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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Problemas tributários, no mundo

Síntese do estudo realizado entre
pessoas jurídicas, pela KPMG
Relatório produzido pela KPMG, intitulado Competitive Alternatives 2012, Special Report Focus on Tax informa que:
ü  As empresas instaladas na Índia pagam ao redor de 50% menos tributos que suas congêneres nos Estados Unidos.
ü  Dos cinco países com os custos totais fiscais mais baixos, quatro são mercados emergentes: Índia, China, México e Rússia.
ü  O Brasil ocupa a 11ª posição do ranking.
ü  Foram estudadas 14 nações.
ü  Pior que o Brasil, nesse ranking, apenas Japão, Itália e França.
ü  A alta carga tributária é um dos mais significativos componentes do chamado “custo Brasil”.
ü  Entre os catorze principais países pesquisados, fora dos mercados emergentes, somente o Canadá (classificado em segundo), o Reino Unido (ocupando a sexta posição) e a Holanda (em sétimo lugar) oferecem custos fiscais totais mais baixos que os Estados Unidos.
ü  Os maiores custos fiscais predominam em partes da Europa (Alemanha, Itália e França) e Ásia-Pacífico (Austrália e Japão).
ü  O Brasil é amplamente reconhecido como um dos principais mercados emergentes, mas seus custos fiscais totais são em torno de 43% maiores que aqueles verificados nos Estados Unidos.
ü  As organizações de pesquisa e desenvolvimento (P&D) tendem a experimentar as maiores variações nos custos fiscais entre países, em grande parte devido à intensa competição entre muitos países para atrair tais empreendimentos a partir da oferta de incentivos fiscais generosos.
ü  A França é a primeira colocada em alíquotas de imposto de renda sobre organizações de P&D (impressionante alíquota negativa de 65% devido a créditos tributários restituíveis), mas classifica-se em um distante último lugar em relação ao total de tributos devido a outros altos impostos sobre a pessoa jurídica e custos trabalhistas muito altos estipulados por lei
ü  A competitividade fiscal, entre pessoas jurídicas, de um país está em grande parte relacionada a como os tributos são ponderados e aplicados em diferentes foros.
Elementos metodológicos:
ü  A pesquisa, analisa o impacto de todos os tributos incidentes sobre pessoas jurídicas, incluindo imposto de renda, imposto sobre o capital, imposto sobre vendas, imposto sobre a propriedade e custos trabalhistas estipulados por lei.
ü  As alíquotas tributárias mudam constantemente.
ü  As autoridades tributárias estão prospectando agora oportunidades de melhorar as alíquotas por meio do uso de tributos indiretos e outros, incluindo tributos crescentes sobre a pessoa jurídica.
ü  A análise é baseada em informações sobre custos coletadas principalmente entre julho de 2011 e janeiro de 2012.
ü  Os tributos refletem alíquotas fiscais vigentes em 1° de janeiro de 2012, e também incorporam quaisquer mudanças anunciadas naquele momento para surtirem efeito em datas posteriores especificadas.
ü  As alíquotas fiscais e outras informações relacionadas a tributos também estão sujeitas a outras mudanças como resultado de nova legislação, decisões judiciais e pronunciamentos administrativos. É claro que as taxas de câmbio e outros fatores de custo mudam ao longo do tempo.
ü  A carga tributária total pode também variar de cidade para cidade dentro da mesma extensão territorial.
ü  A pesquisa, que comparou 113 cidades de 14 países, descobriu que a diferença de carga tributária entre Cincinnati e São Francisco (nos EUA), por exemplo, era maior do que 25%; e a diferença entre Osaka e Tóquio foi de mais de 20%; enquanto a variação entre Amsterdã e Roterdã foi de mero 0,5%.
ü  A análise é baseada em informações sobre custos coletadas principalmente entre julho de 2011 e janeiro de 2012. Os tributos refletem alíquotas fiscais vigentes em 1° de janeiro de 2012, e também incorporam quaisquer mudanças anunciadas naquele momento para surtirem efeito em datas posteriores especificadas.
ü  As alíquotas fiscais e outras informações relacionadas a tributos também estão sujeitas a outras mudanças como resultado de nova legislação, decisões judiciais e pronunciamentos administrativos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

O Copom enfiou o pé na jaca

Incertezas e falta de previsibilidade
vão atrapalhar os investimentos
Estamos em pleno emprego e no limite do consumo. Para além desse limite, nos encontraríamos com inadimplência insustentável e com uma inflação divergindo do centro da meta.
Juros baixos contribuem no combate à inadimplência. O crédito fácil incita ao endividamento e revigora o consumo. O consumo desemboca em inflação. O Banco Central, guardião da moeda nacional, esqueceu-se de sua missão. A inflação vai prosperar.
São muitas as intervenções na ordem econômica e todas, de uma forma ou de outra, deterioram os fundamentos da economia. Nessa toada, podemos esquecer os investimentos estrangeiros. Os nacionais também.
Não há mais quem consiga dizer se o ciclo de afrouxamento monetário nacional terminou ou não. Não há quem acredite em crescimento do superávit primário. Não há quem acredite que, sob pressão inflacionária, o governo resista à apreciação do real.
A ata do Copom vai ter que indicar direções muito fortes para que o país recupere sua credibilidade como destino dos investimentos internacionais. Estamos perdendo uma excelente oportunidade para o México e outros emergentes.
O Copom pisou na jaca.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

FMI vê o mundo emvicando

Novas projeções são piores
que as anteriores
O pronunciamento da diretora do FMI, Christine Lagarde faz sentido. Veja as novas projeções do FMI para o crescimento mundial.

E como o FMI vê o Brasil? Triste, não? 

 

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Lagarde põe fogo no mundo

Administrar organismos internacionais testa a paciência de qualquer um. Lagarde que o diga.
A diretora do FMI,do FMI, Christine Lagarde, veio a público em conferência de imprensa, antes das reuniões do FMI-2012, em Tóquio,para dizer que muitas das decisões corretas foram tomadas para garantir a recuperação global, mas acrescentou que essas decisões precisam ser implementadas.
Esse é o ponto. Na medida em que os governantes vacilam para pô-las em prática, as incertezas crescem e imobilizam a desejada recuperação mundial. Deu nome ao que mais lhe pareceu faltar: cooperação. Insinuou que o imobilismo dos desenvolvidos cria espaço para o aparecimento de novos participantes na cena internacional. Não mencionou quem seriam os novos entrantes, mas da maneira que falou, parecia ameaçar os atuais atores.
Solicitou medidas dos governantes dos grande países do ocidente:• A Europa é o epicentro da crise. São urgentes decisões concretas sobre o reforço da disciplina fiscal e sobre a supervisão bancária europeia.
 • Os Estados Unidos enfrentam grandes riscos relacionados ao seu precipício fiscal. Como o fim do ano se aproxima, os riscos são cada vez mais ameaçadores.
 • Os mercados emergentes devem manter uma estreita vigilância sobre sua vulnerabilidades internas e externas.
 • países de baixa renda permanecem mais vulneráveis em relação ao altos preços dos alimentos e correm riscos de ampliar pobreza de suas populações.
Lagarde insiste em quatro áreas fundamentais para ancorar a recuperação global.
1) Reforma completa do setor financeiro no mundo.
2) Reduzir o alto endividamento dos países desenvolvidos.
3) Combater o desemprego pela criação de novas vagas de trabalho.
4) Reduzir os desequilíbrios globais.
A receita não é nova, nem original. Mas é irritante observar o imobilismo dos governantes diante da dimensão do problema social criado pela crise no mundo.
A diretora do FMI deu um belíssimo puxão de oreilha nos líderes europeus e norte-americanos.

Alardes e alertas

Semeando medo sobre o futuro
Ontem o FMI dedicou-se a fazer alertas e alardes. Com um discurso sobre a prudência nas gestões macroeconômicas dos países, semeou pânico no mercado financeiro e alardeou riscos de natureza variada entre os agentes econômicos. Entendeu que a crise no primeiro mundo pode aprofundar-se e deixou entrever os estragos que seriam provocados nas vulneráveis economias emergentes. Sobrou para todo mundo.
Exageros à parte será conveniente que os formuladores das políticas econômicas brasileiras retomassem alguns hábitos sadios, em favor da recuperação dos fundamentos econômicos do país. O superávit primário precisa voltar a crescer. As desonerações, desacompanhadas de um raciocínio mais abrangente, acabam de chegar aos municípios do país. Agora quem inicia deteriorações financeiras mais fortes são as pulverizadas unidades administrativas municipais. O risco, nesse caso, passa a assustar a todos, uma vez que a miséria, de fato, se concretiza para o cidadão, no município em que mora e trabalha. A inflação não pode deixar de convergir para o centro da meta ou se somará à redução do superávit primário para dar causa a níveis superiores de aversão ao crescente risco-Brasil.
Nesse sentido, o fluxo cambial da primeira semana de outubro mostra um saldo positivo de míseros de US$ 135 milhões.Na contramão do FMI, o Livro Bege do Fed registrou uma evolução positiva no mercado imobiliário residencial. Mostrou também que a recuperação da economia norte-americana continua. Entretanto, o país mantém um ritmo acanhado para sua recuperação.

Precipitação e imprudência na decisão do Copom

O Bacen começa a perder o pé

O FMI avisou sobre os riscos que as economias emergentes correm depois de seus esforços contracíclicos. Os analistas já perceberam a redução do superávit primário e as últimas providências contábeis para mascará-lo. A inflação já voltou e de forma generalizada. Não foram só os preços dos alimentos que subiram, mas um percentual enorme dos itens e sub itens do IPCA mostrou altas expressivas.
Isso quer dizer que a demanda voltou a crescer. A inadimplência das pessoas físicas recuou em setembro 1,9%, em relação a agosto, abrindo espaço adicional para o crescimento do consumo. A oferta de crédito é abundante e barata.
Estava tudo certo e seria prudente não mexer na taxa básica de juros da economia para não alimentar a alta de preços recém iniciada. Mas, a necessidade de mostrar a determinação política do governo moveu a decisão. Para segurar a Selic nos 7,5% ,seria necessário entender que medidas contracíclicas apresentam seus efeitos sempre de maneira defasada e cumulativa no tempo. O Índice de Preços ao Consumidor da Fipe, anunciado ontem, mostra a aceleração dos preços em 0,68% na primeira quadrissemana de outubro, contra 0,55% em setembro.O IGP-M da FGV, em sua primeira prévia de outubro ficou em surpreendentes 0,31%, mas acumulando no ano aumento de 7,42% e de 7,83% nos últimos 12 meses.
Nessa toada, em mais três ou quatro meses, a inflação pode estar apontando para o limite superior do centro da meta. O que fará, então, a autoridade monetária? Subirá a Selic? Isso teria o gosto de derrota. Então, poderia deixar o real se valorizar frente ao dólar, favorecendo as importações para combater a alta dos preços? O gosto seria também de derrota. Poderá evitar gamhos reais da renda das famílias e das pessoas, aliviando o sistema de preços e, por consequência o consumo? Seria politicamente incorreto. Sobra apenas a política fiscal. Será que existe condição política para avançar nesse campo? Pode ser.
Foi imprudente, sem dúvida. Mas, temos que reconhecer a beleza fugaz do gesto. Ele desafia a teoria econômica, o pensamento do FMI e as análises dos investidores que se mostram retraídos e desconfiados em relação às funções duplas do Banco Central brasileiro.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Última chance

Zé, entendi suas razões
Não voltarei ao passado. Não recapitularei fatos.
Essa é, talvez, sua última oportunidade de entender que “os fins não justificam os meios”.
Mais do que os resultados buscados e os objetivos colimados, a legitimidade dos meios para alcançá-los tem sido exigida como um valor da conquista.
Entendi suas palavras. Mas, esse é o pensamento da sociedade contemporânea.
Lamento pela força de suas convicções, sempre tão dogmáticas e inarredáveis. Mantenho minha admiração pela sua determinação, mas recuso-me a aceitar a obsessão que lhe move.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Semana curta (3)

Europa, uma cartola sem coelhos
Nos dois primeiros dias da semana, a Europa estará promovendo mais uma reunião de ministros de economia, da Zona do Euro. Na pauta, estarão em discussão o lançamento do Fundo de Estabilização e a pretendida união bancária. Isso “vai dar pano para a manga” durante muito tempo.
São esperados ainda os anúncios dos dados da produção industrial na Inglaterra e na Zona do Euro, ambos referentes ao mês de agosto. Espera-se por números que confirmem o marasmo dessas economias uma vez que o desemprego permanece elevado.
Na Europa, faltam coelhos, sobram cartolas.

Semana curta (2)

O mundo caminha lentamente.
Sua caminhada vai em boa direção.
A China e o Japão ainda esperam pelos efeitos das medidas monetárias tomadas recentemente. Sabem que os efeitos costumam ser defasados e cumulativos. Portanto, não querem precipitações. Preferem,  primeiro, avaliá-las para, só depois, dar curso a novas medidas.
Especificmene, a China espera pelos números referentes ao seu estoque de crédito, depois das reduções das taxas de juros e dos depósitos compulsórios. As previsões não são alentadoras e imaginam taxas de crescimento ainda menores para o país.
Nos Estados Unidos, o Fed divulga o Livro Bege, na próxima quarta-feira. Na última divulgação, o crescimento da economia norte-americana mostrava-se em expansão lenta. Mesmo com as boas notícias da semana passada e as evoluções positivas de alguns setores, o nível da atividade econômica não deve ter sua velocidade aumentada significativamente, bem como nem deve trazer aumentos de inflação ou de salários.
É de se esperar que a divulgação do Livro Bege faça uma discreta comemoração da redução do nível de desemprego e que continue a sinalizar para um crescimento consistente, mas moderado, da economia norte-americana. Deve ainda insistir na disposição do Fed em continuar a injetar na economia o dinheiro necessário para reduzir mais fortemente a taxa de desemprego no país.

Semana curta (1)

No Brasil, o clima entre os agentes
deve continuar melhorando
Os estímulos fiscais e monetários concedidos pelo governo central, como medidas contra cíclicas, e as políticas de renda e de trabalho vão garantir o crescimento do varejo, a ser anunciado essa semana. Veículos e material de construção devem apresentar resultados animadores.
Até agora, a atividade varejista tem ostentado posição relevante no quadro do crescimento nacional, sobretudo pelo baixo nível de investimentos na economia nacional. O modelo de crescimento tem se sustentado na expansão da demanda e, portanto, não causa estranheza que o varejo tenha obtido bons resultados nesse ano. O lado da oferta continua, de fato, esquecido.
Na terça e na quarta-feira dessa semana, o Comitê de Política Monetária estará reunido para decidir sobre o futuro da Selic. Dessa vez, submetido aos efeitos das novas altas de preços, puxadas especialmente por alimentos e, generalizadamente, pela difusão da alta por outros itens e subitens do IPCA.
Se tiver juízo, o Copom deixará a Selic adormecida nos 7,5% ao ano, confirmando o fim, anunciado na última Ata, do ciclo de rebaixamento da taxa básica de juros. Se, entretanto, predominar uma visão política, a taxa pode cair mais 0,25%.

Espanha: o poço é fundo

Não basta socorrer. É preciso sanear
 a economia da Espanha.
A disposição de prestar socorro é grande, mas condicionada ao cumprimento de obrigações assumidas e ao respeito às regras do jogo.
Orçamentos não são peças para alimentar negociações e receber recursos. Será necessário que o governo espanhol se comprometa definitivamente com ele. Também será preciso levar a cabo um programa eficiente de fiscalização bancária. O setor privado é causa de muitas das incertezas que a Espanha promove no mercado financeiro. A recapitalização não pode ser entendida como um alívio, apenas. O sistema bancário precisa ser saneado para prestar-se como instrumento de recuperação econômica.
O estado espanhol, por sua vez, precisa encontrar soluções para reduzir mais rapidamente seu enorme endividamento e, nesse caso, austeridade é a palavra de ordem.
Cumprido os quesitos fundamentais, a União Europeia manterá sua disposição em apoiar a Espanha e monitorará a redução paulatina da dívida soberana da Espanha.
Será, por fim, muito desejável que as autoridades econômicas da Europa não se esqueçam de monitorar também a paciência do povo espanhol, que, de hábito, não gosta de ver lançado sobre si o custo do saneamento financeiro, em termos de falta de emprego e queda de renda.

domingo, 7 de outubro de 2012

Meu Brasil brasileiro

Terra de samba e pandeiro
As commodities subiram em setembro e o IC-BR apontou que a alta atingiu 0,28%, em relação ao mês anterior. Nada que possa incomodar.
Em relação aos metais cujas altas foram mais expressivas, pouco se pode fazer. Trata-se de questão mundial, como se vê na figura abaixo.
A Produção Industrial do mês de agosto mostrou-se em alta de 1,5%, em relação ao mês anterior. O Governo Central apressou-se em chamar a si esse sucesso, atribuindo-o às medidas de desonerações e às de política monetária. Sinceramente, dessa vez, concordo com nosso governo.
Agora, sobre a inflação de setembro, o governo falou muito pouco. O IPCA se mexeu mais fortemente, apontando para alta nos preços de 0,57%. A culpa fica para os alimentos, cujas altas continuam sendo atribuídas às quebras das safras de milho e soja, nos Estados Unidos.
Peço observar, entretanto, que os itens e subitens do IPCA mostraram grande difusão da alta. Os preços sobem generalizadamente, revelando que o reaquecimento trará as maiores consequências e pode impedir que o ciclo de baixa da Selic continue nas reuniões dos próximos dias 9 e 10, do Copom.

A Europa “tá russa”

Melhorou pouco, mas a retração continua
Os PMI’s sugerem melhora discreta no estado de saúde da Zona do Euro, em setembro. Não são, entretanto, capazes de renovar as esperanças de crescimento na região.
A taxa de desemprego, referente ao mês de agosto, segue na casa dos 11,4%. Até a Alemanha registrou desemprego crescente. A Taxa de desemprego de jovens, pessoas abaixo dos 25 anos, chegou a 22.8%.
O Banco Central Europeu, na semana passada, resolver “sair de férias”. Antes, avisou que está pronto para agir e que espera a voz de comando dos políticos europeus. Manteve a taxa de juros em 0,75% ao ano para favorecer alguma recuperação, como por exemplo, as vendas no varejo, de agosto, que apresentaram-se em alta  de  0,1%.

China e Japão mais fracos

A Ásia não reverte a desaceleração
A China divulgou alguns indicadores na semana passada. Neles não há sinais de crescimento, ao contrário apontam para a continuação da atual freada econômica.
O PMI industrial do mês de setembro ficou aquém das expectativas, mostrando que a retração do setor não é coisa a ser superada rapidamente.
O PMI de serviços, para o mesmo mês, caiu de 56,3 em agosto, para 53,7 em setembro. Continua acima dos 50 pontos, mas “é pra baixo” que embicou.
No Japão, o Banco Central do país manteve-se firme e não mudou sua política monetária Está na espera de novos efeitos que os estímulos concedidos, em agosto, possam ainda produzir. Doce ilusão?
As autoridades econômicas locais não excluíram a possibilidade de novos afrouxamentos monetários. Apenas querem avaliar melhor e evitar riscos excessivos, frente às oscilações da economia internacional.
O Banco Central não quis ampliar suas compras de títulos e o programa de empréstimos. Em agosto, essas medidas foram tomadas e hoje despertam receios em função da redução das exportações japonesas, sobretudo para a China. A Europa também recessiva, não ajuda as exportações do país e deixam para o Japão uma perspectiva de baixo crescimento no setor industrial.

sábado, 6 de outubro de 2012

De repente, não mais que de repente

Nos Estados Unidos, uma onda
súbita de otimismo
O Payroll do mês de setembro, indicador do mercado de trabalho, não trouxe surpresas, reproduzindo as expectativas de todo o mercado. Mas, quem surpreendeu, e muito, foi a taxa de desemprego, com um desempenho absolutamente inesperado. Veio dos 8,1% de agosto, para 7,8% em setembro. Não se pode minimizar esse feito e muito menos a reações dos investidores frente a esse resultado.
Associa-se a esse entusiasmo outro decorrente do crescimento industrial, refletido no ISM Manufacturing, também do mês de setembro, confirmando a recente expansão do setor.
Do lado do consumo, as notícias também vão empolgar os mercados. O crédito ao consumidor, nesse mesmo mês, mostrou que o estoque de crédito é ainda maior que o de agosto. São US$18,1 bilhões rolando nas mãos do consumidor norte-americano. O Natal desse ano promete ser melhor que o de 2011. Perus estarão na mesa das famílias.
Finalmente, a Ata do Comitê de Política Monetária do Fed mostrou que o propósito de suas medidas é o de estimular uma recuperação econômica mais robusta e consistente.
A semana não podia ser melhor na terra do Tio Sam.
Na renda variável não se pode
perder o timing
O Ibovespa encerrou essa sexta-feira em alta discreta. Fechou aos 58.571 pontos. A semana foi de perdas. O índice caiu 1,02% entre segunda e sexta-feira.
Para a semana que vem, pode haver uma reversão de expectativas. A economia norte-americana apresentou alguns resultados acima do que o mercado estava esperando e o Brasil apresentou-se com sinais mais nítidos de fortalecimento de sua esperada recuperação econômica.
A inflação tem se transformado na vilã do momento e o Copom volta a se reunir nos próximos dias 9 e 10. Na pauta estará a Selic. Os últimos números publicados sobre o IPCA trazem novas incertezas.
Por outro lado, a política cambial tem exigido atenção quanto às as ações do Banco Central nesse mercado. Se o Banco Central deixar, o dólar vem abaixo do R$2,00. Ontem, por exemplo, a bola bateu na trave mais uma vez. Fechou cotado a R$2,030. A liquidez mundial é pra lá de excessiva. E o Brasil está voltando a ocupar um lugar central na cabeça dos investidores.
Dados positivos na economia norte-americana e crescimento no Brasil induzem a bolsa a rápidos crescimentos e atraem capitais especulativos. Esses, por sua vez, pressionam pela valorização do real.
Tudo, naturalmente, a conferir.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Contradições?

A economia tem suas armadilhas
A Confederação Nacional da Indústria anunciou os indicadores de desempenho do setor, em agosto. Parecem contraditórios e mais confundem que ajudam a compreender o atual quadro de crescimento da indústria nacional:
1)  O faturamento real industrial subiu 4,8% no mês de agosto em relação ao mês anterior. Em relação a agosto do ano anterior o crescimento foi de 7,0%.
2)  Em sentido contrário e de forma inesperada, o nível de emprego na indústria caiu 0,3% em agosto, se comparado ao mês anterior e recuou 1,0% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Fica difícil para o cidadão entender como isso teria acontecido.
3)  Ademais, a utilização da capacidade instalada, em agosto ficou em apenas 80,9%, sem registrar variação significativa, embora o faturamento industrial tenha subido tanto. Fica difícil para o economista explicar como isso poderia ter acontecido.
Seria preciso, talvez, admitir uma alta nos preços dessa magnitude. Não é isso que os números sobre inflação estão dizendo.

Declarações produzem expectativas

O pessimismo de ontem
parecia articulado
Nos Estados Unidos, a Ata do Fed referente à última reunião de política monetária provocou dúvidas e incertezas sobre o consenso dos membros do Comitê no tratamento da adormecida economia norte-americana. O Comitê sugere que o Banco Central informe ao mercado, de maneira mais clara e mais objetiva, suas decisões em relação aos juros, evidenciando os fundamentos de seu pensamento. A intenção de tanta transparência é a de reduzir o nível de incerteza, oferecendo aos agentes maior segurança e previsibilidade sobre a condução dos rumos da economia. Foi o bastante para ampliar a incerteza já reinante.
Na Europa, o discurso de Draghi afunda as esperanças e as expectativas do investidor. Simplesmente, transferiu as decisões do Banco Central Europeu para cada um dos países que compõem o bloco econômico. Fica a pergunta: então para que existe uma autoridade central? Sua afirmação de que o BCE está pronto para agir, mas se condiciona às decisões dos países-membros, aponta para a renúncia à autonomia do órgão. O mercado veio abaixo.
Para piorar o clima de pessimismo, a Turquia autorizou seu exército a agir contra a Síria. Essas tensões geopolíticas no Oriente Médio fazem o mundo financeiro tremer.
Finalmente, ontem já se preconizava que o nível de emprego nos Estados Unidos, a ser divulgado hoje, não deve ser trazer novidades e, portanto, também não trará nenhum entusiasmo aos mercados hoje.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O mundo ontem

Os melhores sinais chegam dos Estados Unidos
O índice de atividade dos gerentes de compras, conhecido pela sigla ISM, apurado para o setor industrial nos Estados Unidos, no mês de setembro avançou razoavelmente. O ISM saiu dos 49,6 pontos no mês de agosto, para atingir, em setembro, os 51,5 pontos. O resultado não é apenas simbólico por ter ultrapassado os 50 pontos, mas renova as esperanças sobre a retomada, uma vez que tecnicamente os 50 pontos constituem-se em um divisor de águas que separa a contração da expansão econômica.
É bem verdade que o consumo ainda limita essa aceleração, exigindo do combalido mercado internacional um ritmo maior que o atual para impulsioná-lo de forma definitiva.
Curioso notar que,em linha com o crescimento do ISM, o sub índice de preços industrial pago, no mês de setembro, também avançou dos 54 pontos em agosto, para os 58,0 pontos,em setembro.
A Europa, a Ásia e o Brasil gostaram dessa notícia e seus mercados regiram positivamente ao anúncio sobre o desempenho industrial norte americano.
Os testes de estresse com bancos espanhóis evidenciaram a necessidade de €40 bilhões em recursos adicionais da União Europeia, para dar conta dos déficits de capital desses bancos. Embora exuberante, o rombo foi menor do que se esperava e agradou aos mercados. Não bastasse isso, o mês de setembro, registrou crescimento no PMIs de italianos, espanhóis e alemães de maneira a ultrapassar expectativas dos analistas.
Na Ásia, o índice dos gerentes compras – PMI, da China, subiu mais um pouco. Foi de 49,2 pontos em agosto, para os 49,8 pontos em setembro, não conseguindo ultrapassar perspectivas do mercado.
A atividade industrial parece se recuperar. Mais algum tempo nesse ritmo e o mundo pode iniciar a superação de seus episódios desastrosos iniciados em 2008.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Promessas renovadas

A semana que passou, no Brasil
A promessa governamental de crescimento foi renovada, para o prazo médio. No curto prazo, no entanto, o crescimento previsto para 2012, de 2,5%, foi revisto para 1,6%. Medidas contra cíclicas, não faltaram. Não faltou baixar a Selic, nem faltou anunciar privatizações.
O Banco Central divulgou o Relatório de Inflação, prometendo a convergência para o centro da meta, no longo prazo. No curto prazo, espera-se pelo recrudescimento inflacionário. As pressões sobre os preços são, nesse instante, mais difusas, atingindo a maioria dos os itens e subitens medidos pelo IPCA. Alguns são muito fortes, como no caso dos legumes e verduras. Grãos e fibras, diante do quadro de escassez internacional, também exercem fortes pressões. Tudo isso pode ser sazonal, mas preocupa ver a generalização da inflação por um conjunto muito extenso de itens do consumo das famílias brasileiras.
Finalmente, parece haver no mercado a convicção sobre os efeitos positivos que a queda de tarifa de energia elétrica e a queda dos preços das commodities pudessem trazer, no médio prazo ao equilíbrio dos preços. Não acredito nisso. Commodities em particular, e preços internacionais, de um modo geral, já não ajudarão mais a inflação nacional.