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quinta-feira, 31 de maio de 2012

Depois de tudo, as coisas continuam fora do lugar

Por quantas andam as expectativas
dos agentes econômicos
O Ibovespa desceu para 53.797 pontos, com movimento financeiro abaixo da média do mês de maio. Analistas atribuem tudo à deterioração do quadro europeu que ampliando a aversão a risco promovem a fuga de capitais. Por isso, o dólar apresentou-se em alta de 1,51%, fechando em R$2,0170.
Não se fala de causas internas. Curioso e intrigante.
O Índice de Preços ao Produtor, apurado pelo IBGE, aponta uma alta de 1,38% no mês de abril, em relação a março. O índice já havia mostrado uma alta 1,04%, em março. O IGP-M da FGV mostrou alta de 1,02% em maio, após ter subido 0,85% em abril. Esse desempenho dos preços no Brasil está sendo visto por todos os analistas mundiais.
Vai que a política de afrouxamento monetário, para produzir crescimento econômico, esteja sendo obsevada pelo investidor. Política que não tem produzido os resultados esperados, conquanto esteja associada a essas altas de preços, em meio à expressiva contração econômica atual.
O fluxo cambial da semana passada foi um desastre que não pode ser explicado apenas pela Europa. O saldo líquido ficou negativo em US$ 1,253 bilhão. Melhor seria pensar em um país que não apresenta horizontes previsíveis para ninguém. Não há um plano para o país. Não se consegue imaginar as direções que nossa economia seguirá.
O populismo ameaçador, em confronto com os agentes econômicos, aponta para o voluntarismo político. As eleições parecem ser a única meta do governo federal. Punir é a palavra de ordem no campo, na esfera econômica e na esfera política. É como se uma Comissão da Verdade fosse criada para evitar anistias às montadoras, bancos e agricultores. O Governo Federal declarou guerra a quem recolhe impostos. O Resultado Primário apresentado ontem, para o mês de abril, aponta um superávit primário de R$ 11,212 bilhões, 47% maior que o registrado em março. Esse resultado foi tido como medíocre. Esperava-se por números bem maiores.
Resta cogitar se a Europa não tem sido usada para explicar problemas originados pelo descontrole das políticas econômicas e pelo casuísmo eleitoral que a tem dirigido. Sem horizontes previsíveis o dólar prefere refugiar-se em outras regiões do mundo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Exageros e desesperos


Alta do IGP-M, em maio
A inflação já voltou. O crescimento ainda não. Foi apenas uma pressão sobre preços industriais, decorrente da depreciação cambial?
Parece que sim. O IGP-M da FGV para maio confirmou as previsões dos analistas, com uma alta de 1,02%. Pior, bem no dia da reunião do COPOM.
A aceleração já vinha acontecendo desde abril, quando o indicador registrou alta de 0,85%. No mês de maio, os preços industriais alcançaram 1,29% e, parte não desprezível deles é importada.
A desvalorização do real contribuiu, sem dúvida, para o resultado de maio, entretanto não se pode esquecer da pressão exercida pelos produtos alimentícios, cuja alta não tem nada a ver com os problemas cambiais.
Entre os alimentos, a maior alta veio dos produtos “in natura”, sem que isso possa ser explicado por fenômenos climáticos ou por sazonalidades da oferta ou da procura. Espantoso também que, em meio à retração econômica vivida no país, o IPC-M, no varejo, tenha subido 0,50% e o INCC, tenha alta de 1,30%.
Repito que, se o COPOM tiver juízo, os juros deveriam ficar onde estão. Será possível entender uma queda para 8,5%, depois de todo o barulho feito em cima do sistema financeiro. Mas, francamente não é momento para exageros e muito menos para desesperos.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Surpresa agradável


Inadimplência empresarial em queda
A inadimplência das empresas recuou 9,5% em abril, em relação a março passado. A informação é do Serasa Experian.
Vale ressaltar que em relação a abril do ano anterior, a inadimplência atual é 11, 8 % maior Considerando-se os primeiros quatro meses de 2011, a inadimplência do primeiro quadrimestre desse ano é 18,7% maior.    
Portanto, embora os números venham desagravar uma situação já perigosa, o sistema financeiro não pode descuidar-se. Muito desse resultado alcançado decorre da administração cuidadosa do crédito, nesse período, pelos bancos. É bem verdade que as primeiras medidas governamentais possam ter contribuído, em alguns setores, para a redução da inadimplência.
Mas é de se pensar que o aprofundamento da crise tenha levado o empresário a “desovar” seus estoques, formados em períodos anteriores, quando ainda havia previsão de melhor desempenho da economia.  Com a redução dos estoques e de suas compras, as empresas “fizeram caixa” para reduzir seus atrasos e honrar seus compromissos.

Para quem ficará o mico


E agora, José?
A Grécia poderá deixar a Zona do Euro, sem dúvida. Claro que entendo essa decisão como desastrosa para a Grécia e destrutiva para a Zona do Euro.
A situação é particularmente difícil por várias razões e acontecimentos nos últimos dias. O país enfrenta uma corrida aos bancos, a economia encontra-se claramente descapitalizada, o desemprego é política e socialmente insustentável e sua capacidade de troca com o exterior está inviabilizada por razões variadas.
Atendendo a apelos europeus a China comprou diversos papéis do governo grego. Outros países ficaram alheios às questões européias. O próprio Estados Unidos “caíram fora” de suas posições na Grécia, enquanto os chineses, ao contrario, apostaram na recuperação de gregos, italianos e espanhóis.
Portanto, a crise provocada pela Grécia atingirá fortemente a Europa, mas deixará marcas profundas na Ásia.
O comércio mundial deverá sofrer uma paralisia sem precedentes, levando junto o setor de transportes, seguros internacionais e de financiamentos ao comércio mundial. A indústria naval, de aviação, as companhias de navegação marítima, os portos, armadores, financiadores, seguradores e demais elos da cadeia vão “acusar o golpe” em seus faturamentos e lucros.

Educação rural

Formando um novo trabalhador rural
Entre as grandes preocupações do Dr. José Sidnei Gonçalves esteve sempre presente a idéia da preparação dos homens que trabalham no campo. Em memória a ele, falecido precocemente na semana passada, produzimos esse programa. Contamos, para isso, com a preença do professor Luiz Carlos Menezes, doutor em física e pensador dos problemas da educação nacional.
Veja a nova escola e a proposta para formação para o trabalho e pelo trabalho:
http://vimeo.com/42975499

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A semana vai comecar

A semana vai ser agitada e prenuncia
um mês muito difícil
O PIB do primeiro trimestre, a ser anunciado nessa semana, deve confirmar as expectativas de crescimento muito baixo.
A indústria pode vir com crescimento negativo, outra vez. Para "salvar a lavoura" todos contam com um crescimento mais forte do setor de serviços.
Serão anunciados dados referentes ao consumo das famílias. Possivelmente esses dados darão conta de que o crescimento do consumo perdeu velocidade. Teremos também o anúncio sobre o nível de investimento na economia nacional. É de se esperar que nesse particular estejamos frequentando o território dos números negativos. A taxa de formação bruta de capital fixo deve ser desastrosa, outra vez. O governo mantém um investimento muito acanhado e a iniciativa privada ainda luta para ocupar sua capacidade ociosa. Os estrangeiros bateram em retirada com seus dólares e suspenderam ou adiaram seus investimentos.
O Copom, se tiver juízo, não deve ir além dos 8,50% para a Selic. Depois, precisará de mais um tempo para ver o que acontece. Aí sim, se o quadro permitir, aprofundará o corte da taxa.
A apreciação do dólar pode se constituir em freio à redução das taxas, sobretudo pelas pressões que gera sobre os preços internos.
Do ponto de vista cambial, o mês de junho trará grandes preocupações para as autoridades econômicas nacionais:
  1. Acompanhar a evolução dos preços internacionais das commodities.
  2. Monitorar a aversão ao risco-Brasil. Os capitais que representam investimentos externos diretos precisam ser chamados de volta.
  3. Reverter o resultado da conta corrente brasileira, com apoio nesses investimentos.
  4. Descaracterizar a imagem protecionista construída para o país, nesse ano.
  5. Acompanhar a variação do dólar em relação a outras moedas fortes.
  6. Balancear a taxação sobre fluxo de capitais externos, readquirindo a confiança do investidor internacional, sobretudo dos investimentos externos diretos.
  7. Dosar suas ações sobre a indústria automobilística e sobre o sistema bancário, evitando caracterizar um governo excessivamente intervencionista ou esquerdizante. O mercado internacional já está suficientemente assustado com as últimas nacionalizações na América Latina.
  8. Permitir depreciação do real, sinalizando para indústria que a taxa do dólar pode ser uma barreira aceita e legítima às importações excessivas. Por outro lado, estimularia as exportações pela recuperação parcial da competitividade do produto brasileiro.
  9. Retomar com maior vigor as negociações com governo argentino para recuperação das exportações nacionais àquele mercado.
A agenda das autoridades nacionais, em junho, pelo jeito, vai estar cheia.


domingo, 27 de maio de 2012

A semana que passou, no Brasil

Uma síntese das postagens da semana passada
A retração tem sido maior do que todos esperavam e, mais, tem se mostrado muito resiliente às medidas de estímulos ao crescimento econômico. Segurou sozinha a inflação, medida pelo IPCA, em 5,05%, nos últimos 12 meses.
Para tentar decolar a economia, o governo tem impulsionado o crédito. A carteira de crédito expandiu-se no mês de abril, em 1,2 % e juros e spreads foram reduzidos. As tarifas bancárias, entretanto, sofreram altas. A inadimplência continua a atormentar a todos. Em abril, mostrou-se em alta. Mas os analistas e o governo garantem que esse foi o último movimento de alta. Daqui para frente, prometem que a inadimplência deve recuar.
O mercado de trabalho registrou marca empolgante para o desemprego no país: a taxa de desemprego ficou em 6,0%, no mês passado.
Por fim, o governo lançou, no primeiro dia da semana, um novo conjunto de medidas, objetivando incentivar o consumo. Sem nenhuma originalidade, editou o pacote que poderia ter sido chamado de “Pacote do mais do mesmo”. Uma reedição empobrecida das medidas de 2008:
1)  redução do IOF em operações de crédito ao consumidor
2)  diminuição do IPI de automóveis
3)  taxa de juros menores no Programa de Sustentação do Investimento do BNDES
4)  liberação de parte dos depósitos compulsórios.
A indústria automobilística foi a grande premiada. Reduzirá seus estoques e não deverá por em execução planos de demissões que estavam sendo estudados, por parte do setor.
Os bancos não ficaram de fora. Contam com R$18 bilhões liberados do compulsório, mas comprometeram-se a reduzir os juros dos empréstimos, aumentar o número de prestações e reduzir o valor da entrada. Temerário, mas não tinham outra saída diante das pressões governamentais.
A avaliação de especialistas é que as medidas farão algum efeito sobre o nível da atividade econômica, mas entendem que os resultados serão modestos.

Estados Unidos patina

Dados dos Estados Unidos mostram
economia travada 
Em matéria de criação de emprego, no setor privado, os Estados Unidos nos últimos três meses registram uma desaceleração significativa, conforme as últimas notícias sobre o payroll e a pesquisa ADP. Essa talvez seja a maior dificuldade norte-americana para impulsionar o crescimento do seu PIB. Sem novos empregos a renda cresce muito lentamente e o consumo fica estável, retardando a recuperação do país.
O PIB mantém crescimento discreto, apoiado apenas no consumo um pouco mais elevado das famílias.
Espera-se que o ISM Manufacturing possa também contribuir para um eventual fortalecimento dessa expansão. Entretanto, seria necessário ampliar os investimentos privados, reforçando a criação de novas vagas de trabalho. Isso ainda parece que só aconteceria no próximo ano, com a definição mais clara da intensidade da desaceleração da chinesa e de horizontes políticos mais definidos na Europa.

Europa afunda

Problemas europeus cresceram,
na semana que passou
A reunião dos líderes da União Europeia foi inconclusiva. Não houve acordo sobre nenhum dos pontos que justificavam a convocação da reunião.
Ficaram, então, em suspenso importantes decisões sobre o eurobônus, elemento indispensável ao financiamento das dívidas soberanas. Temas sobre regulação e supervisão do sistema bancário, muito discutidos, não foram objeto de decisões. Em consequência, o fundo garantidor de crédito remanesce como um socorro emergencial, sem funding definido, adicionando um peso extraordinário aos combalidos orçamentos nacionais.
Dessa reunião apurou-se um único consenso: incentivar o crescimento da região. Em tese, esse seria o objetivo a partir de agora, mas não se definiu como. A flexibilização das metas fiscais não foi aprovada.
Enquanto isso, os indicadores econômicos apontam para mais recessão e as economias europeias mostram-se em deterioração progressiva e generalizada da economia.
 As pressões sociais crescem na Grécia. A Irlanda também caminha para o isolamento. Politicamente, costura-se um acordo fiscal que contrariaria os mecanismos negociados com o Banco Central Europeu, com o Fundo de Estabilização e o FMI. Certamente, decisões dessa natureza levariam a suspensão das ajudas internacionais.
A situação europeia caminhou, nessa semana, em direção a um beco sem saída. Aguardemos pelos próximos movimentos.

sábado, 26 de maio de 2012

OSUSP volta a se apresentar

Na Sala São Paulo, sob regência
do maestro Bologna
A OSUSP, Orquestra Sinfônica da USP, sob a regência do Maestro Ricardo Bologna, apresenta, no dia 3 de junho, domingo, às 17h, na Sala São Paulo, o primeiro concerto da série de apresentações baseadas nos quatro elementos do pensamento Clássico. Para representar o fogo, o repertório selecionado inclui obras de Manuel de Falla,Jean Sibelius e Igor Stravinsky, bem como a primeira audição de“O Fogo no Canavial”, de Eduardo Guimarães Álvares.
O concerto contará com os solistas vocais Leonardo Pace (barítono) e Ariadne Oliveira (mezzo-soprano). Participarão também 200 vozes do CoralUSP.
No dia 1º de junho, às 12h30, haverá um ensaio aberto, com entrada franca, no Teatro do Colégio Santa Cruz, localizado à Rua Orobó, 277 – Alto de Pinheiros.
Informações: Sala São Paulo -(1500 lugares)
Praça Júlio Prestes, s/ nº. Tel.: 11 3223 3966
Ingressos de R$ 12,00 a R$ 60,00 (inteira)
Compra de ingressos:
Ingresso Rápido: www.ingressorapido.com.br - Fone: 11 4003 1212
Funcionários da USP, aposentados, estudantes e docentes têm direito ao desconto de 50%, mediante apresentação de documento que comprove tais condições.
Projeto Academia 2012
O Projeto Academia tem por objetivo o reconhecimento de talentos musicais de regentes e instrumentistas interessados em prática orquestral, propiciando aos ganhadores a participação em ciclos sinfônicos do repertório internacional da temporada de 2012. O edital e formulário de inscrição do concurso já estão disponíveis no site da OSUSP: http://www.usp.br/osusp/
OSUSP - Orquestra Sinfônica da USP
Tel.: (11) 3091-3000

Alemanha: a exceção europeia?

China e Europa espalham incertezas.
Com a Grécia emparedada entre o default e a austeridade, a Espanha “vira a bola da vez”. Os bancos espanhóis, vão receber uma injeção de euros. Só o Bankia será premiado com € 24 bilhões. Mesmo assim, a S&P anuncia rebaixamento da nota de crédito de 5 bancos do país. Dificilmente os investidores deixarão de ampliar a aversão a riscos em relação aos emergentes. Portanto, a tendência de queda das bolsas no mundo deve permanecer por mais algum tempo.
A tendência poderá acentuar-se ou reduzir-se, conforme o comportamento dos indicadores que dão conta dos níveis de atividade econômica na China e na Europa.
Na contra mão dessas expectativas, alguns investidores se apercebem de que os preços chegaram a níveis muito convidativos. No Brasil, isso ficou evidente, na sessão de ontem. As quedas pronunciadas dos mercados nessa última semana provocam a busca por ganhos avantajados durante o provável período de recuperação econômica que se avizinha. Claro que essa perspectiva de ganhos apenas se concretizará se, e quando, a recuperação acontecer.
Consumidores alemães a norte-americanas assumiram, na semana que se encerra, comportamentos financeiros semelhante aos das hienas.
Na Alemanha, a confiança do consumidor surpreendeu com sua estabilidade em 5,7 pontos, mesmo depois das fortes turbulências provocadas pela Grécia. Pareceu até que nada está acontecendo por aquelas bandas.
Nos Estados Unidos, o índice de confiança do consumidor, referente ao mês de maio, da Universidade de Michigan, aumentou para 79,3 pontos, ante os 76,4 pontos do mês de abril. De certa forma, os norte-americanos parecem alheios aos problemas da Europa e preferem lidar com o comportamento de seus próprios mercados. Internamente, nada sinaliza para uma recuperação mais forte.
As hienas estão achando graça no desmantelamento da vida econômica mundial.

Semana e seus indicadores

Os números apontam para a
necessidade de mudanças
na política econômica
O IPC-Fipe veio com alta de 0,41%, na terceira quadrissemana de maio. Na segunda prévia do mês, havia subido um pouco mais: 0,48%. O resultado indica que a inflação deu uma trégua na sua curva ascendente. Por outro lado, estando um pouco mais baixa, reflete a intensidade contração da economia nacional.
O esforço governamental para combater essa retração pode ser percebido pelas medidas do governo federal para ampliar o estoque de crédito do sistema financeiro nacional, apesar da inadimplência ter voltado a crescer. Em abril, as operações de crédito apresentam o estoque  é de R$ 2,1 trilhão e representa um crescimento de 1,2%, no mês.
O relaxamento da política monetária é bastante visível. Juros baixos, prazos alongados, oferta crescente das modalidades de empréstimos tentam incentivar o consumo. Enquanto isso, a inadimplência das pessoas físicas que estava em 7,4%, em março, evolui para 7,6%, em abril. Nos créditos a inadimplência veículos, atingiu-se o recorde de 5,9%.
Já se sabe que o endividamento das famílias atingiu um percentual inusitado.
Também já é de domínio público que o endividamento representa uma parcela inusitada da renda dessas famílias. Mesmo assim, o governo estimula o crédito e o consumo.
Quando consultado, o consumidor mostra seu pessimismo crescente. A Sondagem do Consumidor, realizada na passagem de abril para maio, mês das noivas e das mães, apontou um recuo de 1,2% na confiança do consumidor. O indicador de confiança retrocedeu de 128,7 para 127,1.
Talvez o aumento dos investimentos do governo, cuja realização anda abaixo do orçamento, e o incentivo a ampliação dos investimentos externos diretos, que também apresenta queda apreciável, pudessem trazer novo ânimo à atividade econômica.
O que não se pode no capitalismo é viver em confronto com os capitais.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Investimentos estrangeiros

Arredias, as empresas recuam
O déficit de abril na conta de transações correntes foi de US$ 5,4 bilhões. Nos últimos 12 meses, esse déficit já está em US$ 51,6 bilhões. No curto prazo, não há razões maiores para preocupações. No longo, entretanto, a tendência precisa ser revertida, sob pena de perdermos o conforto acumulado nos dois últimos governos.
As causas não são poucas, mas chama a atenção o crescimento expressivo da remessa de lucros e dividendos para o exterior. O investimento estrangeiro direto, dessa vez, não conseguiu compensar o déficit, apresentando redução US$ 800 milhões em relação a igual período do ano passado.
Assim são as coisas na economia. Ficarão bem na foto os países emergentes que mostrarem maior comprometimento com os verdadeiros objetivos de suas políticas fiscal e monetária. Caso contrário, o dinheiro vai embora.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Março e abril ainda disfarçam o desempenho da economia


Ganhos de renda crescem.
Desemprego recua
A Pesquisa Mensal de Emprego realizada pelo IBGE mostra que a taxa de desemprego, nas seis maiores regiões metropolitanas, no mês de abril está em 6,0%. É menor que a taxa de 6,2% do mês anterior e menor que a taxa de 6,4% do mesmo mês do ano passado.
 
Fonte: Site do IBGE
 A Pesquisa Mensal de Empregos trouxe ainda uma notícia muito positiva, anunciando que o rendimento médio atingiu R$ 1.719,50. Em termos reais, houve acrescimento de 6,2% quando comparado a março de 2011.
Tudo isso é passado. Daqui para frente, se as medidas governamentais não produzirem algum efeito nas próximas semanas, a taxa de desemprego deve aumentar, aliviando o mercado de trabalho e reduzindo os aumentos de rendas em termos reais.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A vida precisa de esperança

 As boas expectativas podem nascer do nada
Os investidores estão mais otimistas. Imaginam que tanto os governos europeus, como o chinês, possam lançar novas medidas de estímulo as suas respectivas economias. Oxalá assim ocorra. Tudo gira em torno do que venha a ser decidido na reunião de cúpula da União Europeia, lembrando que a União Europeia aprovou investimento de 230 milhões em programa que testa a emissão de eurobonds.
Vai daí que o otimismo estendeu-se à China, supondo que as autoridades locais também venham a flexibilizar suas políticas econômicas de forma mais contundente.
No Brasil, fórmulas anteriores são repetidas. Os resultados esperados são inferiores àqueles obtidos em passado recente. A comemorar temos apenas a postergação das demissões planejadas para o final desse mês.
Quem estragou a festa foi a Grécia. Sai ou não da Zona do Euro? Continua ou não com o programa de austeridade negociado com as autoridades europeias?
As esperanças viraram incertezas e as incertezas viraram volatilidades nos mercados financeiros.
Nos Estado Unidos o Fed, de Richmond, aponta queda de 10 pontos em seu índice que mede a atividade industrial na região, no mês de maio. Foi mais um balde de água fria em todos os que esperavam por algum crescimento que desse fôlego aos mercados financeiros.
Por outro lado, as vendas de imóveis residenciais já existentes apresentaram alta de  3,4%, no mês de abril e de 10% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As esperanças voltaram. As oscilações também.
Isso tudo pode ser definido com a expressão “os mercados fecharam com tendências opostas”, ou ainda “os mercados não apresentaram tendências definidas no encerramento da sessão de ontem”.

Combinação errática?

Não se trata de coincidência.
O IPCA-15, do IBGE, apresentou alta de 0,51% em maio. Em abril, já havia subido 0,43%. Nesse ano, o IPCA-15 está em 2,39% e nos últimos 12 meses, atingiu 5,05%. O resultado ainda é bom e a retração econômica pode contribuir para a redução da inflação em relação a 2011. Entretanto, para as próximas semanas a alta do dólar, associada ao relaxamento monetário, trarão novas preocupações sobre o comportamento dos preços.
O crescimento econômico está realmente comprometido e os números dão reforço à tese de que o governo deverá continuar buscando por novas medidas. A atividade industrial, medida pela Sondagem Industrial do CNI aponta que o nível de produção da indústria caiu em abril para 45,3 pontos, contra 54,6 pontos registrados em março. Em abril de 2001 o índice estava em 47,2 pontos.
A mesma pesquisa aponta que o nível médio de utilização da capacidade instalada manteve-se em 71% no mês de abril, crescendo apenas 1% em relação a março.
O quadro de desalento econômico pode agora ser finalizado pelos artífices da política econômica atual: a arrecadação federal de abril atingiu novo, alcançando R$ 92,628 bilhões.

Isso significa um crescimento real de 3,49% sobre abril de 2011. O leão tem fome. Só nos primeiro 4 meses desse ano, a arrecadação de tributos federais totalizou R$ 349,477 bilhões, representando um aumento de 6,28% em relação a igual período do ano passado.
A carga tributária nacional penaliza em excesso a produção. Crescendo com esse vigor em período de estagnação econômica, pressões inflacionárias e queda da produção industrial desenha para todos a solução do problema nacional.

A reforma tributária e a ampliação dos investimentos são as necessidades mais urgentes do país. Repetir fórmulas anteriores trará benefícios modestos à economia. Melhor será abandonar os aprendizados anteriores e repensar o presente, abandonando a política do “mais do mesmo”.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Volatilidade é o nome do jogo


 Dinheiro vai, dinheiro vem
Ontem a Fitch rebaixou a nota japonesa, alegando para isso a dimensão excessiva da dívida pública do país. O Japão vem de um dos maiores acidentes naturais dos últimos tempos e que o obrigou a despesas consideradas socialmente inadiáveis. Já eram esperadas e conhecidas essas pressões sobre as contas japonesas.
Para os que pudessem se assustar com o rebaixamento da nota convém lembrar que as reservas do país alcançam a cifra, nada modesta, de ¥11,8 trilhões.
As coisas parecem não ir muito bem por toda a Ásia. A China deixa entrever que a redução de seu crescimento ocorrerá de forma mais abrupta do que se tem imaginado até o momento. Isso, para o Brasil, produziria um efeito extremamente perverso sobre nossa conta corrente. As commodities poderiam experimentar, depois de muitos anos de bonança, um período que quedas mais acentuadas de preços. Investidores começam a olhar para o ouro com maior carinho, sinalizando que, em circunstância como essas, ele deixará as bolsas em países desenvolvidos, buscando refúgio no metal ou podendo voltar ao mercado financeiro de países emergentes. Será importante nesse instante exibir sólidos fundamentos econômicos para garantir os influxos de capitais.
Caso essa tendência se acentue, o Banco Central terá dificuldade em segurar a atual cotação da moeda nacional em relação ao dólar.
Na Europa, ainda repercute a idéia do Deutsche Bank, de que a Grécia poderá continuar na Zona do Euro para evitar seu default, lançando, entretanto, uma moeda paralela, com circulação apenas local.
O clima é de volatilidade extrema, enquanto no Brasil o governo procura reatar relações mais civilizadas com os agentes econômicos. Reduções de IPI em veículos, redução de compulsórios para os bancos, financiamentos com prazos maiores e com juros menores, dessa vez com o apoio do sistema financeiro. Tudo para desarmar os planos de demissões que já estavam planejados para o final desse mês.
Vamos que vamos!

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Banco Central de fora

Banco Central distante das decisões
sobre o crédito
Reduções no IPI de veículos e financiamento em 60 meses são as novas armas em estoque no arsenal do Ministério da Fazenda.
O Banco Central, alheio a essas questões do crédito, garante que a inflação começará a convergir para o centro da meta. E o faz sem nenhuma consideração ao expansionismo monetário improvisado e imprudente, ora em curso.
Imagino que esteja confiando, então, na retração da economia e na fragilidade da demanda por mais um trimestre, pelo menos.
Assustados os capitais internacionais continuam saindo e o dólar já vai além da casa dos R$ 2,00. O mercado espera por leilões que contenham essa valorização.
Chegamos ao absurdo. Dólar valorizado produz uma vertente de crescimento, via exportações. O Brasil precisa crescer, mas não pode exportar. Se exportar, faltará mercadoria aqui dentro e entrará mais dinheiro no paés aumentando as pressões sobre a inflação. Por isso, melhor deixar o real apreciado, favorecendo às importações que aliviariam a escassez de produtos, em caso da demanda subir, combatendo  os preços internos.
O problema é que importando damos emprego ao trabalhador estrangeiro e não exportando deixamos de empregar o trabalhador nacional. Armadilhas e paradoxos do monopolismo decisório.

domingo, 20 de maio de 2012

Ferrou geral.

O próximo movimento:
demissões
E o primeiro trimestre se encerrou com o PIB em 0,35%, conforme divulgação do IBC – Br, do Banco Central.
Agora o anúncio tem chapa branca: crescimento só para o ano que vem. Demanda em queda, crédito imobilizado e capitais estrangeiros em fuga marcam a suspensão e adiamento dos investimentos no país.
É a terceira queda mensal sucessiva, apesar do arsenal de medidas estocado no Ministério da Fazenda.
Fica a primeira lição: não se muda nada sem consultar os agentes e obter sua adesão.
A segunda lição é ainda mais forte: todos se elegem com votos populares, mas devem administrar em consonância com os principais atores sociais, políticos e, também, com os econômicos.
A mais amarga das lições, em regimes capitalistas, pode ser aprendida, nesse momento: atores econômicos repudiam a sua exclusão.
Por fim, vale lembrar, a lição final: não subtraia a previsibilidade da economia, pois os investidores alçam vôo.
Sem investimentos não há crescimento. Sem crescimento não há emprego. E sem emprego não há como fazer a renda crescer. Portanto, não há consumo, mesmo com juros baixos.
O trinômio mágico é composto por investimento, emprego e crescimento.
Ainda dá tempo. Mas, um jantar com os grandes banqueiros seria aconselhável. Naturalmente, seguido de uma visita à FIESP e à Federação da Agricultura.
Que tal um gesto de paz e de reconciliação com os capitais?
Uma mão estendida evitaria as demissões que começam a ser programadas.

Código Florestal: a discussão continua

Aprofundando o tema
Esse é o segundo programa sobre a lei florestal. A presidente deve vetar? No todo 9ou em parte. Veja que remanescem problemas legais que podem dar menor eficácia às pretensões dos ambientalistas. Agricultores não podem ser penalizados pior suas atividades e por seu trabalho. O país precisa produzir e preservar a vida.
Assistam:
http://vimeo.com/42422396

sábado, 19 de maio de 2012

Maio, o mês das noivas e do dólar

Estou de volta pro meu aconchego
O dólar volta para casa. Levava na mala bastante saudade.
Veículo: DCI -  Data:10/05/2012

Ainda dá tempo. Mas, tem que correr muito.

Concerto“Grandes Quadros”
A OSUSP, Orquestra Sinfônica da USP, sob a regência do Maestro Marcelo Lehninger, apresenta, no dia 19 de maio, sábado, às 21h, na Sala São Paulo, obras dos compositores Franz Joseph Haydn, Ludwig Van Beethoven e Modest Mussorgsky. A pianista Sonia Goulart, que é mãe do maestro convidado, fará uma participação como solista na peça de Beethoven.
Um dos regentes brasileiros de maior destaque no panorama internacional, Marcelo Lehninger acaba de ser nomeado Diretor Musical e Regente Titular da New West Symphony Orchestra, em Los Angeles. Concomitantemente, exerce o posto de Regente Assistente da Boston Symphony Orchestra.
Sonia Goulart é reconhecida como uma das mais destacadas pianistas brasileiras da atualidade, tendo recebido mais de trinta prêmios nacionais e internacionais.
No dia 18de maio, às 12h30, haverá um ensaio aberto, com entrada franca, no Teatro do Colégio Santa Cruz, localizado na Rua Orobó, 277 – Alto de Pinheiros.

Hora e vez do Código Florestal

Foi um trabalho medíocre.
Chegou-se apenas a uma lei florestal.
Avanços que embutem riscos para o meio ambiente.
Perdeu-se a oportunidade para estabelecer uma regulamentação mais produtiva para a agropecuária e para o meio ambiente.
Melhor seria um código para cada bioma.
O Cifras e Safras apresenta as dúvidas e as certezas sobre essa lei:
http://vimeo.com/41980489

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Boiar é preciso. Afundar não é preciso.

A Europa afunda, enquanto os Estados Unidos flutuam em dados medíocres.
A enrascada das dívidas soberanas levou a Europa a conhecer a inconformidade de sua população com os custos da correção de suas economias, atribuídos aos seus respectivos contribuintes. Suas economias locais serão tragadas pelas exacerbações das reivindicações sociais.
Por outro lado, a economia norte-americana flutua nas águas traiçoeiras de seus programas de liquidez. Veja como o país faz para não afundar:
O numero de trabalhadores norte-americanos que entraram no mercado não aumentou, nem diminuiu, em relação à semana passada e permaneceu em 370 mil.
O índice de atividade industrial do Fed da Filadélfia sofreu redução para -5,8 pontos em maio, em relação aos 8,5 de abril. O setor industrial exibe, nos Estados Unidos, uma retração muito forte e desproporcional com os impactos sofridos pela concorrência.
Temos algum tempo, é verdade. Mas ele pode esvair-se na mesma velocidade em que recuperou nossa economia.
Voltar-se ao mercado interno produzirá indisposições com outros players e que acreditam na impossibilidade de recuperações no curto e médio prazo. Nesse quadro, os emergentes podem aparecer como soluções a serem deliberadamente perseguidas.
Convenhamos que seria melhor a quem decide, conhecer outras possibilidades, para além das expectativas da economia urbana e tradicional.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

O santo é de barro

No mercado financeiro global,
previsibilidade é questão central
Os capitais estrangeiros que haviam entrado com força na Bovespa, desde o mês de janeiro, levantaram âncoras e zarparam a busca de portos mais seguros.
Teria sido, na hipótese de analistas, a instabilidade grega e/ou o agravamento das circunstâncias econômicas da Espanha, os responsáveis pela evasão desses capitais. Em certa medida, é possível aceitar esses dois elementos como relevantes nas decisões de escolha de um país para a alocação de ativos monetizados. Mas, é preciso considerar que a previsibilidade no Brasil reduziu-se consideravelmente. A carga tributária passou por deslocamentos, de seu peso relativo entre os setores econômicos, nada desprezíveis, a partir das chamadas desonerações. O ambiente econômico nacional tornou-se mais protecionista e passou a ser defendido, configurando reservas de mercado inaceitáveis para os produtores locais. Os problemas fronteiriços estão se tornando mais sérios, quer na Bolívia, quer no Paraguai e na Venezuela. Os procedimentos truculentos para o encaminhamento da redução dos juros surpreendeu a todos, abandonando o tratamento técnico e lançando o sistema financeiro em confrontos políticos da pior qualidade. As imagens das instituições dessa área saíram desse episódio desgastadas.
Nos últimos tempos, tudo passou a ser tratado de forma política e unilateral, sem consultas, abusando da estratégia de cabo de guerra. O governo, mais forte, deixou de intervir para, de fato, arrastar os agentes em direções avessas àquelas que, em princípio, a liberdade econômica lhes garantiria.
Resultados práticos para o crescimento ainda não apareceram. Só a inflação suspira, ameaçadoramente. Indústria e crédito estão retraídos. A falta de previsibilidade explica a inércia dos investimentos privados e do consumo das famílias.
Contávamos com o capital internacional para garantir níveis crescentes de emprego e para a expansão do PIB. Ele nos deixou. Até o ministro Mantega já reduziu suas previsões para o crescimento nacional.
Há muita fumaça no ar e pouco fogo na terra. O desconforto dos analistas internacionais refere-se às decisões de política monetária descompromissadas com a estabilidade da moeda e com a política fiscal cuja natureza contracíclica tem revelado uma surpreendente despreocupação com a redução do superávit primário.
Assistimos mudanças tão consideráveis na estrutura industrial do país que já se admite a hipótese de que uma nova política industrial, improvisada e não planejada, está em curso. Parece que o ideologismo Cepalino nutre os espíritos e as decisões que, por sua vez, fizeram a previsibilidade se esvair e recomendam que o governo “devagar com o andor”.