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segunda-feira, 31 de maio de 2010

15 ANOS DE INTERNET e RELACIONAMENTO EM REDE

Era 25 de maio de 1995 quando o primeiro site brasileiro entrou em funcionamento na WEB: www.bradesco.com.br.
Seria redundante se mostrar espantado com a velocidade com que a WEB trouxe mudanças. Todos sabemos o impacto que houve na vida cotidiana e nas empresas.
O que não é novo são mudanças no mundo REAL causadas pelo mundo VIRTUAL.
Existem várias: conhecimento colaborativo, liderança em rede e relacionamento MARCA-CONSUMIDOR.
Este último é o que nos interessa do ponto de vista de modelos de negócios. Nas décadas de 80 e 90 foram montados os primeiros SACs das empresas onde reclamações, dúvidas no uso de produtos e sugestões eram gerenciadas pelas empresas.
A WEB trouxe uma nova perspectiva para o SAC: Por que não trazer para o SAC as propriedades das redes sociais? Que tal fazer o consumidor responder dúvidas de outro consumidor?
A princípio a ideia é estranha para quem está acostumado ao mundo analógico, mas aos poucos esse novo relaciomento MARCA-CONSUMIDOR vai mostrando seus benefícios. A NOKIA estimula que usuários de seus produtos criem blogs para responder dúvidas no uso de aparelhos específicos de sua linha de celulares. A ideia é interessante pois o consumidor pode explorar com outros as melhores práticas e usos dos produtos.
Evidente que a solução é complexa para ser implantada. Exige monitoramento e mediação dessas interações entre consumidores.
Várias empresas de pesquisa já perceberam isso e lançaram sistemas de monitoramento de REDES SOCIAIS. Cito alguns sistemas de uso regular por grandes anunciantes: BuzzMetrics, VideoCensus e E-LIFE.
Quem pretende trabalhar com C.R.M. ou SAC deve ficar atento a esses novos usos da WEB.
Mais lenha para o debate no dia 17 de junho na FEA com o Prof. GRISI, UNILEVER E SANTANDER.

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br

Governança sem governo

Maio 2010
Posto à prova, o equilíbrio do poder entre as nações impõe a necessidade da adoção de um novo modelo planetário.
A negociação para a liberalização do comércio mundial, conhecida como Rodada de Doha e conduzida pela OMC, não conseguiu prosperar. As negociações em Copenhague sobre o clima, no último mês de dezembro, também não prosperaram. Num e noutro caso, os Estados nacionais mostram-se incapazes de estabelecer consensualmente um regramento para o comportamento das partes, comprometendo as soluções para os problemas que desafiam o equilíbrio social e a preservação de condições ambientais para a sobrevivência da própria humanidade. Dois fracassos do multilateralismo, constatados a partir da redução do peso relativo das grandes potências nessas negociações e da insistência deliberada em negar abrigo aos interesses de potências emergentes. Erro que o G-20 não cometeu. E, por isso, só ele avançou. São muitos esses avanços na reestruturação das finanças internacionais, com o estabelecimento de instrumentos de regulação e controle dos estados sobre as economias nacionais. Em grande medida, o sucesso do G-20 parece ter decorrido de esforços de coordenação, sem precedentes na história diplomática, entre governos de todo o mundo, com o objetivo de evitar que a crise financeira mundial alcançasse proporções semelhantes à Grande Depressão de 1929. Pouco mais de um ano atrás, o mundo vivia uma crise financeira, acompanhada de uma severa recessão, em processo marcado pela destruição de riqueza e pelo declínio abrupto do comércio e dos níveis de emprego, em escala mundial. A incorporação de novas elites negociadoras e a discussão sobre mudanças no equilíbrio do poder no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial trouxeram novas formas de relacionamento entre ricos e emergentes. As discussões contaram, a partir de então, com a participação dos países em desenvolvimento nos organismos incumbidos de estabelecer normas para o sistema bancário e para o mercado de valores, bem como na construção de um novo sistema de avaliação mútua de políticas econômicas e financeiras. Realmente não foi pouco. Tratou-se de uma obra da engenharia da cooperação, sustentada pelos melhores princípios da simetria negociadora. Durante 2009, o G-20 transformou-se no principal fórum de cooperação econômica. Suas recomendações triplicaram os recursos do FMI, induziram a transferência de parte das cotas do Fundo a países emergentes e em desenvolvimento que se encontravam sub-representados e promoveram, entre os países membros, o compromisso de submeter seus conceitos de política econômica a uma “avaliação mútua”, com assistência do Fundo. Consensos de Washington, nunca mais! Merece serem lembrados, entretanto, os erros e frustrações de 2008, quando o G-20, por meio de seus membros, comprometeu-se em não adotar nenhuma política protecionista que pudesse impedir o crescimento do comércio mundial. Não foi o que aconteceu. Todos os países negaram o compromisso assumido e retomaram suas práticas protecionistas. Tudo ao melhor estilo das negociações internacionais, onde compromissos são assumidos, muitas vezes, sem que haja um convencimento de suas relevâncias, dando ensejo a exceções que justificam procedimentos contrários e tornam ineficazes os acordos pretensamente alcançados. O problema maior será o de estabelecer as prioridades de governança que devam orientar as ações nos próximos anos. Para tanto, os membros do FMI, acolhendo proposta do G-20 para a revisão da missão do Fundo, querem implantar, ainda nesse ano, as chamadas “Decisões de Istambul”. São medidas de reformas no Fundo, que prevêem novas definições para sua missão, seu papel financiador, suas regras de governança e a redefinição das funções de vigilância multilateral. Trata-se de rever completamente a instituição e suas funções no mundo. A missão revisada não altera a importância da busca pela estabilidade financeira mundial e pelo crescimento sustentável, mas acrescenta, com clareza, que a alta nos fluxos internacionais de capital, as inter-relações entre os mercados financeiros e as posições de ativos transnacionais requerem uma profunda transformação na forma de execução dessa missão. Com base nisso, o papel de financiador da instituição deve prever o envolvimento de todos os países membros. Alguns desses países, objetivando protegerem-se das eventuais adversidades externas, acumularam enormes reservas cambiais, comprometendo sua administração monetária interna. Como consequência, suas taxas de câmbio sofrem distorções que afetam as correntes de comércio e põem à prova a eficiência da alocação dos capitais, tanto internamente, quanto em termos internacionais. Em seguida, o conselho do FMI reafirmou a proposta do G-20 de alteração de, pelo menos, 5% na distribuição de suas cotas, até janeiro de 2011. O propósito é a de buscar maior equilíbrio no processo decisório, com a transferência de cotas dos países representados de forma excessiva para os mercados emergentes e nações em desenvolvimento com representação reduzida nos processos decisórios da instituição. Não se trata apenas de medida de natureza democrática, mas de mudança fundamental na tomada de decisões, tornando o processo receptivo a realidades antes ignoradas. Em adição, o conselho do FMI deu endosso à proposta do G-20 no sentido de, utilizar sua ampla experiência, no auxílio aos países em suas revisões mútuas de políticas econômicas. Finalmente, recomendou-se seja levada a cabo a reforma da regulamentação do sistema bancário, evitando a complacência, mas, simultaneamente, a sobrecarga do sistema com a regulamentação excessiva. Nesse ano, o G-20 e seu novo modelo de governança serão postos à prova. Estado s Unidos e China serão protagonistas de questões monetárias, decorrentes dos grandes superávits chineses em suas contas externas e dos grandes déficits americanos nessas mesmas contas. Os Estados Unidos culpam a China, com sua moeda artificialmente desvalorizada, de contribuir para o prolongamento da crise, ao gerar enormes superávits comerciais e financeiros que provocam aumento da liquidez global, e cuja disponibilidade de dinheiro infla as bolhas especulativas. A China argumenta que a atual estagnação japonesa nasceu da valorização do yen em relação ao dólar, nos anos 80, por motivos semelhantes aos apontados hoje contra ela, e acusa os Estados Unidos de fugir as suas reais responsabilidades, por serem os americanos os maiores responsáveis pelo excesso de liquidez internacional, com seus juros baixíssimos e seu consumismo movido pela expansão estabanada do crédito em seu território. Muito embora as condições mundiais ainda imponham sérios desafios à recomposição da atividade econômica, a aparição do G-20 como ator decisivo nessa crise permitiu um aumento significativo da cooperação econômica em função da articulação de seus membros na formulação de políticas econômicas convergentes. E mesmo que se argumente que cada país tenha socorrido apenas suas próprias economias, as decisões tiveram as mesmas direções e sentidos. Os objetivos que as nortearam eram os mesmos e, ainda que as situações colocassem interesses em pólos opostos e, como no caso dos Estados Unidos e da China, evitaram-se sempre medidas que pudessem comprometer a eficácia das soluções encaminhadas em outras economias. Inaugurou-se no campo econômico o exercício pela busca do consenso, por meio de consultas prévias, contatos entre chefes de estados, intercâmbio de informações. Transparência, entre os membros do G-20, tornou-se o princípio básico a nortear as decisões de seus membros do G-20. Uma nova prática de governança mundial, para substituir a inexistência uma autoridade central. A mais contundente demonstração empírica de que a governança pode existir sem governo algum. Em abril desse ano, os ministros da Fazenda dos países que compõem o G-20 estarão participando da reunião anual do FMI. Na pauta, nada menos que a discussão da proposta
americana sobre os mecanismos de avaliação de políticas econômicas do grupo, com elaboração de alternativas e definição de elementos para a construção de prognósticos sobre os desempenhos das economias nacionais e mundial. Em discussão, ainda, a subvalorização da moeda chinesa e as ameaças derivadas do atual excesso de liquidez nos mercados internacionais. Uma pauta simplesmente impensável para um grupo como esse, ano atrás. Ao olhar para outros fóruns e suas questões, como a liberalização do comércio e as mudanças climáticas, voltam-me à lembrança metodologias tradicionais das negociações internacionais: nos primeiros rounds colocamos as posições mais extremadas; nos próximos, negociamos lentamente, as concessões recíprocas. Todos procuram ganhar o máximo ou perder o mínimo. Resta saber se essas posturas negociadoras, em assuntos dessa natureza, são obras da racionalidade ou da imbecilidade humanas. Afinal, é a humanidade - e não só parte dela-, quem precisa ganhar.

Crédito e crescimento

Recuperando o terreno perdido

domingo, 30 de maio de 2010

Realidade aumentada

Demonstração das possibilidades de uso
Já é realidade. Pressupõe 4G
http://www.ted.com/talks/lang/por_br/blaise_aguera.html

Agressividade à busca de escala econômica

Crédito de bancos médios cresce
o dobro dos grandes
Olívia Alonso, iG São Paulo  -  28/05/2010
No primeiro trimestre, soma das carteiras dos bancos de menor porte cresceram 27%, contra 14% das grandes, segundo a Economática.
A carteira de crédito dos bancos médios e pequenos cresceu 27% no primeiro trimestre de 2010, o dobro dos grandes, segundo levantamento da Economática considerando apenas os listados na Bolsa de Valores. Essa vantagem ocorreu porque as instituições menores foram mais ágeis nos três primeiros meses do ano, segundo analistas. Além de terem antecipado capitalizações, o que lhes deu conforto para emprestar mais, conseguiram se adaptar rapidamente para atender à demanda em seus segmentos prioritários, como as pequenas e médias empresas.
De janeiro a março, todo o sistema financeiro do País emprestou R$ 4,3 bilhões a empresas e pessoas, valor 16,5% superior aos créditos concedidos no primeiro trimestre de 2009. Enquanto a soma das carteiras de crédito de Banrisul, Pine, Cruzeiro do Sul, Bicbanco e outras 19 instituições de pequeno e médio porte saltou quase 30% no período, o aumento dos grandes foi de 14,2%.
Sistema financeiro do País concedeu R$ 4,3 bilhões em crédito no primeiro trimestre.
O crescimento dos bancos menores também superou o dos grandes quando a comparação é com o último trimestre do ano passado. O crédito total do sistema financeiro aumentou 3,4% nessa base de comparação, sendo que a soma das carteiras dos grandes cresceu 3,6%, abaixo do avanço dos médios, de 6,2%.
“Eles responderam mais rapidamente à motivação da economia”, afirma Luis Miguel Santacreu, da Austin Ratings. Em um momento em que as perspectivas para o Brasil eram indiscutivelmente positivas – com destaque para renda, emprego, e consumo apontando para cima isenção de impostos –, os bancos de menor porte tiveram velocidade maior para ceder, segundo o analista.
O maior dinamismo destes bancos é resultado de suas estruturas menores e da pressão que sofrem para compensar menores ganhos de escala. Por trabalharem mais com nichos que envolvem menores volumes de negócios, eles “trabalham com a ordem de crescer ou crescer”, comenta Celso Grisi, presidente da consultoria Fractal e professor da Fundação Instituto de Administração (FIA).
"Como não conseguem competir com os grandes bancos de varejo em alguns segmentos, como pessoa física de todas as classes sociais, esses bancos atuam mais fortemente no empréstimo a consumidores de renda mais baixas e no chamado e médias e no crédito consignado".
“Middle market”, o segmento de empresas pequenas e médias, é um dos principais focos dos bancos menores.
Capitalizados
Para poderem emprestar mais este ano, as instituições financeiras menores souberam aproveitar momentos de otimismo do mercado, comentam os especialistas. Fizeram suas captações antecipadamente e agora têm conforto para as concessões. “Todos capitalizaram muito bem e puderam sair para os empréstimos. Agora, estão crescendo de uma maneira “agressiva, forte e interessante”, diz Grisi.
“Em geral, os bancos se anteciparam nas emissões prevendo que ambientes futuros poderiam ser mais difíceis”, acrescenta Clive Botelho, vice-presidente de Finanças do Banco Pine.

sábado, 29 de maio de 2010

FUTEBOL, FUTURO E MÍDIAS

Instantaneidade é para TV
Quem se aprofunda um pouco nas tendências das mídias percebe que produção de conteúdo ao vivo será uma busca das TVs abertas. O raciocínio é simples: com a profusão de plataformas, com acesso a qualquer momento e de qualquer lugar, o diferencial será a notícia instantânea.
Acabo de ver a notícia que a Rede Globo renovou o campeonato paulista aumentando em até 105% o valor do patrocínio aos 4 grandes (Corinthians, Santos, Palmeiras e São Paulo). Trata-se de uma inteligente estratégia defensiva. Não temos a mínima ideia de como serão as plataformas de comunicação daqui a 5 anos, mas temos CERTEZA que acompanhar um jogo de futebol AO VIVO continuará sendo uma paixão dos brasileiros.
A Rede Globo parece estar confirmando algumas das hipóteses levantadas no livro “O futuro das Mídias e seus modelos de negócios”. Lá propomos que a tendência para as mídias de massa é gerar conteúdo ao vivo e interativo. O futebol cumpre este papel no AO VIVO, mesmo que ainda tenha pouca ou nenhuma interatividade.
Outros formatos irão surgir (atenção leitor- ótima oportunidade em apresentar/criar novos formatos), mas sempre buscando a instantaneidade e a interatividade.
Outra tendência é o uso das mídias sociais para estabelecer uma relação entre consumidor-marca, especialmente no atendimento ao consumidor. Tema de outro post que farei aqui no blog do Prof. Grisi.
Mais lenha para o debate do dia 17 de junho na FEA USP.
Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Crédito é bom, mas não exagere


Prato cheio para a discussão do dia 17/6, na FEA

Nosso evento na FEA é para
estimular a discussão.
A idéia não é conciliar os interesse profissionais. Apenas tentar visualisar o futuro da mídias e seus modelos de negócios.
Nos EUA, cresce número de usuários de web móvel clicam em anúncios. Agora precisamos entender por que.
O mercado de publicidade móvel continua em expansão nos Estados Unidos. Estudo publicado pela ABI Research mostra que, no mês de fevereiro, aproximadamente 27% das pessoas que acessaram a internet por meio de dispositivos móveis clicaram em anúncios, contra 21% da pesquisa feita em dezembro do ano passado. Essas pessoas aceitam receber promoções em seus celulares e num percentual de 36% superior à da pesquisa anterior.
E agora, José? Dá para dizer que mídia on line e off line são a mesma coisa.

Bancos: uma paixão que já tem 23 anos

A solidez do sistema bancário brasileiro
Entrevista com o professor Celso Grisi
A recente crise econômica estremeceu os até então inabaláveis alicerces de dezenas de grandes instituições bancárias mundo afora. Até mesmo gigantes de sólidas tradições acima de qualquer suspeita para as agências de riscos foram tragados pela tormenta financeira, que sugou alguns trilhões do sistema e dizimou reputações inatacáveis. Mas no Brasil, as marcas mais reluzentes do sistema financeiro escaparam ilesas do quadro de pânico.
Arrojado na concessão de crédito durante o período mais agudo da recente crise econômica, o Banco do Brasil foi quem mais ganhou em uma primeira avaliação. Os lucros da instituição superaram os R$ 10 bilhões em 2009 e, com a musculatura enrijecida, a estratégia de internacionalização ganha impulso. Com crescente presença na Europa, EUA e América Latina, o BB vai ampliando seus limites. "O processo de internacionalização do Banco do Brasil promete mais", avalia o professor de economia e diretor da Fractal - Instituto de Pesquisa de mercado,professor Celso Grisi.
Especialista no segmento de bancos, Grisi elogia os gestores do BB durante os governos FHC e Lula, atribuindo a eles os méritos pelo amplo trabalho de saneamento da instituição e pela devida blindagem contra o aparelhamento e o apetite dos políticos. O professor também aponta como positivo o conservadorismo de tradicionais bancos privados, que se mantêm distantes de posições de riscos, e discorda de quem avalia o sistema bancário do Brasil como excessivamente concentrado. "Se somarmos todos os ativos das cooperativas associadas à Sicredi teremos um banco expressivo, em ativos. Imagine então essa capilaridade na concessão de crédito", afirma Grisi em entrevista para o bandnewstv.com.br (Fábio Piperno).
Professor, os bancos públicos foram muito ousados durante a crise, principalmente na concessão de crédito. Terminado aquele ciclo, o senhor avalia que eles ganharam o confronto contra os concorrentes privados?
Grisi- Sem dúvida ganharam. A participação dos bancos públicos cresceu enormemente em relação aos privados no que tange a crédito a pessoas físicas e jurídicas. Em relação ao crédito agrícola, o Banco do Brasil continua mantendo uma liderança acentuada, embora tenha até sofrido uma pequena redução. Agora, a expressão dessa vitória tem, na origem, o fato de que os bancos privados foram muito cautelosos, enquanto os bancos públicos puderam expandir fortemente a sua carteira para pessoa física e jurídica. Na pessoa física, essa carteira cresceu muito em volume, mas não em rentabilidade. Foi muito prejudicada pela baixa rentabilidade dos créditos consignados, que entre pessoas físicas foi o que mais cresceu.
E em relação às pessoas jurídicas?
Grisi - Entre as pessoas jurídicas, os bancos públicos foram a grande fonte de capital de giro no momento em que a liquidez mundial havia caído. O Banco do Brasil também teve uma expansão muito grande aí. E o volume dessas operações foram os elementos que permitiram ao Banco do Brasil a realização de um lucro tão expressivo quanto esse que alcançou até o final do ano. No último trimestre do ano, ultrapassou R$ 4,5 bilhões de lucro. Entretanto, não houve ganhos adicionais quando se fala em intermediação financeira pura. Quando você exclui o agronegócio e trabalha com a intermediação financeira, o Banco do Brasil realmente produz um grande resultado. Mas sem a ampliação dessa margem da intermediação.
Mas para o acionista do banco, a rentabilidade menor não é um fator menos importante do que ter esse bolo tão inflado pelos lucros?Grisi- Se a gente isolar isso e falar apenas disso é verdade. Mas o fato é que os lançamentos sucessivos de ações que o Banco do Brasil fez têm prejudicado o valor dos papéis. Não se trata de uma ação priorizada nesse momento pelo mercado. Não é um investimento recomendado pelos grandes players do setor financeiro, como são Bradesco, Itaú e Unibanco. Do outro lado, há também uma preocupação com as pressões políticas para expansão do crédito. Até o momento, o Banco do Brasil apresentou um elemento definitivamente importante para ganhar a confiança do mercado, que foi a redução da taxa de inadimplência. O BB tem uma taxa de inadimplência ainda menor do que se imaginava que pudesse ter. O medo era que a expansão do crédito pudesse deteriorar a qualidade desse crédito concedido e ter um problema de inadimplência futura, o que não é verdade. Tanto é que as provisões diminuíram, são menores. E imagina-se que se não houver pressão política que obrigue o banco a assumir políticas menos consequentes, essas provisões devem se manter baixas.
O senhor disse que o mercado não recomenda nesse momento papéis do Banco do Brasil. Mas o senhor não acha também que pelo fato de ter sido o banco que apresentou o maior lucro ano passado e por ter derrubado a inadimplência mesmo cortando taxas, o BB de certa forma também não derrubou alguns mitos?
Grisi - Derrubou vários mitos. Mas o maior dos mitos que ele está derrubando agora e que devemos considerar é a nova política que o BB assume no seu processo de internacionalização. Nos Estados Unidos, com 16 agências em operação, América Latina onde cresceu fortemente sua atuação, Europa onde tem buscado nas principais praças posições muito bem consolidadas e agora também na Ásia, através de um escritório montado anos atrás, mas que agora ganha cara de uma agência. Então esse processo de internacionalização do BB promete mais. O Banco do Brasil dá razões suficientes a quem olha para o longo prazo, vendo a expansão do seu crédito em todos os setores, inclusive com uma pequena retração no agronegócio, mas ainda assim uma liderança indiscutível aí - a inadimplência do agronegócio caiu, a inadimplência das pessoas físicas e jurídicas caiu, o lucro tem sido extraordinário, em automóveis tem uma posição muito forte. Parte desse lucro vem da Previ, que é um lucro não pelo caixa, mas é uma participação que vai reforçar o Banco do Brasil. Tudo isso sinaliza que esse será um player substancialmente importante na vida econômica brasileira, muito além do que já foi até aqui.
O que explica o sucesso de uma empresa estatal após todas as críticas recebidas pela gestão do Estado nesses últimos anos?
Grisi - Isso começa lá atrás, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso chamou para Banco do Brasil o Dr Paulo Cesar Ximenes para recuperar esse banco.
Mas não foi com ele que o Banco do Brasil registrou o maior prejuízo da história do capitalismo brasileiro no início do governo FHC?
Grisi - Fruto de uma circunstância anterior. Para falar de BB devemos analisar esse banco com elementos diferenciados. Quando se securitizar R$ 7 bilhões de dívida agrícola naquela ocasião, quem é que comparece? O Banco do Brasil! Quando se trata de segurar os juros da dívida brasileira, que a família Dart havia assumido na maioria e poderia fixar juros diferenciados e prejudicar o Brasil, quem é que compareceu com US$ 1,8 bilhão? O Banco do Brasil! Então, o papel social levou o BB a acumular situações difíceis. O presidente FHC saneou o Banco do Brasil e a Caixa, com aportes altíssimos. E a partir daí começou a recuperação do banco, com investimento brutal na área de tecnologia, recomposição da tipologia e da topologia da rede de agências do Banco do Brasil, a criação do home banking e do remote banking, a criação das unidades corporativas, que depois se transformaram em segmento corporate e segmento private e a segmentação do mercado de pessoas físicas. Tudo isso formaram as bases de um Banco do Brasil moderno e competitivo. Sucede ao Dr. Paulo Ximenes o Dr. Eduardo Guimarães, ex-Banespa, que deu continuidade ao trabalho. Por fim, vem o Dr. Rossano Maranhão, um técnico de mão cheia, hoje no Banco Safra, especialista na área internacional como poucos, no Brasil. Finalmente, o BB passa pelas mãos de um homem com formação em controladoria, que dá a consistência toda do ponto de vista de números, de consolidação do banco como um player robusto, que é o Dr.Lima Neto (hoje Fibra). E agora, volta às mãos de um novo pensamento expansionista de mercado, pensando em crescimento de participação de uma forma sadia, ajuizada, que é o do Dr. (Aldemir) Bendine. Então, a história do Banco do Brasil tem sido nesses últimos 15 ou 20 anos, a história da recuperação da gestão pública. Do afastamento dos riscos da carreira pública e da incorporação de hábitos sadios da iniciativa privada sem, contudo, descaracterizar um banco público, com papel social e funcionários comprometidos. É até uma lição para ser estudada e revista em termos de privatização e de funcionamento da máquina pública.
O senhor então avalia que o BB conseguiu ficar imune ao aparelhamento que muitas empresas e órgãos públicos teriam enfrentado nesses últimos anos?
Grisi - Diria para você que o Dr.Lima Neto e o Dr. Rossano Maranhão conseguiram preservar o banco de uma agressão intolerável. Eles conseguiram que o aparelhamento fosse o menor possível e que as decisões fossem conduzidas tecnicamente.
A Caixa Econômica Federal vai pelo mesmo caminho?
Grisi - Sim. A Caixa sofre mais porque não passou por aquele processo de saneamento. Há entre os economiários uma cultura ainda muito arraigada daquele momento de gestão pública. Mas ela teve uma grande evolução. É inegável a evolução na área imobiliária, de pessoas físicas, sobretudo de baixa renda, que pode ser tida como um exemplo de bancarização, via lotéricas, que são seus correspondentes bancários. Nisso ela realmente levou bons serviços e é muito bem avaliada. As pesquisas mostram que ela é muito bem avaliada e que tem um portfólio de serviços bastante interessante para baixa renda. A Caixa se posicionou fortemente também no small business. Ela ainda não atua fortemente no segmento mais alto de pessoa jurídica. Mas ela tem um desempenho muito melhor que no passado. É, hoje, um grande banco do qual a população se orgulha.
A aquisição da Nossa Caixa foi um bom negócio para o Banco do Brasil?
Grisi - Um excelente negócio. O BB tinha uma posição de rede na cidade de São Paulo muito comprometida, como ainda é, em relação ao Rio de Janeiro. A aquisição da Nossa Caixa reforça e tapa os buracos que ele ainda tinha naquilo que a gente chama de topologia de rede de distribuição. Em segundo lugar, comprou uma participação de mercado substancial e interessante, porque trouxe para dentro de si a máquina de pagamento do Estado de SP. Pegou uma boa parte dos funcionários públicos que não estavam com ele. Acho que não comprou grande coisa em relação a produtos e sistemas, mas acho que ele tem todas as condições para promover uma sinergia e ganhos de economia de escala com a compra da Caixa. Não acredito na mesma coisa no Banco Votorantim. Não acho que ocorra um ganho tão grande de economia de escala e muito menos de sinergia. Mas em relação à Nossa Caixa e ao BESC (de Santa Catarina) foram dois passos decisivos para a consolidação do BB nesses dois mercados.
Em relação aos ganhos de sinergia nesses dois casos, o senhor acha que são mais substanciais do que, por exemplo, a ocorrida na fusão Itaú-Unibanco?
Grisi - A fusão foi algo muito apropriado aos dois bancos. E deu origem a um gigante, com peso muito semelhante ao do Bradesco, um pouco mais ou um pouco menos. Claro que para digerir isso é um processo meio lento. Mas acho que evolui muito bem e teremos no Brasil um sistema bancário extremamente saudável, com players muito parecidos. Temos o BB de um lado e Bradesco e Itaú/Unibanco. Isso traz para o Brasil uma tranquilidade imensa.
Esse modelo altamente concentrado favorece o enfrentamento de crises, como a mais recente?
Grisi - Primeiro que esse modelo não é tão concentrado assim. Até caberia mais um banco.
Mas nos Estados Unidos há milhares de pequenos bancos..
Grisi - Milhares de bancos, mas todos eles trabalhando com modelo especializado. Portanto, muito longe das mãos do Estado. O modelo brasileiro, em grande parte, reproduz casualmente sem copiar o modelo alemão. Esse modelo é um tripé. Por um lado, tem os bancos estatais, que não são desprezíveis, como BASA, BNB, BNDEs, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Esses players garantem um braço para a ação econômica forte do governo na vida social ou empresarial. De outro lado, tem um sistema privado, que encontra uma regulamentação conservadora pela frente muito bem estruturada, mas com algumas falhas de fiscalização, como a ocorrida no episódio do Banco Nacional. Mas já muito melhorado. Mas a regulamentação se mostrou competente. E de outro lado, as chamadas cooperativas de crédito. São as caixas de crédito. Por exemplo, se somarmos todos os ativos das cooperativas associadas à Sicredi do Brasil, teremos o oitavo banco em pontos de distribuição. Ninguém nem sabe disso. Então, imagine essa capilaridade na concessão de crédito. Um fato semelhante se reproduz na Credicitrus, que as pessoas também conhecem pouco. É a cooperativa dos citricultores de São Paulo. Então há um modelo em que as coisas não se concentram em um indivíduo. Temos um sistema capilar. Um banco como o Bradesco se comporta, do ponto de vista do risco, de forma maravilhosa. O banco tem critérios! Ele financia, mas tem qualidade de crédito e não assume posições arrojadas com derivativos, exclui isso da suas negociações.
A estratégia mais ousada do Banco do Brasil de alguma forma acabará influenciando as instituições privadas, a ponto de levá-las a também adotar políticas mais arrojadas?
Grisi - O mundo privado vai ter que reagir. Terá que trabalhar mais na área bancária. Vai ter que emprestar e aprender a fazer seus lucros decorrerem da intermediação bancária antes tudo. Terão que ser tomadores de riscos, se comprometer com prazos mais extensos de concessão de crédito, precisarão emprestar com taxas mais baratas, tendo spreads menores. O mercado internacional está líquido, o custo é muito barato para captação. Se essa idéia da criação do Centro Financeiro da América Latina com uma câmara de compensação de moedas de diversas origens da América Latina vier a se implantar, teremos uma capacidade de captação imensa. Com o real, uma moeda forte, estável e líquida, teremos uma imensa capacidade de captar a juros privilegiados e vamos poder repassar isso para vários países e empresas de diferentes nacionalidades, aqui dentro e lá de fora. Acho que é um momento para a gente olhar para o Real com plena conversibilidade.
O resultado espantoso do Banco do Brasil teria sido ainda maior se a taxa de juros fosse mais elevada?
Grisi - Até teria remunerado melhor o BB, mas a idéia não era essa. A idéia era forçar a taxa real de juros para baixo. A Selic já tinha vindo. Mas forçar essa redução dos juros e dos spreads. Essa era a idéia central e não a de aumentar o lucro do BB a partir de margem maior.
Em relação às taxas de juros, as autoridades monetárias não estão agindo com excesso de zelo?
Grisi - A estabilidade monetária é a pedra de toque da economia brasileira. Se essa moeda balançar, vai engolir o nosso prestígio externo. Nós temos que preservar isso. A sociedade brasileira já pagou um custo enorme para sua estabilização.
Mas a dose desse remédio dos juros alto não está amarga demais?
Grisi - Acho que não. O que ainda está exagerado é a ampliação das despesas públicas. Se a gente conseguir reduzir ainda mais nosso déficit - de 3,2%, 3,3% - para 2,5% teremos duas grandes vantagens. A primeira, e a de conter a inflação. A segunda, coisa que acho muito interessante, é que reforça a conversibilidade do Real. É uma das condições mais importantes - a expansão do superávit primário ou a chegada ao superávit nominal. Se a gente chegar a isso, a conversibilidade da moeda poderá ser feita com muita tranquilidade porque o governo teria meios de resistir e encarar um possível ataque cambial. Então precisaríamos reduzir o déficit público, manter a inflação submetida ao regime de metas e não haver uma grande defasagem do dólar, que prejudique a exportação. Ou não haver também uma supervalorização, que por outro lado também é tão má quanto a subvalorização. Então, é fundamental que o Brasil mantenha essas condições.
Professor, é correto afirmar que duas práticas do Brasil que são bastante combatidas, os juros elevados e a alta carga tributária, acabaram por beneficiar o país no período da crise, já que havia o que cortar, ao contrário da Europa e dos EUA, que haviam praticamente esgotado suas ferramentas monetárias?
Grisi - Sem dúvida. Esse é o ponto. Você olha para o endividamento da família brasileira. Ela está crescendo a uma velocidade superior ao crescimento da sua renda. Está errado. Se a gente contingenciar um pouco o crédito ou subir um pouco a taxa de juros, vamos conter isso. Por que vai estourar lá na frente. E é razão da inadimplência futura. Então, ser conservador com risco menor, embora tenha um custo imediato, a médio prazo , ter uma arrecadação ou um custo tributário mais elevado, não é errado. Errado é gastar desse jeito. A população está pagando alto, mas teria a contraprestação de serviços. A prestação dos serviços correspondente aos impostos que você arrecadou. Não quero chegar na escola pública e ver aquilo que estou vendo. Mesmo coisa com hospitais ou infra-estrutura. Todos gostaríamos de ver a evolução do quadro social brasileiro.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Juros e inadimplência são as próximas preocupações

 Juro do cheque especial é o maior
em cinco meses
Veículo: Jornal da Tarde       Data: 27/05/10

ECONOMIA



Taxa atingiu, em abril, 161,3% ao ano.A alta está ligada à perspectiva de subida da inadimplência
Os juros do cheque especial voltaram a subir. A taxa anualizada da modalidade marcou 161,3% em abril, maior valor em cinco meses, segundo dados mais recentes do Banco Central.
O economista Celso Grisi, diretor presidente do Instituto de Pesquisas Fractal, afirma que o movimento detectado pela autoridade monetária é fruto de uma preocupação com a inadimplência, que deve voltar a subir.
Segundo Grisi, o nível de endividamento das famílias com renda até R$ 1,2 mil, ultrapassou a 30% do orçamento mensal. “A inadimplência deve subir nos próximos meses, por isso os bancos já estão se protegendo de perdas futuras”, afirma.
Ele acredita que até o final de 2010, a inadimplência para a pessoa física aumente até um ponto e meio porcentual que, na comparação com abril, elevaria a taxa a 8,3%. O economista desaconselha que famílias com rendimento até R$ 1,2 mil comprometam mais de 20% dos ganhos com prestações. Apesar da projeção de Grisi, os números do Banco Central seguem apontando queda na inadimplência das pessoas físicas. Em abril, o calote fechou em 6,8%, mantendo trajetória de queda iniciada junho de 2009.
De acordo com o levantamento do Banco Central, divulgado ontem, os juros do empréstimo pessoal também apresentaram ligeira alta em abril, enquanto a taxa para financiamento de automóveis manteve-se no mesmo patamar de março (veja quadro).
José Roberto Kassai, professor de economia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi), atribui o aumento da taxa média do cheque especial à alta da Selic, a taxa básica de juros da economia, elevada de 8,75% ao ano para 9,5% ao ano no final de abril pelo Banco Central. “É uma linha de maior risco, e os efeitos de aumentos da Selic são quase que imediatos”, afirmou.
Na opinião de Kassai, as taxas de juros do cheque especial devem permanecer em ascensão por conta das expectativas de novos aumentos da Selic.
Mesmo com as elevações, o spread para pessoa física – diferença entre o s juros pagos pelo banco para captar dinheiro e o cobrado dos clientes nos empréstimos – recuou para 29,5 pontos porcentuais no mês passado, o nível mais baixo da série desde julho de 1994, quando o levantamento teve início.

Isso é saber utilizar a estatística

Nossa estatística detona
no Jornal da Globo
Não percam o show de bola da professora Alessandra Montini.
Se é verdade que o cartão vermelho expulsa o jogador incompetente, a elegância da professora,em vermelho, expulsou a incompetência do campo das previsões.
Adoramos, professora. Não percam no link abaixo.
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1271259-7823-ECONOMISTAS+FAZEM+EQUACOES+PARA+SABER+QUEM+GANHARA+A+COPA+DO+MUNDO,00.html

É o fim dos plásticos

Reposicionando o negócio
A Visa Internacional acaba de criar uma joint venture com a britânica Monitise, para desenvolver uma plataforma de serviços para mobile banking, na Índia.
A Visa quer continuar no jogo dos meios de pagamentos e já está antevendo que os plásticos tendem a ser substituídos.
E o que será então do acquirers, se o ponto de venda não necessitar de máquinas e credenciamento?
É bem hora de repensar esse negócio de cartões.

Lições da vida

A estratégia de novos produtos contém riscos altos, mas os resultados podem ser surpreendentes
A notícia do dia é que o valor de mercado da Apple superou o da Microsoft. Atribui-se o feito ao iPhone e ao iPad. O valor da Aplle, segundo o mercado, é agora de US$ 222,07 bilhões, enquanto o valor do negócio da Microsoft é US$ 2,89 bilhões a menos.
Tudo pode ser atribuído às estratégias de produtos novos. A Apple  brilhou com seus lançamentos. A Microsoft foi um desastre com os lançamentos do Windoxs Vista e do Windows Mobile.
Nessa história, o mais curioso é que o acionista principal da Microsoft (um tal de Bill Gates) foi um dos grandes financiadores da recuperação da Apple. Faro para negócios é uma especialidade rara. E disposição para correr riscos é ainda mais rara.
Fico aqui a pensar se o que me encanta mais é a criatividade e o arrojo do líder da Apple (Steve Jobs) ou se é o faro e a disposição de empreender do acionista da Microsoft.
Seja como for, produto novo é uma estratégia surpreendente, porque faz subir e descer faturamentos, em tempo muito curto 

quarta-feira, 26 de maio de 2010

QUEM PODE BRINCAR COM A MARCA?

Nos dias 21 e 22 de maio quem acessou o GOOGLE percebeu que o logo estava diferente. Nada de novo. Rotineiramente o GOOGLE faz isso (basta lembrar da homenagem que fez ao Rio de Janeiro quando ganhou a sede das OLIMPÍADAS de 2012) . Ocorre que este era um “doodle" (logo comemorativo) -jogável .
Interessante como o GOOGLE se dá a liberdade de transgredir regras estabelecida (e muitas vezes ultrapassadas). Quantas vezes aprendemos que o LOGO é sagrado e não pode ser alterado? A empresa inverteu a lógica e permitiu que o Pac-Man fosse jogado pelo usuário.
Para jogar bastava ir para a página inicial do Google e clicar "Insert Coin", que substituiu a frase "Estou com sorte". O controle do Pac-Man ficava nas setas do teclado.
O som era o original do Pac-Man. Mas não era somente isso, fiquei espantado ao saber que havia uma pegadinha no jogo. Se clicasse duas vezes no botão "Insert coin" você poderia interagir com outro jogador.
Eu somente percebi a brincadeira na terceira busca. Parece que não estava só. Pesquisa do instituto americano RecueTime, informa que 75% das pessoas que viram o cenário do Pac-Man no lugar da logo não perceberam que o doodle era jogável.
O que realmente importa é que 25% perceberam. É uma enorme audiência que interagiu com a marca. Além disso em média os internautas passaram 36 segundos a mais na página inicial do Google na última sexta-feira, em comparação com dias comuns.
Surpresa como esta mostra como dogmas de comunicação e publicidade podem desmoronar no mundo on line.
Muito a descobrir e debate no dia 17 de junho em evento conjunto FEA/USP e FEA.

Prof Ramiro Gonçalez - FIA
Inteligência de mercado e mídia
@ramirogoncalez
ramirogon@uol.com.br

Contradição aprarente

Juros sobem em abril e
inadimplência cai.
Embora a inadimplência tenha caído ao menor nível desde o final de 2005, as taxas de juros para o consumidor voltaram a subir em abril. O Banco Central anuncia que a taxa média de juros ao consumidor passou de 41% para 41,1% ao ano. Houve alta no cheque especial (de 160,3% para 161,3% ao ano) e no credito pessoal (42,7% para 42,9%), entre as principais modalidades pesquisadas. Como se vê a alta é muito discreta, mas ainda assim, sugere uma contradição.
Análise mais cuidadosa aponta para o crescimento dos níveis de inadimplência até o mês de novembro. As camadas menos favorecidas da população já se aproximam de níveis quase intoleráveis de endividamento. Essa camada costuma gastar com alimentação, habitação, transporte e saúde mais de 7% de sua renda, Isso quer dizer que as parcelas a serem pagas dos financiamentos contraídos começam a disputar com os gastos essenciais dos consumidores. O estoque de crédito na economia cresceu 17,6% nos últimos 12 meses, acima dos 16,8% registrados até março, e chegou a R$ 1,47 bilhão (45,2% do PIB). O crédito para o consumidor avançou 20%. A renda do consumidor não conseguiu crescer isso tudo. É hora de tirar o pé, porque o risco aumentou e muito. Carteiras de créditos já estão sendo postas à venda e as margens da intermediação financeiras reduziram-se.
O aumento se deve, em parte, a isso e, por outro lado, deve-se também ao custo de captação dos bancos, que está sendo puxado pelo aumento recente da taxa básica de juros

Inflação arrefece. Economia também

Juro alto é freio para aquecimento econômico
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no município de São Paulo, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), apresentou desaceleração para 0,35% na terceira quadrissemana de maio, inferior ao índice da segunda, que foi de 0,46%. As menores altas de preços foram registradas no grupo alimentação e saúde, contribuindo para uma menor variação do indicador.
É claro para todos que o crescimento da economia nacional decorre basicamente do aumento do consumo interno e não de variáveis econômicas externas. Mas, com o aumento dos juros, a perspectiva de desempenho da economia vem recuando e afastam o forte aquecimento da atividade econômica observado durantes os meses iniciais desse ano.
Todavia, não se deve imaginar que apenas essas reduções fariam o Banco Central aquietar-se. Ao contrário, a terapêutica confirmou o diagnóstico e o BACEN de voltar à cara, com uma alta, já na próxima reunião, de 0,5%.
O crédito deve ficar mais caro para as pequenas e médias e para o consumidor final. Inadimplência voltara a subir.

Investimentos

Projetos públicos e privados devem reforçar o ciclo positivo que já se instalou na economia brasileira
Katia Brito   -   Da reportagem local   -   Mogi News   -   25/05/10
O crescimento econômico previsto para este ano e os próximos está ligado, principalmente, as obras de infraestrutura previstas para a regão e o País. De acordo com o economista Francisco Claudio Tavares, após um longo período de estagnação, os governos municipais, estaduais e federal retomaram os investimentos. "Estas obras estão favorecendo a economia e o ciclo de produção industrial. O governo federal aprofundou os investimentos em infraestrutura com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) 2. Temos desde o Pré-Sal até a ampliação do metro em São Paulo. Em Mogi, a Prefeitura vem desenvolvendo um conjunto de obras importantes, como o novo terminal de ônibus", analisa, destacando também a expansão imobiliária na cidade.

O diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Fractal e professor da Universidade de São Paulo, Celso Grisi, afirma que a capacidade ociosa da indústria brasileira está bem próxima do fim, obrigando os empresários a investir para expandir a produção. "Pelos índices de produtividade, a recuperção já começou".

terça-feira, 25 de maio de 2010

Crescimento possível

Crescer tem limites
Em uma das postagem de domingo passado, falei em crescimentos previstos para o PIB brasileiro de 5,5%, para 2010, e de 4,5%, para 2011. Claro que a admissão básica dessa afirmação é a manutenção da estabilidade do real. Se abandonarmos essa meta é possível crescer além desses percentuais. Entretanto, para respeitá-los, não há como crescer se a capacidade ociosa de nosso parque produtivo está, basicamente, esgotada. Todo o sistema de produção funciona quase  a plena carga. Viveríamos com a oferta muito abaixo da demanda e os preços fugiriam do controle das autoridades econômicas.
No médio prazo, faltam investimentos nacionais, sobretudo porque nossa poupança (pública e privada ainda) é muito baixa.
Temos vivido, nos investimentos, da poupança externa.
Portanto, não se trata de previsão conservadora. Pessoalmente, penso ser necessário reconhecer que crescimento, no mundo econômico, tem seus limites. Ultrapassá-los tem seu custo. Certamente, a sociedade brasileira não abriria mão da conquista obtida com a estabilidade da moeda nacional, pela qual, aliás, pagou um preço bastante alto.

Números surpreendem?

Tal como anunciada, pequisa surpreende ao varejo e a todos
Pesquisa realizada pela IBM, com 30 mil pessoas, em seis países, mostra que 96% da amostra utiliza a internet para fazer compras. Algumas informações restam faltantes: em que países? Com que frequência? Que características tem essa amostra?
No Brasil, já teríamos 75% da população comprando pela internet. Não me parece razoável que a penetração seja tão grande e que o uso tenha tal extensão.
A pesquisa ainda revela que na classe A,  75% da população têm mais de um equipamento com conexão à internet. Na classe B, o percentual atinge 56%, e nas classes C e D, 43% e 48%, respectivamente. Ficou ainda mais difícil compreender e aceitar tudo isso. A classe D teria um percentual maior de pessoas com mais de uma tecnologia que a Classe C? Ficou difícil!
Revelações adicionais também impressionam:
1) as atividades que mais impulsionam o varejo na internet são pesquisa de preços, atendimento ao consumidor (?) e agendamento de entrega de compras (?).
2) Quanto menor o poder aquisitivo do consumidor, maior a vontade de interagir com as lojas em redes sociais – enquanto 67% das classe A e B seguem redes de varejo em sites de relacionamento, 71% e 73% das classes C e D, respectivamente, têm a prática. Redes sociais para classe D, no Brasil?
Tudo surpreende muito.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Banco do Brasil vai entrar no clube dos bancos de investimento

Bancos aumentam a disputa por emissões
Veículo: DCI   -   Data: 24/05   -   Fernando Teixeira
SÃO PAULO - A entrada do Banco do Brasil (BB) como banco líder em emissões de títulos deve acirrar a disputa para chefiar as operações de abertura de capital e emissões de dívidas. O mercado brasileiro de emissões movimentou, até o mês de abril, R$ 21, 613 bilhões - soma dos volumes de ofertas primárias e secundárias de ações e títulos de dívida, como debêntures.
A soma de dinheiro arrecadada com as 12 operações (diluídas entre IPOs e ofertas subsequentes), registradas na CVM, até abril, somam quase R$ 11,345 bilhões. Cinco bancos concentraram a liderança nas emissões de ações que aconteceram neste ano - Itaú BBA, Cred Suisse e BTG Pactual, Bradesco BBI e Citigroup.
A liderança em renda variável é disputada principalmente por Itaú BBA, Cred Suisse e BTG Pactual, que lideraram operações de abertura de capital e ofertas subsequentes de ações que somam mais de R$ 3 bilhões.
A maior delas, de R$ 2,018 bilhões, foi o IPO da OSX Brasil (empresa de prestação de serviços no setor de petróleo do grupo de Eike Batista). A venda dos papéis foi chefiada pelo Cred Suisse. A segunda maior foi a oferta subsequente da JBS, de R$ 1,840 bilhão, comandada pelo BTG Pactual.
No campo das dívidas, o predomínio da liderança das operações ficou com os bancos nacionais: Banco do Brasil, Santander, Itaú BBA, Bradesco BBI e BTG Pactual reinaram absolutos.
A maior emissão de debêntures foi da empresa Cemig Geração e Transmissão, chefiada pelo BB Investimentos. O valor alcançado na emissão foi de R$ 2,7 bilhões. Não muito distante, a operação da Telemar rendeu R$ 2, 25 bilhões, liderada pelo Santander.
Banco do Brasil
O Banco do Brasil recebeu este mês autorização do Financial Industry Regulatory Authority (Finra) para atuar no mercado de capitais americano, podendo participar de ofertas de ações, operar com títulos de dívida e fazer corretagem nos Estados Unidos.
O banco já havia recebido no dia 13 de abril, do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o status de Financial Holding Company, que permite ao BB atuar nos EUA como se fosse um banco americano, exercendo todas as atividades do setor, podendo fazer aquisições e atuar no ramo de varejo.
Na visão do diretor presidente da Fractal, Celso Grisi, a entrada de mais um banco de investimento no mercado é muito interessante ao País. "Sobretudo no momento em que a economia está crescendo e empresas apresentam capital de giro apertado. O que se observa é uma grande vontade de crescer e elas precisam de dinheiro", afirma.
Grisi ressalta que a entrada de um banco como o BB acirra a competitividade no sistema financeiro. "Precisamos de mais bancos deste tipo operando no Brasil. Com isso se barateiam os custos de captação."
Ele compara a entrada de mais um banco com o ingresso de mais uma bandeira de cartões de crédito. "É a mesma situação com os cartões de crédito. A demora para o comerciante receber o dinheiro é de até 45 dias e a taxa é de 4%. Nos países mais desenvolvidos não existem estes prazos absurdos", destacou.
O especialista ressalta que para crescer mais o Brasil necessita abrir portas para que bancos de investimentos de outras nacionalidades ingressem no País. "É a hora de crescer e interessa ter uma base industrial e agricultura forte. A entrada do BB neste ramo de negócio aumenta a possibilidade do banco estatal se internacionalizar e atrair mais capital para o Brasil."
Grisi entende que os projetos de modernização do parque industrial, tecnológico e de novos processos são de extrema importância para o crescimento do Brasil. "Empréstimos pelos bancos de investimentos é uma saída, mas existem contrapartidas como a reciprocidade comercial."
O professor do Curso de Administração da ESPM, José Eduardo Balian, também entende que a concorrência vai aumentar com o fortalecimento do BB. Contudo ele enxerga que o banco estatal deveria focar mais em alguns pontos de atuação e não criar mais uma estrutura.
Balian acredita que o BB deveria se concentrar no crédito para o exportador. Para ele, faltou estratégia do governo. "São estruturas muito grandes e pode criar dificuldades para gerenciar. Aumentar para mais um braço é criar um dinossauro difícil de administrar. O governo poderia criar uma outra marca para este tipo de operação", analisou.
Internacionalização
Com a autorização do governo norte-americano para atuar nos EUA, o Banco do Brasil deve fazer aquisições de redes de varejo naquele país.
O vice-presidente de Negócios Internacionais e Atacado, Allan Toledo, disse na semana passada que o Banco do Brasil deve fazer aquisições no exterior, em mercados como o dos EUA, onde existem ao menos 500 marcas em oferta. "Os horizontes se ampliaram muito para o BB lá, não só no varejo, mas também no mercado de capitais."
Na oportunidade, Toledo afirmou que o banco teria capital para fazer aquisições no exterior sem depender da capitalização, prevista para acontecer em julho. "Mesmo sem a captação, temos capital para comprar no exterior, tanto que fizemos a aquisição do Banco Patagonia."
O processo de internacionalização aconteceu quando o Banco do Brasil anunciou a aquisição do Banco da Patagonia, na Argentina. Com a união, o BB passará a ter uma participação de 51% do capital social e votante do banco argentino.
O negócio envolve um valor de US$ 479,6 milhões. O pagamento será parcelado, sendo 5% no ato da assinatura do contrato. O Banco da Patagonia possui 751,6 mil clientes e 154 agências, principalmente em Buenos Aires.

Funding, o eterno problema dos menores

Bancos médios enfrentarão outra vez dificuldades de captação
Com os sucessivos agravamentos da crise européia, o mercado financeiro internacional reagiu com sua costumeira cautela, reduzindo sua disposição para emprestar. Os primeiros sinais dessa falta de liquidez já aparecem no Brasi, entre os bancos médios, com dificuldade de acessar os recursos internacionais.
Começam, então, a buscar soluções alternativas que não os deixem de fora do crescimento da demanda interna por crédito. Voltarão as estruturações de fundos de recebíveis de crédito e, provavelmente, a captação por meio de depósitos a prazo com garantia especial.
Quem captou lá fora vê crescer a dívida em dolar. Quem não captou assumirá o custo do dinheiro em real. O que será pior?

Para onde vai esse público?

A TV aberta vai aos poucos dando espaço para outras mídias
A quantidade de televisores ligados no horário nobre, durante o ano de 2009, manteve-se estável. Durante o horário nobre, 57,7% dos aparelhos estiveram ligado, enquanto, no anterior, a marca era de 58%. Uma diferença pequena, mas que aponta para um quadro de redução da audiência, uma vez que mais de 42 em cada 100 televisores ficam desligados.
Os melhores anos, a partir de 2001, foram 2005 e 2006, que tiveram 60,6% e 60,2%, respectivamente. Em 2007, o índice foi de 57,6% aparelhos ligados no horário nobre.
Claro que será preciso lembrar que durante os 9 anos de realização da pesquisa, a quantidade de aparelhos de TV cresceu no país. De acordo com a Mídia Dados, havia 41,1 milhões de televisores no Brasil em 2001, número que subiu para 53,4 milhões no ano passado.
Então, os especialistas estão cogitando que as pessoas não estão necessariamente deixando de usar seu aparelho, mas que estão usando o aparelho para outras finalidades ou migrando cada vez mais para a TV paga. Em outras palavras, isso aponta para mudanças nos hábitos dos consumidores de mídia. Acho que já podemos iniciar uma discussão sobre essa mudança no próximo dia 17/6, na FEA/USP, em evento sobre comunicação em mídia on line e off line.
A mesma pesquisa mostra que, durante esse período, no alcance da cobertura dos canais abertos, a Record é a emissora que mais se expandiu. De 2001 para 2009, o canal evoluiu de 76,8% dos televisores para 93,2% – ultrapassando a RedeTV! (80,8%) e a Band (87,9%).
O SBT está em segundo lugar na profundidade, presente em 95,5% das casas. A Globo, como de costume, vem na ponta com 99,6%. Mesmo que a liderança seja mantida, a conclusão é que, de fato, engrossou para a Globo.

domingo, 23 de maio de 2010

A história é a mesma de 2 anos atrás

Correspondentes bancários ainda para as classes mais pobres
Há dois anos:
http://www.youtube.com/watch?v=VqhbYK0Z20c
E no momento atual:
podemos imaginar essa possibilidade, com outro nome e outro posicionamento, para as classes mais ricas?
Claro que sim.

Cenários precisam ser revistos periodicamente

O cenário é muito bom, mas não envolve crescimento chinês

Consumo, produção industrial e PIB, tudo em queda. Formação bruta de capital também, mas ainda alta. Dólar pode melhorar pouco as exportações mas, para combater a inflação, a âncora cambial continuará a penalizar nosso crescimento. Juros altos. Déficit em conta corrente atingirá limites preocupantes.
Para mudar esse quadro, só uma boa política industrial associada à austeridade fiscal. Vamos aguardar a próxima revisão do cenário 2011/1012.  

Estudos apontam para algumas hipóteses sobre a inadimplência

Empresas inadimplentes precisam
de mais controles e acompanhamentos.
Os estudos que tenho feito na Fractal com bases de dados de inadimplentes têm me sugerido algumas hipóteses para a inadimplência entre pessoas jurídicas: escassez de informações e sua má qualidade, inexistência de garantias líquidas, bastantes e suficientes, prazos inadequados para resgate do crédito, controles inexistentes ou imprecisos para as contas a pagar e a receber, receitas e despesas e fluxo de caixa. Não considerei, entre esses fatores indutores da inadimplência, as mudanças ambientais bruscas ou os problemas sistêmicos relacionados ao mundo financeiro. A intenção era estudar apenas a situações econômicas mais estáveis, ainda que houvesse nelas, algumas flutuações na demanda ou no crescimento econômico.
Fonte: Serasa Experian

Considero importante identificar as sazonalidades regionais das demandas por crédito, bem como os momentos em que a inadimplência se intensifica. As análises regionalizadas das bases de dados têm levado a hipóteses ainda mais instigantes. As empresas vivem demandas também sazonais. O caso típico é o das regiões agrícolas, onde a produção e o consumo obedecem a ciclos muito característicos. Caso curioso é o da empresa já endividada que toma empréstimos com o objetivo de pagar empréstimos anteriores. Há um efeito casacata que induz à maior inadimplência. Reestruturação de empresas implica controles e acompanhamentos. Aliás foi a ausência deles que conduziu à situação da rreestruturação.
O crédito empresarial remanesce como um desafio a ser resolvido pelas finanças. Levantei hipóteses, mas elas ainda necessitarão ser testadas para serem aceitas ou rejeitadas. Isso dependerá da pesquisa de campo e de um tratamento metodológico razoavelmente complexo. Mãos à obra. 

Comercio mundial e as crises econômicas

Com a Europa em crise, a Rodada de Doha terá dificuldade para evoluir
As crises sempre foram inimigas do comércio
Gráfico sobre o volume do Comércio de Produtos

Fonte: Organização Mundial do Comércio
Em 2009 0 volume do comércio mundial sofreu redução abrupta. A queda das demandas nacionais estimulou o crescimento do protecionismo. O forte enxugamento da liquidez mundial fez escassear e encareceu os financiamentos ao comércio.
A crise derreteu a riqueza e as empresas cortaram os gastos de todos os tipos, principalmente dos bens duráveis e suspenderam os investimentos. A incerteza econômica retirou-as também do mercado de crédito.
Todas as estratégias defensivas dos agentes econômicos contribuíram para o desastre do comércio de 2009.
Agora é a Europa, o mais resistente de todos os participantes da Rodada de Doha. O que esperar, então?
Doha é a rodada destinada ao fracasso. Uma maldição sobre Pachoal Lamy, o comissário que amaldiçoou o mundo com as benesses, os favoritismos e as descabidas proteções à agricultura européia.

Eventos dessa semana


de 24 a 29 de maio de 2010

- LXXX DISCUSSÕES METODOLÓGICAS
Fórum para apresentação e discussão das “primeiras idéias”, anteprojetos, projetos e pesquisas em andamento para elaboração de teses, dissertações e artigos
Das 14h às 17h, FEA-3 (indicação da sala no dia do evento)
Responsável: Prof. Dr. Gilberto de Andrade Martins
Realização: EAC-FEA/USP
Não há necessidade de inscrição prévia
Inscreva seu projeto pelo site:
http://www.eac.fea.usp.br/eac/observatorio/martins@usp.br
- DESAFIO INTERNACIONAL: CASO AMBEV - UNIVERSITY OF ILLINOIS WEEK IN BRAZIL
A competição envolve grupos mistos: 2 americanos e 2 brasileiros. Os seis brasileiros participantes dos 3 grupos finalistas irão, em setembro, para Illinois para um programa de imersão
De 26 a 28 de maio. Dia 26, visita à Ambev; dia 27, das 17h30 às 20h, salas C6 a C8, FEA-1; dia 28, final da competição, na Ambev
Responsáveis: Profs. Drs. Carlos Roberto Azzoni, Graziella
Comini e Moacir Miranda
Realização: FEA-USP
gcomini@usp.br
28.05 Sexta
- SEMINÁRIO ACADÊMICO
Às 11h30, sala A1, FEA-1
Palestrante: Rodrigo De Losso
Responsável: Prof. Dr. Marcos Rangel
Realização: Pós-Graduação - EAE/FEA/USP
Inf.: 3091-5886
www.usp.br/econ
- SEMINÁRIOS EMPRESARIAIS DO PENSA
Governança e sucessão nas empresas rurais
Das 12h às 13h30, sala Ruy Leme, FEA-1
Palestrante: Paulo Rodrigues (Diretor da Fazenda Santa Isabel)
Responsável: Prof. Dr. Cláudio Antonio Pinheiro Machado Filho
Realização: PENSA
Inf.: 3818-4005
Defesas de Teses
Administração
- ALEX ANTONIO FERRARESI
Doutorado
“Gestão do conhecimento, orientação para o mercado, inovatividade e resultados organizacionais: um estudo em empresas instaladas no Brasil”
Dia 27 de maio, às 13h30, sala 217, FEA-5
Orientador: Prof. Dr. Silvio Aparecido dos Santos
Comissão: Profs. Drs. Geraldo Luciano Toledo, Roberto Sbragia, José Roberto Frega e Heitor José Pereira
- ITALO FERNANDO MINELLO
Doutorado
“Resiliência e insucesso empresarial: um estudo exploratório sobre o comportamento resiliente e os estilos de enfrentamento do empreendedor em situações de insucesso empresarial e especificamente em casos de descontinuidade do negócio”
Dia 28 de maio, às 13h, sala 217, FEA-5
Orientador: Profª. Drª. Tania Casado
Comissão: Profs. Drs. Silvio Aparecido dos Santos, Lindolfo Galvão de Albuquerque, Antonio Artur de Sousa e Afonso Augusto Teixeira de Freitas Carvalho Lima
Agende-se para os próximos meses
JUNHO
- PALESTRA: PERSPECTIVAS DO CRÉDITO IMOBILIÁRIO E SEUS IMPACTOS NA ECONOMIA
Dia 2 de junho, às 11h, sala A1, FEA-1
Responsável: Prof. Dr. Luiz Jurandir Simões de Araújo
Realização: Comissão de Cultura e Extensão da FEA-USP
Inf.: 3091-5872, com Rose ou Bianca
Inscrições limitadas por e-mail
cpqcexfea@usp.br
SEMINÁRIOS, CONGRESSOS e PALESTRAS
- Sociologia da Globalização
Dia 8 de junho, das 17h30 às 19h30, sala G-1, FEA-1
Palestrante: Profª. Drª. Saskia Sassen (Columbia University, USA)
Responsável: Profª. Drª. Maria Hermínia Tavares de Almeida
Realização: PPGS-USP, CEM/ INCT e IRI-USP
Inf.: 3091-55942
http://www.iri.usp.br/
- SÉRIE DE SEMINÁRIOS: A CRISE MUNDIAL E O AMBIENTE REGULATÓRIO
Dias 8, 10, 15 e 17 de junho, das 14h às 18h, FEA-USP
Convidado especial: Prof. Dr. Albert Fishlow
Responsável: Prof. Dr. José Roberto Ferreira Savoia
Realização: PPGA- FEA/USP
Inf.: 3818-4023, com Cristina
Inscrições abertas e programa completo no site:
http://www.fia.com.br/ProfessorFishlow/hotsite/index.htm
- SEMINÁRIO IBRET
Dia 15 de junho, das 13h às 17h30, sala da Congregação e Auditório, FEA-USP
Responsável: Prof. Dr. Hélio Zylberstajn
Realização: IBRET
- 13º CONGRESSO INTERNACIONAL DA REDE MUNDIAL DE RENDA BÁSICA (BIEN)
De 30 de junho a 2 de julho, na FEA-USP
Coordenação: Lena Lavinas (IE/UFRJ) e
Fabio Waltenberg (Departamento de Economia – UFF)
Realização: BIEN 2010
Veja programa completo no site
http://www.bien2010brasil.com/
JULHO
- 10º CONGRESSO USP DE CONTROLADORIA E CONTABILIDADE E 7º CONGRESSO USP DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA EM CONTABILIDADE
- Retrospectiva 2001-2010 /
- Perspectivas 2011-2020
Dias 26 e 27 de julho, na FEA-USP
Divulgação da programação: 1 de julho
Responsável: Prof. Dr. Welington Rocha
Comitê: Profs. Drs. Ariovaldo dos Santos, Eliseu Martins, Fábio Frezatti, Gilberto de Andrade Martins, Nelson Carvalho, Reinaldo Guerreiro e Timothy Doupnik
Realização: EAC
Inf.: 3091-5820
-2ND BRAZILIAN WORKSHOP OF THE GAME THEORY SOCIETY IN HONOR OF JOHN NASH
On the occasion of the 60th anniversary of the Nash equilibrium
De 29 de julho a 4 de agosto, na FEA-USP
Convidados: John Nash (Prêmio Nobel de Economia 1994),Robert Aumann (Prêmio Nobel de Economia 2005), Roger Myerson (Prêmio Nobel de Economia 2007), Eric Maskin (Prêmio Nobel de Economia 2007)
Responsável: Profª. Drª. Marilda Sotomayor
Comitê: Profs. Drs. Marilda Sotomayor, Maurício Bugarin, Adhemar Villani Junior, Gustavo Andrey e Joe Yoshino
AGOSTO
- 4º CONFERÊNCIA BRASILEIRA DE RELAÇÕES DE EMPREGO E TRABALHO
Submissão de artigos: até 19 de julho
Dias 24 e 25 de agosto, na FEA-USP
Responsável: Hélio Zylberstajn
Realização: IBRET
Inf.: 2922-9626
ibret@ibret.org
http://www.ibret.org/
SETEMBRO
- XIII SEMEAD
Dias 9 e 10 de setembro, na FEA-USP
Submissão de trabalhos: 10/7
Inscrições: até 27/8
Responsáveis: Profs. Drs. Adalberto Américo Fischmann, Lindolfo Galvão de Albuquerque e Martinho Isnard Ribeiro de Almeida
Realização: PPGA- FEA-USP
Inf.: 3091-5805
semead@edu.usp.br
www.ead.fea.usp.br/semead
- INSCRIÇÕES ABERTAS PARA III PRÊMIO ABECIP DE MONOGRAFIA EM CRÉDITO IMOBILIÁRIO E POUPANÇA
Até 30 de setembro
Responsável: Prof. Dr. Luiz Jurandir Simões de Araújo
Realização: Comissão de Cultura e Extensão, FEA-USP
Inf.: 3091-5872
cpqcexfea@usp.br
Insc.: no site http://www.abecip.org.br/
Informe-se
- SUBMISSÃO DE PROPOSTAS PARA A CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE CIÊNCIA POLÍTICA
Whatever happened to North-South
Até 28 de maio
Conferência: De 16 a 19 de fevereiro de 2011, na USP
Responsáveis: Marta Arrecthe e Amâncio Jorge de Oliveria
Realização: European Consortium for Political Research (ECPR) e International Political Science Association (IPSA)
Comitê: Marta Arrecthe, Presidente do Comitê Organizador Local, Martin Bull, ECPR e José Álvaro Moiséis, IPSA
queries.bpsa@cienciapolitica.org.br
http://saopaulo2011.ipsa.org/
- V RESEARCH WORKSHOP ON “INSTITUTIONS AND ORGANIZATIONS”
De 3 a 5 de outubro, Pousada Vida Verde, Gonçalves (MG)
Palestrantes: Anna Grandori (Universidade de Bocconi - Itália) e Eric Brousseau (Universidade de Paris - França)
Responsável: Prof. Dr. Decio Zylbersztajn e Maria Sylvia Macchione Saes (PENSA)
Realização: EAD-FEA/USP, FGV, Insper e UFBA
Inf.: 3818-4005
Mais detalhes: http://www.erudito.fea.usp.br/vrwio/

sábado, 22 de maio de 2010

FRACTAL já explica o crédito e inadimplência

"Crédito farto levou a endividamento",
diz Celso Grisi
21/05/2010
No programa “Elas e Lucros” de hoje, o diretor presidente do Instituto de Pesquisas Fractal, Celso Grisi, falou sobre o alto nível de endividamento nas famílias de classes econômicas mais baixas. De acordo com estudo publicado pela Fractal, 30% delas estão com a renda comprometida até o final do ano e 11% não tem como honrar as dívidas feitas.
Na entrevista abaixo, Grisi atribuiu o alto endividamento ao excesso de crédito no mercado e à falta de planejamento financeiro das famílias, e lamentou que o crédito seja utilizado apenas para consumo.
Quais as causas do endividamento (30%) das famílias da classe C?
“Houve uma oferta de crédito excessiva por parte do sistema financeiro como um todo, envolvendo financeiras, bancos, etc. E, claro, disponibilizado um crédito tão farto, a população acabou aproveitando este momento da economia e endividou-se mais do que é recomendado.”
Por que 11% das famílias não conseguirão honrar suas dívidas?
“É preciso considerar que a renda das pessoas mais pobres está comprometida com alimentação, moradia, saúde, transporte. Só isto, nas classes mais baixas, esses itens da despesa costumam consumir de 72 a 78% da renda. Quando você tem um comprometimento de 30% dos seus ganhos (com dívidas), essas parcelas a serem pagas começam a competir com as compras de bens essenciais. E aí não há alternativa senão deixar de pagar essas dívidas, esses empréstimos, para consumir o essencial.”
Como evitar o endividamento?
“Planejar as contas pessoais e familiares. Ter uma idéia muito clara do seu rendimento, de quanto você ganha e se esse rendimento está assegurado para os próximos meses ou pelo o período em que você pegou o empréstimo. É necesário fazer os cálculos bem feitos do seu consumo para que você não assuma compromissos superiores aos que você pode pagar. Acho que falta um pouco de planejamento financeiro.”
Consumo excessivo x enriquecimento pessoal
“As classes mais baixas utilizam crédito mais fortemente e acabam pagando juros maiores porque, efetivamente, por terem renda menor, acabam representando um risco de crédito maior. Então, pagam juros mais altos, acabam contraindo compromissos maiores do que podem pagar e, pior, na maioria das vezes acabam fazendo do crédito apenas uma forma de consumo. O crédito teria de ser usado também para fazer investimentos, mas de modo geral  acaba dirigido só para consumo e isso é uma pena. Você perde capacidade de patrimonializar, de aumentar os ativos dessa pessoa, enfim, de enriquecê-la."
A base de dados da pesquisa
“Nós pesquisamos aqui na cidade de São Paulo cerca de 720 pessoas. Basicamente investigamos: estrutura de ganhos e de gastos – e como esses gastos são pagos. E estudamos também os itens que são financiados. Fizemos esse levantamento exatamente para alcançar o número de inadimplentes por modalidade de financiamento. Estudamos também as condições necessárias à recuperação do crédito.

Ainda é cedo

Investidores reagem a sinais que não se amplificaram suficientemente
Semana passada a crise na Europa parecia estar chegando ao fim. Afirmei que ainda haveria espaços para novas quedas. O mercado continuou a cair.
Nessa sexta-feira que passou, bastaram algumas notícias e o mercado reagiu. O Bank of Japan mostrou-se otimista com a recuperação e manteve a taxa de juros em 0,5% a.a. O otimismo decorre dos aumentos das exportações e da produção japonesas. O Escritório Federal de Estatísticas da Alemanha (Destatis) anunciou que o PIB do país cresceu 0,2%, no 1o. trimestre de 2010 em relação ao trimestre anterior. Embora muito modesto, o dado surpreendeu positivamente o mercado que esperava por resultado negativo. No Reino Unido, a boa notícia é que o endividamento ainda está em patamar administrável. Embora grande, a dívida líquida do setor público é de 62,1% do PIB. Trata-se de dívida de 893,4 bilhões de libras esterlinas para um PIB de 1,450 trilhão da moeda local. Ainda segundo a Agência Nacional de Estatística da região (National Statistics), o déficit orçamentário é de 9,3 bilhões de libras esterlinas em abril desse ano, contra 7,6 bilhões no mesmo mês de 2009. Dívida e déficit aumentaram, mas menos do que se esperava. O PMI (índice dos gerentes de compras) do setor manufatureiro, da zona do euro, caiu, em maio, para 55,9 pontos face os 57,6 pontos de abril. Embora seja, segundo o instituto Markit Economics, a terceira queda consecutiva, não surpreende a ninguém. Por outro lado, a UE chegou a um acordo maior sobre o controle fiscal dos países da região, prevendo punições aos excessos que vêem sendo praticados na região. Transparência das contas públicas passa a ser o nome do jogo entre os países da UE. A alemanha confirmou sua participação no pacote de socorro a países endividados. Dos Estados Unidos chegaram boas notícias. As bolsas americanas fecharam em alta em função da aprovação da reforma financeira, pelo Senado dos Estados Unidos. Desconsiderada a volatilidade dos pregões em NY e certo grau de dúvida sob a correção dos rumos do sistema financeiro, o otimismo brasileiro pareceu precoce.
Remanescem dúvidas sobre o equacionamento europeu e a reforma financeira americana ainda tem que passar por alguns ajustes adicionais, não desprezíveis, para estabilizar , no médio prazo, o sistema financeiro americano.
Portanto, ainda há espaços para novas quedas no mercado nacional. Recomendo, outra vêz,  que se suba no muro e se espere até o cenário superar as volatilidades presentes.

Milagres da tecnologia

O Banco do Brasil informa que 52% de suas operações de crédito são feitas pelos seus caixas eletrônicos.
Impensável há três anos. Os caixas eram usados quase que exclusivamente para saques, consultas, pagamentos e extratos. Dizia-se então que os demais produtos bancários não eram passíveis de tratamento de marketing para efetivação de suas transações.
A realidade negou a crença anterior. Nos três primeiros meses do ano, o BB contratou 2,2 milhões de operações de crédito. Desse total, 1,2 milhão de transações foram realizadas pelos caixas eletrônicos e apenas 730 mil (32%) foram realizadas em agências bancárias.
Para bancos com redes de agências mais modestas, esses novos hábitos de uso de bancos abrem uma nova perspectiva de distribuição de produtos e serviços financeiros. Já podemos pensar na segmentação do mercado de correspondentes bancários. Caberia desenvolver esse canal para as classe A e B, apoiados em proposta que garantisse a privacidade requerida por essas classes através dos caixas eletrônicos. Seguros, previdências e aplicações prometem crescer seus usos nesses canais.
Do ponto de vista do marketing a proposta está resolvida. Agora precisa de um projeto inteligente para o layout e a decoração desse novo ambiente transacional.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Governo minimiza crise e Bolsa cai 1,89%
Veículo: DCI   -   Data: 20/05   -   Fernanda Bompan e Ernani Fagundes
SÃO PAULO - Grande parte dos economistas brasileiros está bastante atenta à crise que ocorre em alguns países europeus. Há uma parcela dos especialistas a qual acredita que os problemas fiscais na Europa são mais sérios do que parece e por isso pode afetar economicamente o País, assim como a rolagem da dívida pública federal. No entanto, questionado sobre a possibilidade, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, descartou, ontem, a hipótese, após participar de reunião fechada com parlamentares da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados.
Ele explicou que a dificuldade no endividamento do governo ocorre quando o mercado financeiro doméstico pede taxas mais elevadas pelos títulos públicos do que o Tesouro está propenso a pagar. Essa é uma tendência atual - algo que acontece antes da crise europeia - em que o Tesouro tem recusado as ofertas.
Além disso, o secretário do Tesouro afirmou não ver risco para os títulos da dívida interna e externa com a decisão da Alemanha de proibir operações de venda à descoberto.
A professora de economia da ESPM, Cristina Helena Pinto de Mello, concorda com a afirmação de que a crise europeia não afeta negativamente a rolagem da dívida pública, "até pelo contrário". "Os agentes externos estão com receio de aplicar seus recursos na Europa, por isso buscam outros ativos. Nesse caso, o Brasil desponta como boa alternativa de investimentos. Por isso, acredito que não há como temer riscos, podemos até nos beneficiar", analisa.No entanto, a professora alerta para a possibilidade de fundos internacionais que tem aplicações na Europa e no Brasil terem que resgatar essas ações feitas no País para suprir a necessidade de recursos na região do euro. "Mas não vejo um risco eminente."
Sobre a decisão da Alemanha, ela comenta que o reflexo disso, "é de que mostra que não há cooperação entre os países europeus para combater a crise". O diretor presidente da Fractal, Celso Grisi, faz coro as opiniões. "Mesmo que haja uma falta de liquidez internacional, o Brasil não será afetado, pois o governo captou muito nos últimos meses. Foi percebido o momento e emitiu muito bônus no exterior. Por isso no médio prazo não terá impactos, talvez somente em 2011", aponta o especialista.
Grisi comenta que, apesar de que as exportações brasileiras deverão cair muito por causa da crise europeia, as commodities ainda serão vendidas àqueles países.
Aproveitando a oportunidade, o secretário do Tesouro afirmou que ainda é cedo para se falar em elevação da meta de superávit primário (economia do governo para o pagamento dos juros da dívida pública) das contas do setor público em 2010, fixado em 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas admitiu, pela primeira vez, que é possível o governo fazer um superávit maior na forma de poupança como fez em 2008, ao criar o Fundo Soberano do Brasil (FSB) sem elevar a meta.