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segunda-feira, 10 de julho de 2017

É hora de reconstrução

Depois da decisão, o crescimento será possível
A reconstrução do crescimento é aproxima tarefa em que todos deverão pensar após o desfecho do destino da Presidência da República. A tarefa não será fácil e envolverá todos avanços institucionais já discutidos à exaustão e que pedem, sobretudo, reformas estruturais.
No plano das políticas microeconômicas, urge reduzir ainda mais fortemente a taxa básica de juros da economia nacional e estimular a oferta de crédito às instituições produtoras. Elas estão ávidas por capital de giro, sempre que os custos desse dinheiro sejam claramente aproximados das taxas internacionais. Também parece indispensável retomar os programas de privatização, envolvendo toda a obsoleta infraestrutura nacional, convocando o capital estrangeiro para esse empreendimento  modernizador.
Talvez essas ações, por si só, reúnam as condições necessárias e suficientes para um novo ciclo econômico no Brasil.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O roto e o rasgado

No comércio internacional, o livre comércio ainda vive de seu discurso
A União Europeia é o primeiro parceiro comercial de origem das importações do Brasil e o segundo mercado de exportações para produtos e serviços brasileiros. Tem criticado muito a política protecionista de Trump, esquecida de sua política agrícola. Um exemplo tosco do "roto falando do rasgado".
À beira de fechar o tão esperado acordo bi-regional, ela mantém sua elevada proteção a produtos como carne, lácteos, açúcar e etanol, para não dizer de sua ambígua e subsidiada política, criada para a  proteção de sua agricultura.
A tarifa média praticada para produtos agrícolas atinge 14,1%, o triplo daquela praticada para produtos industriais. Registre-se a existência de poucos, mais escandalosos, picos tarifários, na casa dos 700%, acrescidos de 124 cotas tarifárias, impeditivas da entrada produtos agrícolas.
De forma, inconsistente com sua conduta comercial, critica o governo Trump, mas mantem um comércio claramente administrado quando se fala em produtos rurais.

sábado, 24 de junho de 2017

Não precisava acontecer

Tudo começou com a operação carne fraca 
O aparecimento de abscessos na carne "in natura" exportada do Brasil para os Estados Unidos é a prova mais cabal de que o gado brasileiro é vacinado e, portanto, livre de doenças que pudessem prejudicar a saúde humana.
A vacinação pode sim causar esses abscessos em função das práticas utilizadas durante a aplicação das vacinas. O fato é que essas pequenas lesões são desprovidas de consequências para o consumo e atestam o procedimento preventivo. Apenas a aparência da carne é que padece de sua beleza bruta e natural.
A suspensão da importação norte-americana parece estar relacionada a uma conduta mais geral, alinhada à perspectiva econômica do presidente Trump, que claramente quer proteger o país de importações de seus concorrentes. O protecionismo, nesse caso, busca proteger produtores e industriais de carne bovina, garantindo um maior nível de emprego no país e o crescimento da renda de sua população.
Sem entrar em discussões teóricas, a opção pelo protecionismo é, no médio prazo, autofágica. Punirá o consumidor americano com futuras altas de preço do produto.
Para o Brasil, entretanto, a proibição pode, sem dúvida, servir como pretexto para medidas similares a serem tomadas por outros países e, dessa forma, traduzir-se em novas perdas de share no mercado internacional. Os prejuízos para pecuária terão repercussões imediatas por toda a cadeia de produção, derrubando os preços internos e desestimulando investimentos na expansão e no aperfeiçoamento do criatório nacional.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Para onde vai o trabalho nas organizações atuais

Reciclar nossas habilidades
 não será uma tarefa fácil
As empresas com operação no Brasil, segundo pesquisa realizada pela Capgemini, têm acelerado a adoção do conceito de transformação digital, de maneira rápida e intensa. Segundo essa pesquisa, o movimento tem sido estimulado pelo maior poder do consumidor conectado e pelo agravamento das condições concorrenciais, sobretudo em relação aos novos modelos de negócios que estão sendo criados a cada momento. Seus criadores, chamados pelo sugestivo nome de "competidores nativos digitais", são organizações como o Google, Apple, Facebook, Amazon, Uber, Airbnb, Neteflix, bancos digitais e também os novos aplicativos.
Das empresas pesquisadas pela Capgemini, quase metade investe em transformação digital e, de modo geral, sua principal utilização está destinada a entender melhor os clientes das empresas. Todos os canais eletrônicos são utilizados, incluindo os dispositivos móveis. Os dados disponíveis para as empresas dobram a cada 2 anos, em função da mobilidade com as mídias sociais e da sensorização do mundo físico
Estima-se que aproximadamente 80% dos dados sejam não estruturados, isto é, estão acessíveis por meio de textos, vídeos e áudio.
A análise desses dados pressupõe o uso da inteligência artificial aplicada a grandes big data.
Talvez essa seja a melhor dica para entendermos o que deve condicionar o sucesso da carreira dos novos profissionais. Ou, dos mais velhos, que tem nessa pesquisa uma boa pista para atualização de suas habilidades.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Primeiro a Alemanha, depois a Espanha e, em seguida Portugal

Agora é a vez da França
Enquanto o Brasil vive a às voltas com sua recessão crônica e com problemas políticos sérios para aprovar suas reformas trabalhista, tributária e previdenciária, na Europa, a França parece mostrar fôlego para resolver os mesmos problemas de maneira mais rápida.
Com uma crescente população em idade economicamente ativa e com produtividade elevada, a França acaba de eleger um legislativo de maioria liberal, disposta a dar apoio às medidas reformista de Macron, destravando os investimentos em sua economia e dando novo impulso ao crescimento econômico e à redução do desemprego. Portugal e Espanha, tidos anos atrás como os maiores riscos na periferia da União Europeia, crescem a taxas surpreendentes. A Alemanha continua a exibir sua saúde econômica, enquanto o Reino Unido patina nas suas ideias separatistas, com sua moeda em baixa no mercado internacional. Bancos deixam Londres à busca de Frankfurt. Paris será uma opção interessante para as instituições financeiras, se Macron andar rápido no plano tributário e trabalhista.
O Brasil, exportador de matérias primas, tem perdido participação em vários mercados globais e, se não superar a crise política em que se vê metido, não conseguirá por fim à longa recessão que experimenta nos últimos anos e, nem mesmo reduzir os níveis de desemprego e de insegurança que enfraquecem o mercado nacional.


segunda-feira, 19 de junho de 2017

A próxima safra americana pode ser decepcionante

Reduzindo o nível de especulação com as commodities agrícolas.
A próxima safra agrícola já se encontra plantada nos Estados Unidos.  Algumas culturas tiveram que ser replantadas por excesso de chuva. Outras sofreram com o calor excessivo e o tempo seco que se sucedeu. Tudo isso já aconteceu e faz parte do passado. Agora é acompanhar o regimes de chuvas durante o período de adubação em cobertura e depois no momento em que as culturas devem granar.
O primeiro balanço dessa safra deixa claro que o trigo apresenta condições sofríveis e, portanto, a tendência do preço será de alta para o próximo mês.
Igualmente as culturas de milho se apresentam em condições apenas regulares, sinalizando para alta de seus preços nos mercados internacionais. Por outro lado, é preciso notar que a demanda pelo cereal está firme, o que tende a reforçar a tendência altista.
A soja também não vai bem nos Estados Unidos e os preços do grão continuam a crescer nos mercados futuros.
Por fim, o algodão, no sentido oposto, vai muito bem. O plantio e a evolução da cultura prometem uma safra alentada e os preços tendem, a cair em Chicago.
Tudo tem parecido muito bom para o Brasil. Se essa situação se confirmar, a China, para garantir o aprovisionamento de proteína vegetal, começará a aportar seus graneleiros no norte do país, já no mês de março. Os chineses temem pelo desabastecimento de grãos. Então, os preços internos terão espaço para subir e recuperar a lucratividade da safra de 2016/2017. O plantio brasileiro se inicia logo que o que o inverno acabe, com as primeiras chuvas da primavera. Nesse momento, teremos condições de fazer previsões precisas sobre preços e quantidades. Mas, as perspectivas são muito boas.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Investidores são homens de fé

Nada, de fato, faz o investidor perder a confiança no Brasil
A crise política é imensa. A crise econômica não é menor. Mas os investidores estão entusiasmados. Só nessa semana, ainda que muito curta devido ao feriado de quinta-feira, tivemos as seguintes notícias:
1)- A CMA GCM, companhia de navegação de capital francês, divulgou a conclusão do acordo para aquisição da Mercosul Line, empresa de cabotagem (navegação entre portos do mesmo país) pertencente a Maersk Line.
2)- A Maersk havia comprado a alemã Hamburg Sud, dona da Aliança que, por sua vez, é líder no tráfego marítimo doméstico brasileiro. Temia uma ação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica do Brasil que, provavelmente apontaria para concentração no mercado de cabotagem.
3)- A empesa norte-americana AGCO, empresa que detém a marca Massey Ferguson, e uma das grandes produtoras mundiais de máquinas agrícolas, está concluindo a aquisição milionária da Kepler Weber, tradicional produtora de silos e equipamentos para armazenagem de grãos. Esse negócio estaria na casa dos US$ 200 milhões.
4)- O banco espanhol Santander avalia a compra do brasileiro Banco Original. O Original tem forte atuação no agronegócio, área de interesse estratégico do Santander.
5)- Também já circulam rumores sobre a venda da Vigor. As maiores interessadas seriam as francesas Danone e Lactalis.  O processo de venda estaria em estágio inicial. Haveria ainda duas outras interessadas, uma mexicana, outra suíça.
Os investidores estrangeiros demonstram um grande interesse em ativos brasileiros, sobretudo para os chamados investimentos externos diretos. Nada abala a fé desses homens. Eles querem frequentar o mercado nacional porque esperam dele uma boa rentabilidade.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Vendemos commodities. Compramos manufaturados.

Toneladas por quilos
O comércio com a china, de janeiro até maio, desse ano, apresentou números interessantes:
A corrente comercial sino-brasileira alcançou a ordem dos US$ 32 bilhões. Um crescimento de quase 30% em relação a igual período de 2016.
Nas exportações o Brasil cresceu cerca de 40%, atingindo US$ 22 bilhões, se comparado ao mesmo período de 2016.
Nas importações da China houve aumento de 10%, nos 5 primeiros meses de um ano para outro. As importações totalizaram US$ 10 bilhões.
As exportações brasileiras são representadas na sua imensa maioria por commodities: soja, minério de ferro e petróleo. No sentido contrario, o valor das importações envolve basicamente aparelhos elétricos e suas partes (US$ 3,4 bilhões), compras de instrumentos mecânicos (US$ 1,5 bilhão). São produtos manufaturados chineses chegando ao Brasil.
Os termos de troca parecem sofrer de deterioração continuada. A qualidade do comércio com a China não entusiasma.

terça-feira, 6 de junho de 2017

Nos bastidores da diplomacia, o acordo é tido como certo

Ganham força os rumores sobre a assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul.
Em relação ao acordo comercial UE - Mercosul, o que há de mais concreto até agora, para o Brasil, são as declarações da Chanceler Angela Merkel. As manifestações de outros países da UE são raras e difusas.
Os alemães deixaram muito claro seus maiores interesses em relação ao Brasil. Eles estão centrados em um bom número de itens:
ü Direitos de propriedade intelectual e aumento da segurança jurídica para investimentos de empresários alemães no Brasil;
ü  Agricultura, envolvendo principalmente soja, fertilizantes e outros insumos;
ü  Meio ambiente, com preservação da biodiversidade, redução a zero dos desmatamentos e descarbonização da agricultura
ü  Venda de tecnologia às empresas pequenas e médias brasileiras
ü  Terras raras, reduzindo à dependência do fornecimento chinês;
ü  Investimentos em infraestrutura (portos e aeroportos);
ü  Fim da dupla tributação nos fretes aéreos e marítimos
O Brasil teria muito a ganhar nisso tudo. Analisando a pauta desses interesses, a complementariedade econômica é notória. Justifica o otimismo reinante nos bastidores

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Cinco anos de Código Florestal

O Código Florestal: uma iniciativa indispensável
O Código é uma das melhores iniciativas para reconciliar a expansão da agropecuária, e de sua produtividade, com a conservação ambiental. Nele, foram criadas alternativas de revegetação, restauração e compensação, de modo a tender todas as expectativas dos agropecuaristas e permitindo a regularização por meio de Programas de Regularização Ambiental. 
O CAR (cadastro Ambiental Rural) será a grande métrica para aferir os avanços de toda essa iniciativa e espera-se que, a partir de 2018 todos os produtores tenham sua propriedade absolutamente diagnosticada em seus usos e vocações, estimulando os ajustes requeridos pelas boas práticas do setor.
O CAR aponta a existência de um déficit de vegetações nativas de 166 milhões de hectares. Mostra também um passivo de 5,8 milhões de hectares de Áreas de Preservação Permanente e outros 14,9 milhões de hectares  em Reserva Legal.
Os impactos desses ajuste não serão desprezíveis. As cadeias agropecuárias terão de  buscar fundos para isso. Precisaram buscar formas de monetizar as áreas destinadas a propósitos ambientais. A sociedade como um todo, envolvendo nisso todas as nações, deverá entender o importante papel que que terão no fornecimento do funding exigido pela implantação e sustentação de operação dessa magnitude. Afinal, a sociedade é uma das maiores beneficiárias dessa política ambiental. Por outro lado, os conglomerados urbanos abrigam as maiores fontes poluidoras do planeta. Deles esperam-se medidas mais severas de preservação e de recuperação, que venham a se somar aos esforços que o campo deverá fazer nos próximos anos.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Parem o mundo. Eu quero descer.

O mundo não quer parar.Você não vai descer.
Veja como ele caminha:
1)- A inflação na Zona do Euro, medida em relação ao consumidor final, caiu de 1,9% em abril para 1,4% em maio.
2)- A Índia reduziu o ritmo de sua atividade econômica. No primeiro trimestre desse ano o crescimento de seu PIB foi de 6,1%, contra 7,0% no mesmo período do ano passado.
3)- Na Argentina, Magri havia prometido inflação de 10% para 2017. As consultorias econômicas estimam que a inflação estará entre 22% e 25% para esse ano. Em 2016, a inflação superou os 40%.
4)- O milho subiu ontem em Chicago. Agora o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos começa a se desmentir. Foi elegante ao se desdizer, afirmando que a alta decorre da qualidade do milho plantado.
5)- A desaceleração do crescimento chinês faz o minério de ferro voltar a cair. O preço dessa quarta-feirada ficou em US$ 57,02/ tonelada.
6)- O barril de petróleo também está em baixa. Ontem o barril do Brent fechou a US$ 50,31, em Londres. A OPEP não está conseguindo manter os preços, mesmo depois de ter prorrogado o acordo que limita a produção, até março de 2018.
7)- No Brasil a taxa Selic está em 10,25% depois da reunião do Copom, feita ontem. Foi uma queda de mais 1,0%.
8)- Nos Estados Unidos a inflação permanece abaixo da meta. O Fed fica sem suporte para subir novamente os juros internos.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Sem horizontes

Os Estados Unidos não participarão dos problemas mundiais?
O encontro anual dos líderes dos sete países mais industrializados do mundo mostrou que a liderança mundial norte americana está agonizando. Não houve evolução nos assuntos referentes ao clima. A única preocupação compartilhada por todos, inclusive pelo presidente Trump, diz respeito ao terrorismo. Em termos de política econômica, os resultados foram desastrosos e não se desenhou qualquer agenda para temas relevantes, como por exemplo, o livre comércio.
Em relação à imigração, cada país vai poder decidir quantos imigrantes deseja acolher e quando, podendo fechar as fronteiras, se necessário. A necessidade dos italianos de dividir com os outros países os milhares de refugiados que chegam às ilhas sicilianas, foi ignorada. A ausência dos Estados Unidos em temas importantes para o futuro da economia mundial foi a nota triste do evento. Essa ausência significa a renúncia de Tump à liderança mundial. Seu pedido para que todos deixem de exportar para o país foi patética e melancólica. Pobre homem.

sábado, 27 de maio de 2017

Das galinha e das raposas.

As grandes empresas querem aprender os segredos das startups
De modo geral, os esforços inovadores em empresas de grande porte não estão sendo tão bem-sucedidos quanto elas desejariam. Os resultados financeiros são parcos e deixam insatisfeitos os gestores e seus acionistas.
Para resolver esse problema, as companhias de maior porte estão criando os chamados “espaços coletivos” de inovação aberta, bem como formas de aceleração dessas iniciativas.
Convidam as startups para participarem de projetos conjuntos de desenvolvimentos de produtos e serviços.
O objetivo declarado é o de levar para dentro das empresas os ambientes existentes nessas pequenas unidades inovadoras, produzindo internamente a um clima receptivo às novas ideias e estimulando a criatividade de seus colaboradores. Esperam que com isso aperfeiçoem os resultados dos esforços de inovação. A introjeção desses conhecimentos deve garantir, no longo prazo, a competitividade da empresa e, portanto, a sobrevivência do negócio.
Para tornar a proposta atraente, as companhias oferecem apoio em forma de consultoria externa, mentoria com profissionais experientes, podendo chegar à discussão sobre modelos de negócios e treinamentos em gestão. No pacote estão incluídos contratos com fornecedores e a participação percentual na startup. De fato, o negócio criado e a inovação alcançados acabam nas mãos das grandes companhias.
Ela se apropria do negócio, aprende a desenvolver outros tão criativos, contra a participação minoritária do criador. Parece que puseram a raposa para cuidar das galinhas.

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Um mundo mais beligerante

O comércio internacional de armas cresce, em um mundo mais conflitivo
O Instituto Internacional de Pesquisa pela Paz, de Estocolmo, informou que o fluxo de armamentos para a Ásia, Oceania e Oriente Médio aumentou nos últimos cinco anos.
Os maiores exportadores de armas são os Estados Unidos, a Rússia, a China, a França e a Alemanha. Sozinhos representam 74% do volume total de vendas de armas.
As importações de armas pelos países da Ásia e da Oceania aumentaram 7,7%, desde 2007 até 2016.
A Índia é o maior importador mundial de armas, com 13% do total. Um destaque é o Vietnã, que passou do 29° para o 10° lugar, com aumento de 202%. O relatório revela ainda que as transferências de armamento pesado entre 2012 e 2016 atingiram o maior volume desde o fim da Guerra Fria.
No Oriente Médio, as importações de armas cresceram 86%, o equivalente a 29% do total mundial. Os países que mais adquiriram armamento na região foram a Arábia Saudita e o Catar, com aumento de 212% e 245%, respectivamente.
Nos últimos cinco anos, a maior parte dos estados do Oriente Médio busca, com as importações da Europa e dos Estados Unidos, acelerar sua capacidade militar.
Apesar da diminuição do preço do barril do petróleo, os países da região continuaram a encomendar mais armas do que em 2016. Eles consideram a medida um instrumento essencial para enfrentar conflitos e tensões regionais.
Os Estados Unidos continuam sendo o principal exportador, fornecendo armas para pelo menos 100 países em todo o mundo. A Rússia representa 23% das exportações mundiais, sendo que 70% do seu armamento são destinados para a Índia, o Vietnã, a China e a Argélia.
A China exporta de 3,8% a 6,2%. França e a Alemanha, 6% e 5,6%, respectivamente.
O relatório aponta uma redução de 19% na compra de armas pela Colômbia, possivelmente por conta do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e um aumento de 184% no México.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Cambio destrava as exportações das commodities agrícolas. Clima prejudica o plantio norte-americano
Com a alta do dólar, provocada pela situação política brasileira, o Brasil pode ter vendido mais de 5 milhões de toneladas de milho e soja no mercado internacional, nesses poucos dias. As regiões comercialmente mais ativas, nesse período, foram as do sul do país (Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina), e do Matopiba (formada pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
Os preços em reais também melhoraram. O episódio político serviu para mostrar que o dólar deveria valer pelo menos R$ 3,40. Essa taxa de câmbio permitiria que o produtor pudesse ter um ganho, ainda que pequeno, a partir da comercialização de sua produção.
Neste ano, o país apresentou uma safra recorde em todos os estados, com exceção dos estados do Nordeste. Com produtividade alta, a oferta tornou-se abundante derrubou os preços internos, comprometendo a lucratividade dessas culturas.

Nos Estados Unidos, o plantio recém iniciado ainda não está claramente definido. O regime de chuvas e as variações temperatura podem provocar uma redução da produtividade naquele país, pressionando os preços na Bolsa de Chicago para cima. A demanda de grãos, por seu lado, permanece firme, com comportamento bastante ativo.
Independentemente dos preços alcançados nesses últimos dias, o clima continua amedrontando os compradores de cereais. Na verdade, não se chegou até o momento a uma previsão definitiva sobre a nova safra americana. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulga estimativas que apontam para o crescimento da área já plantada no corn belt, o cinturão do milho. Os agricultores, no entanto, relatam dificuldades para avançar com o plantio em função do excesso de chuvas. As baixas temperaturas também contribuem para prejudicar a germinação das sementes e castigam os pés nascidos.
Entre agricultores já se fala abertamente na necessidade de replantio, em boa parte da área plantada, com a natural redução da produtividade e a elevação dos custos por acre cultivado.

terça-feira, 23 de maio de 2017

E agora, José?

Crise política enfraquece, mas não impede, as possibilidades de reformas
As incertezas políticas abalam a confiança na economia, na medida em que tornam mais distantes as reformas esperadas. Pior, porque antecipa um rompimento com uma política fiscal mais austera e quebra com os esperados fundamentos econômicos para os próximos anos. Há, entretanto, outras variáveis em jogo.
É preciso reconhecer que a sociedade brasileira hoje é muito diversa daquela de anos atrás, onde o paternalismo imperava nas relações sociais. Hoje o cidadão prefere uma doutrina mais autônoma e contratualista. Que contratar seu casamento, quer contratar seu voto contra uma conduta política esperada, quer contratar suas relações comerciais, etc. Enfim, as reformas fazem parte dos seus anseios, do acervo de suas expectativas e ele quer vê-las realizadas. Não pode haver grandes retrocessos nesse processo, com esse, ou com qualquer outro presidente.
O cenário de retomada da economia pode vir a ser mais lento, mas será uma imposição dos eleitores. Os problemas decorrentes das populações desempregadas são enormes, a desorganização social, imposta por uma combinação de miséria social e de perda do sentido moral da vida, eleva o clima de pressão sobre o legislativo. A crise política é apenas de curto prazo e não paralisará os avanços no bojo do estado. Eles virão em velocidades diferentes para cada um dos poderes constituídos.
A agenda econômica responsável já está construída. Dela, os políticos não poderão se afastar. Os mercados estão precificados e já demonstram algum otimismo nos seus preços. Estamos vivendo uma mudança sem precedentes em nossas formas de organizar a vida social. 
Legislativo e Judiciário precisam entender o momento político e a extensão gravíssima da crise social. Devem agir rápido, mas parcimoniosos em suas decisões, para garantir continuidade do processo de consolidação econômica.

domingo, 21 de maio de 2017

Retratos do Brasil

Entender as populações indígenas
ainda é um desafio
O “Caderno Temático “Populações Indígenas no Brasil”, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, faz um mapeamento sobre a localização dessas populações e das movimentações territoriais realizadas por elas nessas últimas décadas. Revela também aspectos culturais inéditos, até o Censo de 2010.
São cerca de 900 mil índios vivendo no Brasil, divididos em 305 etnias e falando 274 línguas diferentes. O número de indígenas que habitam áreas urbanas está diminuindo. Essas populações estão voltando para aldeias, no campo, e pedindo a demarcação de áreas para viver com seus hábitos e valores preservados.
O percentual de índios que fala uma língua nativa é seis vezes maior entre os que moram em terras indígenas, do que entre os que vivem em cidades.
O estudo aponta que, entre 2000 e 2010, os percentuais de indígenas brasileiros que vivem nas regiões Sul e Sudeste caíram, enquanto cresceram nas outras regiões. A região Norte abriga a maior parcela de índios brasileiros (37,4%), seguida pelo Nordeste (25,5%), Centro-Oeste (16%), Sudeste (12%) e Sul (9,2%).
A taxa de fecundidade entre mulheres que moram em terras indígenas também é significativamente maior que entre as que vivem em cidades. Em terras indígenas, há 74 crianças de 0 a 4 anos para cada 100 mulheres, enquanto nas cidades há apenas 20.

sábado, 20 de maio de 2017

Frigoríficos abrigam grandes trapaças no Brasil

O fornecimento de carne bovina ficou mais difícil para o Brasil 
O panorama mundial da carne poderia ter sido muito favorável ao país. A Austrália vive uma seca intensa, com suas pastagens comprometidas e com escassez de boi gordo. A Argentina ainda está de baixo d’água depois de tantas chuvas. O gado já não resiste a persistência da umidade elevada, com um estado corporal muito fraco, no exato momento em que o inverno  se aproxima.
Haveria espaço para que as exportações brasileiras fossem melhor remuneradas. Mas o escândalo da "carne fraca" comprometeu essa possibilidade. A JBS, maior fornecedor mundial de carne bovina, está envolvida nesse episódio e, para complicar o que já era difícil, acaba de comprometer-se com uma delação premiada que expõe suas práticas comerciais e empresariais. As possibilidades de qualquer recuperação de suas exportações estão comprometidas, no curto e no médio prazos, pelo desrespeito completo às normativas dos programas de integridade. Os problemas para a próxima semana não são menores. A Comissão de Valores Mobiliários abriu mais quatro processos administrativos referentes a denúncias de irregularidades em negócios nos mercados de capitais, envolvendo os principais acionistas do grupo e a própria JBS. Um dos processos trata de uso de informação privilegiada em operações no mercado de dólar futuro e com ações da JBS. Um outro investiga a atuação do Banco Original e da J&F no mercado de derivativos. Outro, de natureza jurídica assemelhada analisa a atuação da própria JBS no mercado de dólar futuro. E por final, mais outro processo investiga negociações do controlador da JBS com ações da companhia.
Nessa sexa-feira, o grupo J&F não aceitou os termos do acordo de leniência propostos pelo Ministério Público Federal, que previa pagamento de R$ 11,17 bilhões. Aqui, as consequências para o grupo podem ser fatais.
Disso se aproveitam os Estados Unidos, avançando as negociações para fornecimento do produto para a China. O mercado chinês para importações de carne bovina do Brasil está na casa dos US$ 4 bilhões por ano.
Os Estados Unidos tiveram suas exportações para China suspensas em 2003 em função do problema da "vaca louca". A tese vencedora, do então ministro da agricultura do Brasil, sustentou que nossa carne provinha de “boi verde”, alimentados apenas pelas das pastagens brasileiras. Entretanto, os escândalos sucessivos protagonizados pela indústria da carne, facilitou as renegociações entre China e Estados unidos que devem estar concluídos no final do próximo mês, conforme anuncia o Departamento da Agricultura norte-americano. A China impõe aos pecuaristas americanos que suprimam a utilização de medicamentos que estimulam o crescimento dos animais a serem importados por ela. Impõe também uma cláusula de rastreabilidade que possa permitir o controle dessa obrigação e dos demais movimentos dos rebanhos. O cumprimento dessas cláusula não é tão simples, pois pate dos terneiros que vão à terminação em território americano é fornecida pelo México.
Disso tudo, fica um recado forte para Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes: compliance, segurança alimentar e rastreabilidade são prioridades definitivas para os próximos anos.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

As mudanças não param de impactar modelos de negócios existentes

Três condições para vencer no mundo digital
O mundo digital supõe três habilidades para manter competitividade empresarial.
1a) Ser rápido, ou seja, a empresa precisa ter a capacidade de se mover rapidamente, com agilidade, para perceber e responder às mudanças do consumidor, concorrentes disruptivos e condições de mercado em velocidade cada vez maior.
2a) Ser granular, acessando os dados e promovendo análises desses dados com a menor granulometria, de modo a alcançar, em tempo real, os nichos e sub-segmentos com maior potencial de compras.
3a) Ser crescentemente conectado, alavancando sua conectividade pela maior pró-atividade conferida às ações relativas ao ecossistema digital, formado por consumidores, clientes e funcionários. Essas ações devem ter os objetivos de proporcionar transparência e aprofundar o engajamento de todo o ecossistema com a empresa.
A tecnologia fará cada empresário rever seu modelo de negócio para manter-se competitivo e financeiramente saudável.

O mundo digital se aperfeiçoa para atrair clientes

Conectar e fidelizar consumidores
Empresas de produtos de consumo encontram hoje um novo desafio: envolver-se com os consumidores que são, cada vez menos atentos e que são cada vez mais conectados.
O esforço procura atingir a jornada dos clientes, desde o momento em que eles tomam consciência da existência da loja ou do produto até a decisão de compra, do uso do produto e, se possível, de suas reutilizações.
Pesquisas conduzidas nos Estados Unidos dão conta que:
• Us$ 0,56 de cada dólar gasto em uma loja passam por alguma forma de interação digital com o consumidor.
• US$ 0,37 das vendas nas lojas decorrem de algum tipo de interação com outros consumidores que utilizam dispositivos móveis.
• 55% dos consumidores conhecidos como millennials e 44% dos não-millennials declaram utilizar algum tipo de dispositivo digital durante suas viagens de compras.
• A participação das vendas de alimentos e bebidas no varejo eletrônico, em 2020, está estimada em 2,7% de toda a venda por esse canal.
Shoppers são 29% mais propensos a fazer uma compra no mesmo dia, quando usam as mídias sociais.
Esses números, levam as empresas de produtos de consumo, bem-sucedidas, a investir no desenvolvimento de habilidades digitais, para engajar e conduzir o comportamento do consumidor em uma jornada de compra mais atraente e gratificante. É o novo modo de obter um número crescente de clientes.