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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Crescimento Moderado em 2014

Mesmo com baixo crescimento, não será criada folga significativa da economia em 2014, mantendo a inflação elevada.
Texto de Roberto Padovani,
economista-chefe da Votorantim Corretora
PIB seguirá em lenta expansão. Tem ficado claro que o ajuste pelo qual a economia está passando, após os excessos do crescimento até 2010, ainda se estenderá por um bom tempo, com o ritmo de crescimento ficando abaixo do potencial de longo prazo da economia. Por um lado, há sinais consistentes de uma recuperação cíclica do crescimento global. Mas, por outro, o consumo local perde fôlego por conta da aceleração inflacionária, do desaquecimento do mercado de trabalho e da retirada de estímulos econômicos.
No entanto, novo tombo na economia é improvável. Em nossa avaliação, os principais determinantes da demanda, como inflação, crédito, emprego e incentivos de política econômica, não são restritivos o suficiente para levar a mais um tombo da economia em 2014. A inflação ainda é alta, mas já parou de acelerar. No mercado de crédito, após a estabilização/recuo nos indicadores de endividamento e comprometimento de renda, já há sinais de retomada no volume, sobretudo no crédito livre para pessoas físicas. No mercado de trabalho, apesar de o ritmo da ocupação estar fraco, a alta no desemprego deverá ser gradual. Por fim, o aperto monetário não deve se estender muito, já que o objetivo não é a convergência rápida da inflação para o centro da meta. A política fiscal, da mesma forma, deverá, na melhor das hipóteses, ser neutra.
Indústria segue em ritmo fraco. Apesar de o ciclo global favorecer exportações para o próximo ano, incertezas econômicas e políticas locais devem influenciar negativamente os investimentos. Com isso, o impulso para a indústria será moderado: nossa projeção para o PIB industrial, que contraiu 0,8% em 2012, é de crescimento de 1,3% para 2013 e 2014.
Comércio ainda cresce razoavelmente. Como reflexo de condições de renda ainda favoráveis e estabilização do mercado de crédito, o comércio pode continuar crescendo, ainda que em um ritmo mais moderado. As vendas no varejo devem oscilar entre 4,5% e 5,5% em 2013-2014, após um crescimento médio de 8,3% no período 2007-2012. Neste caso, o crescimento do PIB de serviços pode ser de 2,2% e 2,4% para 2013 e 2014, respectivamente.
Crescimento no país é moderado. Os dados recentes sugerem que o crescimento do PIB no último trimestre deste ano poderá ser de +0,5% QoQ SA. Considerando-se as demais projeções e um crescimento da agropecuária de 7,1% neste ano e 2,7% em 2014, o PIB deve ficar ao redor de 2,3% neste ano e 2,2% em 2014. Neste caso, nossas medidas de hiato de produto mostram que não será criada folga significativa da economia em 2014, o que nos faz projetar uma inflação ainda elevada e próxima a 5,5% para o próximo ano.

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