo prazo, o euro deve encontrar arrimo  nos preços mais baixos do petróleo. Do ponto de vista da economia europeia, essa queda está sendo percebida como muito benéfica para toda a região, dado que impulsiona o crescimento e reduz o nível de desemprego.

sábado, 14 de março de 2015

Convergências desastrosas

Dúvidas e incertezas fertilizam
as especulações financeiras
A moeda norte-americana atingiu o valor mais alto desde abril de 2003: R$ 3,2490 na venda. A alta do dia foi de 2,77%. Várias são as razões para isso. De início, é preciso considerar que o dólar também avançou nos mercados externos, precificando possível anúncio de uma eventual antecipação da alta de juros nos Estados Unidos, pelo Fed, na próxima semana. Esse movimento, de caráter especulativo, decorreu do desempenho do país no que respeita à inflação e ao emprego. O mercado de trabalho melhora dia após dia e a inflação se estabilizou, preenchendo os parâmetros econômicos que guiam o Fed na decisão sobre a alta de juros norte-americanos.
Por outro lado, a espantosa habilidade do governo brasileiro em gerar incertezas, no plano doméstico, estimula a depreciação do real em velocidade mais alta que as de moedas de outros emergentes. Nesse ano, o dólar subiu aproximadamente 5 % ante o peso mexicano e o peso chileno, 8 % face ao rand sul-africano e 13 % em relação à lira turca. Considerado o real, a depreciação já ultrapassa os 22 %. A volatilidade, portanto, decorre do cenário internacional, do ambiente político nacional, onde a base aliada põe em dúvida a aprovação das medidas de ajuste econômico, além dos fatores próprios das operações dos grandes negócios privados no país, que estão à busca de hedge. Em meio a esse quadro, o Bacen deixa prosperar os boatos sobre suas intervenções diárias nesse mercado.

Primeiros sinais

O mercado de trabalho já não é o mesmo
A taxa de desemprego começa a subir com o enfraquecimento da atividade econômica. O desemprego apurado pelo IBGE atingiu 6,8% no trimestre encerrado em janeiro de 2015. O índice ficou acima dos 6,4% registrados no mesmo período de 2014.

Dados da PNAD contínua sinalizam para o aumento de pessoas procurando trabalho e registram a redução do número de pessoas ocupadas. Nesse primeiro momento o grupo demográfico mais atingido está composto homens, jovens, de nível educacional inferior. A pesquisa revelou ainda que o rendimento médio dos trabalhadores ficou em R$ 1.795,53 entre novembro do ano passado e janeiro deste ano. O rendimento médio perdeu o fôlego e seu crescimento parece comprometido nesse ano. O desemprego está associado à menor produção; rendimento médio estacionado compromete o consumo.

quinta-feira, 12 de março de 2015

Não se trata de maquiagem

Metodologias avançam e
aperfeiçoam os indicadores
Hoje é dia de Ata do Copom. Tudo indica que essa Ata aponte para a continuidade do novo ciclo de aperto monetário, ressalvando, entretanto, que sua intensidade dependerá dos avanços no ajuste fiscal e do comportamento futuro do dólar. Essa manifestação do Bacen provocaria um clima ainda menos otimista para o crescimento nacional, deixando, por outro lado, a certeza da consistência das políticas macroeconômicas e da determinação dessa equipe em combater a inflação. O IBGE anunciou mudança metodológica no cálculo do PIB. Como isso afetou positivamente os resultados de 2001 a 2011. A mídia recebeu mal a mudança, imaginando tratar-se de mais um artifício para maquiar o baixo crescimento da economia. Na verdade, a nova metodologia atende a padrões internacionais do cálculo do indicador. É preciso admitir que esses avanços metodológicos aperfeiçoam a contabilidade nacional.

segunda-feira, 9 de março de 2015

A espera de números que convencçam

E por falar em crise internacional e paciência
Na Europa, o Banco Central Europeu e os outros bancos centrais da zona do euro iniciaram ação conjunta para a aquisição, principalmente, de títulos governamentais, sem a exclusão de compras menores de títulos privados. Trata-se da versão europeia do quantitative easing, visando afastar a deflação e construir rotas novas para a expansão do nível de atividade econômica. Programas como esse pedem paciência e tomam algum tempo para produzirem seus efeitos. No Japão, o crescimento permanece muito abaixo do esperado pelas autoridades nipônicas. Em termos anualizados a expansão do último trimestre de 2014 registra expansão do PIB de apenas 1,5%. As previsões oficiais rondavam 2,0 por cento. Mas os gastos de capitais enfraqueceram. Os gastos de capital apresentaram queda de 0,1 % em relação ao 3º trimestre, apontando que o empresário daquele país ainda não se convenceu sobre a sustentabilidade da expansão do consumo. De fato, paciência só não basta. É preciso apresentar resultados concretos.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Até onde o Copom vai chegar?

Mais 0,50 p.p. e Selic vai a 12,75% 
Sem surpresas, a política monetária mostrou-se comprometida com o combate à inflação. O recado é claro: se o ajuste fiscal não prosperar, a Selic continuará subindo. As altas poderão ser abrandadas na medida em que o as contas públicas apresentem recuperação. O problema não é apenas a inflação. Os investidores já não teriam disposição em financiar o endividamento público de um país que não cresce, à beira de perder o grau de investimento, próximo da ingovernabilidade e com incertezas políticas crescentes. É preciso aumentar a remuneração do capital para que a rolagem da dívida esteja garantida. A tudo isso, acrescentam-se os problemas decorrentes da estabanada administração dos preços monitorados pelo governo em passado recente e a acelerada depreciação do câmbio. A rota de correção não será fácil, nem curta. Ancorar expectativas pedirá ao Banco Central vigilância permanente sobre os preços e, de forma adicional, sobre investimentos e consumo. Endividamento das famílias, inadimplência e renda real são variáveis ligadas ao consumo. Investimentos diretos externos e ofertas de empregos são variáveis mais afeitas aos investimentos. Ficar apenas pensando em cortes e reduções orçamentárias pode ficar improdutivo. É possível crescer investindo na substituição dos importados, dada sua inviabilização face à apreciação do dólar, e na expansão das exportações, agora com alguma competitividade recuperada pelo mesmo motivo. O Bacen caminha firme.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Embrulhos e pacotes

Pacotes alcançam sempre nos investimentos
Para chegar ao superávit primário desejado, o governo anuncia redução de 23,7% nos gastos do PAC até abril deste ano. Com isso imagina ser possível equilibrar as contas públicas em 2015, sem considerar os efeitos recessivos que estará impondo à economia. Trata-se da primeira vez que esse programa tem seus gastos reduzidos, mas há que se entender as dificuldades políticas para aprovação dos cortes em despesas de custeio. No mesmo decreto da Presidência da República, foram limitados os gastos com custeio da máquina pública no orçamento dos Ministérios. De janeiro a abril deste ano, autorizou-se uma dotação de R$ 59,98 bilhões, o que representa queda de 7,5% (R$ 4,87 bilhões) em relação ao valor gasto no mesmo período de 2014 (R$ 64,86 bilhões). O decreto, entretanto, dá liberdade ao Ministro Fazenda para proceder a ampliações e remanejamentos de valores, a fim de permitir o tratamento de "situações excepcionais" e que "requeiram atendimento imediato". O novo governo, desde sua posse, tem tentado reduzir seus gastos. As medidas vão avançando em ritmo acelerado: seguro-desemprego, auxílio-doença, abono salarial e pensão por morte são bons exemplos da disposição oficial de corrigir distorções no campo social. No plano econômico, propriamente dito, as decisões já implantadas elevaram o IPI para automóveis, os tributos sobre a gasolina, as  operações de crédito e os cosméticos. Também já se anunciou a redução dos limites temporários de empenho para gastos no orçamento de 2015 e o bloqueio de restos a pagar de anos anteriores. O Tesouro Nacional também anunciou que não haverá mais repasses do governo federal ao setor elétrico. Só nisso, a economia é de R$ 9 bilhões para este ano. Já se sabe, por outro lado, que toda essa austeridade chegará aos preços praticados junto ao consumidor final, pressionando a inflação. Razão pela qual o próximo Copom deverá aumentar a Selic em mais 0,5 pontos percentuais.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Inflação e emprego

Movimentos recentes da inflação
e do emprego
O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) apresentou avanço de 0,27 %, em fevereiro. No mês anterior a alta havia sido de 0,76. A redução da inflação deu-se principalmente em função da desaceleração da alta dos preços de no varejo.
O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), calculado pela FGV, (mede a variação dos preços no atacado) veio com variação negativa de 0,09% em fevereiro. Esse índice responde por 60 por cento do índice geral. Em janeiro havia apresentado aumento de 0,56%. Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor, com peso de 30 por cento no IGP-M, avançou 1,14% no mês, ante 1,35% em janeiro. Reduzir inflação tem sempre um preço a ser pago pela sociedade: o desemprego brasileiro subiu nesse início de ano, atingindo 5,3% em janeiro. A informação é do IBGE e superou as previsões de mercado. Entretanto, o mercado de trabalho ainda está muito apertado e não desperta preocupações para o curto prazo. Em prazo mais longo, serão necessários novos investimentos para manter esse quadro de tranquilidade social.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Descrença exagerada

Como se ações não provocassem reações
Generalizou-se entre analistas e agentes econômicos a crença que a inflação vai manter-se elevada em 2015 e 2016. Nessa visão, o IPCA tenderia a alcançar um valor que estaria rondando os 7,0%. Ninguém acredita que o governo possa reconduzir a inflação para o centro da meta, em função das pressões que os preços sofrerão com a apreciação do dólar face ao real, com a própria inércia inflacionária e com os efeitos dos reajustes dos preços administrados. Esses, segundo os analistas, devem anular qualquer recuo dos preços livres, mesmo sob os efeitos da grave retração prevista. Ao mesmo tempo, todos conseguem ver o PIB com crescimento negativo, com aumento de impostos e queda nos investimentos, no emprego, na renda e no consumo. Parece que o dólar mais forte não remunerará melhor os exportadores, sobretudo no agronegócio. Parece também que esse fortalecimento da moeda norte-americana não traria maior competitividade aos minérios brasileiros. Também são se pensa que um real fraco possa incentivar importações ou substituir grande parte das importações nacionais. Também passou-se precipitadamente a acreditar que o capital externo não voltará ao país antes que tudo esteja arrumado, como se o Brasil, saudável e sem riscos, fosse remunerar os capitais externos. A remuneração atrai porque é alta. E é alta porque embute riscos. Também não se imaginou que o Brasil ficou mais barato e por isso muito mais atraente. O pessimismo agora é a regra. Não se cogita de reações às ações que corrigem e saneiam nossa economia.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Lá fora também

Lá fora também os especuladores
fazem suas apostas
A bolsa no Japão atingiu o maior nível desde 2000. A Nikkei subiu 0,36%. Já as bolsas da Europa não se definem claramente, dado o problema da Grécia. Os negociadores gregos solicita, junto à EU, a extensão dos prazos para renovação dos seus empréstimos. Com isso, as apostas tem sentidos divergentes: FTSE -0,06%, CAC 0,41%, DAX 0,29%. Investidores esperam por uma eventual elevação das taxas de juros nos USA. Essa hipótese remanesce ainda em suspenso e, provavelmente, não venha acontecer tão cedo. Nesse caso, teremos ganhadores e perdedores por toda Europa.

Difícil explicar?

Investidores desistiram. Especuladores não.
O Ibovespa tem sua terceira alta seguida nesta quarta-feira, com ganho de 1,27%, fechando aos 51.280,36 pontos. Pode parecer estranho, mas é a maior pontuação desde 5 de dezembro do ano passado, quando a Bolsa fechou a sessão aos 51.992,89 pontos. O clima de pessimismo generalizado contradiz o entusiasmo do mercado de capitais, tendo em conta que apenas nas últimas três sessões, a Bovespa acumulou valorização de 6,3%. Curioso ainda constatar que o índice havia encerrado a semana anterior com resultado acumulado de 3,78%. Tudo faz pensar que os compradores estão realmente ativos, apostando na ideia de que os preços dos papéis estão muito deprimidos. Entendem que a razão para isso está relacionada ao pessimismo exagerado e à falta de confiança na recuperação da economia. Tão logo esse clima seja revertido, esperam embolsar o lucro de suas ousadias.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Torcida Mundial

Fatos novos podem trazer algum
otimismo aos mercados


A Zona do Euro já havia surpreendido, na semana passada, apresentando crescimento de 0,3%, nos últimos três meses do ano passado. A recessão parece ter ficado para trás. Para 2015, o crescimento econômico da região continuará se recuperando, ainda que lentamente, e sempre impulsionados pelas medidas de ampliação da liquidez previstas pelo BC. As taxas de desemprego devem apresentar reduções, embora se mantenham em patamares ainda elevados. Os movimentos deflacionários não devem ressurgir e estarão no radar do BCE. A discussão sobre os efeitos do crescimento e dos preços é o tema político desse momento. A expectativa sobre a Europa refletiu-se positivamente no mercado financeiro mundial. Agora é o Japão que anuncia crescimento de 0,6%, nos últimos três meses do ano, correspondendo, em base anualizada, a 2,2%. Um número que entusiasma, mas que ainda assim está baixo da previsão dos analistas de mercado, de 3,7%, sugerindo que a recuperação econômica do Japão ainda é frágil. Mesmo que frágil, o fato é que esse crescimento acontece após dois trimestres de contração na economia japonesa. É compreensível entretanto que os analistas tomem como fraca a recuperação. Temem que a lenta retomada dos gastos em consumo e dos investimentos possa comprometer a sustentabilidade do plano, em prazo mais longo. Esperam pelas prometidas, e ainda não executadas, reformas estruturais, bem como pelo ajuste das contas públicas. Os agentes econômicos não estão convencidos de que apenas os estímulos monetários possam produzir resultados definitivos em relação ao crescimento do país. Isso, de certa maneira, retém o crescimento de expectativas mais otimistas e retardam os investimentos privados. O consumo privado representa cerca de 60% da economia japonesa, segundo fontes oficiais, condicionando qualquer reação do nível de atividade à disposição de sua população em gastar. Enquanto isso a China esforça-se por manter um de crescimento entre 7% e 7,5% ao ano para atender a demanda de mão de obra. Para isso, reduziu suas taxas de juros e o percentual correspondente ao recolhimento de depósitos compulsórios dos bancos. Esses estímulos são relativamente recentes e inspiram cuidados para não se transformar em bolhas de preços na economia. São vistos como verdadeiros impulsionadores do mercado interno, estimulando o nível de atividade e a expansão dos negócios. Espera-se que tais investimentos possam ampliar, em algum grau, o emprego, a renda o consumo. O mundo torce para isso.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Mercado de trabalho

O emprego já faz água


Os números sobre emprego anunciam a exaustão do mercado de consumo face ao baixo nível de investimentos no país. O setor industrial, esquecido pelas políticas econômicas dos últimos governos, destruiu cerca de 45.000 empregos em 2014. A construção civil, depois do estouro de sua bolha, fechou, só no mês de novembro, 50 mil vagas. Os tempos de pleno emprego parecem estar chegando ao fim. O Brasil criou no ano passado menos de 25% das vagas de trabalhos criadas em 2010. Se a taxa de desemprego apontada pela PNAD-Contínua não ultrapassou os 6,8%, isso se deu graças ao desempenho do comércio e dos serviços, mas que em 2014, arrefeceram seu dinamismo, e graças à redução do número de pessoas que procuraram emprego nesse período. Aposentados, com a melhoria dos valores de suas aposentadorias, e jovens, em idade escolar, saíram do mercado de trabalho, deixando de procurar empregos. Os programas sociais distribuídos de maneira benevolente, foram um estímulo adicional à renúncia ao trabalho. Com a elevação das taxas de juros, a redução do crédito e os justes econômicos previstos, o mercado de trabalho inicia um ciclo de retração. O crescimento dos salários tende a ser modesto em 2015, e a renda familiar deve mostrar-se em queda. A tendência é que jovens e aposentados voltem para o mercado, à busca da recuperação da renda de suas famílias e isso, inevitavelmente, pressionará a taxa de desemprego.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Otimismo no mercado internacional

Novos movimentos de crescimentos no mundo podem beneficiar o Brasil
Toda vez que se fala em flexibilização das políticas monetárias da China e da União Europeia, as expectativas sobre a melhoria do quadro econômico começam a crescer e, de modo geral, trazendo amplos benefícios aos países emergentes. Esses socorros são vistos como verdadeiros impulsionadores dos mercados, estimulando o nível de atividade e a expansão dos negócios. Por essa forma, ampliam o emprego, a renda, o crédito e, por consequência, o consumo. Sobre os resultados do plano Japonês, contudo, os agentes econômicos parecem ainda não estar convencidos em relação aos estímulos monetários no país. Isso, de certa maneira, retém o crescimento dessas expectativas mais otimistas. A recuperação norte-americana continua e a notícia do crescimento de 0,3% do PIB europeu, no último trimestre de 2014, deram novo fôlego ao bom humor dos agentes econômicos nos mercados internacionais. O comércio mundial, mas sobretudo o comércio brasileiro, deve responder à valorização do dólar em nível mundial. De igual maneira concorrem para isso a alta nas cotações das commodities metálicas e agrícolas e do petróleo, beneficiando fortemente o Brasil.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Dólar em alta

Menor liquidez nos USA pressiona desvalorização do real
Os que precisam comprar dólares e os que precisam vender a moeda norte-americana fique atento às suas flutuações, sempre considerando que a tendência para os próximos períodos é sua valorização em relação ao real. Não bastassem as condições diferenciadas das economias dos dois países, a suspensão do programa de injeção mensal de liquidez no mercado norte-americano já seria, por si só, um fator de redução da oferta de dólares em todo o mundo. Acresce ainda o esperado aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Segundo se prevê isso tornará muito atrativo os investimentos naquele país. Dessa forma, imagina-se que possa haver uma saída acentuada de recursos no Brasil à busca de uma relação risco-retorno mais interessante. Quando isso ocorrer, a oferta de dólar no Brasil deve reduzir-se substancialmente, levando a uma valorização abrupta da moeda em relação ao real. Essa valorização no Brasil ficará ainda minimizada pela ação do Bacen, mas não a ponto de evitar os movimentos defensivos dos investimentos já realizado, que, por sua vez, deverão impor alta volatilidade no mercado de divisas. É verdade que redução dos déficits de nossa balança comercial, impulsionada pela desvalorização do real nos próximos meses, pode minimizar a redução da oferta de dólar no mercado brasileiro, provocando em contrapartida novas pressões sobre a inflação interna.