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sexta-feira, 28 de junho de 2013

BC Abre Espaço Para Ciclo Mais Longo

O Relatório de Inflação trabalha com cenários conservadores para a política fiscal e para o mercado de trabalho, mantendo elevado o risco inflacionário. Como resultado, acreditamos que o ciclo de aperto possa se prolongar.
Uma Contribuição do amigo Roberto Padovani
O Relatório de Inflação (RI) do segundo trimestre indica disposição do Banco Central (BC) em agir para controlar um risco inflacionário crescente.
Apesar de um cenário externo marcado por queda de preços de commodities no curto prazo, a avaliação da autoridade monetária é a de que as economias local e global tendem a se recuperar, elevando o risco inflacionário. Além disso, impulsos fiscais locais persistentes, associados a um mercado de trabalho ainda aquecido, elevam os desafios para a convergência da inflação.
Importante notar que o RI não indica um cenário em que haja reorientação do viés de política fiscal e esfriamento do mercado de trabalho, apesar da hipótese de menor reajuste do salário mínimo. Da mesma forma, o BC indica disposição de usar a política monetária para combater os impactos inflacionários da desvalorização cambial, mesmo considerando-se um cenário de câmbio mais apreciado que os patamares correntes. Por último, os exercícios quantitativos indicam que, no cenário de mercado, uma taxa de juros no patamar de 8,75% pode não ser suficiente para definir uma trajetória de clara convergência da inflação.
Nossa leitura do RI é de que o cenário de elevadas incertezas globais e locais incentiva o BC a ser conservador em relação aos riscos inflacionários, não indicando nenhuma mudança de estratégia no curto prazo. Da mesma forma, a resistência da inflação mostra que a probabilidade de uma trajetória mais clara de convergência vem se reduzindo, o que pode dificultar a capacidade do BC em coordenar expectativas.
Para o próximo ano, no entanto, o esfriamento do mercado de trabalho pode atuar para reduzir os riscos inflacionários, fazendo com que o atual ciclo de aperto monetário possa ser inferior ao correntemente precificado nos mercados.
Tudo considerado, elevamos nossa projeção para a taxa de juros, saindo de um patamar de 8,75% para 9,25% para 2013, com os juros permanecendo neste patamar por um longo período.

Pondo preço no risco

Publicado dia 27/06/2012 no DCI

A lógica do mundo financeiro

Previsões e reações
Os Estados Unidos publicaram seus dados de consumo e renda. O consumo apresentou crescimento de 0,3% em maio, face ao mês de abril. Quanto à renda, o crescimento de maio foi de 0,5%. Notícias como essa animaram os mercados financeiros.
Também o pronunciamento do presidente do Fed de Nova York, membro do Fomc, ajudou a recuperação dos mercados em torno do mundo. Willian Dudley deu conta, em sua fala, que o banco central americano deve continuar com sua política monetária inalterada, e que uma fase de aperto nessa área não deve ocorrer tão cedo como os agentes econômicos prognosticaram. Primeiro é preciso que a economia apresente dados consistentes e convincentes sobre a recuperação, para só depois pensar em aumentos dos juros, o que estaria ainda bem distante. Não descartou, contudo, a redução do ritmo de compra de bônus, mas frisou que isso pode se dar mais para o final do ano. Aí sim, os mercados reagiram com maior vigor.
No Brasil, o dólar fechou ainda em alta de 0,23%, cotado a R$2,1950, enquanto o Ibovespa apresentou sua terceira alta sucessiva, avançando 0,93%. O Ibovespa encerrou a sessão aos R$47.609 pontos, negociando um volume de R$6,571 bilhões. É bem verdade que esse volume está abaixo da média diária do mês, mas o salto do índice foi muito expressivo em apenas 3 dias.
A lógica financeira do mundo vive de previsões e expectativas. Basta a declaração de um membro do Fed e parece que o mundo todo mudou. As reações não tardam, ao contrário, se antecipam aos acontecimentos.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Sem empréstimos, não há atrasos

A pontualidade de pagamentos aumentou?
Depois de tantas restrições as MPE reagem. Parece que lentamente a inadimplência deve reduzir-se entre as micro e pequenas empresas nos próximos meses. Em maio, a pontualidade nos pagamentos alcançou os 95,8%, a quarta alta mensal consecutiva. Vale dizer que a cada 1.000 pagamentos, 958 foram quitados à vista ou com atraso máximo de sete dias, nesse mês de maio.
O maior nível de pontualidade entre essas empresas foi alcançada pelas que atuam no setor comercial: 96,4%. As industriais atingiram pontualidade de 95,2%, enquanto as de serviços alcançaram 95,1%.
Essas empresas tem sido objeto de políticas de crédito muito seletivas por parte dos bancos privados e isso deve ter contribuído para a melhora. O que não se pode concluir é que elas tenham melhorado sua saúde financeira. Ao contrário, elas devem estar “vivendo da mão pra boca” .
Sem crédito, não há atrasos.

A inflação desafia o Copom

Agora a culpa é do atacado
O IGP-M apurado pela Fundação Getúlio Vargas apontou alta de 0,75% no mês de junho, em relação a maio. A alta superou todas as previsões dos especialistas.
A determinante dessa aceleração foi a elevação dos preços no atacado.
A análise feita do Índice de Preços do Atacado revelou alta de 0,68% em junho, contra a queda de 0,30% de maio. Produtos agropecuários subiram 1,01%, pressionados, sobretudo pelo aumento da soja (11,38%). Os produtos industriais também responderam por parte da alta, subindo 0,56% em junho, frente aos 0,34% do mês anterior. Por fim, o Índice de Preços ao Consumidor apresentou alta discreta de 0,33% em maio, para 0,39% em junho.
Essas altas farão o Copom pensar em algo como 0,5% para a alta da Selic, na próxima reunião.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Contas Externas Elevam Incertezas

A rápida deterioração do déficit
em conta corrente eleva as incertezas
em relação ao câmbio.
A liquidez global e melhores fundamentos domésticos, porém, podem sustentar o financiamento do balanço de pagamentos.
O texto é de Roberto Padovani, economista chefe da Votorantim Corretoera.
O comportamento da taxa de câmbio tem estado no centro do debate ao longo do último ano. Os últimos meses reforçaram esta preocupação com uma combinação de expressiva deterioração do resultado em conta corrente com aumento das incertezas em relação aos fluxos de capitais globais.
Em cerca de um ano, o superávit comercial brasileiro saiu de um patamar de US$ 30 bilhões para US$ 8 bilhões. Mesmo que as séries estatísticas da balança comercial possam conter ruídos, esta rápida deterioração não deixa de estar associada à desaceleração global, com reflexos nos preços das exportações, à recuperação econômica doméstica e a condições locais precárias de competitividade. Nossas estimativas indicam que este movimento de piora possa ter continuidade, com o superávit comercial encerrando o ano em cerca de US$ 6,5 bilhões.
 Somado à aceleração do déficit em serviços que, liderado pela remessa de lucros e dividendos, pode superar US$ 90 bilhões, o resultado em conta corrente neste ano pode ser negativo em US$ 81 bilhões. Isto significa que após quase 2 anos de relativa estabilidade no patamar de 2,2% do PIB, o déficit saltou, em poucos meses, para cerca de 3,2% do PIB. Nossas estimativas indicam que o déficit em conta corrente pode continuar piorando e se estabilizar no patamar de 3,5% do PIB ao longo dos próximos meses.
As condições de financiamento do balanço de pagamentos, por outro lado, ainda estão preservadas, ainda que com uma margem menor. Os fluxos estimados para este ano de investimento direto (US$ 61 bilhões), investimento em portfólio (US$ 23 bilhões) e empréstimos internacionais (US$ 54 bilhões) seriam suficientes para cobrir as necessidades de conta corrente e amortizações. De fato, ainda vemos espaço para aumento modesto das reservas internacionais: enquanto a necessidade total de recursos pode oscilar próxima a US$ 125 bilhões neste ano e no próximo, os fluxos de capitais podem alcançar o patamar de US$ 130 bilhões no mesmo período.
Este quadro tende a gerar volatilidade no mercado cambial, dado que a exposição do País a um ambiente de incertezas globais se elevou. A maior instabilidade já é um forte argumento para que a moeda brasileira opere em um patamar mais depreciado a partir de agora.
Há motivos, no entanto, para supor que os níveis correntes de câmbio possam conter exageros. Não apenas a liquidez global e o diferencial de juros favorecem a moeda brasileira, mas também a retomada gradual do crescimento, os leilões de concessões de infraestrutura e a maior cautela na comunicação da gestão econômica reduzem as chances de que uma crise de confiança conduza a uma parada súbita dos fluxos de capitais.

Pano de fundo

Deixando de lado as pressões
do dia a dia
Pensando no cenário econômico brasileiro em prazo mais longo, é de se reconhecer  que:
a)  A inflação continua em patamar elevado, sem ser ainda revertida pelos dois últimos aumentos da Selic.
b)  Há, portanto, que se pensar em um novo ciclo de aperto monetário, agora mais forte de ajuste da taxa Selic.
c)   A deterioração das contas públicas deve se acentuar, com o atendimento às novas demandas nascidas nas ruas das grandes cidades brasileiras.
d)  Os preços das commodities, de modo geral, continuam em queda.
e)  O crescimento da China é a cada dia mais lento.
f)    A recuperação da economia norte-americana, embora construa um cenário favorável para o mundo, agrava e compromete o influxo de capitais internacionais para o Brasil.
g)  O baixo crescimento, o modesto nível de investimentos, a inflação elevada e a deterioração fiscal poderão subtrair, em futuro próximo, o grau de investimento atribuído ao país recentemente.
Novas direções precisam ser dadas a vida econômica e institucional do país. Essas direções são a forma mais eficiente de encaminhar soluções aos problemas da população brasileira.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Dívidas em dólares assusta o mercado

A alta do dólar e as dívidas no exterior
Com o dólar desvalorizado em relação ao real e com os juros baixos no mercado norte-americano, as perspectivas ficaram extremamente interessantes para a empresa nacional fundear suas operações a partir de recursos captados no exterior. Especialmente no momento em que o Brasil exibia um consumo 0muito exuberante, de alto crescimento. Os investidores estrangeiros ficaram atraídos pelas remunerações oferecidas pelos títulos privados de dívida de empresas brasileiras.
Para as empresas nacionais, captar no exterior significava o barateamento do custo de endividamento para financiar, principalmente, seus projetos de expansão, de prazos mais longos.
Com os sucessivos insucessos da economia brasileira, mas sobretudo pela perda de seus fundamentos econômicos, o dólar começou a se apreciar face ao real. Adicionalmente, a recuperação norte-americana valorizou sua moeda em escala global, agravando o processo já em curso de desvalorizações sucessivas de nossa moeda. Por fim, as declarações de Ben Bernake sobre o fim dos estímulos monetários e a eventual elevação dos juros nos Estados Unidos acabaram por produzir a mais forte depreciação da moeda brasileira dos últimos tempos.
Para os que se lembram de episódios anteriores semelhantes, as consequências já são conhecidas.
Segundo a Economática, as empresas brasileiras com dívida no exterior, ostentam uma perda cambial equivalente a R$ 16,6 bilhões desde março. Juntas, as 244 empresas consideradas nesse levantamento, apresentavam uma dívida no exterior da ordem de R$ 137,3 bilhões, no final de março. Com a variação cambial ocorrida, essa dívida situava-se ontem em R$ 153,9 bilhões.
O dólar spot subiu 12,1%, de março até ontem, passando de R$ 2,0161 para R$ 2,2605. Segundo a Economática, o impacto da taxa de câmbio já é suficiente para derreter o equivalente a dois terços dos ganhos operacionais (lucro antes de pagar impostos e juros) dessas empresas, no primeiro trimestre de 2013. Algo como R$ 24,9 bilhões.
No passado, essas variações costumavam quebrar as empresas. Hoje há que se lembrar da proteção cambial, por meio do hedge e, no caso das empresas exportadoras, seria necessário admitir que boa parte dessa dívida conta com a proteção do hedge natural. Portanto, penso que no caso de algum problema, ele deve localizar apenas entre os que desrespeitam às boas práticas da gestão financeira.

Se a moda pega?

A precificação da crise brasileira
começou, no mercado
internacional
O movimento nas ruas do Brasil levantou inúmeras bandeiras e provocou reações descabidas e insensatas. A proposta do plebiscito pareceu descabida à maioria dos políticos, enquanto a decisão de suspender os reajustes de pedágio revela a fragilidade institucional a que o país foi lançado, nesses últimos tempos. A desmoralização do legislativo e a ausência de lideranças para condução da crise sugerem o inicio da ingovernabilidade. A própria oposição permanece acéfala.
As campanhas estão suspensas, os líderes quietos ou escondidos atrás de seus tradicionais oportunismos, as forças políticas aguardam o desenrolar dos fatos e estudam alternativas que reorganizem as coalizões, à busca apenas de suas sobrevivências.
Do ponto econômico, o desastre fiscal está anunciado. Com a aproximação das eleições as pressões sobre os gastos já eram grandes e as barganhas já ganhavam contornos ameaçadores. O apoio seria negociado contra verbas para Estados e Municípios, onde estão os eleitores. Pobre das contas públicas, dizia-se.
O que era ruim ficou pior. Com o movimento da população brasileira o preço subirá, tornando o apoio mais raro e, portanto, cada vez mais caro. A isso vai somar-se a desarrumação das receitas e custos dos serviços públicos e seus conexos, sobretudo por envolverem os chamados preços administrados. Quem terá coragem de reajustar esses preços? Para se ter ideia, os principais preços determinados no âmbito das administrações municipal e estadual compreendem: gás encanado, imposto predial e territorial urbano (IPTU), taxas de emplacamento e licenciamento de veículos, taxa de água e esgoto, transporte público (tarifas de ônibus urbanos e intermunicipais, metrô e táxi). Ficou difícil para os prefeitos e governadores.
Por sua vez, os preços determinados no âmbito federal vão desde os derivados de petróleo - incluindo gasolina, óleo combustível para veículos e gás de botijão -, álcool combustível, tarifas de energia elétrica de consumo residencial, tarifas de telefonia e correios, transporte público, incluindo passagens de avião e de ônibus interestaduais, até planos e seguros de saúde.
Os preços administrados são aqueles que de alguma forma são determinados ou influenciados por um órgão público e que variam independentemente das condições vigentes da oferta e da demanda. Claro que tais preços apresentam um peso bastante alto na composição do IPCA e, como vinham sendo conduzidos, reduziam substancialmente a eficácia da taxa de juros no combate à inflação. Essa foi a verdadeira causa que levou o país a subsidiar combustíveis e energia elétrica de maneira tão inapropriada nesse governo.
Tradicionalmente, na história econômica do país, os preços administrados apresentaram uma taxa de crescimento significativamente superior à taxa de expansão dos demais componentes do IPCA ou dos chamados preços livres. E, bem por isso, a política monetária comandada pelo Bacen sempre teve, em boa medida, sua eficácia comprometida.
Agora, vamos assistir a inversão desse quadro. Com os preços administrados represados pelo movimento popular é de se esperar pela ampliação do rombo fiscal. O superávit primário, nessas condições estaria comprometido e os investidores internacionais que costumam se antecipar aos fatos devem precificar todos os ativos nacionais, de maneira fria e cruel. Ontem mesmo os títulos da dívida brasileira tiveram forte recuo em suas cotações. Preparem-se.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Agitação financeira pode diminuir nessa semana

A volatilidade tende a ser menor
A fala de Bernanke assustou os mercados. A eliminação dos estímulos monetários à economia norte-americana foi interpretada como uma decisão precipitada e perigosa. As bolsas de todo o mundo reagiram negativamente, antecipando uma eventual retração e ignorando o lado bom e prudente da medida. A liquidez excessiva e prolongada, para além do necessário, levaria a economia a riscos maiores do que eventuais reflexos das medidas no campo monetário.
As notícias sobre a redução da taxa de crescimento da China também colaborou com a volatilidade da semana anterior.
Portanto, essa semana começa em clima de pessimismo, que pode ser revertido com o anúncio dos novos dados sobre consumo e renda, nos Estados Unidos. Esses dados devem dar sustentação às decisões do Fed e evidenciar com maior clareza as razões de Bernanke para suspender os atuais estímulos monetários. Também teremos anúncios sobre o desempenho do setor imobiliário norte-americano e sobre as encomendas à indústria de bens duráveis naquele país.
Portanto, é de se esperar por uma semana mais calma e de alguma recuperação nos preços dos ativos de risco.

domingo, 23 de junho de 2013

Não foram apenas insatisfações

Brasil, na semana que passou
Duas notícias marcaram a semana.
1ª) A .Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE registrou a taxa de desemprego em 5,8%. Coisas do pleno emprego que, de outro lado, embutem uma armadilha cruel para o dispêndio governamental. Esse resultado foi produzido pelo crescimento do emprego no setor público.
2ª) O IPCA-15 ficou em 0,38%. Nos últimos 12 meses, estourou o limite superior da meta, atingindo 6,67%.
A lamentar, a alta nos transportes de 0,1%. A comemorar, a queda da nos preços da alimentação no domicilio, cuja deflação foi de -0,07%.

Olhando a semana que passou

O mundo deu as voltas que costuma dar
Os Estados Unidos reconheceram tecnicamente que o processo de sua recuperação está consumado. Já não precisariam mais das injeções de liquidez por meio de seu programa de recompra de títulos (QE3) e prometem gradualmente extingui-lo.
Entre as argumentações do Fed para isso estão o recuo da taxa de desemprego e o avanço da inflação. À medida que a primeira se aproxime dos 6,5% e a segunda aponte para os 2,5% ao ano o programa de estímulos sofrerá reduções gradativas.
O mercado, arisco como é, já começa se antecipa às decisões e, com isso, a curva de juros de longo prazo subiu de forma surpreendente, enquanto dólar acentuou sua rota de valorização. O mercado também já precifica a alta de juros, para início de 2014.
Mas se os indicadores melhoraram nos Estados Unidos, na China, a incerteza aumentou com a publicação da prévia do PMI Composto de maio que registrou queda de 48,9 para 47,7 pontos. A se confirmar esses dados preliminares, a China estaria caminhando para um quadro social perigoso. Sua economia precisaria estar crescendo bem mais rapidamente, com criação de vagas de trabalho, e ampliação de investimentos para evitar desequilíbrios sociais mais contundentes.
Na Zona do Euro a contração se aprofunda e eventuais soluções continuam repousando sobre as economias alemã e francesa.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A taxa de desemprego ficou estável

Mercado de trabalho continua apertado
A pesquisa mensal de emprego, realizada pelo IBGE, aponta que o desemprego no Brasil, em maio, manteve-se estável em relação ao mês anterior. A taxa está parada em 5,8%, confirmando as expectativas sobre a permanência de um mercado de trabalho apertado, mesmo com o baixo nível de atividade econômica.
Fica para os governantes silentes, o desafio de explicar as causas das insatisfações manifestadas pela população brasileira nos últimos dias. Afinal, a população nacional está completamente empregada e recebendo, anos seguidos, reajustes salariais tão generosos.
Vamos lembrar que aumentos superiores aos ganhos de produtividade do trabalho trazem inflação. E a inflação deteriora os salários. As insatisfações parecem nascer do recuo sócio-econômico nas condições de vida dos cidadãos.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A China às voltas com seu baixo crescimento

Falando sobre o que temos esquecido de falar
Os investimentos chineses também sofreram retração. Como no Brasil, o PIB não cresce como os governantes gostariam que crescesse.
Está difícil substituir o mercado externo pelo mercado interno. Com isso, a primeira tomada que tenta prever o desempenho da atividade industrial no país mostra um PMI na zona de contração, abaixo dos 50 pontos, e pior, em queda. Reduziu-se de 49,2 em maio, para 48,3 pontos, em junho.
Sem pensar nas consequências que isso teria para o mundo e pensando apenas na aceleração do crescimento chinês, há que se admitir que o crédito por lá, andou também muito depressa e que a insolvência e a inadimplência estão muito altas, para além do desejável.
Portanto, em um mundo recessivo, a China, como o Brasil, encontrarão soluções apenas pela via da ampliação dos investimentos e da oferta interna, criando novos postos de trabalho, combatendo pressões inflacionárias, e procedendo à inclusão de novas camadas sociais na economia desses países, para que possam viver um novo ciclo de prosperidade econômica.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O Japão continua reagindo

Crescendo para fora
O curioso da recuperação japonesa é que ela se dá pela vertente externa. Todo o programa de recuperação visava aumentar a liquidez interna e, por esse meio, aumentar o consumo. Isso aconteceu em alguma medida, mas não tanto quanto se imaginava.
Por outro lado, a balança comercial do país, embora deficitária, aponta crescimento das exportações em 3,2%, enquanto para  as importações o crescimento foi de 4,7%.
O crescimento das importações pode estar associado ao crescimento do mercado interno, mas impressiona ver a rápida velocidade com que as exportações japonesas estão se dando, mesmo em um mundo em crise.
Os especialistas tem explicado essa velocidade pela desvalorização da moeda local e, por conseguinte, pelo barateamento do produto japonês.
As exportações para Ásia cresceram 11,1%, para União Europeia a redução foi de 4,9% e para os EUA cresceram 16,3% no mês de maio.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Emoções, nas 4a feiras de 2014

Agendando reuniões e decisões
O Calendário das Reuniões Ordinárias do Comitê de Política Monetária (Copom) para o ano de 2014, foi divulgado pelo Banco Central.
As datas aprazadas são:
14 e 15 de janeiro
25 e 26 de fevereiro
1 e 2 de abril
27 e 28 de maio
15 e 16 de julho
2 e 3 de setembro
28 e 29 de outubro
2 e 3 de dzembro
As reuniões ordinárias são realizadas em duas sessões: a primeira, às terças-feiras, reservada às apresentações técnicas de conjuntura, e a segunda, às quartas-feiras, para decisões das diretrizes de política monetária.

Para quem gosta da boa música

Fábio Caramuru, virtuoso e inspirado
Considero um dos melhores espetáculos desse mês.


Ficou preocupante

Pesquisa Focus dessa segunda-feira
mostra-se ainda mais pessimista
Repetindo a semana anterior, o Boletim Focus do Banco Central, mostra uma tendência de redução do PIB e de aumento na taxa básica de juros da economia brasileira para 2013.
Era mesmo de se esperar que com o término da flexibilização monetária as expectativas de crescimento apresentassem redução. Isso não seria surpresa, mas, então, também seria de se esperar por uma redução das estimativas referentes à inflação. Não foi o que aconteceu. A estimativa referente ao IPCA, para 2013, estava em 5,80% na semana passada. Nessa semana, a estimativa cresceu para 5,83%.
Para o crescimento econômico o Focus falava em 2,53%, na semana anterior. Nessa semana, as previsões para o PIB estão em 2,49%. Enquanto isso, a taxa Selic teve sua previsão aumentada de 8,75% para 9,00%.
Desse jeito, as vaias não estarão acontecendo apenas em campos de futebol.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Agora é a vez do consumo cair

Brincando com a inflação
Os dados de vendas de abril foram surpreendentemente frustrantes. As vendas de varejo de abril cresceram 1,9% em relação ao mês anterior, No conceito restrito, onde se excetua carros e construção cível, o crescimento foi bem menor. Apenas 0,5%. Ambos os resultados foram interpretados pelos especialistas como muito aquém daquilo que seria desejável.
Talvez fosse mais conveniente rever nossas expectativas diante do crescimento econômico modesto que nossa economia vem apresentando, lembrando também que esse setor é muito sensível à oferta de crédito. O crédito a consumidores e às empresas de menor porte tem sido objeto de grande seletividade por parte dos bancos e sua expansão realmente está se dando a ritmo bem inferior ao de períodos anteriores.
Por outro lado, a inflação, alta e prolongada, minou a renda real dos consumidores e suas famílias, contribuindo para a redução do consumo.
O sintoma mais preocupante desse fraco desempenho ficou associado à redução das vendas dos supermercados, sugerindo que os cortes podem estar sendo feitos em alimentos, com a migração para as marcas mais baratas e redução do número de itens comprados. A se confirmar essa hipótese, vamos nos deparar com um reviravolta nos movimentos de inclusão social.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Bancos Centrais sustentam fluxos globais

A fragilidade econômica global sugere que a liquidez global seja mantida ou ampliada, sustentando os fluxos para os mercados emergentes. 
Uma contribuição  preciosa de Roberto Padovani, economista chefe da Corretora Votorantim
As últimas semanas foram dominadas pelo temor de que os principais bancos centrais reduzam a liquidez global, diminuindo os fluxos de capitais para os mercados emergentes.
Nossa avaliação, no entanto, é que há incentivos para que se evite uma elevação abrupta dos juros longos, mantendo as condições de liquidez por um bom tempo. A fragilidade econômica faz com que ou não haja espaço para redução de liquidez, como nos Estados Unidos, ou haja espaço para aumentar liquidez, como na Europa. Mesmo no caso japonês, onde o sucesso do afrouxamento monetário é incerto e depende de reformas, uma mudança no viés de política é pouco provável no curto prazo.
No caso dos Estados Unidos, ainda que a possibilidade de diminuição do ritmo de compras de ativos tenha sido considerada de forma explícita, conduzindo ao início de normalização dos juros longos, a sinalização fundamental é de que a política monetária continuará altamente expansionista por um período considerável de tempo. Uma melhora “substancial” no mercado de trabalho, gatilho para diminuir as compras de ativos, ainda não parece ter ocorrido, e o Fed projeta apenas para o final de 2014 uma taxa de desemprego próxima a 6,5%, uma das condições necessárias para alta de juros. Ainda, não parece haver grande desconforto dentro do banco central com o tamanho de seu balanço e seus possíveis efeitos nocivos sobre a economia. Isto significa que quando as compras de ativos forem interrompidas, a diminuição do balanço do Fed pode ser lenta.
Na Europa, o BCE ainda enxerga um cenário com viés negativo para o crescimento e expectativas de inflação bem ancoradas. Da mesma forma, não apenas o banco central mantém seu compromisso com uma política ultra-expansionista pelo tempo que for necessário, como também procura alternativas, como a fomentação de um mercado de dívida colateralizada por empréstimos a empresas do setor real. Na Inglaterra, a discussão gira em torno de aumentar ou não as compras de títulos, ao mesmo tempo em que se discutem medidas para garantir funding ao setor real da economia. O viés, portanto, parece ser para mais afrouxamento quantitativo, e não menos.
Por último, a alta dos juros longos no Japão não reflete uma estratégia de retirada de liquidez, mas sim dúvidas sobre reformas estruturais, problemas de comunicação e ruídos no mercado de títulos. De fato, os agressivos estímulos fiscais e monetários só podem alcançar o objetivo de elevar a inflação e impulsionar o crescimento econômico caso sejam acompanhados por aumento da produtividade e manutenção de um baixo risco de solvência fiscal. Justamente por isso, o mais provável é que o banco central mantenha o programa de estímulo e procure elevar sua eficácia, reduzindo as incertezas em relação aos juros reais de equilíbrio.

Pânico no mercado financeiro 1

O dia em que o mundo se assustou
Tudo começou no Japão. Esperava-se pela ampliação do programa de incentivos monetários. O BoJ frustrou as expectativas de todos, deixando tudo como estava, sem adicionar medidas novas capazes de intensificar o ritmo da economia. Pensando bem, isso não deveria decepcionar aos analistas. O Japão já reagiu de forma exuberante aos estímulos concedidos até aqui, crescendo no primeiro trimestre desse ano, a uma taxa anualizada de 4,1%. Não está bom?
Acompanhando o caminho do sol, os temores foram se ampliando com o início do processo de decisão da corte alemã sobre a legalidade da compra de títulos de países da Zona do Euro, pelo Banco Central Europeu. Parece até que as compras poderiam ser revertidas depois de tudo que já se fez.
Nos Estados Unidos, a notícia de que os estoques, no mês de abril, subiram 0,2%, em relação a março também não agradou os investidores. É bom ter em conta que a variação é desprezível.
Mas, o que “pegou” mais forte foi a aproximação de uma eventual decisão sobre a redução dos estímulos monetários da economia norte-americana pelo Fed. O juros nos Estados Unidos, nesse caso, deveriam subir e sua moeda continuaria em pleno processo de valorização em relação a todas as outras moedas do mundo. Inclusive, em relação ao real. As demais moedas nacionais depreciadas impactariam as respectivas economias de forma diferenciada, enquanto os investimentos em papéis do Tesouro americano tornam-se cada vez mais atraentes, ampliando as percepções de risco dos emergentes e configurando uma fuga de capitais desses países.
O resultado esperado por todos é que o real continue em queda e o Ibovespa atinja níveis ainda menores do que o de ontem.
Investidores já desconfiam da existência de um desastre nas economias emergentes. Recomendo calma aos que estão negativos nas suas posições em renda variável, afinal o desastre não vai ocorrer.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Japão, de novo

Um novo momento?
O primeiro trismestre do ano já mostra, no Japão, um crescimento anual de 4,1%, respondendo à nova política monetária do Governo Abe. Fazia tempo que o país não assistia "ao espetáculo do crescimento econômico".
A desvalorização do ien provocou um saldo em transações correntes positivo e que foi duas vezes maior que as expectativas do mercado. Os primeiros dados da economia impressionam e surpreendem o mercado.

domingo, 9 de junho de 2013

Balanço geral 4

Brasil ainda na linha de tiro
A S&P ameaçou retirar o grau de investimento do país. Suas críticas para isso chegaram, mais uma vez, atrasadas. O país já havia iniciado as medidas de combate à inflação, aumentando a taxa Selic em mais 0,5 ponto percentual.
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, apurado pelo IBGE, foi de 0,37%, no mês de maio. No mês anterior, havia avançado 0,55%. Em doze meses, o IPCA é de 6,5%, bem no limite superior da meta para a inflação. Pode ser até que a inflação suba mais um pouco, entretanto é de se esperar que a partir do julho ela comece a se reduzir gradualmente. Fica, entre nós, sempre o temor de que uma eventual aceleração de nossa economia, mesmo que modesta, possa ser pressionada pelos preços do setor de serviços.

sábado, 8 de junho de 2013

Balanço geral 3

E nos Estados Unidos...?
Todas as informações confirmam a recuperação consistente e moderada da economia norte-americana: criação de 175 mil empregos novos no mês de maio, com a taxa de desemprego agora na casa dos 7,6%.A produtividade do primeiro trimestre desse ano em 0,5%, com o custo unitário do trabalho, no mesmo período em -4,3%.
O Federal Reserve anunciou que o crédito ao consumidor aumentou US$11,06 bilhões no mês de abril.
Os argumentos em favor da redução do programa de recompra de títulos ganham força. A política monetária pode deixar de ser tão flexível.

Balanço geral 2

Falando em China
De relevante, na China, apenas o anúncio de um PMI em queda. O PMI da indústria, em maio, veio abaixo dos 50 pontos: 49,6 pontos, contra 50,4, de abril. Vale aqui lembrar que abaixo dos 50 pontos, o indicador sinaliza para a contração da economia.
A redução do ritmo econômico chinês preocupa o mundo. Em relação ao Brasil, cria-se uma expectativa de redução dos preços das commodities que exportamos. Os resultados vão contribuir para a deterioração da Balança Comercial brasileira, mas ajudarão no combate à inflação, sobretudo, aquela produzida pelos alimentos.

Balanço geral 1

Fatos que marcaram a semana
Na Zona do Euro, o discurso de Draghi, ignorando novos incentivos, não agradou investidores. Também falou sobre um melhor desempenho da economia da região. Desempenho que os fatos e os números não confirmaram. Com isso a taxa de juros foi mantida pelo BCE em 0,50% ao ano.
O PIB do primeiro trimestre da Zona do Euro foi revisto. Fala-se agora em -0,2% para o primeiro trimestre desse ano em relação ao último trimestre de 2012. Isso corresponde a -1,1 nos últimos 12 meses. É um resultado ruim, sem dúvida. Mas, para consolo da região, não é tão ruim como muitos esperavam.
Também se anunciou o PMI de maio em 48 pontos. Abaixo dos 50 pontos, o PMI aponta para contração na economia. As vendas de varejo foram na mesma direção. Em abril, elas recuaram -0,5%.
A Zona do Euro ainda não encontrou o caminho da recuperação. Juros baixos parecem não ser suficientes para impulsionar as economias do bloco. Melhor seria uma proposta de coordenação das políticas econômicas nacionais à busca de novos mercados em regiões com maior dinamismo econômico. O acordo com os Estados Unidos pode ser uma oportunidade impar nesse instante para a região.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Europa sem planos

Vacilações no Novo e no Velho Continente
O Departamento de Trabalho americano registrou queda no número de pedidos de auxílio desemprego. Foram 11 mil solicitações a menos, na semana até 1º de junho, totalizando 346 mil pedidos. Curioso. Enquanto parte do mercado comemorava, outra parte se decepcionava com esse desempenho. Vai entender.
Na Europa, Mario Draghi, o atual presidente do Banco Central Europeu, frustrou as expectativas dos agentes econômicos ao ignorar o tema “novos estímulos econômicos para a Zona do Euro”. A entidade reunia-se para discutir sua política monetária para região. Dado que o desempenho previsto para PIB dessa parte do mundo aponta para uma contração de -0,6%, em 20123, esperava-se por alguma a mudança do BCE no sentido de minimizar essa queda.
Na ausência de manifestação, o mercado concluiu que não há nada previsto ou planejado pela autoridade monetária e que a recessão deverá ser mais profunda e prolongada do que se esperava.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Surpresas nos dados econômicos

Nada garante que o crescimento possa
se manter nos próximos meses
A produção industrial de abril cresceu 1,8% em relação ao mês anterior. Esses dados surpreenderam, sobretudo, aqueles referentes ao setor de veículos, em particular, o setor de caminhões. No geral o setor apresentou crescimento de 8,2%. O mais surpreendente foi o desempenho do setor de bens de capital, encabeçado pela produção de máquinas e equipamentos. Esse setor atingiu 7,9% de crescimento em relação março.
Entretanto, convém não tomar esse dado como uma recuperação definitiva de nossa economia, pois, de fato, salvo a recente valorização do dólar, nada mais mudou na competitividade industrial brasileira.

Só para lembrar

Insistindo na coerência econômica
A redução do o IOF sobre o ingresso de capital estrangeiro em aplicações de renda fixa já está valendo. A alíquota veio de 6% para 0%. Os efeitos serão apenas cosméticos e não produzir efeitos capazes de inverter os fluxos de capitais. As decisões envolvendo divisas internacionais estão obedientes à recuperação norte-americana e à gradativa redução do programa de recompra de títulos pelo Fed. O dólar continuará se valorizando frente às demais moedas internacionais, no médio prazo. Por outro lado, aproveitando esse nova onda, que tal a medida alcançar os empréstimos externos realizados pelo prazo de até um ano?

terça-feira, 4 de junho de 2013

PIB: Recuperação Moderada

Mesmo com um ritmo mais lento,
há razões para que a dinâmica de
crescimento neste ano permaneça bem
mais favorável que a registrada em 2012.
 Texto de Roberto Padovani, Economista Chefe da Corretora Votorantim
A desconfiança em relação ao cenário de crescimento neste ano se mantém elevada. O temor é de que haja uma repetição do observado em 2012: enquanto no início do ano se esperava um crescimento próximo a 3,3%, o resultado final não superou 1,0%.
Neste ano, da mesma forma, as expectativas mostram piora. As novas frustrações com o PIB, a instabilidade nos dados de atividade e a desaceleração do consumo local têm reduzido as projeções de crescimento, cujo consenso se aproximava de 3,4% no início do ano e agora já alcança o patamar de 2,8%.
Este movimento ocorre em um momento em que a capacidade de crescimento estrutural parece perder fôlego em relação à última década: as condições globais são piores, há escassez de mão de obra e a construção de uma agenda para o aumento dos investimentos caminha de forma lenta e incerta.
Da mesma forma, a economia ainda vive ajustes cíclicos após os excessos recentes, como é o caso dos mercados de crédito e imóveis. Neste ambiente, o crescimento médio de 4,5% registrado entre 2004 e 2010 dificilmente poderá se repetir, podendo alcançar uma média ao redor de 2,0% nos anos 2011-2013.
Nossa avaliação, no entanto, é que as condições para uma retomada cíclica da economia continuam favoráveis. O colapso no crescimento registrado no segundo semestre de 2011 e início de 2012 (Figura 1) dificilmente irá se repetir: seria preciso um novo choque externo capaz de intensificar o esfriamento em curso no mercado de trabalho e comprometer a retomada.
Este não é nosso cenário básico.
O ambiente global parece mais saudável que os observados em 2011 e 2012, com menores riscos de ruptura financeira, econômica e institucional. As incertezas trazidas pela política monetária nos Estados Unidos dificilmente podem implicar mudanças relevantes no cenário de crescimento global.
Com isso, o mercado local de crédito já mostra estabilização, com redução da inadimplência, aumento da demanda por crédito e crescimento de novas operações, lideradas por bancos públicos. A normalização do crédito e os incentivos fiscais e monetários ainda presentes podem compensar o esfriamento do mercado de trabalho e garantir o crescimento do consumo, favorecendo os investimentos. Consumo e investimento, neste caso, mais que compensam o impacto negativo da balança comercial sobre o crescimento.
Finalmente, a produção agrícola e a indústria de transformação podem reforçar a trajetória de recuperação, compensando o fraco desempenho da indústria extrativa mineral e da construção civil. Tudo considerado, a recuperação continua em curso, ainda que a um ritmo mais moderado: o crescimento projetado de 2,5% para o PIB neste ano afasta a economia do colapso registrado em 2012 (Figura 2).

São os fundamentos que deterioraram

A recuperação dos fundamentos
exigirá sacrifícios adicionais
O Ibovespa voltou a subir, depois de uma série de quedas na semana passada.  O índice subiu 0,82% ontem, fechando a 2ª feira em 53.944 pontos.  O volume girado ficou em R$ 7,5 bilhões, próximo à média diária desse ano. Já o dólar depois da forte atuação do Banco Central apresentou queda de 0,88%. Fechou a sessão cotado a R$ 2,1280. É de se pensar que o Banco Central tenha encontrado o novo patamar para a moeda norte-americana em R$ 2,10.
O PMI industrial recuou mais uma vez. É a quarta queda seguida. No mês de maio, o PMI veio para 50,4 pontos.
O dilema inflação-crescimento vai ganhando novos contornos. O dólar sobe a inflação dos importados aumenta. Por outro lado, as exportações podem reagir ampliando o crescimento. Para conter a inflação o Copom subiu a Selic e, de quebra prejudicou o crescimento. Os investimentos continuam baixos e o PMI vem para baixo.
Assim vai ser 2013, até o seu final. Ajuste fiscal, que seria a base de tudo, fica para 2014.