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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

IPCA não dará sossego ao Bacen

Inflação é um mal cronificado
na economia nacional
Sem iniciar seu processo de aceleração, a economia brasileira já apresenta inflação crescente. Apurada pelo IPCA do IBGE, no mês de outubro, apontou alta de 0,59%. Considerados os últimos 12 meses, o IPCA é de 5,45%. Mas o que preocupa, se ela se mantém dentro da meta?
De fato, a preocupação vem de duas de suas mais recentes características. A primeira é que a inflação se mantém crescendo, ainda que o grupo de alimentos tenha desacelerado para 1,36%, em função da queda, principalmente, nos preços de carnes e açúcar. Isso significa que, mesmo sem as costumeiras e fortes pressões que os alimentos exercem sobre o IPCA, e ainda contando com a colaboração de outros grupos como habitação, a inflação se disseminou por outros itens de maneira mais intensa.
Aliás, essa é a segunda característica que provoca preocupação maior com o comportamento dos preços. O índice de difusão, como é conhecido o indicador que mede essa disseminação, apresentou-se em novo crescimento. Foi de 60,7% (IPCA-15 outubro), para 63,5%, no final desse mesmo mês, dando conta da generalização da alta dos preços por um número ainda maior de itens medidos.
Como se sabe, em sua definição mais básica, a inflação trata de uma alta generalizada dos preços do sistema econômico. Portanto, aumento na difusão pode não se traduzir por uma alta mais forte, mas a generalização, implícita na difusão, vem de encontro à natureza do fenômeno.
Barbas de molho!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Focus veio desencontrado

O que é bom e o que é mau.
Acreditar em inflação declinante e taxas de juros tão baixas é muito bom. Nesse sentido, fico feliz de ver o Boletim Focus.
Mas, o que é ruim é que para acreditar nisso é preciso crer que a situação mundial vai continuar agravada e que a demanda global não apresentará recuperação alguma. Isso, realmente, é muito mau.
Olhando o mundo, nessa última semana, observa-se que a indústria chinesa voltou a crescer, com seu PMI superando os 50 pontos. Coisa que sugere aos pessimistas pensar melhor sobre o próximo ano.
Mas, não é só com Ásia que o Brasil mantém fortes laços comerciais. Olhe para os Estados Unidos, ainda em período pré-eleitoral, trazendo maior ânimo aos mercados com o desempenho de seu mercado de trabalho. Nada brilhante, mas muito animador.
Esses fenômenos certamente se somam e trazem para o país uma expectativa de crescimento muito interessante. Considere agora o dólar no patamar dos R$ 2,00 e a desoneração horizontal pela que passou nossa economia, dentro dela, importantes setores industriais.
Não há razões para descrermos da recuperação brasileira e, por isso, precisamos abrir os olhos com as pressões inflacionárias. A liquidez é excessiva em nossa economia, o investimento estrangeiro continua forte, o mercado de trabalho mantém-se apertado, a renda real em crescimento e as exportações passarão a crescer, trazendo mais dólares e levando do país bens demandados internamente.
Fica o recado: prever juros baixos, inflação baixa, crescimento alto é, para dizer o mínimo, insensato.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

PMI de Chicago decepciona os esperançosos

Crise é crise. Errado está quem espera muito.
A atividade industrial na região de Chicago cresceu. Mas ficou abaixo das expectativas dos analistas locais que esperavam resultados mais fortes para o mês de outubro. Os dados são da Chicago Purchasing Managers Association, que, no período, mostra PMI - Purchasing Managers Index-, em 49,9 pontos; isto é, abaixo dos 50 pontos que são necessários para considerar a região em crescimento econômico. O número arredondado aponta para o crescimento.
Analista, contudo, esperavam por um resultado próximo a 51pontos. Francamente, não haveria razões para entender que a economia norte-americana já houvesse revertido seus sinais tão definitivamente. Otimismo é bom, mas, em economia, é visto como ingenuidade.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A lavoura está salva parra muita gente


Serasa aponta que 15,1 milhões renegociaram dívidas em atraso
O número de pessoas com dívida atrasadas que renegociou dívidas vencidas e que conseguiu sair do cadastro de inadimplentes cresceu 13,7% de janeiro e setembro deste ano, quando comparado com o mesmo período de 2011. Foram,segundo a Serasa Experian, aproximadamente 15,1 milhões de consumidores. Um número e tanto!
A Serasa Experian afirma que cada endividado tem em média de quatro a cinco dívidas para deixar a lista de inadimplentes. É alarmante que o descontrole pessoal tenha chegado a esse ponto. Entretanto, nos próximos períodos estarão favorecendo esse movimento alguns elementos econômicos: o crescimento continuado da renda, a manutenção dos níveis de emprego, a baixa inflação e a política de redução de juros. Tudo conspira favoravelmente. de inadimplentes cresceu 13,7% de janeiro e setembro deste ano com o mesmo período de 2011. Foram, segundo a Serasa Experian, aproximadamente 15,1 milhões de consumidores. Um número e tanto!
A Serasa Experian afirma ainda que cada endividado tem em média de quatro a cinco dívidas para deixar a lista de inadimplentes. É alarmante que o descontrole pessoal tenha chegado a esse ponto. Entretanto, nos próximos períodos estarão favorecendo esse movimento alguns elementos econômicos: o crescimento continuado da renda, a manutenção dos níveis de emprego, a baixa inflação e a política de redução de juros. Tudo conspira favoravelmente.

domingo, 28 de outubro de 2012

A semana acabou

As boas notícias vieram dos Estados Unidos
O PIB norte-americano, no terceiro trimestre, veio melhor do que os analistas esperavam e isso trouxe algum ânimo aos mercados financeiros mundiais.
A ata do Fomc não acrescentou, nem subtraiu, nada às análises realizadas até agora, fazendo crer apenas que o compromisso maior das autoridades monetárias é o de conseguir maior velocidade e consistência para o crescimento do mercado de trabalho do país.
No Brasil, o crescimento do desemprego surpreendeu. Não foi um resultado ruim, ao contrário. Mas, todos estavam já se acostumando a receber notícias sobre a redução do desemprego. É bom admitir que essa situação só continuará se, de fato, a indústria brasileira apresentar crescimentos sucessivos. Aviso que não é o que se espera para o mês de setembro. A indústria, puxada pelos automotivos, deve vir com crescimento nulo ou negativo.
Com a população ocupada, os dados deverão ser animadores, sobretudo graças aos investimentos externos diretos que dão fôlego a nossa pretensão de acelerar o crescimento nacional. Também teremos dados muito melhores sobre a inflação, nesse próximo mês. As commodities agrícolas vão reduzir a pressão sobre nossos indicadores de preços. Trata-se da desinflação mundial que dessa vez vem em nosso socorro.

Os estrangeiros acreditam no país

Investimento externo direto e o Brasil
De setembro de 2011 a setembro de 20112, o Brasil já acumula entradas líquidas US$ 64 bilhões. Esse valor dá conta do déficit em conta corrente que, no mesmo período, ascendeu à casa dos US$ 50 bilhões.
A crise na Europa permanece forte, mas a repatriação de recursos para o exterior continuou em queda. Faz crer que o Brasil mantém-se avaliado como um país que poderá, através de seus mercados, remunerar os capitais estrangeiros a taxas superiores àquelas obtidas nos países de origem desses capitais.
Mesmo em tempos de crescimento muito baixo, os estrangeiros mostram acreditar mais no país que os investidores nacionais e fazem crer que os movimentos de fusões e aquisições, que promovem sucessivas desnacionalizações, vão continuar. A depreciação do real também não assustou os investidores internacionais. Talvez porque queiram exportar parte da produção realizada por aqui. O fato é que manifestam nesses investimentos grande disposição para participar da atividade produtiva interna.

sábado, 27 de outubro de 2012

O criativo Banco Central do Brasil

No Brasil, o crédito entrou na farra do boi
Um dos rituais mais selvagens envolvendo crueldade contra animais é a Farra do Boi. Com rara criatividade, o Banco Central transforma a farra do boi em Farra do Crédito, sem se penalizar com o consumidor e os maus tratos a ele impostos. E vamos que vamos. A receita heterodoxa manda ampliar o crédito, mesmo com alta inadimplência. Tudo pelo crscimento.
Vejamos as notícias do Bacen:
1)- A taxa média de juros no crédito livre do mês de agosto era de 30,1% ao ano. Recuou, em setembro, para 29,9% ao ano. Isso lá é recuo?
Comemora-se agora o sétimo mês consecutivo de queda na taxa média de juros, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2000.
2)- Entretanto, para a pessoa física, o Banco Central informou que a  taxa média de juros subiu de 35,6% ao ano em agosto, para 35,8% ao ano, no mês de setembro. Francamente, a variação é muito pequena e pode ser incluída entre os erros de medidas. Portanto, dizer que subiu é uma temeridade. Melhor seria dizer que apenas estabilizou-se.
3)- Para as pessoas jurídicas, o juros médios cederam, passando de 23,1% para 22,6% anuais, no mesmo período. Isso sim, foi muito bom e não impulsiona a inflação.
4)- Para as pessoas físicas, o recuo se deu apenas no cheque especial, (148,6% ao ano em agosto, para 147,6% ao ano, em setembro). Que significado tem essa queda, quando a Selic está em 7,25% ao ano. Já no crédito para veículos, o aumento foi de 20,5% para 20,9% anuais, na mesma base de comparação. Portanto, é melhor admitir que as altas representem a ampliação da demanda dos bens financiados que, por sua vez, pressiona as taxas para cima.
5)- A inadimplência média do crédito livre se manteve em 5,9% em setembro. É o terceiro mês seguido de estabilidade, mostrando que causa de tanta inadimplência é maior que os estímulos concedidos pelo governo.
6)- A inadimplência para pessoa física também ficou estável, em 7,9% pelo terceiro mês. Mesmo depois de tantas reduções nas taxas Selic, de tantas renegociações, de tanto crescimento da renda reeal. Tudo em vão?
7)- Para pessoa jurídica, o indicador apresentou–se em queda também  irrelevante de, de 4,1% para 4,0%. Aqui sim, a notícia é boa.
8)- Altas na inadimplência se deram nas linhas para aquisição de veículos, de forma irrelevante, de 5,9% para 6,0%, e na de crédito pessoal, de maneira expressiva, de 4,6% para 4,9%.
9)- No crédito para aquisição de outros bens o indicador ficou estável em horrorosos 7,4%.
10)- No cheque especial, a inadimplência continuou arrepiando em espantosos 12,2%.
Não há como permitir expansão no crédito com tanta inadimplência e não há como admitir que as taxas de juros se mantenham elevadas ao cosunumidor, sem entender que a demanda está maior que a oferta. A farra do crédito detona o consumidor e é uma ameaça concreta à inflação. 
 

Maionese e inflação desandam com facilidade

Brincando com a inflação
O indicador da FGV sobre os Custos da Construção – Mercado, conhecido pela sigla INCC-M, apresentou alta de 0,24%, em outubro. No mês de setembro, havia registrado um avanço menor, de 0,21%. O resultado dos últimos dois meses é muito bom e deixa uma enganosa ideia sobre sua contribuição à inflação nacional. Visto nesse curto horizonte temporal, podemos concluir que seu bom desempenho, exclui os custos da construção como responsáveis pelas atuais pressões inflacionárias. No ano, entretanto, o indicador apresentou-se mal comportado, com variação positiva de 6,68%. Pior ainda, será olhá-lo nos últimos 12 meses: 7,59%. Esse resultado horroroso vem dos financiamentos excessivos ao setor e que se prestam à formação de bolhas, mas que serão tolerados prol do esperado aumento do crescimento nacional. Doce ilusão.
Nesse sentido, o Banco Central do Brasil anuncia orgulhoso o aumento do estoque de crédito em setembro, quando comparado ao mês anterior. O estoque das operações creditícias avançou nesse período 1,1%, alcançando aos R$ 2,2 trilhões. Deus, que falta de juízo!
Apenas para requentar alguns fatos recentes sobre a oferta de moeda na economia nacional. O Banco Central liberou recentemente R$ 30 bilhões em depósitos compulsórios. As grandes empresas brasileiras captaram U$ 40 bilhões no exterior. Os fundos especializados em América Latina trouxeram ao país, na semana passada, mais US$ 370 milhões, enquanto o IED já atingiu os US$ 66 bilhões, até agora. Vai sobrar moeda e isso quer dizer inflação à vista.
A carteira para pessoas físicas cresceu 0,9%. A de empresas, 1,3%. No terceiro trimestre, os estoques totais subiram 3,2% e representam agora 51,5% do PIB em setembro. Em agosto, representavam 51,2%. Considerada a base monetária nacional, a expansão é de 4,3% em setembro em comparação a agosto, atingindo R$ 205,5 bilhões, que corresponde a um crescimento de 11,5% nos últimos 12 meses.
Sem dúvida, a política monetária está para além de agressiva e pede correções imediatas. Mas, a preocupação com o crescimento tornou-se dominante na construção de políticas contracíclicas. Começo a ficar assustado, pois o arrojo está tomando o lugar do bom senso. E lembro que inflação é como maionese: depois que desanda, não há quem segure!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Contradições de mais, explicações de menos

Contradições nublam o entendimento
O mercado de trabalho continua apertado, embora a recuperação econômica não se confirme claramente. A taxa de desemprego permanece muito baixa em um ambiente econômico que, desde o último trimestre
de 2011, tem se mostrado bastante desalentado. Francamente, está ficando difícil explicar esse desempenho.
A renda do trabalhador continua crescendo e os dados mais recentes mostram também que o trabalhador nunca teve um poder aquisitivo tão alto. Na outra ponta, a população empregada também se mantém em crescimento, ainda que em ritmo mais lento que em passado recente.
Nesse quadro, é de se perguntar que diabo de desaceleração é essa que não libera mão de obra para o mercado? E que diabos que esses trabalhadores, hoje em número tão grande, e com rendas tão altas, não consomem e não poupam. Mas, então, para onde está indo o dinheiro que eles ganham. Para pagar dívidas apenas? Não dá para acreditar, com a inflação retomando consistentemente seu crescimento.
Se ganham tanto, deveriam, após tanto tempo de juros baixos e renegociações de dívidas, ter aberto algum espaço para ampliação de seus gastos ou para aumento de sua poupança.
Parece momento de buscar novas explicações para além da inadimplência e do excessivo endividamento. Está parecendo muito confortável limitar-se a esses dois argumentos e desconhecer a dinâmica da liquidez atual que pressiona preços, sem crescimento substancial da demanda.

O Ibovespa cai mais uma vez

Intervenções e mercado financeiro
A queda do Ibovespa foi alta: 0,92% ontem, fechando aos 57.160 pontos. No mês, a perda acumulada é de 3,40%, mas no ano matem-se positiva, com alta de 0,72%. O volume financeiro também não está ajudando. Ontem o giro foi de apenas R$6,04 bilhões.
A causa é, sem dúvida, a situação internacional que aumenta  risco-Brasil. Veja o comportamento desse risco:
2ª feira – 140 pontos, com queda de -2,09%
3a feira – 146 pontos, com alta de 4,28%
4a feira – 143 pontos, com queda de -205
O dólar fica estável em R$2,027. Abaixo de R$ 2,00 ele não virá, promete o ministro com sua banda suja. Flutuação só para cima. Claro que é de se dar apoio ao ministro, mas, sinceramente, o mercado não gosta. Reconhece aversão maior ao risco–País e derruba a bolsa.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A volta dos capitais estrangeiros

Tudo começou na semana passada
Em termos de IED já atingimos U$ 66 bilhões, nesse ano de 2012. Entretanto, o capital estrangeiro para aplicações financeiras no Brasil havia nos deixado em função do agravamento da situação internacional, das intervenções excessivas do governo no mundo da economia e das finanças.
Eis que na semana passada, inicia-se uma entrada, não esperada, de recursos provindos de fundos especializados em América Latina. Os maiores beneficiados foram o México e o Brasil, dadas as dimensões dessas duas economias e da manutenção relativa de bons fundamentos econômicos.
Segundo a consultoria EPFR Global, os fundos da região registraram entrada líquida de US$ 503 milhões na semana encerrada no dia 17, com os fundos do Brasil e do México apresentando fluxos de US$ 372 milhões e US$ 131 milhões, respectivamente.
A BM&FBovespa, por meio de seu Boletim, apontou que até o dia 17 de outubro, o saldo acumulado de capitais externos estava positivo em R$ 879,2 milhões.
Claro que a continuidade desse episódio depende, em grande parte, do cenário internacional, que ainda espera por decisões que aprofundem a qualidade do sistema bancário europeu e que aponte para soluções fiscais mais completas, com controles centrais mais fortes.
Há mesmo no mercado financeiro brasileiro uma grande esperança sobre o desempenho da BM&FBovespa e que começou no início de 2o semestre do ano. Entretanto, com a velocidade de crescimento de nossa economia, esse otimismo pode se desfazer. É o caso do Boletim Focus, dessa semana, cujas previsões reduzem o PIB brasileiro para o final de 2012, estima o preço do dólar em 2,00% e alerta para o crescimento da inflação, medida pelo IPC.

domingo, 21 de outubro de 2012

Falta previsibilidade

A economia nacional vista pelo Investidor
O risco Brasil apresenta um bom comportamento, embora oscile muito. investidor ainda mantém volumes acanhados na bolsa brasileira e BMFBovespa mantem irregularidade e oscilações em seu desempenho.
Veja a tabela abaixo:

Isso não se dá pela avaliação objetiva do risco, mas pelas incertezas e baixa previsibilidade da economia nacional .Falta confiança, "fé no taco" do governo braileiro.

sábado, 20 de outubro de 2012

Economia e agricultura

O Cifras&Safras dessa semana
No programa dessa semana o professor Guilherme Leite Dias analisou a economia mundial e os mercados para milho, soja, algodão, trigo, carne e açúcar.
Falou sobre a a previsão mais acanhada para safra norte-americana e insistiu na possibilidade de bons preços para esses produtos em 2013.
Veja o programa através do link:
http://vimeo.com/51755648

Promessa é dívida

Política cambial é coisa de quem
tem objetivos macroeconômico
Prometi discutir uma alternativa cambial diferente do modelo suíço que estabeleceu um limite de mínimo, abaixo do qual a moeda suíça não se valorizaria. Promessa é dívida, portanto vamos arriscar essa proposta nova.
De forma simplificada, os passos seriam os seguintes:
1) Formular política macroeconômica, com objetivos de longo prazo para o país.
2) Definir setores estratégicos que dariam sustentação aos objetivos macroeconômicos.
3) Formular de políticas industriais funcionais (horizontais) e seletivas (verticais).
4) Redefinir políticas de comércio exterior, voltadas à agregação de valor aos produtos exportados.
5) Elaborar políticas tecnológicas promotoras  da modernização e da competitividade do parque industrial brasileiro.
6) Estabelecer políticas de educação para atendimento das necessidades produtivas do país e que substancie política de renda distributivista e inclusiva dos segmentos inabilitados ao trabalho.
Definida a política macroeconômica, seus objetivos passam a ser os elementos centrais, em torno dos quais todas as demais políticas públicas devam ser integradas.
O quadro de ações, planejado a partir dessa dessas políticas promoverão:
a)  reestruturação do padrão de comércio.
b) aumento da intensidade tecnológica dos produtos nacionais exportados.
c)  ampliação do percentual de participação desses produtos na pauta de exportação.
d) maior dinamismo econômico ao desenvolvimento nacional.
A realização de tudo isso imporá ao país um amplo e agressivo programa de importações de máquinas, equipamentos, instalações  especiais, matérias primas, materiais secundários, partes, peças e de tecnologias variadas. Tudo com o sentido de modernizar a produção nacional e dar a ela a maior produtividade e, por via de consequência, a maior competitividade possível. Esse programa de impotações pedirá a eleição alguns países parceiros e precisam ser acompanhadas de amplo programa de financiamento, contemplando o longo prazo e taxas reduzidas de juros, com  uma carência expressiva para iniciar o período de pagamento do principal.
Ao empresário caberá o aporte de recursos próprios, como contrapartida ao incentivo oficial e a aceitação de metas com que deva se comprometer em prazos pré-definidos. Com isso, descaracteriza-se qualquer possiblidade de formação de novos cartórios ou de atendimento a interesses pessoais e de grupos privados.
Esse programa deve ter o ritmo necessário a remeter o excesso de dólares que estarão entrando na economia, pela atratividade do mercado brasileiro e pela execução dos programas das privatizações necessários aos ganhos de eficiência da máquina pública e à redução do tamanho do estado brasileiro.
Só um programa de importações massivas, calibrado e em sintonia fina com o influxo de capitais estrangeiros, sejam especulativos ou não, poderá levar a moeda nacional a beneficiar os produtores locais com uma taxa almejada na casa dos R$2,50 por dólar.
Claro que as importações levarão à saídas massivas de divisas, mas para evitar a redução das reservas, haveria que se dar ritmos homólogos à saída e às entradas dos capitais estrangeiros.
O controle da inflação seria reconduzido à situação de prioridade do Banco Central e ele, com suas políticas monetárias, ficaria incumbido de ser o guardião do valor real de nossa moeda. Que tal?

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O próximo dilema

Câmbio para baixo ou
inflação para cima?
Acho esse um falso dilema. O governo não precisa aumentar a taxa de juros no curto prazo, nem recorrer à desvalorização cambial para segurar o recente recrudescimento da inflação.
Bastariam apenas algumas medidas de natureza monetária, como por exemplo, estabelecer um contingenciamento de algumas modalidades de crédito, reduzindo o ritmo de sua expansão.  Além de conter a inflação, medida como essa, levaria as famílias a reduzir seu nível de endividamento e poderia melhorar a inadimplência no sistema financeiro. Poderia ainda voltar a aumentar os depósitos compulsórios, reduzindo a liquidez do sistema econômico.
Portanto, os instrumentos de combate à inflação permanecem disponíveis para utilização pelo Banco Central, sempre que ele reencontre-se com a sua função essencial de garantir o poder aquisitivo da moeda nacional.
Mas, e quanto ao dólar? Quais seriam as possibilidades de manter as atuais cotações, sem levar à excessiva apreciação do real? Há alternativas, sim. Umas mais simples e outras mais trabalhosas.
Poderia o governo central agir com o mesmo vigor do Banco Central da Suíça, estabelecendo uma taxa mínima para a cotação da moeda nacional. Por exemplo, numa canetada, o Bacen estabeleceria que o real não poderia valer menos que R$2,00. Claro que estaria abrindo mão do regime flutuante. Mas já não é isso que está acontecendo na prática? Apenas, o governo não declarou formalmente que é isso que está fazendo com suas intervenções no mercado.
Outra alternativa seria a abertura de um programa de importação agressivo, objetivando a modernização e à competitividade industrial, para os setores tidos como estrategicamente relevantes ao país. Vamos discutir essa alternativa na próxima postagem?

Do geral para o particular

O silêncio sobre a Espanha foi apenas protocolar. Não deve durar.
No primeiro dia da reunião da cúpula da União Europeia, em
Bruxelas, já se pode sentir que o aprofundamento da unificação moverá todas as ações relativas à união bancária e à união dos orçamentos nacionais. O problema fiscal tem mesmo proporções que só uma ação conjunta poderá resolver. E isso pede um maior nível de integração das políticas macroeconômicas.

Os maiores conflitos sobre esses esforços chegarão no momento da produção do ordenamento jurídico que deve regular os assuntos relativos à União Bancária e aos mecanismos de supervisão bancária a ser implantados através do Banco Central Europeu.
Tudo terá que ser feito com os cuidados necessários e prevendo tempo para a adequação dos bancos às novas regras e procedimentos, pois, como diz a sabedoria popular, “porca enferrujada se aperta de meia volta, pra não espanar a rosca”.
Alemanha e a França concordaram, finalmente, sobre esse tema. Em relação à Grécia, os chefes de governo da UE aplaudiram as medidas tomadas pelo governo grego. Falta apenas a entrega do relatório final sobre a Troika.
Quanto à Espanha, todos mantiveram silêncio. Claro que esse silêncio é apenas protocolar e deve ser quebrado até o final da Cúpula. Aguardemos.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Mais algumas boas surpresas

A Europa busca caminhos pelo
aprofundamento de sua unificação
Os mercados europeus estão mais otimistas, conforme revela a série de três altas seguidas em suas bolsa e valores. A Moody’s foi mais complacente com a Espanha. Manteve a classificação dos títulos espanhóis, contrariando a avaliação da Standard & Poor’s que os reduziu em dois graus. Os papéis ficam provisoriamente livres serem vistos como "de forte especulação".
Com isso, a possibilidade da Espanha pedir um pacote de ajuda integral é maior. No Reino Unido, as vendas no varejo surpreenderam positivamente em setembro, com crescimento generalizado por quase todos os setores. O crescimento de setembro foi de 0,6% em relação a agosto.
Mas a bola da vez é realmente a Cúpula da União Europeia, com início marcado para manhã, na cidade de Bruxelas e cujo objetivo será o de reduzir a crise financeira naquela região. Espera-se por embates que exponham as fissuras nas políticas internas, enquanto o Banco Central Europeu pretende propor a construção de um orçamento único para a região.
A proposta é audaciosa e ampliaria significativamente a unificação macroeconômica europeia. Ainda assim, a deve ser vista como um balão de ensaio para testar as resistências dos Estados-membros. Parece ter pouca chance de ser aprovada pela Alemanha e outros países de menor expressão, nesse momento.

Um dia com boas surpresas

Renovam-se as esperanças
O Departamento do Comércio dos Estados Unidos anunciou que as construções de residências novas aumentaram 15,0% no mês de setembro em relação a agosto, atingindo 872 mil unidades. O dado surpreendeu positivamente aos analistas e sinalizou para a possibilidade de recuperação mais rápida do setor, a partir de agora.
O Departamento do Comércio informou ainda que as permissões concedidas para novas construções também tiveram alta inesperada de 16%, em setembro, quando comparadas ao número de permissões concedidas no mês imediatamente anterior. Foram 894 permissões que confirmaram as novas expectativas sobre o mercado de imóveis no país.
Por outro lado, os estoques de petróleo estão aumentando. Segundo o Departamento de Energia norte-americano, os estoques de petróleo tiveram uma alta de 2,86 milhões de barris, atingindo 369,23 milhões de barris, na segunda semana de outubro. O crescimento permite maior tranquilidade à gestão da demanda à medida em que as temperaturas vão caindo, nesse período do ano, no hemisfério norte. Também o crescimento da estocagem contribui para a estabilização dos preços do setor de energia.

A Ásia acomoda seu crescimento

A economia da China saneia-se lentamente.
Todos esperavam pela divulgação do PIB da China, relativo ao terceiro trimestre desse ano. Com sua publicação, estabeleceu-se a convicção de que o crescimento do país fique  mesmo em torno de 7,5%, em 2012. Também pareceu razoável, a partir desses dados, supor que a China tenha encontrado um patamar de crescimento compatível com o equilíbrio de seus preços. Os investimentos em ativos fixos atingiram 20,5% no ano, até setembro. As vendas no varejo, mesmo com a queda no setor de veículos, apontaram crescimento de 14,2%.
Embora os estoques da indústria chinesa tenham aumentado, o fato é que isso apenas refletiu a desaceleração desses últimos meses.
De mais positivo para todos, são os dados relativos à:
- melhoria das exportações
- redução dos riscos dos riscos globais
- crescimento da confiança do consumidor
- crescimento do crédito não bancário
- novos investimentos em infraestrutura
- estabilização do mercado imobiliário
Finalmente, é de se pensar que o governo chinês pode ainda utilizar o seu arsenal de medidas, que se encontram engavetados. Essa, no fundo, é a grande notícia que os investidores esperam nos próximos dias.

Diazinho ruim no Brasil

O Ibovespa subiu. Mas, e o resto?
O índice Bovespa voltou a romper os 60.000 pontos, depois de quarto dia de altas consecutivas. Ontem, o índice subiu 0,57%, girando um volume financeiro de R$16,9 bilhões, graças ao vencimento de índice futuro. O real apreciou-se frente ao dólar 0,29%. O dia encerrou ontem com a moeda americana cotada a R$ 2,03.
O fluxo cambial da segunda semana de outubro ficou negativo em US$ 1,4 bilhão. Nesse mês, o país apresentou uma saída de dólares do país maior que a entrada em US$ 1,3 bilhão. No ano, o fluxo apresenta superávit de US$ 21,1 bilhões.
A inflação continua a atormentar os analistas. A Fipe apresentou ontem o IPC da segunda quadrissemana de outubro, com alta de 0,77% , apontando a aceleração frente aos 0,68% da quadrissemana anterior. Puxaram os preços para cima, principalmente, os grupos de habitação e alimentação. Em sentido contrário, o IGP-10 do mês de outubro apresentou aumento de 0,42%, contra alta de 1,05% no mês anterior. Considerado os últimos 12 meses, a alta medida por esse indicador é de 7,71%.
Também tivemos ontem, a divulgação de dados sobre o mercado de trabalho. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mostram um o saldo líquido 150,3 mil postos de trabalho criados no mês de setembro. Foram 1,66 milhão de admissões com carteira assinada e 1,51 milhão de demissões. A queda foi de 40,18% em relação ao mesmo mês de 2011. Até o final de setembro, o país criou 1,5 milhão de empregos com carteira assinada. O mercado de trabalho continua apertado, mas há uma clara deterioração dos números em relação aos desempenhos recentes a que estávamos habituados.
O conjunto de dados divulgados não agrada. Fluxo cambial negativo, inflação voltando, empregos criados em redução e o real se apreciando.