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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Exportações afetadas

Crise internacional pode interferir nas exportações brasileiras
Veículo: Economia SC   -   Data: 10.08.11
Para o professor da USP, Celso Grisi, “o Brasil pode reduzir sua carga de impostos com uma mini reforma tributária".
Nesta quarta-feira (10), a França anunciou que está preparando pacote de medidas para reagir à crise econômica mundial. A Itália informou que irá adotar medidas de austeridade para garantir equilíbrio fiscal.No Brasil, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, afirmou que o mercado interno já ajudou o Brasil a superar a crise em 2008, e dessa vez não será diferente. Economistas também opinam que País está preparado para as turbulências, porém deverá ter suas exportações ameaçadas. Entre os produtos exportados, os manufaturados poderão ser os mais prejudicados.
Para Rogério Cesar de Souza, economista-chefe do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a Europa sofre uma crise de países com dificuldade de gerar crescimento, renda e de se financiar. Como o mercado interno destas nações está fragilizado, a saída para elas será investir nas exportações e torná-las mais competitivas. Os Estados Unidos não enfrentam problemas para se financiar, porém não conseguem incentivar sua economia a não ser através da desvalorização do dólar, que ocasiona exportações americanas a preços baixos e dificuldades para outros países exportarem.
Souza destaca que as exportações de commodities, que representam a maior parte do que o Brasil vende para o exterior, podem ser menos rentáveis a partir de agora. "Os investidores correram para comprar títulos dos Estados Unidos, o que já resultou em queda de preços de commodities". A queda de preço afeta a balança comercial brasileira, que está positiva por causa da valorização das commodities.
Cristina Helena de Mello, professora de macroeconomia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), opina que os EUA não podem, neste momento, gerar receita com aumento de impostos. Ela explica que isso ficou proibido na negociação realizada na semana passada no Congresso para aumentar o teto da dívida do país. A solução é cortar gastos, o que influencia diretamente no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). "Com menos atividade econômica, menores são as importações dos Estados Unidos. Eles são um dos grandes parceiros do Brasil e deverão importar menos". A professora Cristina concorda com Tombini e acredita que o Brasil pode compensar essa perda com o consumo interno.
Crescimento da economia nos EUA
Professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e diretor-presidente do Fractal Instituto de Pesquisa, Celso Grisi afirma que as exportações brasileiras deverão sofrer impacto "razoável" porque haverá uma redução no ritmo de crescimento da economia mundial e diminuição das importações dos Estados Unidos e da Europa. Uma das consequências será a diminuição das exportações da China para esses países e a redução da sua atividade econômica. A China também comprará menos.
Para enfrentar a crise, Grisi explica que "o Brasil pode reduzir sua carga de impostos com uma mini reforma tributária. O País já está desonerando a folha de pagamento em alguns casos, mas pode fazer uma reforma trabalhista que torne a legislação mais flexível. Pode reduzir a taxa de juros e com isso valorizar o câmbio nacional. Pode voltar com a política expansionista de crédito", diz o professor.
Ele lembra que, entre os setores de manufaturados, o primeiro a sofrer com a crise deverá ser o automobilístico. Indústrias de equipamentos de base e de peças também poderão ter queda nas exportações.

Crise anunciada

Crise chega antes a crédito e exortações
Veículo: Jornal da Tarde   -   Data: 6 de agosto de 2011
Jornalista: LUCIELE VELLUTO
A crise internacional nos Estados Unidos e na União Europeia já dá sinais que não deve deixar o Brasil ileso. Esta semana, a Bovespa acumulou uma queda de 10% por causa das notícias de uma possível recessão dos países que integram a zona do euro. Foi o maior recuo semanal desde 2008.
Com a possibilidade de a situação se agravar, as exportações e o crédito podem ser os primeiros setores a serem atingidos por aqui.
A crise na Europa começou com o aumento do endividamento público de vários países. Na tentativa de aquecer a economia, os governos gastaram mais do que arrecadam e, com isso, se tornaram deficitários.
Para alguns, como Grécia, Irlanda e Portugal, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional (FMI) já fizeram repasses de recursos, além de exigir uma política de corte de gastos públicos.
No entanto, Itália e Espanha também enfrentam sérios problemas econômicos, como alto endividamento e desemprego. E os rumores que afetaram as bolsas de todo mundo é que o fundo de e 440 bilhões criado pela União Europeia não seria suficiente para socorrer esses países e que se não houver aperto fiscal, a única saída seria o calote.
“Adiante teremos problemas sérios a serem resolvidos. Do lado dos credores, ninguém perdoa dívida. E os governos que gastaram descontroladamente terão que renegociar a dívida, o que também leva a economia mundial a um momento de tensão. Será uma saída dolorosa de qualquer maneira”, afirma David Heidorn Cardoso Dantas, professor de economia da Universidade Metodista.
O professor de economia do Insper e sócio da Tendências Consultoria, Juan Jensen, explica que se a crise europeia se agravar, um dos primeiros setores brasileiros a serem afetados será o de crédito. “Os recursos para serem emprestados aqui vêm de fora. Com a crise do sistema financeiro será mais difícil ter esses recursos e emprestar para o consumidor no Brasil”, explica.
Quanto às exportações, a queda das vendas das empresas brasileiras para outros países por causa de uma crise econômica pode agravar ainda mais os problemas que esse setor vem enfrentando com o câmbio desvalorizado.
“Caso haja corte de vagas no setor exportador, as taxas de desemprego no Brasil poderão ser afetadas”, avalia o professor de estudos de mercado da Fundação Instituto de Administração, Celso Grisi.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Crise vs emprego

Crise: seu emprego está em risco?
Veículo: Portal Infomoney   -  Coluna: Notícias
Data: 09 de agosto de 2011 • 14h47   -    Equipe InfoMoney
SÃO PAULO – Os próximos meses prometem mudanças nada agradáveis aos profissionais brasileiros. Afinal, tal como em 2008, uma ameaça de crise financeira global já começa a causar especulações nos trabalhadores do País - estes temem a possibilidade de ter seus nomes mencionados em uma possível lista de cortes das empresas.
“Com a entrada de mais dólares no mercado, os investidores preferem esperar que o cenário fique mais claro para voltar a investir. Com isso, o mercado sofre uma retração e os empregos caem”, explica o sócio-fundador da Alliance Coaching, Silvio Celestino.
Tal desequilíbrio no mercado financeiro também costuma afetar as relações de trabalho, já que a contratação de mão de obra interna pode se mostrar um mau negócio para o empreendedor. “O emprego gera um custo alto para as empresas. Com a supervalorização do real frente ao dólar, algumas preferem contratar trabalhos fora, em países onde a mão de obra seja mais barata”, explica Celestino. “Este é o caso, por exemplo, de empresas que possuem unidades de call center”, completa.
Setores mais afetados
Caso a crise afete o Brasil, os trabalhadores mais prejudicados serão os da indústria da construção, automobilística, têxtil e de calçados. “Os profissionais que atuam nas multinacionais também poderão sofrer impactos com as mudanças de cenário que ocorrerão até novembro”, informa o diretor presidente do Instituto de Pesquisas Fractal, Celso Grisi.
Para ele, a indústria automobilística já tem apresentado sinais do problema, com a queda no número de vendas de veículos e o alto número de profissionais em férias.
“O nível de contratações sofrerá uma forte redução em dois meses. Inicialmente as empresas oferecerão férias aos funcionários, depois, tentarão negociações de salários e ajustes de horas extras para, por último, optar pela demissão”, diz Grisi. “O governo precisará agir com vigor para que, ao invés da redução de emprego, tenhamos uma menor expansão da economia”, completa.
Trabalhadores de base sofrem mais
Os trabalhadores que formam o núcleo operacional da empresa costumam ser os mais afetados em momentos de crise. E, apesar da avaliação não ter nada de racional, já que o correto seria cortar os profissionais com salários mais elevados, a atitude tem função estratégica, pois nestes momentos os altos executivos são importantes para gerenciar os negócios de uma empresa.
“Se as vendas diminuem, não se tem trânsito de mercadorias, então, a logística e o transporte são prejudicadas e, consecutivamente, os profissionais que atuam nestes segmentos. Além disso, com um menor fluxo de operações na empresa, menos computadores são utilizados e a área de infraestrutura em TI [Tecnologia da Informação] também é prejudicada”, explica Celestino.
Outros níveis que costumam ser afetados são os intermediários, sendo que os médios gerentes passam a acumular funções, responsabilizando-se, por exemplo, pelas atividades de marketing e vendas ou pelas áreas administrativa e financeira.
O que fazer?
Para quem está desempregado, a hora de conseguir um emprego é agora, afinal, em pouco tempo pode ser que o mercado não esteja mais receptivo a contratações. Para quem já está trabalhando, no entanto, a recomendação é conter a ansiedade e não investir em um novo emprego, ao menos por enquanto.
O profissional precisa ter calma e não colocar sua carreira em risco ou contrair dívidas neste período. O ideal é que aguarde até novembro, para ter uma dimensão da crise”, diz Celestino.
Ao cortar todo o endi e manter a liquidez, as chances de se preparar para um período mais severo e de escassez de recursos é mais favorável.
Já o presidente do Instituto Fractal recomenda que os trabalhadores iniciem alguma atividade paralela, que possa colaborar com a renda principal. “Quem possui um imóvel deve alugá-lo ou explorar o espaço como sede de um pequeno negócio”, aconselha.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Profissões em alta

Mercado de crédito e cobrança
tem oportunidades
Veículo: Portal Exame   -   Data: 09/08/2011 10:26
Home / Carreira -   notícia 1/41  -  Camila Lam
Carreira, Mercado de trabalho, Oportunidades profissionais do Banco Central do Brasil indicam que as operações de crédito do sistema financeiro atingiram 47,2 % do PIB (Produto Interno Bruto) em junho de 2011. É um reflexo da situação econômica do Brasil, que está em ascensão.
Segundo levantamento do Instituto GEOC (Gestão de Excelência Operacional em Cobranças), representante de um grupo de 18 empresas associadas com atuação em bancos, financeiras, administradoras de cartão de crédito, empresas de varejo e cobrança mercantil, todo mês há 400 vagas sem preenchimento no setor de crédito e cobrança no país.
Para cargos de nível médio há oportunidades para profissionais com formação superior na área de administração, direito, economia, marketing, comércio exterior. Para nível gerencial, há falta de profissionais da área de administração, que experiência em matemática financeira e gestão. De acordo com especialistas, o salário inicial varia de 4 mil a 6, 5 mil reais para gerentes.
Celso Grisi, diretor presidente do Instituto de Pesquisas Fractal afirma que com o crescimento do mercado, a carreira em crédito ficou interessante. Entretanto, a dificuldade para preencher as vagas está na qualificação do profissional. “São necessários cursos para preparar o profissional, ele não vem pronto. Precisa ter conhecimento em matemática e estatística, o que é bem difícil de se achar”, afirma.
“O ideal é que o profissional já tivesse alguma experiência. Para o cargo de gerência de operações, por exemplo, precisa ter experiência em liderança em gestão de pessoas e ter conhecimento de finanças bancárias”, explica Cláudio Kawasaki, vice-presidente do Instituto GEOC e presidente do conselho da Siscom. “E que saiba também como funciona uma nota provisória, protesto, busca e apreensão de notas”, completa.
Para trabalhar no mercado de crédito e cobrança, Valéria Borges, gerente executiva de relações humanas da Siscom diz que “o profissional precisa ler muito, ter uma cultura geral ampla. Precisa entender o mercado mundial, os concorrentes, estar bem atualizado. Ser uma pessoa de alto grau de persuasão e saber negociar”.

O paradoxo do medo

De volta ao útero
A S&P foi a primeira. Espero por confirmações de outras agências, para o rebaixamento da nota de risco norte-americana nos próximos dias.
Sem entrar no mérito da nota ou do método que a produziu, nada mais brando do que trazer essa nota um degrau para baixo. Afinal, a verificação das dimensões do endividamento e da fragilidade política dos Estados Unidos não fornece mais condições de sustentação da dívida soberana em posições tão altas nos ratings de risco. Já venho insistindo na idéia da necessidade de diversificação dos portfólios de aplicações de países, empresas e pessoas. O diabo é descobrir que alternativas aos tresuries, seguras como um AA+, poderiam seduzir investidores, tomados pelo medo?
O euro, acossado pelos mesmos problemas fiscais, certamente não é, nesse momento, alternativa que inspire confiança maior.
O mercado não inicia um processo de substituição do dólar. O processo é, apenas  de diversificação das aplicações, que ao longo do tempo, implicará em um certo grau de substituição e, mais do que isso, na criação de outros ativos de última instância. Moedas como o franco suiço, dólar canadense, o real do Brasil e o dólar australiano vão ganhando muito lentamente esse espaço alternativo.
O ouro, reduto do conservadorismo, já vem de sucessivos recordes históricos, e volta a ser procurado em meio a essa turbulência, a preços ainda mais altos. Parece insensato. Prata, platina, estanho, cobre e zinco podem também assumir um pouco desse papel, mas convém lembrar que as oscilações nessas commodities costumam ter intensidades elevadas e podem penalizar investidores afoitos.
As commodities agrícolas, com seus preços elevados, tendem a cair. Grão e fibras em menor intensidade, dada a escassez mundial e ao forte consumo das grandes economias emergentes, como a China e a Índia. Do lado da produção, os problemas climáticos nos Estados Unidos sinalizam para a redução da oferta. Remanesce, entretanto, a dúvida referente ao tamanho do tombo nos preços dessas commodities. A redução no ritmo das economias norte-americana e européia impacta negativamente as exportações chinesas, reduzindo o nível de atividade do país, o emprego e, por via de conseqüência, a renda do consumidor chinês. O menor consumo chinês deprime os preços dos alimentos e das exportações de produtos agrícolas brasileiros.
Petróleo e petroquímicos sofrerão igualmente com a redução da procura mundial, e apresentarão quedas significativas em Londres e Nova York.
Imóveis, nos países desenvolvidos, são mercados combalidos e não refeitos desde 2088 e desssa maneira não se prestam mais à reserva de valor. Nos países emergentes, a especulação inflou as bolhas imobiliárias e a crise atual deve ser uma agulha de ponta fina a ameaçar suas flutuações na atmosfera econômica. Devem estourar logo, logo.
Não há, portanto, para onde correr. Resta-nos o AA+ e, por isso, o medo produziu o paradoxo "do rebaixamento da nota significar uma corrida para a nota mais rebaixaxada". Apavorado o investidor volta ao útero do mercado financeiro mundial. Ali ele se põe em sossego.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A vaca estará pastando bem perto do brejo

Economia brasileira em desaceleração
A atividade econômica no Brasil está em processo de desaceleração. Deve piorar no segundo semestre, seja pelos efeitos retardados  do gradualismo econômico do ministro Mantega, seja, agora, pelos impactos da própria desaceleração da economia global.
A demanda doméstica não resistirá aos juros nacionais. A expansão do emprego também não. Nessas circunstâncias, ainda que menor, a inflação dará cabo dos ganhos anteriores da renda, mesmo com as elevações contratadas pelas imprudentes negociações salariais. Sobretudo a que se refere ao salário mínimo. A inflação tem o hábito de antecipar-se aos ganhos e isso vai acontecer com o salário mínimo de 2012.
A Serasa/Experian confirma com seu Índice de Atividade do Comércio essa tendência de desaceleração, em julho. O crescimento é de apenas 0,1% nesse mês, em relação a junho.
Enquanto isso o dólar desvaloriza-se frente às demais moedas. Nada indica que seja diferente em relação ao real.
Se o mercado externo está apresentando uma expressiva deterioração, o mercado interno, dessa vez, não parece capaz de salvar toda a lavoura da economia nacional.
A vaca já está pastando muito perto do brejo.

Banco Central Europeu mantém a taxa de juros

Não há como manter uma política
monetária tão forte
O Banco Central Europeu não mexeu nos juros. Segurou em 1,5 % ao ano. Naturalmente, está prevendo que a economia mundial desacelere e que o risco de inflação reduziu-se muito.
Apesar disso, o BCE dá a entender exatamente o contrário. A crise fiscal européia é grande e medidas dessa natureza já estão em curso. Com a recessão em andamento, não há razões para a política monetária continuar forte. O desemprego está alto e os níveis de investimento e consumo estão muito baixos.
Embora o Banco Central Europeu ainda vocifere, as linhas de financiamento de uma semana, um mês e três meses estão mantidas. Para animar um pouco o mercado, as linhas de crédito de seis meses foram relançadas, dando impulso à liquidez de todo o sistema.
Também não dá para ignorar que a produção industrial da Alemanha recuou 1,1% em junho, em relação ao mês anterior. O PMI de manufaturas desse mês, recuou também naquele país.
A UE está mergulhada em forte recessão. No curto prazo, não há expectativas de recuperação. Para o Brasil, míngua um importante mercado para aquisições de manufaturados e semi-manufaturados.

Convém olhar o Reino Unido

Cortes fortes promovem seus primeiros
 resultados para a Rainha
No Reino Unido os produtores receberam melhores remunerações por produtos alimentícios, bebidas e tabaco. Na média receberam, em julho, 0,2% a mais que no mês anterior. Em junho, já haviam recebido 0,1% a mais que em maio. Na teoria do “de grão em grão, a galinha enche o papo”, não está mau, sobretudo considerando-se o fato que, de julho de 2010 a julho de 2011, o aumento foi de 5,9%. E isso, com crise e tudo. A melhor notícia é que os preços de produtos derivados de petróleo recuaram -0,1% em relação a junho.
Esses números podem ajudar a UE nesse momento difícil.

sábado, 6 de agosto de 2011

Ciclotimia toma conta do ânimo dos investidores

A depressão é mais psicológica que econômica
A economia mundial vai mal. Muito mal. Mas esse fato não é novo. Por que, então, a reação é tão exuberante?
Investidores passaram a acreditar que a União Europeia não conseguirá superar os novos problemas criados pela Itália, agravados pelos velhos problemas decorrentes da economia espanhola. Pior, anteciparam o rebaixamento da nota da dívida norte-americana.
De nada adiantou o artigo publicado no FT, na semana passada, pelos ministros das finanças da Alemanha e da França, dando conta da disposição europeia de superar qualquer problema que viesse a surgir na Zona do Euro. Também, os investidores não se deram contam, ou preferiram não acreditar, nas declarações do Comissário Econômico da UE, de que a entidade tem como objetivo reforçar o EFSF.Com isso, o pânico se generaliza pelos mercados, sem que sejam analisadas as reais condições políticas e econômicas dos países e de suas verdadeiras diretrizes.
A Ásia, posicionada fortemente em dólar, teme a esperada recessão dos Estados Unidos. A Europa, assustada pelos Estados Unidos, paralisa seus mercados. Os Estados Unidos, paralisado pela Europa, procura aceitar seu rebaixamento.
Enquanto isso abaixo do Equador, ou mesmo estando com alguma coisa para cima, o Brasil comemora, em estado de atenção.
O IPCA do IBGE, referente a julho, ficou estável em 0,16%. Até julho, o IPCA registra alta acumulada de 4,04% e, considerados apenas os últimos 12 meses, a alta está em 6,87%. O INPC mantém-se estável e o Índice de construção civil acumula alta de 4,39% no ano e 6,61% nos últimos 12 meses. Tudo no figurino das medidas macroprudenciais.
 Dada a recessão mundial que se avizinha e o bom comportamento dos preços no Brasil, já começa a se formar o consenso de que o COPOM não sobe mais juros esse ano. O que desanima é que ninguém cogita baixá-lo, por meio da redução das despesas do governo federal.
Se chegássemos agora ao superávit nominal, o real, além de moeda forte, estável e líquida,  seria transformada em moeda de conversibilidade plena. Isso permitiria ao país transformar-se no mais novo e auspicioso centro financeiro regional, para rivalizar-se com Miami e outos grandes centros mundiais.
Impõem-se a redução do custeio nas contas públicas, fechando alguns ministérios, algumas estatais, privatizando as que ainda contaminam nossa eficiência econômica, a redução do quadro de pessoal, preparando os funcionários públicos remanescentes para um novo funcionalismo nacional.
No sábado de manhã, sempre me entusiasmo. Aí exgero as possibilidades, em meus sonhos e devaneios que, sei, não vão se realizar.

EUA começa a recolher as consequências de suas irresponsabilidades

Semana encerra com rebaixamento
da nota da dívida soberana
dos Estados Unidos
Era mesmo inexorável. Irresponsabilidade tem preço no mundo global. Os republicanos conseguiram o rebaixamento para AA+.
Pouco antes, foram divulgados o Relatório de Emprego, os números da variação da folha de pagamentos (Payroll) e a taxa de desemprego no país. Em julho, foram criados 117 mil postos. Esse resultado agradaria muito não fosse a expectativa generalizada de recessão semeada pela solução encontrada para o endividamento do país. A renda média dos norte-americanos cresceu em US$ 0,10 por hora, alcançando US$ 23,13. A taxa de desemprego em junho continuou muito alta. O mercado de trabalho, embora a criação de novas vagas, não dá sinais consistentes de possível recuperação no curto prazo. A taxa de desemprego anunciado para junho é de 9,1%.
O Crédito ao Consumidor apresentou, no mesmo  mês, expansão de US$15,53 bilhões.

No “frigir dos ovos” todos os anúncios são positivos, mas com o rebaixamento da dívida soberana as coisas tendem a mudar. Inclusive a auto-estima do povo americano.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Não há razões para tantas incertezas sobre a nova crise internacional.
Ela virá.
O Banco Central Europeu manteve as taxas de juros inalteradas. Comprou títulos da dívida soberana de Portugal e Irlanda, para melhorar as cotações desses papéis,deixando à margem os títulos das dívidas da Itália e da Espanha. Foi o suficiente para que todo mercado entendesse que o BCE não vai empenhar-se em operações de socorro a essas economias. Insenssatez, sem dúvida.
Os Estados Unidos, com a ampliação modesta de seu endividamento, fêz entender-se que apenas retardou seu default. Não afastou definitivamente esse risco. O mercado interpretou essa vacilação como uma medida recessiva e construiu a expectativa de baixo crescimento, acompanhado da redução da já combalida demanda nacional e da ampliação do já alto desemprego. O mundo "veio abaixo" e as bolsas internacionais acusaram o golpe.
A desconfiança é de que uma nova recessão possa atingir os maiores mercados mundiais e propagar-se em escala planetária. Não há o que temer. Ela virá mesmo.
O Brasil "saiu atrás do prejuízo", acelerando medidas de proteção à economia nacional: um conjunto de medidas em relação aos derivativos cambiais e um conjunto de benefícios para ampliação da competitividade da indústria nacional. Foi “bacana”, mas, certamente, não o suficiente.
Precisamos ampliar os cortes na nossa política fiscal. Esse é o novo front de combate à inflação. Por outro lado, o governo central precisa estimular o crescimento para alcançar o superávit nominal. Inflação combatida, câmbio flutuante e superávit nominal são pressuposto pára a conversibilidade plena da meda nacional. O real já é percebido como moeda forte, estável e líquida. Falta-lhe a conversibilidade plena. Isso nos concederia o status de centro financeiro internacional, como deseja o Banco Central do Brasil.
 Os primeiro passos estariam associados às reformas administrativa e do funcionalismo. Reduzir o número de instituições publicas existentes teria esse efeito. Por exemplo, extinguir o Ministério da Pesca. Mas há outros. Evitar as duplicidades, nos exercício de papéis e funções de instituições públicas federais, estaduais e municipais. O estabelecimento de planos de carreira e de remuneração para os servidores públicos remanescentes, após uma redução massiva de seus funcionários. O momento é agora, com a economia próxima ao pleno emprego. A mão de obra liberada pelo governo poderia ser contratada pela iniciativa privada, semmaiores traumas sociais.
Temo que medidas como essas sejam mais uma vez postergadas. Deixar o enxugamento da máquina pública para períodos de recessão imporá custo sociais elevados. Lembro-me de alguém teria ensinado, anos atrás, que “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Que tal, levar essa lição às suas melhores conseqüências?

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Uma tentativa insuficiente, mas legítima

Desoneração remedia, mas não resolve
Veículo: Jornal da Tade  -  Data: 03.08.2011

Antes tarde do que nunca

Enfim, o governo acordou
Dólar depreciado já seria o suficiente. Mas a isso se adicionou a maior taxa de juros do mundo. Ficou difícil produzir no Brasil. Estou falando do Brasil de muitos anos atrás. As reclamações se intensificaram nesses últimos 20 anos.
Alheio, o governo carregou a mão nos impostos cobrados à produção e temperou o  ambiente econômico no molho dos encargos sociais. Os reclamos sobre a industrialização foram respondidos com os benefícios dos ganhos de eficiência que o empresariado deveria apresentar. Chegamos aqui com a indústria nacional mandando o recado: o último que sair, por favor, apague as poucas luzes que remanesceram acessas.
No Brasil, a legislação trabalhista deixa apenas três opções para a contratação de mão de obra. CLT, temporário e autônomo. Autônomo é entendido no país como disfarce do vínculo empregatício e, portanto, trata-se de abstração jurídica, prevista em lei, mas jamais aceita pelos tribunais.
A inflexibilidade da legislação inibe contratações e pune o (sempre pré-julgado) empregador. Os encargos sociais ultrapassam os 100%.
Se o empregado recorrer ao sobrecarregado sistema de saúde, o atendimento é duvidoso. O empregador se vê obrigado às contribuições compulsórias e, simultaneamente, a contratar um plano privado de saúde para proteção do trabalhador abandonado. As aposentadorias são muito baixas e desamparam a todos na velhice. O empregador se vê, mais uma vez, obrigado a contratar planos privados de aposentadoria para o esquecido trabalhador. E tudo, embora compulsoriamente faça seus recolhimentos a taxas abusivas.
A falta de infraestrutura encarece ainda mais a produção e a distribuição. Rodovias esburacadas, ausência de malha ferroviária, de pátios de manobra, de carga e descarga, de espaço para estocagem,  escassez de berços de atracação, portos assoreados, filas, aeroportos congestionados, custos dos serviços públicos, excesso de burocracia (14 ministérios estão envolvidos em uma exportação). Chega! Fui longe demais.
O IBGE aponta queda na produção industrial brasileira de 1,6% em junho, na comparação com o mês anterior. Nos últimos doze meses a o crescimento foi de míseros 0,9%. Quase zero, mostrando uma retração bem mais forte do que a esperada.
A produção de bens de capital caiu de 1,9%. A produção de bens de consumo semi e não-duráveis retraiu-se 2,4% e a de  produtos intermediários, que recuou em 1,6%. Foram nada menos que 20 dos 27 ramos de atividade que explicaram a queda.
O governo ontem anunciou suas medidas que envolvem renúncia fiscal, reduções de alíquota patronal do INSS para alguns setores, algumas isenções de IPI, uso de créditos tributários de forma imediata para certas aquisições, privilégio de 25% nos preços para a indústria nacional nas compras governamentais.
Depois de décadas, o governo acordou. Os problemas são grandes e graves. Alcançam generalizadamente a estrutura da economia nacional. Não será fácil reverter essa situação. Ainda que paliativas e insuficientes, as medidas mostram o reconhecimento da situação nacional. Só por isso, merecem o aplauso de quantos pensam e discutem a competitividade da produção nacional.

Impondo seu estilo

Queda-de-braço dentro do governo federal
Veículo: DCI - Data 10.07.2011
Jornalista:Viviane ÁvilaKarina Nappi
São Paulo - Brasil Maior, Brasil Inovador ou Brasil Competitivo. Não importa nome. Quando for anunciado pela presidente Dilma Rousseff no final do mês, o programa de estímulo para a indústria já terá criado um grande mal estar dentro governo. Nos bastidores dos ministérios da Indústria e da Fazenda o que se sabe é que a queda-de-braço tem sido forte, provocando desgaste de imagem para o ministro Fernando Pimentel. Empresas e especialistas, no entanto, só esperam que o governo faça desta vez mudanças essenciais, que não ocorreram da forma desejada no plano feito em 2008, como desonerações tributárias efetivas, controle do câmbio para incentivar o comércio externo, incentivo a inovação tecnológica, garantia de recursos para investimentos e, principalmente, taxas de juros mais baixas.
"A taxa de juros no Brasil destoa do resto do mundo, o que acaba provocando todo prejuízo, atraindo o capital estrangeiro especulativo, inundando o mercado de dólares e valorizando o real", explica o especialista em finanças públicas Amir Khair. Segundo ele, é ilusório achar que elevação da Selic seja a única maneira para controlar inflação. "Há outras válvulas de escape. E, no limite, se os preços sobem, as pessoas perdem capacidade de compra e deixam de consumir." Khair alerta ainda para questões mais perversas para o setor produtivo, como a guerra fiscal travada entre os estados brasileiros e a burocracia. "Fala-se na carga tributária, mas não se toca na competição desleal e ilegal travada entre os estados. Isso sem falar no excesso de burocracia que eleva o custo das empresas no País."
"Mas só de ver o governo preocupado com a situação já é um avanço", diz o vice-presidente e diretor de competitividade e tecnologia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz. Segundo ele, o índice de penetração de produtos importados no Brasil entre 2003 e 2010 passou de 12% para 22%. "E com o crescimento da classe média, as pessoas querem consumir, comprar carro, geladeira. Mas, se não temos capacidade para atender e não formos competitivos, eles serão atendidos pelos produtos importados", acrescenta. Segundo Roriz, a Fiesp só espera que este plano seja mais ousado que o de 2008. "Precisamos de um tiro de canhão e não de espingardinha."
Para o economista e ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, a desoneração da folha de pagamento constituem-se em uma ajuda fundamental ao setor produtivo. Porém, é necessário saber como é que o governo atuará para substituir a captação desses recursos para o custeio de suas operações. Em sua análise, trocar a tributação sobre o pagamento de salários por uma forma de tributação sobre o consumo não é a melhor alternativa. "Substituir essa tributação sobre a folha, provavelmente em cascata, pode gerar mais distorções".
É justamente nessa questão que a coisa emperra, o cálculo da perda de arrecadação gerada com a desoneração da contribuição previdenciária das empresas sobre a folha de salários está travado o fechamento da proposta e pode esvaziar o anúncio da nova política industrial, segundo fontes. Um estudo da Previdência Social pôs em dúvida as contas feitas pela equipe econômica que projetam uma perda de R$ 82 bilhões caso fosse zerada de uma só vez a alíquota de 20%.
O ex-ministro alerta ainda para o fato de que o ideal para a substituição dos encargos trabalhistas seria o corte de gastos por parte do governo, ou seja, o poder executivo deveria diminuir seu tamanho na economia. "Sabemos que isso é impossível dada a rigidez atual do gasto público. Mais de 90% das despesas governamentais têm destinação obrigatória em pessoal, previdência social, educação, saúde e encargos financeiros, setores onde não é possível realizar esses cortes."
O economista e acadêmico Celso Grisi concorda e diz que sem as reformas estruturais será difícil o Brasil conseguir colocar em prática um plano para trazer competitividade à indústria brasileira. Em sua análise, a carga tributaria atual é muito alta e neste momento de câmbio baixo associado a uma produção e investimentos onerados leva à queda na capacidade de competir em condições de igualdade com os importados. Ele lembra que essa elevação da carga de tributos tem origem na necessidade de políticas sociais e na necessidade de realizar superávits primários para o pagamento de juros da dívida.
"O governo tem dois grandes problemas pressionando as contas: o primeiro é a imensa demanda social, o segundo é a necessidade das reformas que estão paradas no Congresso e que ajudariam a aliviar a pressão sobre as contas nacionais e abriria espaço para mais investimentos públicos, que traria mais renda, emprego e consumo, estimulando dessa forma, a economia e o setor produtivo", explicou ele.
O presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Jorge Raimundo, só não concorda com a desoneração do custo trabalhista em troca da criação de novos encargos. "Isso não implicaria em uma diminuição relevante do custo final", diz.
Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, acha que, mesmo bem-vindas, as medidas ainda são tímidas. "Especialmente se forem levados em conta os problemas que a indústria de transformação brasileira tem enfrentado frente sua exposição aos produtos importados", diz.
O professor de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), Creomar Lima Carvalho de Souza, vai mais além e diz que tratar os problemas da indústria exige também olhar para problemas estruturais como logística, energia, entre outras questões. "Diante de um transporte que é feito, principalmente por via rodoviária, mais cara e pouco eficiente, fica difícil", diz.
Souza alerta ainda para o investimento direcionado para pecuária e agricultura. "Todo a expertise desenvolvido nesses ramos não conseguiu migrar para a indústria. É o verdadeiro divórcio entre a universidade e a indústria".
"A desoneração tributária seria perfeita, se implantada em todos os setores, e não segmentada como está sendo feita", alertou a advogada Ana Carolina Barbosa, do escritório Homero Costa.

Pragamatismo comercial


Brasil quer fortalecer viés econômico


DOL TV
Brasil
Domingo, 10/07/2011, 08h43
Seis meses após a presidente Dilma Rousseff assumir o posto, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, está resgatando experientes negociadores brasileiros, alguns ainda da gestão do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, para reforçar o viés econômico da política externa brasileira. Na linha da chamada “diplomacia de resultados”, Patriota traçou uma estratégia cujo fim é diversificar a pauta exportadora, atrair tecnologia e estimular a pesquisa e a inovação. Para isso, vem escolhendo a dedo seus principais auxiliares.
Recentemente, no dia em que o Congresso americano aprovava a redução dos subsídios ao etanol e suspendia o pagamento de US$ 147,3 milhões de subsídios aos produtores de algodão brasileiros, era confirmado o embaixador Valdemar Carneiro Leão na subsecretaria de Assuntos Econômicos. Ele chefiou o órgão no governo do PSDB.
ESTRATÉGIA Patriota tem a seu lado o porta-voz Tovar Nunes, que no governo Fernando Henrique chefiou a divisão no Itamaraty que tratava das negociações para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Devido a divergências entre os EUA, a negociação foi suspensa.
Nessa estratégia, foi mantido, em Buenos Aires, Enio Cordeiro, um dos principais negociadores dos governos de Lula e FH. Também continua na embaixada do Paraguai Eduardo Santos, que foi assessor para assuntos internacionais do tucano.
Segundo fontes do governo, a orientação de Dilma é que os titulares das embaixadas nos países vizinhos, especialmente no Mercosul, tenham cacife para resolver pendências comerciais.
Clodoaldo Hugueney, com forte histórico de negociador econômico — chefiou, no governo Lula, a área econômica da chancelaria —, será mantido na China. Pedro Dias Carneiro, que foi chefe do departamento econômico do Itamaraty, foi para África do Sul.
Ele foi um dos negociadores do G-20 que destruiu a hegemonia dos países ricos na Rodada de Doha. Para a Índia, vai Sérgio Duarte, conhecedor de desarmamento e multilateralismo.
Já os interesses no Irã vêm se tornando mais comerciais e menos políticos e lá permanecerá Antonio Salgado. Quanto aos EUA, não há previsão de troca do embaixador
Um alto funcionário do governo enfatizou que, para Dilma e Patriota, alguns ajustes devem ser realizados na política externa, diante da falta de perspectiva de um acordo de liberalização do comércio na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Uma das diretrizes, vinculada à política industrial que será divulgada mês que vem, é atrair investimentos e novas tecnologias.
Essa fonte enfatizou que, embora o governo Lula tenha sido marcado por questões políticas, sua atuação como mercador no exterior acabou promovendo o aumento das exportações para mercados pouco explorados, como África, Ásia e Leste europeu.
O coordenador de comércio exterior da Fundação Instituto de Administração, Celso Grisi, afirmou que o governo brasileiro conta com bons negociadores “em todas as gerações”.
Para ele, Patriota está trazendo de volta um pragmatismo bem-vindo.
FORÇA
Segundo fontes do governo, a orientação de Dilma é que os titulares das embaixadas nos países vizinhos, especialmente no Mercosul, tenham cacife para resolver pendências comerciais.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Emprego

Novas vagas se concentram nas capitais

Poucos Estados brasileiros conseguiram interiorizar" a geração de emprego nos últimos sete anos, período em que a economia do País apresentou crescimento mais vigoroso. Levantamento feito pelo Estado com base nos dados do Caged, do Ministério do Trabalho e Emprego, mostra que de janeiro a maio a participação das capitais na abertura de vagas formais aumentou ou ficou estável em 23 unidades da federação desde 2004.
Nos primeiros cinco meses do ano, 16 capitais aumentaram a sua participação, em comparação ao ano passado. "É um reflexo do aumento do emprego, que também puxa a formalização. Ela aumenta em um ritmo maior nos núcleos mais organizados", diz Anselmo Santos, diretor adjunto do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho da Unicamp. "No momento de expansão, o crescimento é mais forte nessas regiões, assim como em épocas de crise."
Entre as capitais, destaca-se São Paulo. Desde 2004, a maior cidade do País continua ganhando peso na geração de vagas no Estado. Nesse período, a participação da capital paulista avançou de 26% para 33% do total de empregos. "Em grande medida, conseguimos crescer os serviços e tivemos uma retomada industrial", diz o professor de Celso Grisi, da Fundação Instituto de Administração (FIA).

Entre as capitais brasileiras, Manaus tem o maior peso na abertura de vagas. Entre janeiro e maio deste ano, 94% dos empregos do Amazonas foram abertos na cidade, praticamente o mesmo verificado em 2004 (96%). A valorização cambial, que favorece a importação de produtos acabados, não tem afetado de forma significativa a expansão da Zona Franca de Manaus, um dos principais polos industriais do País, afirma o professor da Unicamp.
As capitais que mais ganharam força relativa na geração de novas vagas desde 2004 foram Porto Velho (RO), cuja participação subiu de 30% para 51%, e Natal (RN), que , alta de 30% para 51%; e Natal (RN), que avançou de 38% para 53% no período.
O Estado que mais conseguiu aumentar o peso das cidades do interior na geração de vagas foi o Amapá, cuja participação da capital Macapá na abertura de vagas caiu de 90%, há sete anos, para 82%, em 2011. Em igual período, a participação de Aracaju (SE) caiu de 66% para 60%, enquanto Belém (PA) viu sua fatia do total de vagas ser reduzida de 36% para 32%.
"Não houve grandes mudanças em termos de espacialização", avalia Santos. Para o professor, não é mais possível promover um mudança na estrutura da geração de emprego. Ele diz que o governo deve criar políticas regionais de emprego onde mão de obra disponível. "Seria desejável que outro padrão de urbanização tivesse sido pensado nos anos 40 e 50."
Fonte: Força Sindical

Brasil vs Rússia, na carne

Atuação do governo poderia minimizar
atrito com a Rússia

Veículo: DCI  -  Comércio Exterior
Data: 17.07.2011 - Jornalista: Karina Nappi
São Paulo - As relações entre o Brasil e a Rússia tendem a voltar ao normal, com possibilidades grandes de expandirem, principalmente no setor alimentício. A afirmação é dos analistas de comércio exterior consultados pelo DCI.
De acordo com Celso Grisi,
sócio-diretor da Fractal as relações bilaterais entre os integrantes do Brics (Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) é de extrema importância para os dois países e não pode sofrer crises.
"As relações com a Rússia tendem a se normalizar e têm que se normalizar, a Rússia depende muito de um conjunto de produtos brasileiros, assim como o Brasil é dependente deles também, nossas importações são substanciais. Por exemplo, o Brasil necessita das importações de adubos e fertilizantes russos, assim como somos grandes
exportadores de carnes e miudezas para os russos. Não podemos ter brigas e nem agir com moeda de troca na questão de impasse comercial. Assim, não podemos falar em clima de antagonismo com os russos. Perderíamos mercado e parceiros. Eles dependem de nós e nós dependemos dele", pondera Grisi.
Eduardo Balian, professor da ESPM corrobora com a alegação e alega que setores como tecnológico, alimentos e têxtil têm um mercado promissor na Rússia, contudo ele frisa que as relações entre Brasil e Rússia não sofreram uma crise, e sim as relações entre os empresários entrou em atrito.
"Não é uma relação de governos é uma relação entre frigoríficos e compradores. É claro que envolve os países, mas a questão é empresarial. É um problema sanitário e não de política comercial, a base é sanitária. Vira e mexe os russos descredenciam frigoríficos brasileiros, pois as nossas empresas não estão, na maioria das vezes, seguindo as regras sanitárias, mas têm momentos que essas regras são realmente absurdas. Nesse caso é necessária uma análise técnica. Mas precisamos manter a atenção nesse caso para não perdermos um parceiro com grande potencial", relatou.
Grisi complementa ao dizer "temos que ter mais cuidado com os problemas sanitários na criação de bovinos, isso é desleixo dos produtores. Vimos isso com os embargos anteriores (em 2010 tivemos embargos dos Estados Unidos e da União Europeia). O setor de frigoríficos não está sendo profissional, hoje é possível ter um controle sanitário eficaz. Vamos retomar, a indústria nacional precisa ter mais controle sobre o gado e sobre as condições sanitárias de produção para não perder diversos mercados, pois a fama de mau produtor se espalha."
Queda nas vendas
As informações do presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Antônio Camardelli apontam para a estabilidade nas exportações de carne dos 85 frigoríficos de carne bovina, suína e de frango, situados em Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, que tiveram embargos russos. "Não afetou nem deverá causar impacto às exportações brasileiras do produto."
Segundo a Abiec, no primeiro semestre de 2011 foram exportadas 146.563 toneladas, o que rendeu um faturamento de US$ 658,5 milhões. Na análise comparativa com o mesmo período de 2010, houve alta de 38%.
"Embora nesse ano tenhamos exportado mais e o discurso das entidades do setor tem sido negativo, eles dizem que o embargo não afetou as exportações, mas é claro que afetou. Como o preço da commodity subiu muito, os valores escondem a realidade de que o setor foi afetado. E mais do que isso afeta o prestígio da carne brasileira, pois o mundo inteiro fica sabendo disso", argumenta Grisi.

"Afetaram sim, pois é um parceiro significativo para o setor, mas conseguiremos recuperar o prejuízo até o final do ano", completa Balian.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) apontam que houve uma leve queda (13,18%) nas exportações para a Rússia entre abril e junho.
No quarto mês de 2011 os brasileiros venderam US$ 614,6 milhões aos russos, enquanto em junho o valor foi de US$ 533,6 milhões. Ao mesmo tempo, as importações registraram queda de 33,59% na mesma análise temporal, ao passar de US$ 222,4 em abril para US$ 147,7 em junho.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Descolamento tende a ser mais frequente

É muito provável que o Ibovespa tenha maior autonomia em relação a Wall Street
Fechou a sexta-feira com alta de 0,2%, operando aos 58.823 pontos.  O volume financeiro foi de R$ 6,276 bilhões, maior do que a média do ano até agora. Descolou de Nova York. Com o episódio do limite do endividamento dos EUA, vivido pelo mercado nessas duas últimas semanas, a lógica do mercado começa a mudar. O investidor vai olhar mais para os fundamentos econômicos dos países e de suas moedas e menos pra os ratings das agências de risco. O descolamento tende a ser mais frequente.
No mesmo sentido e na mesma lógica, o dólar voltou a recuar. Mesmo após as medidas do governo brasileiro a moeda norte-americana fechou a sexta-feira em R$ 1,5530,  com queda de 1,02%.
Há motivos de sobra para isso. Além do estado de liquidez da economia, a divulgação da Nota de Política Fiscal do Banco Central sobre os resultados do setor público registrou superávit de R$ 13,37 bilhões, em junho. A dívida líquida do setor público ficou permaneceu estável em junho. A dívida é de R$ 1,542 trilhão. Esse valor representa  39,7% do PIB.
É de dar inveja a europeus e norte-americanos.

Deitado em berço esplêndido

Hesitação do Senado dos Estados Unidos levará a redução da nota da dívida soberana
A semana nos Estados Unidos foi uma exibição do cinismo republicano. Produziram a crise e estão utilizando a situação que criaram para “fritar” o presidente Obama nas próximas eleições. Esse jogo já vinha sendo percebido pelo eleitorado do país e tornou-se óbvio nesses últimos dias, sobretudo após o tuitaço do presidente.
Embora o adiamento da votação, na sexta-feira, sobre o limite de endividamento, a Câmara Baixa aprovou um novo limite de endividamento. Sobrou no colo do Senado que já não terá como resistir. É muito cedo para dizer quem ganhou, nessa queda de braços entre democratas e republicanos. Fácil é dizer quem perdeu. Daqui pra frente, sem a confiança do investidor, os Estados Unidos terão sua dívida rebaixada pelas principais agências de ratings.
Reserva de valor em dólar? Moeda internacional de troca? O dólar estará em queda em relação às outras moedas e perderá seu status de preservação de valor. O mundo buscará um substituto a ele por entender que já não é mais a moeda de reserva de primeira ordem. A brincadeira vai custar caro. Muito caro.

A vaga está aberta, esperando candidaturas novas.
Investidores se voltaram, no primeiro momento, para algumas commodities e para o franco suíço. Outros ativos, entretanto, podem inspirar maior segurança e, lentamente, substituir o dólar. Tivesse o real obtido sua conversibilidade plena e estaríamos na parada. Não alçamos a conversibilidade, por que para isso teríamos que apresentar um expressivo superávit nominal, o câmbio flutuante, como é, e a inflação determinada pelo centro da meta, mas definitivamente comprometida com ele.
Teríamos inclusive dado sustentação ao projeto Ômega, do qual nada mais se falou. O projeto Ômega faria do Brasil o maior centro financeiro regional, desbancando as pretensões chilenas e rivalizando- se diretamente com Miami. Seriam 4.000 novos empregos diretos, muito bem remunerados. Pessoalmente entendo que ainda há tempo.
O PIB norte-americano do segundo trimestre decepcionou. Cresceu míseros 1,3%, enquanto os dados do primeiro trimestre foram revisados para baixo, para 0,4%. Para completar, o ISM de Chicago e a Confiança do Consumidor também frustraram as expectativas do mercado.
O momento é brasileiro. O gigante americano hiberna. Deitou-se no esplêndido berço deixado pelo Brasil. E dorme. Durma em paz.

A semana na Eurásia

"A vida como ela é"
A economia da Zona do Euro terminou a semana sob a ameaça de revisão do rating de crédito da Espanha, anunciada pela Moody’s. Mais uma vez, a Moody’s chega em momento inconveniente. Poderia ter deixado para mais tarde. Vamos ver como ela agirá em relação aos Estados Unidos. A Europa espera pela mesma presteza e disposição de todas as agências.
Na Ásia, o default norte-americano nocauteia os mercados. Não é para menos. As reservas asiáticas estão concentradas em dólar. Durante muitos anos os asiáticos financiaram os déficits dos Estados Unidos. Contra isso, gozaram de amplos privilégios no comércio mundial. Agora, vão conhecer a vida, sem preferências tarifárias.
Lembro-me, de anos atrás. Exportava sapatos para os EUA. A empresa brasileira pagava 30% de tarifa aduaneira e 50%; ou seja, 15%, de sobretaxa. Enquanto isso, um Mitsubishi, top de linha, pagava zero de alíquota. As autopeças japonesas, apenas 2%. É, vai engrossar bastante para a Ásia. O poder aquisitivo do dólar, em reserva, deteriora-se muito rapidamente. Que coisa, heim?
Chineses, coreanos e japoneses “de todo o mundo, uni-vos!”