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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

A prova dos nove

O novo salário mínimo começa
em janeiro
O salário mínimo, reajustado para R$ 622,00, já entrou em vigor graças à penada presidencial de final do ano.
Gesto de imensa generosidade, com efeitos que se estendem por toda a economia, para o bem e para o mal.
O consumo, em queda, responderá a esse novo estímulo. Espera-se. Afinal, trata-se de um reajuste nominal nada desprezível, de 14,13% em relação ao valor anterior de R$ 545,00. As camadas de rendas inferiores, mais beneficiadas pela medida, apresentam-se com suas demandas ainda muito reprimidas, fazendo crer que a direção desse dinheiro será mesmo a do aumento de seus gastos, expandindo o consumo das famílias, com impacto apenas lateral na formação das poupanças individuais. Nesse particular, excetue-se o crescimento dos valores poupados compulsoriamente que, infelizmente (e necessariamente), correspondem a novos  aumentos do custo da produção nacional. Uma espécie de generosidade “feita com o chapéu alheio”, mas que, justiça seja feita, reduz desigualdades ainda gritantes na economia brasileira.
A expansão abrupta da massa salarial poderá trazer efeitos benéficos ao sistema creditício nacional, reduzindo uma inadimplência que atingiu em novembro, nada menos que 7,29% do crédito às pessoas físicas.
Vai ser importante acompanharmos o comportamento dos preços. Eles devem movimentar-se para baixo, movidos pela recessão mundial e, para cima, pelo crescimento da demanda agregada interna e pelas pressões dos custos da mão de obra. Vai ser preciso muita atenção no monitoramento do sistema de preços nacional para que o governo conclua 2012 abaixo do limite superior, fixado para o centro da meta inflacionária.
As contas públicas estarão novamente em questão. Agora, com um aumento de gastos, decorrente desse aumento do mínimo, em pelo menos R$ 25 bilhões. Com a expansão dos gastos, cria-se um novo foco inflacionário a ser combatido por economias produzidas no custeio da máquina governamental, não pela redução dos investimentos públicos. Espera-se. Cortes no investimento reduzem a oferta de postos de trabalho, com tendência a minimizar os benefícios do aumento concedido. A previdência social deve também acusar o golpe, dado que seus custos atrelam-se consistentemente ao mínimo.
A complexidade da gestão da vida econômica de qualquer país origina-se dessas consequências, simultaneamente positivas e negativas, que as decisões nessa área embutem. Passa a ser muito valioso contar com bons instrumentos de aferição, que nos permitam entender e antecipar os movimentos e as tendências das variáveis econômicas. Felizmente, contamos com bons institutos de pesquisas, públicos e privados, para realizar a "prova dos nove", a tempo e a hora.

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