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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Brincando com o dinheiro do trabalhador

É de estarrecer
Meu amigo Décio Pecequilo manda-me a seguinte notícia, citando como fonte a Folha de São Paulo de 12/12/2104, página D5, do Caderno MERCADO: mesmo em queda de mais de 20% nas ações da Petrobras, nos últimos 15 dias, o trabalhador que investiu, em agosto de 2000, parte dos recursos de seu FGTS em fundos que aplicam em papéis da companhia, ainda leva vantagem.
Segundo cálculo, o ganho dos fundos que investem em ações ordinárias (ON) da estatal (ações com direito a voto) de 17 de agosto até 11 de dezembro de 2014, foi de 134,24%. Nesse mesmo período, o FGTS rendeu 93,61%. Um verdadeiro abuso do FGTS contra a classe trabalhadora, perpetuado por sucessivos governos do país, e agora, nos últimos governos, ao destruir a estatal e o capital investido por quem acreditou na Petrobras. É de estarrecer!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Essa rotina ficou monótona

Depois de plantados os grãos, a previsão
é de baixa de preços
Foi sempre assim. Antes do plantio no hemisfério sul, começam aparecer as revisões dos relatórios do USDA. Nesses relatórios pós-plantio, as previsões são sempre de safras recordes, no mundo. Particularmente, nesse mês de dezembro, as estimativas foram revistas para cima, para todos os principais grãos. As notícias falam são sobre expectativas de safras maravilhosas e de estoques elevados de grãos. Os preços, naturalmente, começam a cair e os industriais e comerciantes fazem a festa, provisionando-se a custos muito baixos. Essa situação deixa sempre uma questão a ser resolvida: os preços dos alimentos industrializados vão cair também? Ou a diferença entre os preços mais baixos das commodities e os preços anteriores, mais altos, vão ser embolsados por industriais e especuladores? Esses ganhos adicionais não vão ser repassados ao consumidor? Quando iniciar o novo período de plantio no hemisfério sul, as previsões vão falar novamente em escassez. Os agricultores vão ver os preços dos produtos que venderam barato, subirem. Animados com a perspectivas de ganhos, voltam a plantar. Se esquecem que o Departamento de Agricultura dos EUA, o famoso USDA, em breve publicará as edições de novos “Relatórios de Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda Agrícola”, dando conta de uma super oferta e transformando os ganhos esperados em mais um momento de frustração dos agricultores. Trata-se de expediente que promove a transferência da renda do campo pobre para a cidade rica. Ampliam-se as desigualdades, em todo o mundo. Salvo os momentos onde os Atos de Deus são impossíveis de serem escondidos, o USDA patrocina e garante os lucros das tradings e das grandes empresas internacionais do setor, com a colaboração eficiente do universo especulativo das bolsas de mercadoria.  Essas descasam os preços do presente daqueles previstos para o futuro baseadas em expectativas manipuladas. Esses mecanismos desinformam e confundem o agricultor. Uma rotina que ficou monótona, e que serve aos poucos que se beneficiam das assimetrias informacionais.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

2015, o ano dos ajustes

Ajuste fiscal e taxa de câmbio são aguardados
Nas projeções feitas por experts, para o ano de 2015, as preocupações iniciais referem-se ao ritmo de crescimento da economia mundial. A China luta para manter seu crescimento acima dos 7%. Quer evitar a todo custo o recrudescimento das tensões sociais internas que certamente surgiriam com o agravamento do desemprego local. A Europa ensaia avanços na flexibilização de sua política monetária, mas encontra resistências dentro das próprias instituições europeias, que atrasam sua versão mais completa do quantative easing. No Japão, a deflação parece ter voltado, mesmo após todas as medidas do plano Abe. Essas expectativas trazem os preços das commoditites para baixo, comprometendo o saldo comercial brasileiro. Já se fala abertamente da necessidade de compensar a balança comercial com medidas de estímulo aos serviços e ao fluxo de capitais. Não se tem esperanças na recuperação da indústria nacional no curto ou médio prazo. A produtividade industrial está comprometida por fatores endógenos ao setor e por problemas exógenos (custo Brasil), que comprometem a produtividade setorial. Crescendo, de fato, só se acredita nos Estados Unidos. Não se trata de crescimento alto, mas sem dúvida, já se pode admitir até o aumento dos juros norte-americanos para o primeiro trimestre de 2015. Os baixos preços do petróleo provocarão efeitos dolorosos, por aqui. Principalmente na Petrobras. A valorização do dólar foi tomada como certa. Internamente, a Ata do Copom que deve sair na quinta feira, pode ser determinante nas decisões dos ajustes fiscais, do câmbio e das expectativas dos agentes econômicos em geral.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Surpreendente que disso tenha se falado tão pouco

A festa do dragão
Não há outra forma de se referir a esse episódio. Foi realmente a festa do dragão. De uma só vez, e no melhor American Way of Life, o Banco do Povo da China injetou 400 bilhões de yuans em quatro outros grandes bancos estatais, incluindo ICBC, ABC, BOC e CCB, no mês de setembro. Estamos em dezembro e niguém parece ter sido avisado desse verdadeiro quantitative easing. E isso não ficou por aí. Outros 100 bilhões de yuan foram destinados ao CDB, Bocom e PSBC. Esta surpreendente liquidez destinou-se ao atendimento das necessidades de caixa das empresas públicas e algumas grandes empresas com operação no país. Quando tudo parecia já equilibrado, mais 269,5 bilhões de yuans foram alocados para os pequenos e médios bancos, no mês outubro, com a finalidade de beneficiar micro, pequenas e médias empresas, bem como a agricultura, áreas rurais e os agricultores em geral. As medidas de liquidez foram tidas como suficientes e não são esperadas reduções de taxas de juros ou outras medidas de natureza monetária. No dia 6 de novembro, o PBOC confirmou, pela primeira vez, já haver injetado 769,5 bilhões de yuans no mercado através de um mecanismo conhecido pelo nome de Empréstimo de Médio Prazo (MLF). Embora sempre muito misterioso, o governo chinês anunciou a liberação de recursos e a implementação dessas novas políticas, objetivando melhorar as expectativas e orientar o mercado. As autoridades econômicas sempre exibiram um certo temor em relação ao relaxamento da política monetária. Um clima de otimismo está semeado. Embora, no longo prazo, tudo isso possa desembocar em um agravamento da inflação interna. E espantoso ver como esses fatos foram ignorados no Brasil.

sábado, 29 de novembro de 2014

Tendências

Os maiores movimentos de mercado
O real apresentou-se em depreciação. Já se pode falar em tendência de enfraquecimento da moeda nacional para os próximos mêses, com baixa pressão sobre a inflação interna. A tendência obedece a alguns drivers mais fortes. Em primeiro lugar, a apreciação do dólar tornou-se uma tendência no mercado mundial de moedas. Em segundo lugar, as políticas monetária e fiscal projetadas pela nova equipe econômica devem ter impactos significativos sobre a demanda, combatendo a inflação, papel antes desempenhado pela política cambial. Para isso concorrem os juros elevados da economia brasileira, a redução dos gastos público e queda na oferta de crédito. Finalmente, o mercado sinaliza para uma posição confortável  em relação à redução das intervenções diárias do Banco Central no câmbio. Os produtores de petróleo reunidos decidiram manter a produção diária, acelerando o ritmo de queda do preço do óleo no mercado mundial. A Petrobras agradece, comovidamente.

Ortodoxia

Depois do errar, é preciso corrigir depressa!
De tudo que se tem comentado sobre a economia brasileira, chama atenção a queda dos investimentos. Veja a tabela abaixo: 





PARTICIPAÇÃO
ANO
FBCF / PIB1
FBCFcc / PIB
FBCFcc / FBCF

(%)
(%)
(%)
1995
18,3
8,0
43,8
1996
16,9
8,2
48,6
1997
17,4
8,6
49,7
1998
17,0
8,8
52,1
1999
15,7
8,3
52,9
2000
16,8
8,3
49,6
2001
17,0
7,9
46,5
2002
16,4
7,7
47,3
2003
15,3
6,8
44,2
2004
16,1
7,0
43,7
2005
15,9
6,7
42,3
2006
16,4
6,6
40,4
2007
17,4
6,7
38,3
2008
19,1
6,9
36,3
2009
18,1
7,6
42,3
2010*
19,5
7,9
40,6
2011*
19,3
8,0
41,4
2012*
18,2
8,0
43,8
2013*
18,4
7,7
41,8
A relação entre a taxa bruta de formação de capital fixo e PIB, está em queda, segundo as estimativas do CBIC, mostrando que a contribuição dos investimentos para o PIB nacional tem sido negativa ao longos dos últimos 4 anos. No longo prazo, o emprego pode ficar comprometido e reduzir o consumo ainda mais do que os dados publicados ontem mostraram. Com investimentos continuando a cair, a criação de vagas de trabalho já é motivo de preocupação. Some-se agora, os efeitos provocados pela alta dos juros, pelo crescimento dos preços (derivados de pressões inflacionárias) e redução da oferta de crédito. A mistura torna-se explosiva no consumo das famílias. Se os investimentos não ampliam a oferta, o consumo derruba a demanda. O resultado disso tudo é um PIB com expansão de 0,1% no trimestre, mesmo com a expansão dos gastos públicos. A esse propósito, em janeiro desse ano, o déficit público representava 3,6% do PIB, em outubro, ele passou a representar 5,0% sobre o PIB. Trata-se de uma situação onde o país, estagnado em seu PIB, com baixa poupança, vê sua dívida pública aumentar, seus investimentos e seu consumo caírem. É momento de voltar a trabalhar o tripé dos fundamentos econômicos, no melhor estilo ortodoxo. Resta saber o que fazer com o PT.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O mundo em poucos números

As economias flutuam conforme
os ventos sopram
A Espanha conseguiu reduzir seu déficit comercial graças ao crescimento de suas exportações, sinalizando para uma recuperação associada mais fortemente ao mercado externo. Na zona do euro, a publicação de alguns PMIs frustrou as expectativas de analistas e sinalizou para um período maior de recessão. O crescimento não deverá ocorrer tão logo. Já a Alemanha, depois de uma rápida temporada de indicadores com desempenho abaixo do esperado, aparece com um aumento de 15% no ZEW (indice de confiança empresarial), referente ao mês de novembro. A Zona do Euro registrou um superávit comercial de 18,5 bilhões de euros em setembro, com um excedente de sua balança comercial de 8,6 bilhões, em agosto, conforme noticiou a agência de estatísticas europeias Eurostat. As cifras revisadas mostram um aumento das exportações de 4,2% em relação a agosto, e das importações de apenas 3%. Um ano antes, a Zona do Euro havia registrado um excedente comercial de 10,8 bilhões de euros.
O conjunto da União Europeia registrou um excedente de 2,6 bilhões em setembro, contra um déficit de 8,8 bilhões em agosto. Por outro lado, Draghi cogitou sobre as compras de títulos do governo. Os Estados Unidos mostram avanço na atividade industrial e confiança crescente no setor da construção e no mercado imobiliário. A isso se agrega a preocupação do FOMC com a inflação. Na Ásia, a notícia mais triste da semana veio do Japão. Os números do PIB japonês apresentaram uma queda inesperada. A ideia de aumentar o imposto sobre consumo parece não ter sido muito feliz. A China confirmou a fase difícil da Ásia. Mostrou uma redução de seu PMI e, portanto, de uma provável redução de sua atividade econômica. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

O mercado de trabalho emite seus sinais

O quadro do desemprego parece favorável.
Mas não é.
Mesmo com a taxa de desemprego em queda no mês de outubro (de 4,9% para 4,7%), segundo o IBGE, não há muito que comemorar. O resultado foi alcançado pelo aumento do crescimento do “emprego por conta própria” em prejuízo daquele criado por “carteira assinada”. Esse último apresentou-se em queda de 0,3%, face ao mês anterior. Sabe-se que o emprego por conta própria embute riscos maiores por estar mais sujeito aos efeitos das flutuações econômicas, ademais de não fazer jus a outros benefícios. Em outras palavras, eles custam bem menos a quem contrata. Os custos das relações trabalhistas estabelecidos pela assinatura das carteiras de trabalho incentivam a busca por outras formas de contratação que, no jargão dos sindicalistas, levam à precarização do trabalho. Os números desse mês, às vésperas do Natal, deixam clara a estratégia defensiva do empregador. Sem crédito para formar estoques nessa época do ano e para atender as outras demandas de capital de giro, o empregador debate-se com impostos elevados, encargos sociais desmedidos e juros altíssimos. Não lhe resta alternativa, senão contratar autônomos e pessoas jurídicas que amenizam seus custos. É hora de flexibilizar as relações de trabalho e de reduzir o custo de contratar para garantir a queda do desemprego e o ânimo empresarial de assinara as carteiras.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Ainda não há sinais de mudanças

À espera
As expectativas são grandes. O marasmo parece maior. Nova queda na produção industrial foi apontada pelo IBGE para o mês de setembro. O setor ainda mostra redução no nível de emprego nesse mês de 0,7%. É a sexta queda consecutiva. P nível de ocupação na indústria a acumula um recuo de 2,6%, considerados os últimos doze meses. A indústria permanece em processo de sucateamento. A inflação permanece acima do teto da meta. O Congresso nega-se a aceitar as maquiagens das contas públicas. Técnicos pedem ajustes mais fortes nas políticas fiscal e monetária. A área econômica permanece imobilizada, sem definições de nomes e sem mudanças em sua estrutura. As expectativas crescem junto com as frustrações. Não há sinais de mudanças. 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Represamento problemático

Represar traz desequilíbrios.
A primeira prévia do IGP-M mostra, para novembro, inflação de 0,51%, bem acima do resultado de outubro de 0,28%. A perspectiva para a inflação tem se agravado entre os analistas. Os ajustes cambiais, depreciando o real mais rapidamente, somam-se a reajustes dos combustíveis e desenham uma inflação mais alta, com elevação do grau de dispersão pelos preços da economia. Alimentação, transportes e construção civil devem ser os maiores focos de pressão nos próximos períodos. Para alguns analistas menos otimistas o teto superior da meta vai ser estourado e já está fora de hipótese que o governo consiga combater a resiliência inflacionária. Devagar e com prudência os mais otimistas evoluem a hipótese de crescimento dos preços. Mas, nos dois casos, já se discutem sobre valores entre 6,8 e 6,9 %.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Para garantir empregos

Sem indústria o emprego fica ameaçado
Tradicionalmente os melhores salários estão no setor industrial. Infelizmente, a produção da indústria brasileira, no mês de setembro, apresentou um recuo de 0,2% em relação ao mês anterior, segundo as pesquisa industrial mensal do IBGE. No comparativo com o mesmo mês do ano anterior, a queda foi de -2,1%. A indústria nacional está sucateada. Refazê-la pede um plano de longo prazo, com articulação de inúmeras políticas públicas como as de tecnologia, educação e cultura. Uma tarefa para além de um estado aparelhado. É preciso desmontar mitos e pensar novos paradigmas, afastados das ideologias já mortas e não sepultadas. Caso contrário, o emprego está ameaçado e o trabalho tornará real o de fantasma da precarização. No ano de 2014, a produção industrial já acumula queda de 2,9% e, nos últimos 12 meses, a queda é de 2,2%. No terceiro trimestre deste ano, ao recuo foi de -3,7% em relação ao mesmo período de 2013. Os setores que mais contribuíram para a queda foram produtos alimentícios, com redução de 4,1%, e produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com -1,3%. Curiosamente, os setores veículos automotores, reboques e carrocerias, apresentaram-se em alta de 10,1%, e produtos farmacêuticos e farmoquímicos, com desempenho similar, evitaram que as quedas fossem ainda maiores. É preciso definir setores estratégicos e quais serão as políticas tecnológicas horizontais que possam trazer ganhos de produtividade. Políticas tão verticais quantos as adotadas até agora, mostram interesses políticos, diversos dos perseguidos pela boa formulação rumos para a economia para o país.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Teimosa

Ameaçando a estabilidade
O IPCA-15 acelerou de 0,39% em setembro para 0,48% em outubro. A alta foi atribuída principalmente aos alimentos, transportes e vestuário, em função da sazonalidade do período. Lembro que há problemas com alimentos derivados da seca prolongada que atravessamos em áreas produtoras. No acumulado em 12 meses, estamos com 6,6%. Para o mês de outubro não há por que esperar por um comportamento diferente dos preços. A inflação vai se manter em alta, pressionada pelo reajuste dos preços de etanol. Os efeitos sazonais e o clima não darão refresco aos preços. O problema é tanto mais grave quando observamos o grau de difusão da inflação atual. Evoluiu, no IPCA de setembro, de 61,4% para 64,9%. A situação continua preocupante.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Difícil retomada.

A China não consegue reverter sua desaceleração
A China continua sua desaceleração, com o do PIB do terceiro trimestre crescendo 7,3%, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. No segundo trimestre desse ano, o crescimento havia sido de 7,5%. O breque de mão parece puxado nas principais economias mundiais. Os Estados Unidos surpreendem o seu próprio Banco Central que a essa altura afasta a ideia de subir os juros no país. A União Europeia não consegue afastar o temor de deflação. O Japão reagiu de forma insuficiente e está distante das metas fixadas pelo plano Abe. Nessas economias os problemas são estruturais e as soluções não serão encontradas na oferta generosa de incentivos monetários apenas. A economia chinesa, por exemplo, vive o dilema de controlar uma inflação persistente, em meio a alta ociosidade de sua máquina produtiva e a um sistema bancário exageradamente alavancado. A elevada ociosidade repassa aos preços os custos da baixa produtividade, o governo injeta recursos no sistema financeiro para evitar quebras que possam contaminar toda a economia. Províncias e municípios apresentam um enorme descontrole fiscal, obrigando a socorros que também ampliam a liquidez. O setor imobiliário segue ajustando a oferta excessiva à menor demanda da população. Com tudo isso, os investimentos continuam em queda ameaçando o emprego, a renda e a demanda. As expectativas em relação à Ásia continuam se agravando, enquanto a Europa e os Estados Unidos semeiam novas dúvidas sobre seus desempenhos futuros.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Sinais positivos

Depois da indústria, comércio também reagiu
E não é que as vendas no varejo reagiram. O crescimento registrado no varejo restrito foi de 1,1% no mês de agosto, sem ajuste sazonal. O melhor dessa notícia é que o crescimento atingiu um grande número de setores, excetuando-se disso apenas os supermercados e alimentos, com queda modestas. Temo que seja ainda cedo para considerar esse crescimento como uma tendência. Embora a indústria também tenha aparecido com crescimento nesse período, não se pode admitir que o quadro de estagnação tenha sido afastado. A política monetária impedirá esse crescimento e, provavelmente, a fiscal também deverá desestimular o consumo, tudo para preservar a inflação dentro do limite superior meta adotada pelo Bacen.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Sobrou para a América Latina e para o Caribe

Ninguém sai imune de uma crise
 de proporções globais 
A CEPAL -Comissão Econômica para a América Latina e Caribe entende, em seu último relatório, que as exportações da América Latina e Caribe vão crescer apenas 0,8%, em 2014. Esse baixo crescimento, segundo o relatório, decorre da lenta recuperação da economia global e da queda acentuada do comércio regional, que vai para o seu terceiro ano seguido de estagnação. Além disso, concorre para essa redução a queda dos preços de diversas commodities exportadas pela região, principalmente na indústria de mineração e na agricultura. O valor das exportações da região crescerá apenas 0,8% até o final desse ano. Segundo essa fonte a União Europeia foi o parceiro que maior recuo apresentou em suas importações. O relatório ainda indica que as exportações do México e da América Central serão mais dinâmicas em 2014, um aumento de 4,9% no valor total, graças ao melhor desempenho dos Estados Unidos, enquanto as exportações do Mercosul registraram uma queda de -2,3%. O documento indica que o maior de crescimento das exportações é o do Paraguai, com 14,1%, seguido pelo Uruguai, com 13,6%. As exportações do Equador cresceram 9,3%, da Bolívia 8,6%, da Nicarágua 7,4%, da Guatemala 6,7%, do México 4,9% e, finalmente, de Cuba 4,3%. Por outro lado, as maiores quedas foram aa do Peru -10,6%, da República Dominicana -7,1%, da Argentina -5,2, do Brasil -3%, da Colômbia -1,8, de El Salvador -1,5% e do Chile -1 ,2%. Ainda estamos pagando o custo das imprudências de 2.008 e dificilmente isso será revertido no próximo ano.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Agência FAPESP

Modelo matemático desenvolvido para diluir agrotóxicos e reduzir o risco da contaminação ambiental
Os pesquisadores brasileiros da EMBRAPA Jaquariúna - Lourival Paraíba, Ricardo Pazianotto, Alfredo Luiz, Aline Maia e Claudio Jonsson – publicaram artigo intitulado “A mathematical model to estimate the volume of grey water of pesticide mixtures”, na última edição da prestigiada revista científica Spanish Journal of Agricultural Research, do Instituto Nacional de Investigación y Tecnologia Agraria y Alimentaria do Ministério de Economia e Competitividade da Espanha. O artigo refere-se a modelo matemático destinado a estimar o volume de água cinza necessário para diluir misturas de agrotóxicos nessa água e minimizar os riscos ao ambiente aquático. Para quem não é do ramo, a expressão “água cinza” denomina aquelas águas que ficam disponíveis, como resíduos, depois de passarem por algum tipo de processo de uso. Envolvem uma multiplicidade de origens, desde aquelas que vieram de banhos até as tiveram origem em algum processo de produção industrial. Na agricultura, o problema é sempre grave porque todas as águas utilizadas encontram o caminho dos rios ou são absorvidas pela terra em direção aos lençóis freáticos. A soma de todo o consumo de água envolvido na produção, incluindo a verde, vinda da chuva e contida no solo, a azul (da irrigação) e a cinza, que assimila a carga de pesticidas e fertilizantes, tomam esses caminhos. O trabalho publicado apresenta modelo com cálculos dos valores de concentrações letais de diversos agrotóxicos em organismos indicadores da qualidade hídrica, como algas, peixes e micro crustáceos, determinando os volumes de água necessários para diluir a carga dos pesticidas e minimizar os riscos para a vida aquática e, em consequência, para o homem.

FMI faz novas previsões

Parece não haver razões para
o otimismo exagerado
O FMI soltou seu último relatório – Panorama Econômico Mundial – no início dessa semana. Segundo a instituição a economia global crescerá 3,3% nesse ano. O Brasil, apenas 0,3%. Além das explicações mais óbvias relacionadas ao aperto nas condições financeiras, o FMI ampliou o seu leque de causas para explicar o baixo desempenho previsto para as economias nesse último documento. Agora atribui maior ênfase a elementos que, nas vezes anteriores, apareciam apenas de forma lateral. Entre eles, cita a falta de investimentos e de poupança, os gargalos de infraestrutura, da educação e da capacitação profissional da mão de obra. Essas causas seriam elementos da baixa produtividade mundial. A análise é plausível e expõe as fragilidades do ambiente econômico atual. Bastam lembrar o medíocre desempenho europeu, mesmo diante de taxas de juros negativas em alguns de seus países e a baixa resposta da economia chinesa aos estímulos concedidos pelo governo para ampliar o ritmo de sua atividade econômica. Os Estados Unidos, por outro lado, mostram-se em crescimento, mas ainda suscitam muitas dúvidas com respeito a sua sustentabilidade em prazo mais longo.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

IPCA: Acima do Esperado em Setembro

Roberto Padovani confirma
preocupações anteriores
Texto de Roberto Padovani,
economista chefe do Banco Votorantim
Inflação se mostra resistente à desaceleração da atividade econômica.
IPCA subiu mais que o esperado em setembro. O IPCA acelerou de 0,25% em agosto para 0,57% em setembro, bem acima da nossa projeção e do consenso de mercado (ambos em 0,48%). Em 12 meses, a inflação acelerou de 6,51% em agosto para 6,75%, se afastando ainda mais do teto do intervalo da meta e provavelmente o pico deste ano. As altas de preços no mês foram mais disseminadas, o que foi refletido no aumento do índice de dispersão de 55,0% para 61,1%, após ter recuado por cinco meses consecutivos. Surpresa foi disseminada. O elevado resultado no mês reflete principalmente o fim do período de sazonalidade mais favorável: os preços de alimentação no domicílio voltaram a subir após três meses de queda. A principal contribuição para esse aumento veio dos preços de carnes, enquanto as maiores surpresas em relação à nossa projeção foram dispersas entre os alimentos, com destaque para os preços de panificados, leite e derivados. Ainda, preços de veículos e consertos também subiram mais que o esperado, contribuindo para a elevada inflação no mês. Inflação tem se mostrado resistente à desaceleração econômica. O fim do período de sazonalidade favorável também foi evidenciado pela média dos núcleos, que aumentou de 0,42% em agosto para 0,56% em setembro. Em 12 meses, os preços livres têm mostrado uma resistência maior do que esperávamos, evidenciando a reduzida folga na economia, que ainda é insuficiente para permitir uma convergência mais rápida da inflação. Já a inflação de administrados segue acelerando gradualmente e deve se acentuar no próximo ano. Projetamos 0,50% para o IPCA-15 de outubro. Para o IPCA de outubro, projetamos uma alta um pouco acima de 0,40%. Como resultado, nossa projeção de 6,2% para este ano deverá ser revisada para cima. Apesar de esperarmos um arrefecimento da inflação de preços livres no ano que vem, a inflação deverá permanecer alta e resistente, em função da contínua aceleração nos preços administrados.

A dura vida do campo

Atos de Deus desafiam os agricultores
As áreas produtoras de milho, soja e sorgo, nos Estados Unidos têm apresentado, nesse momento final da safra norte-americana, um comportamento climático desfavorável. As chuvas se prolongam exatamente no momento da colheita, impedindo essa operação e comprometendo, pelo excesso de umidade, a qualidade dos grãos.  A estocagem também fica encarecida pela necessidade de se proceder à secagem desses cerais. Os agricultores procuram minimizar o problema dando prioridade à colheita do milho destinado à silagem para animais. Entretanto, e para atrapalhar mais um pouco, o frio parece ter se antecipado muito além do que se poderia supor. Isso atrasa o processo de maturação dos grãos, atrasando novamente a colheita. No sul do Brasil, o plantio evolui com a ajuda das chuvas, enquanto no sudeste a seca continua.

Bem na hora da eleição

E a inflação retoma sua caminhada,
em setembro
O IPCA cresceu 0,57%, no mês passado, segundo informa hoje o IBGE. A alta foi maior do que o mercado esperava. Em agosto, a alta havia sido de 0,25%. Com isso, a inflação brasileira acumulou, nos últimos 12 meses, alta de 6,75%. Em agosto ela se encontrava em 6,51%, portanto, acima do teto superior da meta fixada pelo governo central, de 6,50%. O IBGE aponta os alimentos como os maiores responsáveis por esse comportamento dos preços. Estamos às vésperas do 2º turno e a inflação põe em risco a reeleição da atual presidenta.