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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Terra em transe 2

Parece coisa do equilíbrio sistêmico
A Europa afunda em suas dívidas e a China desacelera seu crescimento. Comportamentos típicos da imprudência financeira do “savoir vivre” europeu e da prudência milenar da sabedoria oriental.
A crise tenderia a contagiar o mundo, levando tudo “água abaixo”. Mas, diz a Teoria Geral dos Sistemas que os sistemas tendem a se preservar, criando alternativas as suas próprias sobrevivências.
Os Estados Unidos iniciaram movimentos de recuperação da renda, do consumo, do crédito e de sua produção. Irônico para quem se encontrava em situação de absoluto descrédito e com a auto-estima de sua população tão destruída.
Não é que, agora, o PIB japonês desperta de sua longa hibernação, apoiado em inesperada recuperação da produção industrial e da ampliação do consumo interno. Chega a estarrecer! A população japonesa cresceu o seu consumo depois de tantos anos de poupança e entesouramento da moeda nacional e isso, após o terremoto que assolou o país. Mas são as coisas da Teoria Geral dos sistemas. Desgraças viram causas da reversão econômica do país.
No terceiro trimestre, o PIB japonês cresceu ao ritmo anualizado de 6,5%. Em relação ao segundo trimestre do ano, o crescimento foi de 1,5%. Suas exportações também cresceram forte, graças à rápida recuperação de suas cadeias produtivas e ao restabelecimento do supply chain de sua indústria, em velocidade assustadora.
O consumo “surfou”, na onda da recuperação. Cresceu 1,0%, sobretudo puxado pelas atividades de lazer, viagens e compras de veículos.
Como no caso de outros países, a moeda japonesa está excessivamente valorizada em relação a outras moedas fortes, prejudicando seriamente as exportações para outras áreas do mundo. Os investidores entenderam que o Yen é uma moeda-refúgio. Sistemas desenvolvem mecanismos adicionais de sobrevivência.
Especificamente, para o Brasil, será necessário repensar o que andamos fazendo nos últimos anos. Sucateamos nosso parque industrial em uma política de contenção da inflação, via a defasagem cambial. Tudo ficava mais barato com as importações incentivadas pelo real forte. Não há político que resista deitar nesse “berço esplêndido”. O problema é que a queda na taxa de crescimento chinês e a crise européia sinalizam para a redução dos preços e das quantidades compradas de nossas commodities agrícolas e industriais.
Aos Estados Unidos e ao Japão nossas commodities também agradam, mas esses dois países são consumidores naturais de nossos manufaturados e semimanufaturados. Procuram partes, peças, componentes produtos acabados, serviços, etc. Fica a necessidade de uma rápida reestruturação de nosso parque industrial que, sem oferta de mão de obra especializada, contará, por outro lado, com um influxo de capitais estrangeiros para lhe dar suporte.
O governo não pode apenas reagir. Ele terá que agir proativamente e rápido. O novo plano econômico precisa contemplar o longo prazo e estar assentado em setores estratégicos para os próximos decênios. Só isso dará consequência a um sistema cujo produto bruto interno tenha uma participação expressiva de bens de maior valor agregado, pagando maiores salários e garantido novas altas do consumo interno.

Um grito de alerta

Nos naufrágios, os ratos são os primeiros a abandonar o barco
A posse de Mario Conti como  Primeiro Ministro da Itália provocou um momento inicial de otimismo. As bolsas na Ásia apresentaram elevações. No ocidente, abriram alta pelo mesmo motivo. Mas recuaram em seguida em função do fracasso do leilão de bonds de 5 anos da Itália. O Yield para esses títulos atingiu níveis inusitados, desde a criação da moeda única européia.
Como se vê, já o mercado não crê em sustentabilidade fiscal para a Itália e outros periféricos da Zona do Euro. O resultado pode ser traduzido pela fuga de capitais dos títulos representativos de dívidas soberanas. Além dos temores em relação à Espanha, Portugal e Itália, os investidores liquidaram suas posições em papéis da Áustria, Bélgica, Finlândia, França e Holanda.
Dada a gravidade da situação, a chanceler alemã,  Angela Merkel, entrou em ação. Alertou a todos de forma contundente: "A Europa vive um dos piores momentos desde Segunda Guerra Mundial, talvez o pior momento", em seu discurso nessa segunda-feira, em Leipzig, no congresso da União Democrata-Cristã, partido da chanceler. “Se o euro fracassar a Europa vai fracassar”, disse Merkel.
O discurso pode ser entendido como um pedido de apoio às medidas políticas e as suas posições frente à crise. Mas, para, além disso, seria bom entender que não se pode demorar tanto para encaminhar políticas econômicas em casos de default. Agentes econômicos são como os ratos no momento de naufrágio: saltam para o mar antes dos próprios marinheiros.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Quedas sucessivas

Demanda por crédito cai pelo
segundo mês consecutivo
Já havíamos constatado o  enfraquecimento da expansão da economia brasileira, bem como  a redução da velocidade de crescimento do emprego e da renda do consumidor nacional. No mês de setembro, a Serasa Experian apontou que a quantidade de pessoas que procurou crédito caiu 10,7% em comparação com o mês agosto. Na comparação com setembro de 2010, a demanda do consumidor por crédito havia aumentado apenas 1,6%, registrando a menor taxa de expansão anual dos últimos 23 meses. No acumulado do ano, a busca do consumidor por crédito havia totalizado um  crescimento de 11,8% em relação ao observado no período de janeiro a setembro de 2010.
A razões apontadas para esse recuo eram, na ocasião, o então o agravamento da crise financeira internacional e os alertas das autoridades do governo brasileiro de que o país poderia sofrer consequências mais graves com a deterioração do quadro externo.
O mesmo indicador, referente ao mês de outubro, mostra que a quantidade de pessoas que procurou crédito recuou 4,6% em relação a setembro, registrando a segunda queda mensal consecutiva da busca do consumidor por crédito. Na comparação com outubro de 2010, a demanda do consumidor por crédito aumentou 0,1%, a menor taxa de expansão anual, em 25 meses. No acumulado do ano, a procura do consumidor por crédito cresceu 10,5% em relação ao observado no período de janeiro a outubro de 2010.
A crise europeia continuou em deterioração, os indicadores econômicos  internos também se agravaram, tudo conforme previam nossas autoridades econômicas. Com com isso, os consumidores resolveram assumir uma atitude mais prudente.
O governo anuncia novas medidas para garantir o crescimento de toda a economia. Em especial colocará seus esforços na ampliação do emprego e da renda. O final do ano se aproxima e o consumo voltará a aumentar. É de se esperar que o crédito possa até se recuperar nesse período e que a inflação volte a incomodar as autoridades nacionais. Mas, finda as comemorações natalinas, o país precisaria construir um plano de longo prazo, para não continuar improvisando medidas monetárias de combate às injunções de cada momento econômico.

sábado, 12 de novembro de 2011

A próxima semana será muito curta

Promessa é dívida, Berlusconi.
Na Europa, a aprovação de medidas orçamentárias pelo Senado italiano, pode acalmar os ânimos na próxima semana. O primeiro ministro italiano prometeu renunciar após a aprovação das medidas. E promessa é dívida, acredita o mercado.
Na Grécia, Lucas Papademos, com a credibilidade de vice-presidente do Banco Central Europeu foi empossado chefe do novo governo de coalizão, e deverá levar a cabo as reformas exigidas para  a concessão do pacote adicional de ajuda àquele país, de 130 bilhões de euros. O encaminhamento dos problemas desses dois países também pode levar o mercado a um novo momento de otimismo. A Europa precisaria ainda recuperar a renda e o consumo para provocar uma ampliação dos investimentos privados. Oxalá isso possa acontecer pelas mãos da Alemanha e da França. Caso contrário, 2012 e 2013 terão garantidos uma recessão econômica que há muito tempo não se via por lá.
Da China e do Japão não se espera maiores novidades essa semana. A China continuará a administrar o seu pouso suave e o Japão continua o esforço por uma decolagem, ainda mais suave. A Ásia, tirantes seus terremotos e tsunamis, está mais para uma economia em estado Zen, nessa próxima semana.
O Brasil estará de férias até 4ª. feira. Afinal, a república é coisa que entrou na moda nesses últimos tempos. Aproveitando a galeria construída entre o final de semana e o feriado da proclamação, o governo federal, laico e republicano,  pode estar incubando alguma surpresa no campo do crédito ao consumidor. Arrepia-me pensar no recrudescimento inflacionário face ao pensamento ao desenvolvimentista reativo e não planejado, que tomou conta desse país.
Quando a semana começar tudo vai parecer quarta-feira de cinzas. E para Berlusconi estará se iniciando uma extemporânea quaresma individual.

A semana passou 2

A semana, no Brasil, indicou direções a seguir
O Ibovespa não descolou nessa 6ª. Feira e acompanhando os mercados internacionais subiu 2,14%, atingindo os 58.546 pontos. Mesmo assim, nessa semana, o índice apresentou uma queda de 0,21%.Mas não se entusiasme com a alta de sexta feira. O volume negociado foi muito acanhado: míseros R$ 4,95 bilhões. O investidor não movimenta suas posições e também não demonstra ânimo para entrar com dinheiro novo na bolsa brasileira.
Embora a economia norte-americana tenha apresentado indicadores mais alentados, o dólar no Brasil ainda caiu nessa 6ª, feira,  fechando cotado a R$ 1,7440. A queda no dia foi de -0,97%, mas, na semana, a moeda subiu 0,29%.
Por outro lado, o anúncio de que o IPCA, de outubro, desacelerou de 0,53%, em setembro, para 0,43% trouxe algum alento em relação à nova política monetária do Banco Central. Mesmo considerando que a inflação dos últimos 12 meses esteja em 6,97, acima do teto da meta, o mercado espera por uma inflação anual de 6,5%, no limite superior da meta fixada.
O emprego na indústria cresceu muito modestamente, no último mês: apenas 0,4%.
Nesse isntante, as medidas macro prudenciais começam a ser revisadas. Já se fala em um novo ciclo expansionista do crédito e em novas reduções na taxa básica de juros. Não pode, contudo, ser esquecida a necessidade da desvalorização do real, como uma condição importante para estancar o processo de desindustrialização brasileiro. O estado perecisa assumir seu papel de indutor e ampliar os investimentos nos setores estratégicos nacionais.

A Semana passou

Notícias boas e ruins se sucederam
na semana que passou
A crise européia  já tinha gravidade suficiente. A entrada, agoa definitiva, da Itália no radar dos agentes econômicos, trouxe uma percepção mais contundente acerca da existência de suas possíveis soluções. O Brasil entendeu, finalmente, que esse cenário e suas incertezas prromoverão impactos negativos, e não desprezíveis, sobre o crescimento, a oferta de emprego e a oferta de empregos.
O mercado de juros passou a apostar na queda da taxa Selic, e o DI, para vencimento em janeiro de 2013, já projeta taxa de juros de um dígito. Juros mais baixos e crédito mais abundante para o consumo passaram a ser as novas convicções sobre a direção da política contracíclica nacional.
A inflação essa semana deu sinal de arrefecimento. Portanto, na convicção geral do mercado, alta de preços não será problema nos próximos meses.
A produção industrial de setembro veio com queda forte: -2,0%. O varejo teve desempenho modesto, mas positivo: 0,4%. O desemprego deve acentuar-se, mas, por ora, apenas de forma discreta.
As commodities agrícolas iniciaram um novo período de recuperação de preços. O caso mais evidente, nessa semana, diz respeito ao preço da soja.
Os indicadores econômicos norte-americanos acenam com perspectivas mais animadoras. Os dados sobre consumo, crédito e renda renovam esperanças, pressionam a valorização do dólar em todo o mundo e no Brasil, mas ainda não autorizam pensar em um ciclo de recuperação definitivo.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Câmbio, outra vez

Tendência é de fluxo cambial negativo
até o final de 2011
Veículo: DCI   -   Data: 10/11/11
Para especialistas, retirada de US$ 134 milhões no mês passado é resultado da crise internacional e da percepção de risco no mercado doméstico
O Banco Central (BC) divulgou ontem que o fluxo cambial registrou saída líquida de US$ 134 milhões em outubro. Trata-se da primeira retirada de dólares desde junho deste ano, quando US$ 2,55 bilhões saíram do País.
Em outubro, o fluxo financeiro — que inclui os investimentos estrangeiros diretos e os recursos para aplicações financeiras, além das remessas de lucros e dividendos e empréstimos tomados no exterior — registrou saída de US$ 2,002 bilhões. De acordo com o Banco Central, a retirada de recursos foi gerada porque as transferências para o exterior somaram US$ 29,268 bilhões e foram superiores aos ingressos no período, de US$ 27,266 bilhões.
Já a conta comercial acumulou entrada líquida de US$ 1,868 bilhão no mês passado. A explicação da autoridade monetária é que o resultado foi devido aos contratos de câmbio para exportação que somaram US$ 21,552 bilhões e foram maiores que os US$ 19,684 bilhões obtidos com as importações.
Com relação à conta comercial, na qual são fechados os contratos de câmbio para operações de exportação e importação, houve o ingresso de US$ 1,86 bilhão no País no décimo mês de 2011. A explicação é que, com a subida da cotação do dólar, exportadores podem ter aproveitado para "internalizar" os recursos e obter mais reais.
O diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Grisi, entende que a saída de dólares do mês passado foi devido à retirada de empresas com sede no exterior impactadas pela crise internacional. E porque há uma percepção de risco no cenário da crise. "Outubro foi um mês conturbado, por causa da turbulência em países europeus e porque houve uma desconfiança dos investidores no controle da inflação brasileira. E se aumentar a pressão inflacionária, que está na casa dos 6,60%, é possível que ocorra uma desconfiança ainda maior", esclarece.
Na opinião do professor de Economia do curso de Administração da ESPM, José Eduardo Balian, o fluxo cambial de outubro foi pontual. Segundo ele, há uma influência da crise externa para ocorrer a necessidade de retirar dinheiro do Brasil. "Contudo, o impacto do cenário internacional ainda é uma marolinha no Brasil", diz.
No ano
Com a inércia de outubro, o fluxo cambial permaneceu negativo na primeira semana de novembro. O período entre os dias 1º e 4 deste mês registrou saída líquida de US$ 36 milhões. O fluxo financeiro na primeira semana ficou negativo em US$ 233 milhões, decorrente de vendas de US$ 3,693 bilhões e compras de US$ 3,460 bilhões. Já o fluxo comercial foi positivo em US$ 197 milhões (US$ 2,437 bilhões de exportações e US$ 2,240 bilhões de importações).
Porém, de janeiro a novembro, até o dia 4, o fluxo cambial é positivo em US$ 68,128 bilhões, o que mostra que mesmo com o resultado de outubro ainda há mais entrada, do que retirada de dólares do País.
Essa parcial do ano representa um crescimento de cerca de 180% comparado ao registrado em todo o ano de 2010 (US$ 24,35 bilhões). Por enquanto, esse saldo é o segundo maior da história, a perder apenas para 2007, que registrou de janeiro a dezembro ingresso de US$ 87,45 bilhões.
Tendência
Os especialistas divergem sobre a tendência para o fluxo cambial e seu impacto no câmbio. Para Balian, depende muito do que irá acontecer com a Europa. Ou seja, qual solução para o endividamento grego e de outros países, como a Itália.
O professor da ESPM acredita que haverá uma menor entrada de dólares no País, nos próximos meses até pelo menos o primeiro semestre de 2012, em função de menores condições financeiras de estrangeiros de ampliar investimentos e pela queda na venda de commodities pelo Brasil. "No caso das saídas, é prematuro fazer projeções. Primeiro, porque a taxa de juros (Selic) é uma das mais altas do mundo. Mesmo que caia para 9% em 2012, que é possível, ainda vai ser atrativo", complementa Balian. Atualmente, a taxa básica de juros está em 11,50%.
Neste contexto, ele observa que o câmbio vai ter oscilações, mas vai ficar por volta de R$ 1,65 por dólar.
Por outro lado, Grisi prevê que haverá uma continuidade de retiradas da moeda americana, por causa da sazonalidade do final do ano. "A demanda gerada pelas festas do final do ano fazem com que a indústria tenha que elevar as importações. Além disso, vai ocorrer o fechamento dos balanços fiscais das empresas. Desta forma, muitas terão que enviar lucros e dividendos para suas matrizes, o que provocará esse fluxo negativo no Brasil", diz. "Contudo, essas saídas não devem ser tão expressivas quanto foi em outubro", acrescenta.
Neste quadro, diferentemente de Balian, o diretor-presidente da Fractal espera que o câmbio deve chegar na casa dos R$ 1,90 por dólar em dezembro.
Segundo o boletim Focus, do BC, o mercado projeta que o câmbio irá fechar em R$ 1,75 ao final de 2011, mesmo patamar aguardado em dezembro de 2012.

Estados Unidos reage

Até o consumidor se animou
O índice de confiança do consumidor, medido pela universidade de Michigan, surpreendeu a todos com um resultado em crescimento 3,3 pontos de crescimento em relação à medida anterior. A primeira prévia para o mês de novembro atingiu 64,2 pontos, apontando para a aprovação popular do plano de emprego de Barak Obama, mesmo tendo sido reprovado pelo Congresso norte-americano.
Sem dúvida, a economia dos Estados Unidos vinha apresentando melhoras no mês de outubro. Em várias postagens anteriores registramos essa evolução positiva e recente. Embora não se possa falar em uma tendência firme, esses número sugerem o início de uma nova recuperação econômica nos Estados Unidos. A consequência mais imediata seria a valorização de sua moeda face às demais moedas fortes, sugerindo a redução das pressões inflacionárias global e local.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Nas crises, o comportamento dos agentes é o mesmo

O fluxo cambial de outubro é negativo
em US$ 134 milhões
Os dados são do Banco Central que monitora diariamente o movimento de entradas e saídas de dólar no país.
Na primeira semana de novembro,  o fluxo cambial permanece negativo, 
em US$ 36 milhões. A explicação para isso é o aumento das remessas feitas a título de dividendos e de repatriação de capitais especulativos, em renda fixa ou em bolsa.
No campo comercial, o superávit foi de US$ 197 milhões.
Em função da crise internacional, o Brasil importa e exporta quantidades menores e os resultados financeiros da operação comercial tendem a cair. Mas, com a aversão a risco aumentando, o mercado financeiro reage com maior vigor. Nesse caso, não é só a crise. A inflação em crescimento tem assustado muito aos investidores. Temem que a estabilidade monetária tenha sido deixada à margem por um governo que prioriza o crescimento e abandona a austeridade monetária, não se dando conta dos problemas fiscais produzidos e pelo excesso de gastos públicos.
Taí o resultado.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Inflação ainda está vacilante

Preços assumem direção opostas. Desaceleração é evidente.
IGP-DI, da FGV, de outubro, conforme mostrou-se ontem, caiu de 0,75% em setembro para 0,40%, em outubro.Em seguida, vieram notícias que davam conta da desaceleração do ritmo da atividade econômica no Brasil:
1) A CNI apontou que a utilização da capacidade instalada caiu de 82,2% para 81,6%, enquanto as horas trabalhadas na indústria tiveram um recuo de 1,3%, no mês de setembro referente a agosto.
2) A CNI ainda anunciou que o emprego na indústria recuou 0,3% nesse mês, mas cresceu 1,1% nos últimos 12 meses. O índice de Vendas Reais cresceu 1% em relação agosto e 4,1% contra setembro do ano anterior.
3) O IPC-S foi subiu 0,34% na quadrissemana encerrada dia 7. Na última semana de outubro a alta foi de 0,26%.
Conclusão: não se pode confiar que a redução da atividade econômica, por si só, reduza a inflação. O IPC-S já mostrou um suspiro precocemente saudoso. Baixar juros pode ser um importante instrumento contracíclico, entretanto será preciso acompanhá-lo de cuidados com a política de gastos públicos e com a política expansionista do crédito.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Terra em transe

A sofrida Europa volta a ter juizo
A situação da Itália inspira cuidado. Os juros de títulos soberanos do país estão atingindo recordes históricos. Pela manhã já estava acima de 6,5%. O problema agora é conhecer o tamanho do “buraco” a ser coberto. Imagina-se que tenha uma dimensão tão grande que dificilmente o socorro que a União Europeia teria disposição para oferecer seria suficiente para equilibrar as contas italianas.
Para piorar, o Parlamento italiano votará o orçamento de 2012, tendo um desprestigiado Silvio Berlusconi na chefia do estado e um Banco Central Europeu muito cético em relação às compras que precisariam ser feitas dos bônus da Itália.
A Grécia corre um pouco à frente e dá o exemplo à Itália. Já espera por um novo primeiro ministro.
O clima é, em toda a Europa, de redução de dívidas. A França anunciou ontem um pacote de austeridade para 2012. A meta para é de um déficit nominal de 4,5% do PIB, que implica corte de € 7 bilhões. Para isso, a França fará aumentos de impostos que recairão sobre um conjunto de produtos e serviços. Para completar, fará a mudança da idade mínima de aposentadoria, de 60 para 62 anos, em 2017.

Os preços

IGP-DI em forte desaceleração
O IGP-DI de outubro apontou alta de 0,40%, desacelerando substancialmente em relação a setembro, onde a alta havia sido de 0,75%.
A desaceleração ocorreu nos preços ao produtor e, simultaneamente, nos praticados no varejo. O IPA agrícola entrou em deflação: -0,63%, em outubro. Em setembro, a inflação no setor agrícola registrada pelo IPA havia sido de 1,85%. O que se espera é que a inflação se amplie moderadamente nos próximos dois meses em função da recuperação dos preços das commodities agropecuária e com um certo recrudescimento dos preços ao consumidor, proveniente das festas de final de ano.
O IPA industrial, também desacelerou. Os produtos alimentícios foram o destaque mais relevante.
O resultadogeral representou uma forte desaceleração em relação ao mês anterior, embora a construção civil tenha resistido à queda.
Em 12 meses, o IGP-DI acumulou alta de 6,78, fora do centro da meta, portanto. Ainda é cedo para considerar a inflação dominada, mas ela acusou um momento de perda de vigor da atividade conômica nacional.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O Brasil de costa para a América Latina

Ausência de política para o
comércio exterior brasileiro
O Peru decidiu apresentar uma queixa formal contra o Brasil na Organização Mundial do Comércio. A razão alegada é a construção de barreira técnica à entrada da “sardinha peruana”, a anchoveta, no Brasil.
A base para a reclamação é o Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio  da OMC. Os Peruanos consideram protecionismo brasileiro a limitação imposta pelo Brasil da venda de sua "sardinha" aqui no país. Do lado brasileiro, as autoridades afirmam que o peixe peruano pode entrar com a classificação de anchoveta, mas não como sardinha.
Do ponto de vista da classificação científica, o Brasil está certo. Mas, fica em jogo um pouco mais do que a mera questão de nomenclaturas classificatórias, que, em si, é problema de fácil solução. Estamos diante de um vizinho, com quem dividimos uma área fronteiriça de proporções não desprezíveis e que tem na pesca um de seus poucos produtos exportáveis. Na região, o Peru alcançou a posição de grau de investimento, até um pouco antes do que o Brasil, a custo de um gigantesco esforço fiscal. Naturalmente,  assumiu para isso custos sociais também muito grandes e luta, como nós, para minimizá-los. Por fim, trata-se de um comprador regional de produtos brasileiros de alguma expressão e que vendeu ao Brasil apenas US$ 4 milhões dessas sardinhas em 2010.
Essa disputa não interessa ao país, sob nenhum aspecto que se analise. Só mesmo a falta de sensibilidade política e a desestruturação da política de comércio exterior poderiam dar guarida às razões alegadas por empresários, varejistas brasileiros, interessados no mercado das merendas escolares.
Protecionismo de má qualidade, patrocinado pelo Ministério da Pesca para proteger a indústria nacional e as prerrogativas cartoriais dos Ministérios ligados à questão. Fica à margem das discussões o problema da taxa de câmbio que prejudica o produtor nacional e que parece um mito gerencial, tido como problema insolúvel. À margem fica também os aspectos da pesca artesanal, pór si só, não competitiva e pela baixa produtividade do setor industrial nessa área.
O protecionismo se sustenta em afirmações como a quantidade de emprego que o setor  oferta para o trabalhador brasileiro: 20 mil pessoas. A argumentação se estende ainda pelo campo dos preços, onde se supõe que o Peru seria capaz de exportar grandes volumes dessa "sardinha" e colocar o produto abaixo de R$ 1,00 no supermercado. A indústria brasileira não teria condições de competir com esses preços, embora o consumidor nacional viesse a ser beneficiado com a redução de seus gastos  na aquisição de proteinas
Ineficiências precisam ser sanadas no bojo dos sistemas econômicos. Vizinhos pobres precisam ser apoiados para reduzir suas misérias internas, sem lembrar que o desejo brasileiro de consolidar uma liderança regional solicita do país atitudes de harmonização política e da definição de complementaridades econômicas. Já bastam os últimos incidentes politicos e diplomáticos com a Argentina, Parguai, Bolívia e Venezuela.
O Brasil não pode continuar de costa para a América Latina.

domingo, 6 de novembro de 2011

A semana no mundo

Volatilidades e oscilações deixarão
o mundo instável
As possibilidades de default continuarão pairando no ar. Com a descoberta de 29 bancos impondo riscos sistêmicos ao mundo,  as reações tendem a ser mais vigorosas. Os bancos estão identificados e como seus resultados financeiros são publicados, amanhã os analistas começam a refazer seus trabalhos de avaliação sobre eles. As rolagens das dívidas soberanas vão ficar mais caras.
Na Ásia, a China será o centro das atenções outra vez. Solta uma série de índices sobre sua economia. São esperados o recuo da inflação e mais uma desaceleração de seu crescimento. Entretanto, esses números podem não convencer, se o crédito mostrar o mesmo ritmo de expansão.
Na América do Norte, permanece a expectativa sobre a confirmação do crescimento do consumo e, como serão publicadas informações sobre o crédito ao consumidor de setembro, espera-se pelo crescimento dos volumes emprestados, depois de um período em que as famílias se desalavancaram.
Dados sobre a política monetária, na Inglaterra, deverão revelar um país em plena superação de seus maiores problemas.
Portanto, tudo sugere uma semana com notícias boas e notícias ruins. Vamos ver quais serão as primeiras a serem dadas ao mercado. Daí para frente, ele flutuará conforme o humor dos investidores.

Os impactos da recessão mundial desembarcam no Brasil

Indicadores da atividade econômica brasileira mostram reduções, no mês de  setembro
O setor de serviços, depois de tanto tempo, veio com queda. As vendas no varejo do mês de setembro, também devem apresentar-se em queda nessa semana. Da indústria já falamos em postagens anteriores.
O Banco Central deve dar a conhecer o IBC-BR com novas quedas. Tal seria se as commodities viessem, em plena desaceleração, sem reduções de seus preços e quantidades. A culpa será fundamentalmente atribuída às commodities metálicas, cujos “tombos” são muito maiores que as reduções das agrícolas.
Para agravar a situação, nossa previsão sobre a inflação permanece. Novas pressões sobre os preços devem ser reveladas com a publicação do IPCA em alta próxima a 0,40%, em outubro.
O IPCA deve acumular alta de quase 7,0%, nos últimos 12 meses, acima do centro da meta de 4,5%.
É triste reconhecer a permanência da inflação quando a desaceleração se acentua. Triste ver abandonada a política de metas inflacionárias. Triste ver a arrecadação crescer tanto e não constatar o corte no custeio público.

Não foi só discurso.

G 20: discursos fortes escondem
decisões importantes
O G20 anunciou a necessidade de nova regulação do mundo financeiro mundial. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, criticou severamente a existência dos chamados paraísos fiscais e disse que tais países devem ser remetidos ao ostracismo pela comunidade internacional. Barak Obama não deixou por menos e declarous enfático “tenho certeza de que a Europa é capaz de viver de acordo com estes desafios". Parecia apenas discurso.
O clima era de encerramento de reunião de cúpula e, como tal, requeria manifestações decisivas. Entretanto, à margem do espetáculo fraseológico, o G20 publicou uma lista de onze países que não cumprem as normas internacionais na área tributária internacional. Entre eles, estão incluídos a Suíça e Liechtenstein, com algumas "reservas".
Reguladores também identificaram 29 grandes bancos, chamados de "sistêmicos" por sua dimensão econômico-financeira, e que, por isso, constituem-se em risco expressivo para o mundo, em caso de suas quebras. Esses bancos serão objeto de um conjunto de medidas para torná-los mais resistentes a choques futuros. O UBS e Credit Suisse aprarecem entre eles.
São bancos, considerados tão grandes que seu colapso ameaçaria a economia mundial. Isso inspira uma nova e mais severa legislação, tornnado-os sólidos o suficiente para não se sujeitarem a crises financeiras, nem abandonarem os financiamentos de suas aventuras aos estados nacionais e aos seus contribuintes.
O mundo ganhou um novo presidente para o Conselho de Estabilidade Financeira, conhecido pela sigla FSB.

Trata-se do governador do Banco Central Canadá, Mark Carney, homem com um histórico bem sucedido no mundo financeiro de seu país.
 A Vice-presidência dessa organização de supervisão do sistema bancário retorna ao presidente internacional do Banco Naiconal Suiço, Philipp Hildebrand.
Com determinação do G20, é de se esperar por mudanças profundas nas regras bancárias e, sem dúvida, uma limitação forte nas operações especulativas, que costumam produzir altos lucros e grandes quebras.

sábado, 5 de novembro de 2011

O cachorro e seu rabo

Banco Central Europeu reduziu
a taxa de juros para 1,25%.
No  segundo dia como presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi anunciou a redução da taxa de juros  para 1,25%. A suposição implícita nessa decisão é que o nível de atividade econômica, principalmente o da produção industrial, esteja surpreendendo negativamente os agentes econômicos daquela região. O corte dos juros foi de 0,25% e, como no caso brasileiro, deixou à margem a alta dos preços.

A inflação na Europa bateu, no mês passado, 3,0%. A decisão foi justificada pelo entendimento da autoridade monetária europeia de que o movimento inflacionário é meramente temporário e que sua tendência é de reduzir-se a 2%, em 2012. Portanto, inauguramos uma nova nomenclatura econômica: inflação temporária. Uma espécie de “aguente, que daqui um pouco passa.”
Draghi crê nisso e constrói novas expectativas de corte ainda para dezembro desse ano. Os mercados já falam em mais 25 pontos, no primeiro trimestre de 2012.
Francamente, em matéria de política econômica o limite entre audácia e irresponsabilidade é muito tênue. As margens de lucro na Europa estão muito reduzidas e juros baixos estimulam sua recomposição por meio de repasses aos preços finais, induzindo a novas altas e anulando os efeitos dos baixos juros.
É a renda que precisa crescer. Mas ela depende  do nível de emprego e de sua remuneração que, por sua vez, dependem dos investimentos. Investimentos não são feitos se não houver consumo. Consumo só existe se houver renda. Com isso, o cachorro fica correndo atrás do rabo e o empobrecimento está garantido.
Como quebrar o ciclo? Até agora, na teoria econômica, a resposta tem sido apenas uma: a volta do estado indutor.
Portanto, socorros são insuficientes. Os estados precisam voltar a investir.

Recuperação continua semm solução


Reativar a demanda  é a promessa atual do G-20
A intensificação dos investimentos foi acordada no âmbito do G-20, com o objetivo de ampliar o consumo. Em termos econômicos, apenas abriu-se um guarda roupas velho. Ali foram encontradas roupas usadas, com a mesma forma do corpo. Nada de novo.
A imagem reproduz uma idéia sobre a mesmice, descrita em versos de Fernando Pessoa. As quatro maiores potencias mundiais decidiram reativar suas demandas internas objetivando afastar a ameaça de recessão nos países desenvolvidos. Para isso, comprometem-se a expandir os níveis de investimentos públicos e privados.
Um conto de carochinha, que desrespeita limites e possibilidades da realidade econômica de cada país. Os Estados Unidos reprovaram dias atrás o plano proposto pela Administração de Obama, baseado medidas fiscais e a realização de obras públicas. O Japão já está em plena reconstrução das áreas atingidas pelos terremotos de março, desse ano. São investimentos grandes que já se iniciaram e não foram, pelo menos ainda, capazes de aumentar o consumo do povo japonês, poupador e entesourador contumaz. A China mostra-se disposta a flexibilizar sua moeda. Não falou em valorizá-la e nem comprometeu-se a prazo algum. Subentendeu apenas que manteria a política de flexibilização do Yuan.
Também não se salvou a proposta alemã. Angela Merkel anunciou que tomará medidas para incrementar o consumo interno e eliminar ineficiências que reduzem o nível de investimento e ampliam o nível de poupança, demasiado alto. Não disse como.
São palavras ao vento, sem nada de concreto. Os líderes mundiais manifestaram suas intenções sobre ideias já conhecidas para compor seus discursos finais no encerramento do G-20, nesse sábado.
O mundo ficará como está. O FMI e seus recursos remanescerão como a única fonte de esperança para a economia mundial. Que draga!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A vida social precisa ser respeitada

Inívíduos e grupos não podem sobrepor-se
aos interesses sociais
As autoridades reguladoras conseguiram alarmar um pouco mais o mundo. Tardiamente identificaram uma lista de 29 bancos, com risco sistêmico; isto é, se quebrarem levam o mundo de arrasto.
São instituições financeiras cujos tamanhos são de tal ordem que podem “por o mundo abaixo”.
Anunciar isso agora é um verdadeiro atestado de incompetência. Ou de má fé. Omissões tão intoleráveis quanto o descabimento das ações desses bancos.
São dezessete entidades europeias, oito norte-americanas e quatro asiáticas, conforme anuncia o Conselho de Estabilidade Financeira, em plena reunião do G20, na cidade francesa de Cannes. Cannes lembra-nos festivais, mas de outra natureza.
Vamos a alguns nomes: 1) na França: BPCE, BNP Paribas, Crédit Agricole e a Société Générale; 2) na Alemanha: Deutsche Bank e o Commerzbank; nos Estados Unidos: o Goldman Sachs, o JP Morgan e o Citigroup; 3) na Ásia: o Banco da China. Impossível admitir a impunidade , nesses casos.
É triste reconhecer que, nesse ambiente, "não há freiras". O que aparece diante da população são apenas banqueiros gananciosamente irresponsáveis.
Não há como tolerar a irresponsabilidade dessas instituições.
O custo social que impõem à sociedade pede punições aos seus acionistas. Os modelos mais avançados de governança corporativa sugerem que empresariar corresponde a uma delegação que a sociedade faz a controladores. É preciso fazê-los falir, de fato e de direito. A lição deve ser definitiva.
Por omissão, devem ser punidos os reguladores e os fiscalizadores. Não basta equacionar os problemas financeiros e econômicos. Será necessáro criar uma regulação que proteja instituições, sociedade e indivíduos.
Equilíbrio e respeito, por todos, devem ser a regra do novo modelo de convívio social que precisamos definir para o mundo pós 2008. Inspirar-se no modelo brasileiro pode ser um bom caminho para os sistemas financeiros mundiais.

Imprudência grega

A solução para a Grécia passa por um
elevado o custo social
Entrevista para o Boletim exclusivo da La Presse, nessa sexta-feira.
A La Presse é um fato novo e auspicioso na paisagem do jornalismo econômico brasileiro.
Vejam:
http://www.lapresse.tv.br