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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Última chance

Zé, entendi suas razões
Não voltarei ao passado. Não recapitularei fatos.
Essa é, talvez, sua última oportunidade de entender que “os fins não justificam os meios”.
Mais do que os resultados buscados e os objetivos colimados, a legitimidade dos meios para alcançá-los tem sido exigida como um valor da conquista.
Entendi suas palavras. Mas, esse é o pensamento da sociedade contemporânea.
Lamento pela força de suas convicções, sempre tão dogmáticas e inarredáveis. Mantenho minha admiração pela sua determinação, mas recuso-me a aceitar a obsessão que lhe move.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Semana curta (3)

Europa, uma cartola sem coelhos
Nos dois primeiros dias da semana, a Europa estará promovendo mais uma reunião de ministros de economia, da Zona do Euro. Na pauta, estarão em discussão o lançamento do Fundo de Estabilização e a pretendida união bancária. Isso “vai dar pano para a manga” durante muito tempo.
São esperados ainda os anúncios dos dados da produção industrial na Inglaterra e na Zona do Euro, ambos referentes ao mês de agosto. Espera-se por números que confirmem o marasmo dessas economias uma vez que o desemprego permanece elevado.
Na Europa, faltam coelhos, sobram cartolas.

Semana curta (2)

O mundo caminha lentamente.
Sua caminhada vai em boa direção.
A China e o Japão ainda esperam pelos efeitos das medidas monetárias tomadas recentemente. Sabem que os efeitos costumam ser defasados e cumulativos. Portanto, não querem precipitações. Preferem,  primeiro, avaliá-las para, só depois, dar curso a novas medidas.
Especificmene, a China espera pelos números referentes ao seu estoque de crédito, depois das reduções das taxas de juros e dos depósitos compulsórios. As previsões não são alentadoras e imaginam taxas de crescimento ainda menores para o país.
Nos Estados Unidos, o Fed divulga o Livro Bege, na próxima quarta-feira. Na última divulgação, o crescimento da economia norte-americana mostrava-se em expansão lenta. Mesmo com as boas notícias da semana passada e as evoluções positivas de alguns setores, o nível da atividade econômica não deve ter sua velocidade aumentada significativamente, bem como nem deve trazer aumentos de inflação ou de salários.
É de se esperar que a divulgação do Livro Bege faça uma discreta comemoração da redução do nível de desemprego e que continue a sinalizar para um crescimento consistente, mas moderado, da economia norte-americana. Deve ainda insistir na disposição do Fed em continuar a injetar na economia o dinheiro necessário para reduzir mais fortemente a taxa de desemprego no país.

Semana curta (1)

No Brasil, o clima entre os agentes
deve continuar melhorando
Os estímulos fiscais e monetários concedidos pelo governo central, como medidas contra cíclicas, e as políticas de renda e de trabalho vão garantir o crescimento do varejo, a ser anunciado essa semana. Veículos e material de construção devem apresentar resultados animadores.
Até agora, a atividade varejista tem ostentado posição relevante no quadro do crescimento nacional, sobretudo pelo baixo nível de investimentos na economia nacional. O modelo de crescimento tem se sustentado na expansão da demanda e, portanto, não causa estranheza que o varejo tenha obtido bons resultados nesse ano. O lado da oferta continua, de fato, esquecido.
Na terça e na quarta-feira dessa semana, o Comitê de Política Monetária estará reunido para decidir sobre o futuro da Selic. Dessa vez, submetido aos efeitos das novas altas de preços, puxadas especialmente por alimentos e, generalizadamente, pela difusão da alta por outros itens e subitens do IPCA.
Se tiver juízo, o Copom deixará a Selic adormecida nos 7,5% ao ano, confirmando o fim, anunciado na última Ata, do ciclo de rebaixamento da taxa básica de juros. Se, entretanto, predominar uma visão política, a taxa pode cair mais 0,25%.

Espanha: o poço é fundo

Não basta socorrer. É preciso sanear
 a economia da Espanha.
A disposição de prestar socorro é grande, mas condicionada ao cumprimento de obrigações assumidas e ao respeito às regras do jogo.
Orçamentos não são peças para alimentar negociações e receber recursos. Será necessário que o governo espanhol se comprometa definitivamente com ele. Também será preciso levar a cabo um programa eficiente de fiscalização bancária. O setor privado é causa de muitas das incertezas que a Espanha promove no mercado financeiro. A recapitalização não pode ser entendida como um alívio, apenas. O sistema bancário precisa ser saneado para prestar-se como instrumento de recuperação econômica.
O estado espanhol, por sua vez, precisa encontrar soluções para reduzir mais rapidamente seu enorme endividamento e, nesse caso, austeridade é a palavra de ordem.
Cumprido os quesitos fundamentais, a União Europeia manterá sua disposição em apoiar a Espanha e monitorará a redução paulatina da dívida soberana da Espanha.
Será, por fim, muito desejável que as autoridades econômicas da Europa não se esqueçam de monitorar também a paciência do povo espanhol, que, de hábito, não gosta de ver lançado sobre si o custo do saneamento financeiro, em termos de falta de emprego e queda de renda.

domingo, 7 de outubro de 2012

Meu Brasil brasileiro

Terra de samba e pandeiro
As commodities subiram em setembro e o IC-BR apontou que a alta atingiu 0,28%, em relação ao mês anterior. Nada que possa incomodar.
Em relação aos metais cujas altas foram mais expressivas, pouco se pode fazer. Trata-se de questão mundial, como se vê na figura abaixo.
A Produção Industrial do mês de agosto mostrou-se em alta de 1,5%, em relação ao mês anterior. O Governo Central apressou-se em chamar a si esse sucesso, atribuindo-o às medidas de desonerações e às de política monetária. Sinceramente, dessa vez, concordo com nosso governo.
Agora, sobre a inflação de setembro, o governo falou muito pouco. O IPCA se mexeu mais fortemente, apontando para alta nos preços de 0,57%. A culpa fica para os alimentos, cujas altas continuam sendo atribuídas às quebras das safras de milho e soja, nos Estados Unidos.
Peço observar, entretanto, que os itens e subitens do IPCA mostraram grande difusão da alta. Os preços sobem generalizadamente, revelando que o reaquecimento trará as maiores consequências e pode impedir que o ciclo de baixa da Selic continue nas reuniões dos próximos dias 9 e 10, do Copom.

A Europa “tá russa”

Melhorou pouco, mas a retração continua
Os PMI’s sugerem melhora discreta no estado de saúde da Zona do Euro, em setembro. Não são, entretanto, capazes de renovar as esperanças de crescimento na região.
A taxa de desemprego, referente ao mês de agosto, segue na casa dos 11,4%. Até a Alemanha registrou desemprego crescente. A Taxa de desemprego de jovens, pessoas abaixo dos 25 anos, chegou a 22.8%.
O Banco Central Europeu, na semana passada, resolver “sair de férias”. Antes, avisou que está pronto para agir e que espera a voz de comando dos políticos europeus. Manteve a taxa de juros em 0,75% ao ano para favorecer alguma recuperação, como por exemplo, as vendas no varejo, de agosto, que apresentaram-se em alta  de  0,1%.

China e Japão mais fracos

A Ásia não reverte a desaceleração
A China divulgou alguns indicadores na semana passada. Neles não há sinais de crescimento, ao contrário apontam para a continuação da atual freada econômica.
O PMI industrial do mês de setembro ficou aquém das expectativas, mostrando que a retração do setor não é coisa a ser superada rapidamente.
O PMI de serviços, para o mesmo mês, caiu de 56,3 em agosto, para 53,7 em setembro. Continua acima dos 50 pontos, mas “é pra baixo” que embicou.
No Japão, o Banco Central do país manteve-se firme e não mudou sua política monetária Está na espera de novos efeitos que os estímulos concedidos, em agosto, possam ainda produzir. Doce ilusão?
As autoridades econômicas locais não excluíram a possibilidade de novos afrouxamentos monetários. Apenas querem avaliar melhor e evitar riscos excessivos, frente às oscilações da economia internacional.
O Banco Central não quis ampliar suas compras de títulos e o programa de empréstimos. Em agosto, essas medidas foram tomadas e hoje despertam receios em função da redução das exportações japonesas, sobretudo para a China. A Europa também recessiva, não ajuda as exportações do país e deixam para o Japão uma perspectiva de baixo crescimento no setor industrial.

sábado, 6 de outubro de 2012

De repente, não mais que de repente

Nos Estados Unidos, uma onda
súbita de otimismo
O Payroll do mês de setembro, indicador do mercado de trabalho, não trouxe surpresas, reproduzindo as expectativas de todo o mercado. Mas, quem surpreendeu, e muito, foi a taxa de desemprego, com um desempenho absolutamente inesperado. Veio dos 8,1% de agosto, para 7,8% em setembro. Não se pode minimizar esse feito e muito menos a reações dos investidores frente a esse resultado.
Associa-se a esse entusiasmo outro decorrente do crescimento industrial, refletido no ISM Manufacturing, também do mês de setembro, confirmando a recente expansão do setor.
Do lado do consumo, as notícias também vão empolgar os mercados. O crédito ao consumidor, nesse mesmo mês, mostrou que o estoque de crédito é ainda maior que o de agosto. São US$18,1 bilhões rolando nas mãos do consumidor norte-americano. O Natal desse ano promete ser melhor que o de 2011. Perus estarão na mesa das famílias.
Finalmente, a Ata do Comitê de Política Monetária do Fed mostrou que o propósito de suas medidas é o de estimular uma recuperação econômica mais robusta e consistente.
A semana não podia ser melhor na terra do Tio Sam.
Na renda variável não se pode
perder o timing
O Ibovespa encerrou essa sexta-feira em alta discreta. Fechou aos 58.571 pontos. A semana foi de perdas. O índice caiu 1,02% entre segunda e sexta-feira.
Para a semana que vem, pode haver uma reversão de expectativas. A economia norte-americana apresentou alguns resultados acima do que o mercado estava esperando e o Brasil apresentou-se com sinais mais nítidos de fortalecimento de sua esperada recuperação econômica.
A inflação tem se transformado na vilã do momento e o Copom volta a se reunir nos próximos dias 9 e 10. Na pauta estará a Selic. Os últimos números publicados sobre o IPCA trazem novas incertezas.
Por outro lado, a política cambial tem exigido atenção quanto às as ações do Banco Central nesse mercado. Se o Banco Central deixar, o dólar vem abaixo do R$2,00. Ontem, por exemplo, a bola bateu na trave mais uma vez. Fechou cotado a R$2,030. A liquidez mundial é pra lá de excessiva. E o Brasil está voltando a ocupar um lugar central na cabeça dos investidores.
Dados positivos na economia norte-americana e crescimento no Brasil induzem a bolsa a rápidos crescimentos e atraem capitais especulativos. Esses, por sua vez, pressionam pela valorização do real.
Tudo, naturalmente, a conferir.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Contradições?

A economia tem suas armadilhas
A Confederação Nacional da Indústria anunciou os indicadores de desempenho do setor, em agosto. Parecem contraditórios e mais confundem que ajudam a compreender o atual quadro de crescimento da indústria nacional:
1)  O faturamento real industrial subiu 4,8% no mês de agosto em relação ao mês anterior. Em relação a agosto do ano anterior o crescimento foi de 7,0%.
2)  Em sentido contrário e de forma inesperada, o nível de emprego na indústria caiu 0,3% em agosto, se comparado ao mês anterior e recuou 1,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Fica difícil para o cidadão entender como isso teria acontecido.
3)  Ademais, a utilização da capacidade instalada, em agosto ficou em apenas 80,9%, sem registrar variação significativa, embora o faturamento industrial tenha subido tanto. Fica difícil para o economista explicar como isso poderia ter acontecido.
Seria preciso, talvez, admitir uma alta nos preços dessa magnitude. Não é isso que os números sobre inflação estão dizendo.

Declarações produzem expectativas

O pessimismo de ontem
parecia articulado
Nos Estados Unidos, a Ata do Fed referente à última reunião de política monetária provocou dúvidas e incertezas sobre o consenso dos membros do Comitê no tratamento da adormecida economia norte-americana. O Comitê sugere que o Banco Central informe ao mercado, de maneira mais clara e mais objetiva, suas decisões em relação aos juros, evidenciando os fundamentos de seu pensamento. A intenção de tanta transparência é a de reduzir o nível de incerteza, oferecendo aos agentes maior segurança e previsibilidade sobre a condução dos rumos da economia. Foi o bastante para ampliar a incerteza já reinante.
Na Europa, o discurso de Draghi afunda as esperanças e as expectativas do investidor. Simplesmente, transferiu as decisões do Banco Central Europeu para cada um dos países que compõem o bloco econômico. Fica a pergunta: então para que existe uma autoridade central? Sua afirmação de que o BCE está pronto para agir, mas se condiciona às decisões dos países-membros, aponta para a renúncia à autonomia do órgão. O mercado veio abaixo.
Para piorar o clima de pessimismo, a Turquia autorizou seu exército a agir contra a Síria. Essas tensões geopolíticas no Oriente Médio fazem o mundo financeiro tremer.
Finalmente, ontem já se preconizava que o nível de emprego nos Estados Unidos, a ser divulgado hoje, não deve ser trazer novidades e, portanto, também não trará nenhum entusiasmo aos mercados hoje.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O mundo ontem

Os melhores sinais chegam dos Estados Unidos
O índice de atividade dos gerentes de compras, conhecido pela sigla ISM, apurado para o setor industrial nos Estados Unidos, no mês de setembro avançou razoavelmente. O ISM saiu dos 49,6 pontos no mês de agosto, para atingir, em setembro, os 51,5 pontos. O resultado não é apenas simbólico por ter ultrapassado os 50 pontos, mas renova as esperanças sobre a retomada, uma vez que tecnicamente os 50 pontos constituem-se em um divisor de águas que separa a contração da expansão econômica.
É bem verdade que o consumo ainda limita essa aceleração, exigindo do combalido mercado internacional um ritmo maior que o atual para impulsioná-lo de forma definitiva.
Curioso notar que,em linha com o crescimento do ISM, o sub índice de preços industrial pago, no mês de setembro, também avançou dos 54 pontos em agosto, para os 58,0 pontos,em setembro.
A Europa, a Ásia e o Brasil gostaram dessa notícia e seus mercados regiram positivamente ao anúncio sobre o desempenho industrial norte americano.
Os testes de estresse com bancos espanhóis evidenciaram a necessidade de €40 bilhões em recursos adicionais da União Europeia, para dar conta dos déficits de capital desses bancos. Embora exuberante, o rombo foi menor do que se esperava e agradou aos mercados. Não bastasse isso, o mês de setembro, registrou crescimento no PMIs de italianos, espanhóis e alemães de maneira a ultrapassar expectativas dos analistas.
Na Ásia, o índice dos gerentes compras – PMI, da China, subiu mais um pouco. Foi de 49,2 pontos em agosto, para os 49,8 pontos em setembro, não conseguindo ultrapassar perspectivas do mercado.
A atividade industrial parece se recuperar. Mais algum tempo nesse ritmo e o mundo pode iniciar a superação de seus episódios desastrosos iniciados em 2008.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Promessas renovadas

A semana que passou, no Brasil
A promessa governamental de crescimento foi renovada, para o prazo médio. No curto prazo, no entanto, o crescimento previsto para 2012, de 2,5%, foi revisto para 1,6%. Medidas contra cíclicas, não faltaram. Não faltou baixar a Selic, nem faltou anunciar privatizações.
O Banco Central divulgou o Relatório de Inflação, prometendo a convergência para o centro da meta, no longo prazo. No curto prazo, espera-se pelo recrudescimento inflacionário. As pressões sobre os preços são, nesse instante, mais difusas, atingindo a maioria dos os itens e subitens medidos pelo IPCA. Alguns são muito fortes, como no caso dos legumes e verduras. Grãos e fibras, diante do quadro de escassez internacional, também exercem fortes pressões. Tudo isso pode ser sazonal, mas preocupa ver a generalização da inflação por um conjunto muito extenso de itens do consumo das famílias brasileiras.
Finalmente, parece haver no mercado a convicção sobre os efeitos positivos que a queda de tarifa de energia elétrica e a queda dos preços das commodities pudessem trazer, no médio prazo ao equilíbrio dos preços. Não acredito nisso. Commodities em particular, e preços internacionais, de um modo geral, já não ajudarão mais a inflação nacional.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Espanha na alça da mira

Hoje é dia de tourada, na Espanha
O governo espanhol conseguiu aprovar sua proposta de orçamento para próximo ano, reduzindo o déficit público para 4,5%, frente aos 6,3% previstos para 2012. A proposta de orçamento prevê um corte de despesas na casa de 7% e uma elevação das receitas do estado em 4%.
A aprovação agradou aos agentes econômicos e, evidentemente, não foi é bem recebida pela população que vê um excesso de austeridade, praticado em período muito estreito de tempo.
Os salários a serem pagos pelo estado espanhol foram congelados e os gastos ministeriais foram reduzidos em 8,9%. Para aliviar a tensão e conseguir a aprovação, o governo ampliou o pagamento  de  benefícios  previdenciários. Como no Brasil dos velhos tempos, a maior pressão virá dos pagamentos dos juros de sua enorme dívida pública.
O receituário seguido para tudo isso foi o de Bruxelas. Isso abre um interessante espaço para a Espanha recorrer ao Fundo de Estabilização Europeu, evitando condições mais severas para a concessão dos recursos que vier a pleitear.
A aprovação do orçamento veio em boa hora. O país está passando por mais uma rodada de revisão da classificação de riscos de seus títulos soberanos. A Moody’s pode entender que embora o teor recessivo, a peça orçamentária embute a disposição das autoridades em praticar níveis de austeridade compatíveis com o saneamento do estado espanhol, no longo prazo.
É bom ter presente que a exposição dos bancos ao setor imobiliário estará também sendo avaliada, para identificar, em vários cenários alternativos, as necessidades de capital a que esses bancos estrão submetidos nos próximos períodos.
Em outras palavras, hoje é dia de tourada, na Espanha.

Alemanha perde força

Não perca de vista a Alemanha
A taxa de desemprego alemã está estável em 6,8%. É o décimo mês consecutivo que a taxa mantém-se estável, desconhecendo todas as intempéries do mundo econômico em 2012.
Entretanto, no mês de setembro, foram, registrados 9 mil pedidos de auxílio desemprego a mais que em agosto. Em agosto, esse número já havia registrado um crescimento de 11 mil pedidos adicionais, em relação a julho. Há seis meses esses pedidos de desemprego aumentam e confirmam o desaquecimento progressivo da economia germânica.
Vale lembrar que grande parte desse desaquecimento pode ser explicada pela queda das exportações alemãs para os demais países europeus e para a Ásia.
Também não se pode esquecer que os dados internos apontam na mesma direção. Na Zona do Euro, os indicadores de confiança, quer dos empresários, quer dos consumidores mostram desempenhos sofríveis. O indicador de Sentimento Econômico está 85,0 pontos nesse mês, contra 86,1 pontos em agosto. Na indústria  veio para de -15,4 para -16,1.
No que diz respeito aos consumidores a situação não é melhor. O índice de confiança reduziu-se para -25,9, em setembro, ante -24,6, em agosto. No mesmo período, as empresas varejistas e os prestadores de serviços registraram queda de -10,8 para -12,0.
Esses indicadores expressam a dimensão da crise vivida pela região e apontam para os riscos de seu agravamento, pela retração da demanda mundial. Com o arrefecimento da Alemanha, os europeus precisam buscar por outras vertentes de crescimento que possam dar sustentação a seus planos de redução dos problemas sociais e políticos.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Espanha nas cordas

Mercados enviaram seu recado
Para os títulos de 10 anos, os investidores impuseram yields superiores a 6% ao ano, para os títulos espanhóis de 10 anos.
Não há mais dúvidas. Se a Espanha continuar insistindo nesse combate, “beijará a lona” nesse round. Melhor seria o governo antecipar o anuncio do pedido de ajuda integral. Ruim com ele, pior sem ele.
Mas, vendo por outro ângulo, cada vez que o governo anuncia uma medida de austeridade econômica, a população local manifesta seu descontentamento (ou desespero?).
A Grécia ontem foi à greve geral, levada pelos seus sindicatos e sente-se emparedada entre as pressões populares e as declarações do Banco Central Europeu de que não se envolveria em uma nova tentativa de reestruturação da dívida grega.
A Europa está nas cordas e o mundo, entre a “cruz e a caldeirinha”.

Lentidão

Acreditar que as taxas de juros voltem
a subir levou á hesitação.
É importante reconhecer que a redução dos juros veio para ficar. Duvidar disso levará agentes financeiros a retardar decisões que podem comprometer seus desempenhos nos próximos períodos. Os aportes de recursos na Caixa e no BB mostram a disposição do governo em definitivamente reduzir o custo do dinheiro no país, visando incentivar a ampliação dos investimentos do setor privado.
Portanto, será importante que os bancos trabalhem nos dois lados de sua equação financeira. As ampliações de receitas não podem ser negligenciadas. Os bancos precisam defender suas bases de clientes do ataque dos concorrentes, evitando o crescimento da portabilidade, o fechamento de contas de atuais clientes, decorrentes do aumento dos custos para sua manutenção, e desenvolvendo novos mercados por meio de estratégias de crescimento.As palavras de ordem estão dadas para os bancos:
1)  Maior urgência nas medidas de redução de custos operacionais. Não há como retardá-las ou amenizá-las.
2)  Disciplinamento para redução do peso que a alta administração exerce sobre os custos nos banco privados.
3)  Redução das estruturas organizacionais, com enxugamento de níveis hierárquicos e ampliação das amplitudes de direção e controle. A melhor alternativa para encaminhar essa medida passa pela redução do número de vice-presidências, diretorias e superintendências.
4)  Revisão dos principais processos da operação bancário.
5)  Intensificação de controles, sempre mais vitais aos bancos, do que a qualquer outra instituição. Importante a unificar e otimizar suas bases de dados.
6)  Redução dos tamanhos das agências, acompanhada da redução do quadro de pessoal em seus centros administrativos.
7)  Acompanhamento mais efetivo do quadro concorrencial, das estratégias competitivas implantadas e do comportamento dos segmentos servidos.
8)  Busca de escalas econômicas, pela ampliação do número de clientes (em forte redução no ano em curso) e pelo aumento dos volumes operados pelos clientes atuais, sem nenhuma expansão das plantas atuais.
9)  Intensificação de esforços de internacionalização em áreas prósperas da América Latina ( México, Panamá, Costa Rica, Colômbia, Peru e Chile) para aproveitamento e reaproveitamento dos investimentos em infraestrutura de TI, sistemas e pessoal.
Do início do proceso de queda da Selic, já se passou tempo demais. Não há mais o que esperar. Sem essas medidas, os resultados da operação bancária estarão comprometidos, as receitas tenderão a se defasar, dado o aperto nas margens dos bancos, sobretudo em ambiente econômica de recuperação moderada.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Vida dura, a dos bancos

Problemas, ameaças e desafios
pedem novas estratégias
Apertem os cintos. Estamos atravessando uma área de fortes turbulências.
É bem verdade que há um risco menor no lado da qualidade do crédito, embora isso venha acontecendo muito lentamente. Mas também é verdade que as pressões sobre as margens dos bancos são grandes e não prometem reduzir sua intensidade.
Agora, os cartões de crédito foram atingidos em cheio.
Os bancos públicos cresceram muito suas participações de mercado. Os privados perderam clientes de maneira generalizada e deixaram ver a inutilidade de seus CRMs e outras atividades de fidelização.
O Brasil se aproxima do piso do ciclo da taxa de referência Selic, mas, de fato, os bancos ainda não sentiram o impacto real sobre as margens. A queda nas taxas mostrará o comprometimento dos lucros só no quarto trimestre desse ano. Analistas estimam que os grandes bancos sofram reduções na faixa de 70 a 100 pontos-base até o final de 2013.
Ainda que a qualidade do crédito venha melhorando, os últimos dados sugerem a necessidade de maior atenção ao crédito às empresas de pequeno e médio portes. Quanto às pessoas físicas será necessário monitorar o nível de endividamento das famílias e as variações da renda real. Flutuações nos níveis de emprego e de ganhos de renda real podem ser desastrosas, nesse segmento, sobretudo nesse ritmo morno de recuperação econômica.
Entretanto, os efeitos positivos da melhoria na qualidade do crédito podem levar ao crescimento do estoque total de crédito, entre 15% e 17%, até o final do ano, e à continuidade do processo de melhoria da qualidade do crédito, reduzindo ainda mais os juros ao s tomadores finais.
Aos bancos fica o alerta para não retardarem a implantação de novas estratégias que possam adequar seus custos à nova realidade nacional.
Tudo a conferir!

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Compulsório e sua finalidade

No passado, as condições econômicas desviaram as funções dos Depósitos Compulsórios
A redução nos depósitos compulsórios em R$ 30 bilhões não foi uma medida desarticulada. Ao contrário, ao injetar esses recursos na economia nesse momento, a medida teve duplo objetivo. De um lado, a decisão permite estimular, pela ampliação da liquidez do sistema econômico nacional, a recuperação brasileira, ainda muito moderada. Por outro, o Banco Central criou estímulos adicionais para fomentar os grandes bancos a adquirirem carteiras de crédito dos bancos menores, bem como os títulos emitidos, como as letras financeiras. Esses R$30 bilhões representam de 8% dos depósitos compulsórios totais.
Há muito tempo os depósitos compulsórios deixaram de cumprir sua missão de prover o Banco Central dos níveis de reserva que assegure aos depositantes e à sociedade das quebras de instituições financeiras, seus contágios e demais riscos sistêmicos.
Os sucessivos aumentos que nos levaram a quase R$ 400 bilhões em depósitos compulsórios, tiveram inspiração no combate à inflação. Um desvio de função compreensível e que, por meio dessa liberação, inaugura uma primeira iniciativa ortodoxa do Bacen, integrada aos cortes na Selic, com vistas à redução nas taxas praticadas junto aos consumidores. Dessa vez, acompanhada de uma compensação positiva para os bancos, à medida que auxilia na redução dos custos de captação.
Finalmente, há que se admitir que a decisão pode impulsionar o crescimento dos empréstimos, que somadas à redução nas taxas dos empréstimos, promoverá a melhoria da qualidade do crédito.