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domingo, 14 de agosto de 2011

Agora, com menos emoção

Ansiedade a mais da conta
Parece certo uma queda brusca na atividade econômica mundial. E claro, com impactos sobre a vida dos brasileiros. Não ao ponto de destruir os avanços alcançados nos últimos anos.
Estamos diante de uma crise de origem fiscal, apenas. São enormes as dívidas acumuladas pelos países desenvolvidos. Algumas, sem dúvida, impagáveis. Na Europa, a “operação regate” tem natureza democrática ao consolidar as dívidas de cada país e distribuí-las entre os demais, sempre as compartilhando com a iniciativa privada. Os primeiros a segurar o mico, no setor privado, são merecidamente, os bancos nacionais e estrangeiros. A essa altura, já não se sabe mais, de que problemas esses bancos são a causa e de que outros os governos são os responsáveis. Um e outro, democraticamente, dividirão as conseqüências, repassando-as mais cedo ou mais tarde as suas populações nacionais. Nos Estados Unidos o pragmatismo se impôs no último acordo alcançado no senado. O repasse para a população foi imediato, por meio de cortes aos programas sociais e assistenciais. Aumentos de impostos as elites republicanas não aceitam. O mico é mesmo da população,  de forma direta e imediata. Sem volteios.
Os dois maiores protagonistas do comércio mundial foram à lona e isso impõe a recessão anunciada. Como ficamos no Brasil?
A redução do comércio exterior vai nos alcançar em duas vertentes. Redução nas quantidades de todos os produtos exportados e a queda nos preços das commodities. As grandes economias ocidentais passam a importar menos e, como decorrência, a China perderá mercado para seus produtos industrializados, sofrendo expressivo impacto em seu nível de emprego e de renda. Com renda menor, importará menores quantidades das commodities brasileiras, afetando os preços das exportações desses produtos brasileiros.
Outra vez, o mercado interno pode salvar a lavoura. A área econômica já mostra indícios de finalizar o ciclo de aperto monetário para ativa, mais uma vez, a demanda interna. Juros podem ser baixados, depósitos compulsórios liberados, prazos de financiamentos aumentados e impostos reduzidos nas operações financeiras. Nada de uma só vez, mas com os cuidados macroprudenciais costumeiros às autoridades econômicas, obedientes às suas tradições anticíclicas. É bem verdade que a inflação pode recrudescer e a inadimplência aumentar. Mas há espaços para combater a alta de preços por meio de medidas fiscais no Brasil e a inadimplência se encontrará com um sólido sistema financeiro nacional, capitalizados e desalavancado, salvo exceções pontuais.
Na esteira dessas possibilidades macroeconômicas, o real se depreciaria, possibilitando salvar o que restou de nosso parque industrial. Com juros mais baixos e preços de exportações em queda, o influxo de dólares para o Brasil seria reduzido e a moeda norte-americana tenderia a uma salutar apreciação.
Mas o melhor de tudo (se é que em situações como a atual se possa utilizar essa expressão) é que poderíamos ampliar nosso superávit primário, em direção ao nominal, cortando despesas e, quem sabe, desonerando folhas de pagamentos e reduzindo alíquotas tributárias sobre os sofridos produtores nacionais. A política fiscal será decisiva nesse momento, para continuar reduzindo o tamanho do déficit primário do governo federal, reduzindo mais ainda o crescimento da dívida pela necessidade do financiamento desse déficit primário e o custo do financiamento da dívida pública.
Realmente não há motivos para tantas emoções. Exuberamos nossos comportamentos nos mercados financeiros, cometendo exageros na precificação miserável de ativos que são sólidos e muito atraentes.
Como diria o caboclo no interior desse país “ é ansiedade a mais da conta, sô!”

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