Banner

Translate

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bancos Centrais sustentam fluxos globais

A fragilidade econômica global sugere que a liquidez global seja mantida ou ampliada, sustentando os fluxos para os mercados emergentes. 
Uma contribuição  preciosa de Roberto Padovani, economista chefe da Corretora Votorantim
As últimas semanas foram dominadas pelo temor de que os principais bancos centrais reduzam a liquidez global, diminuindo os fluxos de capitais para os mercados emergentes.
Nossa avaliação, no entanto, é que há incentivos para que se evite uma elevação abrupta dos juros longos, mantendo as condições de liquidez por um bom tempo. A fragilidade econômica faz com que ou não haja espaço para redução de liquidez, como nos Estados Unidos, ou haja espaço para aumentar liquidez, como na Europa. Mesmo no caso japonês, onde o sucesso do afrouxamento monetário é incerto e depende de reformas, uma mudança no viés de política é pouco provável no curto prazo.
No caso dos Estados Unidos, ainda que a possibilidade de diminuição do ritmo de compras de ativos tenha sido considerada de forma explícita, conduzindo ao início de normalização dos juros longos, a sinalização fundamental é de que a política monetária continuará altamente expansionista por um período considerável de tempo. Uma melhora “substancial” no mercado de trabalho, gatilho para diminuir as compras de ativos, ainda não parece ter ocorrido, e o Fed projeta apenas para o final de 2014 uma taxa de desemprego próxima a 6,5%, uma das condições necessárias para alta de juros. Ainda, não parece haver grande desconforto dentro do banco central com o tamanho de seu balanço e seus possíveis efeitos nocivos sobre a economia. Isto significa que quando as compras de ativos forem interrompidas, a diminuição do balanço do Fed pode ser lenta.
Na Europa, o BCE ainda enxerga um cenário com viés negativo para o crescimento e expectativas de inflação bem ancoradas. Da mesma forma, não apenas o banco central mantém seu compromisso com uma política ultra-expansionista pelo tempo que for necessário, como também procura alternativas, como a fomentação de um mercado de dívida colateralizada por empréstimos a empresas do setor real. Na Inglaterra, a discussão gira em torno de aumentar ou não as compras de títulos, ao mesmo tempo em que se discutem medidas para garantir funding ao setor real da economia. O viés, portanto, parece ser para mais afrouxamento quantitativo, e não menos.
Por último, a alta dos juros longos no Japão não reflete uma estratégia de retirada de liquidez, mas sim dúvidas sobre reformas estruturais, problemas de comunicação e ruídos no mercado de títulos. De fato, os agressivos estímulos fiscais e monetários só podem alcançar o objetivo de elevar a inflação e impulsionar o crescimento econômico caso sejam acompanhados por aumento da produtividade e manutenção de um baixo risco de solvência fiscal. Justamente por isso, o mais provável é que o banco central mantenha o programa de estímulo e procure elevar sua eficácia, reduzindo as incertezas em relação aos juros reais de equilíbrio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário