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segunda-feira, 30 de julho de 2012

O Mundo em crises e seus preços

Um caso clássico de inflação e de sua natureza
Estamos vivendo, graças à retração econômica apresentada pelo quadro mundial, pressões divergentes nos preços, ao longo do tempo. Como tendência geral, o Brasil beneficia-se com a desinflação mundial, derivada da queda da demanda internacional. Menor demanda torna os bens e serviços menos procurados, forçando a queda de seus preços, como alternativa única para que encontrem espaços a sua comercialização nos mercados de consumo.
Mas, vez por outra, os preços suspiram e reacendem a inflação. Também de modo geral, isso se dá pela retomada de algum nível da demanda e, outras vezes, pela escassez da oferta. Em outros casos ainda, os preços podem subir pressionados pelos custos.
No universo dos produtos agrícolas, a soja e o milho subiram muito, por razões climáticas, que provocaram quebras nas previsões da safra norte-americana. Tipicamente um caso de redução da oferta. No Brasil, especificamente, observamos a quebra na produção do tomate e de outros produtos da olericultura nacional. E, naturalmente, os preços subiram.
Esses preços, agora mais altos, vão obrigar às indústrias processadoras a repassá-los às indústrias produtoras de bens finais que, por sua vez, repassarão a alta aos respectivos consumidores finais. Esse repasse se deu pelo aumento dos custos das matérias-primas e materiais secundários. Essa alta agravará os custos ao longo de toda a cadeia produtiva até chegar ao varejo e, daí, ao bolso dos consumidores finais. Isso se dá pela inflação nos custos dos preços dos produtos primários.
Trata-se de um caso clássico, que ressurgiu no IGP-M de julho, levando-o a um crescimento de surpreendente 1,34%. No mês anterior, período isento desse fenômeno, o IGP-M havia registrado alta de apenas 0,66%.
Em certa medida, os especialistas já aguardavam pelo fenômeno, uma vez que vinham observando o aumento dos preços dos produtos agrícolas, no atacado. Mas não o imaginavam com uma intensidade tão forte.
O que então estaria pressionando os preços, além de um IPA agro, cuja alta foi de 3,91%? Em primeiro lugar, a inflação dos produtos industriais também cresceu em julho, já antecipando os repasses que os alcançará, em futuro bem próximo. Em segundo lugar, é de se pensar que os produtores já enxergam, no horizonte de médio prazo, novos espaços para altas. A retomada do consumo começa a aparecer nas notícias, sob as manchetes que anunciam o crescimento das vendas em supermercados e no varejo em geral.
O IGP-M, nos últimos 12 meses, está em 6,67%, escapulindo ao centro da meta.
Conclusão:
1) é de se esperar pelo recrudescimento inflacionário, nos próximos meses.
2) Esse recrudescimento será tão mais forte, quanto mais forte for a recuperação.
3) a política de taxas de juros pode passar suspensão, pelo menos temporária.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não é por aí

Empresas têm objetivos próprios
que precisam ser respeitados
Depois de criminalizar agricultores e lançar banqueiros à execração popular, o governo federal resolveu punir as empresas de telecomunicações. Agora, ameaça as montadoras, afirmando que as desonerações foram oferecidas contra a manutenção do nível de emprego. Fico pensando, então, tratar-se de algum arranjo cartorial, beneficiando grupos privados, e não de uma política anticíclica, como havia sido anunciado.
Chantagem populista, outra vez?
O governo vai cobrar das empresas que recebem incentivos fiscais a manutenção de empregos.
Demissões em montadoras que receberam desonerações tributárias, não devem ser tomadas como um rompimento a pactos dessa natureza, mas fazem parte da vida empresarial, no momento em que o ambiente econômico impuser restrições às remunerações dos capitais investidos. Ferir essa lógica afugenta capitais.
Institucionalmente, o governo não tem sido feliz em suas decisões ou, pelo menos, na forma de encaminha-las. Rivaliza-se com os capitais e altera o quadro normativo de maneira a gerar imprevisibilidades e incertezas.
Reduzir ou ampliar o IPI para automóveis não pode ser tomado como premio ou punição à indústria automotiva. Deveria incorporar-se à política industrial de governo, não devendo, portanto, estar flutuando ao sabor das vontades individuais. Vivemos tempos de autoritarismo econômico que negam o livre mercado e a livre iniciativa. Autoritarismo aprendido em passado recente, nas militâncias e combates marcados pelo arbítrio de poucos. São comportamentos que, aprendidos com os algozes, passam a ser reproduzidos pelas vítimas.

A The Economist compara preço do sanduiche nacional

O Brasil possui o quarto Big Mac
mais caro do mundo.
Segundo o Índice Bic Mac, elaborado pela prestigiosa revista de assuntos econômicos, a The Economist, no Brasil, o sanduiche custa nada menos de US$ 4,94. Muito caro, abaixo apenas dos preços praticados pela Venezuela, onde o mesmo produto custaria US$ 7,92, pela Noruega e Suíça, onde os preços estariam, respectivamente, em US$ 7,06 e US$ 6,56.
É provável que o acionista brasileiro da Macdonald seja chamado ao Palácio do Planalto para dar explicações sobre esses custos e apresentar suas planilhas. Se comprometer-se a não demitir seus funcionários, o "gajo" pode ser premiado com alguma desoneração.
O índice é calculado segundo o poder de compra de cada moeda em termos internacionais e com base no lanche e nas taxas de câmbio atuais.
O ranking da revista, a preços de julho de 2012 é o seguinte:
1º - Venezuela - US$ 7,92
2º - Noruega - US$ 7,06
3º - Suíça - US$ 6,56
4º - Brasil - US$ 4,94
5º - Austrália - US$ 4,68
6º - Zona do Euro - US$ 4,34
7º - Reino Unido - US$ 4,16
8º - Argentina - US$ 4,16
9º - Japão - US$ 4,09
10º - Nova Zelândia - US$ 4
11º - Canada - US$ 3,82
12º - Hungria - US$ 3,48
13º - México - US$ 2,70
14º - Indonésia - US$ 2,55
15º - China - US$ 2,45
16º - África do Sul - US$ 2,36
17º - Rússia - US$ 2,29
18º - Hong Kong - US$ 2,13
Convém avisar Brasília que esse raciocínio pode valer para a produção de veículos e de outros bens, também.

Queda no rendimento médio real, em maio

Fundação Seade e Dieese mostram
dados de rendimentos médios
 reais, em maio.
A informação é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, conhecido pela sigla Dieese, e da Fundação Seade. Aponta uma queda no rendimento médio real da população ocupada de 0,4%, em maio, na média das sete principais regiões metropolitanas do País.
O rendimento médio revelado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego das duas instituições, em maio, está em R$ 1.478.
Na comparação anual, o rendimento médio real apresentou alta entre os ocupados de 2,5% e, entre os assalariados, de 3%.
Na análise por regiões, o rendimento dos ocupados apresentou comportamento distinto, já que subiu no Distrito Federal (11,2%), Recife (6%), Fortaleza (5,2%), Porto Alegre (4,4%) e São Paulo (3,6%) e caiu em Salvador (-7,9%) e Belo Horizonte (-6,7%).
É de se esperar por alguma reversão dessa queda no mês de junho. Os dados econômicos referentes a maio foram realmente os piores do ano, até aqui.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Estamos todos embarcados

Não há como deixar o barco.
Continuaremos navegando.
A Fipe constatou ,no seu IPC da 3ª quadrissemana de julho, aceleração de 0,19. Responsabilizou principalmente os preços de alimentos, com a expressiva alta de 0,95% e, de novo, as despesas pessoais, com elevação de 0,22%. Esse dado vem de forma consistente com a elevação do faturamento dos supermercados,  anunciada dias atrás, e com o crescimento das vendas no varejo, anunciado ontem .
Todavia é inconsistente com a Sondagem do Consumidor, da FGV, referente ao mês de julho, que indicou redução de 1,5% na confiança do consumidor. No mês anterior, o indicador registrava 123,5 pontos e, em julho, registrou  121,6 pontos. É a terceira redução consecutiva apontada pelo pela FGV.
E a SERASA, eterna otimista, mostra que o indicador de atividade econômica subiu, em maio, 0,1% em relação a abril. Falar em alta de 0,1% é imaginar que não haja erro algum no levantamento realizado.
Enquanto isso, o Banco Central do Brasil deu conta de um saldo negativo de US$ 1,9 bilhão, para o fluxo cambial, na terceira semana de julho. No acumulado, até essa data, o saldo está positivo em medíocres US$ 20,9 bilhões.
Melhor assim, do que resultados negativos. Nossas reservas, em plena crise global, vão se preservando em níveis elevados e isso é muito bom.

O mundo ontem

Frustrações, promessas e expectativas
Frustrações: As vendas de novas casas é um indicador sempre esperado nos Estados Unidos. Desempenhos positivos nesse setor trazem muito ânimo aos mercados. Mas, ontem, as vendas de casas novas de junho apresentaram queda de 8,4% em relação ao mês anterior. As pessoas físicas demonstram com isso sua aversão a assumir compromissos de longo prazo. Parecem não confiar nas suas rendas futuras.
Outro número muito esperado é o Estoque Semanal de Petróleo. Quando os estoques caem, de modo geral, admite-se que a economia esteja com um ritmo de atividade mais intensa, demandando energia em maior quantidade. Claro que isso é apenas uma consideração inicial, pois é preciso acompanhar o ritmo da produção que, de modo geral tem uma certa regularidade, tornando crível a hipótese inicial. Os estoques de petróleo nos Estados Unidos acumularam 380 milhões de barris, na terceira semana julho. Esse estoque é considerado excessivo. Reflete o baixo crescimento do país e sinaliza para a redução da produção.
Promessas: No ar paira a promessa de Bernanke sobre a prontidão do Fed para produzir novos estímulos à economia.
Medidas monetárias revelaram-se apenas paliativas. Na Europa, foi a vez de Ewald Nowotny, membro do Conselho do Banco Central Europeu, salvar o mundo com seu discurso em tom decisivo. Deixou claro (com o dinheiro dos outros) que o fundo permanente de ajuda à Zona do Euro (ESM) poderia receber uma permissão para tomar empréstimos do Banco Central Europeu. Quis dizer ao mercado que dinheiro não faltará. Parece até que o Banco Central é dele.
Expectativas: o mundo todo espera pela divulgação de dados sobre o crescimento do PIB do país. A saída poderia se dar por aí, entendem.

Como se na China não houvesse inflação, queda de renda, desemprego e falta de investimentos. Claro que precisamos ser esperançosos e, por que não, sonhadores? Entretanto, a realidade e as condições fáticas, em economia, sempre limitam nossa imaginação.

A desinflação mundial 3

Bebidas, insumos industriais, agrícolas e metais?
Também estão em queda. A perda de valor foi generalizada.
Atravessamos um momneto curioso, com a oferta superando a demanda, porque os mercados encolheram.
Empresários, executivos e adminisradores em geral foram treinados para buscar as oportunidades. Com a queda da demanda, as oportunidades ficam muito raras e todos querem garimpa-las. Mas está difícil achar as minas e seus veios.
As bebidas:
Matérias primas agrícolas:

Os insumos industriais

Os metais
Até para os especuladores ficou difícil. As commodities, embora seu selevados riscos, eram seu últimos refúgios


A desinflação mundial 2

A coisa tá ruça
Agora veja a energia. É para baixo que os preços vão. Não dá para ficar tranquilo. Veja o índice mensal de preços de combustíveis (energia).


Definitivamente, assusta. No Brasil, discute-se o subsídio à energia elétrica, à gasolina e ao etanol. 

A desinflação mundial 1

Vamos acompanhar os preços no mundo?
Para entender a atual destruição de valores é preciso acompanhar alguns preços. A partir de agora passo a reproduzir gráficos e fazer comenários sobre o mundo dos preços.
Veja esse primeiro. Diz respeito a índices de preços das commodities não combustíveis.  Imaginem que os preços voltaram no tempo. Estão no nível de dezembro de 2011, embora tenham subido tanto durante 2012. De repente, vieram abaixo.
Com isso, as matérias primas industriais desinflacionaram os produtos elaborados.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Ladeira abaixo

Os Estados Unidos parecem já
não ter forças para recuperação
Os dados desses últimos dois sobre a economia dos Estados Unidos sugerem que o país perdeu sua capacidade de recuperação. Ontem, a divulgação de duas informações mostrou a debilidade da atividade produtiva norte-americana. O Fed Richmond divulgou seu indicador da atividade manufatureira de Richmond, referente ao mês de julho, apontando queda para -17 pontos. 16 pontos abaixo do mês de junho. O índice dos gerentes de compra – PMI Industrial – veio com queda. Desceu de 52,5 pontos em junho, para 51,8 pontos no mês de julho. São dados que identificam a ineficácia dos planos de liquidez do país e o esgotamento das possibilidades monetárias de induzir soluções ao problema econômico do país.
Por outro lado, o Índice de Preços de Imóveis Residenciais, referente ao mês de maio, mostra, em relação ao mês anterior, variação positiva, embora modesta, de 0,8%. Não anima, mas também não desanima a ninguém.

Mercado assustado

Espanha e Grécia atrapalham
o mercado financeiro
No Brasil, oIbovespa registra o terceiro dia de quedas sucessivas. Ontem, o Ibovespa cedeu mais 0,75%, encerrando a sessão em 52.638 pontos. O total negociado foi de R$6,0 bilhões. As perdas nesses três dias de queda alcançam 4,89%. Na base dessas quedas, remanesce o problema europeu. As possibilidades de recuperação desses e de outros países europeus e o estado de inanição da economia norte-americana impossibilitam avanços no mercado financeiro nacional.
Enquanto isso o dólar continua sua trajetória de alta, favorecendo as exportações nacionais que, em alguns setores, começam a reagir. Fechou o dia a R$ 2,0480.
Tendo em conta a incapacidade brasileira de aperfeiçoar seu ambiente de negócios, a falta de competitividade da indústria nacional requereria que o dólar estivesse na casa dos R$ 2,50. Em junho, as transações correntes do Brasil registraram um saldo negativo de US$ 4,4 bilhões. O déficit no primeiro trimestre alcançou os US$ 25,3 bilhões.
Agrada, entretanto, verificar que o investimento externo direto, nesse mês, totalizou ingresso líquido de US$ 5,8 bilhões e que o montante das reservas internacionais cresceu em 1,5 bilhões. O país encerra o primeiro semestre com as reservas internacionais de US$ 373,9 bilhões.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Uma noite inesquecível

Programa requintado em
Campos de Jordão, amanhã
Saindo  após o almoço, dará tempo de escolher o hotel para uma noite de muito requinte.
A OSUSP e músicos inspirados. 

OSUSP - Orquestra Sinfônica da USP
Tel.: (11) 3091-3000

Cliente pede aconselhamento especializado

Milionários preferem gestores
independentes, mostra pesquisa
Veículo: Infomoney – Data: 24-07-2012 11h42
Jornalista: Gabriella D'Andréa
Procura por gestores independentes aumentou mais de 9% somente no ano de 2012, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Fractal
SÃO PAULO - Aumentou a procura de gestores independentes por clientes do segmento private dos bancos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Fractal. De acordo com o relatório, a busca pelo serviço cresceu em 9,8% em 2012 e atualmente é utilizado por 20,3% dos entrevistados.
Segundo a pesquisa, os clientes private dos bancos procuram rentabilidade e eficiência na gestão, além do envolvimento dos gestores com a administração de seu patrimônio. Eles também esperam que os gestores sejam cada vez mais racionais em relação às análises sobre os resultados alcançados no gerenciamento das fortunas.
Quando questionados sobre a importância de um gestor independente para um cliente private banking, 15,5% acreditam que um GI apresenta maior número de alternativas do que gerentes PB, enquanto 7,7% acreditam que uma gestão independente seja mais agressiva e capacitada do que gerentes
PB. Já 6,4% afirmam que o diferencial está no fato de que esses gestores conseguem identificar as oportunidades do mercado e mensurar os riscos.
Pesquisa
O estudo foi feito com 360 clientes private banking com aplicações superiores a R$ 3 milhões alocados em um único banco entre o final de 2011 e o início de 2012.
As cidades pesquisadas foram São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte.

Pegaram a veia da Europa

Não há bolsa no mundo que aguente
A agência de classificação de risco Moody's reduziu a perspectivas do rating soberano "AAA" da Alemanha, Holanda e Luxemburgo, de estável para negativa. Pode ser um golpe forte no mercado financeiro.
Para justificar o rebaixamento, a agência de classificação de risco alertou que esses países podem sofrer pressões adicionais para aportar novos socorros aos Estados endividados da Eurozona, como Espanha e Itália. Também alertou para os riscos crescentes da Grécia sair a zona do euro, desencadeando “uma série de choques no setor financeiro”.
A admissão desse risco traz de volta a necessidade de as autoridades europeias terem que ampliar os recursos na eventual operação de manutenção do país no quadro da união monetária.
A agência confirmou ainda o rating "AAA" e a perspectiva estável para a Finlândia. A Moody’s entendeu que esse país é menos atingido por contágios financeiros, de vez que seu sistema bancário é pouco exposto às flutuações externas e que suas relações comerciais são relativamente limitadas com o restante da Zona do Euro.
A agência já havia penalizado, no início do ano, a França e Áustria, colocando-as em perspectiva negativa.
Vamos ver os estragos que a Moody’s provocará nos mercados financeiros com suas avaliações, nos próximos dias.

Problemas ficam para depois

CAGED aponta redução no ritmo
de criação de empregos
Foi o pior resultado para a criação de emprego formal, desde junho de 2009, igualando-se ao nível do início 2008.
Os números soam como um verdadeiro alerta. Depois de baixar os juros, desonerar setores industriais, disponibilizar crédito livre e direcionado, privilegiar produtores locais nas compras governamentais, etc. e tal, o resultado está aí.
Dizer que foi apenas a crise internacional é tapar o sol com a peneira. O Chile, o Peru, a Colômbia, todos estão embarcados na mesma economia global. Não dá para pedir para o mundo parar, porque o Brasil quer descer.
Os impostos são excessivos, os encargos sociais ultrapassaram o suportável há muito tempo, a legislação trabalhista presta-se ao exercício do protecionismo pelego, a infraestrutura nacional agoniza.
A deterioração na criação de emprego formal é, de um lado, decorrência do pleno emprego. Todos estão empregados, não parece haver mais espaços para novos empregos. De outro, há que se tomar em conta a desceleração da atividade econômica, iniciada no segundo semestre de 2011. Vivemos números melhores que os do desemprego natural, cuja taxa está estimada em 6% pelos melhores especialistas do mercado de trabalho, a chamada taxa neutra.
Considerando a possiblidade de crescimento, cantada em prosa e verso pelo governo federal, vamos continuar com o mercado de trabalho apertado, com os dissídios privilegiando o crescimento da renda real (sem contrapartida na produtividade do sistema econômico) e, portanto, com, o consumo crescendo e a inadimplência e a competitividade nacional caindo. Um engodo para ser resolvido mais à frente.
Espera-se que a taxa de desemprego vá subir a partir do segundo semestre, mantendo-se em nível próximo da taxa de emprego natural de 6,0% a que nos referimos acima. O mercado de trabalho continuará pressionado, o consumo em recuperação, a demanda interna minimamente preservada, os investimentos desestimulados, a produtividade do sistema em queda e o crescimento em recuperação lenta.

Fazendo prova de recuperação

Revisar planejamento desse jeito
é fazer recuperação
O Ministério do Planejamento apresentou a revisão de suas projeções. É de se perguntar qual o interesse de conhecer, no início de agosto, os números da economia no final do ano? Trata-se de prever o presente.
Seja como for, a revisão feita aponta para direções contrárias aos pressupostos assumidos no início do ano para o ambiente macroeconômico nacional. As variações dos números deixam entrever um erro sistemático, decorrente de viés infiltrado na previsão, pelo desejo e pela esperança de um Brasil melhor.
O PIB foi revisado de 4,5% para 3,0%. O câmbio estava previsto em R$ 1,76, na média anual. A nova previsão fala em R$ 1,95. A Selic seria inicialmente de 9,86% na média do ano, foi para 8,86%.
As receitas totais foram reduzidas em R$ 4,0 bilhões, número maior que o orçamento de muitos ministérios. A explicação dada é sempre a mesma: desaceleração do ritmo da atividade econômica. Apenas as receitas previdenciárias foram ajustadas para cima, puxadas pelo crescimento da massa salarial.
Comparadas ao que pensa o mercado, essas previsões ainda são otimistas. Se for, ainda temos a possibilidade de cursar uma dependência no ano que vem.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Para o Brasil, dá no mesmo

China e Europa não poderão contribuir com a economia nacional, nesse instante
Se os Estados Unidos arrastam-se sobre uma economia inerte, a Zona do Euro e a China são fontes de novos tormentos para a economia do mundo.
Para complicar ou resolver, saem essa semana os PMIs da China e da Europa. Os países da Zona do Euro não devem trazer novidades, mas apenas confirmar a recessão generalizada da região. Da China, é que pode sair alguma novidade sobre o atual momento da economia do país. A dúvida sobre a China é relevante para os analistas, afinal não se sabe se o país vai ainda desacelerar mais ou se já esboçando alguma recuperação.
Esperamos, para essa semana, a publicação do indicador trimestral do PIB chinês para concluir que, commodities à parte, qualquer que seja o resultado, o Brasil terá que viver de seu consumo interno.

EUA, sem saída à vista

A economia é frágil, a política mesquinha.
O impasse decorre da oposição ao Governo Obama, inspirada na tese de “quanto pior, melhor”.
Parece que o Fed teme lançar seu Q3, embora se manifeste disposto a isso. Entretanto, a economia norte-americana tem apresentado nos últimos tempos, dados que mostram a fragilidade do país. Como exemplos mais recentes, foram publicados números decepcionantes sobre confiança, emprego e vendas no varejo e no atacado. Aliás, os mercados trabalham com a hipótese de um segundo semestre medíocre, com um baixo nível de atividade econômica.
A ser verdade, parece imperioso a atuação do Banco Central do país, por meio de uma nova rodada de estímulos à liquidez (Q3), providenciando a terceira rodada de quantitative easing.
Na próxima sexta-feira, sai o PIB do segundo semestre dos Estados Unidos e a crença generalizada é a de que os resultados sejam realmente muito modestos, inferiores aos resultados do primeiro trimestre. Obama parece imobilizado por uma oposição medíocre, à busca de um revide eleitoral.
Nessa semana, a esperança do candidato democrata estará depositada na divulgação de notícias que possam reabilitar os estado da economia de seu país. Entre as mais importantes estão as encomendas de bens duráveis, de bens de capital, o índice  de atividade publicado pelo Federal  Reserve de  Chicago e, finalmente, os dados de vendas e de preços do mercado imobiliário. Mas, francamente, esses dados devem confirmar o estado de debilidade econômica do país.
O maior problema entretanto, deve ainda estar mais à frente. As rivalidades internas no campo da política começam a semear dúvidas quanto a não renovação dos estímulos fiscais, cujos vencimentos vão ocorrer no final desse ano. Seria uma bomba, com alto potencial de destruição. Deflação e recessão se somariam de forma cruel, à mesquinhez da política local.

Noves fora

Reconciliando, dados de emprego,
consumo e crescimento
Nessa semana, IBGE deverá anunciar o resultado da Pesquisa Mensal de Emprego, referente ao mês de junho. Esse resultado deve inquietar os analistas que esperam ver, nesse indicador, alguma coisa semelhante à “prova dos nove”.
Afinal o país convive com uma retração econômica prolongada, com uma queda no consumo e com um mercado de trabalho que inexplicavelmente mante-se apertado, mostrando uma taxa de desemprego muito baixa, menor que os 6%, tidos como a taxa “neutra” de desemprego.
Ficam mais inquietos, quando constatam a baixa taxa de investimentos na economia. Perguntam-se de onde vieram tantos empregos? Que caminhos conduzirão a reestruturação da economia nacional com juros cada dia menores? O que será das seguradoras e das empresas de previdência? Como trabalharão os planos de saúde com a perda das aplicações de seus floatings? Os bancos médios e pequenos resistirão? A indústria recuperará seu nível de atividade?
Na semana que passou, as notícias econômicas deram conta de que o faturamento dos supermercados havia aumentado. É de se imaginar, portanto, que o varejo já tenha iniciado um novo ciclo de crescimento e, com isso, deverá puxar o aumento no volume de créditos concedidos. Também, deverá crescer o crédito direcionado, depois de tantos estímulos oficiais deve ter aumentado. Isso significaria uma recuperação, ainda que parcial, das cadeias produtivas, pelo menos, em alguma medida. Se isso for verdade, a explicação estará dada e a "prova dos nove" dará como correto o pleno emprego.
A esse propósito, serão divulgados pelo Banco Central, nessa semana, os dados de crédito do mês de junho. Para fazer sentido com o raciocínio anterior, os dados de inadimplência devem apresentar recuo nada desprezível nos créditos de curto e médio prazos (até noventa dias). Os de prazo mais longo parecem ser estruturais e muito associados ao endividamento excessivo das famílias, em momentos anteriores.
Vejam que a lógica econômica não mudou, mas os analistas precisam mudar sua lógica para entender o mundo em mudança.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A Ata lança palavras ao vento

Confiantes ou desatentos?
A Ata do COPOM pecou pelo otimismo na avaliação da inflação no Brasil à busca de elementos que possibilitem novas reduções da taxa básicas de juros no Brasil. Publicada ontem, a ata faz crer no absoluto controle da inflação atual, seja pela crença exagerada na deflação internacional, seja pela intensidade da retração interna.
Convém, entretanto, colocar atenção em alguns indicadores. Na 2ª prévia do mês de julho, o IGP-M que já havia apresentado alta de 0,63% em junho, registrou alta significativa de 1,11% nessa tomada.
O aumento decorre do comportamento dos três subíndices que formam índice:
1)  o IPA-M (Índice de Preços ao Produtor Amplo-Mercado), com alta de  1,45%. Os preços dos Bens Finais avançaram 1,03 %, contra 0,10 % anteriormente. A maior contribuição para esta aceleração foi do combustíveis, cuja taxa passou de -0,23 % para 5,15 %.
No segmento Bens Intermediários, houve aceleração para 1,45 %, ante 1,15 %. A principal contribuição partiu do subgrupo Combustíveis e Lubrificantes para a produção, cuja taxa passou de 0,41 % para 2,48 %.
O índice de Matérias-Primas Brutas apresentou variação de 1,93 %, contra 0,63 % no mês anterior. Os itens que mais influenciaram foram a soja em grão, de 2,64 % para 11,04 %, o milho em grão, de -3,98 % para 1,55 % e bovinos, de -0,76 % para -0,03 %.
2)  No varejo, o IPC-M (Índice de Preços ao Consumidor-Mercado), também apresentou alta de 0,23%. As principais contribuições para esse resultado vieram dos grupos Alimentação, de 0,55 % para 0,88 % e Transportes -0,80 % para -0,46 %.Também foram registrados acréscimos nas taxas de Habitação de 0,11 % para 0,23 %, Educação, Leitura e Recreação, de -0,16 % 0,18 % e Comunicação, de -0,02 para 0,10 %.
3)  INCC (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado), cuja alta foi de 0,91%. O índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços registrou variação de 0,54 %, ante 0,31 % no mês anterior. O custo da Mão de Obra subiu 1,26 % na segunda prévia de julho, ante 2,81 % no mesmo período do mês anterior.
Hoje é dia de divulgação da Sondagem da Indústria, com o resultado do IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15) e seu comportamento pode reforçar a tendência de alta dos preços identificada nos indicadores anteriores.
Portanto, melhor teria sido o COPOM ter se manifestado de forma mais cuidadosa e não ter apostado na argumentação única de que a inflação está em hibernação. Vejo com preocupação a notícia de que o faturamento dos supermercados aumentou. Isso significa uma ampliação do consumo que poderá trazer novas pressões sobre os preços. Vejo também outras pressões vindas dos produtos agrícolas, sobretudo milho e soja. Para breve, termos o aumento nos combustíveis.
A prudência, nesse instante, recomendaria um período de acomodação nas reduções da Selic, para não ter, em futuro próximo, que reverter decisões anteriores.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Pronto Atendimento na TV Cultura

Falando sobre finanças pessoais
A população precisa ser melhor informada sobre a redução dos juros e os impactos sobre as pequenas aplicações. Com esse novo quadro financeiro, a população precisa discutir seus problemas de finanças pessoais. O Pronto Atendiomento tem sido muito requisitado e tem prestado um serviço relevante à comunidade. Vejam:
Pronto Atendimento


Olhando pela fechadura

Sai hoje a Ata do Copom.
Especialista vão às entrelinhas.
Sai hoje a ata da reunião que trouxe a Selic para 8% ao ano. Os analistas, espreitando atrás das cortinas, buscam identificar a disposição dos conselheiros em continuar reduzindo o juro básico da economia nacional.
Há quem faça figa para que a taxa não venha mais abaixo, mas o ritmo da economia ainda está muito aquém daquilo que as autoridades econômicas desejam para o país. Ademais, estamos em momento pré-eleitoral e uma redução dos juros poderia estimular o crescimento brasileiro, dando combate ao desalentador cenário internacional. Tudo isso estaria incentivando novos cortes.
Por outro lado, a inflação pode trazer algum sobressalto aos preços no atacado no mês de julho, conforme as previsões mais recentes, argumentam os homens de dedos cruzados. Aos espirros, provocados pelo pó das cortinas, sentenciam que os efeitos da política monetária são invariavelmente defasados e que qualquer nova redução de 0,5% na Selic só produziria efeitos no primeiro trimestre de 2013.
Dias atrás, alguém me repetia que “se macumba resolvesse, o campeonato baiano acabava empatado”. Então, podem descruzar os dedos e parar de espirrar.

O roto e o rasgado

União Europeia e Japão:
um olhando para o bolso do outro
A União Europeia trabalha no sentido de construir um tratado de livre comércio com o Japão, objetivando encontrar uma nova vertente de crescimento para sua economia anêmica. O Japão, com iguais propósitos, enxerga nisso a possibilidade de aumentar suas vendas de veículos e peças para os europeus e, através desse acordo, criar uma alternativa de crescimento que combata a estagnação econômica que se apossou de sua vida econômica há longo tempo. “E assim caminha a humanidade”: à base do oportunismo que, nesse caso, tem características bilaterais.
"A Comissão Europeia decidiu pedir aos estados membros da União Europeia a aprovação para iniciar negociações com o Japão", informou o comissário europeu de Comércio, Karel De Gucht, sem informar, contudo, que consequências teriam um provável acordo para as grandes montadoras francesas, alemãs, suecas e italianas.
Imagino haver dificuldades grandes a serem superadas internamente para aprovação do pedido feito aos estados–membros.
A Comissão Europeia, embora não tenha explicado como, crê que o acordo poderia criar cerca de 400.00 novas vagas de trabalho em toda a UE.
Entretanto, para “azedar o bem bolado”, membros da própria Comissão já fazem oposição à ideia do tratado, entre eles o francês Michel Barnier, representando os serviços financeiros, o italiano Antonio Tajani, representante da indústria e o alemão Gunther Oettinger, do setor de energia, sobretudo porque não acreditam que o Japão retiraria barreiras comerciais e demais restrições de acesso aos mercados públicos para as empresas estrangeiras.
Vou apenas lembrar que para ganhar valorizamos mais, podemos perder aquilo que valorizamos menos. Pelo menos, a boa teoria da negociação diz isso. Pena que, dentro dos dois lados, quem perde e quem ganha não são as mesmas pessoas. Umas ganharão e outras perderão e é aí que reside o nó dessa questão.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Private Banking

Novas tendências no mundo
dos clientes Private Banking
A matéria está no Valor Econômico de hoje, no Caderno D.


Micos financeiros no Brasil

Uma análise para os pequenos investidores
A matéria foi realizada nos estudios da TV do Estadão. Assista no link:
http://economia.estadao.com.br/noticias/sua-carreira,saiba-como-fugir-dos-5-micos-na-hora-de-investir,119394,0.htm

A surpresa vem da combalida Europa

Mercado de trabalho no Reino Unido movimentou-se positivamente
O Reino Unido apresentou aumento no nível de emprego de março a abril, de 0,6%, entre pessoas em idade considerada ativa.
Analistas, olhando a dimensão temporal, já consideram esse movimento como uma tendência a ser esperada para o segundo semestre do ano.
Os números são positivos, entretanto parece cedo para admitir que expressem uma tendência. Em primeiro lugar o crescimento não é tão expressivo, foram apenas 0,6% e, ainda assim, no acumulado de três meses.
Ademais, a economia do Reino Unido não mostrou resultados animadores durante todo o ano de 2012, pelo menos até aqui. Seu crescimento é muito modesto e não autoriza supor que possa produzir maiores impactos sobre o mercado de trabalho.

Tudo será lento

A fala de Bernanke já parece confirmada
A produção norte-americana cresceu 0,4 % em junho. Cresceu, é verdade. Mas muito lentamente, conforme as previsões contidas na fala semestral do principal executivo do Fed.
A notícia é boa e está reforçada pelo fato da utilização da capacidade instalada ter também aumentado. O aumento é muito discreto, tendo alcançado 78,9% em junho, e reafirma a tese do Fed.
Ontem, a Associação Nacional de Construtores dos Estados Unidos publicou seu Índice de Confiança do Construtor, referente ao mês de julho. O índice apresentou seu melhor desempenho nos últimos quatro anos, alcançando os 35 pontos, depois da alta de 6 pontos em relação ao mês imediatamente anterior.
As notícias inegavelmente tem o sentido da recuperação. Mas, como afirmou Bernanke, elas não são tão estáveis e acabam sucedidas por outras, de sentido contrário, que impedem a crença na consistência e na velocidade da retomada norte-americana.

E os preços se mexem

A inflação é sempre um tormento.
Mas anda calma, ultimamente.
A FGV mostra alta do IGP-10 em julho. Em junho, o resultado do indicador foi de 0,73%, e no mês em curso o IGP-10 é de 0,96%.
A Fipe, com seu IPC, aponta na mesma direção, com alta de 0,20%, na segunda quadrissemana de julho. De fato, há aqui também uma leve alta em relação à primeira prévia de 0,19%.
Pelas suas dimensões, esses movimentos dos preços não assustam, nem motivam maiores preocupações.
Curioso observar a divulgação da Serasa, informando a redução de 8,7% na demanda de crédito em junho, em relação ao mês anterior. A explicação pode estar no fato de a retração ter diminuído as vendas e com isso deu folga ao capital de giro das empresas.
Crédito e empresarial em recuo e inflação bem comportada dão a ideia da retração atual.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Jogando para cumprir tabela

Foi um lamentável espetáculo de análise, desacompanhado de ações corretivas
A fala semestral do presidente do Fed é tradicionalmente, nos Estados Unidos, um anúncio de novas direções ou de propostas para tratar do estado futuro da economia local.
Quando isso não acontece, melhor seria não haver o pronunciamento, pois a ausência de decisões aponta para a fragilidade da instituição financeira em oferecer respostas ao ambiente. Os investidores, em linguagem coloquial, “perdem o rumo de casa”, e passam a reagir contando com a vulnerabilidade do governo e reconhecendo a necessidade de assumirem posições defensivas. Foi o que aconteceu hoje, após o pronunciamento de Ben Bernanke.
Nenhuma decisão foi tomada, rumos não foram apontados, e apenas algumas intenções foram reafirmadas. "Agir, se necessário" foi a evasiva encontrada para mostrar uma determinação inexistente.
Parece mesmo não ser necessário fazer nada. Mesmo diante de uma economia cujo crescimento é excessivamente lento para reduzir o desemprego. O Produto Interno Bruto dos do país expandiu-se apenas 1,9%, nos primeiros três meses do ano se comparado ao primeiro trimestre do ano anterior. O segundo trimestre parece ter sido ainda pior. Ao final do discurso, o mundo não sabe se haverá, ou não, uma nova rodada de estímulo monetário.
Diante do Comitê Bancário do Senado, Benanke afirmou que a recuperação do país estava sendo reprimida por condições financeiras apertadas devido à crise da dívida da zona do euro e as incertezas sobre a política fiscal norte-americana. Nada de anunciar a aguardada terceira rodada de aquisições de títulos, conhecida como quantitative easing, para dar liquidez à economia. Voltou a falar sobre o óbvio, reconhecendo o ritmo lento do avanço na redução do desemprego e os riscos para o crescimento econômico.
Bernanke afirmou ainda que a recente deterioração no mercado de trabalho sugere que a taxa de desemprego de 8,2 por cento do país irá se reduzir muito gradualmente, admitindo pela primeira vez que isso não pode ser explicado apenas através de fatores sazonais.
Por fim, repetiu seu alerta às autoridades sobre a importância desenvolver um plano crível de longo prazo para reduzir o nível da dívida do governo dos EUA.
Bernake, por fim, reconhece que além de incertezas relacionadas à política fiscal, a economia está sendo restringida pelo aperto das condições de empréstimos para algumas empresas e consumidores.
Enfim, o presidente do Fed trocou passes no meio de campo e jogou para os lados. Fez isso não para ganhar tempo, mas para tentar ganhar o jogo, e disputar a final.

Puxa-puxa financeiro

Cuidado. Puxa-puxa costuma
quebrar os dentes.
Na sexta-feira, as notícias que chegavam da China animaram os investidores levando o Ibovespa para cima. Ontem, 1º dia útil após a alta, as notícias sobre a economia chinesa cobraram de volta os ganhos oferecidos na véspera. A queda foi de 1,7%.
O mercado reagiu mal às declarações do primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, dando conta de que a recuperação chinesa não é estável e que a situação pode se estender por mais algum tempo.
Para piorar um pouco, os Estados Unidos entraram na ciranda das notícias de ontem, informando que as vendas do varejo do país caíram 0,5%. Foi o terceiro recuo seguido. No meio da manhã, ganhou força a previsão do FMI, reduzindo as expectativas de crescimento do PIB mundial, para esse ano, de 3,6% para 3,5%.
 Para ser realista, o cenário externo não trará elementos para incentivar uma recuperação na bolsa brasileira, mas a expansão da economia nacional, que está prometida para o segundo semestre, pode produzir surpresas muito agradáveis. Veja-se, por exemplo, que os juros caíram significativamente nesses últimos meses, que a inflação está sob controle e que, em junho, os investimentos externos diretos alcançaram US$ 6,5 bilhões, sem interromper a desvalorização do real. Portanto, a bolsa pode, como costuma fazer, surpreender a todos positivamente. Fiquem “antenados” nessa perspectiva, mas cuidado para não quebrar os dentes.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Novas inconsistências

Tiros para todos os lados mostram investidor sem um alvo fixo
O Ibovespa passou teve um encerramento feliz na semana passada, com certo otimismo provocado pela divulgação de dados sobre o crescimento chinês. O índice avançou 1,70%, encerrando aos 54.330 pontos nesta sexta-feira. O giro financeiro da bolsa foi de R$ 5.679 bilhões apenas.
O PIB da China apontou o crescimento de 7,6%, no segundo trimestre de trimestre de 2012, ante os 8,1%, dos primeiros três meses do ano. Embora tenha sido um crescimento baixo para os padrões históricos do país, o resultado confirmou as previsões e trouxe vida à bolsa brasileira.
Na Europa, a agência de classificação de risco Moody´s cortou a nota de crédito da Itália em dois pontos, de A3 para Baa2, e colocou o país em perspectiva negativa. Isso pode prejudicar a semana nas bolsas europeias.
Nos Estados Unidos o índice de preços ao produtor apresentou alta de 0,1% em junho, em relação ao mês anterior. Por outro lado, o índice de confiança do consumidor americano, da Universidade de Michigan caiu mais um pouco. Veio de 73,2 pontos do fim de junho, para 72,0 pontos nos primeiro 10 dias de julho.
A Serasa Experian anunciou no Brasil seu índice de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor, apontando o recuo de 1,5% no mês de maio de 2012, em relação ao mês anterior. Otimista, a empresa prevê que, a inadimplência do consumidor deve se estabilizar, entrando em trajetória de recuo no segundo semestre deste ano. Não exatamente o que a retração no varejo e no crédito tem mostrado.

A pesquisa Focus do Banco Central indica PIB ainda menor

Agora, o Boletim Focus já fala em 1,9%,
para o ano de 2012.
Na semana passada, o Boletim estimava o PIB em 2,01. A redução dessa semana veio inspirada no mau desempenho do setor varejista. Para a inflação, contrariamente, projeção é ligeiramente maior. O IPCA foi de 4,85 da semana passada para 4,87% nessa semana.
Seria prudente, então, rever os dados e as projeções sobre a população empregada. Não é possível que o mercado de trabalho mantenha-se apertado depois de uma retração tão grande. Muito menos prudente é imaginar a queda da inadimplência. Se a crise é tão maior do que se estima, não há como manter o otimismo sobre essas duas variáveis. Também parece estranha a previsão feita para a inflação. O que deveria estar se observando, a essa altura, era a queda dos preços e não sua alta. A desinflação já teria se esgotado e estaria aberto o caminho para a deflação. O Boletim Focus tem me parecido inconsistente nesse mês de julho. Vamos esperar por dados de outros setores. Devem desfazer contradições e apontar para a intensidade mais correta do crescimento e da inflação no país.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

A vida com juros baixos


A discussão do momento é a
remuneração da renda fixa
Com juros altos não há razões para encarar o risco da renda variável. Mas, com juros baixos, estar ligado a uma proporção do CDI, investindo no prazo curto, pode sequer preservar o valor real do patrimônio, ou remunerá-lo muito modestamente.
O investidor brasileiro terá que admitir a necessidade de correr riscos maiores para obter retornos mais altos. Sobrará, então, a Bovespa. Ações e debêntures virarão a “bola da vez” e, como se sabe isso exigirá a recuperação da economia nacional.
Deixando de lado o otimismo, o potencial de crescimento brasileiro poderá nos levar ao patamar de 3,0 até 3,5% ao ano.Taxas maiores não devem ser esperadas.
Embora nossas vantagens, como país, não sejam desprezíveis, será necessário lembrar que os problemas de carga tributária, de legislação trabalhista, de logística, somados aos das reformas necessárias, limitam nossa expansão de maneira irremediável. Nesse quadro, a Bovespa pode ser a melhor alternativa para atender a necessidade de aplicadores e tomadores de recursos. Em termos das aplicações, a renda variável, em cenários de crescimento mais intenso, trará bons retornos, sem comprometimento da liquidez e da segurança.
Os próximos anos pedem a inversão da lógica atual. Vamos para um ambiente onde juros e inflação estarão se aproximando dos padrões internacionais.
Outros países da América Latina têm crescido muito mais que o Brasil nesses anos, embora estejam submetidos ao mesmo ambiente econômico restritivo internacional. Portanto, as variáveis mais limitantes acham-se relacionadas muito mais fortemente a fatores internos.
É inegável que o mundo está em desaceleração. Os Estados Unidos devem crescer perto do de 1,5% neste ano. A economia na Europa está anêmica e o Japão parou. A China não sinaliza que ultrapassará os 8,0% de crescimento anual e deve reduzir, por isso, suas importações das commodities brasileiras. Os impactos sobre os preços já preocupam os resultados de nossas contas internacionais.
Quem quiser ganhar mais em suas aplicações financeiras não terá outra alternativa diferente da Bovespa. É bom começarmos a nos familiarizar com novos critérios de investimentos.