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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Incertezas

Por que o investidor recua
A balança comercial reage lentamente às desvalorizações cambiais. O crescimento deve ser em 2015 menor que -1,5% e o câmbio deve chegar a R$ 3,50. Para 2016, o crescimento deve estar em 0% e a inflação acima de 6,5%. Nesse momento, políticas microeconômicas, como a otimização tributária, poderiam dar algum resultado.  A grande dificuldade nesse momento é definir uma estratégia que possa quebrar o ciclo de alta de preços tão resistente. O esforço do governo permanece concentrado em não perder o grau de investimento e o ajuste tem perseguido esse objetivo. Vive-se um momento difícil. A GM fechará cinco fábricas no Brasil. O presidente da Mercedes Benz se diz emparedado e manifestou-se, de maneira inusitada, impotente diante do quadro econômico instalado. As demissões se aceleraram muito no último mês e logo deverá alcançar o setor de serviços. O governo protege o cidadão como se ele fosse um hipossuficiente, desequilibrando as contas públicas. Com isso, os empresários temem, em um prazo mais longo, alcançar-se um momento de ruptura. As taxas de financiamento da dívida pública estão custando ao governo inflação mais 6,5% ao ano. Trata-se de uma taxa de default.

sábado, 27 de junho de 2015

Ironias econômicas

O mercado corrige
O processo de desindustrialização precoce da economia nacional reflete o baixo investimento realizado e a política de valorização do câmbio, voltada exclusivamente ao combate à inflação. Reflete também as altas taxas de juros e à redução da desoneração das exportações. A produtividade do trabalhador não avança. Sem investimentos não é mais possível melhorar a relação Produto/Trabalhador. A capacidade desse trabalhador em operar o capital (máquinas, equipamentos, etc) disponibilizado à produção, cada vez mais sofisticado, também está estagnada. Na comparação de 12 meses encerrados em março, a queda da produtividade, segundo o IBGE, foi de 1,5% e o salário real na indústria cresceu 1,1%, evidenciando que a variável chave para o ajuste é o salário real.
Emprego, salário e produção
Indicadores
Índice em 12 meses
Emprego
-3,9
Número de Horas Pagas
-4,6
Produção
-6,1 
Salário médio
  1,1 
Produtividade
-1,5
          Fonte: Pimes/IBGE
O indicador do número de horas pagas pela indústria vem se deteriorando no acumulado em 12 meses. Registrou baixa de 4,5% em março. Os investimentos deverão apresentar queda de 8% esse ano e de 4% nem 2016. A taxa de investimento da economia brasileira em 2014 ficou em 19,7%, menor patamar desde 2009, quando ficou em 19,2%, segundo o IBGE. O ajuste dos salários trará produtividade ao sistema econômico. Irônico, não?


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Aviso aos navegantes

Investimento Externo Direto mudou de nome
Decidir sobre investir no Brasil requer uma avaliação do ambiente de negócios. Nesse momento, há razões de sobra para explicar a redução desses investimentos no país: altos impostos corporativos, a demora para se abrir e fechar um negócio, o custo elevado dos trâmites burocráticos, a ainda frágil governança corporativa. Esses elementos tornam o país menos atraente para o investimento direto. Onde está o olho do investidor, portanto? Na carga tributária, encargos sociais e legislação trabalhista, na defasagem da educação e da saúde, na ineficiência da infraestrutura em áreas como transportes, telecomunicações, energia e, sobretudo, no excesso de regulamentação econômica a que seus investimentos se sujeitariam ao dar entrada no Brasil. Todas as avaliações são convertidas em custos para a tomada de decisão. Custos de mão-de-obra, custos gerados pela ineficiência da infraestrutura de transportes (com ênfase no sistema portuário), tributação e regulação, etc. O Investimento Direto no País (IDP) registrou entrada líquida de US$ 5,8 bilhões no mês de abril, comparado à entrada de US$ 4,3 bilhões em março. Com isso, nos últimos doze meses, até abril, acumulou entrada de US$ 86,1 bilhões, o equivalente a 3,89% do PIB. As entradas de renda fixa e de ações, por sua vez, foram positivas em US$ 3,5 milhões e US$ 3,8 bilhões, respectivamente. Em maio, o Investimento Externo Direto no País registrou, em maio, entrada líquida de US$ 6,6 bilhões, comparado à entrada de US$ 5,8 bilhões em abril. Dessa forma, nos últimos doze meses até maio, o IED acumulou entrada de US$ 86,1 bilhões, o equivalente a 3,89% do PIB. As entradas de renda fixa e de ações, por sua vez, foram positivas em US$ 1,1 bilhão e US$ 2,1 bilhões, respectivamente. O que estaria motivando o investidor internacional a trazer seu dinheiro, ou parte dele, para uma país economicamente tão frágil? Também, para isso, há razões de sobra: buscam realizar transferência de tecnologia, integração vertical ou horizontal, superar restrições às importações, obter subsídios e financiamentos governamentais, ou ainda aproveitar de fatores de demanda, fatores de custo, abrir mercados, garantir o aprovisionamento ou menor custo de aquisição de matérias-primas, diversificar ou minimizar riscos, integrar algumas de suas operações, utilizar conhecimentos já existentes, aproveitar situações cambiais, aprofundar relações com outras multinacionais existentes por aqui, obter economias em operações sincronizadas, obter vantagens de Marketing, obter vantagens administrativas ou algumas outras vantagens específicas. Do cotejo das vantagens com as desvantagens saem as decisões de investimentos. E aí o Brasil continua a ser uma alternativa interessante. Por fim, observo que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) na nota de Contas Externas brasileiras, divulgada pelo Banco Central, passou a se chamar Investimento Direto no País (IDP). A mudança de nomenclatura faz parte das alterações implementadas pela instituição para acompanhar a nova edição do manual de balanço de pagamentos do Fundo Monetário Internacional (FMI). A última revisão ocorreu em 2001. O Investimento Brasileiro Direto (IBD) também mudou e agora passa a se chamar Investimento Direto no Exterior (IDE).


segunda-feira, 22 de junho de 2015

É preciso reagir

No centro decisório não se admite paralisação
O IPCA-15 atingiu um patamar absurdo. 0,99 em junho. Considerada a atual taxa básica de juros da economia nacional, estamos diante de uma inflação muito alta. Enquanto a alta dos preços prospera, os investimentos estão no campo dos números negativos. Fala-se abertamente em desinvestimentos em uma parte considerável dos setores econômicos. O Banco Central provavelmente continue a insistir em sua política monetária restritiva, dando a entender que o Copom adicionará mais 0,5% a Selic, em sua próxima reunião. O câmbio ainda não produziu seus efeitos no comércio exterior brasileiro que apresentará esse mês novos déficits. O investimento externo direto deve acabar junho entre 4,0 a 4,5 bilhões de dólares. O IBGE deve trazer a taxa de desemprego de maio também crescente e já se aproximando dos 7,0%. O Caged mostra o fechamento de mais 115 mil postos formais de emprego, no mês de maio. Não há espaço para o imobilismo econômico. O governo precisa repensar sua política de juros altos, seus gastos com o custeio da máquina pública, acelerar uma reforma administrativa, rever a questão da previdência evitando a extinção o fator previdenciário, dar força aos investimentos que aumentem a produtividade geral do sistema. Preocupa o descaso com decisões urgentes. É preciso reagir.

quinta-feira, 18 de junho de 2015

O mercado ajusta, se o governo não ajustar

Inflação ainda é alta e o Câmbio ainda é baixo
Seria bom lembrar que se o ajuste demora muito ou é insuficiente, ele se faz espontaneamente via câmbio. Subir juros parece ser uma estratégia exaurida. Que tal mexer nas despesas de forma mais incisiva? A Fundação Getúlio Vargas publicou os números da segunda prévia do IGP-M de junho. A alta foi de 0,59%, pouco acima das previsões mais pessimistas. O IPA agrícola mostrou queda de 0,30%, reduzindo as pressões inflacionárias anteriores. O grupo alimentos deve dar trégua até o final desse mês. Depois disso, ele voltará a pressionar os preços. O IPA industrial, entretanto, apresentou-se em alta mais forte de 0,60%. O IPC e o INCC agravaram sobremaneira o IGP-M nessa 2ª prévia e devem pressioná-lo ainda mais, até o final do mês. O saldo do fluxo cambial da segunda semana de junho foi negativo de US$ 1,089 bilhão. No mês, o déficit é de US$ 647 milhões. Os números guardam um recado ruim: o câmbio ainda precisa desvalorizar-se mais, para a Balança Comercial reagir.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Preços das commodities em equilíbrio

Estabilidade no mercado das commodities 
O declínio acentuado do Bloomberg Commodity Index parece ter chegado ao fim. O índice que sintetiza a evolução dos preços das commodities agrícolas e minerais, das quais a balança comercial brasileira é fortemente dependente, está relativamente estável.
Conforme mostra o gráfico e o cometário, que me foram enviados pelo amigo Celso Miori, "esse declínio, observado a partir de 2011, ficou contido nos últimos meses. Desde fevereiro de 2015, apresenta-se em relativa estabilidade, amenizando os efeitos perversos do momento anterior sobre a economia nacional."

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Planos de exportações são para o longo prazo

O Plano para o Comércio Exterior pode promover efeitos no longo prazo
O crescimento econômico dos Estados Unidos tem apresentado comportamento vacilante, nesses últimos tempos. Os indicadores econômicos apontam para um arrefecimento no ritmo da atividade. Para o Brasil isso é, sem dúvida bom, pois adia qualquer decisão que o Fed queira tomar em relação a alta dos juros internos, reduzindo as temidas pressões cambiais derivadas da política monetária norte-americana. Por outro lado, prejudica nossas exportações de manufaturados. Ainda pensando no Brasil, a declaração da OCDE, dando conta de uma recuperação mais forte na Itália e na França, não provoca otimismo. A Europa vive um momento de protecionismo extremo. Portanto, mesmo que seu crescimento seja consistente, dificilmente o Brasil colheria frutos desse movimento no curto e médio prazo. Quem sabe, mais à frente, a Alemanha e a Grã-Bretanha possam revelar oportunidades mais palpáveis. Novos acordos comerciais poderiam ser úteis nesse momento. Na Ásia, o Japão apresenta aceleração muito modesta em seu nível de atividade, enquanto a China se mantem em queda. Se depender do mercado externo, o crescimento brasileiro estará comprometido no curto prazo.

sábado, 30 de maio de 2015

Fatos contrariam previsões

Foi um porre, nesse final de mês
O dólar avançou no mês de maio, valorizando-se 5,78%. Na última sessão nessa sexta–feira, a alta foi de 0,74%, fechando cotado a R$ 3,1873 na venda. O giro financeiro nesse dia esteve na casa de US$ 1,4 bilhão de dólares. Os analistas estão divididos em suas previsões. De um lado, afirmam que, a pressão cambial permanece no médio prazo, à medida que se aproxima o aumento de juros nos Estados Unidos e que se afasta a possibilidade de recuperação da economia brasileira. O desempenho do PIB brasileiro no primeiro trimestre do ano, anunciado pelo IBGE, foi decisivo para a formação dessas expectativas. Por outro lado, o estoque de swaps cambiais já atende à demanda empresarial por proteção, criando a convicção de que o Bacen pode rolar cada vez menos contratos daqui para frente. Em maio, o Banco Central afirma ter rolado em torno de 80 por cento dos contratos que vencerão no primeiro dia de junho. Dando apoio a essa segunda previsão, a perspectiva de alta dos juros nos EUA, que até o momento pressionava o mercado mundial de câmbio, deverá sofrer uma reversão, a partir do anúncio do fraco desempenho da economia norte-americana, nesse primeiro trimestre. A economia dos Estados Unidos apresentou-se em contração de 0,7%. Trata-se de frustração que surpreendeu o mercado que contava com alta de 0,2%. Esse resultado fez ceder a expectativa de que o FED elevará os juros do país ainda este ano. Os últimos dados sobre crescimentos nos Estados Unidos e no Brasil deixaram perplexos investidores e analistas. A queda do PIB brasileiro ficou aquém do que era previsto, surpreendendo positivamente a todos, dadas as previsões de um recuo de 0,7%. Também, ao contrário do que se previa, a forte queda do PIB norte-americano desarmou os argumentos sobre a consistência da recuperação do país e enfraqueceu a tese sobre altas nas taxas de juros daquele mercado.
O mês de maio, foi realmente um porre!

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Êta pibinho bão!

A economia não vai tão mal
O PIB apresentou queda de 0,2% no primeiro trimestre de 2015 em relação ao último trimestre do ano passado. Portanto, as coisas não estão tão ruins como os especialistas estão anunciando na mídia. Comparado ao primeiro trimestre de 2014, o produto bruto interno registrou-se queda de 1,6%. A Agropecuária apresentou um crescimento de 4,7%, embora tenha vivido um período de preços baixos. A indústria, como era de se esperar recuou 0,3% e os Serviços, para o qual se esperava desempenho mais fraco, recuaram apenas 0,7%. O PIB alcançou a cifra de R$ 1,408 trilhão. A demanda interna esfriou mesmo: consumo das famílias recuou 1,5%, consumo do governo também recuou 1,3% e formação bruta de capital fixo, caiu 1,3%. Não há razões para otimismo, embora tudo tenha saído melhor que o esperado. Na indústria, o crescimento se deu apenas nos setores de Construção Civil (1,1%) e Extração Mineral (3,3%). O bicho pegou nos setores de Transformação, com queda de 1,6% e Eletricidade, Gás, Água, Esgoto e Limpeza Urbana, tudo com recuo de impressionantes 4,3%. Nos Serviços, foram registrados os maiores recuos em Transporte, Armazenagem e Correio, com queda de 2,1%, Administração, Saúde e Educação Pública, com recuo de 1,4% e, finalmente, na Intermediação financeira e seguros, com queda de 0,8%. O comércio caiu 0,4%. As exportações cresceram 5,7% e as importações apenas cresceram 1,2%. Realmente esses números não entusiasmam. Mas, certamente, estão distantes do apocalipse.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Ajustes

Emergencial e pontual, o ajuste apenas corrige erros passados. Não planeja o futuro. 
O ajuste fiscal é irreversível, conquanto remanesçam dúvidas sobre sua profundidade e extensão. Portanto, o cenário de contração da economia é certo, restando identificar o momento em que a credibilidade do governo seja recuperada, os investimentos retomados e o PIB volte a se expandir novamente.
De início as medidas objetivaram  conter a inflação e evitar que o país perdesse o grau de investimento. Todas contracionistas: contenção inicial de gastos, aumentos de taxas de juros, extinção de subsídios e aumento de arrecadação, num ambiente cambial de depreciação da moeda nacional. O crédito tornou-se escasso com a inadimplência em patamares preocupantes. A palavra de ordem era seletividade na concessão dos empréstimos. Por fim, a operação Lava a Jato conduziu a economia para um estado de paralisação geral. Essa era a realidade no pré-ajuste. O que pensar do pós-ajuste? Não há ainda uma visão tão clara da intensidade e do tempo que o ajuste possa tomar. A redução de despesas anunciada até agora não é suficiente para cumprir a meta fiscal do ano. Quadro das contas públicas, no primeiro trimestre, já compromete o cumprimento da meta anual. O setor público consolidado no primeiro trimestre alcançou um déficit primário de 0,7% do PIB, no acumulado dos últimos 12 meses. O déficit tem causa no governo central. Estados e municípios voltaram a apresentar superávit em suas contas. Queda das receitas (arrecadação de impostos) é a principal responsável por isso, além de perdas com as compensações financeiras advindas da exploração do petróleo, uma vez que essa commodities sofreu uma intensa queda de preço. Do lado das despesas, os resultados do governo central mostram clara contenção de despesas de capital, principalmente investimentos. A lamentar apenas que o mesmo não aconteça com gastos de custeio. Trocando em miúdos, o contingenciamento está abaixo daquilo que seria necessário. Outras medidas devem chegar ainda para o final de maio. No plano internacional, Estados Unidos discute o momento para sua anunciada alta de juros. A União Europeia, apesar dos esforços do BCE, ainda não afastou de forma definitiva os fantasmas do baixo crescimento e da deflação. A China permanece em seu padrão de crescimento mais moderado. Os maiores impactos previstos para a economia brasileira estão relacionados mais claramente aos juros e câmbio. A normalização dos juros norte-americano, esperada para um prazo já não tão distante, é um fator de pressão para a taxa de câmbio. A ele se junta problemas crônicos de competitividade nacional. Os juros, obedientes a atual política monetária deve prosseguir em níveis elevados durante todo o ano.

terça-feira, 26 de maio de 2015

A economia dos Estados Unidos ainda apresenta oscilações bruscas e inesperadas

Mercado imobiliário norte-americano
em recuperação
As vendas de imóveis novos nos Estados Unidos voltaram a crescer no mês de abril. Março foi o mês mais difícil do ano para o setor imobiliário norte-americano, registrando forte retração do número de unidades comercializadas. Foram transacionados, em abril, 26,1% a mais de unidades que no mês anterior. O fraco desempenho do mês de março assustou os gestores da política econômica dos Estados Unidos e foi um dos motivos que desestimulou o Fed a fixar data para o eventual aumento das taxas de juros do país.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Era mesmo de se esperar

Com tanto lucro, os bancos não
poderiam ser poupados
Politicamente a decisão foi simpática. O governo havia mesmo de aumentar o “pedágio” dos bancos. Por isso, editou medida provisória que eleva a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de instituições financeiras, de 15% para 20%. É uma saída aceita popularmente para redução do déficit público e contará com apoio generalizado da sociedade que vê nos lucros bancários o vilão da crise financeira das pessoas e das famílias. A medida também pode contribuir para a redução das tensões do Executivo com parcela da base do governo da presidente Dilma. Esse grupo acusa o Governo de centrar o esforço fiscal apenas nas classes trabalhadoras. As dificuldades no Congresso Nacional para aprovar medidas provisórias de ajuste fiscal são grandes. Tornam-se ainda maiores quando propõem a alteração de benefícios previdenciários e muda regras de acesso a benefícios trabalhistas. A elevação da CSLL corresponde à intenção do Ministro Levy em aumentar a arrecadação, de vez que do lado do dispêndio público, os cortes parecem politicamente cada vez menos viáveis. Em janeiro, o governo retomou o Cide-Combustível e procedeu à elevação da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras no crédito a pessoas físicas e do PIS/Cofins de produtos importados. A nova alíquota da CSLL atinge bancos, distribuidoras de valores mobiliários, corretoras de câmbio e de valores mobiliários, sociedades de crédito, financiamento e investimentos, sociedades de crédito imobiliário, administradoras de cartões de crédito, sociedades de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito e associações de poupança e empréstimo. Não há dúvidas que, de um lado ou de outro, o ajuste fiscal precisa ser feito e a a sabedoria popular fornece o sentido das medidas: “é do coura que sai a correia”.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Ajustes. E não reajustes.

Se quiser evitar os reajustes, será necessário aceitar os ajustes
A taxa de desemprego está em alta, pelo quarto mês consecutivo. Atingiu 6,4% em abril, segundo informa o IBGE. São os efeitos dos ajustes econômicos. A divulgação desse dado mostra um agravamento, mais forte do que o esperado, no mercado de trabalho nesse mês. Os sinais de retração são evidentes e tendem a piorar à medida que os ajustes forem  aprovados. Realmente, o primeiro governo da presidente foi longe demais e a correção exige sacrifícios. Não há o que fazer, se não reconhecer que “não se faz omelete sem quebrar os ovos”.

Os problemas são estruturais

É preciso introduzir reformas estruturais
Nos Estados Unidos, o FOMC mantém a intenção de só mexer na taxa de juros em setembro. Até lá, parece que não vai acontecer nada. A melhor explicação para isso é que, de fato, as autoridades monetárias do país ainda não acreditam na consistência da recuperação norte-americana, nesse ano. Foram incentivos demais para recuperações de menos. 
A China não mostra sinais de aceleração do ritmo de atividade econômica ainda. O governo mexe na taxa de juros, remaneja dívidas de províncias e municípios, estimula a produção e o consumo, amplia investimentos em infraestrutura e a economia mostra apenas pequenas variações. Depois de tudo isso, o PMI apresentou uma evolução pífia, no mês de maio. Enquanto as encomendas do mercado interno crescem, as do mercado externo se reduzem. Essa baixa elasticidade na resposta das variáveis econômicas em relação às medidas governamentais indica que o problema tem natureza estrutural e que não será resolvido apenas à base de incentivos monetários e fiscais.

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Zona do Euro e sua expansão quantitativa

Eurozona sai da deflação. A inflação atingiu 0,0% em abril.
A inflação da zona do euro, em abril, foi de zero %, rompendo com uma série de 4 meses seguidos de queda dos preços, conforme anunciou a Eurostat. Há de se pensar que o esforço do Banco Central Europeu em comprar títulos representativos de dívidas foi desproporcional ao resultado alcançado. Até agora, a elasticidade desse esforço em relação ao crescimento do PIB da região é relativamente pequeno.  A expansão quantitativa da liquidez contudo empolga o Banco Central Europeu que nega a antecipação do final do programa e prevê que essa injeção de liquidez possa levar à inflação de 2015, a 1,5% e de 2016 a 1,8%. O objetivo a médio prazo do BCE é manter a inflação próxima, mas inferior, a 2%. Em paralelo, a Eurostat também anunciou os números do desemprego, que ficou em 11,3%, em março, nessa região. Em março, houve uma redução de 36.000 desempregados em relação ao mês anterior. Atualmente os desempregados são 18,1 milhões. O menor nível de desemprego é o da Alemanha, com 4,7%, seguida pela Áustria e Luxemburgo, com, respectivamente, 5,6% e 5,7%. A Grécia, como era de se esperar, ostenta o maior nível de desemprego, com 25,7%, seguida pela Espanha, com 23,0%. A situação continua muito difícil, mas com sinalizações mais positivas.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Vem chumbo por aí

Copom avisa que vai usar chumbo grosso.
A ata do Copom soou como um aviso: A Selic não para por aqui e, portanto, o ciclo de aperto monetária segue em frente. A cada dia o crédito fica mais escasso e mais caro, apertando o mercado de trabalho. A inflação continua ajustando os preços relativos, sejam livres ou administrados, em um processo naturalmente mais lento do que se espera. Há uma defasagem não desprezível entre a decisão de subir os juros e a redução da inflação. O próprio banco Central reconhece que o mercado de trabalho ainda não permitiu que os juros mais elevados fizessem o efeito esperado. O desemprego começa a aparecer de forma mais nítida, os salários mostram-se em queda e a retração se acentua. Os preços, entretanto, não respondem de forma proporcional, apoiados na depreciação do real, na liquidez injetada na economia pela política fiscal e nos movimentos inerciais intrínsecos a esse processo. Vivemos as crueldades dos momentos de estagflação que estão exigindo a rápida contenção dos dispêndios públicos, a partir do ajuste fiscal pretendido pelo governo central.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

A soja e o Milho

Commodities com perspectivas
ainda incertas
Depois de uma temporada de preços deprimidos, o minério de ferro volta a subir. Para os analistas, essa alta pode ser apenas um breve suspiro. A oferta continua sendo maior que a procura, desde a desaceleração da economia chinesa. O que não está sendo ainda cogitado é que a oferta pode ter sofrido algum ajuste, com o desligamento de altos fornos. O petróleo ironicamente ultrapassou os US$ 69 por barril, no mês de abril. Trata-se da menor manipulação dos preços pela OPEP, que pode estar testando a competitividade do xisto betuminoso. Se for isso, a tendência vai ser de alta para os próximos meses. Soja e milho apresentaram-se com produções elevadas. Os preços do milho caíram em abril. O preço futuro do milho, com entrega para agosto, tem sofrido consecutivas desvalorizações, sendo que a média da saca negociada em março ficou em R$ 16,15 e em abril essa cotação média caiu para R$ 15,25. Quanto à soja, as demandas interna e externa continuaram dando sustentação às cotações da soja em grão e do farelo, no mês de abril. Consumidores globais de farelo de soja parecem estar com bom apetite, aceitando preços maiores do derivado. O esmagamento da oleaginosa também aumentou, favorecendo o repasse das altas das cotações do derivado ao grão.Os preços da soja em grão tiveram alta de 2,4% no mercado de balcão (ao produtor) e de 3,1% no de lotes (negociações entre empresas).

terça-feira, 28 de abril de 2015

Era esperado

Os números registram descompressão
no mercado de trabalho
Os sinais de enfraquecimento do mercado já são muito nítidos. O aumento do desemprego é a realidade presente, reduzindo o crescimento da renda dos trabalhadores de forma generalizada. Face a essa situação é de se esperar que os empregos informais sejam os mais vulneráveis. Os dados de março do IBGE apontaram para um mercado de trabalho menos apertado, dentro do quadro econômico mais amplo: PIB em retração, juros elevados com redução das pressões inflacionária. A taxa de desocupação apresentou-se em de 5,7% para 5,9%. Tudo estava previsto e o mercado de trabalho ainda está bem ativo. Entretanto essa situação, dependendo da intensidade do ajuste econômico, pode deteriorar-se até o final do ano.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

O diabo é feio. Mas não tanto.

O pessimismo está exacerbado.
O Índice de Confiança do Empresário Industrial, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria, ficou em 38,5 pontos em abril. O resultado é ruim, mas aponta crescimento de 5,7%, em relação a março. Aliás, trata-se da primeira variação positiva exibida nos últimos oito meses. Por outro lado, a criação de empregos formais, em março, segundo o CAGED (medida da geração de empregos formais), veio acima das expectativas de mercado. Foram criados em março 19.282 novos postos de trabalho. Os analistas, cujas expectativas estão por demais pessimistas desde o início de 2015, surpreenderam-se com o resultado. Afinal, na estimativa deles (e dos urubus que subiram em seus ombros) teríamos uma redução líquida de 21 mil vagas. Agora terão de explicar os motivos de um erro tão grande. Tenho insistido que a situação é difícil, mas que “o diabo não é tão feio quanto se pinta”.

terça-feira, 21 de abril de 2015

As voltas que o mundo dá

Fogo de Chão vai fazer IPO,
nos Estados Unidos
Tudo começou em Porto Alegre quando dois irmãos, Arri e Jair Coser montam seu primeiro restaurante com o nome de Fogo de Chão. Nem de perto podiam imaginar que seu pequeno investimento se se transformasse numa rede de churrascaria, com sede em Dallas, no Texas, composta por e 26 unidades nos Estados Unidos e 9 no Brasil. Com faturamento de US$ 262,3 milhões no ano passado e lucro de US$ 17,6 milhões (6,7% sobre faturamento), a empresa reverteu prejuízo de US$ 937 milhões de dólares em 2013. Como se vê, nem tudo são flores. O pior é que o endividamento da cadeia de restaurantes chegou a US$ 243 milhões de dólares no final de 2014.
Atualmente, a Fogo de Chão pertence a um private equity Thomas H. Lee Partners LP que, em 2012, pagou por ela US$ 400 milhões à GP Investments Ltd. Tudo muito louco. O pedido de oferta pública inicial de ações aos reguladores norte-americanos foi feito no dia 20 de abril. Muuito provavelmente obde ce à mesma estratégia financeira de pedidos recentes realizados pela Habit de Restaurantes e pela Shake Shack (rde de hamburguers). São coordenadores da oferta JPMorgan e Jefferies.

Quem diria que um rodizio virasse IPO nos Estados Unidos?